O “TINTIN” PORTUGUÊS (1968 – 1982)
O ano de 1968 constituiu um marco histórico no panorama português das publicações periódicas de banda desenhada. Foi naquele já longínquo ano que surgiu, em Portugal, a revista semanal “Tintin”, propriedade da Editorial Ibis e da Livraria Bertrand (a partir do nº24 do 5º ano, propriedade só da Bertrand).
A saudosa revista “Tintin” publicava histórias das duas mais importantes e prestigiadas revistas europeias de banda desenhada da época: o “Tintin” belga (1946-1988) e o “Pilote” francês (1959-1989). Com efeito, a revista portuguesa do “Tintin” representa a “conquista” do mercado português por parte da banda desenhada franco-belga, então no seu apogeu de prestígio e qualidade.
O “Tintin” português conseguiu uma síntese inédita e, diria mesmo, perfeita em toda a Europa, razão por que chega a ser considerada, na altura, a melhor revista europeia de banda desenhada por vários autores e críticos europeus de banda desenhada, sobretudo franceses. De facto, a revista portuguesa “Tintin” apresenta as melhores séries daquelas duas revistas europeias (“Tintin” belga e “Pilote” francês) e no plano da impressão e do ponto de vista técnico a revista é muito bem elaborada, sendo mesmo considerada uma das melhores revistas impressas da Europa.
De facto, a revista “Tintin” introduziu uma marca de classe e confirmou um padrão de qualidade quer nas histórias, quer no tratamento das mesmas, ensinando os leitores a reconhecerem os autores e o seu valor.
Pode-se afirmar que o “Tintin” português constituiu uma autêntica “lufada de ar fresco” no panorama das publicações de banda desenhada em Portugal e, simultaneamente, foi uma pequena “pedrada no charco” no “orgulhosamente sós” em que a sociedade portuguesa vivia, fechada em si mesma e nada receptiva, até então, a tudo o que viesse do exterior, nomeadamente, em matéria de banda desenhada europeia. É, pois, inegável e indiscutível reconhecer que a revista “Tintin” exerceu e desempenhou um papel da maior relevância e importância na divulgação, junto de uma geração de leitores portugueses, do que de melhor se fazia lá fora em matéria de banda desenhada.
Na verdade, entre outros méritos, o “Tintin” teve a grande virtude de publicar muitos dos mais importantes ensaios escritos sobre banda desenhada na Europa e de dar a conhecer aos leitores portugueses os melhores autores europeus do seu tempo, em quantidade e qualidade. Para tal, foi preciosa e inestimável a contribuição dada, ao longo de 14 anos, por Vasco Granja, o qual se esforçou por informar e divulgar, junto dos leitores portugueses, os acontecimentos, ao nível da banda desenhada, que ocorriam na Europa e no Mundo, traduzindo e transcrevendo, para a revista, artigos, ensaios, entrevistas publicadas nas mais importantes revistas e fanzines contemporâneos belgas, franceses ou italianos, destacando-se, entre outras, as revistas “Phénix”, “Ran Tan Plan” e “Schtroumpf”.
Outras importantes e valiosas contribuições dadas por Vasco Granja para o desenvolvimento de uma cultura de banda desenhada em Portugal foram: a promoção do debate sistemático de banda desenhada, criando e desenvolvendo um espaço de discussão e reflexão a sério sobre banda desenhada, junto do público leitor; a criação de rúbricas e secções tais como o “correio dos leitores” e as páginas de divulgação e crítica. Inclusivamente, Vasco Granja foi o primeiro português a integrar grupos de discussão internacionais, como por exemplo o grupo de Lucca, em Itália.
Tendo atravessado 3 décadas (anos 60, 70 e 80) da sociedade portuguesa (e “sobrevivido”, pelo meio, a uma revolução/golpe de estado e ao PREC), o “Tintin” marcou fortemente e apaixonou uma geração de milhares de leitores portugueses, do mesmo modo, aliás, que, numa época diferente, as revistas “Mosquito” e “Cavaleiro Andante” o haviam já feito também em relação a outra geração de leitores, nos anos 40 e 50, com a grande diferença, no entanto, da revista “Tintin” ter sido a última grande revista portuguesa de banda desenhada e ter, de certa forma, encerrado um ciclo em Portugal.
Foi, assim, com um misto de pena, tristeza e de eterna saudade que, em 1982 (no nº21 do 15º ano da revista) os leitores portugueses assistiram ao fim da revista e se despediram para sempre do “Tintin”.
Quando a revista surgiu em 1968, ainda nem um ano de idade eu tinha, por isso não acompanhei os primeiros anos da revista. Só comecei a tomar conhecimento da existência da revista, em 1974, tinha eu seis anos de idade e, a partir daí, o meu pai começou a comprar-me a revista. Quando o “Tintin” chega ao fim em 1982, eu tinha 14 anos de idade e, na altura, recordo-me de ter sentido um grande vazio e de ter sentido imenso a falta da revista e, desde então até hoje, continuo a sentir uma enorme nostalgia daqueles tempos maravilhosos. Tenho consciência que depois do fim de “Tintin” nunca mais surgiu uma revista portuguesa de banda desenhada que pudesse fazer esquecer aquela revista, por isso sou um grande saudosista do “Tintin”, o qual marcou, sem dúvida, uma época única e inigualável na história da banda desenhada em Portugal.
Para terminar, resta-me acrescentar que não descansei enquanto não adquiri todos os números que me faltavam da colecção e posso dizer que é a minha colecção de estimação e a minha preferida de entre os milhares de livros e revistas que possuo na minha biblioteca.
Alexandre Morgado, Página da Loja timtimportimtim
A 1 de Junho de 1968, aparece o primeiro número da edição portuguesa da revista Tintin. Nas suas 28 páginas, Asterix, Tintin, Lucky Luke, Michel Vaillant, Ringo e Dan Cooper. Uma equipa de peso. Boa qualidade de impressão e uma criteriosa escolha de histórias, o futuro era risonho. E foi pelo menos durante quinze anos. 749 números publicados e cinco especiais mostraram aos leitores o melhor da escola franco-belga. Realce-se a verdadeira enciclopédia bedéfila, que constituem os artigos publicados nos seus suplementos por Vasco Granja. A par da sua saída semanal - com que entusiasmo se esperava naqueles dias pela sexta-feira para correr a ir comprá-la - a sua editora, Livraria Bertrand, iniciou no início dos anos 70 a publicação de vistosos álbuns, na colecção a que apelidou BANDA DESENHADA. Agora tem a oportunidade de completar a sua colecção.
E que tal a criação de um clube dos "Amigos da revista Tintin", composto por aqueles ,que como eu, lhe reservam um lugar muito especial, lá no cantinho das suas emoções?
Loja timtimportimtim
Algumas capas
501 Capa do 5º aniversário - 27-06-1972
701 Capa do 7º aniversário
1001 Ao entrar no 10º ano 138
Capa com Michel Vaillant e Tintin - 1963.
152 contracapa dos livros
239
337
242
Tintin Belga nº26/1967
+ Capas com logotipo bastante diferente
318 logo diferente
(Tintin Belga nº1 /
1970)
342 logo super
452 xadrez / preto e branco
(Tintin Belga nº 45 de
1970)
+ Capas de edições Super com cabeçalhos bastante diferentes das edições habituais
542 tintin super
(Tintin Belga nº 3/
1972)?
618 logo super
(Tintin Belga nº 26/
1970)
531 natal 1972
(sem logotipo)
831 natal 1975
Outras capas com referências a Tintin
613 leia tintin
(Tintin Belga nº 37/
1972)
1315 Cinquante Ans De Travaux Fort Gais
(Tintin Belga nº 2/1979)
(Tintin Belga nº 10/
1978)
1323 Tintin com mala a ser fotografado por um membro da dupla Clique & Flash
1113 concurso
(Tintin Belga nº 21/
1977)
1244 concurso
1246 invenção
Tintin Belga nº 10/1978
Outros logotipos diferentes
1313 dindin
(a única vez em que não apareceu o nome certo da revista)
(Tintin Belga nº 48/1977)
1024
(o nome da revista tem diferenças nos "i")
Tintin Belga nº11/
1981 (13/1980, 48/1981)
Página com todas as revistas da edição portuguesa:
https://bdmania.com.pt/tintin-p-1
https://bdmania.com.pt//tintin-p-5
https://bdmania.com.pt/tintin-p-15
421 25º aniversário da revista Tintin - 10/1971
(Tintin Belga nº 17/
1970)
Quiosque
http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/419.html
http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/142.html
427 lua
Capas diferentes em edições Super apenas com o nome da revista mas sem Tintin e Milou no cabeçalho
642 super
(Tintin Belga nº 49/
1972)
818 super
742 super
(Tintin Belga nº 14/
1973)
818+ 842 s 918 s 942 s 1042 + 1118 + 1142 + 1218 s 1305 + 1318 + 1331 + 1344 + 1405 + 1418 + 1431 + 1438 + 1444 + 1505 + 1518 +
1018 lettering diferente
1018
logotipo diferente que apareceu apenas nesta edição mas que era o usado na Tintin original do nº 49 de 1972 com ligeiras diferenças até ao fim em 1988.
Tintin / TB nº 29/1969
Cubit / TB nº 47/1969
Edições belgas/francesas:
TB 1970
TB 1971