Tintim faz 75 anos sem uma única ruga
Demorou cinco minutos a nascer, mas já foi da Lua ao Tibete. O repórter mais famoso do mundo celebra 75 anos. A "tintimofilia" está em vias de expansão, porque Tintim continua a tocar o coração de todos
Tintim, a emblemática personagem de BD criada por Hergé em 1929, faz hoje 75 anos celebrados em toda a Europa com uma série de iniciativas, a mostrar por que razão o repórter aventureiro continua a ser um herói para todas as idades.
Só na Bélgica, a pátria de Tintim, as homenagens sucedem-se: a exposição "Tintim e a cidade", que abriu em Bruxelas no primeiro dia do ano, continua até Junho e o Centro Belga de Banda Desenhada inaugura em Maio um novo "espaço Hergé". O Banco Nacional emitiu esta semana uma nota de 10 euros com a efígie de Tintim e da cadela Milou e os Correios lançarão em Março cinco selos sobre "Tintim e a Lua" - um dos muitos lugares por onde o pequeno repórter passou, o primeiro "humano" a lá chegar 15 anos antes de Armstrong.
A grande novidade é a reedição do último álbum de aventuras inacabado e publicado pela primeira vez em 1976, "Tintim et l'Alph-Art", agora com "croquis", anotações, esquissos de Hergé e ainda inúmeras pranchas inéditas. É a história de um falsário no meio da arte contemporânea, que Hergé não teve tempo de concluir antes de morrer. Editado pela Casterman, casa de Tintim há 70 anos, são 500.000 exemplares em formato clássico hoje postos à venda.
"Tintim comemora 75 anos sem uma única ruga", diz Etienne Pollet (Casterman) sobre a última aventura, "um álbum tocante porque encerra uma obra e uma vida".
A "tintimofilia" continua
Mas ainda há mais. Tintim será o "convidado de honra" do Museu Nacional da Marinha, em Londres, a partir de Março, na primeira exposição britânica sobre as suas aventuras marítimas.
Tintim nasceu em cinco minutos na cabeça de Hergé, a 10 de Janeiro de 1929 com o primeiro álbum "Tintim no país dos sovietes". Desde então, já se publicaram 23 livros com as suas aventuras, da Lua ao Tibete, traduzidos em mais de 60 línguas. E já se venderam 200 milhões de exemplares por todo o mundo.
A "tintimofilia" é, por isso, uma espécie em vias de expansão. Aos 75 anos, ele continua o mesmo herói bom, gentil, que sabe fazer tudo e ganha sempre. E conserva ainda uma posição privilegiada na BD, com uma multidão de fanáticos: "Com Tintim, a magia existe sempre, resiste, é uma magia própria e não tenho medo de comparar o génio de Hergé a Molière, Balzac ou Chaplin", disse um especialista, Benoît Peteers, entusiasta do herói e do seu criador.
Mas a "tintimofilia" pode bem ser medida pelos números: a imagem de Tintim continua a vender como nunca. A Moulinsart (braço comercial da fundação Hergé) tem lucros de 15 a 16 milhões de euros anuais. Interrogado sobre o peso do nome Tintim em termos económicos, o administrador, Nick Rodwell, marido da viúva de Hergé, Fanny, foi evasivo: "É impossível dizer." Mas este ano a empresa vai colaborar com a Swatch, a Coca Cola, e Nokia. "Se estas sociedades têm vontade de trabalhar com o Tintim, é porque acreditam que será uma mais-valia para elas."
Há "lojas Tintim" em todo o mundo que pertencem ao "franchising" da Moulinsart: cinco na Bélgica, uma em Londres, duas no Japão e em Taiwan, e uma na Nova Zelândia. A Casterman vende em média, há 10 anos, dois milhões de álbuns por ano. Os dois anos recordes (4 milhões de álbuns) foram 1979 e 1983, ano da morte de Hergé.
"Tintim está mais vivo hoje do que nunca", disse Rodwell. A prova é o museu Hergé em Lovaina, que a fundação quer criar em 2007, ano do centenário do nascimento do autor. E há também um projecto cinematográfico - Rodwell está em negociações com Steven Spielberg, disse à AFP.
A viúva de Hergé disse que o pai de Tintim "teria ficado admirado, mas também muito emocionado" com todas estas celebrações. O sucesso de Hergé deve-se à sua criação, "que toca os corações de todos".
"Mexam-se. Chegou a hora de vos transformar em César" - são as últimas palavras pronunciadas por um guarda que ameaça Tintim no livro que Hergé não chegou a terminar. Ele está prestes a ser transformado em estátua. Mas como termina, nunca saberemos.
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