quarta-feira, 2 de abril de 2025

Os Charutos do Faraó (versão fac-similada)

Os Charutos do Faraó (edição fac-similada)

Hergé

Difusão Verbo

É o facsimil da versão original de “Os Charutos do Faraó”, que reproduz as 124 pranchas a preto e branco, tal como foram publicadas nas páginas do jornal “Le Petit Vingtième”, a partir de 8 de Dezembro de 1932. Para além de cenas omitidas na versão colorida, apresenta pela primeira vez os detectives Dupont e Dupond, aqui ainda sob o nome de código de X33 e X33bis, Rastapopoulos e o nosso compatriota Oliveira da Figueira.

Pedro Cleto, 2004



Tintim à moda antiga em "Os charutos do faraó"

A Editorial Verbo, responsável pelas edições Tintim em Portugal, resolveu assinalar o 75º aniversário do herói com uma iniciativa bem original: lançou a versão facsimilada de “Os Charutos do Faraó”. Esta história chega assim às nossas mãos tal como saiu originalmente no “Petit Vingtième” entre 1931 e 1934.

É um verdadeiro regresso ao passado de Tintim, já que o reencontramos a preto-e-branco e com um desenho bem mais simples do que surgiria anos mais tarde. Trata-se assim de uma excelente oportunidade para revisitar uma história marcante na série Tintim pois foi a primeira em que houve um argumentos com verdadeira intriga, ao contrário dos mais simples Tintim na América ou no Congo.

Tem ainda um significado especial para nós já que é a primeira aventura em que aparece o senhor Oliveira da Figueira, um vendedor português que mereceu outras atenções em álbuns posteriores. Também surgiram em estreia os polícias gémeos Dupont e Dupond e o milionário Rastapopulos.

Droga, maldições...

Em “Os Charutos do Faraó” Tintim e Milu caem sem saber no meio de uma história de tráfico de droga, quando estava envolvido na descoberta de uns túmulos egípcios. Do Egipto até à Índia, provando a sua vocação de viajante, vai enfrentar diversos perigos, como maldições mortais, clãs secretos e traficantes sem escrúpulos.

“Os Charutos do Faraó” são a quarta aventura de Tintim, depois das histórias na Rússia, no Congo e na América. O álbum custa cerca de 18 euros.

Rui Azeredo, Comércio do Porto, 10/01/2004


Tintim nos anos 30

A obra de Hergé é o mais próximo que em banda desenhada se pode encontrar do work in progress. Vários títulos foram sendo retocados, mais ou menos profundamente, ao longo dos anos, sobretudo após a editora Casterman iniciar o lançamento da série em álbuns de 64 páginas a cores, nos primeiros anos da década de 40, optando por um formato que se mantém até aos dias de hoje. Essa decisão conduziu Hergé a reformular todas as aventuras iniciais de Tintim, excepto o mal amado Tintim no País dos Sovietes, que ele entendeu ser demasiado ingénuo e preferiu deixar cair.

Aliás, foi por causa desse ambiciosíssimo projecto de reformulação das aventuras iniciais do pequeno repórter que o caminho de Hergé se cruzou com o de Edgar Pierre Jacobs, autor essencial na reelaboração da mise en scène e na transformação de histórias de centena e meia de páginas em álbuns de 62 pranchas. Esse trabalho, sempre supervisionado pela mão férrea do criador de Tintim, seria posteriormente continuado pela equipa que viria a constituir os Studios Hergé, já na década de 50. E é esse processo hercúleo que permite a constituição do próprio conceito de linha clara - uma legibilidade e elegância extrema de traço; uma planificação cinematográfica com enorme atenção ao detalhe; uma coerência de estilo, enfim, que percorre todas as 22 aventuras canónicas de Tintim.

Com as revistas originais onde Tintim foi publicado antes das várias operações plásticas transformadas em valiosíssimos itens de colecção, a Casterman acabou por se decidir a lançar, na primeira metade dos anos 80, edições fac-similadas das versões originais de Tintim, de forma a satisfazer os admiradores mais ferranhos da série. Ao todo são nove os títulos fac-similados, de Tintim no País dos Sovietes a O Caranguejo das Tenazes de Ouro. A aventura de Tintim na União Soviética já estava editada entre nós pela Verbo, mas a publicação em Portugal da versão original de Os Charutos do Faraó é um marco: o público português pode finalmente comparar as duas versões da história e entreter-se a detectar as suas imensas diferenças.

Os Charutos do Faraó, quarta aventura de Tintim,é um bom modo de iniciar a edição dos livros originais (embora não se saiba se a Verbo está decidida a publicar os restantes sete tomos, já que só tem previsto para 2004 o lançamento de Tintin et l'Alph-Art, a obra inacabada de Hergé), porque se trata do primeiro grande trabalho do autor belga. Não é tão bom quanto o álbum que se seguirá - a obra-prima O Lótus Azul -, mas está já a anos-luz de Tintim no Congo e Tintim na América, obras ainda a tactear a linguagem da BD, e onde o que sobra em preconceitos falta em documentação.

É também neste livro que surgem pela primeira vez três das personagens mais emblemáticas da série: o temível Rastapopoulos e os detectives Dupond e Dupont, que aqui ainda se chamam X33 e X33 bis, são ligeiramente mais inteligentes do que se revelarão no futuro e ainda não dizem as frases em eco. Já agora: é também aqui que aparece o comerciante lisboeta Oliveira da Figueira, e há uma frase de Milu que se perderá na versão de 1955: «Um português? Os portugueses estão sempre bem-dispostos! Boa! Vamo-nos divertir.»

Seria impossível listar aqui todas as diferenças entre edições, de tantas que são - 116 pranchas passam para 62, e o original tem por página cerca de metade das vinhetas -, mas vale a pena realçar que não se trata apenas de uma melhoria gráfica. A própria história tem alterações significativas, sempre para melhor. Afinal, quando Os Charutos do Faraó foi reformulado Hergé era já um mestre incontestado da banda desenhada.

João Miguel Tavares / Diário de Notícias. 02/02/2004

Aventuras originais de Tintin chegam a Portugal : Versão facsimilada de “Os Charutos do Faraó” já disponível

A Editorial Verbo, detentora dos direitos das aventuras de Tintin para Portugal, acaba de editar o facsimil da versão original de “Os Charutos do Faraó”, com 124 pranchas a preto e branco, tal como foram publicadas nas páginas do jornal “Le Petit Vingtième”, a partir de 8 de Dezembro de 1932.

Estas edições, iniciada há alguns anos no mercado franco-belga, permitem aos admiradores da obra de Hergé - e não só - a descoberta das versões originais das histórias que têm encantado gerações de leitores em todo o mundo. As principais razões para a existência de duas e, nalguns casos, três versões da mesma aventura são a pressão, a partir de 1940, por parte da Casterman, a editora original da obra, para que Hergé uniformizasse as aventuras de Tintin em álbuns coloridos de 62 páginas, e a constante busca da perfeição e da autenticidade por parte do autor, o que o levou a redesenhar diversos álbuns para os actualizar ou expurgar de aspectos menos conseguidos ou capazes de ferir eventuais susceptibilidades.

“Os Charutos do Faraó”, é o quarto álbum protagonizado por Tintin, e foi “construído semana após semana, sem sombra de um argumento pré-concebido, representando a quinta-essência do registo folhetinesco, no qual encontramos numerosos temas chave do romance popular: uma maldição misteriosa, uma temível sociedade secreta, um génio do mal de identidade desconhecida, o veneno que enlouquece e tráficos de todo o género”, escreveu Benoit Peeters, um estudioso da obra de Hergé. Nele surgem pela primeira vez os detectives Dupont e Dupond, aqui ainda sob o nome de código de X33 e X33bis, e também o malvado Rastapopoulos e o nosso compatriota Oliveira de Figueira.

Na transição do preto e branco para a cor, as diferenças mais significativas entre as duas versões agora disponíveis em português passam pelo desaparecimento dos textos de apoio, pela correcção das incongruências em termos de sentido do movimento, pela maior dinâmica e equilíbrio da narrativa, devido à remontagem que a redução do número de páginas implicou, pela perda de ingenuidade e apuramento do humor, pela perda de protagonismo dos Dupond/t e pela alteração ou mesmo corte de algumas cenas, nomeadamente as duas em que Tintin era ameaçado por serpentes. Como curiosidade, refiram-se dois “anacronismos” da versão colorida: o primeiro, a homenagem a E.P: Jacobs, presente num dos sarcófagos na pirâmide, que Hergé ainda não conhecia em 1932; a segunda, o álbum “Rumo à Lua” que o xeque mostra a Tintin, escrito apenas em 1950!

Pedro Cleto, JN, 25/10/2003


imagens https://www.bedetheque.com/BD-Tintim-As-aventuras-de-Fac-simile-Os-charutos-do-farao-424270.html

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Há muito tempo, queria mostrar esta versão de As Aventuras de Tintin: Os Charutos do Faraó que saiu apenas em Portugal, no ano de 2003.

A publicação traz a versão fac-simile que reproduz a edição de 1934 que foi publicada no suplemento infantil Le Petit Vingtième, parte integrante do periódico belga Le Vingtième Siècle.

São incríveis 129 páginas em preto e branco, mostrando uma história diferente daquela colorida que está à venda, hoje em dia, nas livrarias de todo o mundo.

Nesta aventura, Tintin se encontra envolvido, à revelia, com o tráfico de drogas. Isso o levará a enfrentar perigosos bandidos, passando pelo Egito e Índia. Tintin encontrará figuras mais tarde vistas em outras de suas empolgantes narrativas, como: o vilão Rastapopoulos, os atrapalhados detetives Dupont e Dupond, o português Senhor Oliveira da Figueira, entre outros.

A HQ tem a marca do antigo editor lusitano do personagem, a VERBO, que perdeu os direitos do herói para a ASA. Este luxuoso Os Charutos do Faraó (Les Cigares du Pharaon).

E me desculpem por não escrever Tintin com a letra M no final, como está impresso na capa da HQ, mas simplesmente, não consigo! Sigo o nome, de acordo com o original.

Se a crise brasileira não te afetou ainda, vale a pena comprar o livro, se conseguir achá-lo!

Por PH / Tujaviu, 2016/07

Nota: Curiosamente foi um dos 3 volumes fac-similados lançados em 2016 pela Globo Livros


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Tintin #4 – Os Charutos do Faraó

Hergé (argumento e desenho)

Edições ASA (Portugal, Setembro de 2010)

160 x 220 mm, 142 p., cor, cartonado

4 (ou talvez mais...) +1 Razões para ler este álbum [na nova versão da ASA]

1. A longa sequência inicial (até à página 32!), plena de movimento, acção, perseguições, mistério, suspense e humor! A mestria de Hergé no seu melhor no que à legibilidade e sequência narrativa diz respeito.

2. Duas sequências notáveis que fazem parte do melhor que Hergé fez em Tintin:

2a. O percurso no túmulo do faraó Kih-Oskh (pp.7-9), no qual Tintin descobre o seu próprio sarcófago e tem uma horrível alucinação provocada pela droga que o fazem inalar. Uma (curta e inesperada) mas autêntica sequência de terror!

2b. A bem construída cena da reunião da sociedade secreta (pp. 53-56) pelo elevado suspense criado e pela forma simples mas brilhante como é resolvida.

3. Pelas três cenas invulgares e de todo inesperadas no Tintin (sóbrio e mais adulto) que (mais tarde) nos habituámos a (re)conhecer (e a admirar):

3a. Tintin a “falar” com os elefantes (pp. 34-37);

3b. O artificio utilizado pelo herói para saltar o muro do hospício (p. 46);

3c. A forma como o repórter domina o tigre que ataca o marajá de Rawhajpoutalah (p. 51).

4. Porque, apesar de algumas derivações, esta é a primeira aventura de Tintin que segue uma linha condutora sólida e bem desenvolvida, desde o início até ao final.

Pedro Cleto, 11/11/2010

sexta-feira, 28 de março de 2025

As Aventuras Perdidas de TinTin



Sikoryak, R. (2003). 
As Aventuras Perdidas de Tintin: Perdidos em Marte
A versão em português foi publicada em "À Volta do Sol", Guia de Actividades publicado pela Fundação Navegar para o Centro Multimeios de Espinho. Na versão em português  aparecem os nomes TinTin, Milu, Professor e Capitão  por isso não foi seguida a ideia original na totalidade.

Sikoryak, R. (2003). As Aventuras Perdidas de TinTin: Perdidos em Marte, À Volta do Sol: Guia de Actividades, Fundação Navegar, Pág. 15.


A revista Wired publicou em Julho de 2001 uma paródia a Tintin: "Prisoners of the red planet" (Prisioneiros do Planeta Vermelho).

Esta história acompanhava um artigo sobre a futura colonização do planeta Marte. A NASA enviou uma sonda para órbita em Outubro de 2001. Os investigadores começaram a imaginar a vida futura em Marte e a tentar encontrar soluções para os muitos problemas que os primeiros visitantes vão encontrar: temperaturas desumanas, condições meteorológicas terríveis, radiação mortal, uma vida social limitada, etc.

R. Sikoryak, o autor da banda desenhada, optou por parodiar Hergé para ilustrar os problemas levantados no artigo. O foguetão cairá ao aterrar em Marte e o Capitão Haddock morrerá depois de alguns passos no planeta!

Todas as personagens principais estão presentes na história, mas os nomes são diferentes ou não são mencionados. Assim, Tintin é chamado (no título) Tim-Tim, Milu (Milou) transforma-se em Schnowy (ou Shmilou), Haddock e Girassol são citados como o "Capitão" e o "Professor".

TINTIN EST VIVANThttp://naufrageur.com/a-wire.html

https://www.bedetheque.com/BD-Tintin-Pastiches-parodies-pirates-Les-Prisonniers-de-la-Planete-Rouge-467978.html

O artista Robert Sikoryak criou também um Tumblr onde publica uma BD dos termos legais do iTunes

Os termos legais que é preciso aceitar para usar certos serviços tecnológicos são normalmente extensos e aborrecidos - mais fácil é ir até ao fundo da página e carregar em 'Aceitar' sem os ler de todo.

Mas o artista Robert Sikoryak, conhecido por fazer adaptações de grandes obras literárias, criou uma versão dos Termos e Condições do iTunes que talvez ajudassem a ler tudo.

Robert Sikoryak, americano de 51 anos, começou a desenhar versões em banda desenhada de cada parte dos Termos e Condições do iTunes, o programa de gestão e compra de música da Apple. E com mais uma pequena particularidade: em cada uma das 49 páginas da BD, Sikoryak aplicou um estilo de um cartoonista conhecido.

DN, 04/11/2015



quarta-feira, 26 de março de 2025

Arcindo

ARCINDO MADEIRA (1915-2022)

Nasceu em Coimbra onde começou a ser artista fazendo caricaturas para os livros de curso e colaborando na imprensa local.

Colaborou em O Papagaio entre 1936 e 1940 antes de ir para o Brasil. Foi homenageado pelo Amadora BD em 2022 pouco antes de morrer,

 #95; 04 Fevereiro 1937; Capa; Tintim e Milou [mais chefe dos bandidos]


#101; 18 Março 1937; Banda Título; Tintim e Milou - Am


#116; 01 Julho 1937; Banda Título; Milou - Ch

#219; 22 Junho 1939; Banda Título; Tintim e Milou - Co


#261; 11 Abril 1940; Capa; Milou - Or

Fontes:

https://marcadefantasia.com/ego/encartes-qi/edicoes_avulsas/arcindo_madeira/arcindo_madeira.pdf

http://www.guiadosquadrinhos.com/artista/arcindo-madeira/11374

https://www.lambiek.net/artists/m/madeira_arcindo.htm

https://oelucubrativo.blogspot.com/2023/02/arcindo-madeira.html

Viver cultura - Artes - Edição 1527 - 2003-03-27

https://biblioteca.cm-amadora.pt/uploads/9f134daf72e4acc05acdef85c51286a2.pdf anos - 30

Universo Arcindo

A presença de Arcindo Madeira na edição de 2002 do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) foi uma agradável surpresa. O facto de o autor português ter nascido em 1915 (em Coimbra, a 7 de Agosto) e, principalmente, a circunstância de ter deixado o contacto regular com o leitor português a partir da altura em que emigrou para o Brasil, em 1941, levantavam algumas interrogações quanto à figura que iria ser homenageada na Amadora, com uma exposição individual na Galeria Municipal Artur Bual e com a elevada distinção do Troféu Honra do Festival.

Arcindo Madeira estreia-se no ABC-zinho em 1930 (com O Automóvel à Vela). Publica ilustrações no Pim-Pam-Pum!, Gazeta do Domingo, Yo-yo, Reporter de Coimbra, Imagem, Paracelso, Sempre Fixe e O Liberal. A partir de 1936, torna-se um dos mais representativos autores de O Papagaio, onde publica sobretudo ilustrações e histórias curtas (publicando uma única história em continuação, Aventuras de Jim Kaco). Permanecendo n' O Papagaio (a revista que estreou o Tintin em Portugal) até 1940, Arcindo Madeira marca definitivamente a imagem da revista na segunda metade da década de trinta, quer pelo belíssimo trabalho de cor, quer pelo estilo muito pessoal do autor, pleno de movimento (um movimento caricatural e característico) e com uma eficaz síntese ao nível do traço, que distingue verdadeiramente as suas personagens de quaisquer outras (o "universo Arcindo", como lhe chama Dias de Deus). Para lá d' O Papagaio, Arcindo continua a publicar ilustrações, caricaturas e bandas desenhadas em diversos jornais e revistas: Ginásio, Renascença, O Canudo, O Século Ilustrado, Diário do Alentejo, Pim-Pam-Pum!, A Risota, Gazeta de Domingo, Diário de Notícias, Diário de Lisboa, O Senhor Doutor, etc.

Em 1941, emigra para o Brasil, passando a colaborar no Suplemento Juvenil de Adolfo Aizen, e noutras publicações. Trabalha também em publicidade e faz cenários para teatro de revista. Em 1944 introduz o sistema de impressão por serigrafia no Rio de Janeiro. Na década de 50, colabora n' O Globo, onde começa a publicar as suas famosas crónicas de viagem (num curioso paralelo com o Grande Concurso das Nações que ilustrou para O Papagaio), e é director artístico do Rio Magazine.

A exposição individual de Arcindo que a Amadora apresentou na Galeria Municipal Artur Bual (e que marcou o arranque oficial do Festival), deixava de fora a "fase portuguesa" do autor, e privilegiava a ilustração sobre a (muito pouco representada) banda desenhada. Com esta abordagem, a grande beneficiada foi a síntese do traço solto e eficaz (fortemente enraizado no desenho do natural) que torna o desenho de Arcindo tão característico. É um tipo de traço que era imagem de marca da época de ouro da BD portuguesa, e que está "em vias de extinção". Os desenhos de Arcindo atravessam décadas sem que haja diferença significativa ao nível da energia e firmeza do traço. Esta energia e firmeza é também a que apresenta Arcindo Madeira no contacto pessoal. Indiferente ao passar dos anos, Arcindo comenta projectos futuros e métodos de trabalhos passados, questiona sobre a vida e obra de outros, tira fotografias e disponibiliza-se para sessões de autógrafos, revelando uma vitalidade maior do que a de muitos jovens autores que a Amadora tem revelado.

Lamentavelmente, o trabalho do autor Arcindo Madeira é pouco conhecido do grande público, evidenciando uma lacuna do revitalizado mercado português da banda desenhada.

PEDRO MOTA, Notícias da Amadora

segunda-feira, 24 de março de 2025

Marte

Hoje destacamos duas capas de Alex Gaspar.

* Tantan - Rumo A Marte

* Tantan - Explorando Os Marcianos


Em Janeiro de 2009 Alex Gaspar volta a colaborar no fanzine Efeméride, no seu quarto número, então dedicado ao tema "Tintim no Século XXI", com o episódio O Caso do Perfume Verde, além de ter realizado uma estupenda ilustração para a respectiva contracapa, de nível escatológico e humorístico em grau elevado, muito de acordo com o seu feitio bem humorado e irreverente.

http://divulgandobd.blogspot.com/2010/10/alex-gaspar-19652010.html 

domingo, 16 de março de 2025

Jornal Blitz

 

No jornal Blitz de 16/03/1993 aparece uma página dedicada a Tintin a propósito do 10º aniversário da morte de Hergé. Destacamos a parte da página onde é referida a edição especial de "A Suivre" de Abril de 1983, uma capa do suplemento "Tele Público", um pin de Milou e a edição da revista Sábado com o ministro das finanças Braga de Macedo na capa.

Os olhos Fertéis
Dos 7 Aos 77
Viky Sybergirl, Blitz. 16/03/1993


quinta-feira, 13 de março de 2025

Diário de Lisboa


A capa da edição de 16/03/1990 de "A Mosca", suplemento das sextas do Diário de Lisboa, tem imagens alusivas a Tintin com destaque para a presença do representante criado por Hergé.

DL


quarta-feira, 5 de março de 2025

Nuno Roby Amorim


Do Nuno. Foi nas eleições da Madeira de 1996 que o reconheci - não conhecemos pessoas novas quando elas são como nós: reconhecemo-nos nelas. Para além de ser capaz de perceber todos os temas em discussão, havia História nas suas histórias e alegria nas estórias. Havia o sorriso inteligente e matreiro, a vontade de ver acontecer e fazer por isso. Ele estava em vantagem - ou desvantagem, se quiserem ver por outro prisma (o que é sempre possível) - pois tinha a obrigação acrescida de honrar o nome do pai - e por causa dele, do filho Nuno, gostei de conhecer o pai. E a avó. A família. E todas as coisas inúteis que nos ensinou. 

Depois, depois havia outra coisa que nos uniu ainda mais: o nosso gosto pelo Tintin. Sobretudo Hergé, o seu autor.

Em casa do Nuno estava emoldurada a carta que Hergé lhe enviou em 1971: “Será que as crianças portugueses são normalmente precoces como tu?”, perguntava o genial criador do repórter de Bruxelas. A mesma Bruxelas onde, em frente do Palácio Real - Real, real por el-Rey de Portugal! - o Nuno, o repórter Tintin, posou. Só lhe faltava o ceptro de Ottokar. 

Espero que essa carta fique em boas mãos. O Nuno já deve estar, entretanto, com a família e deve estar a contar tudo ao Hergé para que ele faça uma aventura de Tintin ambientada em Portugal.

Boas aventuras, Nuno!

Frederico Duarte Carvalho, facebook, 27/01/2025

Nota: já tínhamos visto no facebook do jornalista Nuno Roby (1962-2025) a história do momento em que decidiu escrever uma carta a Hergé e obteve uma resposta. Acontece que a página do facebook foi apagada mas felizmente que o seu gosto por Tintin foi relembrado por FDC. 


segunda-feira, 3 de março de 2025

Morreu o pai do Tintin

O Diário de Lisboa de 04/03/1983 colocou na capa a noticia da morte do pai de Tintin.

Ao dar a notícia da morte de Hergé, na tarde do dia seguinte, colocaram na capa a vinheta com a referência ao representante do Diário de Lisboa.

Tintim no Congo: no segundo álbum da BD franco-belga, publicado em 1931, Tintim é interpelado por um representante do Diário de Lisboa, que quer publicar em exclusivo a sua reportagem. (a)


https://tintinofilo.weebly.com/outros.html

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Major Alverca

O Major Alverca nasceu como página de BD no caderno Vida 3 d'O Independente, salvo erro em 1990. Juntos, o Manuel João [Ramos] e eu fomos desenvolvendo a personagem, que começou com BD sobre a Guerra do Golfo para se tornar cronista de corpo inteiro. O nome advém de uma banda desenhada da nossa infância, as aventuras do Major Alvega, perdão, o piloto luso-britânico da RAF Jaime Eduardo de Cook e Alvega, como 'Battler Britton' teve de ser renomeado para amaciar a Censura, que não apreciava cá estrangeirices. Houvesse ainda hoje Censura e nasceriam mais bebés portugueses. 


Em cada crónica, ou conto, ou poema vicentino, ou o raio que o parta, o Major Alverca resolvia um problema do mundo ou contava como tinha resolvido um problema do mundo, ou mesmo do universo. 

Como o Major Alverca era um idiota pomposo, quem na verdade fazia tudo era o seu fiel assistente Ângelo, curiosamente muito parecido com o Tintin disfarçado de sobrinho português do senhor Oliveira da Figueira em 'Carvão no Porão'.  De certeza, só uma feliz coincidência. 

O Major Alverca é um poltrão, um fura-vidas, um trapalhão de todo o tamanho, um odre insuflado, um lunático imbecil, um totó, um desmiolado, um ignaro, um insensato, um Dâmaso Salcede, um telecomentador antes de Deus ter inventado os telecomentadores, um idiota chapado, um asno, um mentecapto. 

Em suma, um Bom Portuguez, com olhos no futuro e cérebro no passado. Garboso no gesto, leal na virtualidade, incapaz de formular um pensamento consequente, mas tudo em nome da instauração do V Império e com isso perdoa-se-lhe tudo.

Além disso escrevia belas crónicas das suas aventuras megalómanas e megalácticas. Uma espécie de Guidinha do Sttau Monteiro, só que com melhor pontuação. 

Fiquei sempre com a ideia de que o Manuel João achava que o Major Alverca era eu e o Ângelo era ele, até porque além de co-autorar os textos ainda tinha de desenhar. 

Aos jovens que perguntam como falar com editoras, digo sempre para enviarem tipo armada, em todas as direcções, até que alguém responda. Feitos primeiros cartoons, enviámo-los como amostra médica para os três semanários que na nossa opinião pudessem ter algum interesse. Do Expresso nem responderam, do Jornal (o antepassado da Visão, que ironicamente repegou o nome de uma grande e ambiciosa revista de banda desenhada dos nossos anos 70 pós-25 de Abril) disseram que achavam «alguma graça» mas só podiam pagar cinco tostões. Do Independente ligaram entusiasmados a dizer que fôssemos lá, disseram que «a-do-ra-ram» e ofereceram uma quantia que ainda hoje não posso dizer, porque era várias vezes superiores à dos outros colaboradores todos. Juntos. 

De fora deste livro de 2003 ficou o álbum, ainda por publicar, da BD de 32 páginas. Uma editora ainda estava disposta a fazê-lo, mas só se abdicássemos dos direitos, até porque (cito de cor, foi há trinta anos) «as chapas do Astérix vêm já feitas de França, basta mudar os diálogos nos balões, e com o Astérix as vendas estão garantidas». 

Continua a ser verdade. Um excelente produto vindo de fora (até Goscinny morrer, os livros do Astérix eram geniais) continua a ser mais barato de produzir e tem logo lucro assegurado. Mas então depois não façam o número do defender a Pátria & a Cultura & Etc.  & Tal, ó meus majores!

Rui Zink, Facebook, 04/05/2024

imagens retiradas do novo site da Bedeteca do Porto