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sexta-feira, 30 de março de 2018

Clique e Flash


24-1980

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/13-ano-n-24.html
https://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/1324.html

23-1980
25/1980
26/1980
27/1980
28/1980
29/1980

«No contexto da história da banda desenhada portuguesa, José Ruy abordou, por exemplo, o final da revista Spirou portuguesa (na altura em que publicava a Peregrinação), e o plano idealizado por Diniz Machado para prevenir o idêntico (e esperado) colapso da revista Tintin, pela mesma razão da impossibilidade de pagamento atempado de direitos, por limitações de saída de divisas impostas pelo banco de Portugal. Tal plano, que não chegou a concretizar-se, consistia em substituir a revista Tintin por uma “Clique & Flash” (heróis desenhados por José Ruy que já iam aparecendo na Tintin) que teria apenas colaboração portuguesa, mas que apostaria na manutenção dos mesmos leitores e assinantes.»


Como já contei no BDBD, esta série foi idealizada pelo Diniz Machado para criar condições destes «heróis» de BD se tornarem título de revista, a substituir o de «Tintin», quando se concretizasse o colapso inevitável. Essa nova revista teria só colaboração portuguesa, para evitar a saída de divisas e a dificuldade em pagar os direitos para fora do País.


Mas nos anos 80 do século XX criara-se uma certa instabilidade política em Portugal. A revista «Tintin» continuava com boa venda, mas os direitos precisavam de ser enviados para a Bélgica e para a França e as quantias atingiam um volume que ultrapassava o limite que o Banco de Portugal estabelecera para a saída de divisas. Assim a Bertrand pagava conforme lhe era permitido, mas acumulando sempre uma diferença para o total. Tinham até de pagar a utilização do título «Tintin». Em dada altura as agências franco belgas receando uma súbita alteração política que pudesse pôr em causa receberem o dinheiro em dívida, começaram a pressionar a Bertrand que não podia fazer nada, porque lei é lei.

O Dinis Machado ciente de que o desfecho da polémica poderia levar ao corte do contrato e obrigar á suspensão do Tintin, lembrou-se de criar as condições para que se isso acontecesse poder sair com outra revista à base de colaboração portuguesa e alguma estrangeira de outra origem, aproveitando os assinantes e compradores fieis ao Tintin.

Nessa altura eu estava a trabalhar nas «Edições Europa-América» e o Dinis contactou-me para fazer uma série de histórias com o Clique e Flash sem ligação à publicidade para que os leitores o deixassem de ver comutado com os anúncios.

Saiam em dupla página, todas as semanas, e foram muitas as histórias publicadas. [13 a 28 - 1980, 39-1981]

E assim o Clique e o Flash entraram na pura aventura, com peripécias sempre ligadas à redação. Para que o protagonismo da personagem fosse mais forte, começou a entrar nas capas do Tintin intrometendo-se na divulgação das outras histórias. Mas mais ainda, aproximando-se do próprio título, indiciando um contra ponto à vinheta do Tintin e Milou.

Mas esta estratégica não foi compreendida pela administração, que achou que estávamos (as pessoas da redação) a procurar protagonismo aparecendo constantemente na revista. Porquê eles e não nós? Isto chegou a ser alvitrado. Além disso recearam que os franco-belgas se ofendessem em ver aquele «Clique» em lugar de tanto destaque, junto ao título.

Nessa altura o Henrique Trigueiros continuava como diretor, mas o chefe de redação deixou de aparecer na ficha técnica. Sob pressões, o Dinis Machado saiu.

Em 1981 o Vasco Granja passou a diretor acumulando a chefia da redação. Mas a condenação estava iminente e o que o Dinis Machado previra aconteceu mesmo. Os belgas decidiram que se não recebessem todo o dinheiro cortavam com o envio dos fotólitos.

E a revista «Tintin» portuguesa acabou deixando os seus fiéis leitores à deriva, procurando outras publicações que entretanto foram surgindo.


A revista acabaria por terminar com a última edição publicada em 02/10/1982.

https://bedetecaportugal.weebly.com/ruy.html

Inicialmente como banda desenhada publicitária, Clique e Flash desenvolve-se, posteriormente, em histórias curtas pedagógicas.


Visita à Aliança, 1972, Ruy e Diniz Machado, Tintin #41 a #46/4º ano 
O repórter Clique visita um banco, 1972, Ruy e Luís Nazaré, Tintin #41 a #45/4º ano
Clique e Flash seguram-se na Companhia "A Mundial", 1973, Ruy e Luís Nazaré, Tintin #5 a #12/6º ano
Uma visita à Siderurgia Nacional, 1973, Ruy, Tintin #31 a #38/6º ano

Caçada em África, 1981, Ruy, Mundo de Aventuras Especial #27
O filhote do búfalo, 1981, Ruy, Mundo de Aventuras Especial #29

[gag], 1985, Ruy, Jornal da BD #175, #179 e #181
Clique e Flash na ilha misteriosa, 1985, Ruy, Jornal da BD #183
Clique e Flash no vulcão, 1985, Ruy, Jornal da BD #182
Clique e Flash vão ao circo, 1985, Ruy, Jornal da BD #186

https://biblobd.blogspot.com/2017/09/clique-e-flash-ensaio-de.html

https://bedetecaportugal.weebly.com/clique-e-flash.html
https://bloguedebd.blogspot.com/2015/12/a-vida-interior-das-redacoes-dos.html

«E assim o Clique e o Flash entraram na pura aventura, com peripécias sempre ligadas à redação. Para que o protagonismo da personagem fosse mais forte, começou a entrar nas capas do Tintin intrometendo-se na divulgação das outras histórias. Mas mais ainda, aproximando-se do próprio título, indiciando um contra ponto à vinheta do Tintin e Milou.»

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