terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

José de Lemos

José de Lemos (1910-1995) foi um desenhador, ilustrador e escritor.

Nasceu em Lisboa, e cursou a Escola Preparatória Rodrigues Sampaio. Muito cedo revelou a sua vocação para o desenho. Inconformista por natureza, considerava-se um autodidacta perante a arte que escolheu.

Adolescente ainda começa a colaborar em diversas publicações, como o «Rebate», jornal republicano, um dos primeiros onde viu desenhos seus publicados. Mais assiduamente, o seu traço apareceria nas páginas de «O Papagaio», «Sempre Fixe» e «Diário de Lisboa». Ao ingressar no quadro de fundadores do «Diário Popular», José de Lemos passou a desenhar quase exclusivamente para aquele jornal.


José de Lemos tinha ilustrado o primeiro livro de A. Simões Muller: "O Meu Portugal… Meu Gigante" (ENP, 1932).

Lemos foi o primeiro nome convidado por Simões de Muller a colaborar em "O Papagaio" juntando-se assim a Tom que já fazia parte da equipa. Ficou depois como ilustrador e também escreveu contos. As participações relacionadas com Tim-tim são todas de 1936.

#52; 9 Abril 1936; Capa; Tintim; José de Lemos

#54; 23 Abril 1936; Banda Título; Tintim e Milou; José de Lemos

#58; 21 Maio 1936; Banda Título (diferente); Tintim e Milou; José de Lemos

#65; 19 Julho 1936; Banda Título (diferente); Tintim e Milou; José de Lemos

#78; 8 Outubro 1936; Capa; Tintim mascarado de «pele-vermelha» e Milou; José de Lemos


Curiosamente no livro "José de Lemos: Ilustração e cartoon" de Jorge Silva tem um capítulo designado "Lemos no País dos Sovietes".


Ligações












quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Tintinófilo (I.A.)



O site Tintinófilo (disponível em endereços como tintinofilo.weebly.com ou o antigo blog https://www.google.com/search?q=tintinofilo.over-blog.com) é uma das maiores e mais completas bases de dados digitais em língua portuguesa sobre o universo de Hergé.

É considerado um espaço de "visita obrigatória" para coleccionadores e entusiastas devido ao seu trabalho de arquivo detalhado. Aqui estão as suas principais características:

O que pode encontrar no site:

Inventário Completo: O grande objectivo do site é inventariar tudo o que foi editado em Portugal relacionado com o Tintin. Isto inclui álbuns, revistas antigas (como O Papagaio ou a revista Tintin), jornais e edições especiais.

Merchandising e Coleccionismo: Existe uma secção vasta dedicada ao material comercializado em Portugal, desde as figuras de resina e carros da Moulinsart até brindes históricos, como cromos, pastilhas pirata, porta-moedas e material escolar.

História da BD em Portugal: O site detalha a cronologia das publicações, explicando, por exemplo, como as histórias foram distribuídas por diferentes editoras ao longo das décadas (Bertrand, Difusão Verbo, ASA, etc.).

Pastiches e Curiosidades: Regista também as "homenagens" ou paródias feitas por autores portugueses e curiosidades sobre a censura ou traduções específicas.

Quem está por trás?

O projecto é mantido por José V. Silva (conhecido na comunidade como Zetantan), um tintinófilo dedicado que utiliza a sua própria colecção particular para ilustrar o site. O blog original celebrou o seu 5.º aniversário em 2011 e, desde então, o projecto tem evoluído para formatos de site/arquivo mais permanentes.

Por que é importante?

Para um coleccionador português, o site funciona como um catálogo de referência. Se quer saber se uma determinada edição de O Ceptro de Ottokar é de 1970 ou 1980, ou se quer identificar uma figura antiga que encontrou numa feira de velharias, o Tintinófilo é a fonte de informação mais fiável.

Nota: O site é um projecto de fã, sem fins lucrativos, focado na preservação da memória histórica da obra em Portugal.

Os comentários na internet sobre o site Tintinófilo (e o seu blog associado, Tintin em Portugal) são, de uma forma geral, extremamente positivos, descrevendo-o como uma referência fundamental para a comunidade de Banda Desenhada em Portugal.

Aqui está um resumo do sentimento geral dos utilizadores e especialistas:

1. Reconhecimento como "Bíblia" do Tintin em Portugal

Especialistas e críticos de BD, como Geraldes Lino, referem-se ao projecto como "o mais completo espaço português dedicado ao herói da poupa". É frequentemente descrito como um sítio de "visita obrigatória" para quem quer conhecer a fundo a galeria de personagens hergianas e a sua história específica no nosso país.

2. Nostalgia e Memória Afectiva

Nos comentários de leitores e coleccionadores em blogues (como o Delito de Opinião ou o Blog Nonas), é comum ler-se:

Agradecimentos: Muitos utilizadores agradecem ao autor, José V. Silva, por "reavivar boas memórias" da infância, especialmente sobre a mítica revista Tintin.

Qualidade do Conteúdo: O site é elogiado por ser "diferente, engraçado e actual", mesmo tratando de uma obra com décadas de existência.

3. Utilidade para coleccionadores

A comunidade de coleccionadores valoriza imenso o rigor do inventário. Comentários em fóruns e secções de "errata" do próprio blog mostram que:

O site é usado para identificar peças raras, como as figuras das "Pastilhas Pirata" ou edições da Bertrand dos anos 70.

Existe uma interacção activa entre o autor e os visitantes, que ajudam a completar informações sobre datas de lançamento e variantes de bonecos (como a distinção entre as figuras do Oliveira da Figueira e do Serafim Lampião).

Em resumo, os utilizadores destacam:

Exaustividade: Quase tudo o que o Tintin "tocou" em Portugal está lá registado.

Paixão: Transparece que é um trabalho feito "de fã para fã", sem fins comerciais.

Interactividade: O autor é visto como alguém acessível que acolhe correcções e novas informações da comunidade.

Se tiver algum objecto antigo do Tintin (um boneco, um cromo ou um álbum) e quiser saber se é uma peça rara, o Tintinófilo é provavelmente o melhor local para confirmar essa informação.

(IA - Gemini, 2026)

(As respostas de IA podem incluir erros.)






baseadas nas imagem da colecção Voir et Savoir, CR7 (n. 05-02-1985)


Quim e Filipe




imagens geradas por Nano Banana (IA)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

António Monteiro (II)



[Hergé celebrará em breve (no dia 22 de maio de 2026, para sermos exatos) o seu 119º aniversário; Já Tintin celebrará o seu centenário daqui a cinco anos.] Pode concluir-se que a obra do primeiro e as aventuras do segundo estão, de facto, algo datadas, até mesmo desajustadas das expectativas da juventude actual. Pessoalmente, sou mais optimista: há uns anos, o grupo português de entusiastas de Tintin, a que pertenço, convidou os alunos das escolas para uma exposição que organizámos. Ao todo, compareceram quase 200 crianças, a maioria entre os dez e os catorze anos, e pudemos constatar que muitas delas conheciam Tintin e as suas aventuras, pois os seus pais possuíam os álbuns e, por isso, já tinham tido oportunidade de os ler.

Pedimos às crianças que criassem desenhos inspirados nas histórias do Tintin e ficámos surpreendidos com a quantidade de desenhos que recebemos. Em última análise, a nossa obrigação, enquanto primeiros leitores de As Aventuras de Tintin, é apresentar Tintin aos nossos filhos e netos... Devemos inspirá-los a ler estes álbuns que todos guardamos nas nossas bibliotecas, mostrar-lhes as nossas miniaturas, as nossas colecções... 

E se todos o fizermos, o futuro será certamente tão brilhante como as jóias de Castafiore!

https://www.sept-sans-quatorze.fr

Un dernier mot à l’attention des amateurs de Tintin ?

Hergé fêtera bientôt (le 22 mai, pour être exact) son 118ème anniversaire ; Tintin, lui, célébrera son centenaire dans quatre ans. On pourrait en conclure que les travaux du premier, et les aventures du deuxième, sont de fait un peu datés, voir peu conformes aux attentes des jeunes d’aujourd’hui. Personnellement, je suis plus optimiste : il y a quelques années, le groupe tintinophile portugais auquel j’appartiens a invité des écoliers à l’occasion d’une exposition que nous avions organisée. En tout, près de 200 enfants sont venus, la plupart âgés de dix à quatorze ans, et nous avons pu vérifier que beaucoup d’entre eux connaissaient Tintin et ses aventures, leurs parents possédant des albums, qu’ils avaient donc eu l’occasion de les lire. Nous avons proposé aux enfants de faire des dessins inspirés des histoires de Tintin et nous avons été surpris par le nombre de dessins reçus. Finalement, notre obligation, à nous les premiers lecteurs des Aventures de Tintin, est de faire connaître Tintin à nos enfants et petits enfants... Nous devons leur donner envie de lire ces albums que nous conservons tous dans nos bibliothèques, leur montrer nos modèles de figurines, nos collections... Et si on fait tous ça, alors l’avenir sera certainement brillant comme les bijoux de la Castafiore !

https://www.sept-sans-quatorze.fr/blog/2496487_tintin-au-portugal

(2025)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

António Monteiro (I)

António Monteiro, um conhecido fã português de Tintin e membro dos Amigos de Hergé, foi destacado em 2025 no site https://www.sept-sans-quatorze.fr/blog/2496487_tintin-au-portugal

Nasci em 1951 em Lisboa, Portugal. Antes de me reformar, fui professor universitário de matemática.(...)

Descobri a obra de Hergé ainda criança, pois as aventuras de Tintin eram publicadas em revistas portuguesas para jovens, entre os quais o Cavaleiro Andante, que lia regularmente. Ao crescer, aprendi a apreciar a riqueza da escrita e a qualidade da narrativa, e ainda hoje dou por mim frequentemente a procurar nos comics de Hergé pormenores que me permitam ilustrar uma ideia ou contar uma piada. 

O meu álbum favorito de Tintin é, sem dúvida, O Caso Girassol. A principal razão, para além da elevada qualidade da história e da arte, é que foi a primeira aventura que li na íntegra, quando foi publicada na revista Cavaleiro Andante (1957-1958). Outras aventuras já tinham sido publicadas antes, mas só comecei a ler a revista regularmente por volta dos seis anos. O Caso Girassol é uma história suficientemente complexa para envolver o leitor nas suas reviravoltas, e a arte de Hergé está, na minha opinião, no seu auge. As interpretações e analogias sociais e políticas, que inevitavelmente passariam despercebidas a uma criança de seis anos, foram-se revelando para mim ao longo dos anos, tornando-a, para mim, uma das obras-primas da banda desenhada.

(2025)

www.sept-sans-quatorze.fr/blog/2496487_tintin-au-portugal

Recorde-se ainda que Portugal foi o primeiro país estrangeiro a publicar as histórias aos quadradinhos de Hergé, a partir de 1935. Estas histórias não só foram traduzidas para português, como também a cores, nas páginas da revista O Papagaio.