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quarta-feira, 5 de março de 2025

Nuno Roby Amorim


Do Nuno. Foi nas eleições da Madeira de 1996 que o reconheci - não conhecemos pessoas novas quando elas são como nós: reconhecemo-nos nelas. Para além de ser capaz de perceber todos os temas em discussão, havia História nas suas histórias e alegria nas estórias. Havia o sorriso inteligente e matreiro, a vontade de ver acontecer e fazer por isso. Ele estava em vantagem - ou desvantagem, se quiserem ver por outro prisma (o que é sempre possível) - pois tinha a obrigação acrescida de honrar o nome do pai - e por causa dele, do filho Nuno, gostei de conhecer o pai. E a avó. A família. E todas as coisas inúteis que nos ensinou. 

Depois, depois havia outra coisa que nos uniu ainda mais: o nosso gosto pelo Tintin. Sobretudo Hergé, o seu autor.

Em casa do Nuno estava emoldurada a carta que Hergé lhe enviou em 1971: “Será que as crianças portugueses são normalmente precoces como tu?”, perguntava o genial criador do repórter de Bruxelas. A mesma Bruxelas onde, em frente do Palácio Real - Real, real por el-Rey de Portugal! - o Nuno, o repórter Tintin, posou. Só lhe faltava o ceptro de Ottokar. 

Espero que essa carta fique em boas mãos. O Nuno já deve estar, entretanto, com a família e deve estar a contar tudo ao Hergé para que ele faça uma aventura de Tintin ambientada em Portugal.

Boas aventuras, Nuno!

Frederico Duarte Carvalho, facebook, 27/01/2025

Nota: já tínhamos visto no facebook do jornalista Nuno Roby (1962-2025) a história do momento em que decidiu escrever uma carta a Hergé e obteve uma resposta. Acontece que a página do facebook foi apagada mas felizmente que o seu gosto por Tintin foi relembrado por FDC. 


segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Luiz Beira



A última entrevista feita a Hergé por um português foi realizada por Luiz Beira em 15 de Dezembro de 1982. Foi publicada mas tarde na revista «O Mosquito» (V Série - nº 6) de Março de 1985.

Luiz Beira entrevistou também  o criador de Tintin em Outubro de 1966 nos Estúdios Hergé em Bruxelas, cujo trabalho foi publicado na «Plateia» nº 360 de 13 de Dezembro de 1966.

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Luiz Beira, pseudónimo artístico de Armando Corrêa, é o nome pelo qual o próprio prefere ser conhecido. Actor, escritor, jornalista e crítico de BD, amante incondicional de Viseu e das suas gentes, decidiu generosamente doar, numa primeira fase, uma pequena parte da sua bedeteca particular.

Em 1991, em sessão pública, Luiz Beira entregou simbolicamente o primeiro álbum - Le Monde de Hergé - ao GICAV, desde logo um incansável intermediário, representativo dos mais de seiscentos volumes que iniciavam um primeiro acto de doacção. Era o início feliz daquela que viria a tornar-se numa das mais ricas bedetecas do país. A 31 de Maio de 2002, no acto de inauguração oficial da Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, e numa justíssima prova de gratidão e reconhecimento por parte da Autarquia Viseense, a Bedeteca, parte integrante da Biblioteca Municipal, era dada a conhecer ao público com a designação BDteca Luiz Beira.

Desde então, o acervo documental da BDteca Luiz Beira tem vindo a crescer exponencialmente, tendo já ultrapassado mais de 5000 documentos. Integrada no espaço da sala de leitura de adultos, ela constitui, por si só, um núcleo de documentação autónomo muito significativo, colocando à disposição dos utilizadores/leitores e estudiosos desta arte, um manancial riquíssimo de literatura alternativa que, estamos certos, não defraudará as expectativas do público mais exigente.

Devemos salientar que a BDteca dispõe ainda de cerca de 400 álbuns que pela sua raridade e valor - desde exemplares únicos, obras com dedicatórias personalizadas pelos maiores autores de BD a nível mundial, primeiras edições, obras inexistentes no mercado livreiro não se encontram em livre acesso ao público. Exemplo disso é o volume que reproduz as pranchas originais de François Craenhals para o álbum Le Piège, da série Chevalier Ardent.

Os desafios são muitos, as exigências maiores ainda! Desde logo, as tarefas de tratamento técnico - a catalogação, classificação e indexação - que se impõem, para que seja permitida uma rápida e eficaz recuperação e difusão da informação para benefício dos utilizadores.

Outro aspecto diz respeito à dinamização da BDteca através da realização de actividades diversas como encontros com autores, debates, exposições temáticas, etc. para o qual estamos sensíveis, não só porque pretendemos ser dignos deste enorme gesto benemérito, mas também porque temos noção da riqueza do espólio que deve ser divulgado.

Um dia, assim esperamos, concretizaremos o sonho do Luiz Beira: a sua BDteca dará lugar a um Museu-BDteca já que estão a caminho de Viseu objectos vários, como fotografias, registos BD, quadros, pranchas, etc, que fazem parte da vida de um homem que desde cedo se dedicou ao mundo da BD.

CM Viseu

BDteca Luiz Beira

A BDteca Luiz Beira está integrada na Sala de Adultos e constitui por si só um núcleo de documentação de reconhecido valor. A BDteca coloca à disposição de todos os utilizadores e estudiosos desta arte um manancial riquíssimo de literatura alternativa, designadamente álbuns de BD, revistas, fanzines, recortes de jornais, etc.

Pela sua raridade, singularidade ou pelas dedicatórias exclusivas a Luiz Beira, alguns exemplares encontram-se nos reservados com acesso limitado. Bedeteca é, por definição, uma biblioteca de Banda desenhada (BD) que pode - e deve integrar diversos tipos de suportes, designadamente revistas, jornais, fanzines e material não livro, como CD, cartazes, postais, pranchas, etc.


(recorte Cincinato)

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Guilherme Lucas

Eu comecei a colecionar os álbuns do Tintin, bem como a revista semanal com o mesmo nome, tinha exatamente 10 anos, em 1974...

O MEU 25 DE ABRIL DE 1974

Não tive noção do que esse acontecimento histórico ia significar para todos os portugueses nesse momento, pois não tinha até então o mínimo de consciência de que vivíamos num regime repressivo, de cariz fascista. A minha família era muito conservadora e sempre fez por esconder da educação e da vivência com os seus filhos qualquer questão política que desse azo a ter essa perceção da situação política nacional. Percebi mais tarde, que houve momentos e assuntos, que eram imediatamente interrompidos pelos meus pais, tia e avós, quando terceiros começavam a falar sobre o Américo Tomás ou sobre Marcelo Caetano. Eu vivia numa bolha onde falar de política era um não assunto. A única coisa que fazia sentido para mim nesse período era comprar semanalmente a revista Tintin e convencer o meu pai para me oferecer mais um álbum do Tintin para ir completando a sua coleção. 

Quando a minha mãe foi-me buscar à escola, foi uma surpresa agradável, porque foi ótimo saber que não ia ter mais aula nesse dia, apesar da preocupação que ela demonstrava, dizendo-me que tinha havido um golpe de Estado e que havia soldados na rua, podendo haver uma “guerra” – nesse momento, enquanto caminhávamos os dois, algo apressados, para casa, procurava ver alguns, mas nada, não vi nenhum, era uma manhã perfeitamente normal até esse momento.

Chegados a casa, passei o dia a reler as revistas do Tintin e a acompanhar na RTP1 o noticiário do que ia acontecendo. Fiquei chateado porque não foram para o ar os habituais desenhos animados diários que nunca perdia de os ver, sendo estes substituídos pelas imagens do que estava a acontecer nas ruas em todo o país. 

Não estava nada preocupado, tinha os Tintins comigo, por isso o resto do mundo podia ir dar uma volta, que era-me igual.



CARTA 1977

Alguém aqui da geração X que na sua adolescência escreveu uma carta ao Hergé? Fiz isso em 1977, e fiquei surpreso por ele me ter respondido. Guardo religiosamente essa carta, pois o Tintin era em termos de BD tudo para mim... ainda é, mas de outra forma. (FB, 2023)

(...) e durante esse tempo, pelo menos até 1977 (ano em que escrevi ao Hergé), não consegui encontrar o "Perdidos no Mar" [Coke En Stock] em capa dura.



                                                                       Psycho Tintin

Desenho de Neno Costa feito ainda nos anos 80. Partilhado no facebook pelo amigo Guilherme Lucas.

CURIOSIDADE

Os Rackham apresentaram-se, na noite de 05/10/2019, no Woodstock 69. Este quarteto instrumental de Monção, cujo nome foi inspirado na personagem de um pirata relacionado a dois álbuns de banda desenhada do meu herói de sempre, o Tintin, (O Segredo do Licorne e o Tesouro de Rackham, o Terrível), ofereceu ao público presente os temas do seu mais recente EP, de nome Tchim Plim! As espadas soam assim, editado em Fevereiro último, bem como um punhado de outros temas que seguramente farão parte do seu próximo registo discográfico.

Os Rackham são um grupo de rock de fusão, para os classificar de forma muito objetiva, formados em 2017. Os seus temas evidenciam uma composição que deriva do rock progressivo e que denota muito bom gosto e competência. (...)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Onofre Varela

EM 1973 ESCREVI A HERGÉ... E ELE RESPONDEU-ME!

[A propósito do que acabei de publicar sobre a revista Tintin, lembrei-me de partilhar convosco esta memória.]

Em Junho de 1973 viajei a Paris e Bruxelas na tentativa de por lá me radicar a fazer Banda Desenhada (BD). Eu tinha 29 anos e a cabeça cheia de sonhos.

Em Paris ofereci-me ao jornal "Ici Paris" (sem sucesso), procurei editores e falei com o argumentista Claude Moliterni, que me deu muitas esperanças... mas também sem sucesso. 

Em Bruxelas visitei as redacções das publicações mais importantes de BD (Tintin, Spirou e Pilote). Falei com os chefes de redacção de todas elas, que viram os meus desenhos... mas também não consegui o sucesso que esperava.

No regresso escrevi a Hergé que, entretanto, soubera estar a dirigir as filmagens das suas histórias em Desenho Animado. Pedi-lhe trabalho para fazer sequências de animação.

(Muito mais tarde esses desenhos animados foram editados em Portugal, em CD, pelo jornal Público, e comprei toda a colecção).

Não consegui o trabalho que ambicionava... mas Hergé escreveu-me!... Guardo a sua carta como troféu, e que muito me honrou.

Onofre varela, Facebook, 26/12/2023


Em 1973 fui a Bruxelas procurar trabalho no campo da BD. Falei com os chefes de redacção das três revistas principais: Pilote, Spirou e Tintin. Soube que o Hergé estava nos estúdios da Belvision a dirigir os trabalhos das Aventuras de Tintin em desenho animado. No regresso fiz um personagem das suas histórias a caminhar, em três acetatos, e enviei-lhe para ele saber que era capaz de fazer sequências para Desenho Animado. E ele respondeu-me! Guardo religiosamente essa sua carta onde me diz que não tem possibilidade de me dar trabalho mas que ia enviar o meu pedido para a revista Tintin... não tive sortinha nenhuma!... 

Onofre Varela

também no número 12 de "Varellápis"

sábado, 19 de março de 2022

Carta de 1958


A própria capa de "Hergé em Portugal" exibe um desenho que representa Oliveira da Figueira a cumprimentar Tintin e Milu, e que terá sido desenhado por Hergé numa carta de resposta a dois admiradores portugueses que o tinham tentado visitar em Bruxelas em 1958. 

Os então jovens Francisco Hipólito Raposo e Pedro Emauz Silva deixaram um cartão de visita em nome, justamente, de Oliveira da Figueira – humor que Hergé terá apreciado. A «fraterna» carta de Hergé encontra-se reproduzida na brochura e todo este desenlace é destacado por Maria Helena Borges (diretora-adjunta do Programa Gulbenkian Cultura e coordenadora da versão portuguesa de «Hergé») numa reportagem televisiva para a TVI («Tintin faz 93 anos» [vídeo], 10 out. 2022, Arquivos Gulbenkian, ID: 384501).

https://gulbenkian.pt/historia-das-exposicoes/exhibitions/1494/

https://www.facebook.com/watch/?ref=saved&v=581869526379564

Este desenho foi motivado por uma visita de Francisco Hipólito Raposo (Quito) e Pedro Emauz Silva aos Estúdios Hergé, em 1958. Na ausência do autor, deixaram um cartão de visita impresso, em que se lia: “SENHOR/ OLIVEIRA DA FIGUEIRA / (ANTIQUAIRE, BIJOUTIER ET BRIC-À-BRAC) / LISBOA / AFRIQUE DU NORD”. 

Mais tarde, Hergé enviará uma reconhecida carta de agradecimento e este desenho com a dedicatória aos seus amigos fiéis em Portugal – tal como “Tintin a pour fidèle dans le monde, le Senhor Oliveira da Figueira”… 

https://ionline.sapo.pt/2022/01/17/tintin-em-portugal

HIPÓLISE? (EM 2009!)

Quito Hipólito, gráfico, cartunista e autor de livros de viagem, já falecido, aquando do aparecimento do personagem Oliveira da Figueira nos álbuns do Tintin, deu-se ao trabalho de mandar imprimir papel de carta e cartões de visita com esse nome, e escreveu ao Hergé a dizer que a criação daquela personagem lhe tinha causado (a ele "Oliveira da Figueira") prejuízos incalculáveis.

Na volta do correio, Hergé apoquentadíssimo, pediu-lhe imensas desculpas pela "coincidência" infeliz e enviou-lhe vários desenhos originais para colmatar o prejuízo.

Claro, que o Quito, depois disso, desfez a partida e acabaram amigos...

Quito era, aliás, um amante de partidas elaboradas.

Foi ele, juntamente com o Manecas Mocelek, o cozinheiro Michel e outros, que inventou a célebre rábula dos Sheiks no Tavares e da compra ou venda(?) de petróleo...

Galo (João Viegas), blog, 27/09/2009

(Claro que a personagem Oliveira da Figueira apareceu na década de 1930)


sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Hergé Em Portugal


 https://tintinemportugal.blogspot.com/2021/10/catalogo-da-exposicao-herge-em-portugal.html

A capa apresenta um desenho de Hergé oferecido, em 1958, a Francisco Hipólito Raposo e Pedro Emauz Silva.

A coordenação da obra foi de António Cabral. A primeira edição (setembro de 2021) foi de 1100 exemplares e a segunda (Outubro 2022?) foi de 2000 exemplares.

Textos de Amadeu Lopes Sabino, António Araújo, António Cabral, António Monteiro, João Paulo Paiva Boléo, José Azevedo e Menezes e José Vitor Silva.

A separata "Hergé em Portugal" está a ser oferecida gratuitamente com a venda da versão portuguesa do Catálogo da exposição que tem um PVP de 15€.

A compra pode ser efectuada nas lojas da Fundação Calouste Gulbenkian (Av. de Berna, 45).

A montra online encontra-se encerrada para remodelação mas poderá adquirir-se o livro por correspondência. Deve ser feito um pré pagamento e é necessário facultar os seguintes elementos: nome, morada e n.º de contribuinte.

O livro fica em 15,00 € mais 1,00 € de portes num total de 16,00 €. Como é uma edição limitada convém confirmar se a separata ainda se encontra disponível.

Nota: as vendas são realizadas apenas para Território Nacional

vendas@gulbenkian.pt

Por curiosidade no site tintim.pt as obras estão à venda com os seguintes preços: catálogo (19.99€) e separata (9.99€)