Uma capa para recordar e apreciar longamente, com todo o prazer e admiração que a fantasia, o talento e o primor artístico de Fernando Bento ainda hoje nos inspiram.
https://ogatoalfarrabista.wordpress.com/2014/06/13/capas-que-enchem-o-olho-4/
Uma capa para recordar e apreciar longamente, com todo o prazer e admiração que a fantasia, o talento e o primor artístico de Fernando Bento ainda hoje nos inspiram.
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Na capa da revista "Cavaleiro Andante" nº 15 de 12/04/1952 aparecem vários heróis publicados na revista.
Algumas das capas das revistas portuguesas, desenhadas por autores portugueses, eram baseadas em originais de autores estrangeiros. Outras eram a adaptação das capas originais às características técnicas e editoriais das publicações lusas.
Contudo, e, surpreendentemente, a capa de Hergé para o número 13 do 8º ano de 1 de Abril de 1953 da revista belga Tintin parece baseada no desenho de Fernando Bento realizado para a capa do número 807 do Diabrete de 24 de Março de 1951. Desconhecemos se o autor de Tintin tenha tido acesso ao número do Diabrete, mas a ideia pertence ao mestre português.
Podemos ver as personagens Quick et Fluke que tiveram a sua primeira aparição no «Diabrete» (a partir de 19 de Abril de 1941) baptizados de Trovão e Relâmpago.
As histórias do Tintin publicadas no «Cavaleiro Andante» foram as seguintes:
1 - O templo do sol (#1 de 05/01/1952 ao #27 de 05/07/1952) (continuou no suplemento «O Pajem» do #1 de 05/07/1952 ao #86 de 22/08/1953)
2 - Tim-Tim na Lua (Rumo à Lua / Explorando a Lua) (#94 de 17/10/1953 ao #209 de 31/12/1955)
3 - Tim-Tim na América do Norte (Tintin na América) (#210 de 07/01/1956 ao #269 de 23/02/1957)
4 - O caso da arma secreta (O caso Girassol) (#270 de 02/03/1957 ao #331 de 03/05/1958)
5 - O lótus azul (#340 de 05/07/1958 ao #401 de 05/09/1959)
6 - Mercadores de ébano (Carvão no porão) (#405 de 03/10/1959 ao #466 de 03/12/1960)
7 - Tim-Tim no Tibet (Tintin no Tibete) (iniciou n' «O Foguetão do #1 de 04/05/1961 ao #13 de 27/07/1961) (#516 de 18/11/1961 ao #553 de 04/08/1962)
https://tintinemportugal.blogspot.com/2011/06/tintin-no-cavaleiro-andante.html
https://tintinofilo.weebly.com/cavaleiro-andante.html
EMPRESA NACIONAL DE PUBLICIDADE
- A revista «Diabrete» durou de 4 de Janeiro de 1941 a 29 de Dezembro de 1951.
«Cavaleiro Andante» foi publicado de 5 de Janeiro de 1952 a 25 de Agosto de 1962.
- «O Pajem» foi um suplemento destacável do «Cavaleiro Andante» que começou no nº 27 de 5 de Julho de 1952 (a partir do nº 238 só em números pares - os ímpares correspondiam ao suplemento «Desportos») e durou até ao nº 326. A partir deste número passou a ser uma secção da revista, tendo terminado em 19 de Novembro de 1960.
- A revista de grande formato «Foguetão», propriedade da ENP, com direcção de Simões Muller, teve a duração de apenas 13 números (04/05/1961 a 27/07/1961). Teve a particularidade de publicar as legendas do episódio do Tintin em francês, com a tradução para português em rodapé.
- Também da propriedade da ENP e com direcção de Simões Muller, o «Zorro» começou em 13 de Outubro de 1962 e terminou em 11 de Junho de 1966 com 192 números publicados semanalmente. Publicou unicamente uma aventura do Tintin: As jóias de Prima-Dona (As jóias da Castafiore) do #26 de 06/04/1963 ao #87 de 06/06/1964)
Na revista Cavaleiro Andante, os desenhos de autores portugueses alusivos ao Tintin são os seguintes:
#13; 29 Março 1952; Capa sobre o «Templo do Sol»; Tintim, Milou, Tournesol e Haddock; Fernando Bento
#15; 12 Abril 1952; Capa; Tintim e Milou; Fernando Bento
#23; 7 Junho 1952; Capa; Tintim; Fernando Bento
#100; 28 Novembro 1953; Capa; Tintim e Haddock; Artur Correia
https://tintinemportugal.blogspot.com/2011/06/tintim-visto-pelos-desenhadores_12.html
Capas da revista
#13 - 29 de Março de 1952 - Capa de Fernando Bento - OTDS
#154 - 11 de Dezembro de 1954 - Tim-Tim Na Lua
#212 - 21 de Dezembro de 1956 - Tim-Tim Na América Do Norte
#270 - 2 de Março de 1957 - O Caso Da Arma Secreta
#283 - 1 de Junho de 1957 - CCP FIAT600
#291 - 27 de Julho de 1957 - CCP FIAT600
#405 - 3 de Março de 1959 - Mercadores De Ebano
#418 - 2 de Janeiro de 1959 - Capa de Fernando Bento - "NOVO ANO 1960"
Era uma espécie de Benfica/Sporting, porque quem comprava o "Mundo de Aventuras" (1949-1987), não comprava o "Cavaleiro Andante" (1952-1962): os orçamentos familiares eram limitados... E as revistas de BD eram semanais. O meu preferido foi sempre o "Cavaleiro Andante", que saía ao sábado e, inicialmente, custava Esc. 1$80. Tenho exemplares seguidos desde o nº 28 (12/7/1952) ao nº 241, de 11 de Agosto de 1956, que já custava Esc. 2$00. Dirigida por Adolfo Simões Müller (1909-1989), a revista tinha um grafismo de excelente qualidade, para a época, e bem caracterizado. Fernando Bento, Stuart, José Manuel Soares, Vitor Péon, eram alguns dos mais conhecidos ilustradores. Müller e Artur Varatojo, dois dos autores de textos que eram, normalmente, pedagógicos.
Ainda hoje teria dificuldade em escolher as histórias que mais me empolgaram e de que mais gostava, mas terei de referir, à cabeça: "Beau Geste", adaptado por Fernando Bento, do livro de Percival Christopher, e "O Mistério da Grande Pirâmide", com Blake e Mortimer, de Edgar Pierre Jacobs. Mas, também, "O Tesouro de Valverde", Tim-Tim, "Quo Vadis", ou a adaptação de "Ala dos Namorados", de Campos Júnior, feita por Artur Varatojo, com belíssimas ilustrações de José Manuel Soares. O "Cavaleiro Andante" era um mundo de aventuras, inesquecível na memória.
O Meu Professor Inesquecível - Artur Tomé
Foi com o Cavaleiro Andante que aprendi a ler. Tinha o Tim-Tim e o Templo do Sol e O Mistério da Grande Pirâmide, com o Blake e Mortimer, que iriam ser os meus heróis por muitos anos.
Pessoal da minha geração formou-se culturalmente com aquela revista editada pelo Adolfo Simões Muller, e, os que não iam muito à bola com aquilo que viria a ser conhecido como a escola franco-belga, viravam-se mais para o Mundo de Aventuras com o Mandrake, o Fantasma e o Flash Gordon.
Eu alinhava em ambas as correntes.
Normalmente, ao entrar na puberdade, o pessoal largava os quadradinhos e virava-se mais para o desporto e para o sexo oposto. Comigo não foi bem assim. Na rua onde nasci, a vizinhança mais próxima da minha idade era toda ela do sexo oposto. Cresci entre miúdas, com consequências que não vêm agora para o caso.
O desporto foi-me proibido pelo médico, tinha eu 11 anos, graças a um diagnóstico de coartação da aorta. O liceu Pedro Nunes tinha uma excelente biblioteca e passei o horário da Educação Física lá metido a ler Mosquitos, primeiro, e depois as colecções de Júlio Verne, Tarzan, Sherlock Holmes e Cavaleiro de Lagardère.
Os professores do Pedro Nunes eram óptimos - fui aluno do Palma Fernandes a Matemática e do Rómulo de Carvalho a Físico-Químicas, um luxo de ensino. Mas a cultura do Simões Muller marcou-me tanto ou mais que o Eça ou Trindade Coelho.
Talvez por isso, não renunciei a tais leituras ao crescer. Ainda era fã do CA quando apareceu a história da Marca Amarela que criou uma histeria entre a miudagem da altura, com o símbolo a aperecer grafitado em todas as paredes ( sendo que entre a Estrela e a Pampulha, a autoria dos rabiscos era aqui do je.)
A família contribuía para o vício. A minha avó tinha um sotão com folhetins de cordel do final do séc. XIX, um primo que vivia com ela tinha os primeiros livros da Argonauta, uns tios com quem passava férias tinham uma colecção de Gibis brasileiros com as primeiras histórias do Capitão América, Homem de Borracha e Capitão Marvel.
Apanhei o vício de toda essa literatura menor e não o larguei até hoje.
E não é que nessa literatura "menor" se encontram pérolas de alto valor cultural?
É disso que conto falar aqui no Cavaleiro Andante. Autores que marcaram o nosso imaginário, com uma criatividade e humor muito pouco reconhecidos. Venham daí comigo.
Artur Tomé, 23/11/2009
(...) Fernando Bento foi um desenhador incansável, dando a conhecer grandes obras aos mais novos como Beau Geste, por exemplo. Claro que há o Garcês, com desenho mais à Harold Foster do Príncipe Valente, mas a produção e qualidade de Bento sempre foi mais da minha simpatia. (...)
A banda desenhada cria heróis e personagens que se embebem em todos nós, por vezes sem que nos apercebamos de tal. Mas deixam marcas, moldam sonhos, criam modelos de comportamento que nos acompanham pela vida fora. Mesmo quando pensamos que não ligamos àquela forma de expressão.
http://www.truca.pt/cavaleiro_andante.html
"Cavaleiro Andante", de Leonardo de Sá e António Dias de Deus (1999)
Edições Época de Ouro/Editorial Notícias - Costa da Caparica/Lisboa - 159 páginas, Cor, Cartonada, 232x327 mm
História da revista de banda desenhada «Cavaleiro Andante» e de todos os seus suplementos. Contém um conjunto de bandas desenhadas que foram publicadas na revista. A obra faz várias referências à publicação das histórias de Tintim na revista.
Cavaleiro Andante e a evolução das revistas infantis da Empresa Nacional de Publicidade; / Fernando Bento; / R. G. Giovannini; Gianni De Luca; Corrado Caesar; Warren Tufts; Noël Gloesner; Paul Cuvelier; Frando Caprioli; / Cavaleiro Andante e as publicações anexas; / Rusticana.
DIABRETE
#1 (4 de Janeiro de 1941) a #887 (29 de Dezembro de 1951)
Prop. da Empresa Nacional de Publicidade. Director: A. Urbano de Castro (até ao nº 19 de 17 de Maio de 1941) & Adolfo Simões Muller (deste esta data até ao final). Editor: M. Nunes de Carvalho. 22,5x33,5 cm e 18,5x24,5 cm. 887 números. Enc. em XVII vols.
A revista Diabrete começou a sua publicação a 4 de Janeiro de 1941 tendo deixado de existir em 1951.
É sem dúvida uma das que mais marcaram o universo visual juvenil do Estado Novo e a única publicação rival do Mosquito.
Quick et Flupke com a designação de “Tropelias do Trovão e do Relâmpago” (entre 5 de Janeiro de 1941 e 10 de Outubro de 1943)
“O Ceptro de Ottokar” (estreada no nº 594, de 09/03/1949)
“O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa” (estreada no nº 703, de 25/03/1950)
“As 7 Bolas de Cristal” (iniciada no nº 809, de 31/03/1951, e terminada no nº 887, de 29/12/1951
Entrada no site Bedeteca Portugal
https://bedetecaportugal.weebly.com/diabrete.html
«(...) Tintin fez uma transferência de arromba para o Diabrete (que há muito o cobiçava), onde viveu uma nova era de popularidade e glória.
Sob a direcção de Adolfo Simões Müller, escritor, pedagogo e poeta, que também fora o principal responsável pelo aparecimento de Tintin n’O Papagaio (e pela primeira vez a cores!), o Diabrete publicou três das melhores aventuras do jovem e dinâmico repórter que até tinha, em versão francófona, um jornal com o seu nome: “O Ceptro de Ottokar” (estreada no nº 594, de 09/03/1949), “O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa” (idem, no nº 703, de 25/03/1950) e “As 7 Bolas de Cristal” (iniciada no nº 809, de 31/03/1951, e terminada no nº 887, de 29/12/1951, em que o Diabrete se despediu dos seus leitores).
Todas elas fizeram as delícias dos jovens desse tempo, que as desfrutavam em dose dupla, semanalmente, nas páginas do “grande camaradão”, e de um ou outro adulto que, por curiosidade, folheava também as revistas dos filhos. O famoso herói de Hergé teve ainda o condão de inspirar a Fernando Bento, cuja fantasia gráfica o consagrou como um dos mais talentosos desenhadores do Diabrete, duas capas que merecem figurar na galeria das curiosidades avidamente procuradas por muitos tintinófilos.
Em ambas, respeitantes aos nºs 784, de 3/1/1951, e 807, de 24/3/1951 — a falta de numeração, nas capas, é um dos lapsos mais frequentes do Diabrete —, estão presentes Tintin, Milou (baptizado de Rom-Rom, como n’O Papagaio) e alguns dos seus companheiros, a par de outros heróis da revista, reconhecendo-se, por exemplo, as figuras de Bob e Lambique, protagonistas do clássico de Willy Vandersteen “Le Fantôme Espagnol” (que, no Diabrete, tomou o título de “O Mistério do Quadro Flamengo”).
Os nossos agradecimentos a José Menezes (autor de magníficos estudos sobre O Papagaio e o Diabrete), por nos ter enviado a imagem da capa do nº 593, que serviu de introdução às aventuras de Tim-Tim e Rom-Rom no Diabrete. Reparem que está assinada por Hergé e que difere substancialmente da capa do álbum da Casterman (1939).»
O Gato Alfarrabista, 20/01/2014+ FERNANDO BENTO
Desenhos com a personagem Tintin:
#594 e alguns seguintes; 9 Março 1949; Banda Título; Tintim e Milou.
#784; 3 Janeiro 1951; Capa; Tintim, Milou, Dupond(t), Tournesol e Haddock.
+ MARCELLO DE MORAIS
Marcello de Morais (ou Marcello de Moraes) foi um dos colaboradores da revista Camarada, e também do Diabrete. Arquitecto de formação, concebeu várias histórias para estas revistas, mas foi o detective Vic Este que mais marcou os seus leitores.
https://quadradinhos.blogspot.com
https://www.lambiek.net/artists/d/de-moraes_marcello.htm
Desenhos com a personagem Tintin:
#867; 20 Outubro 1951; Margens da história «7 bolas de cristal»; Tintim, Milou, Dupond(t), Tournesol e Haddock.
#885; 22 Dezembro 1951 - Jogo para crianças; Tintim e Haddock.
+ CAPAS
593 O Ceptro (Hergé?)
Há dúvidas sobre a capa da Diabrete nº 593 onde aparece Tim-Tim com uma pistola: Está assinada por Hergé e difere substancialmente da capa do álbum da Casterman (1939).» (fonte: O gato Alfarrabista)
702 O Tesoiro (Hergé)
784 Parada (FB)
807 Páscoa (FB)
808 7 Bolas (Hergé)
+ AVENTURAS
- "Aventuras de Tim-Tim e Rom-Rom" ("O Ceptro de Ottokar") - #594 de 09/03/1949 ao #701 de 18/03/1950
- "O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa" ("O tesouro de Rackham, o Terrível") - #703 de 25/03/1950 ao #806 de 21/03/1951
- "As 7 Bolas de Cristal" - #809 de 31/03/1951 ao #887 de 29/12/1951 (incompleta)
https://tintinofilo.weebly.com/diabrete.html
https://colecionadordebd.blogspot.com/search/label/revistas%3A%20Diabrete
"O nosso jornal - como pode constatar - é para a elite das famílias portuguesas. O Diabrete não passa de um jornal para as classes menos bem, pois para poder viver vende-se a metade do preço do nosso, não tendo mesmo tentado colocar-se ao nível do Papagaio."
Carta de 25/01/1943 enviada para Hergé por Padre Abel Varzim (O Papagaio)
Tim-Tim apenas apareceu na revista depois de terminar "O Papagaio". Entre 1949 e 1951 apareceu no Diabrete e passou depois para outras revistas da ENP.
O Papagaio (04/1935 - 02/1949)
Diabrete (01/1941 - 12/1951)
Cavaleiro Andante (01/1952 - 08/1962)
Foguetão (05/1961 - 07/1961) Tintin au Tibet
Zorro (10/1962 - 06/1966)
Capa do Diabrete nº 807 (1951) com desenho de Fernando Bento
https://tintinemportugal.blogspot.com/2011/06/pastiches-de-fernando-bento-no-diabrete.html