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quinta-feira, 26 de março de 2026

Vasco Granja

O centenário do nascimento de Vasco Granja, nascido em 10/07/1925, continua a ser comemorado.

Em 17 de Dezembro de 2025 foi apresentado o livro "Vasco Granja - A Divulgação Apaixonada de uma Cultura Democrática" editado pelas Edições Avante!. Trata-se de uma "antologia de textos da sua autoria que relevam o seu papel como um dos mais destacados divulgadores de banda desenhada e de cinema de animação em Portugal." Inclui um texto seu, "Hergé, Tintin e o Alph-Art", publicado n' O Diário de 14/12/1986.

Na capa do livro há uma clara referência à personagem de Tintin no desenho do segundo zero (onde está o nome do livro e o autor). Essa ligação até se percebe melhor no anúncio referente à apresentação do livro.




Entretanto no âmbito da Monstra - Festival de animação de Lisboa continuará até 11 de Abril de 2026 a exposição "Olá, Vasco Granja!".

A exposição que revela o espólio de Vasco Granja, um dos maiores divulgadores de animação em Portugal, e que também comemora o centenário do seu nascimento, estará patente na Sociedade Nacional de Belas Artes até 11 de abril.

Na exposição é possível vermos fotogramas de obras de referência do cinema de animação de Norman McLaren, Zbigniew Czernelecki (autor de O Lápis Mágico), Zlatko Grgić (autor de Professor Balthazar), Robert “Bob” Balser (realizador de O Submarino Amarelo), Bruno Bozetto, Raoul Servais ou René Laloux.

Encontramos ainda uma secção dedicada à animação portuguesa (com Fernando Correia e Artur Correia), cujos exemplares foram adquiridos pela Cinemateca Portuguesa, uma sequência de fotogramas de nomes maiores da animação mundial como Richard Williams (director de animação de Quem Tramou Roger Rabbit, de Robert Zemeckis) e John Halas, britânico de origem húngara que realizou, com a sua mulher Joy Batchelor, Animal Farm.

A entrada é gratuita e podem encontrar mais informações em https://snba.pt/exposicoes/ola-vasco-granja/

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/12-ano-n-44.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/1244.html

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Tintin responde

Nos anos '60 e '70 publicou-se em Portugal a Revista Tintin. "A revista dos jovens dos 7 aos 77 anos", juntava algumas histórias de BD de vários autores, à razão de duas páginas por semana para cada história.

Este é o número 19, de 4 de Outubro de 1969, e custava na altura 5$00. Está já devidamente assassinado a golpes de caneta, naturalmente. Incluía os seguintes: Strapontam ("Contra Aranhex"), Astérix ("O Combate dos Chefes"), Taka Takata, O Incrível Désiré, Achille Talon, Cubitus, Lucky Luke ("Pedro Cucaracha e os Pés-Azuis"), Michel Vaillant (Rallye em Portugal") e (claro) "Tintim no Tibet".

Para além das histórias (e isto é que interessa) havia também passatempos e uma parte de correio do leitor intitulada "Tu escreves... Tintin responde."

O que realmente me cativa aqui é a inocência transbordante. Talvez ainda fruto do lápis-azul, as cartas parecem todas escritas por miúdos de calções amarelos e joelhos esfolados. Por exemplo, o trecho transcrito agradece o osso (!!) que o leitor enviou ao Milou... numa carta mais adiante, responde-se a um Zeca e termina-se assim: "como são vários os Zecas que me têm escrito ultimamente, referencio que neste caso, trata-se do morador da Rua Visconde de Santarém" - hoje em dia já ninguém se pode chamar Zeca e dizer onde mora; e há quarenta anos atrás já havia o problema das traduções, com um autodenominado "Tintinzão de 30 anos" (mais parece nick do MIRC) a queixar-se da diferença entre o título em Português da história do Lucky Luke e o título original "Alerte aux Pieds bleus".

A personagem Tintim responde na primeira pessoa, o que até funciona bem. Lembro-me que em miúdo acreditava que era realmente o Tintim a responder às coisas, e que interpretava o desenho mais como uma fotografia do que outra coisa ("que giro... o cão lambe cartas").

A estreia de uma nova BD na revista - "Os Franval - Caçadores sem armas" merecia também destaque. Os primeiros esboços de uma consciência ecológica surgiam com a história de uma família que luta em África para acabar com a caça. Pelo meio há o cenário do Pós-II Guerra Mundial e os necessários Alemães como maus-da-fita, nesta fase da história ainda escondidos.

Mas isto levanta-me uma questão: passam a história toda a mandar vir com os Alemães, com o mito da raça ariana, etc... mas depois as crianças da família são todas loirinhas de olhos azuis.

E já agora... tem um belo chapéu Sr. Franval. Essa pele de leopardo realça-lhe os olhos e os seus ideais ecológicos.

Publicado por Jota P\ Extenso, 17/10/2007

Sempre tive uma relação dificil com o Tintim. O homem sempre me pareceu digno de embirração. Aquele ar de gajo que é incapaz de pedir sequer um copo-de-água ao balcão, e que fica com os créditos todos por resolver "mistérios" de forma invariavelmente fortuita. Pelo meio costuma haver uma situação potencialmente mortal para ele, em que é salvo por Milou, o cão que toda a gente acha que é uma cadela, e se calhar têm razão.

Ok, talvez as coisas não sejam exactamente assim. Mas eu disse que embirrava com o Tintim.

No entanto, se o vir na rua, até lhe dou uma palmadinha nas costas.

Publicado por Jota P\ Extenso, 17/10/2007


Lead da rubrica "Quadrinhos" da revista "Tintin" (coordenação de Vasco Granja)


Numa outra rubrica da sua responsabilidade “Tu escreves... Tintin responde” onde VG respondia à correspondência juvenil da revista, recebeu um dia uma carta de um jovem leitor onde o mesmo se interrogava se era mesmo o Tintin que respondia aos leitores. 

Um rápido esclarecimento foi publicado uns dias depois e contava assim: “O meu nome é realmente Tintin. Não se trata de um pseudónimo”. 

Para memória futura, fica assim esclarecida a origem de mais um dos muitos pseudónimos que VG foi adquirindo ao longo do seu percurso de vida, o de “senhor Tintin”.


Lead da rubrica "Museu da Banda Desenhada" da responsabilidade de Vasco Granja na revista " Tintin".



Lead da rubrica "Bibliografia da Banda Desenhada" da responsabilidade de Vasco Granja

(nos três casos aparecem referências a Tintin e ou Hergé)

SUPLEMENTO:  é um anexo de quatro páginas centrais, sem numeração e a P/B sendo o papel de uma cor rosada. Aparece pela primeira vez com a série nº04, fascículo nº28 e não tinha a indicação de numero do exemplar     ( só a data da publicação do fascículo ). Só com o fascículo nº32 é que, além da data, passa a ter um numero de identificação que é o mesmo que o do fascículo aonde está inserido – neste caso, é o nº32... As secções já existentes (Tintinzinhos, Tintinimento...) passam a ser inseridas nestes suplementos - estas e outras novas secções, são publicadas alternadamente. Inicialmente, os suplementos foram publicados com logotipos diferentes (SUPLEMENTO TINTIN ) passando a definitivo como TINTIN Por TINTIN  (série nº 04 » fasc. nº46 ). É também neste numero que este suplemento passa a ser colocado entre as capas e a ter numeração das páginas (3, 4, 29 e 30 ). Na série nº08»supl.41 , o papel passa para o “normal” papel branco, mantendo-se a impressão a P/B.
 Com o aparecimento a P/B, de Corto Maltese, o  suplemento  passa  a  ter oito páginas ( 3 a 6 e 31 a 34 ) e outros novos passatempos que são alternados com os já existentes. Além do Corto Maltese, outras histórias ( P/B ) também serão incluídas nos suplementos (Blake & Mortimer, Spaghetti...).
 Aquando da apresentação do 5º Grande Concurso Tintin, na série nº24» supl. 45, o suplemento ganha mais quatro páginas.  O fascículo nº11 da série nº29, não tem qualquer passatempo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Quadrinhos


Iniciei a apresentação deste fanzine, editado por Vasco Granja entre Abril de 1972 e Novembro de 1974, num post datado de 16 de Março de 2017. Nesse post inicial incluí os quatro primeiros números do zine (0,1,2 e 3) publicados em 1972, Ano I dos fanzines em Portugal. Volto agora a escrever acerca do Quadrinhos, abarcando os números 4, 5 e 6 editados no seu segundo ano de vida, 1973.

Logicamente, a imagem que ilustra o topo do post é a do nº4 (Maio de 1973), primeiro desse ano.

Essa imagem, dedicada a duas personagens da galeria Hergiana, teve direito, no artigo dedicado a Hergé publicado neste número, à seguinte nota de rodapé:      

"O desenho de Tintin e Milou impresso na capa do presente número de 'Quadrinhos' foi expressamente executado por Hergé como homenagem aos seus numerosos admiradores portugueses".

Geraldes Lino, Sítio dos Fanzines

QUADRINHOS é um fanzine editado por Vasco Granja para informação das novidades bibliográficas nacionais e estrangeiras. Correspondência: Avenida Bartolomeu de Gusmão, 4-2º-D. - Damaia.

Exposição “Vasco Granja e o Cinema de Animação”, Centro Cultural de Cascais, 7 de Março a 19 de Abril de 2015.


quinta-feira, 21 de março de 2024

Festa do Tintin (1980)


No dia 30/03/1980, pelas 10h00, realizou-se a Festa do Tintin, no cinema Roma, com a presença de Vasco Granja, onde foi apresentado o filme "Eu, Tintin" e outros desenhos animados conhecidos. Os bilhetes poderiam ser obtidos gratuitamente nas Lojas Bertrand com a apresentação de um exemplar da revista Tintin nº 46,

(anúncio publicado na revista Tintin nº 45 de 1980)

+

EU, TINTIN (1976)

O documentário "Eu, Tintin" estreou em Portugal, no cinema Estúdio, em 21/03/1980 pelas 21h30.

O filme indispensável para entender Tintin
para os pais dos leitores de Tintin
para quem nunca leu Tintin
para quem tem saudades de Tintin

contado por Hergé o criador de Tintin

O documentário "Eu, Tintin" (Moi, Tintin) de 1976 pode ser visto no youtube.

https://www.youtube.com/watch?v=njFOTn5muMw&t=4141s

e a apresentação está no site da INA

https://www.ina.fr/ina-eclaire-actu/video/cpa7705410401/moi-tintin



Data de 1976 "Moi, Tintin" e é um documentário sobre o universo de Tintin e a figura de Hergé, o seu criador. Realizado por Henri Roanne e Gérard Valet, o filme cruza entrevistas com notícias narradas e factos reais.

[internacionalmente] Teve lançamento em VHS e, desde 2007, uma edição em DVD.

https://sound--vision.blogspot.com/2011/10/mes-tintin-spielberg-16-caca-do-tesouro.html

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Luís Diferr


As Aventuras do Capitão Granja no Mundo da Banda Desenhada

Em Maio de 2003 as Edições ASA publicaram um álbum de homenagem a Vasco Granja, coordenado por Jorge Magalhães e Maria José Pereira. Nele participei com uma BD de 8 pranchas, precedido do texto que se segue (quase na íntegra), reeditado em renovada homenagem a esse homem amável e prestável como raros.

Para mim, Vasco Granja ficará sempre e sobretudo relacionado com a revista Tintin – a edição portuguesa dessa revista que, a partir de Junho de 1968, abriu ao adolescente que eu era as portas de um novo mundo, com a promessa semanal de renovadas e palpitantes aventuras. A revista, com a diversidade que progressivamente apresentou, foi fundamental para fortalecer a decisão daquele adolescente de se tornar autor de BD. Ofereceu-lhe também amplo material que serviu de base para a aprendizagem autodidacta, a única possível, desse meio de expressão. Naquela época, era irrisório o número de álbuns publicados em Portugal ou importados.

Nesta descoberta, o trabalho de Vasco Granja foi para mim de notável relevância. Seja através de textos próprios ou traduzidos de fontes diversas, Granja mostrou o que se passava, para além do palco, No Mundo da Banda Desenhada: nos bastidores, com entrevistas aos autores e, do lado da plateia, com reportagens e opiniões críticas sobre produções que não se restringiam, muito pelo contrário, à revista Tintin. Assim, quando no verso de uma capa se publicou uma entrevista com William Vance, seguida nos números seguintes de outras com Albert Weinberg, Joël Azara, Hermann, etc., foi uma revelação! Finalmente os autores ganhavam um rosto! Vasco Granja teve, ele mesmo, oportunidade de fazer algumas entrevistas.

Especialmente importante para mim foi a que realizou com Edgar P. Jacobs, por motivos óbvios: foi Jacobs, mais do que qualquer outro, que fez (e ainda continua a fazer) aquele adolescente desejar ser autor de BD. Essa entrevista, refiro-a expressamente na banda desenhada que se segue.

Foi assim que, agora, me ocorreu e ganhou corpo a ideia de inserir a homenagem a Vasco Granja no quadro mais vasto de uma revista e de uma época retratada nas suas crónicas, e de relacionar tudo isso com a minha própria obra - nomeadamente “As Aventuras de Herb Krox”, que constituem uma referência directa ao modelo franco-belga. Assinale-se, aliás, que Granja promoveu, no Festival de Banda Desenhada da Amadora de 1992, um colóquio sobre “O Homem de Neandertal”.

Destes pressupostos nasceu a BD “Corina Alpina Bonina (...)”, a preto e branco, como eram as crónicas de Granja numa revista quase integralmente a cores. Propositadas e creio que evidentes são as reminiscências de episódios das Aventuras de Tintin ou de Blake e Mortimer. Justa é também a homenagem, vejamo-la assim, ao amigo José Ruy que, à sua maneira gentil, retratou o grupo de gente que, em Portugal, nos tornou possível a revista Tintin: ele próprio, Vasco Granja e Diniz Machado, entre outros.

Fica aqui a minha homenagem e o meu agradecimento a esse homem singular. Obrigado, Vasco!"

Luís Filipe Diferr (blog Peróla de Cultura)

As Aventuras do Capitão Hackrox e Jinjin
Corina Alpina Bonina No MuNdO da bAnDa DeSeNhAdA  (2003) - Por Luis Diferr


Nov./1991 - Álbum "O Homem de Neandertal", 1º volume de "As Aventuras de Herb Krox" 

Dezembro/1998 - Álbum "Os Deuses de Altair", 2º volume de "As Aventuras de Herb Krox".  

Maio/2003 - "Corina Alpina Bonina" no livro "Vasco Granja, uma vida... 1000 imagens"

Em Novembro de 1995 foi publicado o 1º número do fanzine LADY BLITZ FAN-CLUB e um ano mais tarde saiu o 2º e último número.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Vasco Granja


Adaptação de uma capa da revista TINTIN de que foi director

Pessoal... e Transmissívelctor

De Segunda a Quinta-feira, às 19h.

(Repete depois do noticiário da meia-noite)

PESSOAL... E TRANSMISSÍVEL - TSF

1. Vasco Granja2. Vasco Granja3. Vasco Granja

Vasco Granja: gostava de ter sido o Tintin

( 19:07 / 03 Jun 2003)

Antes dele a banda desenhada, em Portugal, eram apenas histórias de quadradinhos. Vasco Granja, divulgador de BD e cinema de animação, comunista e vegetariano, é o convidado para a conversa ao fim da tarde. ( 19:07 / 03Jun)

Entrevista de Carlos Vaz Marques na TSF

artigos na revista "Tintin"

- HERGÉ: A escola de Hergé.  (série nº19, supl. 17, 18) - 

- TINTIN, cinquenta anos.  (série nº22, supl. 43)

> Tintin e os seus companheiros. Apresentação por Vasco Granja, de um documentário para televisão.  (série nº 25, supl. 08 )

LUCCA 8 : encontro da BD internacional. Artigo de Vasco Granja que incluem diversos desenhos “dedicatórios” aos leitores portugueses. Foram realizados por alguns conhecidos autores de BD em que se destaca o de Hergé na última página do suplemento. (série nº10, supl. 32 )

https://nerdenthal.blogspot.com/2011/07/vasco-granja-o-divulgador.html

imagens: João Sarzedas (Diário de Lisboa, 1979) publicado antes no Fanzine Aleph, Rui Veleda / In-provavel (2009)


domingo, 13 de julho de 2014

Tintin por Tintim


Cartaz

título: Exposição Tintin por Tintim

edição:  [S.l. : s.n.], 1990

dimensões: 42 x 31 cm.

descritores: Artes visuais

Texto do cartaz: António Mendes - Alvim - Carlos Barroco - Carlos Ferreiro - Caseirão - Jorge Camões - José Eduardo Rocha - Luís Cruz - Luísa Ferreira - Manuel San Payo - Miguel Horta Romualdo - Vitor dos Reis - Vitor Rua; Pintura, Escultura, Fotografia, Vídeo, 6 de Abril a 9 de Maio de 1990; Espaço Litoral - Novo Século Rua do Século 4 - B - C, 1200 Lisboa

lugar de impressão: Lisboa

nome do impressor: Litografia Tejo

URL

http://sinbad.ua.pt/cartazes/CT-ML-I-4077

http://sinbad.ua.pt/cartazes/CT-ML-I-4077.1

https://arquivo.sinbad.ua.pt/Cartazes/2011000778

TEXTOS

TINTIN por TiNTiM

A ideia desta exposição, que inicia a abertura de um novo espaço em Lisboa, encontrou a aderência de vários operadores estéticos que se sentem ligados à experiência da Galeria Novo Século.

Sem ter a pretensão de uma exaustiva homenagem nacional ao criador desta personagem, familiar a várias gerações de portugueses, a exposição TINTIN por TINTIM, pretende assinalar uma atitude lúdica e diversificada da interpretação do herói da B.D. na área das Artes visuais no início dos anos 90.

Em paralelo, à exposição, objectos design sobre o mesmo tema irão reforçar a homenagem internacional ao criador, Hergé.

Esta é a primeira aventura no ESPAÇO LITORAL.

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No dia 10 de Janeiro de 1929 surgiu pela primeira vez a personagem de Hergé conhecida com o nome de Tintin. Tratava-se da sua primeira aventura Les aventures de Tintin Reporter du Petit Vingtième au pays des Soviets.

Um ano mais tarde esta história foi publicada em Álbum, a preto e branco, com a tiragem de cinco mil exemplares – valendo hoje, cada um deles, uma pequena fortuna.

Voltou a ser impressa em 1969, numa tiragem de quinhentos exemplares, por vontade expressa de Hergé, destinada a ser oferecida aos amigos! E voltou a ser reimpressa.

De 1929 a 1976 Hergé criou vinte e duas histórias de Tintin e dos seus companheiros, com tiragens muito elevadas em diversas línguas, com frequentes reedições, o que representa uma longa permanência junto de milhões de leitores de diferentes gerações.

As aventuras de Tintin permitem acompanhar a evolução da humanidade ao longo de cerca de cinquenta anos, sendo o herói de Hergé muito sensível a acontecimentos decisivos do nosso tempo. Deles deu o Autor uma interpretação e ilustração pessoal, frequentemente contraditória, nunca deixando de castigar os maus, os corruptos, os vendedores e traficantes de armamentos, os políticos sem escrúpulos, os negociantes de droga.

Procurou Hergé divertir os leitores com uma linguagem límpida, recheada de efeitos cómicos, com uma sábia utilização da cor, apresentando factos reais, inventando situações nascidas da sua fantasia e imaginação, surgindo Tintin como o repórter por excelência do Século XX.

A homenagem de artistas portugueses na exposição Tintin por Tintim pretende exaltar a obra de um artista muito interessado pela arte moderna e que não teve tempo para pintar porque dedicou a vida a escrever e a desenhar histórias aos quadradinhos.

Vasco Granja

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Quando era miúdo, na praia onde eu e meus irmãos passávamos as férias, organizámos uma sociedade secreta que tinha como símbolo uma tábua com a forma de um porco – Assim surgiu a "Máfia do Porco", que todos os verões semeava o terror entre os banhistas e crianças indesejáveis.

Era a época do Tintin, o repórter, com todas as suas aventuras e simbolismos.

Anos mais tarde, quando conheci a minha mulher, ela usava como brincos duas conchas de Cardium (berbigão), reconheci nisso um sinal de bom agouro. Em "O Caranguejo das Tenazes de Ouro", o chefe da quadrilha de traficantes do ópio traz ao pescoço um par de tenazes, símbolo dessa confraria do crime. Sempre achei que essas tenazes de sapateira, quase despercebidas pela reduzida dimensão dos quadradinhos e proliferação de filactares, seriam uma obra prima de joalharia...

Miguel Horta

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"LES AVENTURES DE TINTIN, PAR VITOR RUA"

O homem das cavernas pintou as paredes com figuras do homem caçando bisontes.

Os egípcios faziam "cartoons" colocando cabeças de animais em corpos de homens ou mulheres para fazerem sátiras.

Quando era pequenino brincava muitas vezes de Tintin. Ficava horas a ler o Tintin a comer bolachas moles com limonada. Ler o Tintin fez com que eu gostasse de viajar e de aventuras, embora eu seja menos corajoso do que ele. Gosto muito de Tintin.

Vítor Rua

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"Bandidos! Assassinos! Ladrões! Deixem-me! Devolvam-me os rolos!"

Luísa Ferreira

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Deslocação

Aventura é ter um corpo.

Tintin dá-nos consciência da existência de corpo.

É este sentimento de deslocação que permite a apropriação do espaço e do tempo da narrativa.

Em cada quadrado se vai estruturando um novo outro tempo, um novo outro espaço.

Reestruturamos em rapaz (de "calções") com um cão inseparável, e companheiro de aventura, numa "história" que conta, porque se estrutura para ser contada, ser possível, ser real.

Ter uma forma tridimensional...

Existência, cujo figurino de herói, resulta da sobreposição de um personagem (de "calções") e cão com uma aventura desinteressada total, portanto...

Deslocação.

Jorge Camões

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A PROPÓSITO DA OBRA DE ARMANDO CASEIRÃO...

O Tintin não usa óculos, salvo quando se disfarça para escapar aos seus inimigos, o que acontece em muitas situações.

Devia usar. Ajudavam-no a ver o mundo de outra maneira. Mas ele é saudável como todos os meninos devem ser. É bonzinho, honesto, inteligente, trabalhador, tão perfeito que chega a irritar.

Reconforta vê-lo cravado de pregos ou pendurado no pescoço de um caçador de cabeças.

De súbito, tudo se revela: a expressão perversa, o arrependimento tardio.

Ele próprio parece tirar algum prazer do seu papel de vítima, e no entanto, da sua boca saem ainda palavras amargas e cruéis: "E o Miú? Ele também merecia!"

É verdade. Mas esse fica para uma próxima oportunidade.

Pedro Monteiro

+

- Senhoras e senhores, terei a honra de interpretar a grande ária das jóias, de Fausto – A – A - Ah, chega a rir de me ver tão bela neste espelho.

– Formidável, hein?

- Sim, é essa a palavra adequada.

- AAAAAh, a rir!

- Sempre que a oiço me lembro de um ciclone que se abateu sobre o meu navio, certo dia, quando navegava pelo mar das Antilhas!

- Responde-me, responde-me, responde, responde-me depressa!

- Auau! Au! Auauuuu! Auauuuu!

- !!

- Auau! Auau! Auuu! Auuu! Auauuau!

- Não! Não! Não! Não és mais tu!

- Céus, que é isto?!

- Uma esfera de fogo! Se afaste, professor!

- BEMM

- Bianca! Milu! A múmia!

- Meu Deus! A múmia!

- Raspac Capac desapareceu!... Evaporou-se!... Volatizou-se!... Só restaram suas jóias!

- SOCORRO!

- É Bianca!... Depressa!

- Que foi, Bianca? Porque gritou?

- Eu... ah... tive um pesadelo terrível. Raspac Capac entrou no meu quarto... Trazia na mão uma grande bola de cristal e jogou-a com toda a força no chão...

- É extraordinário. Sonhei bem a mesma coisa!

- E eu!

- E eu!

- Também eu!

Vítor Dos Reis

+

Allo?. Pardon?... Non, madame, ce n'est pas la Boucherie Sanzot!... Non, madame, pas le 431... Le 421, madame! Il n'y a pas de quoi, madame... Non, madame, ce n'est pas la boucherie Sanzot!... Je... Comment?... Oh! Pardon, de... HEU... Le Comment? les lunettes du capitaine Auguste? En France? OH! Pardon. Je... HEU... Le capitaine? Non, pas pour le moment. Il est en promenade...

Romualdo

+

"RECADO DE BRUXELLOS"

Cumé? Tudo Juca Juca!!!

"Golo é gouoolo guooooolulu!..."

Milk and cat - Muito bife, muito leite

Fazer Kanuko é estranho.

The King of the paintings

F. Alvim

+

... Não me deixem sozinho nesta ilha!

Carlos Barroco


(A propósito da Exposição Tintim por Tintim - 1990)