quinta-feira, 5 de setembro de 2024

O Papagaio

Transcrição para português da página nº 7 de "Kuifje In Portugal"


O departamento de paginação de O Papagaio recortou e colou a história, por sua conta e risco, para que se encaixasse melhor na revista!

Naturalmente, isso deu a Hergé motivos para responder: "A minha banda desenhada está estruturada, como um folhetim, de tal forma que, no final de cada episódio, deixa o leitor em suspense, ansioso pelo próximo. Isso já não acontece." Hergé sublinha que a estrutura original deve ser restaurada. Ao mesmo tempo, indica que gosta que os seus desenhos tenham sido coloridos. (Carta 2) Passado algum tempo, chega uma resposta de Portugal; Varzim ignora o pedido de Hergé, mas relata com entusiasmo a popularidade que Tim-Tim já tinha alcançado. Aliás, os editores de O Papagaio pouco ou nada fizeram com a mensagem de Hergé!

Após 57 fascículos, esta aventura de Tim-Tim chega ao fim: ele completou a sua digressão pelos Estados Unidos, libertou a América de um bando de vilões e recebe uma grande recepção em Nova Iorque: um verdadeiro desfile triunfal, tal como o que fora oferecido a Charles Lindbergh pouco antes de Tim-Tim. E não só uma digressão triunfal pelos EUA, mas também Portugal sucumbiu a Tim-Tim.

Em preparação para a próxima aventura — início de março de 1937 — A.S. Müller volta a contactar o Syndicat de la Propriété Artistique. Fica a saber que os direitos foram aumentados para 40 francos por página dupla. Hergé percebe que isso excede a capacidade financeira de O Papagaio e reduz o preço de 40 para 35 francos. A.S. Müller concorda com isso. (carta 3)

De seguida, Hergé envia dois exemplares de Os Charutos do Faraó para Lisboa. Tim-Tim continuará a sua viagem para o Oriente, sob o título: Aventuras de Tim-Tim no Oriente.

Provavelmente já reparou: é dada muita atenção ao layout da revista. Para cada edição, é criado um novo desenho para o título da revista. Normalmente uma versão diferente de um papagaio, mas vemos (...)

Sapperloot nº 5 - página 7 


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O cabeçalho da revista "O Papagaio" era sempre diferente. É curioso que na edição nº 120, de 29/07/1937, aparece no cabeçalho um desenho do Papagaio muito semelhante ao símbolo da Sildávia.


Mas a aventura "O ceptro de Ottokar" ("Le sceptre de Ottokar") apenas iria aparecer no «Le Petit Vingtiéme» a 4 de Agosto de 1938 com o título «Tintin En Syldavie e esta aventura nunca foi publicada n' "O Papagaio" tendo aparecido apenas no "Diabrete" entre 9 de Março de 1949 e 18 de Março de 1950 e mais tarde também na revista "Tintin".


Haveria alguma razão para essa semelhança ou foi apenas coincidência?

Imagem da revista retirada da publicação da Sapperloot.

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