quinta-feira, 17 de maio de 2007
Arqueologias
Mas, apesar de tudo, é bom não esquecer que foi esta obra que abriu as portas a todas as restantes. E que na sua génese esteve, curiosamente, uma tentativa de usar a banda desenhada como um veículo de propaganda política, um modo eficaz de levar uma mensagem ao público mais jovem. No final dos anos 20 Hergé trabalhava no jornal conservador belga “XXème Siécle”. E “Tintim no país dos Sovietes” foi criado em 1929 para “Le Petit Vingtième, o suplemento infantil do jornal, por sugestão/encomenda do seu director, o abade Wallez. O objectivo era sobremaneira óbvio: denunciar a Revolução Bolchevista de um modo claro e directo, mas ao, mesmo tempo, apelativo.
Escrito sem um argumento prévio propriamente dito, “Tintim no país dos Sovietes” surge assim como um conjunto algo desgarrado de “gags” e aventuras onde vibra um anticomunismo primário. E que não conta sequer com o rigor documental que o autor revelaria posteriormente. Ou seja: falta quase tudo daquilo que caracterizaria (até à obsessão, em muitos casos) a elaborada construção de cada álbum de “Tintim”. É verdade que Hergé vai começar a tactear aqui a linguagem da BD, de que se tornaria um dos maiores expoentes. É também certo que a personagem evolui ao longo da obra. Mas, no seu todo, este é um álbum, não só fossilizado, como narrativa e artisticamente medíocre. O seu valor, certo e inquestionável, é arqueológico. Ler “Tintim no país dos Sovietes” como qualquer outro álbum de “Tintim” é pois, não só um erro, como injusto.
Após o primarismo (político e narrativo) desta primeira obra, Hergé ainda necessitaria de algum tempo para tornar mais equilibradas as suas visões do mundo. Porque a “Tintim no país dos Sovietes” se seguiriam o colonialismo paternalista de “Tintim no Congo”, ou o anti-americanismo de “Tintim na América”. E também não é verdade que “Tintim” se tenha deixado de comentários político-sociais depois disso, como a leitura atenta de qualquer das suas aventuras poderá confirmar. Mas, mais importante ainda, ao longo da sua brilhante carreira “Tintim” conseguiria o feito raro de cruzar uma mensagem humanista com o gosto pela descoberta e pela aventura, sem esquecer o humor. Criando uma das referências fundamentais do século. Por isso mesmo o seu início titubeante é apenas isso mesmo. Sendo uma das edições de banda desenhada mais importantes de 1999, será bom não nos esquecermos de contextualizar “Tintim no país dos Sovietes”. Até para não lhe pedirmos mais do que aquilo que pode dar.
“Tintim no país dos Sovietes”. Texto e desenhos de Hergé. Verbo. 140 pp. 2100$00.
© 2000 Jornal de Letras/João Ramalho Santos
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Tintin na Lousã
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Tintin casou!
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Tintim em Coimbra
Em suma, uma exposição a não perder pelos tintinófilos!
Organização: Câmara Municipal de Coimbra – Departamento de Cultura
CASA MUNICIPAL DA CULTURA
Rua Pedro Monteiro
3000-300 Coimbra
§ 239 702 630
Fax 239 702 496
2.ª a 6.ª – 9h00 às 18h30
Sáb., Dom. e Feriado – 10h00 às 18h30
3 a 18 de Novembro 2006
Local: Biblioteca Municipal de Coimbra
Tintim visita Coimbra
Antecipando as comemorações do centenário do nascimento de Hergé (Georges Rémi), que se assinala no próximo ano, a Biblioteca Municipal de Coimbra tem patente, até ao próximo dia 18 de Novembro, uma exposição dedicada ao autor belga e, sobretudo, à sua mais famosa criação, a banda desenhada Tintim.
Durante décadas, as personagens de Tintim fizeram as delícias de várias gerações, apaixonadas pelas aventuras do jovem repórter, sempre acompanhado pelo seu cão Milu e outras figuras carismáticas, que transformaram a obra de Hergé em exemplo ímpar no mundo da banda desenhada. E no rol dessas personagens também há lugar para portugueses. Um deles é um cientista da Universidade de Coimbra, o físico Pedro João dos Santos, que no álbum "A estrela misteriosa" tenta decifrar o mistério científico do "aerólito". Em "Tintim no Congo" surge outro português, um jornalista do "Diário de Lisboa" que chega a oferecer 500 contos (uma fortuna para a época) ao jovem repórter pelo relato da sua viagem ao Congo.
Outro português, Oliveira da Figueira, é um intrépido vendedor que atravessa vários álbuns de Tintim. Oliveira da Figueira merece mesmo honras na galeria dos incontornáveis personagens do mundo de Tintim, de que são figuras de proa o capitão Haddock, a dupla Dupond e Dupont e o professor Girassol.
A mostra de Coimbra é pequena, mas significativa, exibindo álbuns de Tintim em várias línguas, como o original francês, o árabe, o chinês, o holandês, o grego e o castelhano. Em português mostram-se mesmo exemplares históricos de várias publicações nacionais de banda desenhada, que incluem as aventuras de Tintim. A mais antiga, "O Papagaio", data de 1935, mas há outras como o "Cavaleiro Andante" (1952/62), "Zorro" (1962/66) e a revista "Tintin", publicada entre 1968 e 1982.
Américo Sarmento in JN (08/11/2006)igualmente no Público
sábado, 14 de outubro de 2006
O semanário Trevim da Lousã publicou um cartoon de Carlos Sêco parodiando as aventuras do Tintim. Carlos Sêco é francês, filho de pais portugueses, vivendo actualmente em Portugal. Apaixonado pelo Tintim, Sêco publica regularmente no Trevim cartoons humorísticos, além de ser o autor do personagem de BD Jonas, também ele da «família» do Tintim. De notar, que Carlos Sêco faz parte dos órgãos sociais da cooperativa proprietária do jornal Trevim.
terça-feira, 4 de abril de 2006
Coimbra
Exposição de BD decorre no cenário do álbum “O Segredo de Coimbra”, do belga Étienne Scréder. Não falta sequer a porta secreta da história, que existe mesmo e que, durante a mostra, estará aberta aos visitantes.
“Boa tarde a todos!”. “Eu diria mesmo mais: boa tarde a todos!”. Foi com esta emulação dos diálogos cacofónicos de Dupond e Dupont que o presidente da Coimbra 2003 – Capital Nacional da Cultura (CCNC), Abílio Hernandez, abriu, anteontem, a exposição “Coimbra na Banda Desenhada”. Até 14 de Setembro, a exposição está patente no Museu da Física da Universidade de Coimbra, que é o cenário do album “O Segredo de Coimbra”, do belga Étienne Screder.
Não consta que Dupond e Dupont, as personagens de dois ineptos investigadores policiais criadas por Hergé, para a série Tintim, se tenham alguma vez referido a Coimbra. As únicas pranchas de Hergé representadas nesta exposição, que procurou fazer o levantamento exaustivo das referências à cidade na banda desenhada, nacional e internacional, dizem respeito ao álbum “A Estrela Misteriosa”. Aqui, encontramos o professor “Pedro João [“Joães”, nalgumas edições] dos Santos, da Universidade de Coimbra” (UC), um dos sábios que participaram com Tintim numa expedição marítima, à procura do local da queda de um meteorito. A UC é responsável pela maior parte das referências que a BD internacional fez a esta cidade. No “Rali em Portugal”, da série “Michel Vaillant”, Jean Graton também colocou o piloto francês, e o seu companheiro de equipa, o norte-americano, Steve Warson, a visitarem o Páteo das Escolas da UC.
(...)
Coimbra aos quadradinhos e balões
Por ALVARO VIEIRA, Público, 19/06/2003
Patente até 14 de Setembro, de 3ª a dom. Entrada livre
As referências na BD à cidade de Coimbra dizem quase todas respeito à universidade
sexta-feira, 20 de janeiro de 2006
Puro Veneno
em memória de Cáceres Monteiro (1948-2006)
Rui Pimentel, Revista Visão, 12/01/2006
Quem é o cartoonista da VISÃO?
Desenha desde que se lembra. E começou, em miúdo, por copiar os cartoons de um jornal francês. Todas as semanas, Rui Pimentel brinda os leitores da VISÃO com o seu humor implacável e corrosivo...
domingo, 17 de julho de 2005
Tintin Entre Nós
Universo de Tintin em exposição
«Tintin Entre Nós» é o título da exposição a inaugurar hoje, dia 7, pelas 15h00, na Galeria do Museu Marquês de Pombal, sobre o universo da banda desenhada de Hergé e do seu grande herói: Tintin.
Esta exposição, dos 7 aos 77, é uma organização da Câmara Municipal de Pombal em parceria com o Fórum da Maia, composta por painéis que representam a evolução da banda desenhada de Hergé e do nascimento do jovem repórter Tintin e do seu inseparável cão Milou. Integram também esta exposição vários objectos da banda desenhada de Tintin e que se encontram ao longo das suas páginas, bem como diversos livros sobre a vida e obra de Hergé, e vários dos seus álbuns. Durante a exposição serão exibidos filmes das aventuras de Tintin.
Hergé, de seu nome verdadeiro Georges Rémi, nasceu em Bruxelas, em 1907 e faleceu em 1983. Autor e ilustrador belga, criou a personagem Tintin em 1929, cujas aventuras em banda desenhada o tornaram famoso em todo o mundo. Conhecido como o pai da moderna banda desenhada europeia, Hergé produziu 24 volumes da série Tintin, hoje traduzidos em cerca de 40 línguas.
A exposição «Tintin Entre Nós» ficará patente ao público até dia 8 de Julho.
Local: Galeria do Museu Marquês de Pombal
Praça Marquês de Pombal (junto ao Museu Marquês de Pombal)
Horário: De segunda a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Telefone: 236 244 089
O repórter/detective Tintin está em Pombal. “Tintin Entre Nós” é o título da exposição, patente na Galeria do Museu Marquês de Pombal, em que são apresentados vários aspectos deste herói da banda desenhada criado por “Hergé”, pseudónimo do ilustrador belga Georges Rémi. A exposição está patente ao público até o dia 8 de Julho.
Painéis, livros, álbuns e objectos são alguns dos artigos que podem ser vistos no certame, organizado pela Câmara Municipal de Pombal, em parceria com o Fórum da Maia. Para além da evolução da banda desenhada de Hergé e do nascimento do jovem repórter Tintin, e do seu inseparável cão Milou, estão em exposição diversos livros sobre a vida e obra de Hergé, e vários dos seus álbuns.
No dia da inauguração do certame, foram várias as crianças que puderam assistir a filmes com as aventuras de Tintin, o repórter/detective, criado em 1929, que vive percorre diferentes países do mundo. As histórias de Tintin integram cerca de 24 volumes, traduzidos em mais de 40 línguas, e podem ser vistas em vários desenhos animados. Alguns desses filmes poderão ser visionados durante o certame.
A exposição “Tintin Entre Nós” pode ser visitada na Galeria do Museu Marquês de Pombal, na Praça Marquês de Pombal, de segunda a sexta-feira, das 09 às 12h30 e das 14 às 17h30. O telefone, para maiores informações, é o 236 244 089
domingo, 26 de setembro de 2004
Tintim e a Alph-Art
A Editorial verbo comemora os 75 anos de Tintim com a publicação de um álbum facsimilado, que reproduz a edição de 1934 publicada no “Petit Vingtième”- “Os Charutos do Faraó” e com a edição de um livro muito especial “Tintim e a Alph-Art”!
Tintim e a Alph-Art é o último trabalho do criador de Tintim. Trata-se de um álbum com uma «quase» aventura, uma série de pranchas onde se vê o desenho e o texto do que, com tempo, haveria de ser mais um álbum para os fãs de Tintim.
Aqui se encontram muitos personagens já conhecidos de outras histórias, implicados desta feita numa intriga que envolve o mundo da arte moderna. Apesar de incompleta, não faltam a esta aventura os ingredientes habituais de humor, os trocadilhos, as críticas inteligentes, as alusões a factos verdadeiros e os mal-entendidos, que geram sempre, por parte do leitor, reacções de surpresa e de gargalhada.
É um livro inédito, indispensável a qualquer fã, coleccionador ou apreciador da obra de Hergé!
Este álbum inédito é publicado por ocasião do 75º aniversário do nascimento do famoso personagem
Tintim e a Alph-Art
AUTOR Hergé
EDITOR Difusão Verbo
62 págs., € 10,99
Que mais há ainda a conhecer sobre Hergé e a sua mais notável criação, o famoso repórter Tintin? A resposta é este álbum, que vem completar a edição portuguesa das aventuras do herói. Discretamente, o editor refere na capa que é o "argumento" de uma derradeira história que o criador belga já não pode acabar, integrando a totalidade dos diálogos e algumas das pranchas esboçadas a lápis. É uma obra indispensável para fãs e admiradores incondicionais, mas de interesse um pouco mais problemático para leitores comuns que procuram sobretudo o prazer da aventura e do entretenimento nas histórias aos quadradinhos.
A derradeira aventura
Um pouco de história: a 3 de Março de 1983, Hergé falecia na Bélgica, aos 75 anos, vítima de leucemia e deixava incompleta aquela que deveria ser a 24.ª aventura de Tintin, o mais célebre repórter dos quadradinhos - mesmo se foram poucas as linhas por si escritas.
Eram apenas 42 páginas, só esboçadas, aqui e ali com o desenho um pouco mais avançado, ainda com indecisões de nomes, nalguns casos com sequências alternativas.
Em termos de argumento e diálogos, a obra estava mais adiantada, mas terminava igualmente nas primeiras quatro vinhetas da página 42. Nelas, Tintin encontra-se em situação desesperada, avançando devido à pressão de uma pistola nas suas costas, sendo o seu destino... a imortalidade. Não como o célebre herói de BD que é, mas transformado em estátua, quando o seu corpo for coberto com poliéster líquido, para ser trabalhado por um famoso escultor.
Isto porque, em "Tintim e a Alph-Art", o herói evolui no meio da pintura moderna. A arte foi, aliás, um dos temas que apaixonou Hergé no final da sua vida, enfrentando um bando de falsificadores e traficantes de arte, liderados por um místico que, a ter continuado a história, acabaria por se revelar um dos seus grandes inimigos, o pérfido Rastapopoulos.
Para acalmar os rumores de uma eventual conclusão da obra pelos seus colaboradores, três anos depois, em 1986, era editado um álbum com dois cadernos: um, reproduzia as 42 páginas esboçadas por Hergé; o outro, continha a transcrição dos diálogos. A partir dele, rapidamente surgiram no mercado, a preços exorbitantes e com pequenas tiragens, diversas versões pirata "finalizadas" da história, algumas das quais ainda circulam na internet.
No início deste ano, a 29 de Janeiro, aproveitando o pretexto dos 75 anos de nascimento de Tintin, e tentando revitalizar um catálogo onde há muito faz falta uma novidade, foi editado em França, no formato habitual e ao mesmo preço da restante colecção (tal como a Verbo faz agora no nosso país), "Tintin e a Alph-Art", que reproduz as tais 42 pranchas e transcreve os respectivos diálogos. O volume foi enriquecido com alguns documentos entretanto descobertos, quase todos respeitantes a uma fase mais inicial da obra. Aí, Hergé explorava ainda diversas possibilidades temáticas, nomeadamente o tráfico de droga.
E mesmo estando a história numa fase tão embrionária, uma justificação surge de imediato para a edição: descobrir a forma de trabalhar de Hergé. Como ele ia esboçando a narrativa, como aqui e ali uma ou outra imagem ganhava mais importância, levando-o a aperfeiçoá-la ainda no esboço, como as ideias iam surgindo, sendo postas de parte ou integradas no relato, obrigando, quantas vezes, a renumerar as páginas.
E ver, igualmente, a sua forma de desenhar, repetindo o traço diversas vezes, de forma sobreposta, até encontrar a versão ideal que, mais tarde copiaria, por decalque, para o original.
Há também um princípio de história - quase dois terços de um álbum - escrito já de forma consistente, com diálogos que, em muitos casos, se adivinham definitivos, com um fio condutor consistente e capaz de prender o leitor que chega à fatídica página 42, em que tudo fica em suspenso - desta vez para sempre -, sem se saber qual a sorte do herói. Mas confiando que ele se irá libertar, mais uma vez, de uma situação delicada e aparentemente irresolúvel.
Como nas outras 23 apaixonantes aventuras, que Hergé escreveu e desenhou, muitas delas autênticas obras-primas, que fizeram de Tintin um dos ícones mais celebrados da banda desenhada e do século XX.
F. Cleto e Pina, JN, 22/08/2004
http://jn.sapo.pt/2004/08/22/cultura/a_derradeira_aventura.html
terça-feira, 14 de outubro de 2003
Ano Tintin
2003 celebra Hergé
Correu o mundo e foi à Lua 15 anos antes de Neil Armstrong, pela mão de Hergé, Tintim tornou-se um herói e mudou o mundo da banda desenhada. Duas décadas depois da sua morte, o autor belga continua a viver através das aventuras do pequeno repórter e multiplicam-se as homenagens, os estudos e as biografias.
A capital europeia da banda desenhada banda desenhada (BD), Angoulême (França) rebatiza, este mês, uma das suas ruas centrais com o nome de Rua Hergé. Uma prova de que Hergé e Tintim estão empatados em termos de notoriedade.
Herói acidental
Tintim já tem 72 anos, nasceu na Europa, numa época em que as histórias em quadrinhos na Europa ainda estavam em fase pré-histórica. O repórter veio à luz no dia 10 de Janeiro de 1929, em Bruxelas, na Bélgica, mais precisamente num suplemento juvenil do Jornal "Le Petit Vingtième" pela mão de Georges Remi.
Georges usava o pseudônimo de Hergé, que o deixou famoso. Her é o som em Francês da letra R de Remi, e Ge de Georges. Os estudiosos do personagem garantem que Tintim teria sido o repórter que autor não conseguiu ser. "Naquela época, o arquétipo do jornalista era o de um grande viajante, como Albert Londres ou Joseph Kessel, e meu pai queria que eu fosse um pouco o sósia deles", admitiu o criador ao contar o nascimento casual de Tintim, numa entrevista à revista "Lire", em 78.
Em busca da perfeição
Tudo começou com "Tintim no País dos Sovietes" em 1929, seguido de outros 22 títulos e uma obra inacabada "Tintin and Alpha-Art", publicada em 1986 . A obra sofreu uma uniformização: uma redução para 62 páginas e uma intervenção cosmética com algumas das primeiras histórias redesenhadas e coloridas à excepção do primeiro livro.
Pouco atento à veracidade histórica das aventuras de Tintim, Hergé muda de atitude em "Lótus Azul" quando conhece Tchang Tchong-jen, um estudante chinês, que o alerta para a necessidade de uma fundamentação rigorosa das aventuras de Tintim. Quase todos os livros da década de 40 são considerados no mundo da BD obras-primas, principalmente os "visionários" álbuns lunares.
Da Terra à Lua
O reconhecimento do papel revolucionário de Hergé no desenvolvimento da banda-desenhada e no estabelecimento de regras básicas é inegável. Um feito memorável, sobretudo porque foi conseguido através de um jornalista que nunca escreveu uma linha, sempre um bom samaritano e que percorreu várias vezes o mundo árabe e desertos, a Ásia Oriental, a América Latina, a Europa Balcânica, os EUA, a África, e até mesmo... a Lua.
Cristina Alves, Expresso, 07/01/2003
https://arquivo.pt/wayback/20050701145629/http://www.bedeteca.com/index.php?pageID=recortes&recortesID=753
Tchang, o amigo de Hergé e... Tintin! Obra sobre Tchang-Tchong Jen apresentada hoje. Lançamento faz parte das comemorações do “Ano Tintin”.
Hoje, dia 17 de Março, as Éditions Moulinsart vão apresentar o livro “Tchang! Comment l’amitié déplaça des montagnes”, uma completa biografia de Tchang-Tchong Jen, o amigo chinês de Hergé. O seu lançamento é a primeira grande edição daquilo que se convencionou chamar o “Ano Tintin”, iniciado no passado dia 3 de Março, com o assinalar dos 20 anos da morte de Hergé e que se concluirá em Janeiro de 2004, quando se celebrarão os 75 anos da publicação da primeira prancha das aventuras de Tintin.
De Tchang, até hoje, apenas se conheciam os aspectos da sua vida relacionados com Hergé: o encontro dos dois, em 1934, quando o abade Gosset sugeriu a Hergé que se documentasse sobre a China, antes de para lá enviar Tintin; a sua contribuição para a história e a escrita dos caracteres chineses reproduzidos em algumas legendas de “O Lótus Azul”; a sua inclusão, como personagem, neste álbum, ao lado de Tintin; o seu salvamento, após um desastre de avião, em “Tintin no Tibet” (1958), cujo trama tem por base a grande amizade entre as duas personagens de papel e serviu a Hergé para expurgar fantasmas pessoais; o seu reencontro com Hergé, em 1981, após longos anos de contactos diplomáticos para que as autoridades chinesas o autorizasse a sair do país.
O livro lançado hoje, cinco anos após a sua morte, a 10 de Outubro de 1998, para além de aprofundar estes aspectos, revela especialmente o homem e o artista (pintor e escultor), por trás do homónimo do amigo de Tintin, em paralelo com as mudanças que sofreu a China na qual viveu durante quase um século (1907-1998) e que afectaram sobremodo a sua existência, passando de autor conceituado e respeitado a proscrito pela Revolução Cultural de Mao Tsé-tung.
“Tchang!”, tem quase duzentas páginas profusamente ilustradas com fotos, documentos e desenhos de Tchang e Hergé, e é da autoria de Jean-Michel Coblence, historiador e apaixonado pelo extremo oriente, e de Tchang Yefei, uma das filhas de Tchang-Tchong Jen.
Pedro Cleto, Jornal de Notícias, 17/03/2003
(Caixa à parte)
Tchang autografa Tchang
Hergé desenhou-se a ele próprio e a alguns colaboradores (Bob de Moor, E. P. Jacobs) como figurantes de diversos álbuns de Tintin e muitas das suas personagens foram inspiradas em pessoas reais. Mas apenas duas figuraram nos álbuns com o seu próprio nome: Al Capone, que Tintin enfrenta e derrota em “Tintin na América”, e Tchang-Tchong Jen, que Hergé introduziu em “O Lótus Azul”, e que recuperou, mais tarde, em “Tintin no Tibete”. E dos dois, por razões compreensíveis, apenas Tchang autografou os álbuns em que surge ao lado de Tintin.
Copyright: © 2003 Jornal de Notícias; Pedro Cleto © 2002 Bedeteca de Lisboa



