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terça-feira, 10 de março de 2015

Hergé em versão animada

A vida e obra do criador de Tintin, Georges Rémi (1907-1983), mais conhecido como Hergé, vão ser tema de uma série animada que deverá estrear dentro de dois anos.
A concepção está entregue ao estúdio de animação francês Normaal, já responsável pelas recentes versões em desenhos animados de Gaston Lagaffe e de Snoopy.

Segundo Alexis Lavillat, um dos responsáveis do estúdio, foi estabelecido um acordo com a sociedade Moulinsart SA, que gere os direitos da obra de Hergé, para a realização de uma obra de ficção, que abordará não apenas a vida do desenhador belga mas também as suas principais criações em banda desenhada. Assim, para além de Tintin, poderão também ser recordados Quick et Flupke (Quim e Filipe na versão portuguesa) ou Jo, Zette et Jocko (Joana, João e o macaco Simão).

(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 27 de Fevereiro de 2015)

Pedro Cleto em As Leituras do Pedro

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Viver dentro das Jóias da Castafiore

No início da minha adolescência investia toda a mesada que o meu pai, Alfredo da Costa Fiel (senhor de uma bela caligrafia, perícia importante para a sua profissão de escriturário do STCP), me dava na compra da revista "Tintin" e dos livros de bolso da colecções RTP e da Europa-América, numa tabacaria de uma senhora cujo nome lamentavelmente esqueci, que ficava junto à esquina da Avenida de Rodrigues de Freitas (onde eu morava, ali ao lado, no 304) com o Beco do Pedregulho.

Tenho uma dívida de gratidão para com a revista "Tintin" (cuja colecção completa ainda tenho, encadernada) e estas duas colecções de bolso, que são a base da minha cultura, que teve como levedura as oito a nove horas que passava por dia, durante as férias grandes, na Biblioteca Municipal do Porto, ao Jardim de S. Lázaro, a devorar volumes encadernados do "Mundo de Aventuras", "Falcão", "Ciclone" e outras publicações distribuídas pela Agência Portuguesa de Revistas.

A já finada revista "Tintin" introduziu-me a uma data de heróis e séries que ainda admiro, leio e releio, como o Astérix, Lucky Luke, Corto Maltese, Alix e Blake e Mortimer, mas uma das suas grandes âncoras eram as histórias do Tintin propriamente dito.

Das 23 aventuras do Tintin, a minha preferida é "As Jóias de Castafiore" - muito provavelmente porque não é uma aventura, no sentido clássico do termo. Ao longo de 62 páginas, Hergé diverte-nos, pisca-nos o olho, faz-nos rir, conseguindo manter-nos suspensos do desenvolvimento de uma intriga principal (o desaparecimento das jóias) e de várias secundárias (das quais a mais suculenta é o noivado entre a cantora do Scala de Milão e o capitão Haddock) para, no final, nos surpreender ao revelar que afinal não se passou nada.

As jóias não foram roubadas. A notícia do casamento entre o rouxinol milanês e o velho lobo-do-mar não passou de um infame boato, alimentado pela surdez do professor Tournesol ("Vai à pesca?", "Não, vou à pesca!") e pela voracidade dos jornalistas paparazzi - a beleza deste detalhe é que o livro foi publicado em 1963, ainda Lady Di era uma bebé de fraldas.

""As Jóias de Castafiore" é uma aventura entre parêntesis. Afinal, não se passa nada. Tal e qual como em Portugal - que continua a ser um país entre parêntesis. Ao governo laranja sucede-se o governo rosa, ao qual se sucede o laranja, depois o rosa, depois o laranja, e assim sucessivamente. No final, não se passa nada, continua tudo na mesma, com Portugal a divergir da média comunitária - apesar da transfusão de fundos comunitários que recebemos ininterruptamente desde 1986.
O que me leva a pensar que o nó do problema não reside na cor do Governo, mas antes no modelo de desenvolvimento centralista que os partidos do arco da governação partilham e teimam em não abandonar.

Jorge Fiel in Jornal de Notícias

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tintin há 75 anos... e a cores

Pedro Cleto no seu blogue «As leituras do Pedro» publicou este magnífico artigo sobre o 75º aniversário da estreia de Tintin em Portugal.

Foi há 75 anos, em “O Papagaio”, que Tintin foi publicado pela primeira vez em Portugal. A par dessa estreia, uma outra, a nível mundial, bem mais marcante: a publicação, a cores, do repórter dos quadradinhos criado por Hergé, na altura rebaptizado “Tim-Tim”.
Isso aconteceu no número 53 daquela revista infantil, datado de 16 de Abril de 1936, mas os leitores já vinham a ser preparados desde o número 49. Nele, era anunciado que Tim-Tim, “enviado especial à América do Norte”, iria correr “sérios riscos”, pois aquele país “civilizadíssimo, donde nos chegam as maiores invenções e belas afirmações de espírito artístico”, era também um “território onde o banditismo impera, no qual indivíduos da pior espécie e de todas as nacionalidades estabeleceram há muito arraiais”. E continuava: “acompanhado pela fidelíssima cadela Pom-Pom, o moço e ilustre jornalista partiu há dias para Nova Iorque, a bordo do Vulcãnia”. O seu destino era no entanto Chicago, “a capital do crime, o principal antro dos bandidos que vai desmascarar e vencer”. E explicava: “o facto de se fazer acompanhar da cadelinha não é (…) de somenos importância. O inteligente animal é o melhor companheiro do famoso repórter a quem já por mais duma vez salvou a vida.
Curiosamente, dois números passados, já protagonizava a capa e, em novo anúncio, Milu afinal chamava-se Rom-Rom, mas continuava “cadelinha”, e Tim-Tim, medindo “apenas 1,45 metros” tinha “a coragem de um gigante”. A primeira aventura publicada foi rebaptizada como “Tim-Tim na América do Norte” e prolongar-se-ia até ao número 110, recheada de atropelos ao original hoje inimagináveis: remontagem de pranchas, supressão ou ampliação de vinhetas e de texto, alterações do conteúdo…
Exemplo deste último aspecto, é a substituição de uma greve de operários (algo ilegal na época em Portugal) por uma pausa para almoço... Alterações que desagradaram a Hergé que, em contrapartida, apreciou as cores feitas em Portugal.
Estas e outras curiosidades – como o facto de parte dos direitos de Tintin, durante a Segunda Guerra Mundial, terem sido pagos por Simões Müller, director da revista, a Hergé em géneros alimentícios enviados para a Alemanha, onde um irmão do autor estava preso – são referidos por José Azevedo e Menezes em “O Papagaio – Um estudo do que foi uma grande revista infantil portuguesa” (edição do autor).O sucesso de Tim-Tim – e dos seus companheiros Rom-Rom, Capitão Rosa (Haddock), Professor Pintadinho (Tournesol) – foi tão grande que protagonizaria diversas capas (criadas por autores portugueses) da revista, números hoje bem pagos por coleccionadores nacionais e estrangeiros que também valorizam aqueles em que Tintin é publicado.
“O Papagaio” viria a apresentar mais oito histórias, transitando depois o herói, sucessivamente, para o “Diabrete”, “Cavaleiro Andante”, “Foguetão” e “Zorro” até chegar à revista com o seu nome, em 1968. Curiosamente, se Portugal foi pioneiro na publicação colorida das histórias aos quadradinhos de Tintin, teve que esperar até meados da década de 1990 para assistir á sua edição em álbum, pela Verbo.Actualmente, o herói faz parte do catálogo da ASA, que tem programada a conclusão da edição integral das suas aventuras, em formato reduzido e com nova tradução, até final do corrente ano, bem como uma edição fac-similada do original a preto e branco de “Tintin na América”, em Junho. Mas se há banda desenhada de Tintin que merecia ser reeditada tal e qual como foi publicada pela primeira vez, ela é sem dúvida o “Tim-Tim na América do Norte” tal e qual apareceu em “O Papagaio”.

http://asleiturasdopedro.blogspot.com/2011/04/tintin-ha-75-anos-em-portugal-e-cores.htm

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Tintim assinala entrada do euro

Para assinalar o fim do franco belga e o nascimento do euro, os correios da Bélgica vão emitir dois selos, ainda com o valor facial nas duas moedas, com um dos mais marcantes personagens do imaginário infantil (e não só): Tintim, "o repórter que nunca escreveu uma linha". Os selos e o correspondente bloco, que serão postos à venda precisamente hoje, celebram igualmente um outro aniversário: os 70 anos da edição do álbum "Tintim au Congo" e, por isso, reproduzem pormenores da primeira capa e da capa actual do álbum que, em Portugal, foi editado pela primeira vez em 1939, na revista "O Papagaio", com o título "Tim-Tim em Angola". Sendo um dos mais contestados da carreira de Hergé, devido a uma pretensa visão racista e colonialista do autor, na época ainda muito influenciado pelo conservador director do jornal "Le Petit Vingtiéme", onde Tintim viveu as suas primeiras aventuras, tal como "os primeiros argumentos e cenários criados por Hergé, pelo seu carácter simplista, rudimentar, senão mesmo caricatural, deve ser lido como uma obra da juventude", como refere Rita P. Ramos num longo e interessante estudo sobre o álbum publicado no nº 1 da III série da revista "Quadrado".

Uma amizade duradoura .
Segundo os correios belgas, "esta emissão pretende ser também uma modesta mas muito atraente contribuição para a amizade duradoura que une a Bélgica à República Democrática do Congo", pelo que estes dois selos do correio serão igualmente emitidos neste último país..
Esta não é, no entanto, a primeira vez que a célebre criação de Hergé é alvo de tal homenagem. A primeira aparição de Tintim em selos (conjuntamente com Milou e o Capitão Haddock), aconteceu em 1979, já na Bélgica, naquele que seria o primeiro selo da série "Philatélie de la Jeunesse," dedicada aos heróis dos quadradinhos daquele país, série essa que se tornaria anual a partir de 1986, e por onde já passaram, entre outros, Spirou, Lucky Luke, Blake e Mortimer, Boule e Bill, Gaston Lagaffe, Cubitus, Ric Hochet ou Luc Orient..
Vinte anos depois, 1999 podia quase ser classificado como o "ano Tintim" no que respeita à filatelia. De novo na Bélgica, numa folha intitulada "Volta ao século XX em selos", encontramos de Tintim, agora como o manipulador de uma marioneta que é nada mais nada menos do que... Hergé, o seu autor. No mesmo país, o bloco de nove selos comemorativo dos dez anos do Centre Belge de Bande Dessinée reproduzia criações de oito autores belgas já falecidos e uma fotografia com a réplica do foguetão em que Tintim foi à Lua. A viagem espacial de Tintim foi também o tema escolhido pela Holanda para um bloco com dois selos e, ainda no mesmo ano, em Angola, a emissão não oficial "Countdown to the Millenium" assinalava o ano de 1929 com um fotograma do desenho animado "Tintim e o Templo doSol"..
Também a França homenageou Tintim, no ano 2000, na segunda edição da sua "Fête du timbre", através da emissão de um selo, um bloco e uma folha miniatura. Esta "festa" anual tivera início um ano antes, com Astérix, e prosseguiu em 2001 com Gaston Lagaffe, estando previsto um selo dedicado a Boule e Bill para Março de 2002. Como curiosidade, refira-se que o selo com Tintim foi o de maior sucesso, pois vendeu 15 milhões de exemplares contra "apenas" 9,6 milhões do selo Astérix..

© 2001 Jornal de Notícias; Pedro Cleto