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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Entrevista no Jornal de Letras (1987)


Entrevista a Adolfo Simões Müller. No JL de 16.3.1987

Adolfo Simões Müller: "Paguei a Hergé em latas de sardinhas"

Raul Correia, Cardoso Lopes, José de Oliveira Cosme, Baptista Rosa, Roussado Pinto... Homens, todos eles já desaparecidos, que devotaram, integralmente ou em grande parte, a sua actividade pública à divulgação editorial da banda desenhada. Adolfo Simões Müller, cujas declarações aqui registamos, é a voz de uma geração entusiasticamente empenhada na divulgação dessa forma de arte. Aos 76 anos, aquele que foi sucessivamente director de «O Papagaio», «Diabrete», «Cavaleiro Andante», «Foguetão» e «Zorro» defende com calor as histórias ilustradas dos ataques dos seus detractores.

Jornal de Letras — Como principiou o seu interesse pelos «quadradinhos»?

Adolfo Simões Müller — Claro, principiei por ser apenas um leitor do que, na matéria, então se fazia por cá: havia os suplementos do «Diário de Notícias» e de «O Século», um deles creio que dirigido pelo Cottinelli Telmo...

P. — E o passo seguinte, a entrada activa na sua produção e divulgação?

R. — Vamos por partes. Por altura dos meus 18 anos, estava eu a estudar Medicina, vi-me forçado a começar a trabalhar, dando aulas, porque as posses da minha família não eram grandes. Tornei-me professor nas Oficinas de S. José, onde me lembrei de inventar processos de entreter os alunos. Um deles consistiu em dividir a turma em dois grupos de futebol, com onze de cada lado, perfeitamente definidos como avançados, halves, backs, keeper e tal. A bola ia progredindo até ao golo, através de perguntas que se iam formulando sobre a matéria (neste caso, Ciências Naturais). Quando era golo havia uma algazarra! Este processo era óptimo porque os rapazes tinham sempre a matéria na ponta da língua, para tramarem o parceiro. Um dia, quando uma das equipas marcou golo, foi tal a barulheira que apareceu o director acompanhado de umas senhoras muito bem vestidas. Fiquei atrapalhado, mas lá expliquei em que consistia o jogo. Pois a verdade é que o «público» ficou para assistir e, no final, aplaudiu... Também ensinava a História de Portugal recorrendo à narração de episódios como se fossem histórias maravilhosas e os alunos aderiam entusiasmados. Assim começou, digamos, a exprimir-se a minha vocação para o contacto com a gente nova...

«Uma técnica própria de leitura»

P. — E daí aos jornais de histórias aos quadradinhos?

R. — Bom, teria eu cerca de 30 anos, «pescaram-me» para as «Novidades», onde passei a trabalhar como redactor. Por volta de 1935, o director da Renascença, Lopes da Cruz, lembrando-se da minha vocação para lidar com jovens (e eu, entretanto, tinha já publicado um livro infantil) convidou-me para fazer um jornal — e assim nasceu «O Papagaio». Escolhi alguns colaboradores já meus conhecidos — o Tom, o José de Lemos, etc. — e, além de textos, decidi incluir também banda desenhada. As pessoas diziam muito mal, que afastava os jovens da leitura, e por aí adiante, mas eu acho que não: o que tem é uma técnica própria de leitura. Aliás, quando se tratava de adaptações de obras literárias eu tinha sempre o cuidado de chamar a atenção para esse facto e de convidar à leitura do original, sublinhando que a adaptação não era mais do que um aperitivo para ela.

P. — Havia fortes concorrentes na altura...

R. — Sim. Os mais importantes eram o «Tic-Tac», «O Mosquito» e «O Senhor Doutor». Todos tinham histórias em banda desenhada.

P. — «O Mosquito» e «O Senhor Doutor», nos primeiros tempos, poucas ou nenhumas histórias ilustradas de origem portuguesa publicavam. N'«O Papagaio», creio, não se passavam assim as coisas...

R. — As histórias eram então quase todas de importação inglesa ou americana. Ora, independentemente dos méritos dos seus autores, não me agradava aquilo, pois não se adaptavam bem à nossa sensibilidade. Antes de passar a incluir n'«O Papagaio» produção portuguesa tive, porém, a sorte de poder contar com a inserção de histórias de Hergé. Foi o padre Abel Varzim, que estudara em Lovaina e que lá na Bélgica tivera a oportunidade de conhecer pessoalmente [ nb: apenas conheceu a Obra e não o autor ] o então ainda jovem e não muito famoso autor de Tintin, quem me falou dele. A coisa interessou-me, ele próprio se encarregou dos contactos e assim passámos a publicar em Portugal, pela primeira vez, o Tintin, o «Tim-Tim no Congo»... O Hergé, para mim, é a maior figura da banda desenhada. E fiquei sempre, n'«O Papagaio» e nos jornais que se lhe seguiram, com o exclusivo do Tintin. E sempre com o maior êxito!

P. — Os direitos de publicação de histórias do Hergé eram dispendiosos?

R. — Nem por isso... E vou contar-lhe um episódio curioso. Nós pagávamos em dólares, ou francos, ou lá o que era (já não me lembro) mas veio a guerra e aquilo para nós era uma ninharia. Eles lá é que estavam pobres... Ora, um belo dia, o Hergé escreveu-me a pedir-me, se possível, o pagamento dos direitos, não em dinheiro, mas em latas de sardinhas, que se destinariam a um irmão dele que estava prisioneiro dos alemães, num campo de concentração... Assim fiz: lá ia a minha mulher comprar as conservas, enviávamos-lhas e elas em seguida iam para o campo, via Cruz Vermelha... Posteriormente visitei o Hergé, encetámos uma relação pessoal e eu sempre fiquei «cliente» das produções franco-belgas, de grande qualidade.

P. — As traduções eram mesmo da sua responsabilidade?

R. — Sim, e no caso do Tintin até adaptei os nomes das personagens. Como se sabe, o Capitão Haddock tornou-se Capitão Rosa, o Professor Tournesol ficou Professor Pintadinho, e por aí adiante. Um caso engraçado é o do cão do Tintin, que no original, como é conhecido, se chama Milou; ora, acontece que na altura estava muito em voga a actriz e cançonetista Milu, a «Menina da Rádio», [ nb:«Em 1935, com nove anos de idade, Milú já cantava nos programas infantis da Rádio Graça e era conhecida como “a menina da Rádio”. Milú Almeida ou simplesmente Milú, como ficou conhecida pelas suas participações nos filmes “O Costa do Castelo”, “O Leão da Estrela” e “O Grande Elias” (mas não em “A Menina da Rádio”, que foi protagonizado por Maria Eugénia, a Geninha).» (Azevmen) ] e eu achei (achámos todos) que era aborrecido chamar Milu ao cão, parecia que era de propósito, até porque entre nós aquilo não é nome de cão. Então, por onomatopeia, ficou Rom-Rom. Tim-Tim e Rom-Rom, soava bem. Num álbum recente, dedicado à obra de Hergé, vem um quadro com as traduções dos nomes das personagens em muitas línguas — e lá vêm os nomes que eu lhes pus...

P. — Quanto às traduções propriamente ditas, as que se fazem agora são muito más, até do ponto de vista estilístico. Não é dessa opinião?

R. — Não leio, não tenho conhecimento. Mas sei que há uma grande invasão de publicações feitas no Brasil, o que é péssimo. E os miúdos consomem muito daquilo. É pena... Eu sempre me preocupei por adaptar com o maior escrúpulo os textos ao português correcto e coloquial, com os nossos provérbios, as nossas frases feitas... Ah, mas ainda a propósito da transposição dos nomes, aqui vai outra história engraçada. A páginas tantas deparei, numa história do Tintin, com um pirata qualquer chamado Müller. Como é natural (risos) eu não achei nada próprio que o vilão tivesse o mesmo nome que o director do jornal. E, assim, chamei-lhe outra coisa qualquer...

P. — Que tiragem tinha então «O Papagaio»?

R. — Não sei já bem, mas uns dez mil, para aí...

P. — Como (e porquê) acabou «O Papagaio»?

R. — Bom, a certa altura, o Lopes da Cruz (que era uma pessoa muito delicada) começou a queixar-se, a dizer que «aguentava a publicação por causa do Müller», e por aí fora. Claro, eu disse-lhe que estivesse à vontade mas ele ia mantendo o jornal, que não era rentável.

P. — E veio «O Diabrete»...

R. — Por essa altura, um dos administradores do «Diário de Notícias» perguntou-me se eu não quereria dirigir o «Diabrete», surgido uns meses antes, e que até então fora dirigido por um engenheiro agrónomo cujo nome, sem menosprezo, não recordo, mas que à data já era muito idoso [nb: A. Urbano de Castro] e se encontrava pouco capaz de ter ideias novas. Eu falei com o Lopes da Cruz, expus-lhe o caso, ele aceitou a minha posição — mas não gostou. E o que é certo é que fez sair «O Papagaio» por mais dois anos, apesar das dificuldades económicas com que se debatia. [ nb: Mais anos! «Como revista terminou no n.º 722, em 10 de Fevereiro de 1949, mas continuou, sendo secção da revista Flama, até 9 de Fevereiro de 1951.» (Azevmen) ]

P. — Dificuldades que não tinha o «Diabrete»?

R. — Era um jornal novo e menos dispendioso. Aí contei com a colaboração próxima do Fernando Bento, um grande desenhador, que ainda continua a trabalhar, apesar da idade (que é mais ou menos a minha).

P. — Mas já «O Papagaio» tivera grandes desenhadores...

R. — Sim. Olhe, um deles — pouca gente sabe isto — foi o grande pintor Júlio Resende, talvez hoje o maior pintor português. É verdade, o Júlio Resende, que com o irmão, fazia banda desenhada para nós. Um dia vieram do Porto de propósito para colaborarem numa festa de «O Papagaio», no Politeama. Faziam uma parelha de palhaços, o Júlio era o faz-tudo e o outro tocava harmónio.

P. — Era frequente nesse tempo a colaboração de artistas plásticos em jornais infantis...

R. — Pois era. O Stuart Carvalhaes também desenhou histórias a meu pedido. O Stuart já fizera muito antes bandas desenhadas com as personagens «Quim e Manecas», que ressuscitou já nos anos 50, quando lho solicitei. Sabe que nunca guardei os originais? Perdi tudo, nunca tive preocupações de coleccionismo. Hoje lamento-o profundamente.

P. — Não possui as colecções dos jornais infantis e juvenis que dirigiu?

R. — Não, nunca me preocupei com isso. Às vezes há coleccionadores que me procuram, que dizem que me dão não sei quantos contos por isto ou por aquilo. «Homem, venda-mos você a mim», respondo eu. (Risos).

P. — Mas voltemos a «O Diabrete»...

R. — Foi uma fase muito grata para mim os dez ou onze anos que durou. Mas comecei a imaginar uma coisa maior e melhor e assim nasceu o «Cavaleiro Andante», no princípio dos anos 50. Antes contara com trabalhos de grandes artistas portugueses e espanhóis (e entre estes últimos cabe destacar o Jesus Blasco, um grande pintor), ao passo que o «Cavaleiro» passou a estar voltado praticamente para quanto se fazia de melhor na Europa. Publicámos, além de produções de outras origens, o melhor da banda desenhada francesa e belga. O Professor Mortimer, de Edgar P. Jacobs, o Astérix, o Lucky Luke, tudo isso, que foi assim pela primeira vez divulgado em Portugal. E o Hergé continuava. O Fernando Bento acompanhou-me sempre e aquilo serviu de escola a outros mais novos, como o José Ruy ou o José Garcês, o que para mim foi muito grato.

«Eu fazia os guiões, o Bento recriava-os»

P. — As histórias não eram, então, assinadas. Como nasciam as que fazia com o Fernando Bento? De quem partia a iniciativa?

R. — Era um trabalho dos dois. Em regra, eu fazia um guião indicando as situações e os diálogos e ele recriava-os. É um grande artista, a quem nunca foi prestada a homenagem que merece.

P. — Pode considerar-se o «Cavaleiro Andante» o jornal de maior êxito de entre os que dirigiu?

R. — Sim, foi um sucesso desde que principiou. Tirávamos trinta ou quarenta mil exemplares e o número um teve de ser reimpresso. Tínhamos, também, uma série de publicações adjacentes: o «Álbum do Cavaleiro Andante», mensal, os «Números Especiais» (os do Natal eram encadernados, com um certo luxo, e custavam 10 «paus»), a «Colecção Oásis», o «João Ratão», a «Colecção Alvo», as «Obras-Primas Ilustradas»... Por fim imaginei o jornal mais giro de todos, mas esse não teve êxito... Foi o «Foguetão», de que se publicaram apenas treze números. Era um jornal grande, tipo «adulto», magnífico, com artigos, contos, histórias ilustradas, grandes diaporamas, tudo a cores e em bom papel. Sabe a que se ficou a dever o falhanço? Eu fiz uma «sondagem» (como se diria hoje) junto dos vendedores e apurei o seguinte: que não se vendia por ser grande de mais. É que os rapazes queriam jornais que pudessem, na escola, meter debaixo dos livros, enganando assim o professor... Foi uma pena. Olhe, é o único jornal que dirigi de que possuo a colecção completa: são apenas treze números.

P. — Como eram feitos os contactos com os fornecedores de material estrangeiro e como chegava este às suas mãos?

R. — Havia agências distribuidoras, mas eu preferia o contacto directo com editoras ou publicações europeias, como a Casterman, as Éditions du Lombard, o jornal «Tintin», a Dupuis, o semanário italiano «Il Vittorioso»...

«Não violentar os jovens»

P. — Nunca lhe «disseram» muito as produções americanas, não é verdade?

R. — Há grandes desenhadores americanos, grandes artistas mas aquilo, realmente, nunca me pareceu muito adaptável à nossa maneira de ser nem muito adequado a ser lido por jovens.

P. — No entanto, o «Mundo de Aventuras» e as restantes publicações da Agência Portuguesa de Revistas abasteciam-se quase exclusivamente nesse mercado...

R. — Pois era, mas que quer? Eu era «estúpido» e não gostava daquilo...

P. — É verdade que os quadradinhos americanos não são dirigidos a jovens, mas a adultos. Em contrapartida, a própria designação «banda desenhada para adultos», que apareceu há uns vinte anos na Europa, indicia claramente que a que por cá se fazia antes era infantil. Mas o que pensa da actual produção para jovens?

R. — Hoje é tudo muito diferente, há uma grande carga de violência, os valores são outros. Eu preocupava-me em não violentar os jovens, em não os chocar, em não os excitar. E fui criticado por isso.

P. — Como?

R. — Pertenci a uma comissão de leitura, que não era de censura e se limitava a aconselhar. Eu próprio recebi conselhos da comissão de que fazia parte. Era sobretudo o tom: para quê escrever que «Fulano foi arremessado para uma fria masmorra» em vez de que «Fulano foi encarcerado», ou assim?

P. — Relações com o poder (com os poderes). Teve?

R. — Nunca tive. Vi o Salazar uma vez, mas nunca falei com ele. O Marcelo Caetano foi o único governante que manifestou algum interesse pela minha obra: quando ocorreu o quarto centenário da publicação de «Os Lusíadas» deu instruções no sentido de uma reedição estatal do meu livro «As Aventuras do Trinca-Fortes». Pois sabe quantos exemplares se venderam? Como diria o Jô Soares: zero! (Risos). Aquilo nunca foi avante. Agora, recentemente, a dr.ª Maria Barroso esteve presente no lançamento do meu livro «A Torre de D. Ramires». E foi tudo.

P. — Porque a sua obra não cabe apenas, convém lembrar, no campo das publicações periódicas...

R. — Não. Tenho publicados cerca de quarenta livros, designadamente biografias de pessoas célebres. Era a colecção «Gente Grande para Gente Pequena». Escrevia à média de um por ano. E também trabalhava na Emissora, onde colaborei estreitamente com o Francisco Mata, que, como sabe, já morreu, está um pouco esquecido e é outro homem a quem nunca foi feita a justiça que merecia. E ainda fiz publicidade. Foi uma vida cheia, a minha.

P. — Voltando às publicações juvenis: o «Foguetão» e o «Zorro» foram as últimas que dirigiu?

R. — Depois disso ainda fiz a «Nau Catrineta», que era um suplemento do «Diário de Notícias» e, mais tarde, pediram-me para ir a «A Capital» dirigir os «Quadradinhos».

P. — Pensa que um jornalismo nesses moldes ainda teria actualmente, saída? O que há agora é diferente...

R. — Praticamente não há nada. Eu ainda pensei em fazer um jornal em moldes novos, que seria a minha despedida: um jornal juvenil para os filhos dos emigrantes, que lhes permitisse manterem-se ligados a Portugal. Mas a coisa não foi por diante. Mas agora os interesses dos jovens são outros: é a música, é a televisão, é o cinema. Quase não lêem...

Entrevista de Luís Almeida Martins / Jornal de Letras, 16/03/1987

(entrevista obtida no blog Porta da Loja onde se pode ver a digitalização da mesma)

https://portadaloja.blogspot.com/2021/10/tintin-e-as-aventuras-dos-desenhos-sem.html

https://portadaloja.blogspot.com/2020/09/mais-de-cima-da-mesa-em-setembro.html

https://portadaloja.blogspot.com/2016/11/as-tretas-das-letras-ii.html


sexta-feira, 5 de junho de 2026

O cabeçalho da Revista Tintin


imagem 6º / 34
(Tintin Espanha 19/1968)
O Cabeçalho

Logótipo: No canto superior direito, destaca-se a palavra "tintin" escrita em letras minúsculas, com uma fonte preta, grossa e marcante.

Informações de Edição: Abaixo do nome, lê-se: 6.º ANO • SEMANAL • 7$50 • 32 PÁGINAS.

Slogan: Abaixo de uma linha vermelha horizontal, encontra-se a célebre frase: "A REVISTA DOS JOVENS DOS 7 AOS 77 ANOS".

Canto Superior Esquerdo: Um quadrado azul traz a data 12-1-1974 e a indicação N.º 34, acompanhado por uma pequena ilustração clássica do Tintin e do seu cão, Milu.

Seguem-se capas da edição portuguesa da Revista Tintin (1968-1982) onde houve mudança do logotipo ou do cabeçalho da revista. 

Ao contrário do que aconteceu na origem o slogan manteve-se sempre o mesmo: "A revista dos Jovens dos 7 Aos 77 Anos".

As capas em Portugal eram semelhantes às capas de 1965 a 1969 da Tintin belga

+ Capas com logo diferente mas ainda com Tintin e Milou

301 Mundial de futebol 1970

331 T+M roupas de natal (o nome da revista está ligeiramente diferente)

341T+M lua

418 T+M logo duplo

429 T+M escolar


+ Capas com logo diferente e em que no cabeçalho aparecem outras personagens sem ser Tintin e Milu

332 lucky luke

344 Skblllzz

349 Taka

409 Olivier Rameau


414 Blueberry


522 Alix

625 Olivier Rameau

641 Lucky Luke


649 Bernard Prince




na Tintin Belga 11/1970 TF 1116/1970

na Tintin Belga 25/1970 TF 1130/1970

na Tintin Francesa 1104/1969


lad


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Revista Tintin

O “TINTIN” PORTUGUÊS (1968 – 1982)

O ano de 1968 constituiu um marco histórico no panorama português das publicações periódicas de banda desenhada. Foi naquele já longínquo ano que surgiu, em Portugal, a revista semanal “Tintin”, propriedade da Editorial Ibis e da Livraria Bertrand (a partir do nº24 do 5º ano, propriedade só da Bertrand).

A saudosa revista “Tintin” publicava histórias das duas mais importantes e prestigiadas revistas europeias de banda desenhada da época: o “Tintin” belga (1946-1988) e o “Pilote” francês (1959-1989). Com efeito, a revista portuguesa do “Tintin” representa a “conquista” do mercado português por parte da banda desenhada franco-belga, então no seu apogeu de prestígio e qualidade.

O “Tintin” português conseguiu uma síntese inédita e, diria mesmo, perfeita em toda a Europa, razão por que chega a ser considerada, na altura, a melhor revista europeia de banda desenhada por vários autores e críticos europeus de banda desenhada, sobretudo franceses. De facto, a revista portuguesa “Tintin” apresenta as melhores séries daquelas duas revistas europeias (“Tintin” belga e “Pilote” francês) e no plano da impressão e do ponto de vista técnico a revista é muito bem elaborada, sendo mesmo considerada uma das melhores revistas impressas da Europa.

De facto, a revista “Tintin” introduziu uma marca de classe e confirmou um padrão de qualidade quer nas histórias, quer no tratamento das mesmas, ensinando os leitores a reconhecerem os autores e o seu valor.

Pode-se afirmar que o “Tintin” português constituiu uma autêntica “lufada de ar fresco” no panorama das publicações de banda desenhada em Portugal e, simultaneamente, foi uma pequena “pedrada no charco” no “orgulhosamente sós” em que a sociedade portuguesa vivia, fechada em si mesma e nada receptiva, até então, a tudo o que viesse do exterior, nomeadamente, em matéria de banda desenhada europeia. É, pois, inegável e indiscutível reconhecer que a revista “Tintin” exerceu e desempenhou um papel da maior relevância e importância na divulgação, junto de uma geração de leitores portugueses, do que de melhor se fazia lá fora em matéria de banda desenhada.

Na verdade, entre outros méritos, o “Tintin” teve a grande virtude de publicar muitos dos mais importantes ensaios escritos sobre banda desenhada na Europa e de dar a conhecer aos leitores portugueses os melhores autores europeus do seu tempo, em quantidade e qualidade. Para tal, foi preciosa e inestimável a contribuição dada, ao longo de 14 anos, por Vasco Granja, o qual se esforçou por informar e divulgar, junto dos leitores portugueses, os acontecimentos, ao nível da banda desenhada, que ocorriam na Europa e no Mundo, traduzindo e transcrevendo, para a revista, artigos, ensaios, entrevistas publicadas nas mais importantes revistas e fanzines contemporâneos belgas, franceses ou italianos, destacando-se, entre outras, as revistas “Phénix”, “Ran Tan Plan” e “Schtroumpf”.

Outras importantes e valiosas contribuições dadas por Vasco Granja para o desenvolvimento de uma cultura de banda desenhada em Portugal foram: a promoção do debate sistemático de banda desenhada, criando e desenvolvendo um espaço de discussão e reflexão a sério sobre banda desenhada, junto do público leitor; a criação de rúbricas e secções tais como o “correio dos leitores” e as páginas de divulgação e crítica. Inclusivamente, Vasco Granja foi o primeiro português a integrar grupos de discussão internacionais, como por exemplo o grupo de Lucca, em Itália.

Tendo atravessado 3 décadas (anos 60, 70 e 80) da sociedade portuguesa (e “sobrevivido”, pelo meio, a uma revolução/golpe de estado e ao PREC), o “Tintin” marcou fortemente e apaixonou uma geração de milhares de leitores portugueses, do mesmo modo, aliás, que, numa época diferente, as revistas “Mosquito” e “Cavaleiro Andante” o haviam já feito também em relação a outra geração de leitores, nos anos 40 e 50, com a grande diferença, no entanto, da revista “Tintin” ter sido a última grande revista portuguesa de banda desenhada e ter, de certa forma, encerrado um ciclo em Portugal.

Foi, assim, com um misto de pena, tristeza e de eterna saudade que, em 1982 (no nº21 do 15º ano da revista) os leitores portugueses assistiram ao fim da revista e se despediram para sempre do “Tintin”.

Quando a revista surgiu em 1968, ainda nem um ano de idade eu tinha, por isso não acompanhei os primeiros anos da revista. Só comecei a tomar conhecimento da existência da revista, em 1974, tinha eu seis anos de idade e, a partir daí, o meu pai começou a comprar-me a revista. Quando o “Tintin” chega ao fim em 1982, eu tinha 14 anos de idade e, na altura, recordo-me de ter sentido um grande vazio e de ter sentido imenso a falta da revista e, desde então até hoje, continuo a sentir uma enorme nostalgia daqueles tempos maravilhosos. Tenho consciência que depois do fim de “Tintin” nunca mais surgiu uma revista portuguesa de banda desenhada que pudesse fazer esquecer aquela revista, por isso sou um grande saudosista do “Tintin”, o qual marcou, sem dúvida, uma época única e inigualável na história da banda desenhada em Portugal. 

Para terminar, resta-me acrescentar que não descansei enquanto não adquiri todos os números que me faltavam da colecção e posso dizer que é a minha colecção de estimação e a minha preferida de entre os milhares de livros e revistas que possuo na minha biblioteca.

 Alexandre Morgado, Página da Loja timtimportimtim

A 1 de Junho de 1968, aparece o primeiro número da edição portuguesa da revista Tintin. Nas suas 28 páginas, Asterix, Tintin, Lucky Luke, Michel Vaillant, Ringo e Dan Cooper. Uma equipa de peso. Boa qualidade de impressão e uma criteriosa escolha de histórias, o futuro era risonho. E foi pelo menos durante quinze anos. 749 números publicados e cinco especiais mostraram  aos leitores o melhor da escola franco-belga. Realce-se a verdadeira enciclopédia bedéfila, que constituem os artigos publicados nos seus suplementos por Vasco Granja. A par da sua saída semanal - com que entusiasmo se esperava naqueles dias pela sexta-feira para correr a ir comprá-la - a sua editora, Livraria Bertrand, iniciou no início dos anos 70 a publicação de vistosos álbuns, na colecção a que apelidou BANDA DESENHADA. Agora tem a oportunidade de completar a sua colecção.

E que tal a  criação de um clube dos "Amigos da revista Tintin", composto por aqueles ,que como eu, lhe reservam um lugar muito especial, lá no cantinho das suas emoções?

Loja timtimportimtim

Página com todas as revistas da edição portuguesa:

https://bdmania.com.pt/tintin-p-1

https://bdmania.com.pt//tintin-p-5

https://bdmania.com.pt/tintin-p-15


https://revistatintin.blogspot.com/

https://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/1521.html

Algumas capas de aniversário:

501 Capa do 5º aniversário - 27-06-1972

701 Capa do 7º aniversário


1001 Ao entrar no 10º ano

Outras capas com referências a Tintin:

138


Capa com Michel Vaillant e Tintin - 1963.

152 contracapa dos livros

239

337

242


Tintin Belga nº26/1967

+ Capas com logotipo diferente do habitual:

318 logo diferente


(Tintin Belga nº1 / 1970)

342 logo super


452 xadrez / preto e branco


(Tintin Belga nº 45 de 1970)


+ Capas de edições Super com cabeçalhos bastante diferentes das edições habituais

444 super

542 tintin super

(Tintin Belga nº 3/1972)?

618 logo super

(Tintin Belga nº 26/1970)


531 natal 1972


(sem logotipo)

831 natal 1975

Outras capas com referências a Tintin

613 leia tintin

(Tintin Belga nº 37/1972)

Edição encadernada 6º-1, contracapa 6º-2, 12º-2 e 13º-1







1315 Cinquante Ans De Travaux Fort Gais
(Tintin Belga nº 2/1979)
(Tintin Belga nº 10/1978)

1323 Tintin com mala a ser fotografado por um membro da dupla Clique & Flash

(Tintin Belga 21/1978)

1113 concurso

(Tintin Belga nº 21/1977)

1244 concurso


1246 invenção


Tintin Belga nº 10/1978

Outros logotipos diferentes

1313 dindin


(a única vez em que não apareceu o nome certo da revista)

(Tintin Belga nº 48/1977)

1024

(o nome da revista tem diferenças nos "i")

Tintin Belga nº11/1981 (13/1980, 48/1981)

Aniversário da revista original:

421 25º aniversário da revista Tintin - 10/1971

(Tintin Belga nº 17/1970)


Quiosque

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/419.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/142.html


427 lua

Capas diferentes em edições Super apenas com o nome da revista mas sem Tintin e Milou no cabeçalho

642 super

(Tintin Belga nº 49/1972)

818 super

742 super


(Tintin Belga nº 14/1973)

818+ 842 s 918 s 942 s 1042 + 1118 + 1142 + 1218 s 1305 + 1318 + 1331 + 1344 + 1405 + 1418 + 1431 + 1438 + 1444 + 1505 + 1518 +

1018 lettering diferente


1018


(Tintin Belga nº 9/1977)

logotipo diferente que apareceu apenas nesta edição mas que era o usado na Tintin original do nº 49 de 1972 com ligeiras diferenças até ao fim em 1988.

1247



Tintin Belga nº39/1979

1310




Tintin Belga nº1/1981

Tintin / TB nº 29/1969

Cubit / TB nº 47/1969

Edições belgas/francesas:

TB 1970

TB 1971