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quarta-feira, 20 de agosto de 2025

100 anos de BD



A revista Quadrado nº 3 da 2ª série foi lançada em Outubro de 1996. Nessa edição dedicada aos "100 anos de BD" aparecem dois desenhos interessantes com várias personagens incluindo Tintin. Os autores dos dois desenhos são Bruno e Tozé Lopes.

Agradecemos a Pedro Cleto pelo envio da cópia dos desenhos.

O que nos interessa mais são os desenhos e as ligações a Tintin mas aproveitamos no entanto para partilhar informação que encontrámos ao procurar pela origem da efeméride.

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"100 anos de BD: Yes ou Non" - Inquérito realizado pela extinta Associação do Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto-ASIBDP, em 1996, cem anos após o aparecimento do "balão da BD"

Perguntas:

1ª - Concorda com a data escolhida para comemorar os 100 anos do nascimento da BD, coincidente com a publicação de The Yellow Kid, de Richard F. Outcault? Porquê?

2ª - Acha importante as comemorações dos 100 anos da Banda Desenhada? Porquê?

3ª - Destaque os três momentos que considera mais importantes na História da Banda Desenhada.

A resposta seguinte de Geraldes Lino foi uma das várias publicadas no fanzine QUADRADO (nº 3 - Out. 96) pela ASIBDP.´:

1ª - Não concordo.

Reconheço que o Yellow Kid constituiu valiosa contribuição para a divulgação da banda desenhada, visto que a sua publicação nos jornais americanos permitiu atingir camadas vastas e etariamente heterogéneas de leitores. Mas considero ter sido uma decisão artificial e forçada a escolha dessa obra e, por inerência, a respectiva data, para marcar o nascimento da BD.

Porque o processo para se chegar a tal decisão é pouco conhecido, apesar de histórico no âmbito da banda desenhada, julgo imprescindível saber-se quem a tomou, onde, e quando.

Em 1989 reuniu-se em Lucca, Itália, um grupo de especialistas na matéria, expressamente convidados para o efeito. Foram eles:

Álvaro de Moya (Brasil), Claude Moliterni (França), Claude Bertieri (Itália), David Pascal (Estados Unidos da América), Denis Gifford (Inglaterra), Javier Coma (Espanha), Luís Gasca (Espanha), Maurice Horn (E.U.A.), Richard Marschall (E.U.A.), Rinaldo Traini (Itália) e Vasco Granja (Portugal).

Por informação pessoal de Vasco Granja (que inicialmente defendeu os Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa) e de Claude Moliterni, na votação final apenas Denis Gifford votou contra o Yellow Kid, defendendo inabalavelmente Ally Slopper, personagem pioneira da BD inglesa.

Ficou portanto decidido, por maioria, que The Yellow Kid passaria a ser a origem histórica da banda desenhada, por ter sido a primeira obra a integrar balões, cumprindo dessa forma todos os requisitos por ele exigidos.

Assim passou a constar, ad eternum, que a BD apenas existe desde 1896, data em que as falas daquela personagem começaram a ser sistematicamente inseridas em filacteras, popularmente designadas por balões.

É muito controverso um purismo deste tipo. Tanto mais que, em dezenas de definições de banda desenhada, elaboradas por estudiosos tão credenciados quanto os de Lucca, não existe nenhuma que indique obrigatoriedade do balão.

Obrigatória tem sido a exigência de existir sequência nas imagens, e serem publicadas (ou susceptíveis de o ser).

A considerar-se o balão como elemento absolutamente indispensável, muitas obras de qualidade deixariam de poder considerar-se bandas desenhadas. Como, por exemplo, o Príncipe Valente. Além disso, seria tão absurdo como se, no que concerne ao Cinema, nos quisessem impor o conceito de que a sua origem seria datada a partir do primeiro filme sonoro.

2ª- Não. Porque não considero que a banda desenhada tenha passado a existir apenas em 1896.

3ª -

Primeiro:

O ano de 1827, quando o professor, escritor e pintor suiço Rodolphe Töpffer realizou, para os seus alunos, a sua primeira histoire en estampes, intitulada Histoire de M. Vieux Bois. Trata-se, indubitavelmente, da primeira banda desenhada. (Ainda não fora impressa nesse ano, mas era susceptível de o ser, e foi-o, em álbum, em 1837, sob o título Les Amours de M. Vieux Bois.

Segundo:

O ano de 1833, quando, pela primeira vez, foi publicada uma banda desenhada. Intitulou-se Histoire de M. Jabot, era também da autoria de Töpffer, e foi editada sob a forma de álbum.

Terceiro:

O aparecimento do balão na boca do Yellow Kid, em 25 de Outubro de 1896.

Foi isso no episódio The Yellow Kid and his new phonograph. E, por coincidência, é aí que pela primeira vez nesta obra, aparecem imagens em sequência, como é obrigatório na linguagem visual da banda desenhada.

Geraldes Lino, Divulgandobd, 19/11/2006

A resposta apareceu bastante truncada nessa edição do "Quadrado" e o texto foi reproduzido na íntegra no fanzine Tertúlia BDzine, nº 8, Janeiro de 1997.

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Artigo de João Ramalho Santos (JL) sobre as polémicas com a referida efeméride.

sábado, 3 de junho de 2023

Quadrado - Dossier 70 anos de Tintin

Para assinalar então os 70 anos de Tintin (com algum atraso) a revista Quadrado dedicou-lhe um extenso dossier com os artigos "Tintin, 70 anos, uma cronologia comentada", "A aventura de Hergé", "Tintin no país de Hergé", "Tim-Tim em Angola", "Hergé e a Pintura" e "Hergé, devedor de Saint-Ogan"; e pastiches dos portugueses José Carlos Fernandes, Pedro Morais, Isabel Carvalho, Cristina Sampaio, Paulo Patrício e Jorge Colombo.

Pedro Cleto, JN

Revista Quadrado nº1 (III série), Janeiro 2000

Editor João Paulo Cotrim / Edição Bedeteca de Lisboa e Associação Salão de BD do Porto

Nas primeiras páginas aparece um desenho de Pedro Morais (Tam Tam & SIBD Porto). A edição inclui um dossier de 56 páginas dedicado aos 70 anos de Tintin.


Ilustrações de Pedro Morais, Isabel Carvalho, Cristina Sampaio, Paulo Patrício e Jorge Colombo.


«Os cravos de Abril», capa recreando «Os charutos do faraó» - Cristina Sampaio






BD de José Carlos Fernandes ...

«Regresso ao país dos sovietes», história de 3 pranchas - José Carlos Fernandes

DOSSIER TINTIN - Textos:



"70 anos: uma cronologia comentada", por João Paulo Paiva Boléo (73-85)

"A aventura de Hergé", por Paulo Patrício (86-88)

"Tintin no Pais de Hergé" - João Paulo Cotrim (ilust: Max) (89-91)

"Tim-Tim em Angola", por Rita P. Ramos (92-100)

"Hergé e a pintura" - entrevista a Jean-Pierre Raynaud e Pierre Sterckx, por Bruno Canard e Frank Aveline (101-110)

"Hergé devedor de Saint-Ogan", por Thierry Goensteen (111-122)

Quadrado nº1- vol III, Janeiro 2000, Bedeteca de Lisboa/ASBDP, pp. 73-12




Editor João Paulo Cotrim
Edição Bedeteca de Lisboa e Associação Salão de BD do Porto

Tintim no país de Hergé - João Paulo Cotrim

Tintim é um dos símbolos do bem, mas o seu pai, Hergé, não tinha apenas talento e bonomia. Georges Remi foi um homem atormentado pelo mal. Ainda bem, porque dessa complexidade agora revelada por duas importantes biografias nasceu uma obra extraordinária. Dois meses antes de morrer, em 1983, aos 76 anos, Georges Prosper Remi Remi, um dos mais famosos autores de bd de sempre, confessava finalmente: "em Tintim pus toda a minha vida". (...)

O Independente, 28 de Agosto de 1998 Copyright: © 1998 O Independente; João Paulo Cotrim

(texto disponibilizado também neste blog, verificar etiquetas João Paulo Cotrim)

Quadrado #1 (vol.3)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Tamtam 1999

 


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· O olho negro

· L'œil noir

· The black eye land



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