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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
terça-feira, 31 de outubro de 2017
BD pioneira: "Tintin no país dos sovietes"
A banda desenhada (BD) foi também uma revolução. Não é fácil situar o seu começo, mas há quem diga que foi em 1929. O livro de Hergé era, na Europa, o primeiro de uma história contada apenas com imagens e de diálogos contidos em filacteras. Era contra-revolucionário no conteúdo, mas revolucionava o modo de contar histórias em papel.
A encomenda foi feita pelo abade Norbert Wallez ao desenhador Georges Remi. Wallez era o editor do jornal belga Le Vingtième Siècle e Remi, que se tornou famoso com o pseudónimo Hergé, entrara como editor do suplemento juvenil Petit Vingtième.
O autor nunca esteve na Rússia nem na URSS, e baseou toda a sua narrativa numa única obra, Moscou sans voiles, de Joseph Douillet.
A ideia de Wallez era uma história que mostrasse os malefícios do comunismo, bem na linha ideológica do jornal, simpatizante confesso do fascismo italiano.
O abade, admirador de Mussolini, tinha sobre a mesa de trabalho uma fotografia deste, assinada pelo punho do próprio Duce. O jornal, claramente alinhado, contava entre os seus correspondentes no estrangeiro um certo Léon Degrelle, líder do fascismo belga, também designado como rexismo.
Hergé não encontrou na altura objecções, e fez do livro Tintin no país dos sovietes o primeiro da série As aventuras de Tintin. Vários outros livros subsequentes cantaram sucessivamente os benefícios do colonialismo belga (Tintin no Congo) ou da civilização norte-americana (Tintin nos Estados Unidos), naquilo que para vários críticos era uma linha consistente de propaganda conservadora dirigida a públicos infantis.
A linha mussoliniana e rexista não agradavam inteiramente aos nazis e a ocupação alemã proibiu o jornal do abade. Em seu lugar criou-se um outro, Le Soir, em que Hergé encontrou colocação e trabalho.
Foi nessa época de ocupação que uma empresa alemã tentou negociar com Hergé os direitos de Tintin no país dos sovietes, para utilizar o livro como propaganda anti-soviética. Mas Hergé recusou a proposta.
No fim da Segunda Guerra Mundial, a sobrevivência do jornal Le Soir sob a censura alemã tornou-o suspeito de colaboracionismo e, com ele, Hergé. O cartoonista não foi alvo de nenhum processo, mas sim de várias acusações por esse motivo.
Com o tempo, e não muito, Hergé pôde mesmo ultrapassar o mau nome que lhe deram as acusações. Logo em 1946 fundou ele próprio uma revista de BD, com o nome Tintin, alimentando-se de histórias já publicadas do herói juvenil e do seu cão, Milou, e de outras criadas entretanto.
Hergé renegou entretanto o seu Tintin no país dos sovietes, pelo conteúdo ideológico agressivamente contra-revolucionário, e também pelo carácter primitivo da narrativa, que agrega uma série de episódios avulsos, sem verdadeiro enredo e sem outro fio condutor que não seja a reportagem supostamente encomendada a Tintin por Le Vingtième Siècle.
Esse foi também o motivo pelo qual a história permaneceu sempre a preto e branco, sem ter qualquer nova versão colorida - até muito depois da morte do autor.
Mas, para uma arqueologia da BD, o livro continua a ser um ponto de referência. Publicado entre 10 de Janeiro de 1929 e 8 de Maio de 1930, ele foi logo republicado a partir de Outubro de 1930 pela revista francesa Cœurs Vaillants. Esgotou-se rapidamente e foi objecto de várias reedições, todas piratas. Só voltou a ter uma reedição legal em 1973, e só neste ano de 2017 o foi, pela primeira vez, em versão colorida.
Entre as cenas emblemáticas, que foram reproduzidas vezes sem conta, está a de uma delegação de comunistas ingleses a quem é mostrada uma área industrial, cheia de actividade atestada pelas suas numerosas chaminés fumegantes. Tintin desconfia que alguma coisa não bate certo e vai investigar mais de perto. Descobre então que há um funcionário encarregado de queimar palha na base das chaminés - a velha tradição russa das "aldeias de Potemkine", todas elas cenário, enfeitado para receber dignitários vindos da capital e para enganá-los com as aparências.
Do mesmo modo, celebrizou-se a cena de uma eleição, de braço no ar, com três listas concorrentes. O comissário que conduz a eleição pergunta se alguém se opõe à lista comunista e, perante o silêncio da assembleia, proclama-a vencedora da eleição, por unanimidade.
Para além da simplificação primitiva em que se baseiam vários episódios do livro, Hergé inovou profundamente a técnica de ilustração, baseando-se na vanguarda da época, a quem aliás sempre prestou tributo. Entre as influências que recolheu conta-se a do cartonista francês Alain Saint-Ogan, ou em geral a da BD norte-americana, atentamente observada pelo próprio Léon Degrelle.
Entre os truques de marketing que o abade Wallez concebeu para explorar o êxito da série, e para potenciá-lo ainda mais, conta-se uma carta fictícia da GPU, o serviço secreto soviético, ameaçando o jornal de que, se não interrompesse a publicação "destes ataques contra os sovietes e contra o proletariado revolucionário da Rússia, encontrará a morte muito em breve".
sábado, 27 de julho de 2013
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Tintin e o lago dos tubarões
A RTP 2 vai transmitir no próximo 17 de Dezembro pelas 12,45 h o filme de animação «O lago dos tubarões» de Jean Jacques Vierne, com argumento de Greg.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Entrevista com Tintin
O programa humorístico Estado de Graça da RTP entrevista o Tintin, uma paródia ao jornalista Mário Crespo com o herói de Hergé
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Cinemax: "Spielberg & Hergé: uma aliança feliz"
Passaram-se cerca de trinta anos desde que Steven Spielberg pensou em transpor o universo de Tintin para cinema: foram os modernos recursos digitais que lhe trouxeram a solução para o projecto.
Como em relação a outros filmes sustentados por gigantescas campanhas de promoção, vale a pena lembrar o mais óbvio: nenhum filme é "melhor" ou "pior" em função dos seus investimentos, sejam eles publicitários ou apenas de produção. Mas é um facto que há filmes que, também através dessa promoção, apostam num domínio emimentemente popular.
"As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne" é um desses filmes. Que é como quem diz: um objecto da linha da frente no tratamento digital das imagens, neste caso do chamado performance capture (actores cujo trabalho serve para criar novas imagens, animadas por complexos programas informáticos), que ambiciona relançar o lendário herói da BD de Hergé e, em boa verdade, da cultura popular europeia dos últimos 80 anos (o primeiro álbum de Tintin, "No País dos Sovietes", surgiu em 1930).
Dirigido por Steven Spielberg, numa associação de produção com Peter Jackson (que irá dirigir o segundo título da série), estas "Aventuras" confrontavam-se com uma dificuldade incontornável: como dar vida a personagens e histórias que, no essencial, têm uma vida própria no papel, parecendo resistir a qualquer transposição?
A resposta de Spielberg é, de uma só vez, a mais básica e a mais inteligente. Que é como quem diz: trata-se de criar um universo visual que respeite tanto quanto possível as singularidades das histórias desenhadas (traço, cor, contrução da imagem, etc.), integrando também o labor específico dos actores. Uma síntese, enfim, entre a inspiração clássica e os instrumentos modernos.
Daí o sentimento paradoxal dos resultados, de algum modo reforçados pela metódica utilização do 3D: há no "Tintin" de Spielberg uma energia espectacular que não pode deixar de fazer recordar o melhor da saga de Indiana Jones, mas há também uma ambiência gráfica que lhe confere a alegria de um álbum em movimento (muito justamente, Spielberg já fez notar que os desenhos de Hergé possuem qualquer coisa de storyboard).
Eis, enfim, uma aliança feliz. Demorou muito tempo a concretizar, uma vez que Spielberg pensou em transpor Tintin para cinema por volta de 1982, pouco depois de concluir "Os Salteadores da Arca Perdida". E demorou, em parte, porque o cineasta tinha dúvidas sobre as possibilidades de concretizar o projecto através dos recursos tradicionais da imagem real. Agora, com o digital (mais do que com o 3D), Spielberg consegue o que pretendia: um mundo de generoso artifício, delirante na narrativa, humano pelo espírito.
João Lopes in Cinemax
Como em relação a outros filmes sustentados por gigantescas campanhas de promoção, vale a pena lembrar o mais óbvio: nenhum filme é "melhor" ou "pior" em função dos seus investimentos, sejam eles publicitários ou apenas de produção. Mas é um facto que há filmes que, também através dessa promoção, apostam num domínio emimentemente popular.
"As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne" é um desses filmes. Que é como quem diz: um objecto da linha da frente no tratamento digital das imagens, neste caso do chamado performance capture (actores cujo trabalho serve para criar novas imagens, animadas por complexos programas informáticos), que ambiciona relançar o lendário herói da BD de Hergé e, em boa verdade, da cultura popular europeia dos últimos 80 anos (o primeiro álbum de Tintin, "No País dos Sovietes", surgiu em 1930).
Dirigido por Steven Spielberg, numa associação de produção com Peter Jackson (que irá dirigir o segundo título da série), estas "Aventuras" confrontavam-se com uma dificuldade incontornável: como dar vida a personagens e histórias que, no essencial, têm uma vida própria no papel, parecendo resistir a qualquer transposição?
A resposta de Spielberg é, de uma só vez, a mais básica e a mais inteligente. Que é como quem diz: trata-se de criar um universo visual que respeite tanto quanto possível as singularidades das histórias desenhadas (traço, cor, contrução da imagem, etc.), integrando também o labor específico dos actores. Uma síntese, enfim, entre a inspiração clássica e os instrumentos modernos.
Daí o sentimento paradoxal dos resultados, de algum modo reforçados pela metódica utilização do 3D: há no "Tintin" de Spielberg uma energia espectacular que não pode deixar de fazer recordar o melhor da saga de Indiana Jones, mas há também uma ambiência gráfica que lhe confere a alegria de um álbum em movimento (muito justamente, Spielberg já fez notar que os desenhos de Hergé possuem qualquer coisa de storyboard).
Eis, enfim, uma aliança feliz. Demorou muito tempo a concretizar, uma vez que Spielberg pensou em transpor Tintin para cinema por volta de 1982, pouco depois de concluir "Os Salteadores da Arca Perdida". E demorou, em parte, porque o cineasta tinha dúvidas sobre as possibilidades de concretizar o projecto através dos recursos tradicionais da imagem real. Agora, com o digital (mais do que com o 3D), Spielberg consegue o que pretendia: um mundo de generoso artifício, delirante na narrativa, humano pelo espírito.
João Lopes in Cinemax
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Tintin renova-se desde década de 20 do século passado
No filme, que hoje chega aos cinemas portugueses, os movimentos dos atores foram transferidos para imagens sintetizadas por computador. São novas técnicas para velhas aventuras de um herói que também se renova. Tem uma história que começou na década de 20 do século passado. O Tintin da banda desenhada viveu várias aventuras que vale a pena agora recordar.
domingo, 20 de maio de 2007
Marcelo Rebelo de Sousa e Tintin
Hoje na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa dedicou parte do seu programa «As Escolhas de Marcelo» ao centenário deHergé. Com a presença do foguetão lunar, Marcelo falou de Hergé, Adolfo Simões Muller, das edições de «O Papagaio», mostrou uma biografia do criador de Tintin e falou das suas inclinações políticas. Apesar de ter caído em pequenos erros («Tim Tim em Angola» não foi criado por Hergé propositadamente para Portugal, tendo sido uma reconversão à realidade portuguesa feita por Simões Muller), foi importante que Marcelo Rebelo de Sousa tenha recordado a importância de Hergé na história da cultura mundial.
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