sábado, 30 de julho de 2016

Figuras de Tintin #12 - Alcazar lançador de punhais


A figura do General Alcazar ou do lançador de punhais Ramon Zarate é a personagem escolhida para a 12ª entrega da colecção "Figuras de Tintin" da editora Altaya

O general Alcazar, presidente da república de San Teodoros, estreou-se nas aventuras de Tintin no episódio "A orelha quebrada", passando pelas aventuras "As 7 bolas de cristal", "Carvão no porão" e, finalmente, em "Tintin e os pícaros". 

Alcazar é um produto das repúblicas das bananas da América do Sul, governa em proveito próprio, sendo, contudo, um homem de palavra. Autoritário, ditador, Alcazar é uma "criança mimada" que só se submete à sua esposa Peggy Alcazar, um marimacho doméstico que o massacra na última aventura completa de Tintin.

Figuras de Tintin #12 - Alcazar lançador de punhais, Livro+Figura+Passaporte, Altaya

sábado, 9 de julho de 2016

Figuras de Tintin #11: Dupond atrapalhado

"Dupond atrapalhado" é a nova entrega da colecção Figuras de Tintin. Dupond um dos polícias incompetentes, acompanhado pelo "gémeo" Dupont, estrearam-se nas aventuras de Tintin na versão a preto e branco de "Os charutos do faraó", ainda com os nomes de X33 e X33bis. Desde então, a dupla de detectives, cuja única diferença é a forma do bigode, apareceram em todas as aventuras do Tintin, com excepção de "Tintin no Tibete" e "Voo 714 para Sydney". Conforme explicara Hergé, os polícias foram inspirados no seu pai e tio, gémeos inseparáveis. 

A estatueta é uma réplica da figura da prancha 56, vinheta B1, do episódio "O segredo do Licorne".

Figuras de Tintin #11: Dupond atrapalhado, estatueta+livro de 16 pp.+passaporte, Altaya, 11,99€ 


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Figuras de Tintin #10: Girassol com a corneta acústica

A décima entrega desta colecção da Altaya é, novamente, o professor Girassol. Uma das características do cientista é a surdez, o que provoca, amiúde a perda da paciência dos seus ouvintes, aliado a situações hilariantes. Com a corneta acústica, Girassol tenta melhorar a sua audição.

A figura da entrega é retirada da prancha 43, vinheta A2, do álbum "Rumo à Lua".


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sábado, 11 de junho de 2016

Figuras de Tintin #9: Serafim Lampião com a pasta

O famoso vendedor de seguros da Mondass, Serafim Lampião, é a figura escolhida para a nona entrega desta colecção distribuída pela Altaya.

A estreia desta personagem ocorre no episódio "O Caso Girassol", com Serafim a refugiar-se em Moulinsart de uma violenta tempestade. Dois dias mais tarde, Lampião está de volta a Moulinsart para propor a Haddock uma panóplia de seguros. Em "Carvão no Porão", organiza uma prova automobilística nos jardins do palácio do capitão. Volta a aparecer nas aventuras "As jóias de Castafiore", "Voo 714 para Sidney" e "Tintin e os Pícaros".

A miniatura em resina é retirada da prancha 42, vinheta C3 do episódio "As jóias de Castafiore".

Figuras de Tintin #9: Serafim Lampião com a pasta, Figura+Livro+Passaporte, Altaya, 12,99€


domingo, 5 de junho de 2016

Hergé: um monárquico convicto


Muitos conhecem Georges Remi somente pelo génio da escrita e do desenho, que lançou ao Mundo a 10 de Janeiro de 1929, Tintim, o herói que o catapultou para o sucesso sem precedentes. Mas o que talvez não saibam é da sua luta e lealdade pelo Rei da Bélgica, Leopoldo III, e acima de tudo pela Monarquia.
Nunca se conheceu o paradeiro do verdadeiro avô de Hergé, o que o fez fantasiar por algum tempo poder tratar-se do próprio Leopoldo II, pois era famoso por ter vários filhos ilegítimos. Quando a sua prima Marie Louise lhe perguntava quem era o avô, ele desviava a conversa, mas por fim respondeu-lhe: “Não te digo quem era o nosso avô porque isso podia subir-te à cabeça”.
Desde o lançamento do primeiro volume de As Aventuras de Tintim, que os Príncipes Balduíno e Alberto recebiam cópias de luxuosa encadernação de todas as obras.
Logo a 14 de Outubro de 1936 o Rei Leopoldo III anunciava que em caso de guerra a Bélgica deveria manter-se neutra, pois se fosse invadida de novo “a luta devastaria o país de uma forma tal que a guerra de 1914-1918 não passaria de um pálido reflexo”. As suas palavras estavam certas, mas o destino foi inevitável. Hergé concorda com a tomada de decisão do Rei, apesar de haver algum descontentamento na opinião pública.
No ano de 1939 é publicado O Ceptro de Ottokar, livro que exalta a Monarquia Constitucional, onde o herói salva o Monarca da Sildávia de uma conspiração com o objectivo de implantar uma república ditatorial. As parecenças do Muskar II, soberano fictício da Sildávia, com o Rei Leopoldo III são visíveis. Esta era a forma de Georges mostrar a sua lealdade com a Casa Real belga, apesar de todas as adversidades.
Quando a II Guerra Mundial estala os quatro principais ministros belgas decidem abandonar o país e partirem para França. Leopoldo III por seu turno não abandona a Bélgica, dizendo que o seu lugar era ao lado do povo. Neste momento era ele que dirigia pessoalmente as operações militares. A 28 de Maio de 1940 o Rei rende-se a Hitler para evitar massacres, ficariam imortais as suas palavras “Não vos abandono no infortúnio que nos atormenta e comprometo-me a velar pelo vosso destino e pelo das vossas famílias. Amanhã começamos a trabalhar com a firme vontade de levantar a pátria das ruínas”. Hergé declararia mais tarde “Penso que nunca existiu nenhum testemunho que me abalasse a minha convicção inicial. (…) O rei teve razão”.
Durante este período Hergé carece de bens de primeira necessidade, por esta razão pede a Adolfo Simões Muller, director do jornal português O Papagaio, seu parceiro desde 1936, que enviasse comida para si e para o seu irmão Paul, que se encontrava prisioneiro na Alemanha. E assim o fez, enviando inúmeras iguarias, café e tabaco. Portugal foi o primeiro país a traduzir e a colorir As Aventuras de Tintim. Curiosamente Adolfo Simões Muller compartilha o mesmo apelido de um dos eternos rivais de Tintim.
Georges só viria a conhecer Leopoldo III em 1948, quando este se encontrava em Prégny, na Suíça. O Rei convida-o para almoçar e recorda com saudade todos os álbuns que lhe foram enviados ao longo de quase duas décadas. A partir desse momento estabeleceu-se uma amizade.


Francisco Teles da Gama

sábado, 4 de junho de 2016

Figuras de Tintin #8 - Nestor com a bandeja

A oitava entrega desta colecção da Altaya é Nestor, o mordomo do Capitão Haddock. O fiel, sóbrio e abnegado serviçal do capitão estreou-se nas aventuras de Tintin no episódio O segredo do Licorne, na altura mordomo dos criminosos irmãos Pardal. Estávamos em 1942, a Bélgica ocupada pelos alemães, com o Tintin a ser publicado a preto e branco no jornal Le Soir.

A imagem que deu origem à estatueta é a vinheta C1 da prancha 4 de As 7 bolas de cristal.

Figuras de Tintin #8: Nestor com bandeja, Altaya, Estatueta+Livro+Passaporte


domingo, 29 de maio de 2016

Crónica de Victor Bandarra no Correio da Manhã de 27 de Março de 2016

É uma conversa provável numa esplanada junto ao Tejo. Um cinquentão moreno, fino bigode, displicência britânica, troca impressões com uma portuguesa, Clara, finalista de Comunicação Social. Apresenta-se como Gaudde Mascarenhas, repórter de um grande jornal de Islamabad, Paquistão. Cumpre breves dias de férias em Lisboa. Fala português com sotaque. Gaudde nasceu em Moçambique, filho de muçulmana de origem paquistanesa e de goês católico. Os acasos do destino e do Império levam-no a fazer o liceu em Lisboa e a iniciar a vida adulta no Paquistão. Gaudde narra os horrores dos atentados terroristas, as andanças como correspondente de guerra, no Líbano e no Afeganistão, no Iraque e no Irão, no Paquistão e no Sri Lanka. A jovem bebe da experiência prática de um homem do Mundo. Face à barbárie dos atentados de Bruxelas, vem à baila a personagem Tintin, o repórter lourinho criado pelo cartunista belga Hergé. Tintin é bom pretexto para se falar de repórteres e de terrorismo. – Com os atentados em Bruxelas, lembrei-me logo do Tintin! – aponta Clara. – É lógico! – reconhece Gaudde. – Mas o rapaz tinha uma visão um bocado redutora do Mundo e dos humanos... Em 1931, Hergé lança ‘Tintin em África’, história encomendada pelo jornal conservador belga ‘Le Vingtième Siècle’. A história passa-se no Congo, então belga. Os negros são desenhados todos da mesma maneira, magrinhos, de lábios grossos e pele preta retinta. Na Europa, pensava-se e escrevia-se então: "Os negros são crianças grandes. Felizmente estamos lá..." Anos depois, Hergé acaba por reconhecer os preconceitos e os estereótipos culturais e civilizacionais que lhe povoavam o espírito, ele que nunca tinha posto o pé em África. Quanto às aventuras de Tintin pelas Arábias muçulmanas, Hergé inventa o lisboeta Oliveira da Figueira, vendedor nato e fala-barato, um dos ídolos de Paulo Portas. Personagem hilariante, Figueira até consegue vender patins a um sheik, argumentando em perfeito paleio árabe. – Tenho amigos que se lembram logo do Oliveira da Figueira quando se fala de Portugal! – sorri Gaudde. Hoje, há quem insista em fomentar o secular conflito de civilizações, por interesse, preconceito ou simples ignorância. A Europa política, quiçá por medo, nunca conseguiu criar aos 53 milhões de muçulmanos na Europa uma identidade europeia, menos ainda o orgulho de serem cidadãos europeus. Criaram-se novos ghettos, a melhor fábrica de terroristas que se conhece. O Mundo está a mudar, ou nem por isso. – Sr. Gaudde! E está agora a trabalhar em que país? – Olhe, Clara! – suspira Gaudde. – Fui colocado como correspondente de guerra em Bruxelas!