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terça-feira, 22 de abril de 2025

25 de Abril aos quadradinhos



Como seria lógico, também o 25 de Abril constituiu tema que alimentou e alimenta o universo da banda desenhada. Para além de globalmente ter sido um factor decisivo para a eliminação de todos os traços de censura sobre os conteúdos abordados, a sua própria crónica, directa ou indirectamente, serviu de inspiração para muitas histórias criadas desde então. A questão da eliminação da censura seria em si mesma interessante desafio para uma abordagem que prometo aqui fazer qualquer dia destes, assim contribuindo para um melhor conhecimento de épocas de “resistência” dos quadradinhos contra regras asfixiantes da liberdade de expressão entre nós.

(...) 

A. Martinó

Diversos têm sido os caminhos dos artistas que deixaram marcas mais relevantes na BD de Abril. Quem se lembra hoje que António, cujos brilhantes e surpreendentes quadros satíricos são uma das imagens de marca fundamentais do Expresso, um dos maiores cartoonistas/caricaturistas do nosso tempo, foi também um dos mais significativos e originais autores de BD dessa época? Presente em várias publicações, autor de uma das páginas que, precisamente na fronteira entre cartoon e banda desenhada, mais genialmente resumem o 25 de Abril e a questão militar que esteve na sua origem, seria sobretudo com Kafarnaum, no Expresso e em livro que António, num hábil jogo gráfico-linguístico, desmistificaria as taras e tiques do PREC, reflectindo inclusivamente sobre a própria BD o seu papel, parodiando largamente personagens populares da BD.

A utilização das personagens da BD foi aliás uma prática abundante e que constitui só por si um capítulo à parte na caracterização da BD desta época, reflectindo a popularidade da própria BD e a sua eficácia imagético-simbólica. Estudantes, sindicatos, comissões de moradores usaram-nas largamente. Ficaram famosas as fotomontagens do Jornal Novo. Eanes pela mão de vários e sobretudo de Cid, foi Superman e foi Tarzan A Flama numa série de Manuel Vieira sobre algumas figuras da época, em que, por exemplo, Mário Soares é o Príncipe Valente e Álvaro Cunhal é Mandrake, foi advertida pelo autor e editor por ter caracterizado Rosa Coutinho como Tintin.

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JPP Boléo, A BD e o 25 de Abril

Há vários livros sobre a bd e o 25 de Abril.

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/04/25/25-de-abril-aos-quadradinhos/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2015/04/28/25-de-abril-aos-quadradinhos-um/

https://tintinemportugal.blogspot.com/2014/10/tintin-no-pos-25-de-abril.html

"Imagens de uma revolução, 25 de Abril e a Banda Desenhada". de João Miguel Lameiras, João Paulo Paiva Boléo e João Ramalho Santos 

Um percurso em imagens e ilustrações por uma data marcante da história de Portugal. A Banda Desenhada, pela forma única como conjuga texto e imagem, foi um meio privilegiado para fixar a nossa História de forma dinâmica e atractiva, e também para apresentar este momento a quem nem era nascido. Uma revolução, quando desenhada, pode ser discutida e reflectida, e a sua memória pode evoluir mas nunca pode ser esquecida.

Assinado por três especialistas da história da banda desenhada no nosso país - João Paiva Boléo, João Miguel Lameiras e João-Ramalho Santos - "Imagens de uma Revolução" recupera alguns textos e obras anteriores, complementa-os com inúmeros exemplos e referências adicionais, e apresenta-nos o livro que nos mostra como as imagens perduram, e como uma revolução que foi desenhada dificilmente será esquecida.

Uma Revolução Desenhada - O 25 de Abril e a BD de João Miguel Lameiras, João Paulo Paiva Boléo e João Ramalho Santos 

Crocodilo / Flama

Outros posts anteriores neste blog:

Figuras que Abril Deu (1977)

https://tintinemportugal.blogspot.com/2017/07/figuras-que-abril-deu.html

Largo dos Correios (Jornal Novo, Flama)

https://tintinemportugal.blogspot.com/2014/10/tintin-no-pos-25-de-abril.html

Cartoon de Manuel Vieira publicado em 1975 na revista Flama

https://tintinemportugal.blogspot.com/2011/07/tertulia-bdzine-26.html

Fotomontagens do Jornal Novo

https://tintinemportugal.blogspot.com/2013/03/fotomontagem-no-jornal-novo-de-6121875.html

José Antunes / A Chucha (1976)

https://tintinemportugal.blogspot.com/2023/01/jose-antunes.html

"Kafarnaum" de António (1975/1976)

https://tintinemportugal.blogspot.com/2016/09/cartoons-de-antonio-in-kafarnaum.html

https://tintinemportugal.blogspot.com/2014/10/cartoon-de-antonio-karfanaum-em-1976.html

https://tintinemportugal.blogspot.com/2025/04/humor-unido.html

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Tertúlia BDzine #26



O fanzine Tertúlia BDzine #26 de Outubro publicou uma pastiche de Tintin de autor desconhecido e uma separata reproduzindo uma cartoon de Manuel Vieira publicado na extinta revista Flama.

quarta-feira, 28 de abril de 1999

O 25 de Abril na BD


"O 25 de Abril na BD", na Bedeteca de Lisboa

Quando Otelo foi um Lucky Luke

Patente até meados de Setembro na Bedeteca de Lisboa, "O 25 de abril na BD", exposição que depois de ter sido inaugurada nas antigas instalações da Manutenção Militar, em Coimbra, veio para Lisboa, onde foi um dos núcleos para a 2ª edição do Salão Lisboa de ilustração e BD.

Traçando o percurso, sobretudo gráfico, do que foi a BD nos tempos da revolução dos cravos, esta mostra foi co-organizada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra - a partir do convite de Boaventura Sousa Santos - e pela Bedeteca de Lisboa, para coincidir com as comemorações dos 25 anos do 25 de Abril.

Reunindo, em oito núcleos distintos, os traços essenciais das BD's daquele período, é no entanto mais abrangente, incluindo os tempos de ditadura e mostrando trabalhos visados pela censura política. Essa componente documental contou com a consulta a parte do espólio do Centro de Documentação 25 de Abril, assim como o recurso a colecções privadas. E quer se trate de álbuns, revistas, jornais, ou panfletos sindicais, houve uma aposta na divulgação, Em paralelo - vertente inédita - dá a conhecer a visão de 18 autores nacionais, decorrido um quarto de século sobre a revolução - numa sala contígua à exposição principal, estão trabalhos de Filipe Abranches, Rui Lacas, Relvas, Pedro Massano, Luís Differ, entre outros

"Foi uma união de vontades que permitiu cimentar um projecto destes em tão pouco tempo", salienta João Miguel Lameiras, que juntamente com João Ramalho Santos e João Paiva Boléo, foi um dos comissários da exposição. A partir da recolha a que procederam, surgiram visões únicas, obras inclassificáveis.

Exemplo de como a BD pode ser sinal dos tempos é a adaptação que Carlos Barradas fez de "O Capital", a obra de Karl Marx. Era a BD ao serviço do povo, para o povo. Também Mao Zedong foi personagem de BD, exaltando as massas ao trabalho. Às necessidades reais de propaganda política juntavam-se famosas e, na altura, não menos polémicas apropriações, como as trucagens que o cartoonista Manuel Vieira fez para a "Flama" por volta de 1975, de heróis, entre outros, da revista "Tintin", e onde se vê Otelo disfarçado de Lucky Luke ou Rosa Coutinho de melena e com os traços de Tintin. Hergé e a editora Casterman, ao tomarem conhecimento, terão obrigado a revista a um pedido de desculpas.

Para João Paiva Boléo, a obra que porventura melhor retrata os tempos de mudança de regime é "O País dos Cagados" de Artur Correia. "É a mais completa, até pela forma como goza com Américo Tomás; como a censura é lembrada, a alegria da libertação. É ainda uma visão crítica, quando dá atenção aos jogos de força", afirma. Concluindo que "era o resultado de uma luta que começa em 64, e que dura mais de dez anos; de uma luta clandestina"

Nuno Franco / Público, 27/04/1999

O 25 de Abril na BD

LISBOA Bedeteca, de terça a sábado, das 9h às 19h