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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lego



Está a ser lançado o modelo da Lego que resultou da proposta do português Alexis dos Santos que foi selecionado pela comunidade e, de seguida, desenvolvido pelo Grupo LEGO.

“Há algum tempo, queria fazer um modelo baseado no Tintin. Comecei isto para ajudar uma colega de trabalho que queria encontrar instruções para um foguetão do Tintin e não encontrava nada que lhe agradasse.”

“A primeira fase foi obter todas as referências visuais que consegui encontrar na banda desenhada”, diz Alexis. “Depois, desenhei tudo no Stud.io ou no LDD. Quando fiquei satisfeito com as proporções e o aspeto do modelo, fiz uma primeira montagem sem as cores certas, apenas para verificar se as ligações eram possíveis.” Alexis publicou finalmente a sua criação no LEGO Ideas. Depois de ter chegado a 10.000 apoiantes e de ter sido aprovado pelo Conselho de Revisão da LEGO Ideas para produção como um conjunto oficial da LEGO, os designers da LEGO entraram oficialmente em cena como parte do processo de cocriação para garantir que a ideia original do produto fosse alterada para se adequar aos diversos padrões da LEGO.

https://beta.ideas.lego.com/blog/cadefcb5-88b3-40a7-8098-a50e39d06366


O 21367 LEGO® Ideas Tintin® Moon Rocket contém 1283 peças e terá um PVP de €159.99, medindo cerca de 49 centímetros de altura e 23 de base.

Não traz a torre de lançamentos como na ideia original, mas traz todas as figuras mais icónicas da franquia, em fato de astronauta: Tintin, Capitão Haddock, Professor Girassol, Dupond e Dupont), e claro, Milu!

https://playwellportugal.blogspot.com/2026/03/e-ai-esta-tintin-apresentado.html

LEGO acaba de anunciar grande set de Tintin (feito por um português) - Magazine HD 15/03/2026

LEGO lança set do Foguetão Lunar de Tintin criado por designer português Echo Boomer 13/03/2026

https://www.magazine-hd.com/apps/wp/lego-ideas-foguetao-tintin-critica-analise-review-set-genial-feito-portugues/

Para homenagear Alexis, os designers da LEGO incluíram um easter egg no conjunto que é uma referência à constelação de nascimento do fã designer que está no mapa encontrado na sala de controlo

No dia 1 de Abril de 2026 vai haver uma apresentação demonstrativa da montagem do modelo na Loja Tintin de Bruxelas.

(...) podem agora "completar" o set com as duas torres que faziam parte do projecto original de Alexis Santos, e também da história emblemática.

O autor disponibilizou as instruções para os dois módulos, sendo que cada um tem "apenas" 678 peças. As mesmas podem ser adquiridas no Rebrickable, mas espreitem a restante galeria de Alexis já que existem muitas outras excelentes construções.

https://playwellportugal.blogspot.com/2026/03/tintin-rocket-launch-tower-por-tkel86.html

Descrição

LEGO® Ideas – Foguete do Tintin (21367)

Revive uma das aventuras mais icónicas de Tintin com este espetacular foguetão LEGO® Ideas, diretamente inspirado nos álbuns Rumo à Lua e Explorando a Lua.

Com o seu icónico padrão axadrezado vermelho e branco, este modelo de 49 cm de altura recria fielmente o lendário foguetão imaginado por Hergé. Concebido como um verdadeiro item de colecção, encontrará certamente o seu lugar na montra de qualquer entusiasta.

O conjunto inclui 6 personagens icónicas — Tintin, Capitão Haddock, Professor Girassol, Dupont e Dupont e Milu — todos equipados para a exploração lunar.

Um painel amovível revela uma sala de controlo detalhada, permitindo recriar a lendária cena em que os heróis contemplam a Terra a partir do espaço.

Desenvolvido através do programa LEGO® Ideas, este modelo é o resultado da criatividade de um fã, selecionado pela comunidade e, de seguida, desenvolvido pelo Grupo LEGO.

Uma homenagem fiel e elegante ao mundo de Tintin, para construir e expor. Informações do produto:

Referência: 21367

Número de peças: 1.283

Dimensões: 49 cm (A) x 20 cm (L) x 23 cm (P)

Idade recomendada: 18+

!!! Disponível exclusivamente na Loja Tintin na Grand Place em Bruxelas, na Livraria do Museu Hergé em Louvain-la-Neuve e online em boutique.tintin.com.

Ref.: 59031

Especificações

Largura: 20 cm

Comprimento: 23 cm

Altura: 49 cm

Ano de produção: 2026

País de fabrico: Dinamarca

Idade mínima: 18 anos

Material: Plástico

Personagens: Tintin, Capitão Haddock, Milu, Dupond e Dupond, Professor Girassol

Dimensões da embalagem: 19 cm x 59 cm x 39 cm

LEGO® Ideas Foguete Lunar do Tintin®

159,99 €

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Foguetão


Num foguetão igual a este fui à lua, derivei para marte e ainda trouxe o Tintin, Capitão Haddock e Milou de volta à Terra.

Avenida EUA, Bairro de Alvalade | arquivo CM Lisboa

Aquilino Machado, 10/01/2019

Tintin

Lembro-me muito bem deste foguetão também fui muitas vezes à lua nele! Morava mesmo em frente... (Maria Paula Cayatte Azevedo)

Também "Viajei muito" neste foguetão que via todos os dias da janela do meu quarto e que dava para as traseiras da minha praceta. Muitos anos mais tarde, a minha filha ainda brincou nele! Hoje, infelizmente, já não existe; assim como os baloiços de ferro e os jogos "da macaca" em pedra. (Isabel Nunes Borges)

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Lego

já tinha sido comentado por aqui mas agora foi aprovada a construção de um set da lego com o foguetão das aventuras de Tintin.

FOGUETÃO

Projeto português torna-se produto oficial da LEGO

A construção de um português vai tornar-se, oficialmente, um produto LEGO. O foguetão do Tintim, criado por Alexis Dos Santos, de 39 anos, foi esta terça-feira confirmado como um dos próximos conjuntos a integrar o catálogo oficial da marca dinamarquesa.

O projeto foi submetido por Alexis em agosto de 2022 na plataforma LEGO Ideas, um espaço oficial onde fãs de todo o mundo podem partilhar as suas criações, reunir apoios e, eventualmente, ver os seus modelos transformados em produtos comerciais. O foguetão do repórter mais famoso da BD franco-belga reuniu 10.000 apoiantes em junho de 2023, passando à fase de revisão interna. Em março deste ano, avançou para o chamado Parking Lot, uma segunda fase de avaliação, e agora chega a consagração final.

Apesar de ainda não haver data de lançamento, design final ou preço definidos, o projeto já tem lugar assegurado na coleção oficial da LEGO. Como recompensa, Alexis terá direito a 1% das vendas líquidas do conjunto, conforme estipulado pelas regras da plataforma.

Alexis Dos Santos é webdesigner e programador informático. Em declarações à SIC, em abril, o criador admitia que o foguetão do Tintim não era a sua construção favorita, mas sim a que mais se assemelhava, tecnicamente, a um conjunto oficial da LEGO.

O interesse pelos blocos começou na infância, mas foi interrompido durante a adolescência. “Não construía nem comprava conjuntos. Só depois de visitar, já em adulto, uma exposição da Comunidade 0937 é que voltei a sentir o bichinho. Percebi que o hobby também se estendia aos adultos, que criavam coisas magníficas. A partir daí, também eu quis fazer parte desta aventura”, contou à SIC.

terça-feira, 4 de junho de 2024

Amadora 1993 - O Mundo de Tintim

IV FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA

Realizado de 23 de Outubro a 7 de Novembro 1993

Verdadeiramente, 1993 é o ano em que o Festival estabiliza a sua muito alta fasquia.

Definitivamente lançado em termos de relevância nacional (atraindo, definitivamente, a atenção da comunicação social), e projecção internacional, o evento, que se realizou entre os dias 23 de Outubro e 7 de Novembro, deixa-se de amadorismos, experimentalismos e boas vontades. 

O convite para que a Amadora estivesse presente nas comemorações do vigésimo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, em Janeiro de 1993, confirmou o prestígio alcançado, reforçado com a inclusão do Festival, a partir desse ano, no Calendário Internacional de Festivais de Banda Desenhada, editado pelo Museu de BD daquela cidade francesa. Mas, se alguma dúvida subsistia junto do público português, ela foi rapidamente dissipada com a apresentação de um programa que incluia a presença na Amadora de nomes tão significativos como os de Jean Giraud ou Mordillo.

Um número de cerca de vinte e seis mil visitantes constituiu um novo recorde de presenças.

A abordagem “profissional” reflectiu-se aos níveis do interesse e dedicação revelados, sobretudo, na área de exposições. O espaço da Fábrica da Cultura também se apresentou mais bem aproveitado. (...)

-


Produzida com a Fundação Hergé, a ambiciosa mostra “O Mundo de Tintin” ocupava um espaço dividido em quatro unidades temáticas, onde se destacava o foguetão espacial que levou o jornalista à Lua.

https://arquivo.pt/wayback/20100528231732/http://www.amadorabd.com/retroespectiva_1993.php

De 23 de Outubro a 7 de Novembro, a Banda Desenhada marca presença na Amadora, no IV Festival Internacional de Banda Desenhada/Amadora Cartoon' 93, a realizar na Fábrica da Cultura.

A organização da iniciativa está a cargo da  Autarquia e conta com a colaboração dos Salões de BD de Angoulême, Colomiers e  de Barcelona, da Fondation du Present  (Geneve), Fondation Hergé, das editoras  Verbo, Meribérica, Asa, Gradiva e o Festival BD de Kemi, entre outros. 

À semelhança do ano anterior, o festival é composto por três áreas: a de exposições, a de animação e a comercial. 

Este ano estarão patentes 21 exposições (individuais e colectivas), das quais 11 são de autores estrangeiros, 9 de autores nacionais, e uma exposição colectiva, criada  por autores Portugueses e Cordoveses, no âmbito do Acordo de Amizade e Cooperação existente entre a cidade da Amadora e aquela cidade espanhola. 

A componente internacional foi reforçada. Assim, contamos com as exposições e a presença de diversos criadores de banda desenhada internacional consagrados no mundo da 9." arte. 

Das exposições individuais os destaques vão para: Augusto Trigo (Prémio Zé Pacóvio e Grilinho' 92 - Melhor Álbum  Português); António Jorge Gonçalves, com "Na Pista de Filipe Seems"; Rui Lacas (premiado no Festival BD' 91 e Eliseu Gouveia (premiado no Festival BD' 92); Abraão (angolano); Bill Watterson (americano - autor de Calvin & Hobbes, bd publicada na imprensa diária portuguesa); Arthur Garcia (brasileiro); Ibánez, com a exposição "Salomão e Mortadela" e Mordillo (espanhóis); Shultheiss (alemão); Moebius (francês); Hergé (belga) com a exposição "O Mundo de Tintim". 

Das exposições colectivas são de referir: "Sentimentos" (Portugal/Córdova); " (...)

E igualmente de destacar a realização mostra colectiva Arte Postal "Hergé", em homenagem ao autor de Tintim. Haverá ainda espaço para o Cartoon (...)

https://aptca.pt/wp-content/uploads/aerius/AERIUS_N30_OUTUBRO-DEZEMBRO_1993.pdf

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A exposição «O Mundo de Tintim» realizou-se também em Viseu, na Feira de S. Mateus, entre 26 de Agosto e 19 de Setembro de 1993.


sábado, 2 de dezembro de 2023

Flippers Tintim na Lua - Chocolates Regina

(imagem do jogo ainda dentro da caixa)


Os chocolates Regina comercializaram no final dos anos 70 do século XX um pequeno jogo de flippers com o nome "Tintim na Lua". 


A Dinamização também produziu outros produtos semelhantes como um jogo de flippers do "Ursinho Misha" que aparece no livro "Lembras-te Disto?".


A empresa Dinamização foi fundada em 09/11/1976 por J. Sousa Guimarães. Tinha a sua sede na Rua A, à Rua de D. João de Castro, lote 3, frente, freguesia de Lisboa. O seu objecto social era o comércio e fomento de brinquedos, sua dinamização como instrumento pedagógico e até como elemento auxiliar na recuperação de diminuídos físicos. Os sócios eram Maria Manuela da Cruz Florindo Guimarães, Carlos Alberto Florindo Guimarães e Alberto Henrique Martins dos Santos. Este último já tinha saído em janeiro de 1979.

Um dos produtos de maior sucesso da Dinamização foi a marca de construções Pino, produzido nos Açores, semelhante à Lego mas de dimensões diferentes.

Lançaram vários jogos como Clap Poc, Kwala, Space Mind, Zulu, Contacto, Psico, Bu-Bu, Nai Kei, Zig Zag ou Jogo do O.

A esposa e o filho de Jorge de Sousa Guimarães também foram sócios da loja Modelismo - Comércio de Brinquedo Técnico, Lda [NIF 500653852], situada no Centro Comercial do Rossio, Lojas 515 e 516, 5 Piso 1100-200 Lisboa. 

Carlos Guimarães, nascido em 25/10/1948, esteve entretanto ligado à empresa Enigmaprofundo - Modelismo Lda constituída em 29/05/2018, com sede na Rua Alferes Santos Fidalgo, Nº 38, A 2775 - 577 Carcavelos e que exercia a atividade de comércio a retalho de jogos e brinquedos.




Quem recortasse os selos das embalagens do chocolate Regina tinha direito a um brinde que não sabemos se seria o jogo dos flippers.

agradecimento pelas imagens a Fernando Marques

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Almeida & Leal, Lda.

O merchandising sobre Tintin lançado em Portugal é escasso. E foi com alguma surpresa que encontrei um porta-moedas alusivo ao Tintin (episódio «O templo do sol»), produzido pela empresa Almeida & Leal, Lda., com licença da Livraria Bertrand. 

Este porta-moedas deverá ser da década de setenta, já que a licença ainda pertence à Lombard. 

[Algumas das imagens são reproduções de capas de edições da Record ("Tintim" - Rumo À Lua e Segredo da Licorne) e outras tem escrito o nome "Tintin".

Copyright Hergé D.L. ; A.E.I. ; L. Bertrand]

http://biblobd.blogspot.com/2010/01/porta-moedas-tintin.html

PRODUTOS ALMEIDA & LEAL COM IMAGENS DE TINTIN

Cintos de criança, Etiquetas Escolares, Porta-Moedas, Estojos Escolares, Saco de viagem

Cintos de criança de várias cores da marca Almeida & Leal (imagem partilhada por Marcelo Andrade no Facebook)


Cinto de criança vermelho da marca Almeida & Leal (imagem partilhada por João Simões no Facebook)

Já apareceram por aqui outros produtos da Almeida & Leal:

https://tintinemportugal.blogspot.com/2015/01/etiquetas-escolares.html

Copyrigh AEI, Bertrand, Éditions du Lombard, Hérgé

https://tintinemportugal.blogspot.com/2011/06/porta-moedas-tintin.html

https://tintinemportugal.blogspot.com/2020/12/estojo-tintin-da-serie-almeida-leal-dos.html

https://tintinofilo.weebly.com/outro.html





Almeida & Leal, Lda.

A empresa foi fundada em 30/06/1970.

Rua Tomás da Anunciação, 68-B - 1300 Lisboa Tel 687499

https://trintage.com/autocolante-publicitario-2

Muito mais tarde esteve nessa morada a Bulhosa Livreiros que agora está integrada no grupo Bertrand

A Almeida & Leal, Lda tinha o NIF 500516383 e desenvolvia a sua atividade com o CAE 46491 - Comércio por grosso de artigos de papelaria.

https://www.portugalio.com/almeida-leal/

A entidade Almeida & Leal, Lda. teve a sua sede localizada também na freguesia de Campo de Ourique, concelho de Lisboa, distrito de Lisboa. Para correspondência postal deveria utilizar-se a morada Rua Francisco Metrass 56 - B, Lisboa, 1350-146 LISBOA.  Telefone: 213887499 Fax: 213831755

(canetas diplomat) (Sinfonia R. Santos Moreira, Lda)

https://codigopostal.ciberforma.pt/dir/500516383/almeida-leal-lda-nossa-senhora-de-fatima/

+

Fundada em 1989, a Bulhosa Livreiros marcou desde o primeiro momento a diferença, ao apostar num atendimento personalizado e de qualidade, prestado por profissionais especializados.

A Livraria Bulhosa ficava situada na Rua Tomás da Anunciação, ao lado da Caixa Geral de Depósitos.

A rede de livrarias da Bulhosa foi comprada, em setembro de 2005, pelo grupo Civilização, na altura em que a editora contava com sete lojas, concentradas na zona da Grande Lisboa.

[A Almeida & Leal poderá ainda existir como produtora de jogos e brinquedos mas com sede em Vila Nova de Gaia? Poderia haver relação com essa empresa (ou filial?) mas a localização mais importante era na Rua Tomás de Anunciação em Lisboa!]

A empresa Almeida & Leal tinha a sua última sede localizada em Lisboa. Desenvolvia a sua atividade principal no âmbito de [comércio por grosso de] Artigos de papelaria. A empresa foi dissolvida em 2015.


segunda-feira, 26 de junho de 2023

Alexis dos Santos @ Lego

https://idealexis.pt/


https://ideas.lego.com/projects/5253cea1-64c9-4058-8fbe-ba84034fc5f0

A Lego tem um site onde aceita projectos a concurso e em que poucos se podem tornar oficiais. O português Alexis dos Santos tem a concurso desde meados de 2022 um projecto com o foguetão de "Tintim Rumo À Lua". Já passou várias fases e neste momento tem 6757 apoiantes e ainda faltam 473 dias. 

Podem votar neste projecto aqui e ver mais imagens de construções de Alexis na sua conta do Flickr.

«I present to you a recreation of the famous rocket used by Tintin and his companions to travel towards the moon. As in the comic book Tintin - Destination Moon, I tried to represent, as best as possible, the launch tower and the rocket in a slightly smaller scale than the minifigure so as not to be too big and be easily displayed on a desk or shelf.»



Textos sobre o projecto Tintin - Space Rocket no blog Oficina dos Baixinhos:

Aventureiro (acho que a profissão é jornalista, mas nunca o vi a exercer) por excelência do século XX, o Tintim é incontornável na cultura europeia. É exactamente esse o ponto que me faz olhar ainda com mais atenção para este projecto do nosso Alexis "tkel86" Santos já que sinto que a LEGO deveria, por vezes, reforçar a cultura do seu continente de origem.

Como é hábito nos trabalhos do Alexis, a qualidade é irrepreensível tanto na proporcionalidade dos objectos como na utilização das melhores técnicas de construção. Apesar de uma torre maçuda mas fiel ao original, a elegância do foguetão é simplesmente bestial e magnética ao olhar. Aposto que os designers da LEGO teriam algum trabalho a melhorar estas linhas.

(...)

Se chegar aos 10 000 apoiantes, a LEGO irá torná-lo num set oficial?

Espero que algum designer olhe com carinho para esta proposta e avance com o projecto. Apenas quatro Ideas são baseados em licenças com origem na Europa e este seria um excelente quinto nesta curta lista!


E no Playwell:

Não falei dele quando foi apresentado pela primeira vez, mas falo agora, após ter sido escolhido como "staff pick" da plataforma LEGO Ideas. Falo deste projecto intitulado Tintin - Space Rocket , do AFOL português Alexis Santos (Tkel86 nesta plataforma). 

Já se falou dele diversas vezes aqui na Play Well, (foi inclusive um dos primeiros entrevistados ) e é na minha opinião um dos melhores construtores portugueses, executando construções cheias de vida, e que combinam muitas vezes técnicas arrojadas com mecanismos e motorizações.


Alexis já fez outros pequenos projectos relacionados com as aventuras de Tintim como o Castelo de Moulinsart, o CN-411, o Licorne, etc.











Name: Alexis
NickName: Tkel
Nationality: Portuguese
Birth Year: 1986
Mail: tkel86 @ gmail.com
Occupation: Web Designer
Course: Multimedia Design Degree and audiovisual in ESART (IPCB).
Lego activities: Member and moderator  of the community 0937 forum , Member of the Droidpf development team, MOGazine magazine editor .
'Dark Age': from 14 years old up to 24.
Hobbies: Photography, Painting, Aquariofilia, Diy of all kinds (electronic, carpentry ...)

(outro projecto antigo)



terça-feira, 13 de junho de 2023

Rumo ao Tetra


https://www.facebook.com/profile/100064235886171/search/?q=tetra

 ama o Porto

Vamos Porto! Rumo ao Tetra"

A JAD tb volta e meia vai à lua.  visite e veja como em www.facebook.com/JadJorgeAndradeDesign

https://kostadealhabaite.blogspot.com/2011/10/as-aventuras-de-tintin-no-dragao.html#

quinta-feira, 11 de junho de 2020

As 100 BD do século XX (FIBDA 2004)


Um projecto do FIBDA 2004 elegeu as 100 bandas desenhadas do século XX. As dez mais votadas foram Little Nemo, Krazy Kat, Tintim, Batman, Spirit, Peanuts, Astérix, Blueberry, Corto Maltese e Maus.

+

100 Melhores BD do séc. XX

A 15.ª edição do FIBDA decorre a partir de hoje na estação de metro Amadora-Este

Para comemorar o seu 15.º aniversário, o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), que hoje abre ao grande público e se prolonga até 7 de Novembro, pensou em grande. Não só o espaço do festival surge completamente renovado, situando agora o seu núcleo central no segundo piso da estação de metro Amadora-Este, como foi escolhido como tema e exposição central uma ambiciosa mostra, intitulada 100 BD's do Século XX, que percorrerá as personagens mais marcantes produzidas pela Nona Arte praticamente desde a sua origem.

As expectativas são altas, sobretudo depois de o festival ter sido obrigado a três anos de travessia do deserto, na Escola Intercultural da Venda Nova. Desde que a Fábrica da Cultura fechou as suas portas por falta de condições logísticas, o FIBDA teve de se conformar com um espaço acanhado e dividido em pequenas salas, que comprometia a qualidade das exposições. Além disso, a Escola Intercultural estava mal servida de acessos, transportes públicos e estacionamento, o que provocou um decréscimo relevante de público pagante e o consequente desagrado das editoras, que viram cair significativamente os lucros obtidos no espaço comercial.

Todos estes problemas poderão ser resolvidos com a nova localização, dentro de uma estação de metro e com bastante estacionamento exterior. O FIBDA irá ocupar um espaço de 2500 metros quadrados (pouco menos do que aquele que tinha disponível na Fábrica da Cultura), que irá servir no futuro como galeria comercial. Contudo, tal só deverá acontecer após o crescimento da área que circunda a estação de metro, nomeadamente com o desenvolvimento da Quinta da Falagueira, ainda bastante atrasada. Assim sendo, há fortes probabilidades de o festival se manter no local durante mais alguns anos.

núcleo central. 

Acompanhando este novo impulso logístico, a programação do FIBDA pôs igualmente de pé a sua exposição mais ambiciosa de sempre. 100 BD's do Século XX é o resultado de um vasto inquérito, promovido junto de críticos e investigadores de BD do mundo inteiro (responderam perto de uma centena), e prevê-se que seja realizado um levantamento bastante completo das personagens que marcaram a Nona Arte. Os responsáveis, sem desvendarem totalmente os nomes escolhidos, anunciaram já os dez primeiros classificados: Tintim, Batman, Corto Maltese, Astérix, Maus, Little Nemo, Blueberry, The Spirit, Peanuts e Krazy Kat.

Para além das 100 bandas desenhadas encontradas através do inquérito, os organizadores reservaram-se o direito de introduzir mais dez nomes, para corrigir injustiças geográficas (ou seja, para evitar o absoluto predomínio da BD franco-belga e americana) e incluir três autores portugueses, todos eles escolhidos entre a fornada clássica, o que é uma opção discutível, embora politicamente correcta, tendo em conta a mais-valia de alguma da BD portuguesa actual. Os três autores portugueses que foram incluídos em 100 BD's do Século XX são Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento e Vítor Péon.

DN, 23/10/2004

 


Inquérito internacional dita as "100 mais" da BD mundial do século XX

Uma lista de 100 séries e outra de 100 autores mais representativos da banda desenhada mundial do século XX foi a forma encontrada pelo Festival Internacional de BD da Amadora para celebrar a mudança do século. A iniciativa foi lançado ainda durante a edição de 2002 daquele certame, mas vicissitudes várias levaram a que ela só se concretizasse este ano. Os resultados do inquérito deram lugar a uma exposição que esteve patente ao público até ontem, no âmbito da décima quinta edição do festival da Amadora.Os responsáveis pelo inquérito, João Paiva Boléo e Luís Salvado, sustentam que o se pretendia era "um conjunto de 100 BD e não as 100 BD", como é referido no catálogo central do festival. O número de respostas recolhidas - por sinal, em número de 100, oriundas de vários países do mundo - permite concluir que aquele objectivo foi atingido: "[Cem votantes] constitui um conjunto indiscutivelmente representativo para permitir ter uma noção da excelência de uma arte".Em defesa desta perspectiva é citada a diversidade geográfica e cultural dos votantes, que são maioritariamente portugueses, franceses e americanos. Esta característica justificaria, assim, algum desequilíbrio final nas citações, com prejuízo da fraca representação de países como a Itália, Espanha, Inglaterra e mesmo a Bélgica. Em contrapartida, 50 por cento das séries são americanas e outros 30 por cento provêm de França e Bélgica. Portugal fica de fora, mas há um número de menções relevante para três autores - Fernando Bento, Eduardo Teixeira Coelho e Stuart Carvalhais. Essa relativa injustiça foi corrigida pelos organizadores ao acrescentarem à lista mais 10 "evocações especiais", onde as séries "Quim e Manecas" (Stuart Carvalhais), "O Caminho do Oriente" (Teixeira Coelho) e "Beau Geste" (Fernando Bento) ombreiam com obras de autores que também ficaram de fora (Osamu Tezuka, Ziraldo, Cosey, Carlos Gimenez, Sergio Toppi, Scott McCloud e Marjane Satrapi).Numa breve análise dos resultados, é realçado o equilíbrio geral entre as diversas tendências e géneros, temáticas e correntes estéticas. Ou seja, os adeptos incondicionais da BD de aventuras ou cómica, dos registos alternativo ou "para adultos", dos super-heróis ou do "western" têm razões para se reconhecerem na lista apurada. A reforçar esta conclusão surgem os resultados da lista de autores, também em número de 100, e que deve ser vista como um complemento da primeira.Apesar disso, há inevitáveis omissões, que Boléo e Salvado não se eximem a mencionar. Num "louvor dos ausentes", citam a série El Eternauta (Alberto Breccia) e o argumentista argentino Carlos Trillo. Mas apontam também o dedo a autores excluídos, como Jules Feiffer, Auclair, Emílio Freixas, Enric Siò, Derib, Cosey, Tillieux, Hermann ou Wiliam Vance.São factos como estes que levam o investigador Leonardo de Sá a não ver "nenhum interesse" num inquérito deste tipo, aberto a um leque demasiado heterogéneo de participantes: "Uma metodologia deste tipo equivale a perguntar ao homem da rua e não a especialistas". Afirmando "não acreditar muito nos 'best of'", o mesmo estudioso sustenta que "teria apesar de tudo mais sentido se a eleição fosse feita unicamente por especialistas, pois são eles quem tem o conhecimento profundo e amplo do que foi a BD do século XX". João Miguel Lameiras, pelo contrário, defende o interesse e utilidade de uma iniciativa desta natureza - na qual, aliás, votou. "As listas são sempre subjectivas e dizem mais sobre quem vota do que outra coisa. A maior utilidade é fornecer alguma informação que nos permite avaliar a popularidade das séries", afirma. Segundo este crítico e divulgador, "um inquérito destes é mais um pretexto para falar de banda desenhada, levando os leitores a conhecer séries e obras que de outra forma nunca leriam". Quanto à ausência de portugueses, ela "era previsível, embora possa ser dolorosa para alguns": "A BD portuguesa não tem peso internacional."

Carlos Pessoa, Ipsilon, 08/11/2004   


sábado, 20 de julho de 2019

Tintin e a Lua


O desejável e o possível...

A proximidade de mais um aniversário - o 50.º! - da chegada a solo lunar do primeiro homem - Neil Armstrong - é o pretexto para a edição, pela ASA, de um volume duplo que contém o díptico lunar de Tintin: Rumo à Lua e Explorando a Lua.

Pontos fracos e fortes da edição, já a seguir.

A edição é positiva, sem dúvida. Chama - ou tenta chamar… - as atenções para Tintin, aproveita o mediatismo que a data redonda vai ter e faz regressar às livrarias um título marcante da criação de Hergé.

Mais, fá-lo num formato maior - similar ao original… - ao da edição regular disponível actualmente.

No entanto, esta foi - foi? - uma oportunidade perdida para ir um pouco mais além.

Os leitores - alguns leitores, uns poucos leitores, quantos seriam? - queriam mais. Queriam, para além dos dois álbuns do ciclo da Lua, numa versão diferente se possível, alguns extras. Um dossier sobre a sua elaboração, esboços, material auxiliar, acima de tudo, possivelmente, a história de 4 páginas que os Estúdios Hergé fizeram sobre a viagem da NASA que levou os primeiros seres humanos à Lua… Aquilo que a Casterman (também) lançou em França, numa iniciativa semelhante que, no entanto, conta mais umas três dezenas de páginas que a edição portuguesa, inclui um dossier sobre a concepção dos dois álbuns e reproduz não a versão ‘final de álbum’ - aquela que todos conhecemos - mas sim a que foi originalmente publicada na revista Tintin, que inclui variações nalgumas sequências. Com um senão, o formato maior e a edição mais volumosa traduz-se no preço mais elevado: 34 €.

Reproduzir esta edição da Casterman, seria uma hipótese. Interessante. Desejável. Se seria viável no contexto da edição de BD no seio da ASA, tenho muitas dúvidas…

E tenho muitas dúvidas se, comercialmente, seria uma aposta mais vantajosa, se os compradores - mais exigentes - que atrairia a mais, compensariam aqueles que o preço mais elevado iria afastar...

Para o bem e para o mal - palpável, se assim preferirem, fica uma bela edição, do ponto de vista gráfico, no formato adequado para reprodução da arte original de Hergé.

Pouco mais que curiosidade para quem já tem estas histórias noutras edições - da Verbo, do Público, da ASA… - mas uma boa edição, mediaticamente relevante quando daqui a poucas semanas se falar dos 50 anos dos primeiros passos de Neil Armstrong na Lua, indicada para quem nunca leu Rumo à Lua/Explorando a Lua. Leiam filhos, sobrinhos, netos…

E, para esses - e os outros - fica também a oportunidade de lerem ou relerem aquela que foi, possivelmente, a aventura de Tintin mais elaborada que Hergé criou, pela pesquisa - em jeito de antecipação, muito fiel ao que a NASA levou realmente a cabo cerca de 15 anos depois - que esteve na sua origem, que lhe confere - mesmo hoje - uma grande credibilidade científica.

Em termos narrativos, apesar de algum excesso de texto - a que a tal credibilidade obriga - é uma obra do melhor Hergé, na posse de todos os seus (muitos) recursos, muito conseguida em termos gráficos. Veja-se, por exemplo, como o foguetão lunar se tornou uma das imagens de marca do século XX, reproduzido, copiado, emulado à exaustão.

Narrativamente, é um relato muito sólido, com uma equilibrada combinação da tal base realista, com a ficção, assente em doses adequadas de suspense - acentuado pelo ritmo de publicação em revista que ‘obrigava’ a deixar o leitor ‘pendurado’ no final de cada página - acção, humor e uma invulgar componente dramática quando comparada com outras aventuras do repórter de poupa. Veja-se, a título de exemplo, a sequência que antecipa a alunagem do foguetão que leva Tintin, Haddock, Girassol, Milu e… ou boa parte da sequência final do livro.

Um bom pretexto - desnecessário mas sempre útil… - para voltar a Tintin… e à Lua!

Tintin e a Lua - Inclui os álbuns Rumo à Lua e Explorando a Lua

Hergé

ASA

Portugal, 25 de Junho de 2019

227 x 305 mm, 128 p., cor, capa dura

19,90 €

Leitura e escrita de Pedro Cleto, As Leituras do Pedro, 07/07/2019

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A Aventura na Lua


É conhecido o rigor e o pormenor com que Hergé pesquisava para cada uma das aventuras de Tintim. Para criar a aventura Tintim na Lua, Hergé muniu-se de toda a documentação disponível na altura. São muitas as fontes, os livros, os filmes e os autores que contribuíram para a realização daquela que provavelmente é a história com maior número de referências científicas no universo da BD, reunindo alusões a Júlio Verne, Pierre Rousseau, Georges Méliès, George Pal, Auguste Piccard e Alexandre Ananoff, entre outros.

Nesta palestra, realiza-se uma viagem por todos os livros e influências que contribuíram para fazer da aventura Tintim na Lua um dos maiores marcos no mundo da ciência e da literatura gráfica.

Quem - Adolescentes e/ou adultos

Quantos - Mínimo 10 pessoas

Tempo - 1 hora

Requisitos - Projector (data show)

Sobre o João

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Johan


Johan de Moor pour une expo au Portugal. link, 27/02/2015

Johan

Em 2008 passou por Lisboa tendo sido entrevisto por Carlos Pessoa.

P - O que é preciso para ser um bom cartoonista?

- Trabalho para diários, o que exige um training especial com os textos. Investi nisso e cheguei a ganhar o prémio para o melhor desenho de imprensa da Bélgica. Como o cartoon é feito por uma ou duas imagens, é necessário concentrar, sintetizar um acontecimento. É um pouco como o trabalho do jornalista, que tem de sintetizar a informação disponível. Mas é fascinante!

P - E na banda desenhada?

É diferente. Pode trabalhar-se num quadradinho durante um dia e no seguinte durante uma hora... E depois vem alguém que, perante o quadradinho que levou uma hora a fazer, diz que é uma obra-prima, porque é mais gráfico ou outra coisa qualquer! É normal. Quando já se anda nisto há muitos anos, é necessário manter sempre a calma e estar descontraído, sem cair na tentação de forçar as coisas. Cada autor tem o seu próprio código de leitura e de desenho e é necessário não o violentar.

P - No começo de tudo esteve a continuação das peripécias de Quick e Flupke.

- Sim. Deu-me a possibilidade de entrar pela porta grande na banda desenhada e constituiu também uma grande escola prosseguir a obra de Hergé, mesmo sendo uma série de segunda linha.

Recortes, Kuentro, 2008/12

FIBDA 2004

Em Abril de 2002, foi anunciado o regresso de Lucky Luke, após a morte do criador Morris, a 17 de Julho de 2001. Morris deixou bem expressa a vontade de que a série tivesse continuidade após a sua morte, e a editora Dargaud, já responsável pelo bem sucedido regresso de Blake e Mortimer (em 1997, após a morte do criador Edgar-Pierre Jacobs em 1987), aceitou este desafio.

A escolha de autor para dar continuidade às aventuras do cowboy que dispara mais rápido que a própria sombra recaiu sobre a dupla Laurent Gerra (argumentista) e Achdé (desenhador). Os dois autores estiveram presentes no primeiro fim-de-semana do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), com o lançamento da edição portuguesa do novíssimo álbum de Lucky Luke (pelas Edições Asa).

Nesse mesmo fim-de-semana, estava também no FIBDA Johann de Moor, convidado no âmbito da exposição da nova BD flamenga. Johann é o filho de Bob de Moor, que terminou o segundo volume de “As 3 Fórmulas do Professor Sato” após a morte de Jacobs, e que foi sempre apontado como o continuador de Tintin após a morte de Hergé (se Tintin continuasse). O próprio Johann assegurou durante algum tempo a continuação de Quim e Filipe, outra série de Hergé (publicada em Portugal pela Verbo).

Nessa medida, juntaram-se os três autores no auditório para uma conversa sobre “O Regresso dos Clássicos”.

A questão da possibilidade de regresso de Tintin foi colocada, em jeito de recolha de opinião, aos três autores. E foi entendida como uma questão pertinente. Daqui a alguns anos, Tintin poderá parecer um discurso menos actual, e poderá levantar um problema de perda de leitores. Nesse momento (ainda distante), o regresso de outros clássicos (como Lucky Luke) poderá pesar, assim como o facto de o desejo de Hergé para que não houvesse continuidade da personagem após a sua morte não ter sido tão explícito como o desejo de Morris para que Lucky Luke continuasse, por exemplo.

(...)

Johan de Moor chegou a Quim e Filipe pela via da animação. Pouco tempo depois da morte do criador de Tintin, numa altura em que Johann trabalhava no Estúdio Hergé, teve o consentimento da viúva de Hergé e da editora Casterman para avançar com o projecto de adaptação ao cinema de animação da dupla Quim e Filipe. Terminada a série animada, Johan de Moor assinou ainda um álbum com 23 histórias. Foi então que a viúva de Hergé repensou a ideia, e parou o projecto da continuidade de Quim e Filipe.

Johan de Moor orgulha-se do trabalho que fez com Quim e Filipe, mas não lamenta a decisão da viúva de Hergé, que lhe permitiu avançar para projectos mais pessoais. Primeiro com Gaspard de la Nuit (quatro álbuns de 1987 a 1991, em colaboração com Stephen Desberg), e depois com a hilariante La Vache (oito álbuns a partir de 1992, de novo com Desberg), numa paródia impiedosa ao estilo James Bond. Com a mudança de editor, La Vache passa a Lait Entier (dois álbuns desde 2001).

(...)

A banda desenhada flamenga reflecte uma realidade cultural, da Flandres e também de Bruxelas, distinta e independente da francófona, ainda que complementar.

A questão linguística é fundamental. Com as portas dos editores francófonos fechadas a quem não falava fluentemente francês, os autores da Flandres viram-se obrigados a criar a sua própria BD.

Ao contrário da banda desenhada francófona, a BD flamenga não se afirmou nos jornais e revistas especializados (Tintin, Spirou, etc.), mas na imprensa quotidiana. Esta diferença histórica fundamental veio acentuar determinadas características únicas ao nível da forma: na BD flamenga trabalha-se muito o formato da tira, e não há uma preocupação tão grande no detalhe (já que tanto o ritmo de produção como o ritmo de leitura são mais rápidos, e a má qualidade do papel também não permitia grandes riscos ao nível da técnica). Com o tempo, a BD flamenga começou a reflectir sobretudo a realidade da Flandres, enquanto a BD francófona começa a projectar-se para o exterior. A BD flamenga começa a ter géneros preferenciais, com destaque para a aventura humorística, privilegiando as séries.

Em termos históricos, a BD flamenga representa um gigante escondido na identidade cultural da Flandres: quem conhece a série Jommeke (Gil et Jo), de Jef Nys, com mais de 45 milhões de álbuns vendidos? Quem conhece as colecções Suske en Wiske (Bob et Bobette), Nero (Néron), Bessy ou De Rode Ridder (Le Chevalier Rouge), que, tal como Jommeke, contam com mais de duzentos títulos?

Já os autores que se integram na BD francófona beneficiam da projecção internacional característica desta forma de BD: Morris (o criador de Lucky Luke, primeiro convidado internacional do FIBDA), Berck, Vance, ou Bob de Moor são conhecidos autores flamengos que se integraram no modelo francófono na sua produção ao nível da BD.

Nos últimos anos, a BD flamenga tem sofrido transformações importantíssimas. Como explicou Johan de Moor, a oferta editorial concentrou-se num único grande editor, exclusivamente vocacionado para a BD infantil de grande público. A exposição que foi apresentada no FIBDA 2004 é uma forma de mostrar que existem autores que querem (e são capazes de) fazer outros tipos de BD, com uma criatividade narrativa e no tratamento da imagem que desafia limitações de género. Johan de Moor é um bom exemplo.

Pedro Mota, Noticias da Amadora nº 1597, 09/12/2004

Johan de Moor é filho de um "clássico" da BD europeia (Bob de Moor) que começou a trabalhar com o pai na fabricação convencional das histórias curtas de Quick e Flupke (de Hergé) antes de se afirmar, no final dos anos 80, como o artista original e criador que é.

Publico

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Heróis de Papel, Tintin 85 anos


Os 85 anos do aparecimento da personagem de banda desenhada Tintin, criada pelo autor belga Hergé, vão ser assinalados na quinta-feira, numa tertúlia organizada na Amadora pelo Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI).

Na tertúlia "Às quintas falamos de BD" estarão António Monteiro, do grupo Amigos de Hergé Portugueses, e o autor de banda desenhada João Mascarenhas.

O encontro abordará "este herói de papel e a sua estreita relação com Portugal e a revista `O Papagaio`, onde as aventuras de Tintin foram pela primeira vez publicadas, em 1936, escritas numa outra língua, que não o francês, e apresentadas a cores", refere o CNBDI.

Tintin, o famoso repórter que protagonizou centenas de páginas de aventuras de banda desenhada, surgiu a 10 de janeiro de 1929 no suplemento juvenil "Le Petit Vingtième".

Acompanhado pelo fox terrier Milu, Tintin é considerado uma das mais populares personagens de banda desenhada, criada pelo belga George Remi (Hergé), tendo sido apresentado como um jovem jornalista do Petit Vingtième, enviado à antiga União Soviética, onde se envolve em várias cenas de pancadaria.

A partir daí, Hergé colocou Tintin em aventuras no Oriente, no oeste americano, no mar, em terra e no espaço - numa ida à Lua-, mas nunca teve uma história em Portugal.

Foi, no entanto, uma revista portuguesa "O Papagaio" que primeiro "internacionalizou" os relatos das viagens do jovem repórter, em 1936.

Antes de existirem as traduções para inglês ou neerlandês, fica para a história a edição em português, quando a carismática banda desenhada só tinha passado fronteiras para a França e para a Suíça, mantendo sempre o francês como língua.

À primeira tradução de Tintin a nível mundial junta-se outro marco histórico para "O Papagaio": é nas suas páginas que os desenhos de Hergé são apresentados pela primeira vez a cores, o que até nem desagradou ao autor, quando recebeu as revistas portuguesas.

Hergé correspondia-se com alguma frequência com o padre Abel Varzim - o responsável pela compra dos direitos de Tintin para Portugal - e confessou ter ficado "encantado" por ver os desenhos a cores, apenas criticando a paginação, remontada.

Dizia que não respeitava o original e por isso alterava o efeito de "suspense". "Os desenhos são concebidos como num folhetim, para terminar em cada semana com um desenho palpitante, para melhor manter o leitor interessado", explicava.

Adolfo Simões Müller, então director de "O Papagaio", não escondia o seu entusiasmo pelo trabalho de Hergé e assegurou, na sua saída da revista, levar as histórias de Tintin para outras publicações que depois dirigiu: "Diabrete", "Cavaleiro Andante", "Foguetão", "Zorro".

A edição das aventuras de Tintin em álbum só começou em Portugal em 1988 pela Verbo... 52 anos depois de "O Papagaio".

Hergé morreu em 1983, aos 76 anos, deixando incompleto "Tintin e Alpha-Art", mas em todo o mundo, os mais de vinte álbuns que desenhou foram traduzidos em 77 línguas e venderam mais de 230 milhões de exemplares em todo o mundo.

As 24 aventuras de banda desenhada de Tintin foram reeditadas posteriormente pela ASA. 

Lusa, 26/02/2014

Apesar de nunca mais ter protagonizado qualquer episódio, Tintin continua a ser um dos heróis de BD que mais interesse desperta na área dos bedéfilos veteranos.

Daí que se sucedam, com frequência, debates e colóquios centrados no herói criado em 1929 por Hergé.

Assim vai acontecer amanhã, dia 27, em mais uma tertúlia chamada "Às Quintas Falamos de BD", que decorre mensalmente, à 5ª feira como é óbvio, no CNBDI - Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora. Costuma ser um palestrante, desta vez será uma mesa redonda participada por dois interessados no herói da poupa, António Monteiro e João Mascarenhas.

O primeiro, professor universitário, e elemento do grupo "Amigos de Hergé Portugueses", é um profundo conhecedor de toda a obra de Hergé; o segundo, engenheiro e autor de BD nas horas vagas - criador, como é do conhecimento de todos os bedéfilos portugueses, da personagem "O Menino Triste" -, mas também coleccionador de todo o merchandising que tenha a ver com o episódio "Tintin na Lua", de que possui vasto acervo de peças tridimensionais, documentação e iconografia, que cedeu para uma exposição no CNBDI.


Para este encontro será ainda preparada uma pequena mostra sobre Tintin na Lua, com peças tridimensionais (bonecos e jogos), documentação (livros e revistas) e iconografia (cartazes e ilustrações) dos anos 40 à atualidade, com material gentilmente cedido pelo autor João Mascarenhas.