terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Gramática



5.4. Função fática

ESTÁ'?... ESTÁ'?... ESTÁ'?...
ESTÁ'? ESTOU A OUVIR... SIM... COM A BRECA!... GRAVE?.. SIM... TRÊS DIAS.... SIM...SIM... NATURALMENTE...MUITO BEM...ENTENDIDO.

O capitão Haddock e o aviador procuram estabelecer e verificar o funcionamento do contacto, repetindo determinadas palavras: "está?... está? está?...", "sim... sim". Ora, utilizar a linguagem para verificar se o contacto está a funcionar, permitindo a transmissão da mensagem, caracteriza, precisamente, a função fática.




A gramática "Da Comunicação à Expressão" lançada pelas edições ASA incluía textos e fotos retirados de várias fontes. A edição consultada, a terceira, foi lançada em 1980.

Textos tirados dos jornais

O Primeiro de Janeiro

Jornal de Noticias

e das revistas

Tintin

Mafalda

A.C.P.

Agradecemos.


sábado, 27 de dezembro de 2025

Brinquedos de BD


Abandonou o cigarro antes do tempo e dispara mais rápido do que a sua figura refletida. Os novos autores deram continuidade à obra de Morris e perpetuam a história de um cowboy solitário aberto a novos temas sem parecer uma sombra de si mesmo. O SAPO 24 falou com Ricardo Leite, dono da Toybroker, loja de banda desenhada clássica e super-heróis de outros tempos. Uma conversa sobre Lucky Luke, dos objetos e livros aos quadradinhos emprestados ao 32º Festival de Banda Desenhada da Amadora e da própria BD. Com uma incursão a soldadinhos de chumbo.

Lucky Luke. Aos 75 anos, o cowboy não é uma sombra do que foi

Lucky Luke. Os 75 anos do cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra, deixou de fumar em meados dos anos 80 do século passado, herói que sobreviveu ao criador Morris (Maurice de Bévère,) à imagem da tradição franco-belga e cuja história tem sido revisitada à luz dos temas mais prementes dos dias de hoje, é um dos ex-líbris da edição 32 do Festival de Banda Desenhada da Amadora, evento que encerra amanhã, 1 de novembro, dia de Todos os Santos.

O SAPO 24 falou com Ricardo Leite, dono da Toybroker, loja de brinquedos e clássicos da Banda Desenhada situada na cave do n.º 49 da Rua Sacadura Cabral, em Lisboa, autor e criador de miniaturas de soldadinhos portugueses e colecionador de material militar russo e soviético. É também responsável pelo empréstimo dos objetos que compõe "Os Herdeiros de Morris", uma das exposições patentes no Ski Skate Amadora Park, na freguesia da Damaia.

“Não contei o número de peças cedidas. Estive ainda a pensar no título 'Lucky Luke 200 peças' para a exposição, mas são mais”, assegura o colecionador entrado no mundo aos quadradinhos por influência do pai, cuja área de atividade profissional – ligado à marinha mercante – fez com que trouxesse do estrangeiro a efervescência dos bonecos e da banda desenhada.

A exposição revela o traço de novos autores responsáveis por desenhar a magra e solitária figura de colete preto, chapéu branco, camisa amarela e calças de ganga: Achdé (“Terra prometida”, cuja história retrata a escolta a uma família de judeus da Europa de Leste até aos confins do Oeste selvagem), Mawil (“Lucky Luke Muda de Sela”, 2020, no qual uma bicicleta concorre com o inseparável Jolly Jumper) e Matthieu Bonhomme (“O Homem que matou Lucky Luke”, editado em 2016, em que são reveladas as razões de ter deixado de fumar e “Procura-se”, 2021).

“Sou um apreciador de Bonhomme. Gosta do western, apresenta uma nova literatura clássica dentro do estilo franco-belga, está fantástico”, elogia Ricardo Leite num espaço onde coabitam Lone Ranger e Action Man, as BD do Spirou, Tex e Astérix e “diverso material militar russo e português” assim como “miniaturas de soldadinhos feitos em liga de estanho”, pedido feito pelos “Pupilos do Exército” e cujas peças artesanais deram origem ao core do seu sustento. “Não me fará rico, mas confere alguma dignidade ao negócio”, sorri.

Sem ponta de cigarros e com novos temas na boca

Abre o livro a falar da adaptação da nova arte (Banda Desenhada) ao politicamente correto, por vezes em duelo com a própria sombra.

A mudança mais popularizada assenta na ponta do cigarro desaparecida da boca do cowboy solitário, um gesto que viria a valer a Morris uma distinção da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas há outras incursões. No ano passado, um caderno do Lucky Luke adotou uma postura política ao trazer o tema da segregação racial e ao introduzir o primeiro xerife negro em “Un cowboy dans le coton", do argumentista Jul.

“A produtora americana Hanna-Barbera quis fazer a série nos EUA e impôs duas condições. Retirar o cigarro e eliminar as pistolas. Morris acedeu à primeira, retirou os requintes de enrolar o cigarro e bolsa do tabaco e, em seu lugar, colocou uma palha, mas não aceitou a segunda. Não fazia sentido não ter uma pistola no Velho Oeste”, ajuíza. “[Morris] Começou na série e passou para a banda desenhada para não fazer confusão”, recorda.

Ricardo Leite não abandona o tema e dá um salto até outra exposição: "Hergé", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, dedicada ao percurso de George Remi. “Hergé estava à frente do seu tempo. Fez autocensuras às suas obras, umas vezes por imposição de editoras, outras por decisão dele e foi à obra modificá-la. O Morris, nesse aspeto, não o fez”, sublinha.

“Há autores indiferentes e quem não se verga. Mas não é importante. É uma evolução da arte nas sociedades. Eu, como apreciador, vejo o que aparece e tomo opção se gosto ou não. O que não acho correto é o que sucedeu numa biblioteca no Canadá onde se queimaram livros de Banda Desenhada debaixo de acusações”, sentenciou.

Recorre a um exemplo da nova roupagem de Banda Desenhada. “O Tex, muito popular em Itália e no Brasil, a personagem, não desfazendo, os autores eram artistas na época. Evoluiu muito e sou adepto dos novos autores, gosto mais”, exemplificou.

Apesar da abertura de espírito em relação às novas roupagens e enredos, novos e velhos juízos, centra o foco no boneco e autor que deram origem às obras. “Sou muito fiel aos artistas originais”, sublinha, ao mesmo tempo que questiona o desenvolvimento de “um filão quando o artista já morreu”, refere. “Uma obra de arte é diretamente ligada ao artista original. Hoje em dia, há casos que não são carne, nem peixe”, uma expressão saída ao falar do lançamento mundial do Astérix, ele que foi Comissário da Exposição dos 50 anos da icónica personagem gaulesa.

O revivalismo do mundo aos quadradinhos

“O meu pai era entusiasta do Lucky Luke. Tenho os primeiros Cavaleiros Andantes que estão nas vitrinas do festival BD da Amadora”, avisa Ricardo Leite.

Tem com a montra amadorense dos quadradinhos uma longa relação. “Fiz no Museu de brinquedo de Sintra uma exposição sobre o Tintim com um amigo do Porto, da loja “Tintim por Tintim”, uma exibição que lhe viria a abrir as portas a sul. “Comecei a trabalhar em 2003 ou 2004. Numa exposição no antigo centro internacional de BD e Imagem da Amadora”, relembra. “Pediram-me para fazer algo sobre coisas feitas em Portugal. Os bonecos dos gelados da Olá e da Rajá, bem como as figuras do Lucky Luke, feita na fábrica da Maia”.

Nascido em 1965, colega de carteira e curso de Mário Centeno (ISEG), economista de formação, empresário da restauração (dono do antigo restaurante Kalashnikov, Lisboa), começou no início dos anos 90 "a pegar nas coisas que a mãe tinha na arrecadação". "Um, mais um e mais outro e comecei a investigar. E tive sorte por acordar para esta atividade quando ainda havia pouca gente interessada e antes da explosão da internet”, adianta.

“No catálogo da exposição Lucky Luke faço referência a essa evolução nos anos 90. Nessa altura, havia só livros; na primeira década do século XXI aparecem os sites e blogues que deram uma dinâmica ao colecionismo e agora as redes sociais que nesta área explodiram”, comenta.

“Temos o fenómeno do interesse na banda desenhada do Japão, Mangá (também patente no festival da Amadora)”, recorda. No outro lado do Atlântico, os super-heróis esquecidos renascem com a Marvel e a DC (cinema) e despertaram o interesse dos mais novos”, sustenta. “Pensava que o culto do papel se ia perder... são fenómenos cíclicos engraçados”, reconhece.

Um revivalismo também ele revisitado na Amadora. Vai de Michel Vaillant (criado por Jean Graton) aos "80 anos de Diana, a Mulher-Maravilha: Guerreira e Pacifista", personagem da DC Comics, Drácula, de George Bess, passando pela criação portuguesa, Corvo.

Miguel Morgado, Sapo 24, 31/10/2021

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Revista Tintin - Natal de 1975


Outras edições de natal da versão portuguesa da revista Tintin :

Data: 21-12-1968

 Págs: 28

 Preço: 5$00

 Capa: Hergé (Georges Remi)


https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/1-ano-n-30.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/130.html

Capa Hergé - postal bola de natal

Data: 20-12-1969

 Págs: 28+s

 Preço: 5$00

 Capa: Uderzo (astérix)

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/2-ano-n-30.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/230.html

 Data: 26-12-1970

 Págs: 32

 Preço: 7$50

 Capa: Azara, Jo-El

 Nota: Capa com Tintin (Lua)


https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/3-ano-n-31.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/331.html

Data: 25-12-1971

 Págs: 32

 Preço: 7$50

 Capa: Geri

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/4-ano-n-31.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/431.html

 Data: 23-12-1972

 Págs: 32

 Preço: 7$50

vela (Tintin)

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/5-ano-n-31.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/531.html

 Data: 29-12-1973

 Págs: 32

 Preço: 7$50

 Capa: Dupa (Dany)

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/6-ano-n-32.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/632.html

Data: 21-12-1974

 Págs: 32

 Preço: 10$00

 Capa: Godi

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/7-ano-n-31.html

Data: 12-1975

 Págs: 32

 Preço: 12$50

 Nota: A capa anuncia o Natal de 1975.


https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/8-ano-n-31.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/831.html

Data: 25-12-1976

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/9-ano-n-32.html

Data: 24-12-1977

 Págs: 36

 Preço: 20$00

cão

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/10-ano-n-32.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/1032.html

Data: 23-12-1978

 Págs: 36

 Preço: 20$00

 Capa: Turk 

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/11-ano-n-32.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/1132.html

sábado, 20 de dezembro de 2025

Coisas que Acontecem

A exposição "Coisas que acontecem", que integrou a mostra Ilustração Portuguesa 2004, foi pensada para o público infanto-juvenil e partiu de um conjunto de notícias do jornal O Público de 2003 e do primeiro semestre de 2004 que foram ilustradas por 20 nomes nacionais. Um dos trabalhos incluía um desenho com imagens de Tintin e Milou.

A Ilustração Portuguesa 2004 está na Galeria Municipal da Cordoaria Nacional até 7 de Novembro. A 6ª edição daquela que é uma das exposições mais emblemáticas produzidas pela Câmara Municipal de Lisboa, através da Bedeteca de Lisboa, tem este ano como tema a “Ilustração de imprensa”. Além do núcleo central e do temático, a mostra inclui um núcleo infantil e ainda uma retrospectiva da obra do mexicano José Guadalupe Posada. Da programação interactiva constam um debate com directores de arte, um ciclo de cinema de animação, diversos ateliers para os mais jovens e lançamentos editoriais. De tudo daremos conta nas linhas que se seguem.

EXPOSIÇÕES

_ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA 2004 - Mostra de trabalhos publicados em 2003 e 1º trimestre de 2004 das várias vertentes da ilustração: imprensa, publicidade, infanto-juvenil, web e inéditos. Estão representados 76 ilustradores, dos quais 19 integram a mostra pela primeira vez. Comissariada por Alice Geirinhas, ilustradora e coordenadora da área de formação da Bedeteca de Lisboa, Cristina Sampaio, ilustradora e Vicente Ferrer, ilustrador espanhol e editor da Media Vaca.

_90’S - Mostra de ilustração publicada na imprensa escrita portuguesa na década de 90. Com esta mostra, que inclui trabalhos de 16 autores, apresenta-se um registo daquele que foi o lançamento de uma geração de ilustradores de imprensa a partir de um momento especialmente dinâmico para a ilustração na imprensa periódica, nomeadamente nos jornais. Comissariada por Jorge Silva, designer e director de arte do jornal Público.

_COISAS QUE ACONTECEM - Mostra de uma selecção de notícias ilustradas: uma encomenda a 20 ilustradores dedicada ao público infanto-juvenil. Pretende-se com este núcleo dinamizar e promover junto do público infanto-juvenil o conhecimento e o gosto pela ilustração de imprensa, formando outros modos de ver. Comissariada por Alice Geirinhas.

EDIÇÕES

_Emissão Filatélica Comemorativa dos "Heróis Portugueses de Banda Desenhada"; composição com 4 selos soltos e um bloco de 4 selos a apresentar oficialmente pelos CTT, numa parceria com a Bedeteca

_Catálogo "Ilustração Portuguesa 2004"

_Caderno de actividades "Coisas que Acontecem"

02.11.2004

Coisas que acontecem na BDteca (2007)

 A partir de amanhã e até 22 de Dezembro acontece a segunda edição de "BDteca", um evento organizado pela Câmara Municipal de Odemira. Entre as várias actividades salientamos a exposição "Coisas que acontecem", que integrou a mostra Ilustração Portuguesa 2004 e que estará patente na Escola Básica 2,3 de Sabóia. Pensada para o público infanto-juvenil, parte de um conjunto de notícias seleccionadas do jornal O Público, em diferentes rubricas - Destaque, Internacional, Cultura, Ciências, Sociedade, Desporto, Local –, entre em 2003 e primeiro semestre de 2004. Ano e meio revisto e desenhado por 20 ilustradores nacionais: Pedro Burgos, Richard Câmara, André Carrilho, Alain Corbel, Alberto Faria, João Fazenda, António Jorge Gonçalves, Luís Lázaro, Daniel Lima, Jorge Mateus, Marta Monteiro, Ágata Moreira, Pedro Nora, Edgar Raposo, Rui Ricardo, Patrícia Romão, André Ruivo, Cristina Sampaio, José Manuel Saraiva e Pedro Zamith. Exposição comissariada por Alice Geirinhas, existe um livro, editado pela Bedeteca de Lisboa, para os mais jovens que propõe uma série de actividades que levarão à descoberta do jornal enquanto veículo de comunicação com uma organização própria, além de propostas de trabalhos de ilustração e informações biográficas sobre os autores participantes, acompanhadas do respectivo auto-retrato.

Recortes Bedeteca, 19/11/2007


09.05.2005

Coisas que ganham prémios...

  A Bedeteca de Lisboa informa: o atelier Silva! Designers ganhou na categoria de design editorial/Catálogos, o Troféu de OURO do 7º Festival do Clube de Criativos com o catálogo e livro de actividades "Coisas que Acontecem", que acompanhou a exposição que Alice Geirinhas comissariou na última edição da Ilustração Portuguesa, e o Troféu de Bronze com o catálogo do "El Alma de Almada El Impar, Obra gráfica (1926-1931)" da exposição comissariada pelo João Paulo Cotrim e Luís Manuel Gaspar.

Um especial agradecimento aos 20 ilustradores que ilustraram as 20 notícias do nosso mundo: Pedro Nora, Ágata Moreira, André Carrilho, Richard Câmara, Pedro Zamith, Rui Ricardo, José Manuel Saraiva, Marta Monteiro, Alberto Faria, Cristina Sampaio, Jorge Mateus, Edgar Raposo, João Fazenda, Patrícia Romão, Pedro Burgos, Daniel Lima, André Ruivo, Luís Lázaro, António Jorge Gonçalves e Alain Corbel.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Calendários

Sábado é dia de (Revista) Tintin - 1979




(https://tintinemportugal.blogspot.com/2020/08/calendario-tintin-da-livraria-bertrand.html)

Há calendários com outras personagens: Modeste, Martin Milan, Taka Takata, Robin da Mata, Cubitus, etc Houve também calendários da revista Spirou.

Calendário / Horário Escolar 1981/1982


Livraria Bertrand - Revista Tintin

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Boas Festas 1946/1947


Esta imagem foi publicada originalmente como capa da revista "Tintin" nº 15 de 2 de janeiro de 1947. A mensagem principal é "Joyeuses Fêtes & Bonne Année" (Boas Festas e Feliz Ano Novo). A ilustração apresenta várias personagens da revista "Tintin" e os seus autores numa refeição festiva. O nome dos convidados está indicado na marcação de cada lugar.

Na imagem podemos ver Tintin, Capitão Haddock, Professor Girassol, Dupond e Dupont, bem como Nestor e Milou. Jocko está sentado no topo da mesa, perto de Jo (o rapaz) e Zette (a rapariga), que são os protagonistas da série "Joana, João e o macaco Simão" que estavam a aparecer na revista. 

Hergé está no lado esquerdo da sala. E aparece também o Major Wings da "Estrela Misteriosa" que nos livros ainda não tinha nome. A partir de 1946, logo no primeiro número da revista "Tintin", é indicado que iria ter a página "Les Propos de Wings" alternando com a rubrica "Les Entreteniens du Capitaine Haddock". Antecedendo assim alguns dos cromos "Ver e Saber" dedicados aos navios e aviões.

Edgar P. Jacobs está na imagem assim como Blake e Mortimer. E Paul Cuvelier, criador de Corentin, está sentado ao lado da sua personagem. De "A Lenda dos Quatro Filhos de Aymon" (de Jacques Laudy e Jean-Luc) estão presentes Guichard, Allard e Renaud  bem como o seu primo Maugis e o cavalo mágico Bayard (o cavalo na mesa). Jacques Laudy está desenhado perto do Capitão Haddock.

A primeira edição da revista "Tintin", edição belga, tinha sido lançada no dia 26 de setembro de 1946. Incluía histórias de Paul Cuvelier com "A Extraordinária Odisseia de Corentin Feldoë" (Corentin), Hergé com "O Templo do Sol" (Tintin), Jacques Laudy com "A Lenda dos Quatro Filhos de Aymon" e Edgar Pierre Jacobs com "O Segredo do Espadão" (Blake e Mortimer).

É interessante a apresentação do bolo com as figuras de Tintin e com o ano de 1947 no topo.

Personagens e autores presentes na imagem:

Nestor

Jocko

Blake

Zette 

Jo

Major Wings

Maugis

Paul Cuvelier

Corentin

Dupont

Jacques Laudy

Capitão Haddock

Tintin

Milou

Guichard

Allard

cavalo Bayard

Hergé

Mortimer

Renaud

Dupond

Tournesol

Edgar P. Jacobs

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Revista Tintin

Data de Publicação: 3 de janeiro de 1970.

A PARTIR DO PRÓXIMO NÚMERO:

28 PÁGINAS POR 7$50 MAS 28 PÁGINAS A 4 CORES E AINDA O SUPLEMENTO DE 4 PÁGINAS !!!

TINTINZINHOS:

Acabou por se dar o inevitável. Lutámos todos, durante ano e meio, para que a revista se pudesse manter ao preço de 5$00. Infelizmente, a crescente subida de preços e os encargos cada vez maiores de que se rodeia o nosso TINTIN exigem que o preço seja aumentado, a exemplo do que aconteceu recentemente com os jornais diários. A valorização da revista, com o suplemento de quatro páginas, ainda veio agravar a situação, embora nos mantivéssemos durante um certo período, ao preço de 5$00.


Assim, a partir do próximo número, o TINTIN será vendido por 7$50, verificando-se, entretanto, outra forma de valorização da revista: as páginas 2 e 27 serão a quatro cores, também com histórias aos quadradinhos, o que significa passar o TINTIN a contar com (além do suplemento) vinte e oito páginas totalmente a quatro cores, o que materializa um sonho nosso (e de muitos tintinzinhos) acalentado desde o primeiro número da revista.

"OLHE, CAPITÃO: INFORMAM DA REDACÇÃO QUE A REVISTA PASSA A CUSTAR 7$50, A PARTIR DO PRÓXIMO NÚMERO!" 

"RAIOS E CORISCOS! COM MIL MILHÕES DE MIL MACACOS! LÁ TENHO EU DE POUPAR NO "WHISKY" PARA COMPRAR O TINTIN!"

Aviso:  não obstante a subida de preço da revista não recái qualquer encargo sobre as assinaturas em vigor (portanto, até ao próximo n.º 52),

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Eco


Haddock responde a Eco: A imortalidade do pedantismo

(H)umberto Eco, esse eterno pedante da palavra, esse professor que pensa que é capaz de diluir o tempo em papéis! Então, ele diz que a leitura é uma “imortalidade de trás para frente”? Mas que estupidez gloriosa! Eu, que viajei por mares revoltos e consumi mais garrafas do que qualquer um pode contar, posso lhe garantir: a verdadeira imortalidade não vem dos livros, mas da experiência crua da vida. Aquelas viagens, sim, essas são a verdadeira universalidade. Não é dentro de quatro paredes com páginas e mais páginas amassadas pelo tempo que se encontra a verdadeira eternidade.

Você, Eco, com seu ar de mestre e seu chapéu de sabedoria, pode até falar de imortalidade literária, mas eu prefiro os mares tempestuosos que me ensinaram mais sobre a natureza humana do que qualquer obra de ficção. Eu, ao menos, vivi com os pés na terra (ou no convés!) e as mãos nas cordas. Vi e senti os ventos da aventura. Li alguns livros, claro, mas o que me eterniza são as histórias vividas, não as que alguém escreveu sentado numa poltrona de biblioteca. Ah, sim, e antes que me esqueça, se você acha que a leitura faz alguém viver 5 mil anos, então que me falem de alguma vez que uma garrafa de rum me devolveu a juventude! Quem me dera que Eco tivesse a capacidade de se perder numa noite de tempestade, no meio do oceano, e ver se o fato de ter lido mil livros o salvaria de um naufrágio! Que ele venha ver o que é viver de verdade, em carne e osso, e não como uma sombra entre as páginas.

A leitura pode até multiplicar a vida numa sucessão de histórias fantásticas, mas, meu amigo Eco, é no espólio das garrafas vazias e nas rugas de quem realmente enfrentou a tempestade que se encontra a essência da verdadeira imortalidade. Não, não estou aqui para argumentar sobre quantas vidas se pode viver através de livros. Eu sou a prova de que se pode viver várias vidas sem precisar de páginas. Eu sou um marinheiro, um homem de carne e osso, e o meu eterno é a memória dos mares que percorri, não das palavras que li.

Estórias de Ourém, 11/11/2025


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Inteligência Artificial

O escritório de Mário Freitas não deixa dúvidas a quem o visita. Com uma parede totalmente revestida com capas de edições especiais, o autor e editor de bandas desenhadas não esconde o seu apreço por romances gráficos. Bateria e guitarras no canto, a arte é mais que um mero capítulo na sua vida pessoal e profissional.

O vencedor do Melhor Argumento dos Prémios Nacionais do Amadora BD (2016) conhece bem os cantos da casa criativa. Fala-me das suas obras publicadas e do (pequeno) mercado de livros ilustrados em Portugal, onde considera que a banda desenhada "se faz por carolice". Momentos depois, solta uma voraz crítica a Stan Lee, o homem por trás da Marvel, a quem apelida de "o maior usurpador de criações à face da Terra".

Inserido neste mundo “desde que se lembra", aventurou-se por terras desbravadas em 2022, ao publicar o primeiro livro de banda desenhada portuguesa ilustrado com o auxílio de inteligência artificial (IA) - A Polaroid em Branco.

Uma "não cara" e a Fada do Bigode

Não era sua intenção. Frustrado com a demorada adaptação de alguns dos seus guiões, decidiu fazer umas brincadeiras com o MidJourney, um programa que gera imagens através de descrições pormenorizadas. Já não se recorda do que pesquisou ao certo. "Foi qualquer coisa a ver com o Tintin e o Professor Girassol" diz-me, reiterando de seguida que "o MidJourney raramente faz aquilo que gostaríamos que fizesse".

Não obstante o braço de ferro com o programa de IA, começou a surgir-lhe em catadupa a premissa da história, um ser com uma crise de identidade. "A cara dele era como se fosse uma não cara, e ele a imaginar o que é que a cara dele podia ser na realidade, se ele adotasse diferentes estilos de bigodes e de barbichas e não sei quê, e de repente começou-me a formar a imagem" diz-me, apontando para o livro aberto na mesa. "Isto teve muito trabalho com o photoshop. Esta era uma espécie de bola que não se percebia se era um olho, se era uma bola de pelo". A dado momento, a obra brinda-nos com uma personagem misteriosa que o próprio inventou e trabalhou com o programa de edição, a Fada dos Bigodes.

Mário olha para este projeto como um "devaneio criativo". Uma espécie de diálogo com a inteligência artificial deu origem a uma obra que, de outra forma, "não existiria". Por isso mesmo, considera que "aqui, a inteligência artificial não roubou trabalho a ninguém".

Ainda que a história tenha sido escrita na totalidade por si, e as imagens tenham sido editadas, trabalhadas e organizadas, o argumentista confessa que já foi insultado. "Não te trates não" e "tu não criaste nada" foram algumas das palavras hostis de que foi alvo. "Acho que são pessoas que não têm noção do que é o ato criativo, e concebem apenas a arte como ilustração, como se não houvesse arte na escrita" desabafa.

Um momento ou uma revolução?

Embora admita que o recurso a IA levante alguns problemas éticos, não hesita em afirmar que "são principalmente os artistas medíocres que eu vejo a queixarem-se". Para o argumentista, muitos dos artistas que se sentem ameaçados por esta revolução tecnológica "não mais fizeram ao longo da carreira do que replicar, copiar e clonar a arte de outros produtos".

O escritor reconhece que o MidJourney cria resultados a partir de imagens criadas por autores reais, mas assume dificuldade em traçar uma linha no que é ou não reprovável. "É um pau de dois gumes, porquê? Por um lado, todos nós humanos, tudo o que fazemos também é uma síntese de tudo o que nos influencia, de tudo o que já foi criado. A questão é que nós demoramos anos a fazê-lo; a inteligência artificial fá-lo em segundos" remata.

"Sou eu que decido a montagem: se há três, quatro ou cinco vinhetas por página, como é que elas estão montadas, sou eu que faço isso tudo. Fui eu que fiz tudo em photoshop." - Mário Freitas

"Eu desenhei estas três vinhetas, que eram fundamentais para a história. Era impossível que a inteligência artificial me desse isto." - Mário Freitas

A fada dos bigodes. Amigo ou inimigo?

·         MidJourney: plataforma de inteligência artificial que transforma descrições textuais em representações visuais de alta qualidade;

·         ChatGPT: modelo de inteligência artificial que responde, via mensagem escrita, às mais variadas perguntas ou pedidos, com recurso a uma enorme base de dados.

·         Prompt: estímulo dado para ajudar a criar uma resposta ou ação; termo usado para se referir a um sinal ou mensagem que aparece numa interface de linha de comandos (contexto informático).

Ricardo Gonçalves, 5 de junho de 2023

Mário Freitas: “É uma BD curta, mas nem por isso menos ambiciosa”

Tem por título A Polaroid em branco, foi lançada no Amadora BD que decorre até dia 30 no Sky Skate Amadora Park e é a primeira banda desenhada portuguesa ilustrada com recurso a Inteligência Artificial (IA).

Motivos mais do que suficientes para uma conversa à distância por e-mail com Mário Freitas, simultaneamente seu autor e editor no novo selo Mário Breathes Comics, da Kingpin Books.

Fica já a seguir a versão integral que esteve na base do artigo O trabalho dos desenhadores não está em perigo, publicado na página online do Jornal de Notícias a 19 de Outubro de 2022

As Leituras do Pedro - Faz um breve resumo da história.

Mário Freitas - Ao deparar-se com uma velha polaroid, o protagonista recorda um período da vida em que ostentava com orgulho um bigode, antiquado que fosse. Acabou por ceder a pressões sociais e cortou-o, o que o arrastou para momentos de incerteza e angústia. Em seu auxílio, surgiu então a Fada dos Bigodes, que o conduziu através de um mundo feito de bigodes diversos, em busca de um com o qual se identificasse.

As Leituras do Pedro - A Polaroid em branco foi ilustrado com recurso a IA. Explica como funciona isso.

Mário Freitas - Executo um comando com aquilo que pretendo e a IA cria 4 imagens com base nisso. A partir daí posso gerar variações de cada uma dessas imagens.

Depois de escolher a que pretendo, faço várias alterações e retoques em Photoshop, alterando cores se necessário, e desenhando eu próprio alguns detalhes. Também sou eu , naturalmente, que defino o layout das páginas e monto as imagens em função disso. O que é fundamental perceber é que uma IA não faz BD sozinha, nem sequer ilustra sozinha o resultado final que se vê. Pelos comentários que leio, há quem não perceba isto de todo, e não tenha noção da intervenção humana que é necessária para tornar a experiência numa BD real e, esperamos, de qualidade.

As Leituras do Pedro - Principais prós e contras do processo?

Mário Freitas - O resultado dos comandos é ainda muito imprevisível e raramente se obtém exactamente o que se pretende. Isso abre por outro lado outras possibilidades, e obriga a ser muito criativo na construção da história. A IA é quase um parceiro temperamental que desenha o que lhe apetece e, sobretudo, como lhe apetece. Esta história, aliás, partiu de uma ideia que me surgiu com base nalgumas imagens que estava a gerar como experiência. Diria que a principal vantagem é que alguém como eu, que não domina o desenho mas faz tudo o resto na BD, possa ter uma história completa e pronta num espaço de tempo muito mais curto do que aquilo que leva um ilustrador a desenhar (a não ser que seja o Osvaldo [Medina], claro, que é quase tão rápido como a IA).

As Leituras do Pedro - O trabalho dos desenhadores está em perigo?

Mário Freitas - De forma alguma. Jamais no médio prazo e diria que nunca. A IA sintetiza informação, pelo que incorpora os estilos de todos os ilustradores que já existiram. Para haver arte nova, estilos novos, estaremos sempre dependentes de humanos criativos. Diria que é mais uma vertente criativa que surge, que tanto pode ser aproveitada por argumentistas, como também pelos próprios artistas. A IA ainda é fraca a gerar imagens de pessoas, mas cria cenários espantosos, pelo que isso pode ser perfeitamente incorporado nas ilustrações feitas por humanos.

As Leituras do Pedro - Quais são as características da edição?

Mário Freitas - 16 páginas, cor, agrafos, 16,50 x 23,50 cm. É uma BD curta, mas nem por isso menos ambiciosa.

As Leituras do Pedro, 28/10/2022

sábado, 29 de novembro de 2025

Ano de 1961

1961-16 de JANEIRO

Hoje chegou à livraria do senhor Silvino o último álbum do Tintin, que tinha encomendado há umas semanas. Estou a fazer a colecção das aventuras originais do Tintin. Tenho os álbuns todos em francês, nas edições da Casterman. Com este, agora chegado, são já 19. Só falta a primeira das histórias desenhadas por Hergé, passada na Rússia, que pode talvez um dia ser editada também em álbum. A história "Tintin au Tibet", que agora adquiri, é gira sobretudo porque ele reencontrou um amigo de há muito, o chinês Tchang, que conheceu no "Lótus Azul".

Pode alguém achar estranho que um tipo como eu, com idade já para ter juízo, se ocupe ainda com coisas de gaiatos. E ainda por cima sou professor e, como quase toda a gente adulta e sábia diz, as histórias aos quadradinhos desviam os alunos das coisas sérias, dos estudos e da leitura como deve ser. Pois, talvez seja uma fraqueza minha, porque ninguém é perfeito e eu ainda menos. Mas há uma coisa que devo explicar: quando era gaiato, descobri o Tintin no sótão da casa do engenheiro Maldonado, ali no Rossio nos altos do café Luso. A minha mãe era muito amiga da mulher dele, a dona Judite, e íamos lá muito a casa e também a uma bela quinta deles na Fontedeira que ia por ali acima até à estrada da serra. Até andava lá de burro e o meu irmão também.

Aquela casa do Rossio era quase mágica, por causa do quintal e sobretudo por um túnel que partia de um falso armário na cozinha e depois descia até uma ruela que dava para a Estrada Nova. Mas o melhor da casa era o sótão onde conheci o Tintin e o Milou, que então se chamavam Tim-Tim e Rom-Rom, nas páginas coloridas de um antigo jornal chamado "O Papagaio", que durou desde 1935 até 1949 e depois ainda se manteve, meio morto, como envergonhada secção da revista "Flama".

Foi ali que nasceu esta minha amizade com o Tintin, que acompanhei nas suas idas à América, ao Oriente, a Angola, à China, aos desertos e aos mares sem fim.

A verdade é que nunca mais me esqueci do Tintin e ainda hoje, já crescido e ainda por cima professor, mantenho essa amizade. Se não me entenderem, que hei-de fazer?

Sabem que mais? Não me apetece hoje escrever aqui seja o que for. Bastou-me o Tintin, bom e velho amigo. Colo aqui a capa solta dum Papagaio que sobrou daqueles tempos…

António Martinó


https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/01/16/mil-novecentos-e-sessenta-e-um-dia-016/

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1935+26=1961

Tintin au pays des Soviets

Tintin au Congo

Tintin en Amérique

Les Cigares du pharaon

Le Lotus bleu

L'Oreille cassée

L'Île Noire

Le Sceptre d'Ottokar

Le Crabe aux pinces d'or

L'Étoile mystérieuse

Le Secret de La Licorne

Le Trésor de Rackham le Rouge

Les Sept Boules de cristal

Le Temple du Soleil

Tintin au pays de l'or noir

Objectif Lune

On a marché sur la Lune

L'Affaire Tournesol

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Tintin au Tibet

Les Bijoux de la Castafiore

Vol 714 pour Sydney

Tintin et les Picaros