quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Imprensa 1927 - 1993

Nesta lista apenas estamos a considerar publicações entre o "Scout Luzitano" (1927) e o 10º aniversário da morte de Hergé (1993). Durante o ano de 1983, aquando da morte de Hergé,  terá sido publicada muita coisa na imprensa nacional mas ainda conhecemos pouco.

Um representante  do "Diário de Lisboa" aparece no início de "Tintin No Congo" (1931) a querer comprar o exclusivo da reportagem de Tintin.

Está lista estará sempre incompleta mas gostaríamos de receber sugestões dos nossos leitores com a indicação de mais artigos, pastiches e outros assuntos que apareceram na imprensa portuguesa. Também podem referir eventuais erros que detectem.

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1966

Entrevista a Hergé, Luiz Beira, Plateia nº 360 de 13/12/1966

1969

Diário de Lisboa, Canal da crítica: Tin-Tin: É Triste Vê-lo Assim, Mário Castrim, 24/12/1969

1972

Entrevista de Hergé, Quirino Teixeira, DN, 19/10/1972

1975

Tintin sou eu,  Gente nº 86,  26/07/1975 - 3 páginas

1979

Mundo de Aventuras #280 15/02/1979 - Tintin um jovem de 50 anos

1982

Hergé e os Seus Estúdios - Carlos Pessoa, Diário de Lisboa, 02/01/1982

Tintin: um museu do imaginário - Carlos Pessoa, Diário de Lisboa, 04/09/1982

1983

Morreu O Pai de Tintin, Diário de Lisboa,  04/03/1983

A Morte de  Hergé: Tintin Somos Nós! (Bruno Frappat) e O Júlio Verne das Ciências Humanas (Michel Serres), Diário de Lisboa, 12/03/1983

O Falecido Hergé, José-Augusto França, Diário de Lisboa, 24/03/1983

Tintin Sem "Pai", Revista Maria nº 228, Março 1983

1985

O Mosquito nº 6 (V Série) Março/1985 - O mistério da última entrevista (15/12/1982) - Luiz Beira

1986

Hergé, Tintin e o Alph-Art - Vasco Granja, "O Diário", 14/12/1986

1987

E se Hergé tivesse feito como Disney, M. Nöel Hantónio (Manuel Caldas), "Nemo"

1988

A Ilha Negra - Pedro Cleto, "O Primeiro de Janeiro", Agosto de 1988

A Ilha Negra em português, Carlos Gonçalves, CORREIO da Banda Desenhada, 08/09/1988

O Ceptro de Ottokar, Carlos Gonçalves, CORREIO da Banda Desenhada nº 424 (8.º Ano)

1989

Tintin: 60 anos, por João Paulo Paiva Boléo, "Expresso" Revista, 07/01/1989, pp. 46-50

[longa cronologia comentada e ilustrada, com os 60 anos da criação de Tintin]

Tintim em Portugal - Carlos J. F. Jorge (10) Janeiro 1989 , p . 117, "Vertice"

Capitão Haddock - Ricardo Leite Pinto, "Sábado", 18/03/1989

Tintin nasceu há 60 anos, Geraldes Lino, "Selecções BD" n. 13 (1ª série) - Maio 1989

Hergé, João Paiva Boléo, "Expresso", 16/06/1989

Tipologia das Personagens na Banda Desenhada - As personagens de Hergé nas Aventuras de Tintim - Duarte Nuno Moreno, Setembro de 1989




Um Poeta Chamado Hergé - Jorge Magalhães, Shock nº 1, 1989

Seis Anos Depois - Luiz Beira, Shock nº 1, 1989

1990

Exposição "Tintin por Tintim", Diário de Lisboa, 09/04/1990

1991

Público, Paródia sobre Hergé começou a ser julgada em Paris - Carlos Pessoa, 13/12/1991

1992

Público, Um franco pela “Vida Sexual de Hergé” - Carlos Pessoa, 14/02/1992


Público, Tudo sobre Tintim - Carlos Pessoa, 27/02/1993
Heróis da BD: Viva Tim-Tim - Mário João Fernandes, "Algarve Região", 04/03/1993
Público Magazine, nº 157, Hergé - Morte e vida de um mito - Carlos Pessoa, 07/03/1993, pp.14 a 25 (recebeu um prémio de melhor artigo no Amadora BD)

Público, 10 anos da morte de Hergé - Carlos Pessoa, 07/03/1993
- O correr do tempo
- Fundação Hergé - Perpetuar um nome
+ Hergé: morte e vida de um mito
+ "Obra magistral que merecia um fim" [Stéphane Steeman, presidente dos ADH, 1993]
+ Tintin, difícil de abater 

Blitz, Dos 7 Aos 77, Viky Sybergirl, 16/03/1993
Público, Um autor para a eternidade, Numa Sadoul, o “mega-entrevistador” de Hergé - Carlos Pessoa, 1993
Público, A voz dos críticos : Thierry Groensteen: o clássico absoluto - Carlos Pessoa, 1993
Público, A voz dos críticos : Benoît Peeters: influências e influências - Carlos Pessoa, 1993
Público, A voz dos críticos : Heri Filippini: Um Clássico Absoluto - Carlos Pessoa, 1993

Público, Os bons e os maus - Carlos Pessoa, 26/07/1993
Tintin em Portugal - Francisco Baptista Gil, "Algarve Região", 02/09/1993
Clube Comicarte nº 47, O "Mundo de Tintim" , Pedro Cleto, Setembro 1993
Cincinato nº 4 , exposição "O Mundo de Tintim" - António Rocha, Outubro de 1993
Público, Um homem para a eternidade - Carlos Pessoa, 22/10/1993
Público, O verdadeiro e o falso - Carlos Pessoa, 01/12/1993

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ARTIGOS NA REVISTA TINTIN (1968-1982)

Tintin #43/11º ano Tintin cinquenta anos - Vasco Granja

Tintin #15/11º ano Hergé expediu Tintin para a Lua, mas passou os seus tempos livres no campo

Tintin #4/11º ano Georges Remi, aliás Hergé - Numa Sadoul

Tintin #49 a 52/8º ano Algo sobre Hergé

Tintin #52/7º ano, 1 a 4/8º ano Hergé Ad-hoc

Tintin #15 a 18,  21,   23 a 25/6º ano Entrevista a Hergé

Tintin #29/5º ano O lago dos tubarões - o novo filme de Tintin - Vasco Granja

Tintin #42, 45, 50/3º ano, 2, 10,11, 13/4º ano Tintin herói do século vinte - Claude Le Gallo

Tintin #19/3º ano A propósito de Castafiore - Claude Le Gallo e Édouard François

ZTT / Artigos

- GALLO, Claude le, “Tintin herói do século vinte”, tradução de Vasco Granja, publicada ao longo do 1º ano da edição da revista portuguesa TinTin, de um artigo publicado no nº 4 do 3º trimestre de 1967 da revista “Phénix”;

Artigos de Vasco Granja;

TINTIN, cinquenta anos. (série nº 22, supl. 43) - 1979

Tintin e os seus companheiros. Apresentação por Vasco Granja, de um documentário para televisão.  (série nº 25, supl. 08) -

HERGÉ: A escola de Hergé. (série nº 19, supl. 17,18) -

LUCCA 8 : encontro da BD internacional. Artigo de Vasco Granja que inclui diversos desenhos “dedicatórios” aos leitores portugueses. Foram realizados por alguns conhecidos autores de BD em que se destaca o de Hergé na última página do suplemento.(série nº 10, supl. 32) - 1972 // - 29/10/1972 – 04/11/1972

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PASTICHES, CARTOONS E OUTRAS REFERÊNCIAS

- Totor apareceu em Portugal logo em 1927 a ilustrar uma das páginas do número único de "Scout Luzitano" publicado na Covilhã.

- imagem com os Dupondt, A Mosca, Diário de Lisboa, 02/12/1972 

- Na edição de 20 de Maio de 1974 do jornal "A Capital" foi publicada uma ilustração de Tintin na secção "Opinião Pública".

- Fotomontagens do "Jornal Novo"

-  cartoon de Manuel Vieira para a "Flama" (1975)

- Cartoon de José Antunes /" A Chucha" (1976)

- "Kafarnaum" de António, Expresso, (1975/1976)

- Numa das edições do jornal "A Rua", a propósito das eleições presidenciais de 1976, foi publicado um cartoon onde aparece o candidato Pinheiro de Azevedo e onde também aparece Tintin e Milou. 

- Em 1 de Dezembro de 1981, "O Diabo" usava a famosa personagem das aventuras de Tintin, o impagável comerciante "das arábias" Oliveira da Figueira, para criticar o Governo e o Presidente da República de então. 

- Cartoon de Baltazar Ortega (Mário Soares e Mota Pinto como Dupondt) no jornal "Expresso" 1983

- O Jogo das 7 Semelhanças, Pedro Morais, semanário "O Independente". 1988

- Na BD Tobias aparece Prof. Girassol- Revista "Metro" nº 16 - Jan 1989

- Cartoon de Metello - Revista «"Sábado" 18/03/1989

- "História Com Siza" - Pedro Morais, publicada no nº50 de "O Independente" (suplemento "Vida 3"), 28/04/1989

- "As Minhas Aventuras Na República Portuguesa", com texto de Miguel Esteves Cardoso e desenhos de Jorge Colombo, é uma banda desenhada publicada em 28/04/1989 no suplemento "Vida 3" do jornal "O Independente"

- Desenhos de pampam (Pedro Morais), Cadernos Politika! nº 3, Maio 1989

- Cartoon com a capa de O Lótus azul, Rui Pimentel, "O Jornal", 1989

- A capa da edição de 16/03/1990 de "A Mosca", suplemento das sextas do "Diário de Lisboa", tem imagens alusivas a Tintin com destaque para a presença do representante criado por Hergé.

- Cartoon de Braga Macedo como Tintin, "Sábado" #186 de 03/01/1992

- Cartoon de Metello na revista "Sábado" de 09/04/1992

- Foguetão na capa do suplemento "Tele Público"(1993?)

- Caricatura de Jacques Delors por António, Expresso (data?)

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- O inédito "Capitão Haddock" de Artur Portela Filho aparece no livro "A Funda"(4º volume)

- O livro "Droga de Rock" de Jorge Lima Barreto (1986) contou com a colaboração de Pedro Morais na parte da BD. Numa das ilustrações aparece Klaus Nomi junto a um cartaz com Bianca Castafiore.

- O jornal "Independente", de 26 de Junho de 1992, publicou no suplemento "Vida 3" uma entrevista de  Sara Adamopoulos a Léon Degrelle, um belga de extrema-direita que teve ligações a Hergé e que estava exilado em 
Espanha desde 1944 onde morreu em 1994 [tintin e milou aparecem na capa]


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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Joaquim Letria

Os 80 anos de Tintin

QUIS SER JORNALISTA porque Tintin me convenceu de que os jornalistas eram aventureiros, viajavam muito e tinham sede de justiça. Eu acreditei que ser correspondente algures no mundo, viver emoções, percorrer muitos países, ter um amigo rico e grande bebedor, que dizia muitas asneiras, era o melhor para andar com cantoras de ópera gordas e namoradeiras, cientistas despistados, um cão esperto, polícias burros, sherpas simpáticos, sempre em movimento por enigmáticas cidades, diferentes continentes envolvidos em conflitos, atravessados por guerras e revoluções.

Este meu amigo, que me convenceu do que não existe, fez agora 80 anos, não envelheceu, não se inscreveu nos Repórteres Sem Fronteiras nem se sindicalizou. Ninguém lhe conhece namoradas nem tendências gay. Nunca o abandonei por ilhas, ceptros, lótus azuis, bolas de cristal, templos secretos, voos longínquos, viagens à Lua e o Tibete em paz. Mas já ninguém quer ser jornalista por causa dele.

Joaquim Letria, «24 Horas» de 6 de Fevereiro de 2009

- Quis ser jornalista pela profissão em si ou porque desde sempre gostou de escrever?

Começou por ser o gosto pela escrita. Depois o gosto pelo jornalismo em defesa dos pobres e dos mais fracos. E, depois, havia o Tintin: o gosto pelas viagens e pelas aventuras.

Joaquim Letria, Notícias Magazine, 11/09/2014


Tido como um jornal de oposição, o Diário de Lisboa é naturalmente procurado por uma nova geração anti-regime, por vezes com uma aprendizagem política e cultural feita nas associações de estudantes. Joaquim Letria – que, desde os 13 anos, sonhava ser jornalista, imaginando-os, sob a influência de Tintin e dos romances americanos, a dar a voz a quem a não tem, defender os mais fracos, denunciar as arbitrariedades – anda, em 1961/62, “mês e meio a rondar o Diário de Lisboa”. Presidente da PróAssociação dos Liceus, envolvera-se no “luto académico”, perdera o ano e só um emprego lhe permitiria enfrentar a família. Recebido por Mário Neves [subdirector do jornal e comissário da Feira Internacional de Lisboa], este pergunta-lhe: “Você quer um emprego ou quer ser jornalista?”. E explica: “Se quer um emprego, eu arranjo-lhe um emprego na FIL ; se quer ser jornalista, é melhor pensar em que é que se vai meter!”

No DL, Letria vai, como vários outros, esforçar-se por driblar a Censura, escrevendo nas entrelinhas. “Mas isso era na geração que estava a começar”, recorda, “porque os velhos já estavam cansados disso. O Norberto [Lopes] não queria que o jornal se atrasasse por causa “dessas porcarias” e da censura. (…). O jornal não queria problemas, mas mantinha as suas distâncias relativamente à política do governo, sobretudo na questão colonial.”

Em 67 mandam-no acompanhar uma viagem de Américo Tomás à Guiné e a Cabo Verde. Vítor Direito, o chefe de redacção, dá-lhe as instruções: «Não precisamos de si para escrever a notícia do “venerando chefe do Estado”, para isso basta a ANI e a Lusitânia. Você vai para o caso de acontecer alguma coisa (se matarem o Tomás ou assim…) mas só escreve se achar que vale a pena”.

É que, nesse tempo, como afirma Carlos Pinto Coelho, chegado ao jornalismo em 68, as coisas “tinham a virtude de serem transparentes: os jornais exibiam cores, identidades, ideologia, quem os comprava sabia ao que ia.” Comprar o Diário de Lisboa ou o Diário Popular, o Século ou o Diário de Notícias, era um acto de escolha – e cada um dos títulos tinha os seus fiéis leitores (...)

Diana Andringa, SC Doutoranda - VI Congresso Português, 2008 - historico.aps.pt


terça-feira, 20 de outubro de 2026

Tintin no século XXI

Escolhi escrever este texto por dois motivos. Primeiro, a ASA tem estado a publicar as aventuras de Tintin, a grande obra de Hergé, em volumes com vários originais. A chegada de Tintin, seja qual for o formato, é sempre uma festa.

O segundo motivo foi a descoberta de um texto de Manfred Kets de Vries, no site Medium com o título Tintin: The psychology of the boy who refuses to accept a broken world. O artigo está acessível de forma gratuita.

Tintin interpretado por Kets de Vries, um professor de liderança com lente psicanalítica, é demasiado bom para se perder a oportunidade de ler, comentar e recomendar. O texto ajudou-me a perceber porque gosto tanto de Tintin desde que me conheço e o conheço a ele. Tintin habita um mundo como o nosso, cheio de vilões narcisistas, autoridades com propensão para a burocracia, fanatismos vários, fumos de guerra. Mas ele nunca desiste de endireitar o mundo. É isso que faz em cada livro, sendo que cada problema resolvido é apenas um problema a menos num mundo onde os problemas não param de, como diriam no Brasil, pipocar.

Mas o que torna interessante este personagem tão certinho é o curioso grupo que o acompanha: um cão que tem as dúvidas que o dono não tem, um amigo alcoólico descontrolado, dois detetives apatetados, um cientista aluado e uma cantora lírica que faz tremer os vidros. No fundo, podemos ler Tintin como uma lição de liderança: um personagem tão certinho só tem interesse no meio dos seus opostos, com os quais ele aliás se relaciona sem a tentação do julgamento. Um lição intemporal, que talvez explique a longevidade deste herói para jovens dos 7 aos 77.

Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Popol e Virginie


Algumas brincadeiras com um desenho de Popol e Virginie usando o IA do Gemini / Nano Banana.











E mudando mais uma vez de protagonistas.


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Os álbuns de Tintin em Língua Portuguesa


A história da edição portuguesa em álbum das aventuras de Tintin começa em março de 1939, quando Hergé propõe à administração da revista O Papagaio a publicação em livro das aventuras do jovem repórter aí publicadas. Contudo, apesar da aceitação da proposta, ela não teve seguimento. Doze anos mais tarde – em janeiro de 1951 –, Hergé volta ao assunto, então junto da Empresa Nacional de Publicidade, proprietária da revista Diabrete. A resposta é de novo positiva, mas, mais uma vez, o projeto não se concretiza. Nove anos depois – em 1960 – e para surpresa geral, a imprensa portuguesa anuncia a edição, em português, dos álbuns com As Aventuras de Tintim e Milu, mas com edição no Brasil.   

A Flamboyant (São Paulo, Brasil) foi, assim, a primeira editora a publicar em álbum, em língua portuguesa, as aventuras de Tintin. Os primeiros títulos apareceram em 1961, sendo publicados doze, em capa dura, e as primeiras edições apresentavam as lombadas em tecido. Em Portugal, as edições da Flamboyant foram distribuídas pela Editorial Aster, de Lisboa.   

A partir de 1969, as aventuras de Tintin, em álbum e em língua portuguesa, passaram a ser publicadas pela Editora Record (Rio de Janeiro, Brasil) e distribuídas em Portugal pelo Centro do Livro Brasileiro.  

No total, a Record lançou As Aventuras de Tintim em cinco séries. Encontramos versões surpreendentes em alguns títulos escolhidos que, posteriormente, não foram adotados pelas editoras portuguesas, como Tintim na África (Tintin no Congo), O Loto Azul (O Lótus Azul), O Ídolo Perdido (A Orelha Quebrada) e Perdidos no Mar (Carvão no Porão).   

José Vitor Silva, 2021


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Agradecemos a quem nos avisar de quaisquer erros no site ou sugestões para coisas em falta. Podem alertar para o seguinte email: 

jovitosilva@gmail.com

Também podem usar os comentários quando gostarem de algum post ou se tiverem alguma informação em falta ou sugestão para dar.

ENP, Flamboyant, HEP, O Papagaio, Record, Tintinófilo, Traduções,

domingo, 11 de outubro de 2026

O Senhor Oliveira da Figueira

 

Oliveira da Figueira, comerciante português de Lisboa, encontra Tintin na aventura "Os charutos do faraó", que lhe compra um variado conjunto de bugigangas. Tintin volta a encontrá-lo em Wadesdah no Khemed, onde reside. É graças ao português que Tintin consegue entrar na casa fortificada do Dr. Muller no episódio "Tintin no País do Ouro Negro".

Finalmente, a sua figura ainda aparece em "Carvão no porão". 

Oliveira da Figueira [não] será uma homenagem de Hergé aos portugueses, pelo facto de ser o primeiro país a publicar a cores as aventuras de Tintin na revista O Papagaio [pois apareceu em 1933 e a estreia em Portugal foi em Abril de 1936]. Apareceu pouco depois da grande Crise Económica de 1929.

Hergé coloca-o no círculo íntimo das aventuras de Tintin, sendo o português o primeiro a felicitar Haddock pelo seu "casamento" em "As Jóias da Castafiore".


Conteúdo do livro de 16 páginas que acompanhava a figura da Altaya:

Índice / Conteúdo   2-3 A figura   4-5  A personagem   6-7 À aventura   8-9 A pasta do artista   10-11 Hergé no texto   12-13 A sequência comentada   14-15 Antes da obra-prima   16 Sabia que...

Textos: Daniel Couvreur, Frédéric Soumois, Dominique Maricq

Oliveira da Figueira é um vendedor nato e o seu aspeto demonstra-o bem. Fala-barato e bajulador, a sua bondade é indiscutível, se bem que tenha como seu objetivo primordial as tentativas de seduzir para vender todo o género de objetos a qualquer pessoa, em qualquer lugar. Com a roupa proporcional ao ofício, de camisa aberta e chapéuzinho enterrado na cabeça… aqui está o nosso homem revelando todo o seu encanto. Este campeão da venda direta com muita lábia transforma-se em mais de uma ocasião num aliado providencial de Tintin e do seu amigo capitão Haddock.

Em 1947 aparece numa campanha contra a especulação do mercado negro na Bélgica devastada pela guerra. Na versão das guardas dos álbuns de Tintin que apareceu em 1957. Ou junto a Hergé na conhecida carte de voeux de 1973. 

Esteve ainda previsto aparecer como "marchand d'arms" em "Un jour d'hiver, dans un aéroport" (projecto inacabado) e também constava da ideia inicial para "As 7 Bolas de Cristal" que foi dada a Hergé pelo seu amigo José. 

Ou no Museu Imaginário:

« Em junho de 1979, foi inaugurada uma grande exposição itinerante no Palais des Beaux-Arts, em Bruxelas. Os detalhes do seu conteúdo eram desconhecidos para Hergé, mas os curadores explicaram que ela colocaria os objetos míticos colecionados por Tintin durante as suas aventuras com os objetos reais que os inspiraram. No cartaz da exposição, Hergé tentou encenar a intrusão das suas personagens principais no coração de uma instalação imaginária, concebida para deixar qualquer colecionador verde de inveja.» Fonte: Chronologie d’une œuvre – tome 7.


- texto da contracapa -
 
(éditionsmoulinsart)


Cópia do passaporte na versão original em francês

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Tintin em Coimbra





As recentes declarações do primeiro-ministro Luís Montenegro sobre o percurso do rio Mondego deram origem a vários memes nas redes sociais. No entanto, há um conteúdo humorístico que está a ganhar destaque. Num curto filme de animação, é possível ver a personagem Tintin dentro de um barco a afundar, numa clara referência ao Titanic. [1]

“Fujam depressa”, diz a icónica personagem de banda desenhada. “Porquê, Tintin?”, questiona uma criança. “Porque o Montenegro disse que em Espanha vão abrir as comportas e vai aumentar o caudal do Rio Mondego”, responde Tintin, para espanto de todos. Este seria um momento da nova aventura ‘Tintin em Coimbra”. [2]

O humor surge da interpretação das palavras do primeiro-ministro, que se referiu à interação e gestão com Espanha no contexto da bacia do Mondego. “Estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do rio Mondego. A palavra é de tranquilidade porque tudo aquilo que pode ser feito está a ser feito, incluindo a evacuação. E tudo o que puder ainda ser salvaguardado vai ser: do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e ainda de interação com os nossos vizinhos espanhóis, que aliás é uma matéria que vem sendo feita desde o início do mês de janeiro”, disse então o primeiro-ministro.

Redação 24horas, 2026

[1] Após as cheias em Lisboa, de Outubro de 2014, Rui Ramos ("Marca D'Água") decidiu fazer uma capa falsa/pastiche de um álbum inexistente do Tintin tendo por base uma vinheta das aventuras de Jo, Zette + Jocko. Esse pastiche  foi agora adaptado a uma animação passada em Coimbra.

[2] - Há vários rios portugueses que nascem em Espanha mas não é o caso do Rio Mondego.



TINTIN EM LISBOA?

Por gentileza de um amigo, sempre atento às novidades que circulam no Facebook (sobretudo as de cariz mais inédito ou especial), partilhamos com os nossos visitantes esta capa do que pode parecer, à primeira vista, um novo álbum de Tintin — facto que, a ser verdade, geraria uma onda de entusiasmo em todo o mundo, Lisboa 2tornando-se o mais estrondoso êxito editorial desta década.

O encanto de Lisboa e o seu renome entre as cidades mais acolhedoras do nosso planeta justificam a escolha… mesmo sem disfarçar a alusão às intempéries que se têm abatido sobre a bela princesa do Tejo, com efeitos calamitosos, como as recentes inundações que (mais uma vez) atingiram várias zonas da baixa lisboeta.

Até se lê na dita capa o nome de uma editora que parece inspirado pelas cheias: Marca D’Água. O grafismo imita muito bem o estilo inconfundível de Hergé, mas o nome do mimético desenhador não é mencionado na ilustração.

Jo, Zette e JockoNesta cena surge também uma personagem oriunda de outra famosa criação de Hergé (não tão célebre como Tintin, mas bastante conhecida em Portugal). Serão capazes de identificá-la?

Posto isto — e para não aumentarmos o alvoroço que já deve reinar nalguns espíritos mais crédulos ou mais fantasistas —, leiam com atenção as primeiras linhas que escrevemos e desiludam-se… pois a sensacional “novidade” não passa de uma paródia às inundações que têm ocorrido em Lisboa (tal como em anos anteriores… o mal já vem de longe), e sobretudo numa altura em que se fala da saída de António Costa da Câmara Municipal por causa da sua candidatura a Secretário-Geral do PS. Uma “chuva” de críticas abateu-se também sobre o autarca… atribuindo-lhe culpas pelos efeitos do temporal que nem a S. Pedro tentariam assacar!

Aproveitando a deixa, sugerimos outros temas de flagrante actualidade para as próximas “aventuras” do famoso repórter, que continua bem vivo trinta e um anos após a morte do seu ilustre criador: Tintin e a Abertura das Aulas e Tintin e a Reforma da Justiça (intrigantes meandros da sociedade portuguesa, em que o nosso herói certamente encontrará bastos estímulos para a sua insaciável curiosidade e para o seu espírito dinâmico e inventivo, atraído por desafios de toda a espécie).

Então, já adivinharam o nome do outro herói juvenil que figura na ilustração que encabeça este post?Pois é verdade, trata-se sem dúvida de um dos elementos da bizarra pandilha Jo, Zette e Jocko, que em Portugal surgiu pela primeira vez, com o mesmo nome, nas páginas da revista Zorro, sucessora do Cavaleiro Andante.

O autor deste saboroso pastiche, cujo anonimato se perde na multidão de talentosos humoristas que pululam na Net, baseou-se num episódio dessa série intitulado “A Erupção do Karamako” (onde não faltam catástrofes naturais), publicado no Zorro entre os nºs 141 a 192 (1965-66), e mais tarde em álbum pela Verbo (1981-82), na colecção “Aventuras de Joana, João e do macaco Simão”, dedicada a esta criação de Hergé, cuja estreia se deu na revista francesa Coeurs Vaillants, em Janeiro de 1936.

Graças ao amigo que nos enviou esta curiosidade, “tintinófilo” de gema e profundo conhecedor da obra de Hergé, aqui fica também a vinheta original que serviu de inspiração à presente “capa”, com algumas diferenças subtis que tornam ainda mais curioso um (atento e estimulante) exercício comparativo.


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Jorge Magalhães, blog, 20/10/2014


domingo, 4 de outubro de 2026

Pedro Silva Dias

Pedro Silva Dias foi o autor de algumas das peças mais representativas da renovação do design português contemporâneo.

Algumas das obras tem uma ligação com as personagens de Hergé.


"Igor" é um dos nomes mais importantes da história do design português do fim do séc. XX. Ao contrário de outras peças de mobiliário de Pedro Silva Dias, o título deste móvel de gavetas não vem de um personagem de banda desenhada de Hergé – mesmo que à primeira vista possa ser confundido com uma versão do foguetão de Tintin, feita em contraplacado, laminado e torneado manualmente como um único bloco de madeira. Silva Dias quis criar um móvel sem frente, costas, lados, arestas ou puxadores; uma forma ovóide, redonda em todos os sentidos, que questiona as suas próprias função e tipologia enquanto peça de mobiliário, para existir autonomamente no espaço como um plano único e indivisível. Foram produzidos apenas cinco exemplares de Igor – a sua muito limitada e exclusiva edição fez parte de um conjunto de obras de autor editadas pela Loja da Atalaia do início dos anos 90, que ficará também na história como um incontornável marco na produção, promoção e colecção de design de produto e mobiliário em Portugal.

Pedro Silva Dias https://www.05031979.net/2009/06/catalogo-mude/

Igor Móvel de Gavetas, 1991 - Produzido por Loja da Atalaia

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/dois-designers-filipe-alarcao-e-pedro-silva-dias/

- Cadeira Mitsuhirato (1987) https://veritas.art/lot/pedro-silva-dias-par-de-cadeiras-mitsuhirato-1987/

- Estante Karamako (1987)

- Arumbaia (1987)

- Rastapopoulos

- Rawhajpoutalah

Ilustração 104. Rastapopoulos, Pedro Silva Dias. [Documento icónico]. [Lisboa: Rastapopoulos, 1987]. 1 fotografia: cores. Pedro Silva Dias. Disponível em: http://www.pedrosilvadias.com/

P.134 Ilustração 105. Rawhajpoutalah, Pedro Silva Dias. [Documento icónico]. [Lisboa: Rawhajpoutalah, 1987]. 1 fotografia: cores. Pedro Silva Dias. Disponível em: http://www.pedrosilvadias.com/ P.134 Ilustração 106. Abdul-el-razek, Pedro Silva Dias. [Documento icónico]. [Lisboa: Abdul-el-razek, 1987]. 1 fotografia: cores. Pedro Silva Dias. Disponível em: http://www.pedrosilvadias.com/ P.134 Ilustração 107. Mitsuhirato, Pedro Silva Dias. [Documento icónico]. [Lisboa: Mitsuhirato, 1987]. 1 fotografia: cores. Pedro Silva Dias. Disponível em: http://www.pedrosilvadias.com/

P.134 Ilustração 108. Karamako, Pedro Silva Dias. [Documento icónico]. [Lisboa: Karamako, 1987]. 1 fotografia: cores. Pedro Silva Dias. Disponível em: http://www.pedrosilvadias.com/ P.134 Ilustração 109. Arumbaia, Pedro Silva Dias. [Documento icónico]. [Lisboa: Arumbaia, 1987]. 1 fotografia: cores. Pedro Silva Dias. Disponível em: http://www.pedrosilvadias.com/

Pedro Silva Dias Biografia

Designer e professor. Licenciado em Design de Produto pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa @fbaul e doutorado em Design de Equipamento, mantém-se na instituição como professor, desde 1996.

Desde 1987 que trabalha como designer, ano da criação do seu atelier. Pedro Silva Dias desenvolveu projetos de produto, mobiliário, iluminação, equipamento urbano, produtos industriais, ambientes, design gráfico e editorial, exposições, cenografia e sinalética, entre outros. Em 1998/99 foi galardoado com o Prémio Nacional de Design, estando as suas obras presentes em Portugal, Itália, França e Alemanha. Está representado na colecção permanente do MUDE – Museu do Design e da Moda, em Lisboa.

https://www.instagram.com/tv/CWvVMNMKrdi/

http://www.pedrosilvadias.com/monograph.html

Pedro Siva Dias é um autor multifacetado.

Fotógrafo, designer gráfico, destacou-se a partir do final dos anos 80 como designer de equipamento com formação na FBAUL, onde também lecciona.

Esteve ligado à renovação do design português contemporâneo, projectando alguns dos seus ícones, como a cadeira Mitsushirato, a estante Karamako e o emblemático Igor.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Objectivo Centenário - Tintin 100 anos

"Objectif Centenaire" refere-se ao colóquio internacional intitulado "Les Cultures de Tintin. Objectif centenaire", organizado em antecipação ao centenário da célebre personagem de banda desenhada criada por Hergé (nascida em janeiro de 1929).

Esta imagem é uma adaptação em português, pedida ao ChatGPT, do cartaz do colóquio  internacional que se realizará este mês em Bruxelas e Paris por causa das comemorações dos 100 anos de Tintin que se irão comemorar em Janeiro de 2029 .

A designação ficou Tintim mas decidimos deixar porque serve também para o Brasil e é apenas um pormenor até por causa da influência do AO no nome do evento. Há também uma pequena alteração no nariz de Tchang que não se percebe.

(adaptação ChatGPT para português do cartaz original)

cartaz original

https://www.college-de-france.fr/sites/default/files/media/image/2026-09/objectif-centenaire_bandeau_web.jpg

Introdução

A sua eterna juventude desmente a sua idade, mas em janeiro de 2029, Tintin completará cem anos. Hergé deixou um legado de obras cujo impacto permanece notavelmente vibrante na cultura da banda desenhada e no imaginário coletivo. Incorporando a mística da aventura, Tintin tornou-se uma figura importante nas mitologias contemporâneas.

Desde a sua concepção, passando por apropriações e contributos de outros cartoonistas, a sua influência na evolução e renovação da banda desenhada ilustra o poder narrativo e estético do projecto de Hergé. A sua interpretação é cada vez mais afirmada nas humanidades. Entre inúmeras edições, reedições e traduções, a recepção cultural e mediática de "As Aventuras de Tintin" estende-se muito para além dos círculos académicos de entusiastas de Tintin. Aqueles que a praticam continuam a explorar os seus significados filosóficos, políticos, sociais e estéticos através de publicações e jornadas de estudo que demonstram o sucesso duradouro da relação crítica com Hergé.

Ícone popular, como tantas outras figuras do imaginário literário e cinematográfico, figura nostálgica da época dourada da banda desenhada e objecto de intensa paródia que ilustra a sua vitalidade cultural, Tintin é uma silhueta familiar nas paredes das cidades, na publicidade, no cinema, na comercialização desenfreada de produtos relacionados, mas também em inúmeras bandas desenhadas contemporâneas que intensificam alusões críticas ou elogiosas à obra de Hergé, seja para se distanciarem dela, seja para a incorporarem.

Três anos antes do centenário de Tintin, esta conferência internacional, com enfoque na obra de Hergé e examinando rigorosamente a sua exegese mais recente, procura refletir sobre o lugar de destaque e a importância que a obra ocupa no século XXI enquanto construção visual dos imaginários sociais. "Les Cultures de Tintin": uma forma contemporânea de revisitar a obra de Hergé, situando-a na perspectiva dos seus usos estéticos, das suas reapropriações socioculturais e da sua centralidade no mundo da banda desenhada.

- adaptado de https://www.college-de-france.fr/fr/agenda/colloque/les-cultures-de-tintin-objectif-centenaire

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Kuifje In Portugal / Tintin Au Portugal

A relação das aventuras de Hergé com Portugal é uma longa História.

É bom recordar que, a primeira vez que Tintin foi traduzido, foi para português, sendo também em Portugal que foi editado a cores pela primeira vez. (...) Em 18 de Abril de 1935 foi publicado o primeiro número da revista juvenil “O Papagaio” (...) [dirigida e editada por Adolfo Simões Muller, localizada na Rua do Capelo, em Lisboa e propriedade da Empresa da Revista Renascença].

Abel Varzim tinha estudado, entre 1930 e 1934, sociologia na Universidade [belga] de Lovaina, tendo conhecido as aventuras de Tintin no suplemento “Le Petit Vingtiéme”, do diário católico “Le Vingtiéme Siécle”, dirigido pelo abade Norbert Wallez (...).

O percurso futuro desses dois padres católicos não podia ser tão diferente. Abel Varzim tornou-se um critico e opositor do regime do Estado Novo, sendo perseguido por isso e sendo uma espécie de fundador do movimento de “católicos progressistas”, que tantas dores de cabeça deu a Salazar e ao seu regime. Pelo contrário, o padre Wallez acabou expulso do “Le Vingtiéme Siécle”, ainda na década de 30, devido às suas simpatias pelo fascismo e pelo nazismo, sendo preso depois da libertação da Bélgica em 1944, cumprindo 5 anos de prisão como colaboracionista com os ocupantes.


(...) Abel Varzim, regressado ao [nosso] país, enviou ao director do “Vingtiéme Siécle” uma carta, datada de 25 de Maio de 1935 [logo a seguir à fundação de “O Papagaio”], pedindo  que Wallez intercedesse junto de Hergé para este autorizar a publicação, na revista portuguesa “O Papagaio”, das aventuras de Tintin, pedindo, igualmente, para ser combinado um preço especial pelos direitos dessa publicação, devido às dificuldades económicas da revista portuguesa.

O pedido teve êxito e, depois de o anunciar no nº 49 e editar a primeira capa com a nova personagem no nº 51  de “O Papagaio” , na edição nº 53, de 16 de Abril de 1936, começou a  publicar em Portugal a primeira aventura de Tintin: “Tim-Tim na América do Norte”.

A revista fez algumas adaptações das aventuras de Tintin à situação portuguesa, aportuguesando igualmente o nome de algumas personagens, uma condição também para escapar à censura, que obrigou muitas vezes a esse tipo de adaptação de outras obras de banda desenhada estrangeira publicadas no país.

Uma evidente cedência à censura portuguesa, por parte d’ “O Papagaio”, foi a alteração de uma legenda de “Tintin na América”, onde uma (...) greve de trabalhadores norte-americanos, é traduzida na edição portuguesa como uma “paragem para o almoço”.

Tintin foi designado como Tim-Tim, um repórter “português”, o cão Milou transformou-se, primeiro em Pom-Pom e, depois, na “cadela” Rom-Rom, para que o seu nome não fosse confundido com a cantora Milú (...).

[A partir do Diabrete] O Capitão Haddock foi transformado no Capitão Rosa que, em vez de beber Whisky, passou a beber Vinho do Porto, o professor Tournesol [que ainda não tinha aparecido em O Papagaio] foi baptizado como senhor Pintadinho de Branco [ou Pintadinho de Fresco] e, mais tarde, professor Girassol.

Um dos casos mais estranhos [ainda em O Papagaio] foi transformar um dos poucos “portugueses” originais da série, o “vendedor ambulante” Oliveira da Figueira, que apareceu pela primeira vez na aventura “Os Charutos do Faraó” (1934), num espanhol de Málaga, fugido da Guerra de Espanha (altura em que essa aventura foi editada n’”O Papagaio”), talvez porque fosse considerado uma figura pouco abonatória do ideal do “português” propagandeado pelo Estado Novo.

Oliveira da Figueira surgiu noutras duas aventuras de Tintin, “Tintin no País do Ouro Negro” (1950) e em  “Coke en Stock” (1958).

Há ainda um “vilão”, Dr. Müller em “A Ilha Negra” (1938), por muitos identificado como uma alusão a Adolfo Simões Müller, director d’”O Papagaio”.

Em "Tintin no Congo" aparece, numa cena esporádica, um anónimo jornalista português do "Diário de Lisboa. Há ainda um professor de Coimbra, [Pedro João dos Santos, ] noutro álbum de Tintin (A Estrela Misteriosa).

Houve também outras adaptações, como “Tintin no Congo”, que se intitulou “Tim-Tim em Angola”, redesenhando-se mesmo algumas vinhetas para tornar este título mais verosímil, como na cena da aula dada por Tintin a crianças negras, onde o mapa da Bélgica, no quadro,  foi substituído pelo mapa de Portugal. Mais tarde o próprio Hergé redesenhou este quadradinho, retirando-lhe a conotação colonialista da primeira edição.

Hergé enviou uma carta, datada de 12 de Maio de 1936,  ao padre Abel Varzim, congratulando-se com a edição portuguesa da sua obra, elogiando, nomeadamente, a novidade da colorização das aventuras de Tintin, mas também fazendo algumas críticas à paginação que, quanto a ele, retirava algum suspense às aventuras.

Quando a Bélgica foi ocupada pelas tropas nazis, em Maio de 1944, tornou-se complicado transferir dinheiro de Portugal para pagar a Hergé, pelo que este propôs o pagamento dos direitos em géneros, como sardinhas em conserva, chá, café, cacau, azeite, chocolate, leite condensado, arroz e bolachas. Hergé pediu igualmente para incluírem dois avios mensais em géneros para o irmão Paul, prisioneiro de guerra na Alemanha.

Durante 12 anos “O Papagaio”, que se editou entre 18 de Abril de 1935 e 10 de Fevereiro de 1949, num total de 722 números,  publicou um total de 9 aventuras de Tintin:

- “Tim-Tim na América do Norte” – nºs 53-110, de 16/04/1936 a 20/05/1937;

- “Aventuras de Tim-Tim no Oriente” (“Os Charutos do Faraó” no original) – nºs 115-161, de 24/06/1937 a 12/05/1938;

- “Novas Aventuras de Tim-Tim” (“O Lótus Azul” no original) – nºs 166-205, de 16/06/1938 a 16/03/1939;

- “Tim-Tim em Angola” (“Tintin no Congo” no original) – nºs 209- 244, de 13/04/1939 a 14/12/1939;

- “Tim-Tim e o mistério da Orelha Quebrada” – nºs 247-298, de 04/01/1940 a 26/12/1940;

- “Tim-Tim na Ilha Negra” ( (...) A Ilha Negra , no original) - nºs 301-359, de 16/01/1941 a 26/02/1942;

- “Tim-Tim no Deserto” (“O Caranguejo das Tenazes de Ouro” no original) – nºs 366-226, 16/04/1942 a 10/06/1943;

- “A Estrela Misteriosa”- nºs 435-540,de12/08/1943 a 16/08/1945;

- “O Segredo da Licorne” – nºs 617-679, de 06/02/1947 a 15/04/1948.

Esta foi a primeira vez em que Tintin foi publicado numa língua que não o francês. Até aí, as suas aventuras apenas tinham sido editadas na Bélgica, em França e na zona francófona da Suíça.

Em 1941, Adolfo Simões Müller abandonou “O Papagaio” (...) [e juntou-se a] uma nova revista juvenil, “Diabrete” (4 de Janeiro de 1941- 29 de Dezembro de 1958). Müller chegou a escrever a Hergé para conseguir ficar com os direitos de publicação de Tintin na nova revista, mas não o conseguiu, pelo que essa série continuou a ser publicada n’”O Papagaio”.

Contudo, conseguiu adquirir os direitos de uma outra série, até aí nunca publicada em Portugal, que nasceu depois do Tintin também na revista “Le Petit Vingtiéme”, a série humorística Quick e Flupck, que será publicada no “Diabrete” entre 5 de Janeiro de 1941 e 10 de Outubro de 1943, com a designação de “Tropelias do Trovão e do Relâmpago”. 

Entretanto, com o fim d’”O Papagaio” em 1949, Simões Müller conseguiu adquirir os direitos de Tintin, publicando três aventuras no “Diabrete”, a primeira “O Ceptro de Ottokar”, com a designação de “Aventuras de Tim-Tim e Rom-Rom”, entre 9 de Março de 1949 e 18 de Março de 1950, seguindo-se mais duas aventuras, “O Tesouro de Rackham, o Vermelho”, aportuguesado para “O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa”, entre 25 de Março de 1950 e 21 de Março de 1951, e “As 7 Bolas de Cristal”, entre 4 de Abril de  e 29 de Dezembro de 1951, ficando a publicação desta aventura incompleta, devido ao facto de o “Diabrete” ter interrompido a sua publicação nesta data, ao fim de 553 edições.

Até ao início da década de 1960, Adolfo Simões Müller manteve os direitos da edição do Tintin em revistas portuguesas por si editadas, como aconteceu com o “Cavaleiro Andante” (1952-1962), o “Foguetão” (1961) e o “Zorro” (1962-1966).

A mítica revista “Cavaleiro Andante” publicou muitas das séries da revista belga “Tintin”, devendo-se a ela a divulgação da maior parte dos autores da escola franco-belga em Portugal, tendo mesmo usado as capas da revista belga, adaptadas ao título do “Cavaleiro Andante”.

O “Templo do Sol” foi a primeira aventura de “Tintin” publicada nesta revista, primeiro no corpo da própria revista, a partir do seu primeiro número, em 5 de Janeiro de 1952, e depois continuando a sua publicação no suplemento “Pajem”, entre 5 de Julho de 1952 e 22 de Agosto de 1953.

Ao todo foram publicadas sete aventuras do Tintin no “Cavaleiro Andante”, algumas pela primeira vez em Portugal, como “Tintin na Lua”, publicando, com o mesmo título, e sem interrupção, as duas aventuras, “Objectivo Lua e “Tintin na Lua”, ao longo de dois anos, entre 17 de Outubro de 1953 e 31 de Dezembro de 1955, “O Caso Tornesol”, sob o título de “O Caso da Arma Secreta”, e o “Carvão no Porão (Coke en Stock)” com o título “Os Mercadores de Ébano”. Foi republicado o “Tim-tim na América do Norte” e “O Lótus azul”, anteriormente publicados em “O Papagaio”, mas agora na nova versão, actualizada por Hergé.

A última aventura publicada foi “Tim-Tim no Tibete”, entre 18 de Novembro de 1961 e 4 de Agosto de 1962, aventura que tinha começado a ser publicada no “Foguetão” [no original em francês] entre Maio e Julho de 1961, mas que ficou incompleta devido à curta vida desta revista.

A última aventura de Tintin publicada em Portugal sob a orientação de Simões Müller foi “As Joias de Castafiore“, sob o título “As Jóias da Prima Dona”, na revista “Zorro”, entre 6 de Abril de 1963 e 6 de Junho de 1964, única aventura dessa série publicada nessa revista.

Foi no “Zorro” que foram publicadas, pela primeira vez em Portugal, as aventuras de outra série de Hergé, “Jo, Zette e Jocko”, em “O “Manitoba” Não Responde” e “A Erupção de Karamako”, entre 20 de Junho de de 1964 e 23 de Junho de 1966. Estas duas aventuras voltariam a ser editadas em Portugal no suplemento “Quadradinhos” do jornal “A Capital”, em 1972 e 1973, conhecendo ainda uma edição em álbum, das 5 aventuras desta série,  pela Verbo, sob a designação de “Aventuras de Joana, João e do Macaco Simão”, na década de 1980.

Foi com o aparecimento da revista “Tintin” que tivemos, em Portugal, a publicação [quase] integral de todas as aventuras do herói criado por Hergé, entre o 1º número, editado em 1 de Junho de 1968, e o último, em 2 de Outubro de 1982. A única aventura não editada na totalidade, devido ao encerramento da edição da revista, foi a reprodução, pela primeira vez em Portugal, da primeira aventura de Tintin, “Tintin no país dos sovietes”, só editada, de forma completa, em álbum, em [1981 e em 1999 também em Portugal] (...).

Tintin foi ainda publicado em tiras diárias no jornal “Diário de Notícias” e no suplemento “Nau Catrineta”, na década de 1970.

Em 16 de Março de 1960 Simões Müller tinha escrito a Hergé, para conseguir os direitos de autor para editar os primeiros álbuns de Tintin em Portugal.

Hergé responde-lhe,  em 22 de Março, lamentando que tal não seria possível, já que esses direitos tinham sido adquiridos por uma editora brasileira, a Flamboyant, que tinha adquirido igualmente os direitos de os vender, traduzidos no português do Brasil, em território português.

Assim, a edição das aventuras de Tintin em álbum, em português, foram da responsabilidade, (...), daquela editora brasileira, que editou o primeiro álbum do Tintin em língua portuguesa em 1961, “A Estrela Misteriosa”. [E de 1970 até 1988 foi da responsabilidade da Record].

Só a partir de 1988 é que a editora Verbo conseguiu os direitos para Portugal, editando os álbuns da série até 1999.

Actualmente os direitos da série pertencem [desde 2010] à editora Asa.

Para as gerações portuguesas mais novas, o único contacto com Tintin talvez tenha sido através do filme de Spielberg de 2011 (..).

Hergé nunca veio a Portugal. Apenas por duas vezes foi entrevistado por um jornalista português, Luiz Beira, a primeira das quais publicada na revista “Plateia” nº 306 de 13 de Dezembro de 1966, a segunda em Novembro de 1982 [1], uma das últimas concedidas por Hergé, já que faleceu em 3 de Março de 1983.

[1] Esta segunda entrevista manteve-se, contudo, inédita até 1985, sendo finalmente publicada na 5ª série da revista “O Mosquito”, no nº 6 de Março de 1985.

Nesta última entrevista, Hergé lamentava-se por nunca ter visitado Portugal, um “belo país” que o atraia, prometendo fazê-lo um “dia, quem sabe?”, bem como pondo igualmente a hipótese de “um dia talvez, quem sabe?”, situar uma aventura de Tintin em Portugal. Infelizmente a morte prematura de Hergé impediu-o de concretizar esses desejos.

Venerando Matos, BêDêZine, 18/10/2021

Fonte Principal para este capítulo - De Avonturen van Kuifje in Portugal (A Aventura de Tintin em Portugal), “Sapperloot” nº 5 , 2004 ; Este capítulo na sua totalidade e com várias imagens bem como outros capítulos sobre Hergé podem ser lidos no blog BêDêZine.

+

O estudo "Kuifje In Portugal" (2004) aborda as revistas portugueses em que foi publicado Tintin e outros heróis de Hergé, reproduz correspondência de Adolfo Simões Muller e Hergé, as edições portuguesas dos álbuns e o merchandising nacional. É uma revista de 60 páginas totalmente a cores.

Alguma da informação mais interessante é a reprodução da troca de correspondência entre Hergé e Portugal.

A edição da publicação em 2004 acabou por ser importante para divulgar alguma informação que não era tão conhecida. No entanto era uma edição limitada e que não era fácil de arranjar. Por isso decidirmos partilhar algumas informações de forma sintética. A página de facebook da associação Alpart já tinha publicado em 2023 várias curiosidades da ligação de Hergé a Portugal.

Notamos no entanto que na publicação aparecem identificados poucos exemplos de merchandising nacional e há mais um ou outro pormenor como por exemplo a listagem das aventuras publicadas no DN não estar completa.


INDICE DA REVISTA KUIFJE IN PORTUGAL (SAPPERLOOT Nº 5 - 2004)

Sapperloot nº 5 de dezembro de 2004 

Capa

2 - Cólofon

3 - Introdução

4 - O Papagaio

22 - Diabrete

28 - Mundo de Aventuras *

29 - Cavaleiro Andante

37 - Foguetão

38 - Zorro

40 - Nau Catrineta / DN

41  - Revista Tintin

46 - Quadradinhos

48 - Flecha 2000, Spirou, Jornal da Bd *

49 - Álbuns no Brasil

53 - Álbuns em Portugal

55 - Merchandising

58 - resumo publicações (cronologia)

59 - resumo publicações (lista)

Cólofon

Sapperloot nº 5 de dezembro de 2004 

Edição especial para os membros da Sociedade Hergé nos Países Baixos e na Bélgica 

Redacção: Jan Aarnout Boer

Design/Grafismo: Mike van der Veer 

Impressão: Pressofoon BV   

Morada da Redação:

Tijmgaarde 5

NL-2803 RK Gouda

URL: http://www.kuifje.nl  

Tiragem: 300 exemplares   Direitos de autor (Copyright):

Em todas as ilustrações ©HERGÉ-Moulinsart 2004, salvo indicação em contrário   Direitos de autor / Propriedade Intelectual:

A reprodução, duplicação ou publicação do conteúdo, nos termos do art.º 15 da lei de direitos de autor, por qualquer meio, não é permitida sem o consentimento prévio e por escrito da redação.

Capa: Diabrete 593  

Sociedade Hergé (Hergé Genootschap) 

Introdução

Tintim em Portugal? Qualquer fã de Tintim sabe que "De Avonturen van Kuifje in Portugal" não pertence à série de 23 álbuns de Tintim. A relação que Tintim tem com Portugal deve-se à sua amizade com o português Senhor Oliveira da Figueira. Tintim conheceu este comerciante "diabólico" — que consegue vender um par de patins mesmo a clientes no deserto — no final de fevereiro de 1932, na história Os Charutos do Faraó. Em 1949, durante a sua aventura O Ouro Negro, Oliveira ajuda Tintim a infiltrar-se no quartel-general do Dr. Müller. Oito anos depois, em Carvão no Porão, Haddock e Tintim voltam a encontrá-lo em Wadesdah, a capital de Khemed.

Mas Portugal merece um lugar especial no mundo de Tintim. Afinal, o português é a língua para a qual Tintim foi traduzido pela primeira vez. Já ​​em 1936, Tintim na América apareceu na revista portuguesa O Papagaio. Muito antes do que nos Países Baixos, onde Tintim só ganhou raízes no pós-guerra, com o início do semanário Kuifje¹.

Também muito especial é o facto das histórias de Tintim terem aparecido a cores em Portugal antes de na Bélgica. A BD foi impressa no Le Petit Vingtième primeiro a preto e branco "normal", e mais tarde com uma cor de apoio, mas a isso não podemos chamar verdadeiramente "a cores". 

Não, em Portugal, O Papagaio foi publicado a cores desde o início, pelo que Tintim simplesmente teve de seguir o exemplo... O resultado foram combinações de cores muito invulgares, como um Milu castanho-amarelado. E Quick e Flupke foram também chegaram cedo a Portugal: a revista Diabrete apresentou as peripécias destes dois malandros aos leitores portugueses sob o título Tropelias do Trovão e do Relâmpago, a partir de 5 de Abril de 1941. Para além de O Papagaio e Diabrete, as aventuras de Tintim e dos seus companheiros apareceram em todo o tipo de revistas portuguesas; Analisámos toda a série, até à revista que tornou as histórias mais famosas nos Países Baixos: o semanário Tintin. Neste opúsculo, apresentamos uma visão abrangente das revistas e livros com as criações de Hergé. 

As revistas vêm todas de Portugal, os livros são maioritariamente de origem brasileira. A razão para tal é que a licença dos livros foi mantida durante anos no Brasil, pela editora Flamboyant. A Flamboyant foi mais tarde adquirida pela Record. Apenas em 1988 é que a editora portuguesa Verbo recebeu autorização para imprimir álbuns de Tintim. A Verbo já tinha adquirido anteriormente a licença para Quim e Filipe (Quick & Flupke) e Joana, João e o Macaco Simão (Jo, Zette & Jocko).   

Esperamos que os leitores fiquem com uma boa ideia da diversidade de revistas e livros publicados em língua portuguesa.  

Agradecimentos

A correspondência entre Hergé e Adolfo Simões Müller e os editores de O Papagaio e Diabrete foi disponibilizada pela Fundação Hergé. Fomos colocados no rasto de correspondência pelos livros Chronologie d'une Oeuvre, de Philippe Goddin (volumes II, III e IV).

As informações sobre as edições antigas brasileiras e portuguesas foram retiradas do site de Bruno Voeten, disponível em "www.intertintin.com". Pelas informações de enquadramento, devo agradecer também a Jos van Impe.

Por fim, gostaria de agradecer ao meu amigo português fã de Tintim, Alberto Gonçalves; ele ajudou-me a construir esta coleção de revistas  portuguesas de banda desenhada.

Jan Aarnout Boer, Novembro de 2004

¹ À exceção da tradução flamenga de Tintim no Congo, no "Het Laatste Nieuws" de outubro de 1940.


(No topo deste post tem a capa da separata em formato A5 com a tradução em francês que era oferecida como encarte)


Aqui tem a transcrição organizada das revistas publicadas em portugal, mantendo a estrutura por revistas, números, períodos, títulos em neerlandês e títulos em português:

O PAPAGAIO (1935-1949)
53-110 | 16/04/36-20/05/37 | Amerika | Aventuras de Tim-Tim na América do Norte
115-161 | 24/06/37-12/05/38 | Sigaren | Aventuras de Tim-Tim no Oriente
166-205 | 16/06/38-16/03/39 | Lotus | Novas Aventuras de Tim-Tim
209-244 | 13/04/39-14/12/39 | Angola (Congo) | Tim-tim em Angola
247-298 | 04/01/40-26/12/40 | Gebroken Oor | Tim-Tim e o mistério da Orelha quebrada
301-359 | 16/01/41-26/02/42 | Zwarte Rotsen | Tim-Tim na Ilha Negra
366-426 | 16/04/42-10/06/43 | Krab | Tim-Tim no Deserto
435-540 | 12/08/43-16/08/45 | Ster | A Estrêla Misteriosa; geen titel vermeld in OP
617-679 | 06/02/47-15/04/48 | Eenhoorn | O Segredo da Licorne   

DIABRETE (1941-1951)
1 t/m 120 | 05/04/41 - 10/10/43 | Quick en Flupke | Tropelias do Trovão e do Relâmpago
594-701 | 09/03/49-18/03/50 | Ottokar | Aventuras de Tim-Tim e Rom-Rom
703-806 | 25/03/50-21/03/51 | Rackham | O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa
810-887 | 04/04/51-29/12/51 | 7 Bollen | As 7 Bolas de Cristal

CAVALEIRO ANDANTE (1952-1962)
1 t/m 27 | 05/01/52-22/08/53 | Tempel | O templo do Sol
94-209 | 17/10/53-31/12/55 | Raket & Mannen | Tim-tim na Lua
210-269 | 07/01/56-23/02/57 | Amerika | Tim-tim na América do Norte
270-331 | 02/03/57-03/05/58 | Zonnebloem | O caso da arma secreta
340-401 | 05/07/58-05/09/59 | Lotus | O lótus azul
405-466 | 03/10/59-03/12/60 | Cokes | Os mercadores de ébano
516-553 | 18/11/61-04/08/62 | Tibet | Tim-tim no Tibete

O Pajem do Cavaleiro Andante (1952 - 1953)
1 t/m 86 | 05/07/52 - 22/08/53 | Tempel | O templo do Sol

FOGUETÃO (1961)
1 - 13 | 04/05/61-27/07/61 | Tibet | Tintin no Tibete

ZORRO (1962-1966)
26 - 87 | 06/04/63-06/06/64 | Castafiore | As jóias da Prima Dona 
89 - 140 | 20/06/64-15/06/65 | Jo, S&J: Manitoba | O "Manitoba" Não Responde
141 - 192 | 22/06/65 - 23/06/66 | Jo, S&J: Karamako | A Erupção do Karamako

TINTIN (1968-1982)
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Het weekblad TINTIN stopte 02/10/82; het verhaal Sovjet was nog niet beeindigd!

Quadradinhos (1972 - 1975)
14-39 | (05/06/72 - 27/11/72) | Jo, S&J: Manitoba | O Manitoba Não Responde   40-65 | (04/12/72 - 26/05/73) | Jo, S&J: Karamako | A Erupção do Karamako 

(podem procurar outros posts com dados recolhidos na publicação acima referida através das etiquetas sapperloot e kip que são praticamente idênticas)