segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

4 versões de "A Ilha Negra"


A ILHA NEGRA - 1937 / 1941 / 1947 / 1965

Foi em folhas soltas (como já relatei) que pela primeira vez encontrei aquele que viria a ser o meu amigo Tintin, no relato das histórias - baralhadas - que ele vivera no Oriente, nas Américas, nos desertos, sobre o mar, na China, até em Angola. Sobretudo na Inglaterra, mais precisamente na Escócia, motivo que agora me trouxera à memória esses idos tempos.

Mal sabia soletrar as palavras mágicas, mas quanto às ilustrações essas lia-as na perfeição. E o Papagaio abundava em quadradinhos.

O Tintin era jornalista e eu nem sequer percebi por tais alturas da vida esse pormenor profissional, porque aquilo que dele me interessava era a aventura permanente e misteriosa em que estava sempre envolvido. E, aqui, a Ilha Negra era um sítio especial entre todos os outros, com castelos e monstros. Como é, afinal, na realidade. E a Inglaterra era, para o jovem jornalista, o sítio mais próximo e menos exótico da sua carreira até então.

Nunca o encontrei, ao vivo, embora tenha mantido sempre com ele uma relação muito próxima, intensificada ao longo de décadas. Até inventei um encontro, ambos de boné e calças à golf, à moda da época, com “fotografia” que já revelei…

O que aprendi sobre ele cresceu nessa proporção de intimidades onde o real e a ficção se misturavam. Já não era apenas o relato das suas aventuras que me prendia. Os meus interesses pela banda desenhada -foi assim que depois os sábios destas coisas chamaram aos quadradinhos- ampliaram-se. Porém, mantiveram-se centrados na personalidade de Tintin e na progressiva teia dos seus amigos e adversários, assim como na solução que ele ia encontrando para resolver os complexos e até arriscados problemas em que se viu envolvido.

Acompanhei com entusiasmo os seus êxitos e também, com preocupação, a inveja que estes provocaram em certos meios, sobretudo da intelectualidade. Chamaram-lhe de tudo, fascista, anti-comunista, misógino e racista, para ficar apenas por aqui…

Outro aspecto interessante, de que fui sucessivo espectador, tem a ver com a evolução formal da obra onde eram contadas as histórias fascinantes de Tintin. E, neste campo - acho que nada acontece por acaso -, foi precisamente a Ilha Negra que mais se transformou. O que eu aprendi sobre isso!

Quem me diria, quando pelos anos quarenta li no tal sótão mágico aquela história colorida, que afinal tinha sido cá mesmo, no nosso atrasado Portugal de então, que os traços negros originais ganharam, “clandestinamente” e  pela primeira vez em todo o Mundo, direito à aplicação de manchas de cor!?

Anos depois adquiri o álbum, numa edição já oficialmente colorida (de 1947, com 62 páginas) que mais tarde pude confrontar com um volume de precioso arquivo onde a história original (de 1937, com 124 páginas) estava preservada. Pelo meio tinha ficado a versão do Papagaio, publicada entre 1941 e 1942.

Porém não se esgotariam nisto as “metamorfoses” da Ilha Negra. Também aprendi, e apreciei, a profunda alteração sofrida pelo contexto gráfico daquela aventura de Tintin, sugerida ou forçada pelo editor inglês, que achara obsoletos mais de cem (!?) pormenores, necessitados de uma urgente actualização que pudesse seduzir o mercado britânico. Foi assim que em 1965 surgiu uma versão redesenhada.

António Martinó, 22 de Outubro de 2017

90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL

1936-2026

O PAPAGAIO 

A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

No seu blogue «Largo dos Correios» planeia editar um trabalho sobre as quatro versões da obra de Hergé «A Ilha Negra». (MCNM, 2024)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Ls Xarutos de L Farao

A Biblioteca Municipal de Miranda do Douro recebeu, no dia 14 de fevereiro, a apresentação do livro “Ls Xarutos de L Farao”, primeira aventura de Tintin em Mirandês com tradução de Alcides Meirinhos. 


[Las Abinturas de Tintin]

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Las Abinturas de Tintin

TINTIN ye un de ls heiróis más poliglotas de toda la Banda Zenhada.

Ls Xarutos de l Faraó son la purmeira abintura de TINTIN falada an mirandés i bai a ser apersentada no sábado que ben, die 14, a las cinco de la tarde, na Biblioteca António Maria Mourinho an Miranda. Todos ls partecipantes nesta cuonta fálan la Lhéngua que stá na nuossa raíç: Tintin, Rastapopoulos, Dupond i Dupond, Oulibeira de la Figueira… i até Milú lhadra an mirandés.

Por isso, queda todo mundo cumbidado a star persente, sien miedo, porque l perrico, anque seia guicho, nun muorde.

Bien benid@s

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O Menino Triste D'aprés...


A personagem "O Menino Triste" de João Mascarenhas está a celebrar 25 anos em 2026. 

De 9 de Fevereiro a 19 de  Abril realiza-se uma exposição, na Livraria Cult, com desenhos originais da série "D'Après..." (e se O Menino Triste fosse desenhado por...) dando assim início ao "O Menino Triste - World Tour 2026".

São 34 desenhos de autores portugueses e estrangeiros bem como de algumas homenagens como por exemplo a Moebius (O Menino Arzak... num trabalho realizado para o BD Jornal, na homenagem que Jorge Machado-Dias promoveu a Moebius) ou Hergé.

Nomes por ordem alfabética: Enrique Sánchez Abulí, Aimée de Jongh, André Diniz, Batem, François Boucq, Cameron Stewart, Cyril Pedrosa, Derradé, Fábio Moon & Gabriel Bá, Filipa Beleza, Hergé, José Carlos Fernandes, Jean-Claude Denis, Jeff Smith, Joana Afonso, Lucio Oliveira, Luís Louro, Mana Neyestani, Nuno Markl, Maurício de Sousa, Jean-Claude Mézières, Miguel Rocha, Mawil, Miguelanxo Prado, Moebius, Olivier Afonso & Chico, Osvaldo Medina, Paulo Monteiro, Penim Loureiro, Tara McPherson, Tardi, Lewis Trondheim, Yoshiyasu Tamura, Zep.

Informações de Data e Local Ano: 2026 (Comemorando 25 anos: 2001-2026, conforme o selo circular). 

Local: Livraria Cult.

Endereço: Rua José d’Esaguy, 13B, Alvalade - Lisboa.

(...) [Luís Louro] foi um dos primeiros autores que “piquei”, para esta série “D’après...” com O Menino Triste. Tive algumas dúvidas sobre qual das suas personagens iria retratar, mas acabou por prevalecer a ideia do seu primeiro clássico: Jim del Mónaco. Contudo, tenho uma enorme vontade de igual forma um dia destes “picar” também O Corvo. - JM, 2008


Alguns dos desenhos publicados no nosso blog com a personagem OMT:


No ano da comemoração do Centenário do grande autor belga de Banda Desenhada, não podia deixar de aqui colocar a minha contribuição.

Embora O Menino Triste tenha sido criada numa altura que não deixou qualquer hipótese temporal e física de eu almejar a que um dos meus desenhos pudesse hipoteticamente vir a ser autografado por Hergé, não pude deixar de realizar o trabalho que agora aqui revelo, e de o incluir nesta secção "D'après...".

Independentemente de se gostar ou não de Hergé, não se pode contudo deixar de reconhecer a importância que o seu trabalho (e dos seus Estúdios Hergé) teve, e continua a ter, no panorama da Banda Desenhada europeia. A quantidade de livros, ensaios, teses, e demais literatura sobre o tema assim o demonstra.

Um desenho que fiz há anos, como homenagem a Hergé, onde O Menino Triste "mimetiza" Tintin... (JM, 10/01/2014)





Foi em Outubro de 2001 que foi publicado o primeiro livro d'O Menino Triste.
https://omeninotriste.blogspot.com/
https://www.facebook.com/OMeninoTriste





terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

José de Lemos

-- Na foto podemos ver Geraldes Lino a entregar o Prémio Especial “O Mosquito” a José de Lemos (1985)).

Este desenhador e escritor nasceu em Lisboa, no dia 23 de Abril de 1910, vindo a falecer também em Lisboa a 21 de Abril de 1995.

Embora o seu bairro predilecto fosse o Bairro Alto onde trabalhou cerca de 40 anos, principalmente a colaborar para o jornal “Diário Popular”, onde possuía uma rubrica “Riso Amarelo” e também participou num suplemento Infantil “O Doutor Sabichão” a partir de 1972, mas viveu os últimos anos da sua vida em Campo de Ourique.

Cursou a Escola Preparatória Rodrigues Sampaio. Nunca estudou Desenho ou Letras, sendo por isso um autodidacta nas duas vertentes. Possui um traço único e nunca foi influenciado por qualquer outro artista.

Segundo suas palavras, as próprias crianças e o carinho que a elas dedicava serviram como impulsionadores da sua aprendizagem e da sua procura na concretização dos seus trabalhos, tendo assim alcançado um lugar cimeiro nas vertentes dos dois temas.

No jornal “Diário Popular” viria a criar algumas páginas destinadas aos leitores mais jovens: “Hoje Há Palhaços”, ”As Distracções do Doutor Sabichão”, “Página Infantil” e “Os Artistas de Palmo e Meio”, a sua maior alegria.

(...)

Carlos Gonçalves

José de Lemos (1910-1995) foi um desenhador, ilustrador e escritor.

Nasceu em Lisboa, e cursou a Escola Preparatória Rodrigues Sampaio. Muito cedo revelou a sua vocação para o desenho. Inconformista por natureza, considerava-se um autodidacta perante a arte que escolheu.

Adolescente ainda começa a colaborar em diversas publicações, como o «Rebate», jornal republicano, um dos primeiros onde viu desenhos seus publicados. Mais assiduamente, o seu traço apareceria nas páginas de «O Papagaio», «Sempre Fixe» e «Diário de Lisboa». Ao ingressar no quadro de fundadores do «Diário Popular», José de Lemos passou a desenhar quase exclusivamente para aquele jornal.


José de Lemos tinha ilustrado o primeiro livro de A. Simões Muller: "O Meu Portugal… Meu Gigante" (ENP, 1932).

Lemos foi o primeiro nome convidado por Simões de Muller a colaborar em "O Papagaio" juntando-se assim a Tom que já fazia parte da equipa. Ficou depois como ilustrador e também escreveu contos. As participações relacionadas com Tim-tim são todas de 1936.

#52; 9 Abril 1936; Capa; Tintim; José de Lemos

#54; 23 Abril 1936; Banda Título; Tintim e Milou; José de Lemos

#58; 21 Maio 1936; Banda Título (diferente); Tintim e Milou; José de Lemos
#65; 19 Julho 1936; Banda Título (diferente); Tintim e Milou; José de Lemos

#78; 8 Outubro 1936; Capa; Tintim mascarado de «pele-vermelha» e Milou; José de Lemos


Curiosamente no livro "José de Lemos: Ilustração e cartoon" de Jorge Silva tem um capítulo designado "Lemos no País dos Sovietes".


Ligações









90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL 
1936-2026
O PAPAGAIO 

A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as aventuras de "Tintin". (CG)




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Tintinófilo (I.A.)



O site Tintinófilo (disponível em endereços como tintinofilo.weebly.com ou o antigo blog https://www.google.com/search?q=tintinofilo.over-blog.com) é uma das maiores e mais completas bases de dados digitais em língua portuguesa sobre o universo de Hergé.

É considerado um espaço de "visita obrigatória" para coleccionadores e entusiastas devido ao seu trabalho de arquivo detalhado. Aqui estão as suas principais características:

O que pode encontrar no site:

Inventário Completo: O grande objectivo do site é inventariar tudo o que foi editado em Portugal relacionado com o Tintin. Isto inclui álbuns, revistas antigas (como O Papagaio ou a revista Tintin), jornais e edições especiais.

Merchandising e Coleccionismo: Existe uma secção vasta dedicada ao material comercializado em Portugal, desde as figuras de resina e carros da Moulinsart até brindes históricos, como cromos, pastilhas pirata, porta-moedas e material escolar.

História da BD em Portugal: O site detalha a cronologia das publicações, explicando, por exemplo, como as histórias foram distribuídas por diferentes editoras ao longo das décadas (Bertrand, Difusão Verbo, ASA, etc.).

Pastiches e Curiosidades: Regista também as "homenagens" ou paródias feitas por autores portugueses e curiosidades sobre a censura ou traduções específicas.

Quem está por trás?

O projecto é mantido por José V. Silva (conhecido na comunidade como Zetantan), um tintinófilo dedicado que utiliza a sua própria colecção particular para ilustrar o site. O blog original celebrou o seu 5.º aniversário em 2011 e, desde então, o projecto tem evoluído para formatos de site/arquivo mais permanentes.

Por que é importante?

Para um coleccionador português, o site funciona como um catálogo de referência. Se quer saber se uma determinada edição de O Ceptro de Ottokar é de 1970 ou 1980, ou se quer identificar uma figura antiga que encontrou numa feira de velharias, o Tintinófilo é a fonte de informação mais fiável.

Nota: O site é um projecto de fã, sem fins lucrativos, focado na preservação da memória histórica da obra em Portugal.

Os comentários na internet sobre o site Tintinófilo (e o seu blog associado, Tintin em Portugal) são, de uma forma geral, extremamente positivos, descrevendo-o como uma referência fundamental para a comunidade de Banda Desenhada em Portugal.

Aqui está um resumo do sentimento geral dos utilizadores e especialistas:

1. Reconhecimento como "Bíblia" do Tintin em Portugal

Especialistas e críticos de BD, como Geraldes Lino, referem-se ao projecto como "o mais completo espaço português dedicado ao herói da poupa". É frequentemente descrito como um sítio de "visita obrigatória" para quem quer conhecer a fundo a galeria de personagens hergianas e a sua história específica no nosso país.

2. Nostalgia e Memória Afectiva

Nos comentários de leitores e coleccionadores em blogues (como o Delito de Opinião ou o Blog Nonas), é comum ler-se:

Agradecimentos: Muitos utilizadores agradecem ao autor, José V. Silva, por "reavivar boas memórias" da infância, especialmente sobre a mítica revista Tintin.

Qualidade do Conteúdo: O site é elogiado por ser "diferente, engraçado e actual", mesmo tratando de uma obra com décadas de existência.

3. Utilidade para coleccionadores

A comunidade de coleccionadores valoriza imenso o rigor do inventário. Comentários em fóruns e secções de "errata" do próprio blog mostram que:

O site é usado para identificar peças raras, como as figuras das "Pastilhas Pirata" ou edições da Bertrand dos anos 70.

Existe uma interacção activa entre o autor e os visitantes, que ajudam a completar informações sobre datas de lançamento e variantes de bonecos (como a distinção entre as figuras do Oliveira da Figueira e do Serafim Lampião).

Em resumo, os utilizadores destacam:

Exaustividade: Quase tudo o que o Tintin "tocou" em Portugal está lá registado.

Paixão: Transparece que é um trabalho feito "de fã para fã", sem fins comerciais.

Interactividade: O autor é visto como alguém acessível que acolhe correcções e novas informações da comunidade.

Se tiver algum objecto antigo do Tintin (um boneco, um cromo ou um álbum) e quiser saber se é uma peça rara, o Tintinófilo é provavelmente o melhor local para confirmar essa informação.

(IA - Gemini, 2026)

(As respostas de IA podem incluir erros.)






baseadas nas imagem da colecção Voir et Savoir, CR7 (n. 05-02-1985)


Quim e Filipe




imagens geradas por Nano Banana (IA)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

António Monteiro (II)



[Hergé celebrará em breve (no dia 22 de maio de 2026, para sermos exatos) o seu 119º aniversário; Já Tintin celebrará o seu centenário daqui a cinco anos.] Pode concluir-se que a obra do primeiro e as aventuras do segundo estão, de facto, algo datadas, até mesmo desajustadas das expectativas da juventude actual. Pessoalmente, sou mais optimista: há uns anos, o grupo português de entusiastas de Tintin, a que pertenço, convidou os alunos das escolas para uma exposição que organizámos. Ao todo, compareceram quase 200 crianças, a maioria entre os dez e os catorze anos, e pudemos constatar que muitas delas conheciam Tintin e as suas aventuras, pois os seus pais possuíam os álbuns e, por isso, já tinham tido oportunidade de os ler.

Pedimos às crianças que criassem desenhos inspirados nas histórias do Tintin e ficámos surpreendidos com a quantidade de desenhos que recebemos. Em última análise, a nossa obrigação, enquanto primeiros leitores de As Aventuras de Tintin, é apresentar Tintin aos nossos filhos e netos... Devemos inspirá-los a ler estes álbuns que todos guardamos nas nossas bibliotecas, mostrar-lhes as nossas miniaturas, as nossas colecções... 

E se todos o fizermos, o futuro será certamente tão brilhante como as jóias de Castafiore!

https://www.sept-sans-quatorze.fr

Un dernier mot à l’attention des amateurs de Tintin ?

Hergé fêtera bientôt (le 22 mai, pour être exact) son 118ème anniversaire ; Tintin, lui, célébrera son centenaire dans quatre ans. On pourrait en conclure que les travaux du premier, et les aventures du deuxième, sont de fait un peu datés, voir peu conformes aux attentes des jeunes d’aujourd’hui. Personnellement, je suis plus optimiste : il y a quelques années, le groupe tintinophile portugais auquel j’appartiens a invité des écoliers à l’occasion d’une exposition que nous avions organisée. En tout, près de 200 enfants sont venus, la plupart âgés de dix à quatorze ans, et nous avons pu vérifier que beaucoup d’entre eux connaissaient Tintin et ses aventures, leurs parents possédant des albums, qu’ils avaient donc eu l’occasion de les lire. Nous avons proposé aux enfants de faire des dessins inspirés des histoires de Tintin et nous avons été surpris par le nombre de dessins reçus. Finalement, notre obligation, à nous les premiers lecteurs des Aventures de Tintin, est de faire connaître Tintin à nos enfants et petits enfants... Nous devons leur donner envie de lire ces albums que nous conservons tous dans nos bibliothèques, leur montrer nos modèles de figurines, nos collections... Et si on fait tous ça, alors l’avenir sera certainement brillant comme les bijoux de la Castafiore !

https://www.sept-sans-quatorze.fr/blog/2496487_tintin-au-portugal

(2025)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

António Monteiro (I)

António Monteiro, um conhecido fã português de Tintin e membro dos Amigos de Hergé, foi destacado em 2025 no site https://www.sept-sans-quatorze.fr/blog/2496487_tintin-au-portugal

Nasci em 1951 em Lisboa, Portugal. Antes de me reformar, fui professor universitário de matemática.(...)

Descobri a obra de Hergé ainda criança, pois as aventuras de Tintin eram publicadas em revistas portuguesas para jovens, entre os quais o Cavaleiro Andante, que lia regularmente. Ao crescer, aprendi a apreciar a riqueza da escrita e a qualidade da narrativa, e ainda hoje dou por mim frequentemente a procurar nos comics de Hergé pormenores que me permitam ilustrar uma ideia ou contar uma piada. 

O meu álbum favorito de Tintin é, sem dúvida, O Caso Girassol. A principal razão, para além da elevada qualidade da história e da arte, é que foi a primeira aventura que li na íntegra, quando foi publicada na revista Cavaleiro Andante (1957-1958). Outras aventuras já tinham sido publicadas antes, mas só comecei a ler a revista regularmente por volta dos seis anos. O Caso Girassol é uma história suficientemente complexa para envolver o leitor nas suas reviravoltas, e a arte de Hergé está, na minha opinião, no seu auge. As interpretações e analogias sociais e políticas, que inevitavelmente passariam despercebidas a uma criança de seis anos, foram-se revelando para mim ao longo dos anos, tornando-a, para mim, uma das obras-primas da banda desenhada.

(2025)

www.sept-sans-quatorze.fr/blog/2496487_tintin-au-portugal

Recorde-se ainda que Portugal foi o primeiro país estrangeiro a publicar as histórias aos quadradinhos de Hergé, a partir de 1935. Estas histórias não só foram traduzidas para português, como também a cores, nas páginas da revista O Papagaio.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Tintin fala an mirandés - Las Abinturas de Tintin

A versão em mirandês de "Os Charutos do Faraó", editada pela Casterman, já está à venda em alguns locais. A apresentação oficial da obra será no dia 14 de fevereiro em Miranda do Douro. Mais tarde, em data ainda não anunciada, haverá uma apresentação no Panteão Nacional.

EM MIRANDÊS:

Tintin agora tamien fala an mirandés.

Die 14 de febreiro, a las cinco de la tarde, na Feira de ls Sabores Mirandeses, tenemos que ajudar tamien l Tiu Oulibeira de la Figueira a bender ls sous cunferrumes a ls beduínos.

ALCM. 13/01/2026


L Branco-que-bende-todo, Tiu Oulibeira de la Figueira!

Fui un zafio gustoso i cun muita risa, poner estes tius a falar mirandés.

Talbeç que no més que ben steia çponible para todo mundo.

Alcides Merinhos, 13/01/2026

You sou tçtmunha de l trabalho i de las risas que essa biaije de l francés pa l mirandés te dórun. Só puodo dezir que ye un gusto ber-te a trabalhar i daprender cuntigo. Agora benga esse lhibro i que seia l purmeiro de muitos. 

Suzana Ruano, 14/01/2026

APRESENTAÇÃO NO DIA 14 DE FEVEREIRO

𝐗𝐗𝐕𝐈𝐈 𝐅𝐄𝐒𝐓𝐈𝐕𝐀𝐋 𝐃𝐄 𝐒𝐀𝐁𝐎𝐑𝐄𝐒 𝐌𝐈𝐑𝐀𝐍𝐃𝐄𝐒𝐄𝐒

De 13 a 15 de fevereiro de 2026, Miranda do Douro será palco de mais uma edição do Festival de Sabores Mirandeses, celebrando 27 anos deste certame que promove o que de melhor há e se faz em todo o Planalto Mirandês.

Prepare-se para mergulhar nos sabores únicos da nossa terra, com os melhores produtos locais e tradicionais. Descubra a qualidade inigualável das raças autóctones, a Vitela Mirandesa, o Cordeiro de Raça Churra Galega Mirandesa, o porco e os seus derivados, e delicie-se com a doçaria e o artesanato que refletem a alma do Planalto Mirandês.

Este evento é uma referência na região e um convite imperdível para apoiar e valorizar os nossos produtores locais, num ambiente recheado de sabor, cultura e tradição.

De 13 a 15 de fevereiro, deixe-se conquistar pelos sabores autênticos, aromas irresistíveis e momentos inesquecíveis.

O XXVII Festival de Sabores Mirandeses espera por si, em Miranda do Douro!

+

ARTIGO DA AGÊNCIA LUSA, 13/01/2026:

Tintim tem livro traduzido para mirandês com edição de mil exemplares

A personagem de Banda Desenhada Tintim, criada por Hergé, vai ter um álbum traduzido para mirandês com uma edição de mil exemplares, disse hoje à Lusa o impulsionador desta iniciativa, Daniel Sasportes.

O álbum tem como título "Ls Xarutos de l Faraó" ("Os Charutos do Faraó"), tratando-se, segundo os seus promotores, "de uma iniciativa que junta a cultura e língua mirandesa à banda desenhada mais clássica e que tem como base um personagem português que faz parte das aventuras de Tintim de nome Oliveira da Figueira, estando no mercado os primeiros mil exemplares, com tradução de Alcides Meirinhos".

Em declarações à agência Lusa, Daniel Sasportes disse que este é a primeira aventura de Tintim a ser traduzida para língua mirandesa, ficando disponível em capa dura por um preço de 18 euros.

"Os álbuns do Tintim estão traduzidos em várias línguas, sendo o mirandês a única língua minoritária reconhecida oficialmente em Portugal, e que fazia todo o sentido que também tivesse a sua versão neste idioma", indicou.

Segundo Daniel Sasportes, a escolha de "Os Charutos do Faraó" não foi aleatória, já que o álbum assinala a primeira aparição de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira), o único personagem português recorrente na série, que reforça o simbolismo da edição".

"Este lançamento constitui não só uma novidade no universo "tintinófilo", mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal", vincou Daniel Sasportes.

Segundo Sasportes, esta ideia de traduzir Tintim já leva alguns anos e agora foi possível.

Daniel Sasportes avançou à Lusa que o álbum do Tintim em mirandês tem edição da belga Casterman.

"Nós não temos qualquer direito sobre a obra que pertencem à Tintinimaginatio, que está a comercializar o álbum a quem o solicitar, ou através de vendas digitais e nas "boutiques" especializadas ou livrarias que o entendam fazer, como já aconteceu numa livraria do Porto", destacou.

"Esta edição do álbum do Tintim em mirandês foi uma ideia de um português com tradução de um mirandês, mas cujos direitos são todos belgas", indicou.

Já Alcides Meirinhos, explicou à Lusa — em mirandês — que a tradução deste livro das aventuras de Tintim foi um desafio interessante, mas no início um pouco trabalhoso e difícil.

"Quanto mais se traduzia mais vontade tínhamos de o fazer. Eu penso que se conseguiu dar um cunho mirandês a toda esta aventura de Tintim", explicou.

O também membro da Associação da Língua e Cultura Mirandesa / Associaçon de Lhéngua i Cultura Mirandesa (ALCM) disse que um dos objetivos desta tradução é promover e salvaguardar a língua mirandesa.

"Esta é uma forma de mostrar que a língua mirandesa pode ser utilizada na tradução de clássicos sejam eles de que género sejam", indicou.

Os intervenientes nesta tradução, esperam agora, que esta seja a primeira de muitas, que concerne as aventuras de Tintim.

O mirandês foi reconhecido oficialmente há 27 anos, através da lei 7/99, que fez desta língua a segunda oficial em Portugal. Aprovada em 17 de setembro de 1998, esta lei entrou em vigor a 29 de janeiro de 1999.

Lusa, 13/01/2026