sábado, 28 de janeiro de 2017

Figuras de Tintin #25: O marajá de Rawhajpotalah

O marajá de Rawhajpotalah é a personagem escolhida para a 25ª entrega da colecção portuguesa das Figuras de Tintin. Conjugando qualidades de coração e de espírito, o marajá reina sobre o seu povo como "um bom pai de família", encarnando valores que Hergé tanto aprecia. Vestido quase completamente de branco, cor da pureza e da inocência, o marajá apresenta-se nesta estatueta em traje de cerimónia. 

O soberano salvou a vida de Tintin, mas o herói salda a dívida, domando um tigre devorador e evitando o envenenamento do marajá pelos traficantes de droga de Kih-Oskh. Mais tarde, resgata dos seus sequestradores o filho do soberano. 

O marajá de Rawhajpotalah entra em duas aventuras do Tintin ("Os charutos do faraó" e "O lótus azul") e a referência da figura encontra-se na vinheta B2 da prancha 62 de "Os charutos do faraó")

Figuras de Tintin #25: O marajá de Rawhajpotalah, estaueta+livro+passaporte, Moulinsart/Altaya, 12,99€



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

sábado, 14 de janeiro de 2017

Michel Bareau: Dar cor "sem trair" o original

Diretor artístico do Estúdio Hergé, responsável pela versão a cores "Tintin no País dos Sovietes", explica como foi o processo.



Hergé pintou outras obras em cores mais vivas. Procurou propositadamente ser diferente do autor?

Fizemos um trabalho como alguém que descobre uma obra do início do século depois da Grande Guerra. Os filmes de reportagem a preto e branco sobre a guerra marcaram as primeiros desenhos de Hergé. Quando criou Tintin, em 1928, foi marcado por esse estilo, desenhando como se fosse um filme a preto e branco. O que fizemos foi uma "colorização"" com a mesma técnica que já se utilizou para dar cor a filmes a preto e branco. Não tem nada que ver com a técnica de Hergé, a qual quisemos manter intacta, sem a trair.

Uma técnica diferente?

Ele criou uma técnica particular, que era fazer uma pintura sobre uma grelha. Ele desenhava e o gráfico filmava as figuras e depois imprimia em cinzento sobre papel de desenho. Hergé pintava e, posteriormente, sobrepunha uma segunda camada composta pela película que continha os traços a negro.

Como é que chegaram a essas cores?

Fizemos um trabalho de documentação. Se nos questionarmos sobre a cor de um garrafão de gasolina da Shell, vamos pensar que é amarelo, mas naquela época era vermelho escuro. Tentámos recriar um ambiente de 1920. Fotografámos os documentos originais e foi a partir daí que trabalhámos. Pensamos que conseguimos um resultado apelativo, com cores um pouco mais suaves do que as utilizadas por Hergé.

Como reage aos críticos da cor nesta obra?

O antigo secretário de Hergé, o senhor Alain Baran, diz agora que não deveríamos mexer na obra de um artista depois de ele falecer. Sinto como um ataque pessoal e à equipa, que se dedicou muito.

Sentiu responsabilidade perante os fãs de Hergé ao fazer este trabalho?

Foi uma grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo tive muita liberdade para o realizar. Tive luz verde de Fanny Rodwell, que é a viúva herdeira de Hergé, e do seu marido, Nick Rodwell, que é ao mesmo tempo o responsável de Moulinsart, a empresa que gere os direitos de As Aventuras de Tintin. Com essa liberdade que me deram consegui ter uma noção clara e formar a minha opinião sobre o ponto de partida.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Tintin: Primeiro livro lançado em versão colorida

Chegou hoje às livrarias a versão a cores do primeiro livro de Hergé. Tintin no País dos Sovietes foi editado, pela primeira vez, em 1929.

Ao contrário do que fez com todas as obras que desenhou a seguir, traço a preto e branco, neste livro, nunca viria a ser alterado, até hoje.

A empresa Moulinsart, que administra os direitos de exploração da obra do desenhador belga, coloca hoje nas prateleiras das livrarias uma edição totalmente colorida.

A TSF já foi ao museu da Banda Desenhada na cidade natal de Tintin, em Bruxelas, onde o livro já está à venda.

A belga Carine Schmitz, apaixonada pela banda desenhada e que há 27 anos se dedica à coordenação do museu, descreve Tintin no país dos sovietes como um livro encantador, até pelas suas imperfeições.

"Este é o primeiro livro de toda [a série] Tintin. Vemos bem que não o mesmo traço de Hergé quando chegou ao décimo álbum. Já não desenhava da mesma maneira. Mas, aqui, ele tinha apenas 21 anos. É a primeira banda desenhada dele. É normal que tenha defeitos", nota a diretora do museu.

Em Tintin no país dos sovietes, encontramos por exemplo bananas em Moscovo, postos de combustível da Shell na Rússia e algumas personagens têm nomes com origem na Polónia. Nada disto existia na Rússia de 1929. Mas, é isso "que lhe dá o charme, ao vermos que ele era tão jovem quando fez o primeiro livro", nota Carine Schmitz.

Aos 21 anos, Hergé inaugurou um novo estilo que, a partir daí, marcaria a banda desenhada. Os traços fortes, sem sombreados, pouco contraste são "o princípio do que chamamos a linha clara".

"Na verdade, em Tintin no país dos sovietes, o mais interessante é o movimento e a forma como ele faz mexer as personagens, as perseguições de carro, Milu que já tem imensa graça. Francamente é o início de uma grande aventura de Tintin", afirma.

No início da história, Tintin é enviado de Bruxelas em reportagem para Moscovo. Por sabotagem dos serviços secretos russos, uma bomba destrói o comboio, durante a passagem pela Alemanha. Tintin é detido sob acusação de atentado terrorista. Algumas semelhanças com a atualidade poderiam levar a pensar que é um livro recente. Mas, Schmitz considera que se trata de um livro confinado no seu tempo e "Tintin no país dos sovietes já não tem atualidade".

Hergé escreveu sob as orientações da direção do Jornal católico, conservador, anti-comunista, Le Vingtième Siècle. A história da investigação ficcionada, do repórter imaginário, que se tornou num dos principais heróis da banda desenhada, foi publicada semanalmente, em capítulos, entre 1929 e 1930, como um instrumento de propaganda anti-soviética.

Misturadas com as peripécias do repórter, ao longo das 140 páginas, encontram-se as conclusões da investigação, do enviado à Rússia, por exemplo, quando descobre a forma como o regime soviético iludia o povo sobre o Paraíso Vermelho.

Hergé escreveu a história sem nunca ter estado na Rússia, com base nos escritos do consul belga, em Moscovo, naquela época. Isso mesmo nota-se quando Tintin descobre que os bolcheviques ameaçavam o povo para conseguirem a vitória nas eleições. É uma transcrição quase integral dos relatos do cônsul que viveu nove anos em Moscovo.

Numa das passagens o repórter vai parar a um esconderijo, cheio das riquezas supostamente roubadas ao povo por Lenin, Trotsky e Stalin. Tintin consegue escapar daqui com a ajuda do companheiro inseparável, o cão Milou.

O repórter imaginário ficou conhecido, ao longo de mais de duas dezenas de alguns que se seguiriam, pelo andar ligeiramente curvado, as pernas fletidas e pela madeixa de cabelo levantado. Mas, não é exactamente esta a figura apresentada nas primeiras vinhetas do livro. Esta imagem de marca do repórter é lhe atribuída mais adiante na história.

"É durante uma perseguição de carro que os cabelos dele ficam para trás e o Hergé continuou a desenhá-lo desse maneira. É em Tintin no país dos sovietes que Tintin fica com a sua pequena madeixa", lembra a diretora do museu.

Carine Schmitz acredita que a reedição colorida vai ser um sucesso, relançando as vendas das aventuras de Tintin. "O facto de se fazer Tintin no país dos sovietes [em edição] colorida, aqui no museu da banda desenhada, [acredito] que as pessoas que são amantes da banda desenhada possam descobrir, ao mesmo tempo, o livro a preto e branco", afirma.

Schmitz acredita que a paixão dos mais novos com o Tintin ainda é como dantes e, aos 88 anos, o famoso repórter belga ainda encanta os jovens de hoje. E, isso nota-se nas vendas.

"Aqui, pelo que vemos, continua ainda a ser o melhor. O Tintin e os Estrunfes são os "bestsellers". É importante saber que estamos no museu da banda desenhada. E, muitas das pessoas que aqui vêem querem os clássicos. O Tintin mantém-se como a nossa melhor venda", garante.

In TSF

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Figuras de Tintin #24: Haddock faz de Hadoque

A estatueta que acompanha o 24º livro da colecção "Figuras de Tintin" encerra a prancha 13 do álbum "O segredo do Licorne", mas é igualmente uma das tiras diárias do jornal Le Soir publicada em 1942. Haddock está embriagado de entusiasmo por ter descoberto um passado glorioso, sendo familiar do famoso cavaleiro Francisco de Hadoque. Ataviado com um chapéu de outra época e brandindo um ameaçador sabre de corsário, Haddock ameaça levar tudo à sua frente.

Figuras de Tintin #24: Haddock faz de Hadoque, Moulinsart/Altaya, livro+estatueta+passaporte, 12,99€


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Figuras de Tintin #23 - Ridgewell o explorador

O explorador Ridgewell é a última entrega da Altaya deste ano referente a esta colecção da Moulinsart. A personagem é inspirada por Hergé na figura de Percival Harrison Fawcett, um antigo coronel de artilharia do exército das Índias desaparecido em 1925, na companhia de um filho e de um amigo, nas florestas do Mato Grosso no Brasil. Ridgewell teve a sua estreia no episódio "A orelha quebrada" quando encontra Tintin nas florestas dos Arumbayas. O explorador apresenta-se com cabelo comprido e uma barba mal cortada, umas calças esfarrapadas e uma camisa às tiras. Trinta e nove anos mais tarde, Ridgewell reaparece em "Tintin e os Pícaros" como amigo do coronel Alcazar e militante da causa anti-alcoólica. 

Figuras de Tintin #23: Ridgewell o explorador, livro de 16 pp.+estatueta+passaporte, Moulinsart, 12,99€

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Figuras de Tintin #22 - Tintin com kilt

A arte do disfarce é algo habitual em Tintin, que se transforma sempre que é preciso camuflar-se nos ambientes. No episódio "A ilha negra", Tintin utiliza o tradicional kilt escocês, depois de uma aterragem forçada que lhe deixou a roupa em farrapos. É com esta vestimenta que se apresenta na estatueta da 22ª entrega desta colecção da Moulinsart, distribuída em Portugal pela AltayaTintin pôs o kilt pela primeira vez na Primavera de 1938 na primeira versão de "A ilha negra" publicada, a preto e branco, no "Le Petit Vingtiéme", mais tarde publicada em Portugal na revista "O Papagaio". 
A referência da figura retratada na estatueta é a vinheta B4 da prancha 40 da terceira versão de "A ilha negra".

Figuras do Tintin #22 - Tintin com kilt, estatueta+livro de 16 pp.+passaporte, Moulinsart, 12,99€



sábado, 3 de dezembro de 2016

Figuras de Tintin #21 - Castafiore com o papagaio

Castafiore, uma diva da ópera, estreou-se nas aventuras de Tintin em 1938 no episódio "O Ceptro de Ottokar". Bianca Castafiore, rara excepção de uma personagem feminina nas aventuras de Tintin, é uma autêntica matrona, desprovida de beleza e atracção, agindo como uma verdadeira tirana para quem a rodeia. 

O talento da diva, figura habitual no famoso Scala de Milão, é pouco apreciado pela grande maioria, à excepção do Professor Girassol, porque a surdez o impede de ouvir a estridência da voz de Castafiore.

Bianca Castafiore intervém fisicamente em sete aventuras de Tintin ("O ceptro de Ottokar", "As 7 bolas de cristal", "O caso Girassol", "Carvão no porão", "As jóias de Castafiore", "Tintin e os pícaros" "Tintin e a Alph-Art") e aparecendo com uma breve aparição radiofónica em "Tintin no país do ouro negro".

Castafiore é a única personagem, além de Tintin, a merecer o seu nome no título de um episódio.

A referência da figura da estatueta que acompanha o livro é do episódio "As jóias de Castafiore", prancha 34, vinheta A2.

Figuras de Tintin #21 - Castafiore com o papagaio, Moulinsart com distribuição pela Altaya, estatueta+livro de 16 pp. e passaporte, 12,99€

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Hergé e a grandeza da arte maior que é Tintin e a BD

As extensas filas que se acumulam à porta do Grand Palais, em Paris, parecem querer dar razão a Hergé, quando o criador de Tintin dizia esperar, em 1969, que "no ano 2000" a banda desenhada fosse ela própria um meio de expressão tão considerado "como a literatura ou o cinema". É essa também a ideia-chave com que abre a exposição que as Galerias Nacionais francesas dedicam pela primeira vez à banda desenhada, 16 anos depois do início do milénio, numa sala que apresenta "a grandeza da arte menor".

Puro engano: o que esta mostra - em exibição até 15 de Janeiro de 2017 - nos traz é uma arte maior em que a vida e a obra do belga Georges Rémi, que todos conhecem por Hergé, vai para além do universo da sua emblemática criação que é o repórter Tintin, mesmo que, ao longo de dez salas, se centre neste universo de 24 álbuns.

Logo a abrir há uma dimensão pouco conhecida de Hergé: a de amante de pintura abstrata e pintor, em que as suas referências são reconhecíveis nos quadros por si pintados, seja Miró ou Dubuffet. No diálogo interativo que a exposição apresenta com a obra de Hergé, é possível descobrir como o autor belga transportou essa sua admiração para as pranchas da BD, como no álbum Tintin e os Pícaros.



Todos os álbuns estão impregnados de referências da pintura neoclássica, surrealista ou do japonês Hokusai, como também do cinema de King Kong ou as personagens Bucha e Estica, de Stan Laurel e Oliver Hardy, que influenciaram as criações de Dupont e Dupond, como sinaliza o comissário da exposição, Jérôme Neutres, no catálogo da mostra. É Jérôme Neutres que nota que, "para alimentar o seu imaginário, Hergé, que raramente saiu da Bélgica e seus arredores, viajou essencialmente por outros imaginários". É essa viagem deste "romancista da imagem" que nos transporta também para a Lua e mergulhamos numa sala em que o centro é a maqueta da nave espacial dos álbuns de Tintin Rumo à Lua e Explorando a Lua, ao som da voz de David Bowie, em Space Oddity, com o Major Tom a chamar o ground control.

A acompanhar cada uma das etapas da obra de Hergé, o visitante pode observar esboços, trabalhos originais, reproduções do Le Petit Vingtième, no qual eram publicadas as histórias de Tintin, cruzando-se com a história. É assim que, num período de sucesso das obras publicadas no suplemento infantil do jornal Vingtième Siècle, a II Guerra Mundial obriga à suspensão deste diário. Na capa desse último Petit Vingtième Hergé desenhou o doutor Müller pronto a atacar Tintin, no momento em que a Alemanha invadia a Bélgica.



Tintin continuará nas páginas do diário Le Soir, sob controlo alemão, o que angustia Hergé quando da libertação do país do jugo nazi, mas não será acusado de nada. O estilo da linha clara que Hergé vem ensaiando nas pranchas de Tintin é ainda mais depurado com a publicação de As 7 Bolas de Cristal nas páginas do jornal.

A fama de Tintin que tantas vezes eclipsou a obra de Hergé atirou para a gaveta muito do seu trabalho. Antes de Tintin, o belga criou e desenhou em 1926 Totor, um jovem escuteiro, mas também daria vida em Dezembro de 1935 a Les Aventures de Jo, Zette et Jocko, numa publicação francesa Coeurs Vaillants, uma lança num país onde o número de potenciais leitores era bem mais vasto.

Autodidata, o desenhador tomou o nome de Hergé, um pseudónimo que nasceu da troca das iniciais do seu nome de batismo Georges Rémi ("r" e "g"). Fazendo uso de uma montagem inteligente entre os vários elementos iconográficos e cénicos, a exposição leva-nos ainda aos trabalhos que foram emergindo dos Studios Hergé, nomeadamente na publicidade.

Transportando a linguagem da linha clara para os anúncios, Hergé entendeu desde cedo que a "legibilidade da mensagem e da imagem era primordial". Antes de a BD ocupar os seus dias a tempo inteiro, o criador de Tintin dedicou-se ao grafismo de logótipos, um talento de que se ocupou nos anos 1920 e 1930.

O mito de Tintin nasceria bem depois da publicação das duas primeiras pranchas a 10 de Janeiro de 1929. Hergé dizia que podia abandonar a BD para se dedicar à pintura - não o fez. No final da mostra parisiense, há um painel imenso, uma "multidão de pessoas sozinhas", que foram as suas boas festas de 1973, uma multidão de personagens a deixar-nos os seus votos. Um universo de gentes a mostrar-nos como Hergé é universal.