sexta-feira, 3 de julho de 2015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Um documento com 73 anos redefine quem tem a custódia de Tintin

Afinal, os direitos de Tintin não têm como única morada Moulinsart, a localidade e castelo ficcionais da série de BD que é também o nome da sociedade belga que gere o legado de Hergé. Uma pequena associação de fãs holandesa conseguiu uma vitória judicial baseada na revelação um documento assinado por Hergé que pode redefinir a custódia de Tintin.
As aventuras do jornalista criado pelo belga Hergé e que tem como famoso amigo o Capitão Haddock, dono do castelo de Moulinsart, são um império valioso que até aqui é gerido pela sociedade Moulinsart SA, que se dedica à gestão dos direitos de publicação e exploração da “marca Tintin”. A Fundação Hergé, criada em 1987 pela viúva do desenhador, é por seu turno uma organização sem fins lucrativos e gere o museu dedicado à personagem e seu universo em Bruxelas.
Ora em 2012, a Moulinsart processou a Association Hergé Genootschap, um clube de fãs do autor belga que publica uma revista/fanzine trimestral que não é vendida, a Duizend Boomen (em holandês, mil árvores) em que reproduz algumas tiras de Tintin, argumentando que a associação não tem direitos sobre a obra. Esses direitos de reprodução e uso custariam à associação de fãs belga cerca de um milhão de euros. Mas o caso chegou este fim-de-semana a um desfecho que muitos admitem ser inesperado – o tribunal de recurso de Haia não só deu razão à associação como abriu um precedente quanto à possibilidade de a Moulinsart cobrar pela reprodução e uso de excertos de tiras de Tintin.
Isto porque o advogado da associação holandesa apresentou em tribunal um documento assinado por Hergé – o seu verdadeiro nome era Georges Remi (1907–1983) – em que este entregava todos direitos de Tintin (publicado entre 1929 – 1976) à editora Casterman. O documento em causa data de 1942, foi entregue por um perito na obra que quis manter-se anónimo e, aceite em tribunal (a sua validade não foi contestada por qualquer uma das partes nem pela família do desenhador belga), estabelece que a Moulinsart não tem poder absoluto sobre Tintin.
“Parece que a Moulinsart não é aquela que decida quem pode usar material dos livros”, lê-se na decisão do tribunal, citada pela AFP. “A grande questão é agora saber se outros [clubes de fãs] têm de continuar a pagar à Moulinsart” quando usam material dos livros de Tintin, comentou o presidente da associação belga que saiu vencedora deste caso, Stijn Verbeek. O El País abre também a porta à possibilidade de outras publicações que usaram excertos de livros de Tintin e que pagaram por elas poderem exigir agora o seu dinheiro de volta.
"A decisão holandesa é surpreendente”, disse ao diário francês Le Figaro Didier Pasamonik, chefe de redacção do site especializado em BD ActuaBD, que detalha que no passado houve tensões e discussões mais acaloradas entre a Casterman e a Moulinsart sobre o assunto mas sempre vencidas pela Moulinsart.
“Estou incrédulo”, diz por seu turno ao mesmo diário Numa Sadoul, autor do livro Tintin et moi. Entretiens avec Hergé (1975). “Isto significa que agora é Casterman que irá gerir os direitos de Tintin. Isso vai mudar completamente o jogo e melhorar significativamente as relações dos jornais, fanzines e editoras com Tintin.”
Didier Pasamonik chama a atenção para a especificidade da lei holandesa neste caso. “O que é interessante neste momento é que o tribunal em Haia oferece uma nova interpretação da relação entre a Casterman e a Moulinsart, uma leitura dissonante do que havia sido feito pelos tribunais belgas. No que se refere esta decisão, é sobre citações de imagens de Hergé numa revista de fãs. Em França, o direito de citar uma imagem não existe. No entanto, na Holanda, há”, explica o perito, que considera mesmo que se levanta uma questão mais ampla: “que tal uma harmonização europeia?”  

A opinião geral parece ser de que é necessária ainda alguma cautela perante a decisão até se perceber o seu verdadeiro impacto. Nem a Casterman nem a Moulinsart comentaram ainda publicamente a decisão. 

João Amaral Cardoso em Público.pt

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Avião do Tintim retido em Lisboa devido a colisão com manga de embarque

F

O A320 'Rackham', decorado e baptizado em homenagem à criação do belga Hergé, foi obrigado a passar uma noite na Portela, o aeroporto de Lisboa. Não são conhecidas as causas do acidente, que não provocou feridos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Dodo Nita em Portugal

O tintinólogo romeno Dodo Nita, autor da monografia Tintin en Roumanie, vai estar em Portugal, mais propriamente, no XI Festival Internacional de BD de Beja. Será uma conversa com Pedro Mota no sábado, 30 de Maio, na Casa da Cultura de Beja. À tarde, no memo local, estará Stanislas, o desenhador da biografia desenhada de Hergé, publicada em Portugal pela Mundo Fantasma com o título As aventuras de Hergé.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Avião que homenageia Tintin aterra em Lisboa


Aterrou hoje, em Lisboa, o novo avião da Brussels Airlines que faz homenagem ao herói de Banda Desenhada Tintin. A companhia tem três aviões pintados com os tesouros belgas. Os outros dois representam a selecção do país e um festival de música.




sábado, 14 de março de 2015

As imprecações do Capitão Haddock

É frequente os mais carismáticos heróis da Banda Desenhada terem um parceiro, um inseparável amigo e companheiro de aventuras, que serve quase sempre de seu contraponto, distinguindo-se por possuir outros dons e outras características (que também caem no goto dos leitores), mostrando uma faceta mais humana, com defeitos e virtudes — o que contribui para elevar o padrão das suas aventuras, sem prejuízo do estatuto mítico do herói principal. Isto tanto nas séries realistas como nas humorísticas…
Nesta peculiar categoria de personagens secundárias que rapidamente ascendem também ao “estrelato”, vem-nos de imediato à memória a incontornável figura do Capitão Haddock, talvez o mais famoso de todos os comparsas que enriqueceram criações emblemáticas, onde a aliança entre duas personagens, mesmo que diametralmente opostas, pede meças aos heróis solitários… embora já sejam poucos os que seguem por este caminho.
Tintin conheceu-o na aventura “O Caranguejo das Tenazes de Ouro”, em que Haddock fazia o papel de um marinheiro alcoólico e embrutecido, com frequentes acessos de cólera, alucinações e perdas de memória, mas que graças à amizade com o jovem aventureiro conseguiu regenerar-se, passando a ter hábitos mais moderados. Excepto quanto à linguagem… que, pelo contrário, se tornou ainda mais irascível, recheada de extravagantes expressões oriundas de um copioso “jargão” que o velho marinheiro se compraz em refinar, somando-lhe novas injúrias, como uma espécie de glossário que não se cansa de rever e enriquecer.
Mais tarde, ao desvendar o segredo da “Licorne”, Haddock herdou um nome aristocrático e um sumptuoso palacete em Moulinsart, onde habita, em boa paz e harmonia, juntamente com Tintin, o professor Tournesol e o mordomo Nestor… mas nem por isso aprendeu a refrear os seus excessos de linguagem.
Aqui têm mais um hilariante exemplo (à boa maneira de Hergé) dessas intempestivas manifestações de mau humor — quase sempre provocadas por peripécias que bulem com os seus sentimentos e a sua noção de justiça, mas também, sob o efeito do álcool, com o seu vício e o seu feitio brigão —, extraído igualmente do episódio “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” (Le crabe aux pinces d’or), que é um autêntico festival de impropérios!
Ninguém consegue ter como Haddock, na ponta da língua, um vocabulário tão truculento, tão vivo, tão espontâneo, de tão grande riqueza e variedade verbal, lembrando uma torrente que jorra de um geiser fumegante ou uma cascata que rola fragorosamente por uma encosta, abafando todos os outros ruídos. Sobretudo quando ele usa um megafone, como na cena seguinte, a todos os títulos memorável, de Coke en stock.

Esta página foi publicada no Cavaleiro Andante nº 405, de 3/10/1959, revista onde Haddock ficou conhecido como Capitão Rosa, nome que o Diabrete tinha sido o primeiro a consagrar entre os leitores portugueses.


Jorge Magalhães in Blogue O Gato Afarrabista

terça-feira, 10 de março de 2015

Hergé em versão animada

A vida e obra do criador de Tintin, Georges Rémi (1907-1983), mais conhecido como Hergé, vão ser tema de uma série animada que deverá estrear dentro de dois anos.
A concepção está entregue ao estúdio de animação francês Normaal, já responsável pelas recentes versões em desenhos animados de Gaston Lagaffe e de Snoopy.

Segundo Alexis Lavillat, um dos responsáveis do estúdio, foi estabelecido um acordo com a sociedade Moulinsart SA, que gere os direitos da obra de Hergé, para a realização de uma obra de ficção, que abordará não apenas a vida do desenhador belga mas também as suas principais criações em banda desenhada. Assim, para além de Tintin, poderão também ser recordados Quick et Flupke (Quim e Filipe na versão portuguesa) ou Jo, Zette et Jocko (Joana, João e o macaco Simão).

(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 27 de Fevereiro de 2015)

Pedro Cleto em As Leituras do Pedro

segunda-feira, 9 de março de 2015

Cartaz da exposição sobre Vasco Granja


A exposição Vasco Granja e o Cinema de Animação, patrocinada pela Fundação D. Luís I, patente no Centro Cultural de Cascais até ao próximo dia 19 de Abril tem no panfleto de promoção as personagens Tintin e Milou.