domingo, 22 de novembro de 2015
Desenho de livro de Tintim vendido por mais de 700 mil euros
O desenho a lápis e guache, concebido por Hergé para o álbum de 1937, estava avaliado entre 300 mil a 500 mil euros, segundo a casa leiloeira, e foi comprado por um licitador na sala, depois de uma disputa, ao telefone, entre dois colecionadores europeus.
Uma edição original do álbum “O caranguejo das pinças de ouro”, de 1942, também da série “As aventuras de Tintim”, foi vendida por 25.200 euros.
No total, as obras do autor belga de banda-desenhada que foram hoje leiloadas renderam 1,1 milhões de euros.
In Observador
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Blog de Francisco Seixas da Costa
duas ou três coisas - notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
Blogue
Não tinha dado conta, devo confessar: este blogue fez ontem cinco anos. Foi um confrade que se preocupa com essas datas que o anunciou.
Foram cinco anos sem uma única data em que eu aqui não tivesse deixado um post. Foram em número de mais de 3200 as mensagens que assinei, entre memórias ou notas do quotidiano, historietas pessoais ou de outros, cenas e episódios da vida diplomática, textos mais ou menos sérios, muitas fotografias. 751 amigos inscreveram-se para seguir, nos dias hoje, este blogue. Quase um milhão e trezentas mil visitas foram feitas nestes cinco anos, com mais de dois milhões de páginas consultadas. Em média, todos os dias, o blogue é visitado por mais de mil pessoas - o que, de acordo com quem sabe destas coisas, leva a presumir que cerca de cinco mil leitores passam regularmente por aqui.
Durante o primeiros quatro anos, o blogue foi assumido como sendo "do embaixador de Portugal em França", embora nunca tivesse sido um blogue formal da Embaixada. Logo no primeiro post ficava clara a dualidade: "Embora, como disse, este espaço não tenha uma natureza oficial, naturalmente que quem o escreve assume, em pleno, a responsabilidade da função que exerce e que, por essa razão, não se esquece dela ao escrever. "À bon entendeur"..." A mudança do meu estatuto ocorreu há um ano e, naturalmente, o blogue sofreu alguma alteração no seu estilo e, aqui ou ali, em alguma seleção temática.
Um palavra para as comentadoras e comentadores. Quem segue este espaço sabe que há gente que o acompanha desde o início, com uma dedicação que só posso agradecer. Um "quarteto" ímpar de senhoras tem feito uma inigualável "guarda de honra" aos textos: Isabel Seixas, Helena Oneto, "Margarida" e Helena Sacadura Cabral. Mas há outros nomes, como "Patrício Branco", "Catinga", ARD ou Guilherme Sanches a cuja fidelidade estou muito grato. Caso especial é "Alcipe" e o seu saudoso heterónimo "Feliciano da Mata", este último agora desaparecido em combate empresarial, entre o Cabinda e o Cunene, com passagens fugazes pelo mundo do PSI20. (...)
Diplopoeta
O "nosso" Luís Castro Mendes acolheu-se agora à "Assírio & Alvim", onde vai publicar o seu próximo livro, "A Misericórdia dos Mercados". É bom vê-lo numa excelente casa da poesia, ainda ligada, agora só pelo nome, ao meu querido amigo João Carlos Alvim (João, temos de nos ver um dias destes!).
O primeiro lançamento ocorrerá na Póvoa de Varzim (e não Póvoa do Varzim, como às vezes alguns se enganam), no dia 22 de fevereiro, no âmbito da "Correntes d'Escritas" (desculpa lá, Luís, mas tenho um compromisso em Setúbal nesse dia, com que sei que estarás solidário).
No dia 25, pelas 18.30, na Barata, na avenida de Roma, o evento repete-se, com falas de Fernando Pinto do Amaral e Nicolau Santos (Tó Zé Massano, se chegares mais cedo, tu, que moras a "walking distance", marca lugares!).
Dizem-me que, para este último evento, se prevê uma multidão multinacional. Desde logo, um tal Alcipe, vindo de Estrasburgo com a madame. Como estamos no ano comemorativo do "movimento dos capitães", é aguardado, com imensa expetativa, o famoso Capitão Rosa, que agora usa um nome estrangeiro, para armar em "fino", na correspondência que lhe mandam para Moulinsart. Ao que me dizem, está já confirmada a presença de um estimado comerciante da Figueira da Foz, de seu nome Oliveira, muito chegado ao autor, e de quem, nas últimas horas, se fala bastante para novo presidente da AICEP. De Coimbra, aguarda-se o renomado professor Pedro João dos Santos, acompanhado de um jornalista de um diário de Lisboa, cujo nome me escapa. De Paris, está garantida a presença amiga de Ronaldo Azenha de Noisiel, que consta estará prestes a lançar um negócio de mercearias "drive-in" em auto-estradas. Também deverá deslocar-se, vindo de uma das antigas colónias, essa figura muito próxima do autor que é Feliciano da Mata, em seu nome e de uma senhora engenheira cuja modéstia esconde o santificado apelido. Em representação de uma augusta figura, espera-se a presença de D. Henrique Vasconcellos Menezes (Vinhais), responsável pelo pé de página do Gotha dedicado a Portugal. Pelo movimento literário Malta da Rima, a que o autor terá aderido na juventude, aguarda-se a presença de um diplomata que, nos últimos anos, se dedica a fazer um "remake" do "Mistério da Estrada de Sintra". Pude há minutos confirmar, depois de um jantar que tive com o Hélder Macedo, que, daqui de Londres, irá o Joseph Crabtree e, do Brasil, está garantida a presença de Augusto Maria de Saa. E muita, muita mais gente.
Vai ser uma festa!
Francisco Seixas da Costa, 11/02/2014
11 de fevereiro de 2014 às 06:16
Anónimo (JPGarcia) disse...
Ouvi dizer que até do Tibet vem um amigo (comum ao abominável homem das neves ), de Milão uma cantora lírica de renome, da América Latina um General que dará um curso de derrube de Governos, do Egipto um vendedor de charutos Flor Fina. Al Capone não estará porque os gangsters de cá lhe metem medo (o mesmo acontece com Rastapopoulos, Allan e o Dr. Muller). O Sheik Ben Kalish Ezab e o filho aproveitarão para investir em Portugal. O caranguejo servido será "Pinces d'Or", as carnes frias naturalmente Sanzot e o whisky Loch Lemond. Dupont e Dupond estão agora no poder aqui no burgo mas têm compromissos anteriores. Obama será representado pelo cão de ågua Milú. O jornalista Jean-Loup de la Batellerie fará a reportagem. Belém cedeu a Irma que agora lá vive. Os convivas oferecerão uma versão em prata do ceptro de Ottokar. Do Congo virão padres e pretos. A comunidade científica portuguesa, agora em crise, recusou ser representada pelo Professor Girassol, como propunha o Governo. Talvez venha um dos Alambiques, mas está-se ainda a negociar. Ciganos são bem-vindos mas a Gazza Ladra não, para não levar os diamantes da D. Didas. Não serão precisas sete bolas de cristal, nem aproveitar um eclipse do Sol, para se prever que o lançamento das memórias do Cavaleiro de Hadoque será um grande sucesso. Espera-se contudo que não caia por cá nesse dia uma estrela misteriosa, a não ser que seja de platina para se poder pagar a dívida. Um abraço ao Senhor Tim-Tim do JPGarcia que procurará estar presente, no caso do Docteur Rotule o curar das actuais maleitas.
sábado, 14 de novembro de 2015
Exposição sobre Hergé
http://www.thinkers.pt/
Exposição sobre Hergé inaugurada ontem na Fundação Marquês de Pombal
A exposição sobre o responsável pela criação da famosa personagem de banda desenhada Tintin vai estar no Palácio dos Aciprestes, em Linda-a-Velha, até 27 de julho de 2014.
Na tarde de ontem foi inaugurada no Palácio dos Aciprestes a exposição "Hergé - Cronista do Século XX", onde podem ser vistos livros e objetos alusivos à obra de Hergé, como pequenos acessórios e maquetes.
No encontro onde António Monteiro e João Mascarenhas falaram sobre Hergé e as aventuras do famoso Tintin, o presidente da Fundação Marquês de Pombal, Armindo Azevedo, começou por dar as boas vindas aos presentes, partilhando a sua vivência de infância com as aventuras do repórter da poupa.
Entre as intervenções dos oradores houve ainda uma atuação musical de Patrícia Brandão, que se fez acompanhar de Manuela Fonseca ao piano para cantar duas peças de ópera: Carmen, de Georges Bizet, e L'air des Bijoux, de Charles Gounoud.
António Monteiro explicou o porquê de dinamizar esta exposição de homenagem a Hergé: "Nós temos um grupo 'tintinófilo', que se dedica ao estudo da obra do Hergé e se reúne periodicamente em convívio, tertúlia e discussão dos seus vários aspetos", tendo surgido agora esta oportunidade com o apoio da Fundação Marquês de Pombal.
A exposição sobre o criador da famosa personagem de banda desenhada Tintin é de entrada gratuita e vai estar aberta ao público até ao próximo domingo, dia 27 de julho, todos os dias entre as 10h00 e as 18h00, com encerramento na hora de almoço entre as 13h00 e as 14h00. No dia 26 realiza-se a sessão de encerramento, onde haverá mais uma tertúlia e a eleição do vencedor do concurso de desenho infantil.
Tiago Figueiredo, Oeiras Digital, 20 de Julho de 2014
(texto e video da inauguração)
http://oeirasdigital.pt/?page=noticia_detalhe&categoria=cultura&t=CF82771A-9EFB-75D5-AC3F-2774BB9B637B
https://www.facebook.com/pages/Herg%C3%A9-Cronista-do-S%C3%A9c-XX-A-Exposi%C3%A7%C3%A3o/263773617148986?fref=photo
sábado, 7 de novembro de 2015
Quim e Filipe nos blogues O Gato Alfarrabista e Largo dos Correios
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Uma casa para o Tintim
Uma casa para o Tintim
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Johan
Johan de Moor pour une expo au Portugal. link, 27/02/2015
Em 2008 passou por Lisboa tendo sido entrevisto por Carlos Pessoa.
P - O que é preciso para ser um bom cartoonista?
- Trabalho para diários, o que exige um training especial com os textos. Investi nisso e cheguei a ganhar o prémio para o melhor desenho de imprensa da Bélgica. Como o cartoon é feito por uma ou duas imagens, é necessário concentrar, sintetizar um acontecimento. É um pouco como o trabalho do jornalista, que tem de sintetizar a informação disponível. Mas é fascinante!
P - E na banda desenhada?
É diferente. Pode trabalhar-se num quadradinho durante um dia e no seguinte durante uma hora... E depois vem alguém que, perante o quadradinho que levou uma hora a fazer, diz que é uma obra-prima, porque é mais gráfico ou outra coisa qualquer! É normal. Quando já se anda nisto há muitos anos, é necessário manter sempre a calma e estar descontraído, sem cair na tentação de forçar as coisas. Cada autor tem o seu próprio código de leitura e de desenho e é necessário não o violentar.
P - No começo de tudo esteve a continuação das peripécias de Quick e Flupke.
- Sim. Deu-me a possibilidade de entrar pela porta grande na banda desenhada e constituiu também uma grande escola prosseguir a obra de Hergé, mesmo sendo uma série de segunda linha.
FIBDA 2004
Em Abril de 2002, foi anunciado o regresso de Lucky Luke, após a morte do criador Morris, a 17 de Julho de 2001. Morris deixou bem expressa a vontade de que a série tivesse continuidade após a sua morte, e a editora Dargaud, já responsável pelo bem sucedido regresso de Blake e Mortimer (em 1997, após a morte do criador Edgar-Pierre Jacobs em 1987), aceitou este desafio.
A escolha de autor para dar continuidade às aventuras do cowboy que dispara mais rápido que a própria sombra recaiu sobre a dupla Laurent Gerra (argumentista) e Achdé (desenhador). Os dois autores estiveram presentes no primeiro fim-de-semana do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), com o lançamento da edição portuguesa do novíssimo álbum de Lucky Luke (pelas Edições Asa).
Nesse mesmo fim-de-semana, estava também no FIBDA Johann de Moor, convidado no âmbito da exposição da nova BD flamenga. Johann é o filho de Bob de Moor, que terminou o segundo volume de “As 3 Fórmulas do Professor Sato” após a morte de Jacobs, e que foi sempre apontado como o continuador de Tintin após a morte de Hergé (se Tintin continuasse). O próprio Johann assegurou durante algum tempo a continuação de Quim e Filipe, outra série de Hergé (publicada em Portugal pela Verbo).
Nessa medida, juntaram-se os três autores no auditório para uma conversa sobre “O Regresso dos Clássicos”.
A questão da possibilidade de regresso de Tintin foi colocada, em jeito de recolha de opinião, aos três autores. E foi entendida como uma questão pertinente. Daqui a alguns anos, Tintin poderá parecer um discurso menos actual, e poderá levantar um problema de perda de leitores. Nesse momento (ainda distante), o regresso de outros clássicos (como Lucky Luke) poderá pesar, assim como o facto de o desejo de Hergé para que não houvesse continuidade da personagem após a sua morte não ter sido tão explícito como o desejo de Morris para que Lucky Luke continuasse, por exemplo.
(...)
Johan de Moor chegou a Quim e Filipe pela via da animação. Pouco tempo depois da morte do criador de Tintin, numa altura em que Johann trabalhava no Estúdio Hergé, teve o consentimento da viúva de Hergé e da editora Casterman para avançar com o projecto de adaptação ao cinema de animação da dupla Quim e Filipe. Terminada a série animada, Johan de Moor assinou ainda um álbum com 23 histórias. Foi então que a viúva de Hergé repensou a ideia, e parou o projecto da continuidade de Quim e Filipe.
Johan de Moor orgulha-se do trabalho que fez com Quim e Filipe, mas não lamenta a decisão da viúva de Hergé, que lhe permitiu avançar para projectos mais pessoais. Primeiro com Gaspard de la Nuit (quatro álbuns de 1987 a 1991, em colaboração com Stephen Desberg), e depois com a hilariante La Vache (oito álbuns a partir de 1992, de novo com Desberg), numa paródia impiedosa ao estilo James Bond. Com a mudança de editor, La Vache passa a Lait Entier (dois álbuns desde 2001).
(...)
A banda desenhada flamenga reflecte uma realidade cultural, da Flandres e também de Bruxelas, distinta e independente da francófona, ainda que complementar.
A questão linguística é fundamental. Com as portas dos editores francófonos fechadas a quem não falava fluentemente francês, os autores da Flandres viram-se obrigados a criar a sua própria BD.
Ao contrário da banda desenhada francófona, a BD flamenga não se afirmou nos jornais e revistas especializados (Tintin, Spirou, etc.), mas na imprensa quotidiana. Esta diferença histórica fundamental veio acentuar determinadas características únicas ao nível da forma: na BD flamenga trabalha-se muito o formato da tira, e não há uma preocupação tão grande no detalhe (já que tanto o ritmo de produção como o ritmo de leitura são mais rápidos, e a má qualidade do papel também não permitia grandes riscos ao nível da técnica). Com o tempo, a BD flamenga começou a reflectir sobretudo a realidade da Flandres, enquanto a BD francófona começa a projectar-se para o exterior. A BD flamenga começa a ter géneros preferenciais, com destaque para a aventura humorística, privilegiando as séries.
Em termos históricos, a BD flamenga representa um gigante escondido na identidade cultural da Flandres: quem conhece a série Jommeke (Gil et Jo), de Jef Nys, com mais de 45 milhões de álbuns vendidos? Quem conhece as colecções Suske en Wiske (Bob et Bobette), Nero (Néron), Bessy ou De Rode Ridder (Le Chevalier Rouge), que, tal como Jommeke, contam com mais de duzentos títulos?
Já os autores que se integram na BD francófona beneficiam da projecção internacional característica desta forma de BD: Morris (o criador de Lucky Luke, primeiro convidado internacional do FIBDA), Berck, Vance, ou Bob de Moor são conhecidos autores flamengos que se integraram no modelo francófono na sua produção ao nível da BD.
Nos últimos anos, a BD flamenga tem sofrido transformações importantíssimas. Como explicou Johan de Moor, a oferta editorial concentrou-se num único grande editor, exclusivamente vocacionado para a BD infantil de grande público. A exposição que foi apresentada no FIBDA 2004 é uma forma de mostrar que existem autores que querem (e são capazes de) fazer outros tipos de BD, com uma criatividade narrativa e no tratamento da imagem que desafia limitações de género. Johan de Moor é um bom exemplo.
Pedro Mota, Noticias da Amadora nº 1597, 09/12/2004
Johan de Moor é filho de um "clássico" da BD europeia (Bob de Moor) que começou a trabalhar com o pai na fabricação convencional das histórias curtas de Quick e Flupke (de Hergé) antes de se afirmar, no final dos anos 80, como o artista original e criador que é.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Duas páginas de Tintin vendidas por mais de 1,5 milhões de euros
Duas páginas originais do álbum "O ceptro de Ottokar" de Tintin, publicado em 1939, foram hoje leiloadas em Paris por mais de milhão e meio de euros, anunciou a leiloeira Sotheby's.
Segundo a Sotheby's o valor da venda, 1.563.000 euros, é "um recorde mundial", sendo que o preço base de licitação estava situado entre os 600.000 e os 800.000 euros.
Com um tamanho entre 40 a 60 centímetros e desenhadas a tinta-da-china, as 14 vinhetas das duas páginas leiloadas mostram o ataque militar sofrido pelo avião onde seguiam Tintin e o seu cão, Milou, publicadas na revista belga "Le Petit Vingtième".
Esta foi a "peça estrela" do leilão da vasta coleção do belga Jean-Arnold Schoofs, considerada uma das maiores do mundo dos quadradinhos, das quais 132 lotes foram vendidos por um total de 2,7 milhões de euros.
In Lusa













