sábado, 2 de maio de 2026

Blogs do Sapo

 Os blogs do sapo vão ser descontinuados. Quanto acontece este tipo de decisões há muita coisa que se perde. Já aconteceu com o geocities, terravista, sites do sapo.pt, etc

Blog do CNC Crónicas de Klow e outras entradas

Café com Adoçante

Tintin e o roubo em Sintra

A carta de Oliveira da Figueira chegara a Moulinsart misteriosa e enigmática.O amigo português de Tintin pedia ao repórter belga que viesse  a Portugal investigar o misterioso roubo de um valioso rubi  na Quinta da Piedade  em Sintra, requeria-se discrição e celeridade.

Chegados a Sintra, Tintin, Milú e o capitão Haddock instalaram-se em casa de Oliveira da Figueira no Largo do Vítor, Milú logo ladrando atrás de Sissi, a gata siamesa que pachorrenta dormitava na soleira da casa.

-Pois ainda bem que veio, meu caro.A minha amiga, a marquesa do Louriçal está muito preocupada, pois o rubi é valiosíssimo, veio para  Portugal pelas mãos de um seu familiar que aqui se instalou no tempo de Junot,há duzentos anos .Mas ela é muito avessa à imprensa e deseja discrição.E lembrei-me de si!

-Compreendo.Podemos começar por visitar o local então!.

-Havemos de encontrar os iconoclastas, com mil milhões de macacos!-rugiu estimulado o capitão Haddock, mirando um quadro de Burnett na parede.

No dia seguinte, serra acima lá foram até à Quinta da Piedade pela estrada de Monserrate no jipe cheio de tralha de Oliveira da Figueira, agora negociante de antiguidades orientais, deixara-se de viagens pelo mundo.

A Quinta, rodeada de frondosas árvores, era um pequeno paraíso, vista deslumbrante, a Pena em fundo.O rubi desaparecera de um cofre de parede atrás dum retrato de Napoleão. Nem sinais de arrombamento, tinha sido aberto por quem conhecia a combinação. Na biblioteca, a marquesa num cadeirão, o segundo marido, vinte anos menos, ao lado, contou a história da jóia desaparecida.

- Meus senhores, em 1802, um ladrão de nome Marcel, roubou em Paris, 82 rubis orientais raríssimos, entre eles um com 24 quilates. Em 1807 Marcel foi preso na Bastilha e condenado à morte, mas a troco duma fuga consentida que o salvou da guilhotina deu a um antepassado meu esse rubi, o qual desde então se tem mantido na nossa família-foi contando, a marquesa tinha ascendência francesa e um trisavô fora director da famosa prisão de Paris, o tal a quem Marcel dera o rubi a troco de o deixar escapar.

Tintin pediu para ver a casa, e saber quem a ela tinha acesso.

-Comigo vive o meu marido, René, o mordomo, o Perestrelo, e a cozinheira, a Marília. Mas há dias dei uma recepção, vamos ter um recital aqui em Sintra e fez-se uma homenagem à famosa cantora lírica Castafiore- recordou, o marido em pé ofereceu whisky, só Haddock aceitou.

-Castafiore? A Castafiore está em Portugal? -perguntou surpreso o capitão Haddock

-Sim, está em Seteais, vai actuar nos jardins amanhã á noite, junto com o José Carreras.

Tintin deu uma volta pela quinta. Junto a uma trepadeira, dois vultos agachados pareciam mirar algo.

-Boa tarde! -atirou

Os intrusos, sobressaltados, na pressa de se levantarem chocaram um com o outro.Eram os detectives Dupont e Dupond.

-Vocês aqui? Que fazem estes peripatéticos idiossincráticos aqui ?-vociferou o capitão,sempre embirrara com eles e o seu bigodinho retorcido.

-Não se assuste, caro capitão. Estamos a investigar para uma companhia de seguros!- explicou Dupont, tirando o chapéu em cumprimento.

-Sim, há um seguro de cinco milhões de euros, sabia? -logo acrescentou Dupond, seguro de desvendar uma novidade.

-E já descobriram algo? -interrogou Tintin.

-Quase, quase.Vêm esta coisa no chão? - e Dupond, apontou um detrito acastanhado no chão, junto à trepadeira-É o resto dum charuto cubano, um Monte Cristo nº 5, dos puros! -e com um lenço pegou o vestígio, ar ufano, Sherlock Holmes não faria melhor.

Juntos foram ter com a marquesa: se tinha reparado em algum convidado na recepção fumando charuto. Recordava-se efectivamente, um amigo do comendador Berardo fumava, o cheiro intenso recordava-lhe o personagem, um armador grego, pensava, a negócios em Viana do Castelo, ela detestava o cheiro de charuto.

-Mas espere, o meu mordomo, o Perestrelo deve saber o nome, havia uma lista de convidados.

O velho Perestrelo, fleumático, buscou numa gaveta a lista da festa. Grego ou parecido, havia um Giorgios Papadopoulos, de Salónica, um careca de bigode escuro e monóculo no olho direito, lembrava-se de com Berardo discutirem a nova exposição do Tate Modern.

-Monócolo? Grego? Está tudo explicado! –interrompeu Tintin,fazendo luz-O nome não é esse, mas sim Rastapapoulos.É um famoso ladrão internacional , pensava que tinha morrido num naufrágio em Djibuti há 3 anos, foi noticiado na imprensa. Afinal safou-se!

-E onde o poderemos encontrar? -questionou René,interessado.

-Segundo o Berardo, está na Penha Longa, querido, parte esta semana-esclareceu a marquesa, recordada.

Logo se dirigiram para o hotel no carro de Oliveira da Figueira, com sorte ainda o encontrariam.

Lá estava Rastapapoulos, relaxado, bebendo um bloody mary no clube de golfe, sorridente contemplava o green. Vendo-os chegar,  reconheceu aquelas figuras familiares de outras peripécias e correu a esconder-se num lavabo. Mas já Tintin lhe atalhava o passo, enquanto o capitão Haddock o imobilizava pelo pescoço numa zona isolada do relvado.

-Alto aí tratante ditirâmbico, esdrúxulo ladrão de jóias! -gritou, enquanto lhe torcia o braço, Dupond e Dupont, na peugada algemaram-no, presa grossa, afinal o falso morto estava vivo e bem vivo.

-Eu não fiz nada! O que me querem? – gritou ofegante,esbracejando

-Confessa onde guardaste o rubi, miserável escatológico! -ameaçou o capitão.

-Que rubi? Apenas vim jogar golfe, não sei de nada!

-O rubi que roubaste em Sintra, confessa!

-Foi o marido da marquesa que me pediu que lhe simulasse um assalto, não o queria vender mas ia dá-lo como roubado para receber o seguro!

Ainda tais palavras não estavam concluídas quando pela esquerda, René, revólver em punho, punha fim à cena.

-Parecia um plano perfeito, mas você é um amador, Rastapapoulos.É pena que nunca se vá saber que estava vivo depois de estar morto.C’ést la vie!

Preparava-se para atirar quando Milú saltando sobre ele o abocanhou na perna, caindo com a dor, soltando um disparo para o ar desgovernado.Logo Tintin e o capitão o imobilizaram enquanto os Dupont seguravam o enraivecido Rastapapoulos.

Presos os ladrões, rubi no cofre, todos no dia seguinte admiravam a Castafiore, rouxinol estridente nos jardins de Seteais, cantando a Norma de Bellini. Todos? Todos não. O capitão Haddock já meio zonzo saboreava um bourbon num salão do Hotel, já a Pena eram dois e os Dupont quatro.

publicado por Fernando Morais Gomes às 22:39 10/09/2024

CópiaPerfeita

Mãe Tramada

Ardotempo

 Sábado, 29.03.08

Tintin, agente do Dalai Lama

Tendo Tintin feito tanto pela causa do Tibet é normal que o Tibet faça o mesmo pela causa de Tintin. Dessa forma justifica-se que o Dalai Lama tenha entregue em 2006 à Fundação Hergé o prêmio Light of Truth da ITC (International Campaign for Tibet), que é uma das parceiras da Fundação Hergé para o centenário do autor.

Georges Remi (inverta as suas iniciais e você formará o seu pseudônimo de autoria para seus álbuns de quadrinhos) estaria sentindo-se muito feliz, certamente. Eu procuro evitar falar pelos mortos, mas não devemos nos esquecer que o budista belga considerava Tintin no Tibet como sendo o seu álbum  predileto e, deliberadamente colocado como um desafio político. Dessa maneira o chefe espiritual do budismo tibetano jamais teve dúvidas: Tintin é o seu melhor agente de propaganda.

A prova: há cinco anos atrás, quando de seu lançamento em mandarin, o álbum foi abusivamente intitulado como Tintin no Tibet Chinês. A Fundação Hergé desde então apresenta queixas e move ações com o objetivo de retirar a última palavra indevidamente anexada ao título; não se poderia esperar menos por parte de seus dirigentes, Fanny, a viúva de Hergé e de seu atual marido Nick Rodwell, ambos convertidos ao budismo.  

Aos olhos do Dalai Lama, que aceitou o convite para inaugurar uma grande exposição Tintin no Tibet tendo ao lado os dois dirigentes da Fundação Hergé, o álbum de Hergé não apenas “revela ao mundo a beleza do Tibet” mas igualmente “promove uma tomada de consciência internacional mais aguçada sobre o Tibet”. Quem poderia imaginar que histórias em quadrinhos poderiam chegar a tanto? O destino reservou a elas algo surpreendente que não poderia ter sido premeditado.

Pierre Assouline  - La Republique des Livres, Le Monde – 28.03.2008 

Está tudo Tintim - lobi

Nas gravações de Tintin Dobragens do filme 

Turminha Fabulosa

Eu gostei do livro principalmente da parte em que o Tintin disse qo capitão: "- Capitão, não é por aí, aqui há outra escada!" - Emanuel a 12 de Janeiro de 2012

Gostei muito deste livro principalmente quando o capitão sonhou com o jogo de xadrez e com o professor. - Guilherme a 19 de Janeiro de 2012

Eu gostei da parte em que o Tintin encontrou o Tchang porque eu não gosto que as pessoas estejam ao frio. - Pedro a 9 de Fevereiro de 2012

Eu gostei da parte em que o capitão andava sempre com as garrafas de wisquie, perdeu-as e depois encontrou-as vazias. João Filipe a 23 de Fevereiro de 2012

Eu gostei do livro principalmente da parte em que o cão se cobriu de neve porque o avião aterrou. Eu acho que os cães não gostam de neve. - João Pedro a 9 de Abril de 2012 

Desenhos do Tintin para pintar

Centopeias - palermices de um blogger

Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

No outro dia recebi um email sobreo rabeta do Tintin em que após se abrir um anexo o boneco começava a passear pelo ecrã com o seu cão.

Quem foi o apaneleirado iluminado que teve a ideia de lançar este email?

Será que não podiam arranjar personagem de BD mais roto do que o Tintin?

Para quem está céptico de que o Tintin engole a palhinha eu comprovo:

 1º O cabelo loiro à Herman José com uma poupinha.

 2º A porra do cão em vez de ser um Pastor Alemão ou um Serra da Estrela é um Caniche ou uma merda parecida que precise que o dono lhe apare o pêlo e lhe limpe o rabo.

 3º O primeiro titulo da colecção é: Tintin Vai À Lua, com um pénis ao xadrez na capa do livro.

 4º Já em português o nome é apaneleirado, se o dissermos na lingua original: Tantan...dasse, até me dá suores frios...

 5º Fala francês

 6º É Belga

 7º As personagens das aventuras são todos homens, à excepção de uma gorda que canta ópera.

 8º É jornalista

  Querem mais?

  Só faltava ser do PS...

Porque não lançaram um email do Lucky Luke, isso sim. Já o asterix me deixava algumas dúvidas... Mas adiante...

Big Mac

Comentários:

De Jonasnuts a 12 de Outubro de 2006 às 22:04

Não resisto :)

http://tintinofilo.blogs.sapo.pt/

O Blog em causa não é meu, mas achei que tinha tudo a ver com este post :)

Os Bolos da Ana


David Fonseca

A última foto desta sequência de autênticos souvenirs do ano que passou foi tirada a 8 de Dezembro de 2007 em Braga, praticamente 24 horas depois da foto anterior em Loulé. Depois de um showcase na Fnac, conheci estas 3 raparigas que, devido ao evento dessa noite, usavam estas t-shirts feitas por uma delas. A alegria delas era contagiante e não quis ir embora sem registar esta imagem, talvez porque me mostre o quão transversal é toda a música: da balada melancólica do Elton John, passando por um videoclip com uma performance inusitada, aterrando em forma de foguetão do Tintin numa T-shirt em Braga.

José Lança Coelho

Link Atlântico artigo de Rui Ramos

BF Filmes

Filme

Racista

Viagem a Bruxelas

Reporter Timor

Quinta-feira, 18.07.2013

O post que se segue não tem nada a ver com as aventuras de Tintin, o repórter francês.

Acontece que durante a ocupação Indonésia o povo timorense era chamado de Tim-Tim e o Timor Português passou a ser denominado de Timor-Timur. Em indonésio (sim, as aulas continuam e foi aí que nasceu este post) "Timur" quer dizer "ocidental", uma palavra que tem a coincidência de se assemelhar a Timor. Vai daí Timor-Timur, mas não se pode dizer que soe bem...afinal, foram tempos conturbados.

Não consegui apurar se Tim-Tim tinha uma conotação positiva ou negativa mas o mais provável é ser negativa ou não tivesse sido esta uma ocupação invasora e violenta.

Foleirices

Psicolaranja

2dedos

Blogdarua9

Visto da China

Baixinho lego

JNverão João César das neves

Cães de Loiça

Este fox terrier em porcelana, com cerca de 5 cm. de altura, não ostenta qualquer marca visível da EC, mas apresenta incisa a numeração E-43, que corresponde ao registo habitual desta fábrica. Curiosamente, apresenta ainda na base, a lápis, o seu preço de venda – 6$00. 

Como se sabe, a figura mais célebre de um fox terrier teve origem na banda desenhada, através de Milou, o fiel companheiro de Tintin, personagens estas criadas por Hergé (pseudónimo de Georges Remi, 1907-1983).

No final da década de 1940 já haviam sido publicados 14 diferentes álbuns de Tintin, pelo que é possível que esta figura do Candal procurasse associar-se à imagem de sucesso daquela personagem.

https://becastanheiradepera.blogs.sapo.pt/tag/tintim Visita ao Museu Hergé

Edicrisart - de Cris Rodrigues

Bem Vindo ao Meu Blog sobre as Artes Decorativas!!!! Aqui encontrarão muitas Inspirações,Desenhos e de como fazer os diversos trabalhos...Espero que gostem e voltem sempre,a Todos um Excelente Dia!!!!

Jorge fiel Jornalista JN

Enxofrado

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

FUTURO CHEIO DE NUVENS

No início, era Vitor Gaspar quem dava a cara por este Governo. Quatro meses depois, o arauto passou a ser o Álvaro [Santos Pereira], super-ministro da Economia, estrangeirado vindo do Canadá, famoso pela sua visão optimista do futuro deste país. O ministro Álvaro já nos prometeu "o maior investimento de sempre", a recuperação económica a breve trecho, a subida do emprego, um novo paradigma industrial, and so on. O ministro Álvaro, sempre que fala, faz-nos lembrar o Professor Girassol, personagem do Tintin, que vivia na Terra, mas pensava como um extra-terrestre... Hoje falou para a comunicação social, dizendo que "a recuperação económica do país" terá início no final do proximo ano. Sonhador, inconsciente do que diz, o ministro Álvaro já conta com o ovo na capoeira, a partir do quarto trimestre de 2012. Alheio à realidade, o ministro Álvaro fala dos seus desejos, esquecendo as premissas em equação. Logo pela manhã, o INE divulgou os números da recessão que atinge o país: -1,70%. No próximo ano poderá atingir os -3,00%, aprofundando os efeito da recessão. Mas o ministro Girassol, continua a acreditar nas miragens que povoam o seu espírito. O ministro Álvaro parece desconhecer o que está acontecendo nos países europeus, para onde exportavamos os nossos produtos, e onde já não há lugar para trabalhadores da construção cívil. O "barco" em que navega o ministro Álvaro, está a meter água, mas ele não se dá conta do perigo. Um ministro assim, não pode salvar a economia nacional.

Ponto Cruz


Guilherme Fonseca

uinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

#2.21 - The Secret Life - 2nd edition

Depois do Mickey aproveito aqui mais um aniversário para repor a verdade sobre outra personagem de banda desenhada adorada pela humanidade. Recentemente, um pequeno desenho chamado Tintin fez 80 anos. Aproveito a proximidade da data para contar a verdade que conseguir sobre um homem incompetente e perigoso, cujo nome faz óbvias e desprezíveis referências à genitália masculina.

Diz-se jornalista mas em centenas de aparições que fez apenas num quadradinho simples de desenho apareceu a escrever um artigo. Artigo esse que nem na página de obituários entrou. Tintin trabalhou toda a vida como um paparazzo sombrio e violento que ganhava a vida a perseguir estrelas de cinema pelo mundo fora, envolvendo-se em intrigas peculiares pelo caminho. Ficou assim famoso pelas suas desventuras além fronteiras quando na verdade ia comprar e vender fotos comprometedoras de líderes Mundiais a poderosos traficantes de droga.

 O seu famoso e adorado corte de cabelo, uma poupa empinada, tornou-o um sex simbol, nomeação que Tintin faz questão de espalhar onde vai, tendo mesmo tatuado estas palavras na nádega direita. Tem mesmo uma gigantesca foto sua, de cuecas, por cima da lareira apenas com Milú no meio das pernas. Dos relacionamentos que teve, o mais famoso foi com a personagem Betty Boop. Depois do casamento marcado e de vários anos de história juntos, Tintin preferiu vender fotos íntimas da sua companheira a uma revista masculina, a seguir com o casamento. Betty Boop acabou transtornada com a exposição, acabando a trabalhar em bares de strip e a visitar militares na guerra do Vietname.

 A série de quadradinhos era originalmente para incidir sobre a personagem de Capitão Haddock mas o público preferiu aquele que tinha mais exposição pública anterior, ganhando Tintin o protagonismo. Tal escolha do público marcou profundamente o Capitão Haddock transformando-o numa pessoa resmungona e pessimista quando a sua personagem estava escrita para ser alegre, reluzente e levemente homossexual. Professor Girassol é que era representado na série exactamente como era na realidade. Alheado de qualquer realidade ou responsabilidade, escondeu sempre bem do público a sua esquizofrenia e bipolaridade.

O seu percurso profissional acabou anos mais tarde com dois acontecimentos marcantes. O primeiro foi a morte da Princesa Diana, momento esse que Tintin testemunhou ao vivo quando tentava ultrapassar o carro da princesa no famoso túnel. A culpa que incutia em si mesmo pelo que se passou fez com que nunca mais tirasse uma fotografia na vida. O seu facebook não tem imagem.

O segundo momento marcante foi a morte do seu companheiro canino Milú. Uma edição da sua série sem o agradável cão ainda foi filmada e testada mas a reacção enfurecida do público deixou bem clara a decisão que os estúdios tinham de tomar. O seu amigo de quatro patas arrastava milhões de pessoas mostrando a Tintin e a todo o estúdio que sem ele, não haveria continuidade. Tintin virou-se para aquilo que todas as estrelas ultrapassadas fazem. Embebedar-se e ser DJ. Põe música em vários bares de alterne, sendo falada uma possível re-aproximação com Betty Boop depois de se terem cruzado profissionalmente num bar em Las Vegas.

Devido ao horrível trabalho que tinha como paparazzo, Tintin sempre foi competitivo, decidido e impulsivo, tendo sido as suas aventuras desenhadas e os seus companheiros que o afastaram de caminhos piores. A imagem que conhecemos hoje, limpa e varrida de polémica, foi construída por advogados e agências de publicidade. Milhões foram gastos para que todos adorassem Tintin como é actualmente. Com algum esforço, reponho a verdade. Um Tintin de cada vez.

 Lutando por um mundo honesto,

Guilherme Fonseca

Bilhetes Exibição em 1983 de Tim-Tim e o mistério das laranjas azuis

Blog Tintim na Geolândia

Sábado, 27 de Outubro de 2007

Apresentação do blog

Este blog foi realizado no âmbito da disciplina de geografia pelas alunas Inês Sousa, Joana Soares  e Rita Sampaio, com o objectivo de actualizar a matéria leccionada através de notícias e outros documentos relacionados com a disciplina.

Relacionámos o blog com o desenho animado Tintim, sendo este um repórter que viaja pelo mundo.

Tintim

Joana Sousa Soares (Bianca Castafiore), Inês Sousa (Milu), Rita Sampaio (Tintim) 

<busca>

terça-feira, 28 de abril de 2026

Um museu do imaginário


«Em junho de 1979, uma grande exposição, que posteriormente seria itinerante, foi inaugurada no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas. Os detalhes do seu conteúdo escapam a Hergé, mas os seus idealizadores explicaram-lhe que se tratava de comparar os objetos míticos colecionados por Tintin durante as suas aventuras com os objetos reais que os inspiraram. No cartaz da exposição, Hergé tenta organizar a incursão dos seus personagens principais no meio de uma instalação imaginária que provavelmente deixaria todos os colecionadores loucos de inveja.»

Excerto: "Cronologia de uma obra–volume 7", citado em Boletim Timtimportimtim nº 18, 24/04/2026

TINTIN: um museu do imaginário

REPÓRTER que nunca escreveu uma notícia, descobridor da China de Chiang Kai-Chek, da Lua muito antes de Armstrong e da missão Apolo 11, e do extra-sensorial no Tibete, a famosa criação do belga Hergé, Tintin, dispõe de um «Museu Imaginário», coisa de que mais nenhum outro herói dos quadradinhos poderá gabar-se.

A exposição iniciou a sua carreira no palácio das belas-artes de Bruxelas, onde amadores de BD, tintinólogos e hergenianos dos sete aos setenta e sete anos se comprimiram para apreciar os troféus e signos do seu imaginário.

O universo dos objectos inscritos nas quase duas dúzias e meia de álbuns de Tintin, encontravam-se expostos à altura de uma criança de oito anos, ombreando com as diferentes edições dos álbuns.

Cargueiros, carros, caixas de marisco, aviões, cetros, espingardas, cachimbos de ópio, máscaras africanas, completavam a colecção de autênticas peças, que inspiraram Hergé.

Uma das características mais marcantes da obra deste patrono da BD de expressão belga, é o extraordinário rigor de criação: um Buda de Sião («Os Charutos do Faraó»), uma túnica de homem leopardo (Tintin no Congo), uma máscara bariba de Dahomey (A Orelha Quebrada) e o famoso «fetiche» arumbaya, que não é mais do uma soberba estátua peruana pré-columbiana.

No entanto, a peça mais espantosa é, incontestavelmente, a múmia do inca Rascar-Capac, que aterrorizou gerações de leitores das «Sete Bolas de Cristal»: trata-se, na realidade, de uma múmia paraka do Peru, exposta pela primeira vez.

Os objectos estavam dispostos de modo a sugerirem uma espécie de Atlas do Mundo: Congo, América, China, Japão, Peru, Escócia, Deserto, Lua, campo dos extraterrestres, etc.

Ao lado destas peças raríssimas, podia-se ver em reconstituição, imagens dos álbuns, concebidos à dimensão de um «écran» de cinema: o ceptro de Ottokar, o retrato em pé do cavaleiro François Hadoque (1656-1755), os cigarros do farão Kih-Oskh, as cabeleiras multicores de Dupont e Dupond, a casa de ópio do «Lótus Azul» e o quarto de Tintin, recriados à escala liliputeana.

Após este esforço de reconstituição a três dimensões do universo de Tintin, uma pergunta se colocou a muita gente:

Será que Tintin está prestes a morrer?

«Morrerá comigo», respondeu Hergé.

Mas, para alegria de todos os seus admiradores, esse momento ainda está longe. Pelo menos, é o que se pode deduzir do entusiasmo com que Hergé congemina novas aventuras para o seu repórter.

Exposição itinerante, percorreu já o Centro Contemporâneo de Artes Plásticas, de Bordéus e o Centro da Comunidade Francófona da Bélgica, em Paris. Depois, «pulou» para Washington.

Onde estará neste momento? Ignoramos.

Mas a sugestão pode ficar, à laia de remate desta breve evocação do universo de Tintin no mundo dos seus admiradores: haverá por aí alguém interessado em sugerir aos serviços culturais belgas ou franceses a vinda da exposição ao nosso país? Era bem capaz de ter a sua piada.

Carlos Pessoa, Diário de Lisboa, 04/09/1982


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Revista Tintin



No meio da papelada podem estar algumas relíquias... como as que o Luís Bernardino nos trouxe esta semana: um envelope da revista Tintin e uma série de recibos de assinaturas desse e outros títulos.

Saibam mais no podcast, disponível em linktr.ee/pranchasebaloes

Pranchas e Balões, 26/03/2026

A mãe de Luís Bernardino usava os envelopes para guardar outras coisas por isso acabaram por sobreviver.

Foi anunciado o lançamento na TV.

Pedi logo ao meu pai. Foi a primeira semanada que tive. 5 escudos para ir aos sábados à papelaria da esquina comprar.

Não falhei nenhum número e cheguei a ser assinante.

Luis Bernardino

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Diabrete


Esta imagem exclusiva do “Diabrete” foi tema de controvérsia durante muito tempo: Havia quem dissesse tratar-se de uma oferta de Hergé a Müller, um desenho original que a capa da Casterman não reproduzira por inteiro, dando-lhe outras cores. Ou seria antes uma montagem feita pelo “Diabrete”?

Apesar de a parte a mais do “Diabrete” (Rom-Rom com um osso na boca e em cima de uma máquina fotográfica, o prolongamento do ceptro, Tim-Tim empunhando uma pistola, as calças e as botas de Tim-Tim e um exemplar do “Diabrete” no seu bolso) não terem a qualidade do desenho de Hergé, esta parecia demasiadamente bem feita para ser um acrescento, mas de facto assim é: trata-se de uma montagem feita na Redacção do “Diabrete”, com outra colorização.

Há várias razões que o demonstram, mas basta esta, evidente: o álbum Casterman é de 1939 e Müller só entra para o “Diabrete” em 1941. Se o desenho fosse uma oferta, a que propósito apareceria o exemplar do “Diabrete” no bolso de Tim-Tim? Como curiosidade, note-se que na assinatura forjada de Hergé não está o acento no segundo “e”.

José de Azevedo E Menezes , Monografia sobre o Diabrete

Há dúvidas sobre a capa da Diabrete nº 593 (de 05/03/1949) onde aparece Tim-Tim com uma pistola:

(...)

Os nossos agradecimentos a José Menezes (autor de magníficos estudos sobre O Papagaio e o Diabrete), por nos ter enviado a imagem da capa do nº 593, que serviu de introdução às aventuras de Tim-Tim e Rom-Rom no Diabrete. Reparem que está assinada por Hergé e que difere substancialmente da capa do álbum da Casterman (1939).

O gato Alfarrabista

A partir do # 20, Adolfo Simões Muller, que havia sido director d' «O Papagaio» até ao # 322, passa a ser o timoneiro desta publicação. O «Diabrete» começou a sua publicação em 4 de Janeiro de 1941 e terminou em 29 de Dezembro de 1951 com 887 números publicados.

As histórias publicadas de Tim-Tim [1949-1951] foram as seguintes:

O ceptro de Ottokar (#594 de 9/3/1949 ao #701 de 18/3/1950)

O tesoiro do cavaleiro da rosa (O tesouro de Rackham, o Terrível) (#703 de 25/3/1950 ao #806 de 21/3/1951)

As 7 bolas de cristal (#809 de 31/3/1951 ao #887 de 29/12/1951)



quinta-feira, 16 de abril de 2026

As capas da Revista O Papagaio

Desde o início das aventuras de “Tintin” na revista “O Papagaio” a partir do seu nº 53, as capas da publicação salientavam quase sempre as actividades do nosso “herói”, destacando um outro facto das suas peripécias. Para tal, a revista servia-se, na maior parte das vezes, de uma ou outra vinheta pertencente à aventura em curso, para destacar tal evento. A composição da capa pertencia, de uma maneira geral, a qualquer um dos desenhadores de serviço na altura e que colaboravam na edição, ao ajudar Adolfo Simões Muller a criar cada número.

Mas uma vez, ou outra, embora esporadicamente, havia algum desenhador que se atrevia a criar uma capa para destacar a personagem. É o caso de José de Lemos que cria a capa do nº. 78,  Arcindo Madeira a do nº. 95, o Júlio Resende a do nº. 105, Ruy Manso ocupa-se da capa do nº. 150 e volta de novo com a capa do nº. 227, Sérgio Luís é o desenhador da capa do nº. 251, Guy Manuel cria a do nº. 366, Alberto oferece a capa do nº. 426 e, finalmente, será Rodrigues Neves a trabalhar a capa do nº. 540. 

Todas elas, de uma maneira geral, são excelentes e salientam a qualidade gráfica com que sempre a revista se preocupou.

Carlos Gonçalves

Curioso que no ano de 1943 apareceram vários autores diferentes (Alberto, Meco, Armando, Pascoal) a fazer capas com a personagem Tintin.

#426; 10 Junho 1943; Capa; Tintin e Milou; Alberto Fonte


#435; 12 Agosto 1943; Capa; Tintin e Milou; Meco (pai de Zé Manel)

#446; 28 Outubro 1943; Capa; Tintin e Milou; Armando

#423; 20 Maio 1943; Capa; Tintin; Pascoal


Na capa do nº 51 aparece um desenho colorido por Hergé e que era a capa da edição em álbum. Neste caso Milou aparece pintado a branco.

Capas feitas por autores portugueses:



Pascoal (423)
Alberto (426)
Meco (435)
Armando (446)


* pequena referência na capa

Também há vários cabeçalhos e outros tipos de imagens bastante interessantes destes ou de outros autores

Saber mais sobre a revista:


90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL
1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

quarta-feira, 15 de abril de 2026

O Papagaio - O Jornal da Rapaziada Endiabrada!

A revista O Papagaio começou em 18 de Abril de 1935. Um ano depois começou a publicar as aventuras de Tim-Tim.

José Azevedo e Menezes tem publicado vários livros sobre revistas infantis como O Papagaio. Diabrete e outras publicações. A monografia sobre O Papagaio já vai na 6ª edição.


O Papagaio - Um Estudo Sobre O Que Foi Uma Grande Revista Infantil Portuguesa (1ª edição, 82 páginas, 2005)

José Azevedo e Menezes

ÍNDICE

I - 4 - Dedicatória

II - 5 - Agradecimentos

III - 6 - Introdução

IV - 7 - Ficha técnica

V - 8 - Edições diferentes

VI - 8 - Erros

VII - 9 - Separatas

VIII - 14 - Clube

IX - 15 - Festas

X - 16 - Emissões radiofónicas

XI - 17 - Diabruras

XII - 18 - O Tim-Tim do Papagaio

XIII - 19 - A introdução do Tim-Tim em Portugal

XIV - 21 - As histórias do Tim-Tim publicadas no Papagaio

XV - 22 - As adaptações do Papagaio

XVI - 36 - Milou e Rom-Rom

XVII - 37 - Secções

XVIII - 39 - O que eu queria ser

XIX - 42 - Concursos

XX - 45 - Colaboração estrangeira

XXI - 47 - Colaboradores nacionais

XXII - 75 - Raridades

XXIII - 77 - Colaboração dos leitores

XXIV - 78 - Papagaio da Flama

XXV - 80 - Colaboradores nacionais do Papagaio da Flama

O Papagaio - Um Estudo Do Que Foi Uma Grande Revista Infantil Portuguesa (2 ª edição, 110 páginas, 2007)

José Azevedo e Menezes


O Papagaio -  Um Estudo Do que Foi Uma Grande Revista Infantil Portuguesa (4ª edição, 2012) 

Índice: Introdução; Ficha técnica; Edições diferentes; Erros; Separatas; Clube; Festas; Emissões Radiofónicas; Diabruras; O Tim-Tim do Papagaio; A introdução do Tim-Tim em Portugal; As nove histórias do Tim-Tim no Papagaio; “Pastiches” ; As adaptações do Papagaio; Quadradinhos alterados e desaparecidos; Milou e Rom-Rom; Secções; O que eu queria ser; Concursos; Colaboradores nacionais; Colaboradores estrangeiros; Colaboração dos leitores; Raridades; O Papagaio da Flama; Colaboradores do Papagaio da Flama; Índice das histórias aos quadradinhos.

«O ensaio sobre a revista O Papagaio "Deverá estar à venda ainda este mês [Julho], na Loja do Vilela, em venda exclusiva, Calçada do Duque, 19A - Lisboa. Trata-se da 4.ª edição, muito melhorada, com todas as páginas a cores, mais material e nova paginação, minha, desta vez.»

O Papagaio - O Jornal da Rapaziada Endiabrada (6ª edição, 110 páginas, 2024)

José Azevedo e Menezes

Índice

I – 5 .................... Introdução

II – 8 ................... Ficha Técnica

III – 9 .................. Edições Diferentes

IV – 9 .................. Erros

V – 10 ................. Separatas

VI – 15 ................. Clube

VII – 16 ................ Festas

VIII – 18 ............... Emissões Radiofónicas

IX – 22 ................. Diabruras

X – 23 .................. O Tim-Tim de O Papagaio

        X.I – 25 ....... A Introdução de Tim-Tim em Portugal

        X.II – 26 ...... A Correspondência entre Hergé e o Papagaio

        X.III – 30 ..... As Nove Histórias de Tim-Tim Publicadas n’ O Papagaio

        X.IV – 31 ..... “Pastiches”

        X.V – 36 ...... As Adaptações de O Papagaio

        X.VI – 47 ..... Quadradinhos Alterados e Desaparecidos

        X.VII – 57 .... Milou e Rom-Rom

XI – 58 ................. Secções

XII – 60 ................ O Que Eu Queria Ser

XIII – 63 ............... Concursos

XIV – 67 ............... Colaboradores Nacionais

XV – 97 ................ Colaboradores Estrangeiros

XVI – 99 ............... Colaboração dos Leitores

XVII – 100 ............ Raridades

XVIII – 102 ........... O Papagaio da Flama

XIX – 104 ............. Colaboradores de O Papagaio da Flama

XX – 105 .............. Índice das Histórias aos Quadradinhos

Algumas das muitas coisas sobre Tim-Tim:

- 9 aventuras a cores embora com alterações

- várias capas com pastiches e outros desenhos

- aventuras de O Boneco Rebelde onde chega a aparecer Tim-Tim (P224)

- História "Na Pista de Tim-Tim" (P569-P616)

- Correspondência com Hergé

- Quadradinhos alterados e traduções

- Boneco Articulado (P392)

Outros:

- "O Que Eu Queria Ser" com imagens de Tim-Tim e Rom-Rom (P246?, - )

- Página dos leitores; Sérgio Luiz (P244)

- Abecedário ilustrado (P196)

- História do egipto (P190) 

- Cabeçalho (P120)

Índice: Introdução; Ficha técnica; Edições diferentes; Erros; Separatas; Clube; Festas; Emissões Radiofónicas; Diabruras; O Tim-Tim de O Papagaio; A introdução de Tim-Tim em Portugal; A Correspondência entre Hergé e O Papagaio; As nove histórias de Tim-Tim publicadas n'O Papagaio; “Pastiches” (78, 95, 105, 150, 173, 227, 251. 366, 426, 435, 540 + boneco articulado + Na Pista de Tim-Tim); As adaptações de O Papagaio; Quadradinhos alterados e desaparecidos; Milou e Rom-Rom; Secções; O que eu queria ser; Concursos; Colaboradores nacionais (inclui páginas de O Boneco Rebelde); Colaboradores estrangeiros; Colaboração dos leitores; Raridades; O Papagaio da Flama; Colaboradores de O Papagaio da Flama; Índice das histórias aos quadradinhos.


terça-feira, 14 de abril de 2026

O Papagaio

Em suma, das 11 primeiras aventuras de Tintin, apenas não foram divulgadas n’O Papagaio a primeira (Tintin au Pays des Soviets, 1929-30) e a oitava (Le Sceptre d’Ottokar, 1938-39), o que constitui uma autêntica proeza editorial para um pequeno país como nós. Disponho de uma segura teoria pessoal para “explicar” a “exclusão” destas duas histórias, mas isto ficará para outra oportunidade...

Entre 1936 e 1949, limites temporais da divulgação da obra de Hergé na revista nacional, foram aqui publicadas essas nove aventuras de Tintin, criadas entre 1930 e 1943, o que significa, em média, um insignificante “atraso” de cinco anos. Notável!

(...) As páginas soltas dessa história [Tim-Tim em Angola] a que tive acesso, ainda mesmo antes de saber ler-lhes legendas e balões, fascinaram-me. A sua trama, muitas vezes reduzida aos inúmeros episódios (ou gags) inseridos no essencial do seu maravilhoso continuum narrativo, era já perceptível independentemente do fundamental acesso à leitura. Nem dava para percebermos as mutilações derivadas da grosseira remontagem a que os nossos gráficos submetiam as pranchas originais nem sequer o artificialismo do colorido, primário mas sedutor, com que a história “made in Portugal” mascar(r)ava a produção “naïf” de Hergé, criada a preto e branco. (...)

António Martinó de Azevedo Coutinho, 06/07/2010

O anúncio do aparecimento de Tim-Tim foi feito na separata do nº 49 e depois a capa do nº 51 tem um desenho de Hergé a cores com Tim-Tim e Milou (Rom-Rom) ainda de cor branca! 

O nº 52 da revista é da autoria de José Lemos  e onde aparece apenas Tim-Tim.

As aventuras começaram a ser publicadas no  nº 53 de 16 de Abril de 1936.




(imagens publicadas no site de leilões catawiki)

AVENTURAS PUBLICADAS EM O PAPAGAIO

Tim-Tim na América do Norte (Tintin na América, #53-#110) #53 de 16 de Abril de 1936 ao #110 de 20 de Maio de 1937

Tim-Tim no Oriente (Os Charutos do Faraó, #115-#161) #115 de 24 de Junho de 1937 ao #161 de 12 de Maio de 1938

Novas Aventuras de Tim-Tim (O Lótus Azul, #166-#205) #166 de 16 de Junho de 1938 ao #205 de 16 de Março de 1939

Tim-Tim em Angola (Tintin no Congo, #209-#244)  #209 de 13 de Abril de 1939 ao #244 de 14 de Dezembro de 1939

Tim-Tim e o Mistério da Orelha Quebrada ([O Mistério da] Orelha Quebrada, #247-#298) #247 de 4 de Janeiro de 1940 ao #298 de 26 de Dezembro de 1940

Tim-Tim Na Ilha Negra (A Ilha Negra, #301-#359)  #301 de 16 de Janeiro de 1941 ao #359 de 26 de Fevereiro de 1942

Tim-Tim no Deserto (O Caranguejo das Tenazes de Ouro, #366-#426) #366 de 16 de Abril de 1942 ao #426 de 10 de Junho de 1943

A Estrela Misteriosa (#435-#540) #435 de 12 de Agosto de 1943 ao #540 de 16 de Agosto de 1945

O Segredo da Licorne (O Segredo do Licorne, #617-#679) #617 de 6 de Fevereiro de 1947 ao #679 de 15 de Abril de 1948

Curiosamente a primeira aventura de Tintin (Sovietes) foi pedida mas não foi enviada por estar esgotada. (*)

Em maio de 1936, perante os primeiros números de O Papagaio com as Aventuras de Tim-Tim na América do Norte, que acabara de receber, Hergé respondeu a O Papagaio: “Estou muito contente por ver os meus desenhos aparecerem coloridos. Poderia tratar-se de uma reação de cortesia, mas a verdade é que Hergé não mudou de opinião durante os 12 anos em que O Papagaio publicou aventuras de Tim-Tim.

Teve muitas oportunidades para o fazer: quando terminava a publicação de uma aventura n’O Papagaio, era necessário “encomendar” uma outra. A título de exemplo: em maio de 1938, O Papagaio acusa a receção do Le Lotus Bleu, cuja publicação irá anunciar em breve, e pede o envio do Tintin au Congo e do Tintin en URSS (sic). 

Dois meses depois, Hergé envia o Congo mas, quanto ao URSS lamenta, mas não o envia pois está completamente esgotado; por outro lado, acrescenta Hergé, “tratando-se dos primeiros desenhos que publiquei, são muito pouco apresentáveis e não vos agradariam de todo”. Não enviou o URSS, mas também não o voltou a publicar. Sobre o Congo não fez qualquer exigência.

Caso estivesse descontente, Hergé poderia em qualquer dessas “encomendas”, ter dito não, ou exigir alterações à coloração. Nunca o fez. No caso do Congo, até aceitou que a colónia belga do Congo fosse substituída, n’O Papagaio, pela colónia portuguesa de Angola, com as necessárias adaptações do texto daí decorrentes.

(...)

António Cabral, texto publicado na Monografia de José Azevedo e Menezes.


90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL
1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O Segredo da Licorne

Oito das aventuras de Hergé foram publicadas entre 16 de Abril de 1936 e 16 de Agosto de 1945 com pequenas pausas entre elas. A última aventura apenas apareceu em 6 de Fevereiro de 1947. Curioso que o nome Licorne apareça no feminino até porque no original a embarcação se chama La Licorne.

O Segredo da Licorne 

(#617 de 06/02/1947 ao #679 de 15/04/1948)

Tim-Tim voltou ao «Papagaio». 

Avise os seus amigos.


#617 e seguintes; 6 Fevereiro 1947; Banda Título do «Segredo da Licorne»; desenhador não identificado




O Segredo da Licorne estreia em 6 de fevereiro de 1947. Nesta altura "O Papagaio" não teria mais de dois a três mil assinantes e estava a competir com outras publicações com melhores histórias. A última aventura de Tintin terminará no número 674 em 15 de abril de 1948 (quinta) e a de "O Papagaio" no número 722 em 10 de fevereiro de 1949. [mas continuou como secção da revista Flama, até 9 de Fevereiro de 1951]

Fonte: Association Alpart. 29/07/2023


90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL
1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Santa Páscoa!

 


O blog do Professor António Martinó tem estado parado mas aproveitamos para copiar a imagem que foi partilhada no ano passado onde Chico Alcagoita se juntou a Tintin e Milu.

Também acrescentando um post de 2014 onde aparece uma capa de Hergé onde Tintin e a equipa - Milou, Haddock, Tournesol e Dupond/t- fazem soar um grande sino pascal. Há sempre muita coisa para descobrir nesse vasto arquivo e esperemos que possa continuar a ser alimentado regularmente.





quinta-feira, 2 de abril de 2026

Feliz Páscoa

                                           

Na Revista Tintin original era bastante habitual haver capas com referências às comemorações da Páscoa mas tal não acontecia na versão portuguesa da revista. A única capa da edição nacional da revista Tintin com algo que se possa associar à Páscoa nem tinha as personagens de Hergé.

Data: 27-03-1971

Tintin nº 44 - 3º ano (1971)

 Págs: 32

 Preço: 7$50

 Capa: Géri

A imagem usada na capa tinha aparecido na contracapa da revista nº 14 de 05/04/1966 da Tintin original.

Géri foi o criador de Skblllz em 1966! Trata-se de um animal bizarro e muito peludo que põe ovos. Apareceu logo no número de estreia e Portugal da revista da Tintin.

Junto ao logotipo da revista aparece Skblllz em vez de Tintin e Milu. Foi algo de interessante que aconteceu mais vezes no início da década de 1970. Umas vezes com a dupla Tintin e Milu numa imagem diferente da habitual ou com outras personagens.

Por ocasião dos 25 anos da revista Tintin belga, em Outubro de 1971, a edição nacional publicou uma história de Skbllllz onde o ovo é transformado num bolo de aniversário. Irá aparecer aqui no blog por ocasião dos 80 anos da revista e 55 anos dessa publicação.