sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Ls Xarutos de L Faraó

A Biblioteca Municipal de Miranda do Douro recebeu, no dia 14 de fevereiro, a apresentação do livro “Ls Xarutos de L Faraó”, primeira aventura de Tintin em Mirandês com tradução de Alcides Meirinhos. 


[Las Abinturas de Tintin]

Da Bélgica a Miranda do Douro – as aventuras de Tintim chegaram ao planalto em Mirandês

O repórter mais famoso do mundo, protagonista da banda desenhada franco-Belga, que continua a marcar gerações, Tintim já fala mirandês. "Ls Xarutos de l Faraó" ou em português comum, "Os Charutos do Faraó", é o quarto livro da saga "As Aventuras de Tintim" que foi traduzida por Alcides Meirinhos em mirandês. No total são mil exemplares que já podem ser adquiridos no site online da editora belga, Casterman.

Alcides Meirinhos contou ao Jornal Nordeste que este foi um desafio proposto por Daniel Sasportes, promotor da iniciativa. "Lançou-me o desafio e nós, na Associação de La lhengua, nunca nos negámos a desafios, e comprometi-me a ser eu a traduzi-lo", disse, acrescentando que, apesar de já ter traduzido mais bandas desenhadas "nunca havia traduzido um livro desta envergadura."

Para o também membro da Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) apesar de não ter sido tarefa fácil, "foi um prazer imenso" traduzir "estas tiras todas."

"Foi lá no princípio, não sabia por que ponta lhe havia de pegar, até que eu pedi os textos em formato Excel. A partir daí fui tira a tira, fala a fala, as coisas foram se compondo. Juntos, conseguimos arranjar novas palavras em mirandês para explicar aquilo que Tintim, Milu e Dupont e Dupont e esta gente toda querem dizer, de forma a ficarmos satisfeitos com o trabalho que fizemos", frisou.

Alcides Meirinhos afirmou acreditar que fazer este trabalho é a sua missão e a dos restantes membros da ALCM. No seu entender, garantem que o mirandês "não morra" e para que seja, "cada vez, mais sentido como algo identitário da terra de Miranda. E quando as pessoas perceberem que o Mirandês é uma das coisas que nos diferencia dos outros, aí as pessoas agarram-se à língua", disse.

Também o comissário da Estrutura de Missão, Alfredo Cameirão, vê estes trabalhos com bons olhos. "Diria que é intensificar, dignificar a presença do mirandês em todos os campos da vida social, maiormente nas traduções. Este tipo de traduções de banda desenhada para um público mais infanto-juvenil, embora chegue também a um público adulto, evidentemente que é uma reafirmação da língua. Estavam, por exemplo, eu vinha a pensar nisto pelo caminho, estavam a ação de cor no Egito, nas Arábias, portanto no mundo. A capacidade do mirandês de dizer esse mundo, de dizer o mundo inteiro, vem reforçar o estatuto, tratar a língua mirandesa como uma língua no mesmo patamar das outras, consegue fazer o que as outras línguas conseguem. Isto, do ponto de vista de divulgação da língua, é importantíssimo."

Para o autor da tradução, as onomatopeias, sendo elas "a alma de uma língua" foram muito divertidas de traduzir, já que o mirandês tem as suas.

"O perro mirandês não faz ‘bêu-bêu’, nem ‘au- au’, faz ‘gau-gau’. É isso que dá gozo, pôr as coisas em língua mirandesa", rematou.

A obra foi apresentada sábado, aquando da 27ª Feira dos Sabores Mirandeses, na biblioteca municipal da cidade.


Tintim já fala em língua mirandesa através do álbum “Ls Xarutos de l Faraó”

A personagem da Banda Desenhada (BD), Tintin, criada pelo belga Hergé já fala em mirandês por terras dos Faraós, os senhores do antigo Egito, tudo porque acaba de ser lançado o álbum “Ls Xarutos de l Faraó” (“Os Charutos do Faraó”), o primeiro álbum [em  mirandês] das aventuras do intrépido repórter que procura aventuras em qualquer parte do mundo.

Esta edição é limitada a 1.000 exemplares e colocados à venda numa livraria em Miranda do Douro e nas lojas FNAC, pelo [preço] unitário de 18 euros, sendo que este álbum do Tintim em mirandês tem edição da belga “Casterman”, com tradução de Alcides Meirinhos, membro da Associação de Língua e Cultura Mirandesa.

Daniel Sasportes, um dos mentores desta edição, em mirandês disse, durante a apresentação do livro que aconteceu, em ambiente de casa cheia, na biblioteca António Maria Mourinho, Miranda do Douro, (...) que este lançamento constitui não só uma novidade no universo ‘tintinófilo’, mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal.

Já o Comissário da recém-criada Estrutura de Missão para a Salvaguarda da Língua Mirandesa, Alfredo Cameirão, explicou ao Mensageiro que este tipo de traduções é dirigido a um público mais infantojuvenil mas que também chega a leitores e apreciadores mais adultos.

“Este tipo de iniciativa é uma reafirmação da língua mirandesa. A ação desta aventura decorre no Egito, o que demonstra a capacidade de o mirandês mostrar ao mundo inteiro a sua polivalência, o que vem colocar o idioma no mesmo patamar de outras línguas”, destacou.

Para Alfredo Cameirão, este tipo de tradução é “importantíssimo” para a sua divulgação já que esta é uma das BD mais conhecida no mundo e assim o mirandês pode chegar mais longe.

Este álbum assinala a primeira aparição de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira), o único personagem português recorrente na série, que reforça o simbolismo desta edição.

Já Alcides Meirinhos, explicou que a tradução deste livro das aventuras de Tintim foi um desafio interessante, mas no início um pouco trabalhoso e difícil.

Também Júlio Meirinhos, ex-deputado do PS e tido como o “pai” da lei do mirandês, já que foi o responsável pela oficialização deste idioma, referiu que há 27 anos havia muitos sonhos mas passo a passo a língua mirandesa foi-se consolidando. (...)

Para já não está em cima da mesa, outra tradução das aventuras de Tintim, para o mirandês.

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