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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Manuel João Ramos

 

O Major Alverca foi primeiro uma banda desenhada que fiz com o Rui Zink no Independente, e depois um conjunto de crónicas que viemos a publicar na Dom Quixote. Depois, passei a fazer um follow-up, Alverquinha, também no Independente. No total, foram 4 anos de desenhos e textos todas as semanas.

A Dom Quixote esteve para publicar as bandas desenhadas mas desistiram e perderam várias das pranchas, sem me pedir sequer desculpa.

É pena, porque era uma banda desenhada bastante louca. Entre outras coisas, destruímos as Torres Gémeas 8 anos antes da al-Qeida. 

Também fizemos várias coisas na revista Kapa.

O companheiro do Major Alverca, o Ângelo, é. literalmente, o Tintim quando se mascara de sobrinho do Oliveira da Figueira.

E sim, fui eu que fiz o Trumpintin.

MJR

terça-feira, 27 de maio de 2025

Impacto da IA


CONVITE

No dia 28 de Maio de 2025, das 10h às 16h, realiza-se o «Encontro Aberto sobre o impacto da "IA" na vida universitária (e não só)» no Auditório JJ Laginha (1NE03) no Iscte-IUL. O Encontro é gratuito mas é necessário uma inscrição prévia.
 


Programa:
 

10:00 Jorge Louçã (computer science, Iscte) 10:20 Francisco Oneto (anthropology, Iscte) 10:40 Rui Lopes (computer networks, Iscte)
11:00 CoTee-break
11:20 Leonel Moura (artist, AI in art)
11:40 Megan Kaminski (poetry and ecology, Kansas University)
12:00 Yonatan Gez (anthropology, CEI-Iscte)
12:20 Debate: art and academia, are we all in the same boat?
12:30 Lunch
14:00 Manuel João Ramos (anthropology, Iscte)
14:20 Ricardo Ribeiro (AI, Iscte)
14:40 Ana Isabel Afonso (anthropology, FCSH-UNL)
15:00 CoTee-break
15:20 Francisco Laranjinha (Centro de Filosofia das Ciências da UL)
15:40 John Symons (philosophy, Center for Cyber-Social Dynamics, Kansas University)
16:00 Debate: can we do something about it?

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Major Alverca

O Major Alverca nasceu como página de BD no caderno Vida 3 d'O Independente, salvo erro em 1990. Juntos, o Manuel João [Ramos] e eu fomos desenvolvendo a personagem, que começou com BD sobre a Guerra do Golfo para se tornar cronista de corpo inteiro. O nome advém de uma banda desenhada da nossa infância, as aventuras do Major Alvega, perdão, o piloto luso-britânico da RAF Jaime Eduardo de Cook e Alvega, como 'Battler Britton' teve de ser renomeado para amaciar a Censura, que não apreciava cá estrangeirices. Houvesse ainda hoje Censura e nasceriam mais bebés portugueses. 


Em cada crónica, ou conto, ou poema vicentino, ou o raio que o parta, o Major Alverca resolvia um problema do mundo ou contava como tinha resolvido um problema do mundo, ou mesmo do universo. 

Como o Major Alverca era um idiota pomposo, quem na verdade fazia tudo era o seu fiel assistente Ângelo, curiosamente muito parecido com o Tintin disfarçado de sobrinho português do senhor Oliveira da Figueira em 'Carvão no Porão'.  De certeza, só uma feliz coincidência. 

O Major Alverca é um poltrão, um fura-vidas, um trapalhão de todo o tamanho, um odre insuflado, um lunático imbecil, um totó, um desmiolado, um ignaro, um insensato, um Dâmaso Salcede, um telecomentador antes de Deus ter inventado os telecomentadores, um idiota chapado, um asno, um mentecapto. 

Em suma, um Bom Portuguez, com olhos no futuro e cérebro no passado. Garboso no gesto, leal na virtualidade, incapaz de formular um pensamento consequente, mas tudo em nome da instauração do V Império e com isso perdoa-se-lhe tudo.

Além disso escrevia belas crónicas das suas aventuras megalómanas e megalácticas. Uma espécie de Guidinha do Sttau Monteiro, só que com melhor pontuação. 

Fiquei sempre com a ideia de que o Manuel João achava que o Major Alverca era eu e o Ângelo era ele, até porque além de co-autorar os textos ainda tinha de desenhar. 

Aos jovens que perguntam como falar com editoras, digo sempre para enviarem tipo armada, em todas as direcções, até que alguém responda. Feitos primeiros cartoons, enviámo-los como amostra médica para os três semanários que na nossa opinião pudessem ter algum interesse. Do Expresso nem responderam, do Jornal (o antepassado da Visão, que ironicamente repegou o nome de uma grande e ambiciosa revista de banda desenhada dos nossos anos 70 pós-25 de Abril) disseram que achavam «alguma graça» mas só podiam pagar cinco tostões. Do Independente ligaram entusiasmados a dizer que fôssemos lá, disseram que «a-do-ra-ram» e ofereceram uma quantia que ainda hoje não posso dizer, porque era várias vezes superiores à dos outros colaboradores todos. Juntos. 

De fora deste livro de 2003 ficou o álbum, ainda por publicar, da BD de 32 páginas. Uma editora ainda estava disposta a fazê-lo, mas só se abdicássemos dos direitos, até porque (cito de cor, foi há trinta anos) «as chapas do Astérix vêm já feitas de França, basta mudar os diálogos nos balões, e com o Astérix as vendas estão garantidas». 

Continua a ser verdade. Um excelente produto vindo de fora (até Goscinny morrer, os livros do Astérix eram geniais) continua a ser mais barato de produzir e tem logo lucro assegurado. Mas então depois não façam o número do defender a Pátria & a Cultura & Etc.  & Tal, ó meus majores!

Rui Zink, Facebook, 04/05/2024

imagens retiradas do novo site da Bedeteca do Porto


quinta-feira, 2 de março de 2023

Pornex 1984


«A PORNEX 84 abriu as suas portas já com hora e meia de atraso, e um monte de gente impaciente pisou de ímpeto esse espaço virgem e desde agora exposto às mais variadas intrusões.»1 Assim rezam as crónicas (...). Reportado nos jornais e na rádio, o evento durou cinco dias (úteis), de 21 a 25 de Maio de 1984, e aconteceu na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, na Av. Berna em Lisboa. 

PORNEX 84 - Inventário por Hugo Bola

«Nos anos da revolução - teria [Manuel João Ramos] uns 14 ou 15 anos, pois nasceu em 1960 -, enviou ilustrações para uma revista de vida efémera que, se a memória não o atraiçoa, era dirigida por Mário-Henrique Leiria (o autor dos Contos do Gin-Tonic) e se chamava Pé-de-Cabra. Nunca foram publicados, como não seriam também as primeiras pranchas que concebeu com o seu antigo colega de universidade Rui Zink, com quem mantinha cumplicidade desde a organização da "Pornex 84" - uma exposição e happening de alunos no ano do título do livro de George Orwell, 1984.» FM

- Na imagem podemos ver um quadro da autoria de Manuel João Ramos na referida exposição

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Major Alverca

O V IMPÉRIO CONTRA-ATACA

Na década de noventa, Manuel João Ramos colaborou no semanário O Independente, fazendo dupla como desenhador com o argumentista Rui Zink na realização de bandas desenhadas dedicadas ao anti-herói MAJOR ALVERCA (um conto gráfico, de 32 páginas, nunca publicado em livro intitulado "O V Império Contra-Ataca"), criando mais tarde, mas ainda nos anos noventa, a solo, a personagem Alverquinha.

http://divulgandobd.blogspot.com/2017/06/lisboa-na-bd-em-humoristica-ficcao.html

B.Z. (Manuel João Ramos e Rui Zink) continua a publicar no Independente. Durante 34 semanas, entre 22 de Março e 15 de Novembro de 1991 o Major Alverca habita o semanário. Nas semanas seguintes as aventuras seriam substituídas por crónicas ilustradas.

https://bdportuguesa.com/1991/03/22/as-novas-e-extraordinarias-aventuras-do-grande-major-alverca-em-o-imperio-ao-ataque

https://bdportuguesa.com/tag/manuel-joao-ramos/

Há algumas referências ao universo de Tintim e até algumas semelhanças dos personagens Alverca e Angelo.

Os Dupondt aparecem num episódio que conhecemos e onde se indica que um dos volumes anteriores se chamava "Alverca No País dos Sovietes".



MANUEL JOÃO RAMOS

Filho do actor Jacinto Ramos e afilhado do pintor Sá Nogueira, o novo vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel João Ramos, eleito na lista independente de Helena Roseta, é conhecido sobretudo como o rosto da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados. E, no entanto, além da sua carreira de antropólogo, em que investiga a Etiópia do mítico Preste João, tem uma faceta de desenhador com obra publicada.

Nos anos da revolução - teria uns 14 ou 15 anos, pois nasceu em 1960 -, enviou ilustrações para uma revista de vida efémera que, se a memória não o atraiçoa, era dirigida por Mário-Henrique Leiria (o autor dos Contos do Gin-Tonic) e se chamava Pé-de-Cabra. Nunca foram publicados, como não seriam também as primeiras pranchas que concebeu com o seu antigo colega de universidade Rui Zink, com quem mantinha cumplicidade desde a organização da "Pornex 84" - uma exposição e happening de alunos no ano do título do livro de George Orwell, 1984.

É um "descendente do Vasco Granja", ironiza, para melhor explicar que as suas primeiras influências foram as páginas do Tintim. "O meu pai, certa vez, como castigo, reteve-me a revista que saía todas as semanas." Actualmente, já não aprecia a escola franco-belga - para os menos bedéfilos basta dizer que é a que fez Tintim (Hergé) e Astérix (Uderzo), Achille Talon (Greg) e Philémon (Fred), Blake e Mortimer (Jacobs) e Valerian (Mézières). Agora, opta por americanos e ingleses, no género do Frank Miller, fornecendo-lhe Rui Zink as últimas publicações da editora Marvel e Carlos Mendes, que prepara uma tese sobre a serra da Arrábida, outras novidades. "Não consigo gostar é de mangas japonesas."

Na primeira guerra do Golfo, a dupla Manuel João Ramos e Rui Zink começou a criar umas pranchas sarcásticas acerca da guerra e foram bater à porta dos semanários. Quem pagou melhor foi O Independente e ali nasceria o MajorAlverca (sátira ao nome do velho herói das histórias aos quadradinhos Major Alvega e crítica demolidora ao cavaquismo dominante), que acabaria por ser editado em livro.

A partir daí, no Indy (como os leitores designavam o semanário) ou na revista Kapa, também publicou ilustrações e caricaturas. Luiz Pacheco, o escritor "maldito" de O Libertino Passeia por Braga e de Comunidade, acabaria por lhe pedir uma ilustração para o livro Prazo de Validade. Mantinha, entretanto, o hábito de fazer diários gráficos, cadernos de viagem ilustrados. E quando João Paulo Cotrim, que foi director da Bedeteca de Lisboa, viu aqueles registos, percebeu logo que podiam ser dados à estampa, opinião partilhada pelo editor (e também artista plástico) Manuel Rosa. Assim surgiu Histórias Etíopes - Diários de Viagem e está no prelo Traços de Viagem.

Fernando Madail, Diário de Notícias, 21/07/2007

Os autores dos livros de que gostava  (Hergé foi um dos 10 nomes escolhidos por MJR).

http://www.casadaleitura.org/portalbeta/bo/documentos/lmi_mjramos_c.pdf

RUI ZINK

Tem escrito argumentos para vários desenhadores, designadamente Manuel João Ramos, com o qual fez As Extraordinárias Aventuras do Major Alverca (publicadas no semanário O Independente e na revista Kapa, entre 1991 e 1993).

https://divulgandobd.blogspot.com/2016/10/banda-escrita-argumentistaguionista-rui.html

ALVERQUINHA

Alverquinha foi o sucessor do Major Alverca, e este foi, obviamente, como o nome indica, uma paródia ao popular herói de BD Major Alvega.

Fazendo um flashback: o Major Alverca era uma criação da dupla de amigos, ambos amantes de banda desenhada, Manuel João Ramos e Rui Zink, o primeiro a desenhar, o segundo a criar os argumentos, e publicava-se no Independente, um semanário editado em Lisboa.

Por qualquer motivo que não interessa esmiuçar, o Major Alverca deixou de se publicar e, em sua substituição apareceu Alverquinha: Crónicas da Juventude, da autoria completa (argumento e desenho) de Manuel João Ramos.

https://divulgandobd.blogspot.com/2016/05/alverquinha-anti-heroi.html