quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Dupond e Dupont


Dupond e Dupont são dois célebres personagens de "As Aventuras de Tintin" do autor belga Hergé. São dois polícias (?), em tudo muito semelhantes. Por exemplo, Dupond diz "Não a um bloco central" e Dupond retorquirá "Direi mesmo mais: não a um bloco central".

Ontem, 4 de janeiro de 2018, assisti na TV a um frente-a-frente dos dois candidatos à liderança do PSD: Santana Lopes e Rui Rio. Foi o próprio Dr. Santana Lopes que mencionou a analogia com os personagens da BD, afirmando que não eram eles, mas sim o Dr. Rui Rio e o actual Primeiro Ministro. Na minha opinião são mesmo eles, Santana Lopes e Rui Rio, os mais parecidos com a famosa dupla.

Um deles será o líder de um dos maiores partidos políticos nacionais. Um partido que recebe milhões de votos. Pergunta: não encontram mais ninguém entre toda essa gente para liderar o partido?

Não sou "adepto" do PSD (antes pelo contrário), mas estou convicto que esse grande partido merecia melhor que as trapalhadas do Santana e as habilidades do Rui. 

Se atendermos à Lei de Murphi isso é preocupante: se um deste homens tiver a possibilidade de cometer um erro, decerto o fará. E o assunto não interessa apenas aos simpatizantes daquele partido; interessa a todos. As pessoas, um pouco por todo o lado, têm vindo a demonstrar uma estranha tendência para eleger os piores candidatos. Cuidado: corremos o risco de um deles, Santana Lopes ou Rui Rio poder alcançar o cargo de primeiro ministro.

Deixo aqui o meu apelo às gentes do PSD. Rebusquem, investiguem, vasculhem entre os militantes, encontrem outros candidatos menos patuscos, mais compenetrados, mais credíveis. Por favor...

Franco Gomes, 05/01/2018


quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Maceira


Em jeito de parabéns, a Biblioteca Escolar de Maceira, em articulação com as professoras de Francês, prestou-lhe homenagem com a exposição "O Mundo de Tintim" ( livros, filmes e trabalhos realizados pelos alunos do 3.º Ciclo) e o passatempo " Teste do Tintim.... és um verdadeiro perito em tintinologia?"

http://filhotedetecnologias.blogspot.com/2012/01/tintim-completou-83-primaveras-no-dia.html

sábado, 14 de novembro de 2020

Miguel Somsen

edição nº 26 de 1969

A revista do Tintin, editada em Portugal por Vasco Granja entre os anos de 1968 e 1982, chegava por correio a nossa casa em Oeiras sem falhas todas as quintas-feiras. 

Todas as quintas-feiras, sem falhas, a revista dos “jovens dos 7 aos 77 anos” era entregue por um paciente carteiro, que então fazia a distribuição do correio de bicicleta, trazendo a correspondência em duas sacolas de couro instaladas na traseira da sua bicicleta. 

No início dos anos 70, os sete irmãos Somsen, então crianças e pré-adolescentes, eram tão dependentes da revista do Tintin, que todas as semanas criavam uma rotina que lhes permitisse ler a revista de forma justa e ordeira lá em casa. 

A regra principal da rotina era simples: o primeiro a tocar no envelope que trazia o Tintin seria também o primeiro a ler a revista. O segundo era o segundo, e por aí fora. Portanto, o desafio semanal das quintas-feiras exigia rapidez, destreza e paciência, porque nunca sabíamos a que horas o carteiro chegava, mas estávamos sempre dispostos a ficar horas na rua à espera do homem. 

Numa dessas excitantes quintas-feiras de infância, seríamos talvez três ou quatro irmãos à espera na rua, quando finalmente o carteiro chegou com o tão cobiçado fascículo da semana, provocando a histeria colectiva dos Somsen, que, ansiosos por serem os primeiros a tocar no envelope, decidiram saltar sobre o desgraçado do carteiro, que então se viu derrubado no meio do chão, com cinco, seis ou os sete violentos irmãos Somsen sobre ele, a tentar agarrar rapidamente a preciosa revista de banda desenhada que Vasco Granja tinha decidido publicar em fascículos todas as quintas-feiras no nosso país. 

Vasco Granja morreu oficialmente há dez anos, voltou a morrer umas quantas vezes mais nas redes sociais nos anos seguintes, mas continua vivo na memória dos “jovens dos 7 aos 77 anos” que ainda hoje têm saudades de derrubar carteiros das suas bicicletas às quintas feiras.

Miguel Somsen, 1 de novembro de 2019

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terça-feira, 10 de novembro de 2020

Heróis da BD


Quer se queira, quer não, os protagonistas/heróis marcam o universo da banda desenhada. Em "Heróis da BD" Carlos Pessoa e Nuno Franco sugerem algumas boas pistas, portas de acesso a outros universos. O resto são critérios.

Para falar de banda desenhada todos os espaços são bons, todos os pretextos óptimos. A noção pode ser difícil de entranhar por quem se interessa por cinema ou literatura, formas com lugar garantido no caldo da Cultura. Não é o caso da BD. Presa num limbo variável que apenas se agita em momentos particulares (os Festivais da Amadora, Porto e Lisboa, por exemplo), à BD resta espreitar oportunidades. Foi o caso do desafio da PÚBLICA (revista dominical do PÚBLICO) aos jornalistas e críticos Carlos Pessoa e Nuno Franco. Uma página por semana, tendo como mote (definido pelos próprios) heróis que marcaram os quadradinhos. Agora coligidos num volume de arejado grafismo, esses textos constituem o miolo de "Heróis da BD". Como notam Pessoa e Franco, escrever sobre BD sem falar de heróis, que surgem repetidamente de aventura em aventura, é quase um contra-senso. Infelizmente, acrescente-se. Porque tal critério implica, no leitor ocasional, o vislumbrar automático de lugares-comuns relacionados com actividades heróicas, monodimensionais, escapistas. Quando a BD não se resume a isso. Basta pensar num exercício semelhante feito em termos de cinema ou literatura. Quais as selecções possíveis, os heróis eleitos? Indiana Jones? Luke Skywalker? Miss Marple, Pepe Carvalho, Harry "Rabbit" Angstrom? Significativos, uns mais do que outros. Mas representativos das suas formas narrativas como um todo? Mais lógico seria citarem-se trabalhos, autores. Com a ressalva de que muitas obras se estendem por episódios, a BD merece o mesmo. Diga-se que Pessoa e Franco conhecem o espartilho, e sabem libertar-se dele. "Akira" de Otomo, por exemplo, é "apenas" isso, uma obra fulgurante (longa, é certo, mas não se considerarmos os códigos da BD japonesa) da qual a personagem-título nem sequer se pode considerar verdadeiro protagonista (Kaneda e Tetsuo dividem com ela o palco). Claro que, e aceitando-se o critério (defensável) dos autores, nada é mais estimulante do que listas e selecções. A razão é óbvia. São sempre, mas sempre, incompletas e discutíveis. E, nessa perspectiva, "obrigam" leitores a refazer o exercício na ânsia de uma selecção perfeita, utópica. A este respeito nada de ilusões: comentários aos critérios pessoais de outros são apenas reflexo de um outro critério, não menos pessoal.Logo à partida é interessante notar que as opções de Franco e Pessoa seguem de muito perto cânones que nos habituámos a reconhecer, não só em Portugal. A grande divisão é entre franco-belgas e norte-americanos; com um espanhol, dois italianos, dois argentinos, dois japoneses, e cinco portugueses à mistura. Mais: a chamada "BD clássica" resume-se, fora um ou outro incontornável ("Tintin", "Spirou"...), ao mundo das "strips" e "comics" norte-americanos, com as restantes escolhas a incidirem na contemporaneidade. É evidente que a operação tem de ter danos colateriais, como toda a BD inglesa e personagens clássicas das restantes ("Quim e Manecas", "O Boneco Rebelde", "Simão Infante", para apenas citar alguns portugueses). No entanto, nada há a dizer em relação às presenças nacionais. Gonçalves, Louro, Saraiva, Relvas são inquestionáveis, Fazenda e Marte mais do que promessas. De fora fica, por exemplo, José Carlos Fernandes, o mais espantoso autor português. Que, por ser mais anti-autor, apenas cria, como é óbvio, anti-heróis. Noutra perspectiva, da brilhante dupla Nuno Saraiva/Júlio Pinto resgata-se o formato mais clássico, e a criação menos interessante, pese embora o delírio inicial. É evidente que os autores concentraram escolhas naquilo que reconhecem como importante e, mais ainda, de que gostam. Não é difícil, de resto, distinguir uma coisa da outra. Veja-se, nomeadamente, o esforço efabulatório de Carlos Pessoa para que o leitor penetre nos universos ficcionados que descreve. A forte carga de assombro que se vive nessas entradas contrasta com outros textos de cariz mais informativo. (...)

João Ramalho Santos, Público, 13/10/2001

https://www.publico.pt/2001/10/13/jornal/o-regresso-dos-herois-162967


Heróis da BD, de Nuno Franco e Carlos Pessoa

Uma lista de 42 heróis da BD analisados pelos autores, cujas crónicas foram inicialmente publicadas no revista  dominical do jornal «Público». Uma crónica é dedicada a Tintim.

Público - Lisboa, 2001 - 89 páginas, Cor, Brochado, 250x295 mm 

A entrada sobre Tintin, "Repórter Andarilho", é da autoria de Carlos Pessoa.

antigo site do Público

Nome: Tintin

Criador: Hergé

Data de nascimento: 10-01-1929

Local: "Le Petit Vingtième", Bélgica

Época: século XX

Série: banda desenhada de aventuras e um dos grandes clássicos do género, que influenciou de forma muito vincada uma parte significativa da criação europeia contemporânea de BD Sinais particulares: Tintin é um jovem repórter, sempre vestido com calças de golfe e ostentando um inconfundível topete no alto da cabeça. É dono de um fiel e inteligente cão "fox-terrier", chamado Milou, e tem como companheiro inseparável, a partir de 1940, Haddock, um capitão de marinha colérico, beberrão e temperamental.

(Carlos Pessoa)


biblioteca no antigo site

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Caixa Tintin 2020

Pack Tintin 2020 - Hergé

Editora: ASA

Nas livrarias a 17 de novembro

149,90 €

ISBN 9782222248590

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Uma fantástica caixa com 24 livros da coleção As Aventuras de Tintin, em edição limitada de 500 exemplares que qualquer fã vai querer ter na sua coleção.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Escola de S. João do Souto


O Carnaval este ano (2002?) foi alusivo ao euro. Cada uma das salas representava um país da União Europeia e que tivesse aderido ao euro: Alemanha, Áustria, Bélgica Espanha, França, Finlândia, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal.

BÉLGICA 

Os meninos da sala 3 saíram para a rua vestidos de Tintin e de Euro.

O Tintin é uma personagem belga mundialmente conhecida. Foi criada por Hergé, um dos mais famosos artistas da banda Desenhada.

Na Bélgica a Banda Desenhada é tão importante que até há um museu de B. D. em Bruxelas.


Escola de S. João do Souto (Braga) 1º Ciclo

http://www.eb1-n8-s-joao-souto.rcts.pt/eurolandia.html

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Tintin e a publicidade

 



Uma curiosidade que um amigo tintinófilo nos enviou, onde se mostra como Adolfo Simões Muller usa as aventuras de Tintin para promover a revista O Papagaio. Tempos em que era livre as traduções das aventuras de Hergé.



domingo, 11 de outubro de 2020

Rui Alves de Sousa


E ontem lá passou a minha participação no Saber Sabe Bem, programa da RTP2 apresentado por Inês Serra Lopes. Cada episódio trem um convidado e um tema, e eu decidi falar das aventuras do Tintin. Será que venci o desafio? É puxar para trás na box ou ver na RTP Play!

https://www.rtp.pt/play/p7086/e471621/saber-sabe-bem

Facebook 11/05/2020

https://abeiradoabismo.wordpress.com/2020/05/11/fui-a-rtp2/


Um dos meus heróis de infância não passava de uma figura fictícia que se aventurou por páginas de (geniais) álbuns de BD. Esse meu ídolo faz hoje 85 anos, e não perdeu, com o "envelhecimento", nenhum do espírito de aventura e mistério que o caracterizam desde sempre, continuando a conquistar miúdos e graúdos. 

Hoje em dia, o repórter mais famoso do mundo está não só nos livros, mas também em múltiplos jogos, programas de televisão e filmes (e só o mais recente é que consegue captar a alma do personagem criado pelo magnífico Hergé), e permanece uma figura espectacular, e um exemplo para todos os contadores de histórias da contemporaneidade. Um moço cheio de audácia, e com o qual eu e milhões de leitores de todo o mundo aprenderam certas lições morais e sociais que nos poderiam ter escapado, não fossem as peripécias deste herói.

Não tenho um álbum preferido, mas este da foto («Os Charutos do Faraó») é um dos que mais vezes li em toda a minha "nerdice" de devorador de banda desenhada. A cada nova passagem encontro sempre pormenores novos e espantosos! Hergé fez uma obra não muito longa, mas cuja densidade e complexidade são inesgotáveis.

Ao longo dos anos voltei várias vezes ao universo deste detetive e dos seus inesquecíveis e hilariantes comparsas, e felizmente, não é um universo infantil. Que tentem os mais velhos tentem aos livros, e encontrarão mensagens absolutamente surpreendentes de sátira e crítica social e ainda muito atual, reveladoras da inventividade e do génio do Criador.

Muitos parabéns Tintin. Que contes mais 85, e mais 85, e assim por adiante. Até à eternidade.

P.S. - E que estreie rapidamente o segundo filme da trilogia do Spielberg e do Jackson!

Facebook, 10/10/2014

Penso que era dele a página http://bandadesenhadapt.blogspot.com/ (2008/2009)

domingo, 4 de outubro de 2020

Luís Menezes Leitão

sábado, 10 de janeiro de 2009

Tintin e Astérix.

Como é aqui assinalado, faz hoje 80 anos que Tintin partiu pela primeira vez para a União Soviética, o que veio a ser o início de uma extraordinária história de sucesso de uma personagem, que viajava por todo o mundo, passando pelos Estados Unidos, América Latina, Egipto, Índia, China, Congo, Peru, Tibete, e até a Lua. Tintin percorreu mesmo países imaginários como a Sildávia, já justamente qualificada como uma espécie de Bélgica no coração dos Balcãs. Na Bégica como em Portugal, Tintin foi mesmo objecto de uma saudosa revista que se qualificava como destinada aos jovens dos 7 aos 77 anos.

A meu ver, a explicação para o sucesso de Tintin resulta da crítica brutal, por vezes a atingir a caricatura, que aparece nos seus primeiros álbuns. Na Rússia assistimos à denúncia das brutalidades da revolução soviética. Nos Estados Unidos, vemos a criminalidade em Chicago, bem como a expulsão dos índios das suas reservas por causa do petróleo. Na China, assistimos ao vício do ópio e à denúncia das barbaridades praticadas pelo exército de ocupação japonês e por cidadãos ocidentais sobre chineses indefesos. Na América Latina vemos os múltiplos golpes de Estado praticados por generais de opereta, que precisamente por esse motivo acabam como artistas de music hall. A única excepção é Tintin au Congo, onde Hergé exprime posições colonialistas de um racismo brutal, mas que é explicada por uma tentativa de defesa da posição da Bélgica no Congo, a qual já tinha sido demolida por Joseph Conrad no Heart of Darkness.

Hergé não quis que Tintin lhe sobrevivesse, o que me parece ter sido a decisão correcta, face ao que está a acontecer a outra grande personagem da BD, que é Astérix. Astérix foi uma criação genial de Goscinny, a que se associou um grande desenhador que é Uderzo. Depois da morte de Goscinny, Uderzo decidiu assumir sózinho a continuação da personagem, mas a verdade é que não conseguiu produzir mais nenhum álbum com o humor que caracterizava os trabalhos de Goscinny. É verdade que, graças a um grande trabalho de marketing, aumentou brutalmente o sucesso comercial das personagens, mas a qualidade dos textos nunca mais foi a mesma, tendo os seus leitores ido de desilusão em desilusão. Surge agora a notícia de que a série vai continuar depois da morte de Uderzo, já tendo sido cedidos os direitos da mesma. É uma má notícia pois os novos álbuns só irão contribuir para uma ainda maior descaracterização de uma série de BD genial. Comparando as decisões dos seus autores, acho que Tintin acabou por ter melhor sorte que Astérix.  

Luís Menezes Leitão, 10/01/2009

https://arquivo.pt/wayback/20190917163942/http://lei-e-ordem.blogspot.com/2009/01/tintin-e-astrix.html