terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Biblioteca Municipal da Lourinhã celebra 80 anos da criação do Tintin

No ano em que se celebra o 80.º aniversário da criação da personagem de Banda Desenhada “Tintin” por Hergé, o Município da Lourinhã, através da Biblioteca Municipal, promove, entre os dias 25 de Fevereiro e 21 de Março, um conjunto de iniciativas comemorativas da efeméride.

 A par de uma pequena exposição temática denominada “Tintin: 80 anos de Aventuras”, presente no átrio do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, será ainda possível visionar, no Auditório, filmes com esta personagem histórica, baseadas nos álbuns do herói (mediante marcação e para grupos).

 No Biblioteca, haverá ainda uma área dedicada a Tintin, que incluirá álbuns, vídeos e dvd’s do herói, passíveis de empréstimo, mas também algumas surpresas…para leitores dos 8 aos 80 anos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Tintin e a crise da Educação

As Aventuras de Tantan e Milu

Tantan E O Mistério do Naufrágio da Educação


Parodiando a crise na Educação em Portugal, o blog http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com publica uma montagem da capa «O mistério do tosão de ouro» com as imagens do secretário de Estado da Educação e do Primeiro- Ministro. (cartoon de 12/01/2009)

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Miguel Portas e Tintin


O desenhador António Jorge Gonçalves parodiou o bloquista e deputado europeu Miguel Portas, fã do Tintin, com um «cartoon» alusivo.
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Amigos de Hergé portugueses

I Reunião-Convívio dos Amigos de Hergé portugueses

Lisboa - 7 de Julho de 2006

Realizou-se no dia 7 de Julho de 2006, a primeira reunião dos amigos de Hergé.

O encontro teve lugar na Cervejaria Solmar e estiveram presentes ao jantar: Fernando Gomes, mulher, filha e filho, Francisco Duarte Sousa, João Paiva Boléo e mulher, José Victor Silva, Joaquim Talhé e mulher e José Azevedo e Menezes e mulher.

Dos treze sócios indicados por Gérald Dewinter, director dos ADH, apenas dois não responderam a duas cartas enviadas: Miguel Silva, de Lisboa  e Carlos Seco, da Lousã.

Registe-se para a história a ementa:

Entradas, massada de cherne ou entrecosto com açorda, vinhos, sobremesa e café.

O jantar decorreu animado, tendo a conversa estado naturalmente centralizada na figura e na obra de  Hergé, que tanto nos fez sonhar em crianças e o motivo do nosso encontro.

As fotografias foram tiradas pela filha de Fernando Gomes.

Foi por alguém sugerido que, para facilitar a vinda de outros sócios, a próxima reunião se efectuaria no Bombarral, no próximo mês de Outubro.

Foi enviada a Gérald Dewinter notícia do nosso encontro histórico, com fotos.

Já nos respondeu, felicitando-nos pelo evento. Confirmou-nos, também, a morada dos dois sócios acima citados. Sobre os amigos de Jacobs, disse-nos que também ele é sócio, e que não tem notícias e explicações para o silêncio prolongado destes. Foi-lhe também perguntado se tinha registos da data de admissão dos membros portugueses. Disse-nos que não.

-- José Menezes --

II Reunião-Convívio dos Amigos de Hergé portugueses

Bombarral - 21 de Outubro de 2006

Decorreu no passado dia 21 de Outubro, o segundo convívio dos ADH portugueses.

O ponto de encontro foi no largo do Município, no Bombarral.

Às 13 h, arrancámos atrás do nosso anfitrião, José Victor Silva, que nos conduziu até ao Restaurante Mãe de Água, a pouca distância da vila.

Estiveram presentes:

António Monteiro e mulher

João Paiva Boléo e mulher

Francisco Sousa

José Victor Silva

José Menezes

Durante o almoço, que decorreu animado (de destacar uns excelentes Alvarinho e Sanguinhal, Touriga 2003), falou-se do nosso boletim.

O António Monteiro sugeriu que fosse digital, o que foi bem aceite.

Elimina-se assim o maior problema, que seria o de arranjar uma tipografia que fizesse o boletim a um preço acessível, tarefa quase impraticável, dado o tipo de material de colaboração, em muitos casos sem sentido se não for a cores.

Assim, os ADH só terão que o imprimir em suas casas.

Quanto à altura da sua edição, apontou-se o mês de Abril de 2007, vésperas da celebração do centenário do nascimento do nosso herói.

O António Monteiro ofereceu-se para tentar fazer a paginação das colaborações recebidas.

Portanto, amigos ADH, é tempo de começarem a pensar nos vossos artigos.

Disto não se falou, mas penso que a maneira mais prática será a de os enviarem para o António Monteiro.

O meu trabalho sobre as alterações e eliminações de quadradinhos do Papagaio nos álbuns Casterman circulou pelos presentes. Será publicado no nosso boletim.

Depois do café, o António Monteiro leu um questionário de cinquenta perguntas, sobre Hergé e Tintim, que os presentes foram preenchendo em folhas de papel. O brilhante vencedor deste concurso foi o Francisco Sousa, largamente destacado, com trinta e uma perguntas certas. Estas perguntas sairão no nosso boletim.

Dado o sucesso desta iniciativa, decidiu-se que para o próximo encontro se fará novo concurso, também sobre Hergé e Tintim, mas respeitando apenas a três histórias, a anunciar oportunamente.

Deste modo, não haverá desculpas para falhas clamorosas de alguns dos participantes, nos quais me incluo.

Eu fiquei encarregado  de arranjar as perguntas para o próximo concurso.

Finalizámos o encontro com o desejo de nos voltarmos a reunir em Janeiro, em dia e local a combinar.

Depois do almoço, já sem a presença do Francisco Sousa, o José Victor Silva teve a amabilidade de nos mostrar o solar dos Loridos, referência da região e actual propriedade de Joe Berardo.  Foi muito interessante esta visita: Paradigma de casa bonita senhorial e de atroz mau gosto, com a adição recente de umas estátuas e estatuetas orientais e gregas, com predominância de um grande lote de Budas, feitos em massa.

Por enquanto, o solar  mantém as características. Esperemos que as estatuetas se fiquem pelo exterior.

-- José Menezes -- 

III Reunião-Convívio dos Amigos de Hergé portugueses

Algés - 3 de Fevereiro de 2007

No dia 3 de Fevereiro no Restaurante Caravela d’Ouro, em Algés, os PADH juntaram-se, pela terceira vez, numa refeição/convívio, a mais concorrida até agora.

Embora tenhamos a lamentar a ausência, por motivos imperiosos está bem de ver, dos nossos amigos João Paiva Bóleo e esposa, José Victor Silva, Fernando Gomes e Pedro Silva (estimamos rápidas melhoras), contámos, desta vez e esperamos que sempre daqui em diante, com as presenças de António Mata, de Viseu (e seu sobrinho), Luís Sotero, do Funchal (e seu filho) e António Cabral, de Bruxelas. Para além destes estiveram presentes os já habituais José Azevedo e Menezes, primeiro promotor dos nossos convívios, e sua esposa, António Monteiro e Helena Monteiro, excelentes organizadores deste nosso 3º Encontro, Joaquim Talhé e esposa e Francisco Sousa.

O repasto e consequente convívio, decorreram animados, com as conversas a rondar, como seria natural, a banda desenhada, o coleccionismo, Tintin e Hergé. Foram contadas várias histórias e postas em dia conversas que vinham desde o nosso último encontro do Bombarral.

Foi aflorado, ainda que muito “pela rama”, o nosso futuro boletim, o que poderá e deverá ser discutido através dos nossos e-mails, de forma a podermos ter algo mais consistente no nosso próximo encontro.

Depois do jantar foi realizado aquele que já começa a ser considerado um dos pontos altos dos nossos encontros, o concurso/questionário, que, desta feita, teve direito a um prémio simbólico, mas muito valioso, uma miniatura de uma viatura de Tintin na América.

O autor das questões foi José Azevedo e Menezes, e o tema foram as Aventuras: Tintin na América, Os Charutos do Faraó e o Lótus Azul, num total de 32 perguntas.

Pela 2ª vez o vencedor foi Francisco Sousa com 16 respostas certas, pelo que foi congratulado por todos os presentes e muito orgulhoso ficou.

 Foi depois acordado que a próxima reunião se deverá realizar em data próxima ao centenário de Hergé (22 de Maio), pelo que ficou já marcado o dia 26 de Maio (sábado) em Viseu, numa organização do nosso amigo António Mata. Tudo será confirmado em tempo útil.

Também oportunamente será divulgado o tema para o próximo concurso/questionário, cujo autor será Francisco Sousa.

Depois de mais um belo convívio, resta-nos desejar que possamos estar todos juntos em Maio, em Viseu, para que o nosso grupo PADH se fortaleça e possamos concretizar a ideia do nosso boletim.

-- Saudações Tintinófilas --

IV Reunião-Convívio dos Amigos de Hergé portugueses

Viseu - 26 de Maio de 2007

Conforme estava previsto, realizou-se no passado dia 26 de Maio o quarto encontro dos ADHP. Recordemos, a talhe de foice, que o primeiro encontro teve lugar em Lisboa, o segundo no Bombarral e o terceiro novamente em Lisboa. Está desde já previsto que o próximo tenha lugar no Porto, em dia a combinar por volta de Outubro próximo, estando a organização local do evento a cargo do nosso amigo Pedro Correia da Silva. Devemos observar que, deste modo, ao prazer do convívio e da amena conversa sobre temas de interesse tintinófilo, se acrescenta uma faceta turística muito agradável.

Desta vez, o anfitrião era o amigo António Mata, residente em Viseu. O encontro foi marcado para as 13:00 horas, no Largo da Sé, em Viseu, que é, diga-se, um local de rara beleza e dignidade, assente sobre o forte granito beirão.

Presentes à chamada estavam António Mata, Francisco Sousa, Teresa e João Paulo Paiva Boléo, Hermínia e Fausto de Almeida (convidados do amigo João Paulo) e António Monteiro, sucedendo que alguns problemas mecânicos atrasaram ligeiramente o José Azevedo e Menezes, que chegaria um pouco mais tarde ao restaurante para onde nos dirigimos.

Para abrir o apetite para a reunião, cerca de meia hora antes alguns de nós tiveram ainda a oportunidade de ouvir, na TSF, a prometida emissão de 6 minutos sobre Hergé e a sua obra, preparada pela jornalista Maria Miguel Cabo a partir da conversa que três de nós – João Paiva Boléo, Francisco Sousa e António Monteiro – tínhamos tido com ela em tempos, nos estúdios daquela emissora radiofónica. Embora a entrevista tenha durado quase hora e meia e possa à primeira vista parecer que meia dúzia de minutos seriam insuficientes para resumir convenientemente o seu conteúdo, a verdade é que em rádio um período de seis minutos é ainda assim considerável e que o resumo acabou por ficar bastante bem feito, dando claramente a ideia do tom geral das intervenções e salientando alguns dos aspectos mais importantes que tivemos oportunidade de focar.

Mas voltemos ao nosso encontro.

Uma vez reunidos os participantes, com a excepção já assinalada, cada um foi para o seu automóvel e seguimos em cortejo até Póvoa Dão, aldeia situada a uma dezena e meia de quilómetros da cidade.

A povoação, debruçada sobre o vale cavado pelo rio que lhe dá nome, encontrava-se praticamente deserta desde meados do século vinte, por força da emigração que levou para África, para o Brasil e, mais tarde, para diversos destinos europeus uma grande parte da população jovem do interior norte do nosso país.

Em 1995, o empresário Vítor Catarino dos Santos soube que a aldeia medieval – fundada por volta do ano de 1258 e que possui uma via romana bem conservada –, onde restavam apenas três habitantes, se encontrava para venda na sua totalidade.

A recuperação de Póvoa Dão levou, como é natural, alguns anos, pois ali não havia nem electricidade, nem água canalizada, nem rede de esgotos montada. Os resultados, porém, são louváveis, pois as fachadas tradicionais em granito, e os telhados vermelhos escondem os mais variados confortos modernos: piscina, campos de ténis, televisão por cabo, aquecimento central, etc.

Do empreendimento faz ainda parte um amplo restaurante e foi justamente para lá que nos dirigimos. As condições do local permitiram que dispuséssemos de uma sala para nosso uso exclusivo, tendo o António Mata tido o cuidado de a enfeitar com duas estatuetas artesanais, de madeira, representando Tintin e duas reproduções emolduradas de páginas de álbuns. Estava pois preparado o ambiente ideal para umas horas bem passadas. Tanto assim que, tendo lá chegado pouco depois da uma e meia da tarde, o Sol se punha já quando saímos.

Sobre o encontro propriamente dito, pouco há a contar que não seja já habitual e familiar a quantos participaram nos anteriores. A conversa fluiu facilmente, não fosse o assunto – quase exclusivo – tão do agrado de todos os presentes. Vão sempre surgindo ideias, comentários, aspectos novos encontrados aqui e acolá numa obra tão rica como a de Hergé. De referir que, antes da refeição, o nosso amigo António Mata distribuiu por todos uns alfinetes (desses internacionalmente conhecidos por pins) onde, sobre a reprodução de uma cena de Tintin en Amérique, tinha aposto os dizeres “Viseu Maio 2007”. Esses alfinetes, pelo reduzidíssimo número de exemplares produzidos, constituirão doravante uma grande raridade no coleccionismo tintinófilo e todos os colocaram ao peito com orgulho!

Ao sabor dos pratos típicos da região, onde não faltaram o cabrito e os rojões, jóias da culinária beirã, sempre valorizadas pela excelência das matérias-primas utilizadas por aquelas bandas, a troca de impressões foi-se estendendo e abrangeu temas tão variados como a comparação e a definição da importância relativa da obra de Hergé e de outras obras-primas da banda desenhada europeia, a escolha dos álbuns preferidos de cada um e até as desventuras que o nosso amigo João Paiva Boléo teve nos seus recentes contactos com a imprensa escrita e falada.

Inevitavelmente, um dos pontos altos da sessão consistiu no já usual questionário, desta vez preparado pelo Francisco Sousa – disso encarregado por todos desde a última reunião, num esforço fracamente disfarçado de evitarmos que tornasse a ser ele o vencedor... – e que se baseava exclusivamente nas capas dos vinte e pouco álbuns das aventuras de Tintin, nas suas versões finais, com exclusão de Tintin aux pays des Soviets e do incompleto Alph-Art. Apesar de os presentes terem, na sua generalidade, feito os trabalhos de casa, o certo é que o “ponto” não era fácil.

Os que não puderam estar presentes encontrarão a respectiva lista de perguntas no final do presente relato. A pontuação foi organizada de modo muito simples: cada resposta certa valia 1 ponto. Assim, se uma determinada resposta requeria a referência a cinco capas distintas, quem acertasse em todas teria 5 pontos, quem acertasse apenas em quatro teria 4 pontos, etc., não se descontando pontuação por respostas eventualmente erradas.

Quem quiser testar os seus conhecimentos que procure responder ás 35 perguntas sem consultar a colecção dos álbuns! Na circunstância, o vencedor foi António Monteiro, com um total de 82 pontos, ficando João Paiva Boléo em segundo lugar, com 80. Parece ter-se já instituído o princípio de que o vencedor de cada concurso preparará o próximo e assim se fará no caso presente.

Um assunto ainda abordado, já perto do final da tarde, referia-se à possibilidade de se admitir a presença, nas nossas reuniões, de pessoas interessadas na banda desenhada e apreciadoras da obra de Hergé em particular, ainda que não façam parte dos Amis de Hergé. Embora houvesse opiniões levemente diferentes sobre o assunto, acabou por se estabelecer consenso sobre a seguinte solução: em princípio, qualquer dos ADHP poderá fazer-se acompanhar de algum amigo, a título de convidado (como foi o caso do encantador casal Hermínia e Fausto de Almeida que desta vez acompanhava o casal Paiva Boléo); no entanto, para passar a ser considerado como “membro efectivo” do nosso grupo – com direito a ser convocado para os encontros e a receber automaticamente o BoleTim-Tim – qualquer interessado deverá, por princípio, inscrever-se nos ADH. A título de exemplo, ainda há pouco tempo fomos contactados por Jorge Macieira, que acabou por não poder estar presente (enquanto convidado) desta vez, mas prometeu já registar-se na associação belga, para passar a ser dos nossos com carácter permanente.

Eram cerca de 19:00 horas quando finalmente abandonámos Póvoa Dão. Na memória de todos, a recordação de uma tarde excelentemente passada num belo ambiente em que impera a beleza natural das serranias beirãs, o silêncio e a pureza do ar, isento da feia poluição das grandes cidades.

-- António Monteiro -- 

Fonte: http://clientes.netvisao.pt/jvictors/PADH.htm

Como é do conhecimento de todos, perfaziam-se no dia 10 de Janeiro de 2009 oitenta anos a partir da data original de publicação da primeira aventura de Tintin. Que o nosso herói seja um pouco mais velho, é perfeitamente claro, já que Hergé terá levado algum tempo a preparar a história; mais ainda, o nosso amigo Jorge Maicieira observou recentemente que, mesmo antes da publicação dos primeiros quadradinhos, teria havido já referências anunciadoras dessa próxima publicação. No entanto, tal como a idade de cada um de nós se conta a partir do momento do parto, deprezando-se o período de gestação imediatamente anterior, também aqui se deve considerar que o famoso repórter atingiu nesse dia 10 de Janeiro a bonita idade de 80 anos. Isso mesmo entenderam, entre nós, diversos meios de comunicação social, como vários jornais e canais de rádio e televisão, que no próprio dia ou na véspera deram nota da efeméride. Deve mesmo salientar-se que nos chegaram diversos convites para participar em emissões televisivas e radiofónicas, mas a circunstância de tais convites terem sido feito muito em cima da hora levou a que só muito parcialmente pudessem ter sido aceites.

Naturalmente que os ADHP não podiam deixar de celebrar condignamente o faustoso evento! Ora que melhor festa de aniversário poderíamos dedicar a Tintin que um almoço de confraternização do grupo?

Desta vez, o organizador foi o Fernando Cardoso e o local acertado o conhecido Café Nicola, no Rossio, em Lisboa, sítio de amplas referências literárias, já pela circunstância de o poeta sadino Bocage ter o hábito de frequentar um estabelecimento similar ali existente no seu tempo, já porque no mesmo prédio habitou Eça de Queiroz, conforme testemunha uma placa alusiva ali mandada fixar, em devido tempo, pelo Círculo Eça de Queiroz.

O encontro foi marcado para cerca das 13:00 horas e, mais minuto, menos minuto, para lá nos fomos dirigindo. Infelizmente, só quatro elementos do nosso grupo conseguiram comparecer, mas outros - impossibilitados de se nos juntarem - decerto nos acompanharam em espírito! Para a história, aqui fica o registo das presenças, por ordem de chegada ao restaurante: Fernando Cardoso, João Paulo Boléo, António Monteiro e José Menezes. Ah!, mas a esses quatro ADHP juntou-se um quinto conviva e de peso: nada menos que o próprio Tintin, convidado especialmente pelo fernando Cardoso. Sempre original, porém, o repórter recusou-se a sair do seu jarrão chinês, afirmando estar atento a quanto se passasse no Nicola, não fosse por ali entrar de súbito o infame Mitsuhirato e estragar-nos o convívio...

O repasto decorreu em ambiente de grande cordialidade - como é já nosso apanágio - e boa disposição, tendo-se sacrificado, para o efeito, uns agradáveis bifes devidamente montados por ovos estrelados e nadando num molho agradável e espesso, que quase nos fazia esgotar os pãezinhos disponíveis sobre a mesa.

A conversa decorreu célere, interessante e fluida, versando diversos aspectos da obra Hergeana e outros temas da banda desenhada em geral, e as horas foram passando sem que na verdade déssemos por elas. Eram umas três e tal quando demos o encontro por encerrado. aventou-se a hipótese de se organizar o próximo para data a combinar em Fevereiro.

-- A.M. --

Blog Tintinófilo, 11/01/2009

Sócios portugueses do Clube Belga «Amis de Hergé»

Nº 153 Francisco Duarte Sousa, Lisboa

Nº 228 Miguel Silva, Lisboa

Nº 270 José Azevedo e Menezes, Lisboa

Nº 415 António Monteiro, Lisboa

Nº 577 João Paiva Boléo, Lisboa

Nº 645 António José Cabral, Bruxelas (Bélgica)

Nº 724 Pedro Correia Silva, Porto

Nº 773 Carlos Seco, Lousã

Nº 944 José Vitor Silva, Bombarral

Nº 1011 António Mata, Viseu

Nº 1184 Luís Sotero Gomes, Funchal

Nº 1206 Fernando Gomes, Cascais

Nº 1278 Joaquim Talhé, Lisboa

Nº 1304 Fernando Reis Cardoso, Pinhal Novo

Em 1985, dois anos após a morte (física) de Hergé, Stephane Steeman, o maior coleccionador tintinófilo do mundo, resolveu criar uma associação que ajudasse a perpetuar a memória e o trabalho de Hergé. Esta associação existe ainda hoje, comemorou o seu 20º aniversário no ano passado e, para além de realizar uma assembleia geral todos os anos, onde se reunem os seus associados para debaterem a obra com diversos especialistas e onde também fazem uma feira à volta da parafernália tintinesca, edita uma excelente revista semestralmente. Esta revista é obrigatória para todos os que queiram aprofundar o seu conhecimento sobre a obra e o seu autor. A associação conta no seu seio com associados dos quatro cantos do mundo, Portugal incluido. O seu site é www.lesamisdeherge.com, façam-lhe uma visita.


https://naterra.blogspot.com/2006/01/os-amigos-de-herg.html

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A primeira reportagem de Tintim

Faz amanhã 80 anos que um jovem repórter chamado Tintim partiu para a Rússia soviética. Começava a publicação de 'Tintim no País dos Sovietes', a primeira aventura do herói de Hergé, no 'Le Petit Vingtième', suplemento para crianças do diário belga 'Le Vingtième Siècle'

Herói não voltou mais a escrever

No dia 10 de Janeiro de 1929, faz amanhã 80 anos, partia da gare da estação de comboios de Bruxelas, para a Rússia soviética, em serviço do Le Petit Vingtième, o suplemento infanto-juvenil do diário católico e conservador Le Vingtième Siècle, "um dos seus melhores repórteres", Tintim, acompanhado por Milu, o seu fiel fox-terrier branco.

Trajando sobretudo, calças à golfe e casaco de padrão escocês, e com um boné na cabeça, Tintim prometia enviar "postais, caviar e vodka" aos camaradas e amigos que se tinham ido despedir dele, enquanto o seu redactor-chefe dizia: "Boa viagem! Seja prudente e mantenha-nos ao corrente de tudo."

Começava assim a primeira prancha de Tintim no País dos Sovietes, desenhada a preto e branco por um jovem ilustrador chamado Hergé (pseudónimo de Georges Rémi). Começava também a fazer-se história da banda desenhada (BD), pois esta seria a primeira aventura daquele que se tornaria no maior, mais popular e mais universal herói da Nona Arte.

Tintim nasceu porque o recém-criado Le Petit Vingtième precisava de ter um herói-âncora a protagonizar uma história de longa duração que apaixonasse os pequenos leitores deste suplemento infanto-juvenil.

Hergé criou-o em poucos dias, indo buscar o escuteiro Totor, que tinha criado antes para uma revista escuta, Le Boy-Scout Belge, modificando-o e dando-lhe a companhia de Milu. Tintim permite-lhe também escapar à corveia que é desenhar Les Aventures de Flup, Nénesse, Poussette e Cochonnet, que não entrará para a história da BD...

O desenhador tinha o fascínio dos Estados Unidos, mas o abade Norbert Wallez, director do Le Vingtième Siècle, e criador do Le Petit Vingtiéme, anticomunista fervoroso, decidiu orientar a primeira reportagem de Tintim para a União Soviética, então a viver "numa espécie de caos mais ou menos organizado", como escreveu Michael Farr em Tintin, le rêve et la realité (Moulinsart). Tinham passado apenas 12 anos sobre a Revolução de Outubro, e o mundo estava cada vez mais temeroso dos seus efeitos.

Recordou Hergé: "Fui assim inspirado pelo ambiente que se respirava no jornal mas também por um livro intitulado Moscou sans voiles, de Joseph Douillet [1928], ex-cônsul da Bélgica em Rostov-sobre-o-Don, que denunciava com veemência os vícios e as infâmias do regime". No futuro, Hergé documentar-se-á cuidadosamente antes de desenhar os álbuns de Tintim.

Como escreve Pol Vandromme em Le Monde de Tintin, para este jovem repórter com espírito de escoteiro, "a Rússia leninista é uma invenção infernal", e a história de estreia da personagem, que já não é Totor mas ainda não é bem Tintim, "ilustra uma Rússia de pesadelo. Mais exactamente: uma Rússia que não é senão um pesadelo viscoso e sangrento".


Cento e trinta e seis pranchas de sátira anticomunista e peripécias depois, Tintim regressou triunfalmente à Gare du Nord de Bruxelas. No papel como na vida real, uma multidão acorreu a acolhê-lo. Seria a sua primeira e única reportagem.

Eurico de Barros, Diário de Notícias, 09/01/2009

Publié le 9 janvier 2009 par Zetantan

sábado, 20 de dezembro de 2008

As 10 BD do século XX (FIBDA 2007)

Tintin foi  considerada uma das dez personagens de BD do século XX.  O 18º Festival da BD da Amadora consagrou  uma excelente exposição  a cada um dos heróis que foram seleccionados como os melhores do século passado.

Publié le 31 octobre 2007 par Zetantan

BD: homenagem a Uderzo na Amadora

FIBDA recebe Tintim, Astérix, Little Nemo e Corto Maltese a partir de sexta-feira

As dez mais importantes bandas desenhadas do século XX, como Little Nemo, Tintim e Corto Maltese, vão estar expostas no 18º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), que começa sexta-feira, dia 19 de Outubro de 2007 e termina a 4 de Novembro, noticiou a Lusa.

Pelo segundo ano consecutivo, o FIBDA volta a estar sedeado no Fórum Luís Camões, na Brandoa, onde estará patente a maioria das exposições.

Entre elas destaca-se «As 10 BD do século XX», uma mostra que revelará uma dezena de obras de banda desenhada do século XX escolhidas por um grupo de especialistas portugueses e estrangeiros no âmbito de um inquérito realizado pela organização do FIBDA em 2004.

É uma exposição que acaba por traçar a história da banda desenhada do século XX, uma vez que começa com «Little Nemo», de Windsor McCay e datado do início do século, até ao recente «Maus», de Art Spiegelman, publicado entre anos 1970 e 1990.

Cronologicamente, pelo meio há ainda os famosos personagens Krazy Kat, Tintim, Batman, Spirit, Peanuts, Astérix, Blueberry e Corto Maltese.

Este ano, em que o FIBDA assinala a maioridade, haverá ainda uma homenagem a Albert Uderzo, um dos criadores de Astérix, que acaba de completar 80 anos.

O ilustrador francês Alain Corbel, a viver há uma década em Portugal, é o autor este ano em destaque no FIDBA, com uma exposição retrospectiva do seu trabalho, que incluirá originais de algumas das suas mais significativas obras.

Alain Corbel, que assina o cartaz do festival, estará no FIBDA para lançar ainda um novo trabalho, intitulado «Bestiário».

Os originais do livro «Salazar, agora na hora da sua morte», com desenho de Miguel Rocha e argumento de João Paulo Cotrim, que em 2006 arrebatou os principais prémios de BD do FIBDA, estarão expostos nesta edição do festival.

As novas tendências da banda desenhada mundial estarão numa mostra comissariada por Pedro Moura e que incluirá originais de Fábio Zimbres, Warren Craghead ou Frédéric Coché, que marcarão presente na Amadora.

Para maiores de 18 anos, o FIBDA 2007 contará com obras de Mattioli, Liberatore, Leone Frollo e Milo Manara, cuja presença está confirmada no festival para as concorridas sessões de autógrafos.

A exposição com as novidades editoriais portuguesas apresentará originais de Luís Louro, que lançara «O Corvo III», com argumento de Nuno Markl, ou de Rui Lacas, que irá lançar o livro «Obrigada, Patrão».

Além do Fórum Luís de Camões com um espaço com cerca de 3.500 metros quadrados onde ficará a maioria das exposições deste ano, o FIBDA estende-se à Galeria Municipal Artur Bual, com uma retrospectiva do autor brasileiro Ziraldo, considerado um dos maiores nomes da BD da América Latina, e que estará presente em Portugal.

IOL diário

IOL PortugalDiário

27 Outubro 2008

17-10-2007 - 13:56h


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Biblioteca Pública Municipal do Porto


A Biblioteca Pública Municipal do Porto tem patente ao público nas suas instalações, de 3 de Dezembro de 2007 a 31 de Janeiro de 2008, a Exposição HERGÉ, TINTIN & C.ª NA BANDA DESENHADA PORTUGUESA: A COLECÇÃO DE BD DA B.P.M.P.

A propósito do Centenário do Nascimento de Georges Prosper Remi, vulgo Hergé (1907-1983), que teve em Portugal a primeira publicação a cores das aventuras de Tintim, nas páginas do Papagaio (1936), a B.P.M.P., com base nas suas colecções documentais, apresenta uma exposição com as publicações periódicas que fazem parte da História da Banda Desenhada em Portugal, nas quais os seus heróis foram editados, juntamente com toda a sua obra editada em álbuns em Língua Portuguesa.

A Exposição poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 14:00 e as 17:30 horas. A realização de visitas guiadas poderá ser feita mediante marcação prévia (através do e-mail bpmp@cm-porto.pt ou do telefone 22 5193480 – Ext. 1417).

A entrada é livre.

HERGÉ, TINTIN & C.ª NA BANDA DESENHADA PORTUGUESA: A COLECÇÃO DE BD DA B.P.M.P (Biblioteca Pública Municipal do Porto)


A Biblioteca do Porto autorizou a captação de imagens e foi disponibilizada a reportagem no espaço www.misteriojuvenil.tv. O prazo da exposição foi prolongada até 29 de Fevereiro de 2008.

https://www.youtube.com/watch?v=r8NB9KmPjbY




sábado, 11 de outubro de 2008

Dossier da Bedeteca

Avaliação anual da banda desenhada em Portugal de 2007 - Critica

Há um ano a Universidade portuguesa primou pela ausência no balanço sobre a crítica de banda desenhada. Em 2007 brilhou a estrela, solitária (?), de Ana Bravo e da sua tese de mestrado, com honras de publicação: “A invisibilidade do género feminino em Tintin, a conspiração do silêncio”. Não vou aqui discutir o mérito dos pressupostos teóricos, hipóteses de trabalho, investigação, elaboração e conclusões da dita tese, amplamente debatida pelos meus colegas metacríticos João Paulo Boléo, Pedro Moura (http://lerbd.blogspot.com/2007/09/invisibilidade-do-gnero-feminino-em.html#comments) e outros, certamente... O meu comentário será de ordem geral, por um lado, e muito particular (porque me afectou pessoalmente), por outro.

A crítica feminista (ou marxista, ou pós-colonial, ou pós-estruturalista, ou queer, ou outra coisa do género...) é-me simpática porque vejo demasiada miopia na análise dos conteúdos que as obras veiculam ou sugerem (se é que essa análise existe em Portugal para além do blog “Ler BD”, de Pedro Moura). Ao denunciarem estereótipos femininos na BD (na esteira de Edmond Baudoin, as maiúsculas caracterizam, aqui, a banda desenhada comercial) as feministas bem podem dizer: o rei vai nu. Mais, no caso de Ana Bravo nem se trata de um rei. Como bem viu Joël Kotek em “Les grands mythes de l’histoire de Belgique, de Flandre et de Wallonie”, a tintinologia (eu diria: a tintinofilia) é uma religião e Hergé é o seu profeta. Segundo o mesmo Kotek existem, na tintinologia (entendida como teologia): os textos sagrados (os livros de banda desenhada e demais papelada de Hergé); os sumo-sacerdotes, guardiões do templo e evangelistas (hergéologos, tintinólogos, tintinófilos, tintinólatras, tintinmaníacos, tintinopatas); uma congregação de fiéis (os demais fans de Tintin); cismas, heréticos, textos canónicos (estes últimos publicados pelas edições Moulinsart). Mark McKinney, o qual cita Kotek no último “International Journal of Comic Art”, acrescenta ainda: o sanctum sanctorum (onde se guardam as relíquias sagradas); um templo: o museu a construir em Louvain-la-Neuve, com inauguração marcada para o dia 22 de Maio de 2009. (McKinney acrescenta ainda outros pormenores como a universalidade dos textos sagrados e a anunciação da segunda vinda, encarnação em filme com realização das estrelas do box office, obviamente, Steven Spielberg e Peter Jackson.)

Só é pena que a crítica de banda desenhada feita por homens (a única que existe nos jornais portugueses) sofra de ataques constantes de nostalgia, infantilismo, hagiografismo, enciclopedismo, biografismo, gosto pelo midcult, e outras barbaridades do género... Estereótipos e personagens com a espessura psicológica da folha de papel em que foram desenhadas; formulas narrativas dignas de filmes de série B; etc... etc... são pormenores que não impedem a canonização na história oficial da banda desenhada (entenda-se: a história da inane BD infanto-juvenil do século XX; aí esteve a exposição “As 10 BDs do Séc. XX” (sic) no 18º Festival Internacional Banda Desenhada Amadora 2007 (sic) para, à excepção de “Maus”, de Art Spiegelman, provar o que digo). O que faz falta, portanto, realmente, e em conclusão, é uma crítica “machista”. Posto isto vamos ao “pormenor” que me afectou pessoalmente nesta história (e peço desde já desculpa por utilizar um meio público em “proveito” próprio): fui plagiado por Ana Bravo (nas pp. 40, 41). O que me parece irónico é que o subtítulo do livro em causa seja “a conspiração do silêncio” e que no título apareça a palavra “invisibilidade” porque a sensação que tive foi exactamente essa: a de ser invisível. Claro que eu sou apenas um crítico de banda desenhada... 

Uma arte menor para deleite dos menores de idade, como todos sabemos e no-lo diz o lugar-comum, ou/e dos adultos que têm um intelecto algo reduzido. Citar-me não podia ajudar a conseguir a classificação de Muito Bom, como, estou certo, Ana Bravo mereceu... e eu com ela. Dá muito mais status e capital intelectual citar Pierre Bourdieu ou Michael (sic, pag. 82) Foucault, claro.

Mas, infelizmente, Ana Bravo esteve longe de estar sozinha nesta menorização da crítica de banda desenhada durante o ano de 2007. Nos jornais, o panorama não foi melhor. (Escuso-me de comentar, em jeito de reportagem, como soe fazer-se, nestes balanços, o trabalho de divulgação que ainda vai existindo nos nossos pasquins.) Refiro-me, mais concretamente, à única razão que leva as chamadas “políticas editoriais” (entenda-se, fórmulas que explicitam o dilema: “vamos lá a ver como é que raio conseguimos vender mais papel?”) a incluírem a BD nos parcos suplementos culturais que ainda vão subsistindo (a banda desenhada como arte a sério está fora de questão porque quase não existe como negócio): a última adaptação hollywoodiana de um qualquer comic industrial, livro, ou argumento original da autoria de algum peso pesado do mainstream dos comics. Em 2007, miséria das misérias, tivemos as versões cinematográficas da mini série fascistóide “300”, do racista neocon Frank Miller, e da fantasia light “Stardust, O Mistério da Estrela Cadente”, livro do peso leve da literatura e da banda desenhada, Neil Gaiman.

À semelhança do que (não) fiz acima a propósito do livro de Ana Bravo abstenho-me, porque não é este o espaço indicado, de comentar o filme “300”, para além do óbvio: trata-se de uma peça de propaganda racista, homofóbica, e militarista, parte integrante da engrenagem hegemónica do poder económico imperial. Nem sequer falta a ridícula dicotomia infantilóide, belos/bons, feios/maus: os iranianos, perdão, os persas (parafraseando Rui Henrique Coimbra), são ninjas e orcs; o espartano traidor Efialtes é um indivíduo disforme; só Xerxes, Rodrigo Santoro, foge a esta lógica, mas é um fulano descomunal, provavelmente homossexual, que se encontra “desfigurado” por inúmeros piercings.

Pelo que sei do que se escreveu a propósito do filme e do livro nos jornais portugueses nem uma palavra disseram os críticos de banda desenhada habitualmente de serviço sobre o assunto (apenas João Miguel Lameiras tentou tapar o sol com a peneira no diário “As Beiras” de 14 de Abril: “a reacção que teve mais impacto mediático foi a do governo iraniano (não por acaso, o filme foi proibido no Irão) que acusou “300” de ser um instrumento de propaganda da administração Bush na sua luta contra o Irão. Claro que esta acusação é absurda, pois a BD de Frank Miller data de 1999, muito antes de Bush Jr. chegar ao poder e a visão que ela transmite tem por base os escritos do historiador grego Heródoto, que passou à escrita um episódio épico da história da Grécia, preservado pela tradição oral e que Miller reinterpretou na BD”). “Reinterpretou”, está certo... fazer-se esta versão em cinema, precisamente agora, também deve indicar qualquer coisa... mas adiante...

No jornal “Expresso” deu-se um fenómeno curioso; houve uma divisão de tarefas à boa maneira das linhas de montagem (“300” teve honras de capa no suplemento “actual” de 6 de Abril, mas alguém boicotou a publicidade com um título na tradição do jornal “Independente”: “A Batalha dos 300”; o trocadilho/alusão a uma batalha de pacotilha, tipo “loja dos 300”, parece não deixar dúvidas): o correspondente em Los Angeles, Rui Henriques Coimbra, entrevistou o realizador Zack Snyder e esmiuçou os aspectos económicos envolvidos (em Roma, sê romano; nos Estados Unidos da América, sê capitalista); Nair Alexandra escreveu um excelente texto sobre os factos históricos; o crítico de banda desenhada, João Paulo Cotrim, foi chamado a discorrer sobre Frank Miller (e fê-lo recorrendo ao habitual biografismo); o crítico de cinema Vasco Baptista Marques, criticou o filme, de forma breve, mas contundente (senão, vejamos: “Tem “décors” claustrofóbicos e sequências de acção sanguinolentas; tem 300 gajos monosilábicos, psicóticos e bronzeados; tem uma horda de adeptos da magia negra, “shows” lésbicos e teratologia; e tem um argumento tão protofascista e eugenista que faz com que o cinema de Risfenstahl pareça politicamente inócuo por comparação”; além do mais, todos os colegas de Vasco Baptista Marques que escrevem no “Expresso” deram uma solitária estrelinha ao pompieríssimo filme). Resultado: crítico de cinema – 1; crítico de banda desenhada – 0. (Já agora, e para equilibrar as coisas, recomenda-se o texto de Pedro Moura: http://lerbd.blogspot.com/2005/05/300-frank-miller-com-lynn-varley-dark.html#comments).

Também Neil Gaiman teve honras de capa no suplemento “actual” do jornal “Expresso” de 29 de Setembro e também desta vez o título alusivo ao dito não é de todo lisonjeiro: “Neil Gaiman, Anda nas Nuvens”. Os meus parabéns, portanto, a quem escreveu os dois ajustadíssimos títulos. Se Frank Miller é elogiado pela comunidade fanática “da BD” apesar dos seus dotes literários medíocres e de uma política maníqueista caricatural (entenda-se: propaganda grosseira), Neil Gaiman não lhe fica atrás, apesar de ser o campeão do midcult. Depois de largos elogios por parte do crítico de banda desenhada João Paiva Boléo, o crítico de cinema Manuel Cintra Ferreira criticou o filme, “Stardust, O Mistério da Estrela Cadente” (realizado por Matthew Vaughn), de forma breve, mas inequívoca (sem, apesar de tudo, ter sido tão mordaz como deveria; o dumbing down constante tem de produzir efeitos nefastos nalgumas mentes: “O filme de Vaughn é bonito, vê-se sem grandes cuidados, [mas] talvez [seja] demasiado “lavado” para quem procure um pouco de ironia. Se o seu alvo é o público infantil suporta-se. Se é outro, falta-lhe o humor (apesar da presença de Ricky Gervais) que a série “Shrek” tem para dar e vender”. Resultado: críticos de cinema – 2; críticos de banda desenhada – 0.

Por fim, e para terminar com uma nota positiva (convém, nestas quadras festivas), quero saudar os textos de José Carlos Fernandes no “BD Jornal” e no catálogo do festival da Amadora. Apesar de não serem crítica, no sentido mais tradicional, são crónicas interessantes e uma lufada de ar fresco. (...)

texto de Domingos Isabelinho


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