Por ocasião da edição do jornal Expresso nº 1000 de 28/12/1991 foi lançado um suplemento com as 1000 figuras do Séc. XX.
quinta-feira, 22 de maio de 2025
Expresso 1000 figuras do Século XX
Por ocasião da edição do jornal Expresso nº 1000 de 28/12/1991 foi lançado um suplemento com as 1000 figuras do Séc. XX.
domingo, 16 de março de 2025
Jornal Blitz
No jornal Blitz de 16/03/1993 apareceu uma página dedicada a Tintin a propósito do 10º aniversário da morte de Hergé. Destacamos a parte da página onde é referida a edição especial de "A Suivre" de Abril de 1983, uma capa do suplemento "Tele Público", um pin de Milou e a edição da revista Sábado com o ministro das finanças Braga de Macedo na capa.
Os olhos Fertéisquinta-feira, 4 de maio de 2023
J. Mascarenhas
vinheta de uma inédita bd a antecipar o próximo livro de BD de Fernando Cabrita e João Mascarenhas. O nome do livro será "A Norte de Sul Nenhum".
Aproveitamos também para relembrar um comentário interessante de JM feito em 2007 no blog de Geraldes Lino. Aqui no blog há outras entradas dele como autor de bd e não só:
«Hergé, enquanto homem e autor, revelou imensas facetas, umas mais claras, outras nem por isso, mas sobretudo o que se deve enaltecer é a Obra que nos deixou.
Só tenho pena que a malta mais nova não conheça o suficiente de Hergé: é que muitas das vezes limitam-se a dizer "Eh, pá não gosto!" Hergé é também ele uma personagem digna de um estudo aprofundado, e neste capítulo a literatura existente é bem vasta. Penso que se a maior parte das pessoas soubesse o que esteve por detrás do criador, do homem, da obra, a viriam com outros olhos.
Contudo não é necessário esse estudo aprofundado para se gostar de Hergé (que não é apenas TinTin).
Já agora, estou-me a lembrar de um artigo escrito por Vasco Granja, e que publicámos no CyberExtractus #0, cujo título era "Hergé não sabia desenhar", que recomendo vivamente, exactamente como início de uma mais profunda pesquisa. É que à medida que se vai lendo sobre Hergé, vão-se abrindo outras portas laterais, com outros autores e referências, que o Lino tão bem aqui indica, e que são também elas dignas de uma leitura mais atenta.»
quinta-feira, 3 de março de 2022
Morte de Hergé
6º feira 9 de Março de 1984 às 21h30 na sede da delegação de Portalegre da Alliance Française.
A Alliance Française (delegação de Portalegre) e o Círculo de Estudos de BD (atelier de Artes Plásticas) convidam todo os interessados para a participação num colóquio ilustrado com projeções e orientado pelo Prof. António Martinó Coutinho, a propósito do primeiro aniversário da Morte de Hergé.
Tintin Hergé Era Ele
1º aniversário da morte de Hergé - 1984
+
25 anos sem Hergé
Na capa do jornal “Libération” de 4 de Março de 1983, inspirada na capa de “Coke en stock” (“Carvão no Porão”, na tradução portuguesa) era anunciada “A última aventura de Tintin”, e, na metade inferior, a vinheta circular, aberta no fundo negro, mostrava Tintin caído na neve do Tibete e Milu a uivar, anunciando: “Tintin morreu”. No interior, todas as notícias eram ilustradas com vinhetas da obra máxima de Hergé – aparecida pela primeira vez a 10 de Janeiro de 1929, nas páginas do “Le Petit Vingtième” -, mas era o seu falecimento, na véspera, que dominava a actualidade. A leucemia, na época apontada como sua causa, encobriu o vírus da SIDA, contraído numa das muitas transfusões sanguíneas que fez, a crer na explicação adiantada por Philippe Goddin, um dos maiores especialistas no autor, na biografia que lançou no final de 2007, ano em que se comemorou o centenário do seu nascimento.
F. Cleto e Pina, Jornal de Notícias, 03/03/2008
domingo, 17 de julho de 2011
Arquitectura & Construção #43 - Museu Hergé
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Uma agitada aventura colonial
Depois da viagem de Tintim ao país dos sovietes, o sonho de Hergé é levar o seu herói até à América. Profundamente apaixonado pela cultura índia, seus costumes e mitos, começa de imediato a trabalhar nesse projecto. O padre Wallez, director do "Le Petit Vingtième" e mentor espiritual do desenhador, é que não está pelos ajustes: se há algum lugar onde levar Tintim é o Congo, na altura uma colónia belga, juntando o útil ao agradável - espalhar o espírito missionário e evangelizador, incrementando as vocações coloniais. Assim acontece e o resultado é "Tintim no Congo", hoje distribuído com o PÚBLICO.Ao contrário da história anterior ("Tintim no País dos Sovietes", que é também a primeira da série), Tintim é acolhido em África como um herói internacional e uma figura quase lendária. Aliás, a glória precede-o nessa saga africana, pois os representantes da grande imprensa internacional - curiosamente, Hergé inclui também o deferente delegado do "Diário de Lisboa"... - disputam entre si o privilégio de publicar em exclusivo as reportagens do herói. Mas este permanecerá fiel ao "Vingtième", onde esta BD será publicada entre 5 de Junho de 1930 e 11 de Junho do ano seguinte.
De um modo geral, o traço de Hergé apresenta-se mais firme, mas sem perda de espontaneidade. Quanto ao desenho dos animais, é o próprio autor a confessar que pediu "ajuda" às gravuras de Benjamin Rabier. Perante uma multidão de "pretos" preguiçosos, estúpidos e infantis que se exprimem em mau francês, Tintim louva os méritos e grandezas da mãe-pátria. Milu também não está pelos ajustes: ele aceitou ir a África para caçar grandes feras, no que é imitado pelo seu dono, que não tem o menor problema em matar animais a torto e a direito, eliminando até um rinoceronte com dinamite... No entanto, o herói não chega a ter adversários locais verdadeiramente maus, pois os negros desta história são demasiado pueris para serem perigosos.
Tal como acontecera a propósito de "Tintim no País dos Sovietes", o padre Wallez decide organizar uma recepção ao herói quando este regressa a Bruxelas. Uma multidão impressionante acolhe um Tintim de carne e osso e um Milu pedido de empréstimo ao dono de um café da cidade, que quase é esmagado no boulevard du Jardin Botanique por centenas de miúdos que lhe querem dar torrões de açúcar...
A publicação de "Tintim no Congo" não levanta qualquer polémica na época, de tal modo a história está conforme ao espírito da mentalidade europeia daquele tempo - por outras palavras, ter territórios ultramarinos é atributo dos grandes países e sinónimo de poder no concerto das nações. Só mais tarde, quando a questão colonial entra na agenda política, é que a aventura africana de Tintim passará pelo crivo da análise político-ideológica.
Esta BD valerá a Hergé acusações de colonialismo e racismo, das quais este se defende invocando a mentalidade reinante na sociedade belga dos anos 30 do século XX. É verdade, mas não o é menos, nesta fase inicial da sua obra, a colagem do artista aos valores culturais e ideológicos dominantes. E não deixa de ser curioso que, ao realizar a reformulação gráfica e de diálogos desta história, em 1946, o artista belga a deixe praticamente intacta em termos narrativos.
Hergé nunca escondeu o seu desamor por "Tintim no Congo". No entanto, querelas ideológicas e filosóficas à parte, permanece como um excelente documento sobre a imagem estereotipada que os europeus tinham do continente africano.
O que disse Hergé sobre "Tintim no Congo"Hergé; Numa Sadoul
NUMA SADOUL:Foi dito e redito que era racista. Este é um bom momento para pôr as coisas a claro: que tem a dizer em sua defesa? Que responde quando o acusam de ser "racista"?
HERGÉ: - Respondo que todas as opiniões são livres, incluindo a de pretender que eu sou racista... Enfim, seja!... Há "Tintim no Congo", admito-o. Isso passou-se em 1930. Do país eu só conhecia aquilo que as pessoas diziam na altura: "Os negros são crianças grandes... Felizmente para eles, nós estamos lá!, etc..." E eu desenhei os africanos de acordo com esses critérios, no mais puro espírito paternalista que era o daquela época, na Bélgica. Mais tarde, pelo contrário, em "Carvão no Porão" - e isso, apesar de se falar na história em "pretoguês" - parece-me que Tintim dá provas sobejas do seu anti-racismo, não?... (...) Em "Tintim no Congo", tal como em "Tintim no País dos Sovietes", o que se verifica é que eu me alimentava com os preconceitos do meio burguês em que vivia. De facto, estas duas histórias foram pecados de juventude. Não é que eu os renegue. Mas, enfim, se tivesse que refazer as histórias, fá-las-ia de outra forma, isso é certo. Seja como for, todos os pecados têm redenção!...
Passemos então directamente a "Tintim no Congo".
- "Tintim no Congo"... Por que é que eu fiz "Tintim no Congo", e como é que o fiz?... Na realidade, depois do seu regresso da Rússia eu preferia ter enviado Tintim directamente para a América. Mas o padre Wallez persuadiu-me a começar pelo Congo: "É a nossa maravilhosa colónia, que tem tanta necessidade de nós, e além disso é necessário despertar vocações coloniais" e patati e patatá! Nada disso me inspirava muito, mas eu rendi-me a esses argumentos e pronto, lá fomos em força para o Congo! Como disse, fiz esta história na perspectiva da época, ou seja, de acordo com um espírito tipicamente paternalista... que era, posso afirmá-lo, o de toda a Bélgica. Passemos sem mais demora ao próximo álbum.
("Entretiens avec Hergé", de Numa Sadoul, Éditions Casterman).
© 2003 Público; Carlos Pessoa
domingo, 31 de janeiro de 1999
Desculpe, mas Hergé era antifascista
© 1999 Público
domingo, 9 de fevereiro de 1997
“Monsieur Hergé” no Artes & Letras, hoje na TV2: A sombra de Tintim
Do jovem repórter, que os mais maliciosos recordam nunca ter escrito uma notícia ou reportagem sobre as suas viagens, está dito tudo o que há a dizer. Ficaram as obras imorredouras, cuja leitura toca na “corda” aventureira que existe no coração de novas gerações de leitores ou agita, com nostalgia, a memória dos mais velhos.
Mas será que ler Tintim é franquear as portas de acesso ao universo do seu criador? Sim e não, sustenta Benoît Peeters, o autor do documentário feito em 1989 para a televisão belga francófona (evocativo do 60º aniversário do aparecimento do herói da banda desenhada, em 1929) exibido esta noite. É certo que as histórias de banda desenhada de Tintim são, de algum modo, uma “projecção” dos desejos e aspirações do autor e, nesse sentido, permitem reconstituir partes importantes do percurso do próprio Hergé. Por esse motivo, Peeters optou neste trabalho por traçar dois percursos paralelos que se encontram: uma cronologia das histórias concebidas e realizadas ao longo de décadas, com remissão para estados de alma e episódios significativos da vida de Hergé que permitem avançar alguma coisa na compreensão desta ou daquela opção temática.
Mas não é menos certo que a obra não é o autor. Daí que o documentário procure colocar o homem sob a luz, tão crua quanto possível, dos holofotes, e dê a palavra a quem lidou de perto com o criador belga — antigos companheiros de profissão, as duas mulheres com quem esteve casado, amigos íntimos. Através desses testemunhos (algumas das pessoas ouvidas já faleceram entretanto, como é o caso da primeira mulher e de Bob de Moor), Benoît Peeters procura recolher elementos de resposta para esta questão central, enunciada logo no início: como pôde este homem, oriundo de uma família cinzenta, onde se falava pouco, onde não havia livros nem ideias, ser o autor de uma obra admirável?
Paradoxalmente, a solução para este enigma está nas aventuras luminosas e “positivas” de Tintim, uma criatura corajosa, inteligente e generosa e uma espécie de “alter ego” de Hergé, homem sombrio, melancólico, dado a crises emocionais e estados depressivos que tornaram progressivamente mais difícil o seu trabalho e a relação com o êxito e popularidade do seu personagem.
Todos os testemunhos confirmam que, para Hergé, a vida não era fácil de ser vivida, apesar da “boa estrela” que, dir-se-ia, nunca deixou de o acompanhar nos momentos decisivos. Homem inquieto, permanentemente “em busca de um ser, de um guia, de um cúmplice, de um iniciador”, o criador de Tintim é alguém que só consegue obter os equilíbrios pessoais indispensáveis graças às relações particulares que estabeleceu com alguns seres, para ele, excepcionais: o abade Wallé, que o traz para a banda desenhada, o escultor chinês Tchang “adoptado” em algumas das mais belas aventuras de Tintim, Jacobs (o criador de Blake e Mortimer), o padre Gall (aliás, Lakota Ishonala, que quer dizer Sioux Solitário na cultura índia pela qual alimentava uma enorme paixão), Bob de Moor (outro autor de BD) e alguns mais.
Não chegou, como afirma no final do documentário Marcel Stal, galerista e amigo pessoal de Hergé: “Nunca gozou a vida como uma pessoa normal”. Se calhar, é por isso que as aventuras de Tintim despertam nos seus leitores sensações e emoções tão agradáveis.
© 1996 Público/Carlos Pessoa








