A revista Tintin belga foi lançada há 80 anos em 26/09/1946. Vinte e cinco anos depois a revista Tintin portuguesa publicou um texto e também uma homenagem de Skblllz na página 2 da Tintin nº 21 de 10/10/1971.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2026
80º aniversário do Tintin belga
A revista Tintin belga foi lançada há 80 anos em 26/09/1946. Vinte e cinco anos depois a revista Tintin portuguesa publicou um texto e também uma homenagem de Skblllz na página 2 da Tintin nº 21 de 10/10/1971.
Kuifje In Portugal
É bom recordar que, a primeira vez que Tintin foi traduzido, foi para português, sendo também em Portugal que foi editado a cores pela primeira vez. (...) Em 18 de Abril de 1935 foi publicado o primeiro número da revista juvenil, “O Papagaio”, (...) [dirigida e editada por Adolfo Simões Muller, localizada na Rua do Capelo, em Lisboa e propriedade da Empresa da Revista Renascença].
Abel Varzim tinha estudado, entre 1930 e 1934, sociologia na Universidade de Lovaina, tendo conhecido as aventuras de Tintin no suplemento “Le Petit Vingtiéme”, do diário católico “Le Vingtiéme Siécle”, dirigido pelo abade Norbert Wallez (...).
O percurso futuro desses dois padres católicos não podia ser tão diferente. Abel Varzim tornou-se um critico e opositor do regime do Estado Novo, sendo perseguido por isso e sendo uma espécie de fundador do movimento de “católicos progressistas”, que tantas dores de cabeça deu a Salazar e ao seu regime. Pelo contrário, o padre Wallez acabou expulso do “Le Vingtiéme Siécle”, ainda na década de 30, devido às suas simpatias pelo fascismo e pelo nazismo, sendo preso depois da libertação da Bélgica em 1944, cumprindo 5 anos de prisão como colaboracionista com os ocupantes.
(...) Abel Varzim, regressado ao seu país, enviou ao director do “Vingtiéme Siécle” uma carta, datada de 25 de Maio de 1935 [um mês após o aparecimento de O Papagaio], pedindo que Wallez intercedesse junto de Hergé para este autorizar a publicação, na revista portuguesa “O Papagaio”, das aventuras de Tintin, pedindo, igualmente, para ser combinado um preço especial pelos direitos dessa publicação, devido às dificuldades económicas da revista portuguesa.
O pedido teve êxito e, depois de o anunciar no nº 49 e editar a primeira capa com a nova personagem no nº 51 de “O Papagaio” , na edição nº 53 de 16 de Abril de 1936 começou a publicar em Portugal a primeira aventura de Tintin, “Tim-Tim na América do Norte”.
A revista fez algumas adaptações das aventuras de Tintin à situação portuguesa, aportuguesando igualmente o nome de algumas personagens, uma condição também para escapar à censura, que obrigou muitas vezes a esse tipo de adaptação de outras obras de banda desenhada estrangeira publicadas no país.
Uma evidente cedência à censura portuguesa, por parte d’ “O Papagaio”, foi a alteração de uma legenda de “Tintin na América”, onde uma cena no original, referida como uma greve de trabalhadores norte-americanos, é traduzida na edição portuguesa como um “paragem para o almoço”.
Tintin foi designado como Tim-Tim, um repórter “português”, o cão Milou transformou-se, primeiro em Pom-Pom e, depois, na “cadela” Rom-Rom, para que o seu nome não fosse confundido com a cantora Milú (...).
O Capitão Haddock foi transformado no Capitão Rosa [n.b.: esta mudança aconteceu a partir do Diabrete] que, em vez de beber Whisky, passou a beber Vinho do Porto, o professor Tournesol [n.b.: que teve a sua estreia apenas no Diabrete] foi baptizado como senhor Pintadinho de Branco [ou Pintadinho de Fresco] e, mais tarde, professor Girassol.
Um dos casos mais estranhos foi transformar um dos poucos “portugueses” originais da série, o “vendedor ambulante” Oliveira da Figueira, que apareceu pela primeira vez na aventura “Os Charutos do Faraó” (1934), num espanhol de Málaga, fugido da Guerra de Espanha (altura em que essa aventura foi editada n’”O Papagaio”), talvez porque fosse considerado uma figura pouco abonatória do ideal do “português” propagandeado pelo Estado Novo.
Oliveira da Figueira surgiu noutras duas aventuras de Tintin, “Tintin no País do Ouro Negro” (1950) e em “Coke em Stock” (1958).
Há ainda um “vilão”, Dr. Müller em “A Ilha Negra” (1938), por muitos identificado como uma alusão a Adolfo Simões Müller, director d’”O Papagaio”.
Em "Tintin no Congo" aparece, numa cena esporádica, um anónimo jornalista português do "Diário de Lisboa. Há ainda um professor de Coimbra, [Pedro João dos Santos, ] noutro álbum de Tintin.
Houve também outras adaptações, como “Tintin no Congo”, que se intitulou “Tim-Tim em Angola”, redesenhando-se mesmo algumas vinhetas para tornar este título mais verosímil, como na cena da aula dada por Tintin a crianças negras, onde o mapa da Bélgica, no quadro, foi substituído pelo mapa de Portugal. Mais tarde o próprio Hergé redesenhou este quadradinho, retirando-lhe a conotação colonialista da primeira edição.
Hergé enviou uma carta, datada de 12 de Maio de 1936, ao padre Abel Varzim, congratulando-se com a edição portuguesa da sua obra, elogiando, nomeadamente, a novidade da colorização das aventuras de Tintin, mas também fazendo algumas críticas à paginação que, quanto a ele, retirava algum suspense às aventuras.
Quando a Bélgica foi ocupada pelas tropas nazis, em Maio de 1944, tornou-se complicado transferir dinheiro de Portugal para pagar a Hergé, pelo que este propôs o pagamento dos direitos em géneros, como sardinhas em conserva, chá, café, cacau, azeite, chocolate, leite condensado, arroz e bolachas. Hergé pediu igualmente para incluírem dois avios mensais em géneros para o irmão Paul, prisioneiro de guerra na Alemanha.
Durante 12 anos “O Papagaio”, que se editou entre 18 de Abril de 1935 e 10 de Fevereiro de 1949, num total de 722 número, publicou um total de 9 aventuras de Tintin:
- “Tim-Tim na América do Norte” – nºs 53-110, de 16/04/1936 a 20/05/1937;
- “Aventuras de Tim-Tim no Oriente” (“Os Charutos do Faraó” no original) – nºs 115-161, de 24/06/1937 a 12/05/1938;
- “Novas Aventuras de Tim-Tim” (“O Lótus Azul” no original) – nºs 166-205, de 16/06/1938 a 16/03/1939;
- “Tim-Tim em Angola” (“Tintin no Congo” no original) – nºs 209- 244, de 13/04/1939 a 14/12/1939;
- “Tim-Tim e o mistério da Orelha Quebrada” – nºs 247-298, de 04/01/1940 a 26/12/1940;
- “Tim-Tim na Ilha Negra” ( (...) A Ilha Negra , no original) - nºs 301-359, de 16/01/1941 a 26/02/1942;
- “Tim-Tim no Deserto” (“O Caranguejo das Tenazes de Ouro” no original) – nºs 366-226, 16/04/1942 a 10/06/1943;
- “A Estrela Misteriosa”- nºs 435-540,de12/08/1943 a 16/08/1945;
- “O Segredo da Licorne” – nºs 617-679, de 06/02/1947 a 15/04/1948.
Esta foi a primeira vez em que Tintin foi publicado numa língua que não o francês. Até aí, as suas aventuras apenas tinham sido editadas na Bélgica, em França e na zona francófona da Suíça.
Em 1941 Adolfo Simões Müller abandonou “O Papagaio”, por divergências com Abel Varzim, e fundou uma nova revista juvenil, “O Diabrete” (4 de Janeiro de 1941- 29 de Dezembro de 1958). Müller chegaou a escrever a Hergé para conseguir ficar com os direitos de publicação de Tintin na nova revista, mas não o conseguiu, pelo que essa série continuou a ser publicada n’”O Papagaio”.
Contudo, conseguiu adquirir os direitos de uma outra série, até aí nunca publicada em Portugal, que nasceu depois do Tintin também na revista “Le Petit Vingtiéme”, a série humorística Quick e Flupck, que será publicada no “Diabrete” entre 5 de Janeiro de 1941 e 10 de Outubro de 1943, com a designação de “Tropelias do Trovão e do Relâmpago”.
Entretanto, com o fim d’”O Papagaio” em 1949, Simões Müller conseguiu adquirir os direitos de Tintin, publicando três aventuras no “Diabrete”, a primeira “O Ceptro de Ottokar”, com a designação de “Aventuras de Tim-Tim e Rom-Rom”, entre 9 de Março de 1949 e 18 de Março de 1950, seguindo-se mais duas aventuras, “O Tesouro de Rackham, o Vermelho”, aportuguesado para “O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa”, entre 25 de Março de 1950 e 21 de Março de 1951, e “As 7 Bolas de Cristal”, entre 4 de Abril de e 29 de Dezembro de 1951, ficando a publicação desta aventura incompleta, devido ao facto de o “Diabrete” ter interrompido a sua publicação nesta data, ao fim de 553 edições.
Até ao início da década de 1960, Adolfo Simões Müller manteve os direitos da edição do Tintin em revistas portuguesas por si editadas, como aconteceu com o “Cavaleiro Andante” (1952-1962), o “Foguetão” (1961) e o “Zorro” (1962-1966).
A mítica revista “Cavaleiro Andante” publicou muitas das séries da revista belga “Tintin”, devendo-se a ela a divulgação da maior parte dos autores da escola franco-belga em Portugal, tendo mesmo usado as capas da revista belga, adaptadas ao título do “Cavaleiro Andante”.
O “Templo do Sol” foi a primeira aventura de “Tintin” publicada nesta revista, primeiro no corpo da própria revista, a partir do seu primeiro número, em 5 de Janeiro de 1952, e depois continuando a sua publicação no suplemento “Pajem”, entre 5 de Julho de 1952 e 22 de Agosto de 1953.
Ao todo foram publicadas 7 aventuras do Tintin no “Cavaleiro Andante”, algumas pela primeira vez em Portugal, como “Tintin na Lua”, publicando, com o mesmo título, e sem interrupção, as duas aventuras, “Objectivo Lua e “Tintin na Lua”, ao longo de 2 anos, entre 17 de Outubro de 1953 e 31 de Dezembro de 1955, “O Caso Tornesol”, sob o Título de “O Caso da Arma Secreta”, e o “Carvão no Porão (Cocke em Stock)” com o título “Os mercadores de ébano”. Foi republicado o “Tintin na América” e “O Lótus azul”, anteriormente publicados em “O Papagaio”, mas agora na nova versão, actualizada por Hergé.
A última aventura publicada foi “Tim-Tim no Tibete”, entre 18 de Novembro de 1961 e 4 de Agosto de 1962, aventura que tinha começado a ser publicada no “Foguetão” entre Maio e Julho de 1961, mas que ficou incompleta devido à curta vida desta revista.
A última aventura de Tintin publicada em Portugal sob a orientação de Simões Müller foi “As Joias de Castafiore “, sob o título “As Jóias da Prima Dona”, na revista “Zorro”, entre 6 de Abril de 1963 e 6 de Junho de 1964, única aventura dessa série publicada nessa revista.
Foi no “Zorro” que foram publicadas, pela primeira vez em Portugal, as aventuras de outra série de Hergé, “Jo, Zette e Jocko”, em “O “Manitoba” Não Responde” e “A Erupção de Karamako”, entre 20 de Junho de de 1964 e 23 de Junho de 1966. Estas duas aventuras voltariam a ser editadas em Portugal no suplemento “Quadradinhos” do jornal “A Capital”, em 1972 e 1973, conhecendo ainda uma edição em álbum, das cinco aventuras desta série, pela Verbo, sob a designação de “Aventuras de Joana, João e do Macaco Simão”, na década de 1980.
Foi com o aparecimento da revista “Tintin” que tivemos, em Portugal, a publicação integral de todas as aventuras do herói criado por Hergé, entre o 1º número, editado em 1 de Junho de 1968, e o último, em 2 de Outubro de 1982. A única aventura não editada na totalidade, devido ao encerramento da edição da revista, foi a reprodução, pela primeira vez em Portugal, da primeira aventura de Tintin, “Tintin no país dos sovietes”, só editada, de forma completa, em álbum, em meados da década de 1980.
Tintin foi ainda publicado em tiras diárias no jornal “Diário de Notícias” e no suplemento “Nau Catrineta”, na década de 1970.
Em 16 de Março de 1960 Simões Müller tinha escrito a Hergé, para conseguir os direitos de autor para editar os primeiros álbuns de Tintin em Portugal.
Hergé responde-lhe, em 22 de Março, lamentando que tal não seria possível, já que esses direitos tinham sido adquiridos por uma editora brasileira, a Flamboyant, que tinha adquirido igualmente os direitos de os vender, traduzidos no português do Brasil, em território português.
Assim, a edição das aventuras de Tintin em álbum, em português, foram da responsabilidade, (...), daquela editora brasileira, que editou o primeiro álbum do Tintin em língua portuguesa em 1961, “A Estrela Misteriosa”. [E de 1970 até 1988 da Distribuidora Record].
Só a partir de 1988 é que a editora Verbo conseguiu os direitos para Portugal, editando os álbuns da série até 1999.
Actualmente os direitos da série pertencem à editora Asa.
Para as gerações portuguesas mais novas, o único contacto com Tintin talvez tenha sido através do filme de Spielberg de 2011 (..).
Hergé nunca veio a Portugal. Apenas por duas vezes foi entrevistado por um jornalista português, Luiz Beira, a primeira das quais publicada na revista “Plateia” nº 306 de 13 de Dezembro de 1966, a segunda em Novembro de 1982, uma das últimas concedidas por Hergé, já que faleceu em 3 de Março de 1983.
Esta segunda entrevista manteve-se, contudo, inédita até 1985, sendo finalmente publicada na 5ª série da revista “O Mosquito”, no nº6 de Março de 1985.
Nesta última entrevista, Hergé lamentava-se por nunca ter visitado Portugal, um “belo país” que o atraia, prometendo fazê-lo um “dia, quem sabe?”, bem como pondo igualmente a hipótese de “um dia talvez, quem sabe?”, situar uma aventura de Tintin em Portugal. Infelizmente a morte prematura de Hergé impediu-o de concretizar esses desejos.
Venerando Matos, BêDêZine, 18/10/2021
Fonte Principal para este capítulo - De Avonturen van Kuifje in Portugal (A Aventura de Tintin em Portugal), “Sapperloot” nº 5 , 2004 ; Este capítulo com várias imagens e outros capítulos sobre Hergé podem ser lidos no blog BêDêZine.
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INDICE DA REVISTA KUIFJE IN PORTUGAL (SAPPERLOOT Nº 5 - 2004)
Capa
1 - Cólofon
2 - Introdução
4 - O Papagaio
22 - Diabrete
28 - Mundo de Aventuras *
29 - Cavaleiro Andante
37 - Foguetão
38 - Zorro
40 - Nau Catrineta / DN
41 - Tintin
46 - Quadradinhos
48 - Flecha 2000, Spirou, Jornal da Bd *
49 - Àlbuns Brasil
53 - Álbuns Portugal
55 - Merchandising
57 - Autocolantes, DVD
58 - resumo publicações (cronologia)
59 - resumo publicações (lista)
Cólofon
Sapperloot nº 5 de dezembro de 2004
Edição especial para os membros da Sociedade Hergé nos Países Baixos e na Bélgica
Redacção: Jan Aarnout Boer
Design/Grafismo: Mike van der Veer
Impressão: Pressofoon BV
Morada da Redação:
Tijmgaarde 5
NL-2803 RK Gouda
URL: http://www.kuifje.nl
Tiragem: 300 exemplares Direitos de autor (Copyright):
Em todas as ilustrações ©HERGÉ-Moulinsart 2004, salvo indicação em contrário Direitos de autor / Propriedade Intelectual:
A reprodução, duplicação ou publicação do conteúdo, nos termos do art.º 15 da lei de direitos de autor, por qualquer meio, não é permitida sem o consentimento prévio e por escrito da redação.
Capa: Diabrete 593
Sociedade Hergé (Hergé Genootschap)
Introdução
Tintim em Portugal? Qualquer fã de Tintim sabe que As Aventuras de Tintim em Portugal não pertence à série de 23 álbuns de Tintim. A relação que Tintim tem com Portugal deve-se à sua amizade com o português Senhor Oliveira da Figueira. Tintim conheceu este comerciante "diabólico" — que consegue vender um par de patins mesmo a clientes no deserto — no final de fevereiro de 1932, na história Os Charutos do Faraó. Em 1949, durante a sua aventura em O Lótus Azul / O Ouro Negro, Oliveira ajuda Tintim a entrar no quartel-general do Dr. Müller. Oito anos mais tarde, em Carvão no Porão / Sua Majestade entra em Ação, Haddock e Tintim voltam a encontrá-lo em Wadesdah, a capital de Khemed.
Mas Portugal merece um lugar especial no mundo de Tintim. O português é a língua para a qual Tintim foi traduzido pela primeira vez. Já em 1936, Tintim apareceu na América em português na revista O Papagaio. Muito antes do que nos Países Baixos, onde Tintim só ganhou raízes no pós-guerra, com o início do semanário Kuifje¹.
Também muito especial é o facto de as histórias de Tintim terem aparecido a cores em Portugal antes de na Bélgica. A BD foi impressa no Le Petit Vingtième primeiro a preto e branco "normal", e mais tarde com uma cor de apoio, mas a isso não podemos chamar verdadeiramente "a cores". Não, em Portugal, O Papagaio foi publicado a cores desde o início, por isso Tintim teve de acompanhar... resultando em combinações de cores muito invulgares, como um Milou (Snoopy/Bobbie) amarelo.
E Quim e Filipe (Quick et Flupke) também chegaram cedo a Portugal: a revista Diabrete trouxe, a partir de 5 de abril de 1941, as travessuras destes dois traquinas para a atenção dos leitores portugueses sob o título Tropelias do Trovão e do Relâmpago.
Além de O Papagaio e do Diabrete, as aventuras de Tintim e dos seus companheiros apareceram em várias revistas portuguesas; fazemos a revisão de toda a série, até à revista com a qual as histórias ganharam maior notoriedade nos Países Baixos: o semanário Kuifje. Neste livro apresentamos uma visão geral detalhada de revistas e livros com as criações de Hergé. As revistas vêm todas de Portugal, os livros são maioritariamente de origem brasileira. A razão para tal é que a licença dos livros foi mantida durante anos no Brasil, pela editora Flamboyant. A Flamboyant foi mais tarde adquirida pela Record. Apenas em 1988 é que a editora portuguesa Verbo recebeu autorização para imprimir álbuns de Tintim. A Verbo já tinha adquirido anteriormente a licença para Quim e Filipe (Quick en Flupke) e Joana, João e o Macaco Simão (Jo, Zette et Jocko).
Esperamos que os leitores fiquem com uma boa impressão da diversidade de revistas e livros publicados em língua portuguesa.
Agradecimentos
A correspondência entre Hergé e Adolfo Simões Müller e as redações de O Papagaio e Diabrete foi disponibilizada pela Fondation Hergé. Fomos colocados no encalço desta correspondência pelos livros Chronologie d'une Oeuvre, de Philippe Goddin (volumes II, III e IV).
As informações sobre as edições antigas brasileiras e portuguesas foram retiradas do site de Bruno Voeten, disponível em "www.intertintin.com". Pelas informações de enquadramento, devo agradecer também a Jos van Impe.
Por fim, gostaria de agradecer ao meu amigo português fã de Tintim, Alberto Gonçalves; ele ajudou-me a construir esta coleção de revistas de banda desenhada portuguesas.
Jan Aarnout Boer, Novembro de 2004
¹ À exceção da tradução flamenga de Tintim no Congo, no Het Laatste Nieuws de outubro de 1940.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Hergé, Tintin & C.ª na Banda Desenhada Portuguesa
HERGÉ NA BANDA DESENHADA PORTUGUESA, 1935 – 1982
Portugal ocupa um lugar especial no mundo de Hergé. Com efeito, foi em português que Tintin foi traduzido pela primeira vez. 16 de Abril de 1936 é uma data importante, com Tintin a aparecer pela primeira vez num país não-francófono: Portugal. Por essa razão o nº 53 de O Papagaio tem um lugar especial na história de Tintin, com a publicação de Tintin na América. Após esta história, outras oito seguir-se-ão neste magazine para "miúdos".
Como se explica que, já em 1936, O Papagaio haja publicado as aventuras de Tintin?
Nesta época, Portugal, há já longos anos que conhece a banda desenhada. O primeiro "verdadeiro" magazine de BD, ABC-zinho, aparece em 1921! Um outro mais popular, O Senhor Doutor, aparece em 1933. Em 1935, o magazine de BD americano Mickey aparece na Europa, simultaneamente, na França, em Espanha, na Itália e em Portugal. Portugal, tradicionalmente, orienta-se mais para a França do que para Espanha. Em Portugal, à época, fala-se mais francês do que inglês ou espanhol.
A 18 de Abril de 1935 aparece o primeiro número do magazine O Papagaio. O seu director, Adolfo Simões Müller, admirador da cultura francesa, acha-a adequada à mentalidade dos jovens portugueses. Por intermédio de um eclesiástico português, Abel Varzim, que estudou em Louvaina, contacta com o Le Petit Vingtième e com Hergé. Este religioso mostra a Adolfo Simões Müller alguns números do Petit Vingtième e particularmente da bd Tintin que, em 1935, tinha já 6 anos de existência e 4 aventuras. A pedido de Adolfo Simões Müller, Varzim estabelece contacto, no final de Maio de 1935, com Hergé para negociar os direitos de publicação.
O Papagaio dava grande importância à composição da página. Cada número beneficiava de um novo desenho do título do jornal. O mais utilizado consistia numa variante de um papagaio, por vezes com Tintin e Milou. Nem sempre são desenhos muito conseguidos, mas sempre interessantes de ver. Também o tipo de letra era frequentemente modificado.
O encanto das histórias de O Papagaio deriva de uma combinação de três factores. Por um lado, tratam-se de versões originais desenhadas pela mão de Hergé tal como foram publicadas no Petit Vingtième (ou nas reedições em álbuns). Por outro lado, estes desenhos são "colorizados" num estilo bastante atraente. Por fim, os desenhadores responsáveis por este magazine utilizavam no título personagens como Tintin, Milou, Dupond e Dupont. Entre 1935 e 1949, O Papagaio publica sucessivamente Aventuras de Tim-Tim na América do Norte, Aventuras de Tim-Tim no Oriente, Novas Aventuras de Tim-Tim, Tim-Tim em Angola, Tim-Tim e o mistério da Orelha Quebrada, Tim-Tim na Ilha Negra, Tim-Tim no Deserto, A Estrela Misteriosa, O Segredo da Licorne.
Em 1948, é publicado no nº 674 de O Papagaio, o último episódio do Segredo da Licorne. Apesar da concorrência de outros periódicos, esta maravilhosa publicação existirá até ao nº 722, de Fevereiro de 1949.
Em 1939, Adolfo Simões Müller, director do Papagaio, chega a propor a Hergé a edição de uma aventura de Tintin em Portugal. Curioso é que, apesar dos seus esforços, Adolfo Simões Müller nunca conseguiu obter os direitos de publicação dos álbuns de Tintin em Portugal. Será preciso esperar pelo ano de 1988 para que tal aconteça pela acção das edições Verbo.
Adolfo Simões Müller nasceu em 1909, em Lisboa. Personalidade multifacetada, jornalista, escritor, poeta, pedagogo e produtor de programas de rádio, veio a ser aos 26 anos, em 1935, director de O Papagaio. A partir de 1940, a convite do Diário de Notícias, dirigiu o magazine quinzenal Diabrete. Dirigiu ainda, Cavaleiro Andante, Foguetão, Zorro, Nau Catrineta e, por fim, Quadradinhos (suplemento do Jornal A Capital). Em 1972, recebeu O Prémio Nacional de Literatura para a Infância, e em 1982, recebeu O Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura. Morreu em Lisboa, a 17 de Abril de 1989.
Apesar das suas qualidades gráficas, O Papagaio, conheceu desde cedo a rivalidade de uma outra publicação que haveria de ficar para a história da B.D. portuguesa: O Mosquito. Os especialistas de B.D. são unânimes em considerar O Mosquito, o periódico mais importante da B.D. portuguesa, mais do que O Papagaio ou Cavaleiro Andante, apesar de estes publicarem as histórias de Tintin. Entre 1936 e 1953 foram publicados mais de 1400 números, número substancialmente superior ao dos outros dois periódicos.
A editora Empresa Nacional de Publicidade, proprietária de vários jornais, como a Capital, em reacção ao sucesso de O Mosquito e ao apagamento de O Papagaio, cria um novo magazine: Diabrete. A partir do número 14, Adolfo Simões Müller, será o seu director. Este periódico publicará semanalmente, até ao número 120 (17.04.43) Quick e Flupke, em português, Tropelias do Trovão e do Relâmpago. Mais tarde, as edições Verbo publicarão em álbum esta banda desenhada com o nome de Quim e Filipe.
Em 1949, termina o O Papagaio e as histórias de Tintin continuarão no Diabrete: O ceptro de Ottokar, O tesouro de Rackham, As 7 Bolas de Cristal. Segue-se o Cavaleiro Andante.
De novo, encontramos Adolfo Simões Müller na direcção deste novo magazine. A partir do nº 28, as histórias de Tintin são remetidas para um suplemento de 4 páginas, a cores, mas de pequeno formato: O Pajem do Cavaleiro Andante. Este suplemento durou dois anos, de 5 de Julho de 1952 a 30 de Junho de 1954, 104 números ao todo. O Templo do Sol foi aí publicado do nº 1 ao nº 84.
De 4 de Maio a Julho de 1961, com uma curta existência de vida, apenas 13 semanas, o magazine Foguetão, em formato A3, publica Tintin au Tibet, com a particularidade de trazer em rodapé a tradução do texto original francês. Mais uma vez, encontramos Adolfo Simões Müller na direcção.
Terminado este magazine, rapidamente Adolfo Simões Müller funda uma nova publicação, Zorro, que aparece de 1962 a 1966, e em cujas páginas, a partir do nº 26, de 1963, podemos ler As Jóias da Castafiore. A partir de Junho de 1964 e até 1966, Zorro publicará as histórias de João, Joana e o macaco Simão (no original, Jo, Zette et Jocko), O Manitoba não responde e Erupção do Karamako.
Em 1968, surge a revista Tintin, versão portuguesa do magazine com o mesmo nome há muitos anos existente na Bélgica, França e Países Baixos. Até 1982, último ano de existência, são publicadas quase todas as aventuras de Tintin. No último ano, inicia-se a publicação de Tintin no País dos Sovietes, interrompida com o fim da revista.
De 1972 a 1975, juntamente com o jornal A Capital e publicado ao fim de semana, o suplemento gratuito Quadradinhos. Nele, podemos encontrar as aventuras de João, Joana e o macaco Simão, O Manitoba não responde e A Erupção do Karamako.
Portugal, foi precursor da publicação periódica das histórias de Tintin, mas, paradoxalmente, a sua edição em álbum é muito posterior.
No Brasil, a partir de 1961, a editora Flamboyant obtém os direitos de publicação das histórias em álbum e exporta-os para Portugal, onde o editor e importador Aster faz a distribuição.
Em 1969, a editora Flamboyant é substituída pela editora Record e os álbuns aparecerão com esta chancela. A importação para Portugal está a cargo do Centro do Livro Brasileiro, em Lisboa.
Em Portugal, foi preciso esperar por 1988, para que, pela mão da editora Verbo – 52 anos após o aparecimento pela primeira vez no Papagaio – as aventuras de Tintin fossem editadas em álbum.
Em 1995, o jornal O Independente, numa edição em álbum publica as histórias: As 7 Bolas De Cristal, O Templo do Sol, O Segredo do Licorne, O Tesouro de Rackham, o Vermelho. Em 1996, uma segunda edição publica: Rumo à Lua, Carvão no Porão.
A partir de 2000, o Círculo de Leitores publica todas as histórias, excepto Tintin no País dos Sovietes e L'Alph-Art, num total de 22 histórias em 11 álbuns.
Em 2003, o jornal Público, publica igualmente em álbum todas as aventuras de Tintin.
Finalmente, a 22 de Novembro de 2003, a colecção Os Clássicos da Banda Desenhada, edita um álbum de Tintin, com três histórias: Rumo à Lua, Explorando a Lua, Tintin no Tibet.
Alguns álbuns especiais foram igualmente editados: Tintin e o Lago dos Tubarões, datado de 1973, edição de A.F. Victor, de Lisboa; O Templo do Sol, editado em 1975 [1970?], pelos Refrescos Royal, um fabricante de bebidas.
Texto adaptado da Revista Sapperloot, nº 5, Novembro/2004 (Número especial da revista do clube holandês Hergé Genootschap com o título Kuifje in Portugal) que foi incluído na brochura oferecida aquando da exposição "Hergé, Tintin & C.ª Na Banda Desenhada Portuguesa" da BPMP.
sábado, 19 de setembro de 2026
Quadradinhos
"Quadradinhos" foi um suplemento do jornal "A Capital" publicado entre 28 de Fevereiro de 1972 (nº 1) e 11 de Fevereiro de 1974 (nº 100). Haveria depois uma segunda e uma terceira série.
Dois dos episódios de Jo, Zette & Jocko foram publicados tanto na revista Zorro (1964-1966) como na primeira série do suplemento Quadradinhos (1972-1973). O nome das personagens ainda era o original passando apenas para Joana, João e Macaco Simão quando foram editados em álbum pela Verbo a partir de 1981/1982.
[Jo, Zette & Jocko]
"O Manitoba Não Responde" (25 números do nº 14 de 05/06/1972 até ao nº 39 de 27/11/1972)
O «Manitoba» não Responde (Le Rayon du Mystère - 1er épisode, Le "Manitoba" ne répond plus), 1936, Zorro #89-1964 a #140-1965; Quadradinhos (Jornal A Capital) #14-1972 a #39-1972; Álbum Difusão Verbo [1981 - E2]
"A Erupção do Karamako" (16 números do nº 40 de 04/12/1972 ao nº 65 de 11/06/1973)
A Erupção do Karamako (Le Rayon du Mystère - 2ème épisode, L'éruption du Karamako), 1937, Zorro #141-1965 ao #192-1966; Quadradinhos (Jornal A Capital) #40-1972 a #65-1973; Álbum Difusão Verbo [1981? - E3]
imagem de KIP (2004) partilhada em https://bedezine.blogspot.com/2021/10/herge-tintin-por-tintin-2-parte-tintin.htmlQUADRADINHOS
Inclui diversas histórias alternadas com artigos publicitários, jogos e notícias para os mais jovens. Ao longo dos números é possível encontrar: Fantasma (Phantom); Mickey; Roy Race (Roy of the Rovers); Viagens de Guliver; Johnny Cougar; O Pequeno Rei; Gato, Rato, Sifão; Olha o Passarinho; Heitor, o helicóptero; O Mistério da Torre Negra; Melissa; Mandrake; Dédé; Bugs Bunny; Bi & Bip Contra o Yé-Yé Atómico; Tinha Valido a Pena Se; Poupas & Bui, Once Again Poupas e o Bui Por Kicas; Titus; Guardião Solitário (Lone Ranger); Johnny Hazard; Jo, Zette & Jocko - "O Manitoba Não Responde" de Hergé; Sr. Abernathy (Mr. Abernathy); Sobrinhos do Capitão (Katzenjammer Kids); Beetle Bailey; Attila, Ofício de Cão; "Ao Microscópio"; "Alice No País das Maravilhas"; "Luis Ciclone" (Steve Canyon); entre outros.
Ref.: BD Portugal - Base de dados de BD (Abe Books)
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Tintin Integral 2
Nos escaparates das livrarias temos já disponível a segunda leva de aventuras de TINTIN agora reunidas em versão integral numa nova edição da ASA. Diria que se trata da edição definitiva. Uma colecção de seis volumes, de capa dura, com todas as histórias imaginadas por Hergé, respeitando a sua ordem cronológica.
Ainda que não seja propriamente uma novidade, Tintin é daquelas personagens que ainda desperta uma certa nostalgia, e isso pude observar recentemente aquando do lançamento da primeira aventura de Tintin traduzida para mirandês - Ls Xarutos de L Farao - perante uma sala cheia no Panteão nacional em Março último.
Este segundo integral reúne os seguintes títulos: Os Charutos do Faraó (1934), O Lótus Azul (1936), A Orelha Quebrada (1937), A Ilha Negra (1938).
Para nostálgicos.
Ficha técnica:
As Aventuras de Tintin - Integral 2
De Hergé
Capa dura, 267 x 219, cores, 304 páginas.
ISBN: 9789892368542
PVP: € 32,90
Editor: Edições ASA
Tintin, herói intemporal!
Jovem repórter destemido, e detetive amador, Tintin correu o mundo em aventuras na companhia de Milu, o seu cão inteligente, companheiro e cúmplice de todas as missões perigosas, e do Capitão Haddock, um capitão rabugento, mas com um coração de ouro.
Personagem criada pelo belga Georges Remi, que se "esconde" sob o pseudónimo HERGÉ, Tintin transformou-se num herói da banda desenhada, sempre pronto a resolver mistérios intrigantes e inúmeros quebra-cabeças, que atraem até hoje leitores com as suas histórias inesquecíveis, cheias de emoção e humor, perfeitas para os mais e menos jovens.
Esta nova edição consiste numa coleção de seis álbuns integrais, de capa dura, que reúnem todas as histórias de forma cronológica.
A série As Aventuras de TINTIN iniciou-se na banda desenhada em 1929, no suplemento juvenil "Le Petit Vingtième" e tornou-se um dos cânones clássicos da BD mundial, desfrutando do reconhecimento de leitores em todo o mundo, evidenciado por mais de 265 milhões de exemplares impressos, em cerca de 135 línguas e dialetos. Algumas das suas aventuras foram adaptadas para televisão e para o cinema, tendo o conhecido realizador Steven Spielberg produzido um filme baseado nelas.
Este álbum contém os títulos:
Os Charutos do Faraó (1934), O Lótus Azul (1936), A Orelha Quebrada (1937), A Ilha Negra (1938).
(texto da contracapa)
CRITICAS A ESTA SÉRIE DA ASA:
Olhando para o objeto-livro, a obra apresenta capa dura baça, com verniz localizado e bom papel brilhante no miolo. A impressão e encadernação também são boas. O aspeto gráfico da capa e contracapa também são bonitos, primando pela sobriedade característica do estilo de Hergé. É uma bela edição que, mesmo assim, talvez pudesse trazer um caderno de extras sobre os vários tomos que inclui. Acredito que esse material há de existir, pois esta é uma obra muito documentada. Acho também que talvez o formato pudesse ser um pouco maior, se bem que, repito, é superior ao "mini-formato" em que a série de Tintin poderia ser encontrada, nos últimos anos, nas nossas livrarias.
Esta edição não difere das pequenas. A mancha é do mesmo tamanho e as margens desperdiçadas. Só os desatentos vão comprar esta versão pensando que é melhor que as pequenas.
Oportunidade perdida de fazer integrais com extras requintados.
Fernando dordio4 de março de 2026 às 22:51
Fernando Dordio5 de março de 2026 às 11:43
Completamente de acordo. Trabalho desleixado por parte da Asa e uma oportunidade perdida de trazer de novo ao mercado uma obra riquíssima e seminal da BD mundial. Nota negativa.
Antonio5 de março de 2026 às 19:45
Notícia sobre o primeiro volume nos sites Notas Bedéfilas e Central Comics e outras informações em Vinhetas 2020.
A nova edição de O Caso Girassol será lançada ainda este ano.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Aventuras publicadas em Portugal
Segue-se a lista das aventuras de Tintin e as respetivas revistas portuguesas em que foram inicialmente publicadas:
2. Tintin no Congo (Tintin au Congo) - P4 + T23-1981
3. Tintin na América (Tintin en Amérique) - P1+CA3+T8-1972
4. Os charutos do faraó (Les cigares du pharaon) - P2+T9-1972
5. O lótus azul (Le lotus bleu) - P3+CA5+T10-1973
6. A orelha quebrada (L'oreille cassée) - P5+T11-1973
7. A ilha negra (L'île noire) - P6+T12-1974
8. O ceptro de Ottokar (Le sceptre de Ottokar) - D1+T13-1974
9. O caranguejo das tenazes de ouro (Le crabe aux pinces d'or) - P7+T14-1975
10. A estrela misteriosa (L'étoile mistérieuse) - P8+T17-1977
11. O segredo do Licorne (Le secret du Licorne) - P9+T18-1977
12. O tesouro de Rackham, o Terrível (Le trésor de Rackham, le Rouge) - D2+T19-1978
13. As 7 bolas de cristal (Les 7 boules de cristal) - D3+T20-1978
14. O templo do sol (Le temple du soleil) - PJ/CA1+T21-1979
15. Tintin no país do ouro negro (Tintin au pays l'or noir) - T22-1980
16. Rumo à Lua (Objectif Lune) - CA2+T6-1970
17. Explorando a Lua (On a marché sur la Lune) - CA2+T7-1971
18. O caso Girassol (L'affaire Tournesol) - CA4+T4-1969
19. Carvão no porão (Coke en stock) - CA6+T1-1968
20. Tintin no Tibete (Tintin au Tibet) - F(francês)+CA7+T3-1969
21. As jóias de Castafiore (Les bijoux de Castafiore) - Z+T5-1970
22. Voo 714 para Sydney (Vol 714 pour Sidney) - T2-1968
23. Tintin e os pícaros (Tintin et les picaros) - T15-1976
24. Tintin e a alph-arte (Tintin et le alph-art)
HS. Tintin e o lago dos tubarões (Tintin et le lac aux requins,1972) – T16 -1976
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
João Távora
A Irmandade
(...)
Deus plantou quatro irmãos na minha vida, e no princípio eram eles os principais povoadores do meu mundo de brincadeiras e que me ajudavam a relativizar os sucessos e frustrações vividos fora de casa. Éramos cinco, conhecidos pelas outras casas da família pelos “Abrantes”. Todos em escadinha, pouco mais de um ano de diferença entre cada um, não me perguntem como, mas cabíamos num Volkswagen carocha com o meu pai ao volante e a minha mãe com a mais pequena ao colo no lugar do morto. Foi nesses preparos que viajámos algumas vezes para férias de Lisboa para Milfontes.
Os meus irmãos eram o barulho à minha volta, o choro e o riso, horas e horas de brincadeiras, provocações, lutas e disputas que preenchiam o imenso tempo livre que tinham as crianças do meu tempo. Mas foram os tempos difíceis de uma crise complicada que vivemos a seguir ao 25 de Abril que nos obrigaram a crescer mais depressa e nos entrelaçaram para sempre. Por essa altura a treinar a democracia em casa, habituámo-nos a dizer uns aos outros o que nos passava pela cabeça – a sinceridade é um perigo - e foi devagarinho que a vida cuidou, com algumas zangas de premeio, de nos ensinar a preservar melhor os espaços de cada um. Mas julgo que foi também por causa dessa cumplicidade excessiva que os nossos conflitos sempre se resolveram, com a ajuda do tempo e com pedidos de desculpas, mais ou menos hesitantes, mais ou menos a contragosto.
(...)
Personagens de Banda Desenhada que mais me marcaram a existência
Em primeiro lugar, estará sempre o Tintim de Hergé. Meu companheiro de infância, de sonhos e brincadeiras. Do pequeno e inocente Tintim do Ídolo da "Orelha Quebrada", passando pelo sofisticado Tintim do "Carvão no Porão" e acabando no adulto e contemporâneo Tintim do "Voo 714 para Sydney".
Quero prestar também aqui a minha homenagem a Hergé. Discordo apenas do João Villalobos quando mistifica a versão “animada” de Tintim que foi para mim uma autentica desilusão, um susto, uma afronta ao meu imaginário. É que a mim puseram-me um álbum do Tintim nas mãos antes sequer de eu saber o meu próprio nome. Afinal não fui eu que lhe dei voz e movimentos? Até fui eu que inventei as tramas, enquanto folheava atento os livros ainda sem saber ler... O Tintim na TV chocou-me desde logo com a veleidade daquela animação tão deficiente e a histérica dramatização daqueles guiões sempre simplificados. Fiquei definitivamente enciumado com a exposição pública e banalização do meu herói. Quase desde o berço que passeei por dentro daqueles quadradinhos, daquelas histórias e mistérios. Lembro-me das horas estáticas, de pernas cruzadas, em puro deleite passadas diante da ultima prancha do álbum Carvão no Porão, aquele insólito e colorido rally nos jardins de Moulinsart. As horas passadas em êxtase, fisgado num só quadradinho, invejando o pequeno carro vermelho do rebelde Abdallah em No Pais do Ouro Negro.
Hergé deu-me os meus melhores amigos de toda a infância, de quem aliás fui íntimo. Com o Tintim e Milou fui crescendo e lutei contra os sovietes e contra a máfia. Ajudei a libertar os escravos e lutei contra o tráfico de droga. Fui também à lua, onde ia perdendo os meus amigos todos e não salvei o Engº Wolf de uma heróica morte. Planei arrastado por um condor pelas encostas dos Andes. Tremi de medo e gelei de frio a caminho do Tibete, num hino à generosidade. Comovi-me com o cão mais simpático do mundo, ri-me com os excessos do bêbado mais divertido de todos, o Capitão Haddock.
Ao Hergé ficarei sempre grato pelos amigos que me proporcionou. Hergé será por certo responsável por muitas das mais felizes horas da minha infância, e por isso ser-lhe-ei sempre grato.
texto compilado depois no livro "Liberdade 232" pp. 174 - JT, 06/06/2013
Liberdade 232 é uma selecção de comentários, crónicas e memórias, publicadas entre 2006 e 2012 por João Távora em diversos blogs e agora convertídos num livro com 192 páginas ilustrado com fotografias de Ozias Filho e do arquivo do autor. Assumindo um discurso virado para o imenso “páteo dos gentios” (existencial e político), dividido em cinco capítulos temáticos onde as fronteiras muitas das vezes revelam-se difusas, o livro tem o nome de uma Avenida de Lisboa e número de uma porta que o autor reclama de particular significado na sua iniciação ao Mundo.
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(Foi) um dos melhores amigos que tive na infância. Sim, também eu descobri os livros do Tintim antes de saber ler num armário do quarto dos meus tios na casa da Avenida e os folheava inebriado, na pele do meu herói. Lembro-me bem com seis anos quando saiu o "Voo 714 para Sydney" de devorar cada quadradinho, das fúrias do Capitão Haddock com o insuportável Senhor Carreidas, multimilionário dono daquele fascinante avião que antecipava a chegada do Concorde – e como me fascinavam aqueles carros e aviões desenhados por Hergé que pareciam verdadeiros modelos daqueles que se vendiam nas lojas de brinquedos para mim inacessíveis.
O facto é que fui descobrindo as diferentes camadas narrativas de cada aventura à medida que fui ganhando habilidade na leitura. Ficámos mesmo amigos, e recordo-me de em pequeno estranhar o facto de Tintim se tratar apenas de uma personagem de ficção, tão vivo que parecia dentro da minha mente. Fui com ele à Lua, às florestas tropicais da Índia ou da América Latina, fui à China, mergulhei entre tubarões, corri pelas galerias de Moulinsart, entrei no Palácio do bondoso rei da Sildávia que enfrentava os revolucionários republicanos, foi na alvura dos Himalaias que mais me emocionei com o verdadeiro sentido da amizade e da nobreza de caracter dos meus heróis na busca do jovem Tchang capturado pelo descomunal Yeti.
(...) fiz questão de introduzir aos meus filhos todo o universo do Hergé, que para lá dos livros, há longos anos acompanha as rotinas da família na forma de um elegante calendário Tintim que a cada mês de Janeiro penduramos na cozinha. Na verdade, acreditem ou não, o Tintim não é apenas um ícone para a minha família, é nosso amigo mesmo - de longa data.
Talvez porque me puseram um álbum do Tintim nas mãos antes sequer de eu saber o meu nome me tenha chocado a versão deficientemente animada, a estranheza daquelas falas mal dobradas e simplificação das histórias na TV. Afinal não foi a minha imaginação que lhe deu voz e movimentos? Até fui eu que inventei as tramas, enquanto folheava atento os livros ainda sem saber ler... Com o Tintim na TV fiquei definitivamente enciumado com a exposição pública e a banalização do meu herói.
Quase desde o berço que passeei por dentro daqueles quadradinhos, daquelas histórias e mistérios. É por isso que nunca consegui entregar de bom grado o Tintim ao mundo, como se cada aventura guardasse um segredo só meu, um pacto silencioso entre leitor e personagem. O eco das páginas lentamente viradas nas tardes soalheiras das férias intermináveis, o cheiro do papel, os risos partilhados com Milou e os sermões científicos do Professor Girassol, tudo isso moldou um universo privado onde os heróis eram eternos e os perigos, embora assustadores, terminavam sempre com um sorriso de esperança. E aquilo que hoje escapa a muita gente, a bondade de Tintim, a generosidade desse herói profundamente cristão.
Lembro-me das horas estáticas, que passei de pernas cruzadas, em puro deleite diante da última prancha do álbum Carvão no Porão, aquele insólito e colorido rally nos jardins de Moulinsart. As horas passadas em êxtase, fisgado num só quadradinho, invejando o pequeno carro vermelho do rebelde Abdallah em No Pais do Ouro Negro. Hergé deu-me os meus melhores amigos de toda a infância, de quem aliás fui íntimo. Com o Tintim e Milou fui crescendo e lutei contra os sovietes e contra a máfia. Ajudei a libertar os escravos e lutei contra o tráfico de droga. Fui também à lua, onde ia perdendo os meus amigos todos e não salvei o Engº Wolf de uma heróica morte. Planei arrastado por um condor pelas encostas dos Andes. Tremi de medo e gelei de frio a caminho do Tibete, num hino à generosidade. Comovi-me com o cão mais simpático do mundo, ri-me com os excessos do bêbado mais divertido de todos, o Capitão Haddock. Ao Hergé, genial criador destas histórias ficarei sempre grato pelos amigos que me proporcionou.
Com o passar dos anos, aquelas páginas passaram a ser refúgio e companhia, à medida que a vida se tornava mais complexa e o mundo parecia mais vasto e menos decifrável. Os personagens iam-se densificando. A cada releitura, descobria detalhes antes despercebidos, diálogos que se revelavam mais espirituosos, enigmas que cresciam em profundidade conforme a minha própria compreensão amadurecia. Havia sempre um novo segredo guardado entre os balões de fala, uma nuance nos olhares das personagens, uma nota de humor que só se revelava ao leitor mais atento. Assim, as aventuras de Tintim transformaram-se num território de familiaridade e surpresa, onde a infância encontrava refúgio e o espírito de aventura permanecia ao alcance das mãos.
Por tudo isto em minha casa se cultiva este extraordinário herói e os seus amigos, e todos os anos se estreia em lugar de destaque um vistoso calendário temático publicado pela editora. E ainda hoje ao reencontrar um álbum em lugar nobre da estante, sinto a mesma emoção pueril, na expectativa de uma nova descoberta, como se a infância se deixasse viver, uma e outra vez, através da magia das linhas claras e cores vivas do desenho de Hergé. Ele é por certo responsável por muitas das mais felizes horas da minha infância, e por isso ser-lhe-ei sempre grato.
Texto adaptado duma troca de impressões escritas, no tempo áureo dos blogs.
álbum preferido:
A partir de “As sete bolas de cristal” a escolha é muito difícil. Talvez “O caso Girassol” ou “Tintim no Tibete”.
* Na foto com uma camisola dos Genesis
José Abrantes é pseudónimo de José Lancastre e Távora, pelo que não é grande subtileza perceber que é meu irmão. Como artista que nasceu e se fez em Portugal, foi com uma imensa teimosia nunca desistiu de cá trabalhar naquilo que gosta: desenhar e pintar. Agora, José Abrantes chega-nos também através da sua loja online que tive o gosto de ajudar a desenvolver, onde comercializa boa parte da sua obra publicada, livros, revistas, prints, originais, coisas novas e outras nem tanto. Estou certo que no mínimo merece uma vista, que talvez se materialize numa divertida compra. É aqui mesmo à distância de um clique.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Oliveira da Figueira
O primeiro número da revista da Associação "Les Amis de Hergé" (publicado em junho de 1985) tem duas páginas com "La Boutique de Oliveira da Figueira" e em que até aparece um texto assinado por Oliveira. A secção continuará a aparecer regularmente nas edições seguintes. Mas em 1987 há mudança da morada após a demissão de Jean-Claude Jouret do Conselho de Administração e não volta a aparecer.
Beaucoup d'entre vous ont manifesté le désir d'être tenus au courant des différentes réalisations publicitaires et commerciales basées sur les personnages de Hergé et j'en suis très heureux.
Esperamos que o livro sobre Oliveira da Figueira agrupe o máximo de coisas sobre a personagem. E que apareçam mais curiosidades de que não temos conhecimento.
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Algumas das muitas coisas para abordar:
1-A mudança de nacionalidade em O Papagaio.
2-A campanha de 1947 contra a especulação do mercado negro.
3-A presença de Oliveira da Figueira nas guardas azuis dos álbuns.
4-Selos dos anos 70 em que aparecem várias personagens do tintin.
7-Um resumo/destaque do livro de 2021 de Albert Algoud.
8-A escolha da primeira edição em mirandês (2026).
9-O episódio da viagem de Hipólito Raposo e Pedro Emauz Silva e a carta de Hergé de 1958.
10-Capa do livro "Hergé Em Portugal".
11-Cartaz da exposição "Tintin na Lousã" de 2007 da autoria de Carlos Sêco
12-Caricaturas
14-FDC
15-Rui Patricio
17-Clara Ferreira Alves/AM
18-Orlando Ferreira Abarca
20-Luiz Beira
21-Pedro Mexia
21-O Diabo 1981
23-O companheiro do Major Alverca, o Ângelo, é. literalmente, o Tintim quando se mascara de sobrinho do Oliveira da Figueira [https://tintinemportugal.blogspot.com/2025/11/manuel-joao-ramos.html]
25-Artigo de Ana Sá Lopes sem Oliveira da Figueira
26-Sermão
00-Insónias [https://tintinemportugal.blogspot.com/2016/04/pastiche-as-minhas-insonias-em-carvao.html]
terça-feira, 1 de setembro de 2026
José Abrantes
José Abrantes é um conhecido autor de bd e ilustrador com vasta obra publicada. Recebeu dois desenhos autografados por Hergé depois de contactar o autor belga em 1980.
"Escrevi-lhe em 1980. O secretário Alain Baran deu uma longa resposta, e o Hergé autografou-me um Tintin e Millu." (JA)
"Aos 16 anos descobriu que Hugo Pratt era seu parente, tendo contactado várias vezes com o criador de Corto Maltese, ao qual pediu opinião acerca dos seus trabalhos." (Infopédia)
"Hergé morreu a 3 de Março de 1983. Está no meu Céu." (JA, 03/03/2025)
"Planeava fazer um fanzine com a recolha dos imensos recortes de imprensa aquando da morte do Hergé (...) O eventual investidor desapareceu com o espólio. Mas foi impressionante tantos que foram os testemunhos que foram divulgados na época, durante meses." (JA, 18/12/2025)
Biobibliografia até 2011 no blog de Geraldes Lino:
José Abrantes, aliás, José Maria da Piedade de Lancastre e Távora, nasceu a 9 de Setembro de 1960, em Lisboa, onde frequentou o antigo curso liceal e concluíu o 4ºano.
A sua actividade como autor de BD teve início visível em 1975, a 8 de Novembro, numa publicação chamada Folha CDS, panfleto monocromático distribuído na rua, onde fez uma tira sob o pseudónimo "Zeta", obtido pela abreviação de José (Zé) em contracção com a primeira sílaba do apelido Távora. Faria ainda mais duas tiras nas seguintes edições desse panfleto.
Em Outubro de 1976 iniciou a bd Os homens não são ilhas no mensário infantil, de índole católica, O Farol. Essa história, com a extensão de cinco pranchas, durou até ao nº4 , já em 1977, e tinha argumento de Isabel Mendonça Soares. Com ela, e no mesmo jornal, fez ainda mais duas bedês, Uma Pista Perigosa e No Museu Naval. Foi nesta última, datada de Março de 1978, que usou pela primeira vez o semi-pseudónimo José Abrantes.
Colaborou posteriormente com BD num grande número de publicações, entre revistas, jornais, álbuns e fanzines (...). Há igualmente bedês suas nos fanzines Protótipo e Eros, ambos dos anos 1980 (1985 e 87, respectivamente), no Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, no Lady Blitz Fan-Club (1995), no Tertúlia BDzine (bedês publicadas nos anos 1998, 2010, 2011), e no Efeméride, tendo feito neste último, no nº 2 (2007) e nº 4 (2009), paródias a cores, em formato A3, às personagens Príncipe Valente e Tintim.
Quanto a edições em álbum, tem dois títulos realizados em colaboração: Contos do Nordeste Transmontano, com argumento de Jorge Magalhães (1990), e Dakar o Minossauro (dois tomos, 1997 e 1998), com argumento de Luís Diferr.
Obras totalmente suas, ou seja, argumento, desenho, legendagem e colorização, são as seguintes: Aventura em Valverde e Os Fundos Perdidos (série "As Aventuras de Tobias Bigom"), O Eclipse, Histórias de Natal, O Ladrão Insolente, Luta de Galos, O Lago Iluminado, Horus-Uma Vida de Cão, e a série "As Aventuras do Zu" (1999-2001) (...)
Pois vai ser José Abrantes o autor de BD em foco na Tertúlia BD de Lisboa, no encontro de 7 de Maio (de 2011). Após ter sido Convidado Especial naquela Associação Informal, em Setembro de 1985, ele passa agora ao nível superior de Homenageado, por ter mantido uma constante actividade criativa, malgrado as reduzidas possibilidades existentes em Portugal, ao longo de um percurso já com trinta e seis anos (como se pode verificar na biobibliografia abaixo registada, e também no engraçado episódio que criou em BD propositadamente para o fanzine Tertúlia BDzine, de que no topo se vêem três pranchas, mas que pode ser visto na totalidade no "post" anterior).
Ver a totalidade deste post de 2011 no blog de Geraldes Lino e ainda o episódio que criou em BD para o fanzine Tertúlia BDzine de 2011 que pode também ser visto na sua totalidade e que é mais uma prova da boa qualidade da sua bd.
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José Abrantes é talvez dos desenhadores que conhecemos há mais tempo. É dele o desenho da capa do n.º 11 do Juvebêdê de Maio de 1999, onde publicámos uma entrevista com o autor. Chegámos ainda a publicar Bandas Desenhadas suas, curtas, das personagens "Tantã e Liru", uma paródia com Tintin e Milu, que podem ler em https://www.juvemedia.pt/site/index.php/juvebede
Capitão Marselha, este nome diz-lhe alguma coisa? Mas Capitão Haddock, esse sim, claro que sim. E não lhe parece que há semelhanças físicas, até de vestuário, entre um e outro? É perfeitamente natural, visto que o criador do Capitão Marselha, José Abrantes, é um indefectível entusiasta da obra de Hergé e respectivas personagens... GL, 2008
Tantã e Liru e Capitão Marselha são algumas das suas personagens ligadas ao universo de Hergé que fez para tiras e pranchas soltas.
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José Maria da Piedade de Lancastre e Távora, cujos pseudónimo José Abrantes e Centro [Kundry?] vão assinando as suas obras, nasceu a 9 de Setembro de 1960, em Lisboa e é alguém que parece esconder-se atrás dos desenhos imensos que cria. Imagens coloridas de tempos jurássicos, cujo herói é Dakar, o Dinossauro (publicado pela primeira vez em 1997, pela BaleiAzul, com textos de Luís Diferr) ou histórias mais domésticas que poderiam passar-se na casa de qualquer um de nós. Hórus o gato, antepassado da mais recente criação felina.
José Abrantes estreou-se em finais de 1970, no jornal O Farol e, depois, já em meados de 1980, trabalhou na revista Girassol. Participou nos festivais lisboetas de BD de 1982/83 e, no ano seguinte, fez para o Correio da Manhã, As Viagens de Gularth. O ano de 1985 traz-lhe o primeiro prémio como guionista de uma história desenhada do concurso de BD da revista O Mosquito, ficando um outro trabalho seu, (de novo na qualidade de guionista) entre os dez melhores classificados, no mesmo concurso. Entre festivais de BD e fanzines, surge a ilustração e concepção gráfica do Jornal do Sélix, para os CTT em 1987 e, um ano mais tarde, ilustra várias brochuras da Secretaria de Estado da Família.
Em 1989, recria o Pimpampum, suplemento infantil do jornal «O Século» e diversas BD's publicadas no Correio da Manhã.
Durante a década de 90, José Abrantes trabalhou no programa da RTP, Rua Sésamo, exercendo funções de criativo e ilustrador e, mais tarde, ilustrando também a revista com o mesmo nome, onde elaborou histórias e jogos. Paralelamente, executou álbuns para as edições Asa (Contos do Nordeste Transmontano), e duas aventuras de Tobias Bigom intituladas Aventura em Valverde e Os Fundos Perdidos, actualmente esgotadas, mas em curso de reedição, revistas e recoloridas, a sair na editora BaleiAzul. Fez bandas desenhadas para o Jornal do Gil, a revista Crescer e participou na exposição colectiva Perdidos no Oceano, que esteve patente no Festival Internacional de Angoulême (França) em Janeiro de 1998, figurando no catálogo publicado.
Catálogo BD Sobreda, 2000
Aconselha-se a consulta da nossa tag José Abrantes


















