HERGÉ TEM AMIGOS EM PORTUGAL
A extraordinária popularidade da obra de Hergé, especialmente das aventuras de Tintin, teve como consequência natural a constituição de diversas associações formadas pelos seus admiradores e coleccionadores da sua obra e de toda a parafernália de objectos associados, desde as colecções de cromos até às estatuetas em diversos materiais.
Desses clubes, merece referência especial, pela sua importância, a associação belga Les Amis de Hergé (ADH), criada em 1985. De projecção internacional, vários dos seguidores portugueses da obra Hergé não tardaram em tornar-se sócios da mesma, recebendo as suas publicações regulares.
No ano de 2006, um desses membros portugueses dos ADH, José de Azevedo e Menezes, teve a feliz iniciativa de procurar apurar quais seriam ao certo os demais sócios portugueses e, contactando com todos, reuniu-os num grupo informal a que se resolveu chamar “Amigos de Hergé Portugueses”: ADHP.
A primeira reunião dos ADHP teve lugar em Lisboa, em Julho daquele ano, tendo-se repetido com alguma regularidade (aproximadamente trimestral) até 2019, após o que os encontros foram interrompidos enquanto durar a pandemia que progressivamente foi assolando todo o mundo a partir do início de 2020.
As reuniões têm lugar habitualmente ao almoço, estendendo-se até meio da tarde e a conversa é sempre animada, dados os interesses comuns dos participantes e os laços de amizade que ao longo do tempo se foram formando. A maior parte dos encontros tem tido lugar em Lisboa, mas houve já passeios que levaram o grupo ao Bombarral, ao Porto, a Viseu, a Coruche e até a Badajoz, em Espanha, estando previstas, quando possível, novas reuniões e novas deslocações.
Para além de se discutirem os mais variados aspectos da obra de Hergé – e mesmo da Banda Desenhada em geral –, os encontros dos ADHP são normalmente animados por um jogo, sob a forma de um questionário sobre a obra de Hergé, versando uma determinada história ou conjunto de histórias, ou também temas transversais como “As capas dos álbuns”, “Os animais nas aventuras de Tintin”, “Cientistas”, etc.
A partir de 2012, cada reunião passou a ser assinalada por um marcador de livros, preparado por um dos membros do grupo e exclusivamente destinados aos elementos do grupo.
Em 2007, criou-se um boletim em formato electrónico – ao qual, apropriadamente, se deu o título de BoleTim-Tim –, igualmente de circulação estritamente privada entre os membros do grupo, que juntava descrições das reuniões e artigos, da autoria de alguns dos ADHP, abordando diversos temas relacionados com a obra de Hergé.
Os ADHP têm como propósito fundamental o estudo e a divulgação dos trabalhos de Hergé, particularmente das aventuras de Tintin, sua principal criação, na certeza de que aqueles que na sua meninice e juventude puderam inicialmente apreciar essas obras, publicadas por populares revistas nacionais, são os elos naturais para as dar a conhecer às gerações mais novas, contribuindo assim para preservar no futuro o apreço que há quase um século vêm suscitando.
Fiéis a esses objectivos, os ADHP colaboraram também numa importante sessão que, em Fevereiro de 2019, comemorou os 90 anos da primeira publicação das aventuras de Tintin. Com o fundamental apoio da Fundação Moulinsart, o evento teve lugar nas instalações da Universidade Lusíada, em Lisboa e incluiu, para além de uma pequena exposição sobre o famoso repórter, um momento musical (foi interpretada a “Ária das Jóias”, da ópera Fausto, de Charles Gounod), a projecção do filme “Na sombra de Tintin” e um conjunto de palestras. A sessão teve assinalável êxito, contando, ao longo da tarde, com a participação de mais de uma centena de pessoas.
António Monteiro
Texto escrito segundo o antigo acordo ortográfico.


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