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domingo, 12 de junho de 2022

Louvação de Oliveira de Figueira


«Em pleno quinto centenário dos Descobrimentos, talvez seja a altura de trazer ao lume (brando, brando...) da crónica o inesquecível señor (com ñ) Oliveira de Figueira. 

Os leitores de Tintin conhecem-no bem de Os charutos do faraó e de outros episódios da epopeia de Hergé. Juntamente com Pedro João Santos, físico famoso e professor da Universidade de Coimbra que, em A estrela misteriosa, acompanha o repórter do Le petit vingtième na expedição ao meteorito que, afinal, não destruiu a boa e velha Terra.

Oliveira de Figueira representa-nos generosamente a todos no díspar painel de personagens que o lápis e o coração do belga legaram aos outros homens. E podemos gabar-nos de que ambos pertençam à galeria dos bons. O mesmo, por exemplo, não podem fazer os gregos (o mais tenebroso inimigo de Tintin é um grego, o ricalhaço Rastopopoulos), nem os ingleses, nem os americanos, nem os franceses, nem os indianos, nem os japoneses, nem mesmo os incas, que têm gente de um lado e do outro... 

Como Tintin, o cronista tem encontrado Oliveira de Figueira um pouco por toda a parte onde os acasos do jornalismo e da vida o têm levado. (O que prova que Hergé sabia mais de nós e da nossa errante natureza do que poderia fazer supor o facto de, para ele ou, ao menos, para a sua obra, não haver portugueses maus). Hoje, com o que sei de Oliveira de Figueira e da sua vocação de cidadão do mundo, surpreende-me que o bíblico Adão não tenha dado de caras com ele no seu primeiro passeio solitário pelo Éden... Em Tóquio encontrei-o à frente de um restaurante chamado Nazaré; no Alasca atrás de um aspirador, a trabalhar na limpeza do aeroporto de Anchorage; em Seul na cozinha de um escuso bar cheio de fumo e de filipinos; em Reykyavik numa loja de roupas... indianas; em Berlim num infantário; em Oslo ao volante de um táxi; em Kyoto ensinando Português numa universidade. Em Salvador da Baía e no Rio, como por todo o Brasil, Oliveira de Figueira aparece ao virar de cada esquina; em Paris, e por toda a Europa, como por toda a África, é o que se sabe: é mais fácil encontra-lo do que a um algarvio no Algarve! O homem das Arábias que, no último instante, em pleno deserto, surge, bonacheirão e cordial, em salvação de Tintin e o esconde da ira dos maus no seu impenetrável labirinto de bugigangas, tem também salvo o cronista do pecado da saudade em tudo quanto é sítio. Ao jornalista, por outro lado, Oliveira de Figueira salva-o todos os dias da rotina das notícias das agências internacionais. Há um choque de comboios em Paris? Oliveira de Figueira está, pelo menos, entre os feridos. 

Um atentado na África do Sul? Oliveira de Figueira ia a passar. Um assalto a um paquete no Mar Egeu? Oliveira de Figueira ia no cruzeiro com a família e viu tudo e, com um pouco de sorte, até tirou fotografias! 

Mesmo quando já partiu, e mesmo que já tenha partido há muitos séculos, Oliveira de Figueira deixou um rasto de simpatia e de História que protege o viajante que o segue como o escudo invisível do dentífrico.

Uma vez, em Nagasaki, entrei numa loja para comprar uma garrafa de saké e um serviço de louça em que o ministrar mais tarde, em casa, com a exigível propriedade, às visitas mais requintadas. O lojista não tinha que ser especialmente perspicaz para descobrir que eu não era japonês; só teve que ser um pouco curioso para me perguntar, num inglês ainda pior do que o meu, donde era eu from. Quando soube que eu era from Portugal, os seus olhos e as suas palavras ficaram subitamente em festa: falou-me, então, da chegada dos portugueses àquelas costas muitos séculos atrás, em estranhos barcos à vela, da forma como por lá se foram ficando e de como venderam às gentes da terra, o famoso bazar de Oliveira de Figueira!, coisas dispersas e ideias tão singulares como fabricar pão, espingardas, vitrais coloridos ou fazer chá. E, num arroubo de reconhecimento e cordialidade (nunca um português lhe tinha entrado pela loja, e até a família fora chamar lá dentro para me ver!) ofereceu-me tudo o que eu lhe queria comprar e embrulhou-mo num chamejante papel de seda amarelo.

Mas o episódio não acaba aqui. Quando, no hotel, contei o sucedido aos outros portugueses que comigo viajavam, a expedita alma comerciante de Oliveira de Figueira acordou alvoroçadamente neles, vinda do fundo dos tempos. Todos queriam ir também à loja (eu é que lhes não disse onde era!) onde os portugueses eram very welcome para terem saké e jarrinhas de porcelana de borla...  

Infelizmente, a imprevisível Comissão dos Descobrimentos, que para aí gere milhões com a falta de bom senso que se sabe, deve ser mais leitora de La Salade do que de Hergé. Por isso Oliveira de Figueira não terá a homenagem que merece. Nenhum banco se lembrará de cunhar em moeda os seus dalinianos bigodes, nenhum conferencista lhe dedicará uma palestra, nenhum estudante pedirá uma bolsa à Gulbenkian para lhe seguir o rasto através dos continentes, nenhuma Câmara lhe porá o nome numa rua, nem a estátua numa praça. A homenagem da crónica, em letra impressa, não ressalvará o resto; que, ao menos, sirva de efémera memória da sua passagem generosa e corajosa pelos perplexos mundos da nossa infância e do nosso coração».

Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 23/07/1988.

In Manuel António Pina, "Crónica, Saudade da Literatura. Antologia, 1984-2012", selecção de Sousa Dias, Assírio Alvim, Porto, 2013, ISBN 978-972-37-1684-9.

https://montalvoeascinciasdonossotempo.blogspot.com/2015/11/saudade-da-literatura-cronica-antologia_68.html

http://www.aterceiranoite.org/2013/10/10/um-eterno-oliveira-de-figueira

ENTREVISTA A Manuel António Pina: (Ciberkiosk nº 9) Março de 2000

Ciberkiosk - Cesariny dava a sensação de se mover com muito desembaraço e humor por entre as formas e consistências da portugalidade e da cultura portuguesa. Simultaneamente longe e perto. A julgar pelo Anacronista, o seu humor nestas matérias parece desenvolver ou ficcionar uma afinidade com o que nessa cultura (em sentido antropológico) seria simpática e irremediavelmente chocho. O ser português é a Saudade e o Senhor Figueira de Oliveira?

MAP: «A saudade não sei o que seja, mas o Señor (com ñ) Oliveira de Figueira é certamente uma expressão autêntica e expedita do ser português, ou do que dele vai penosamente sobrevivendo à voracidade globalizadora. A simpatia que as minhas crónicas de jornal nutrem pelo Señor Oliveira de Figueira, e por outros espécimes congéneres que continuam a habitar as cada vez mais escassas franjas da economia de mercado e da cultura de massas, está, no entanto, ferida do pecado da distância e da soberba. Temo, de facto, que as minhas crónicas se lhes dediquem apenas com a mesma amável e enternecida curiosidade do patologista debruçado sobre uma lamela de dispersa bicharada afadigadamente entregue à enormidade da existência...» / «A outra face dessa simpatia é o desprezo por outra expressão, igualmente expedita, do ser português: o "sabido", em especial nas versões "político" e "empreendedor". E igual desprezo pela imensa e informe caterva de economistas e aparentados, fabricados nos sórdidos lugares universitários onde se estuda e ensina a usura, e de lá saindo convictos de que compreenderam o mundo (meu Deus, e se calhar até compreenderam!). E pela malta da "sociedade da informação", da gestão cultural e coisas semelhantes. É certo que "tudo isto é Portugal, tudo isto é fado". Mas não vejo Tintin, que é um coração puro, a dar-se de amizades com gente desta.»

Manuel António Pina, (Ciberkiosk)

*

Recentemente foi lançado em França um livro sobre Oliveira de Figueira. O livro "Le Sr Oliveira Da Figueira & Les Aventures De Hergé Et Tim-Tim au Portugal" é da autoria de Albert Algoud e tem desenhos de Philippe Dumas. 

Uma conversa com Dumas, sobre o seu trabalho neste livro, foi colocada recentemente no youtube.

https://tintinemportugal.blogspot.com/search?q=dumas


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

"Le Sr. Oliveira da Figueira... & les aventures de Hergé et Tim-Tim au Portugal" é o título de um livro que será colocado à venda em França no próximo dia 10.

O seu autor, Albert Algoud, especialista na obra de Hergé, já publicou vários livros sobre ela, entre os quais o "Dicionário ilustrado dos insultos do Capitão Haddock", que a ASA edita entre nós este mês.

Oliveira da Figueira surgiu pela primeira vez em "Os charutos do faraó", na edição a preto e branco de 1934, apresentado então como um vendedor fala-barato que convence o herói a comprar um sem número de objetos inúteis. Regressaria ao convívio de Tintin, de forma esparsa, em "Tintin no país do ouro negro" (1939) e em "Carvão no porão", como Oliveira de Figueira. Em "As jóias da Castafiore" (1963) é um dos que envia ao Capitão Haddock os parabéns pelo casamento com a cantora lírica. No total, o mercador surge em cerca de seis dezenas de vinhetas, sempre solícito para ajudar Tintin.

Ficcionando a biografia de Oliveira da Figueira, Algoud atribui-lhe raízes judias, o que leva a abordar a questão da expulsão dos judeus em Portugal, desenhando uma linha genealógica que se inicia com os primos Jorge e Gonçalo de Oliveira, naturais da Figueira da Foz, a quem no século XVI D. Manuel concedeu o monopólio do comércio com a Índia, numa interessante combinação de história e ficção. Baseado nos trejeitos e expressões presentes na primeira aparição, adivinha traços de homossexualidade na personagem, e explora as várias ligações a Portugal existentes nas suas aparições, bem como a sua suposta morte na versão a preto e branco daquele primeiro álbum, que Hergé eliminaria na versão colorida. Refere curiosidades como o facto do bigode de Oliveira da Figueira ser uma homenagem de Hergé a... Salvador Dalí ou a nacionalidade espanhola, como Olivero de Malaga, que lhe foi atribuída por "O papagaio" em 1937, na primeira versão portuguesa de "Os charutos de faraó", rebaptizada "As aventuras de Tim-Tim no Oriente", uma vez que a personagem desagradava a Adolfo Simões Müller, também pela proximidade a um certo Oliveira... Salazar.

O segmento biográfico é acompanhado de uma análise bastante completa do historial da edição de Tintin em Portugal, o primeiro país não francófono a publicar o herói, e o primeiro em todo o mundo a fazê-lo a cores, incluindo um extenso glossário que vai do Abade Abel Varzim e de Adolfo Simões Müller até às sardinhas com que os direitos de Tintin foram pagos durante a II Guerra Mundial!

O livro, com 160 páginas, faz parte da colecção "Bibliothéque Lusitaine Poche" das Éditions Chandeigne, "especializadas no mundo lusófono há mais de 30 anos", como explicou ao JN o editor Michel Chandeigne: "Grande apreciador de Tintin desde a juventude; conhecendo as singularidades da edição de Tintin em Portugal e a existência de uma personagem portuguesa, pareceu-me que havia matéria para um livro interessante, por isso, naturalmente, pensei em Albert Algoud, um dos grandes especialistas franceses de Tintin".

Dada a recusa, por parte da Moulinsart, de autorização para utilizar "as espantosas imagens coloridas de "O papagaio"", explica Chandeigne, foi proposto a "um dos grandes desenhadores franceses, Philippe Dumas, que evocasse no seu estilo humorístico o universo de Hergé, sem o copiar", o que ele fez, reproduzindo algumas das capas de "O papagaio", a livraria portuense Timtim por Timtim, Castafiore numa casa de fados, Milu com uma bandeira portuguesa ou o protagonista a dar vivas ao... Futebol Clube do Porto.

"Le Sr. Oliveira da Figueira... & les aventures de Hergé et Tim-Tim ao Portugal" será apresentado no Instituto Francês de Lisboa no dia 23 de Novembro, às 19 horas, estando marcada uma sessão de autógrafos com Albert Algoud e Philippe Dumas no dia seguinte, às 19 horas, na livraria Palavra de Viajante.

F. Cleto e Pina in Jornal de Notícias

domingo, 21 de novembro de 2021

Apresentação do livro “Le Sr Oliveira da Figueira & les aventures de Hergé et Tim-Tim au Portugal”


Graças ao Senhor Oliveira da Figueira, cuja biografia aqui escrita por Albert Algoud, Portugal encontra-se muito presente nas aventuras de Tim-Tim. O país também teve um papel fundamental na expansão internacional da obra de Hergé, porque o português foi a primeira língua estrangeira falada por Tim-Tim. Composto por muitas histórias e curiosidades, este livro explora os aspeitos as vezes muito engraçados da aventura de Tim-Tim em Portugal, acompanhados pelos desenhos-homenagens de Philippe Dumas. Os autores estarão presentes para dialogar com Michel Chandeigne, editor.

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Morreu há 60 anos Abel Varzim, o padre que lutou pela justiça social e apresentou Tintim aos portugueses


(...) Ao seu empenho se deve a publicação das aventuras de Tintim (Tim-Tim, era o nome usado na altura) em Portugal, que foi, aliás, o primeiro país não francófono a acolhê-las. As histórias da amizade com Hergé e da publicação de Tim-Tim no nosso país encontram-se relatadas por Albert Algoud no livro Le Senhor Oliveira da Figueira & les aventures de Hergé et Tim-Tim au Portugal, publicado pelas Éditions Chandeigne em 2021. O “Abbé Abel Varzim” é a primeira entrada do “Glossário de uma longa colaboração”. A acompanhar, encontra-se um retrato do sacerdote desenhado por Philippe Dumas.

À tout seigneur tout honneur” – “O seu a seu dono” – escreve o autor, lembrando que foi o Padre Abel Varzim, que em Lovaina tinha conhecido Georges Remi, mais tarde famoso como Hergé, quem se encarregou de pedir autorização para reproduzir em O Papagaio as histórias publicadas em Le Petit Vingtième, o suplemento semanal de Le Vingtième Siècle, como é comprovado por uma carta endereçada ao director do jornal belga em 25 de Maio de 1935.

Foram várias as questiúnculas relacionadas com a edição em Portugal de Tim-Tim, apresentado em O Papagaio como “um repórter português residente em Lisboa”, e não como o repórter belga que efectivamente era. A colorização (“foi em Portugal, e não na Bélgica, que as aventuras de Tintim foram pela primeira vez publicadas a cores”) e a remontagem de imagens (“recortadas e montadas unicamente em função do espaço disponível nas páginas do Papagaio“) originaram embaraços entre Hergé e os seus editores portugueses.

Um imbróglio diz respeito ao facto de, a partir de um determinado momento, Adolfo Simões Müller querer levar o Tintim para uma nova revista, Diabrete, que competiria com O Papagaio, que pretendia manter o “repórter português” ao seu serviço. Albert Algoud nota que Abel Varzim manteve as aventuras de Tintim e o concorrente ficou com as histórias de outros heróis de Hergé: Jo, Zette e Jocko, além das de Quick e Flupke.

Assaz curioso é o modo de remuneração do trabalho de Hergé. Albert Algoud conta que, a partir de 1940, estando a Bélgica sob o jugo da Alemanha nazi e, por isso, submetida a severos racionamentos alimentares, o criador de Tintim se disponibilizou a ser pago em sardinhas, chocolate e café. Hergé pede igualmente o envio de bens idênticos ao irmão prisioneiro na Alemanha.

No dia 23 de Fevereiro de 1943, Hergé escreve a Adolfo Simões Müller e ao Padre Abel Varzim sobre a questão dos pagamentos. A este último pede que lhe continue a fazer chegar latas de sardinhas e de frutos secos. A Adolfo Simões Müller pede também alguns cigarros de tabaco inglês, que fariam do criador de Tintim o homem “mais feliz do mundo”.

Albert Algoud dá conta da existência de um recibo datado de 24 de Maio de 1943 comprovativo de que Hergé tinha recebido 40 embalagens contendo 219 latas de sardinhas, com um peso total de 18 kg. A quantidade de latas de sardinhas foi tão elevada que Hergé se tornou suspeito de as negociar no mercado negro, tendo de prestar contas à administração alfandegária, após uma denúncia anónima.

Eram tempos difíceis na Bélgica e em Portugal. Eram tempos difíceis no mundo.

Eduardo Jorge Madureira in 7 Margens

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O “Cavaleiro Andante”


NO FIO DA MEMÓRIA

O “Cavaleiro Andante” faz parte integrante das minhas mais queridas recordações de infância e foi uma fonte de exaltação para uma boa parte dos jovens da minha geração. Tratava-se de uma revista juvenil em banda desenhada, de publicação semanal, dirigida por Adolfo Simões Muller. O seu primeiro número, com a capa, a quatro cores (amarelo, azul, vermelho e verde), representava precisamente um cavaleiro medieval montado no seu corcel, com armadura, elmo e escudo, de lança em punho, preparando-se para a “justa”. Esgotou rapidamente, tendo atingido alto valor comercial entre os coleccionadores. O “Cavaleiro Andante” sucedeu ao “Diabrete” e foi publicado entre 5 de Janeiro de 1952 – ainda eu não tinha 10 anos – e 15 de Agosto de 1962, com 556 números publicados. Os meus primos mais velhos, filhos do meu tio Antero – o Alberto e o Luís – recordavam também, com saudade, o “Mosquito”, o qual, no entanto, já não fez parte das minhas leituras de menino.

- Associo o meu encantamento com o “Cavaleiro Andante” à cidade da Guarda, uma vez que me acompanhou até aos meus 14-15 anos, isto é, durante os últimos 5 anos que aí vivi.

- Como disse, revejo-me completamente nas histórias “aos quadradinhos”, tão coloridas e emocionantes, do “Cavaleiro Andante”. Contemporâneo deste, era também publicado o “Mundo de Aventuras”, mais virado para mundos inter-galácticos, aventuras espaciais e para histórias de índole psicológica ou hipnótica que não me tocavam tanto. Alguns dos seus heróis favoritos eram o Flash Gordon e o Mandrake.

- Tive, com o meu Amigo Raul Nobre, apreciador do “Mundo de Aventuras”, grandes e acaloradas discussões acerca dos méritos relativos das duas revistas. Cada qual ficou na sua e eu mantive-me fiel, desde o primeiro número, ao “Cavaleiro Andante”, onde predominavam as aventuras na “pradaria”, de índios e cowboys, as histórias de cavalaria e de cruzados, de corsários e de tesouros escondidos, assim como as heroicidades de Tarzan, as aventuras misteriosas do Professor Mortimer e do Capitão Edgar , em séries inesquecíveis de E. P. Jacobs, como “O Enigma da Atlântida”, “A Marca Amarela” ou “O Mistério da “Grande Pirâmide”, além das extraordinárias façanhas do repórter Tintim e do Rom-Rom , do Capitão Rosa e do Professor Pintadinho de Fresco , cujo encantamento pudemos reviver recentemente – mais de cinquenta anos depois -, com a sua publicação por iniciativa do Jornal “Público”.

- O “Cavaleiro Andante” saía ao sábado e o comboio que trazia os jornais de Lisboa chegava à Guarda um pouco depois das 14 horas. Os jornais eram, então, transportados por uma camioneta que fazia o percurso até à cidade, onde chegava, correndo tudo dentro da normalidade, pelas 15 horas. A essa hora já eu esperava, impaciente, a chegada da viatura, junto da “central de camionagem” (para utilizar a terminologia de hoje), perto da Igreja da Misericórdia, no largo fronteiro à paragem dos táxis. Logo que avistava a camioneta, seguia, sem demoras, para o Café Mondego, infelizmente já desaparecido, onde, no meu tempo, havia, à direita de quem entrava, um espaço reservado para a venda dos jornais e das revistas.

- Era importante ficar colocado logo na primeira fila, junto ao balcão, por detrás do qual imperava um velhote rabugento, que tinha por hábito cuspir regularmente para o chão, coberto com serradura, ao mesmo tempo que abria, com um estilete, os maços e pacotes com os jornais acabados de transportar num carrinho de mão. Depois, para endireitar e alisar os jornais e as revistas, batia fortemente com eles, por várias vezes, sobre o balcão, após o que os arrumava nas prateleiras, deixando no balcão as publicações mais procuradas: os jornais desportivos (“A Bola”, o “Mundo Desportivo” e o “Record”), o “Diário de Notícias” e o “Século” – e também o “Cavaleiro Andante”.

- Logo que recebia o meu exemplar, a impaciência era tanta que não se compadecia com os cerca de 15 minutos de percurso a pé até minha casa, à Dorna. Sentava-me logo, fizesse calor ou frio, chovesse ou nevasse, no banco mais próximo do jardim contíguo ao “Café Mondego”, onde folheava o exemplar acabado de adquirir e lia, em diagonal, os episódios cuja continuação mais me emocionava. Só depois seguia, em passo acelerado, para casa, onde, bem instalado no meu quarto para não ser interrompido, lia avidamente toda a revista, não sendo raro proceder a uma segunda leitura das aventuras mais importantes.

- Regularmente, no Natal e na Páscoa, saíam, para além da publicação semanal, números especiais. Eram álbuns temáticos que contavam uma história com princípio, meio e fim (em geral versões ilustradas de grandes romances de aventuras). Lembro-me, por exemplo, de que um desses álbuns tinha por título “O Último Mohicano”. A sua publicação coincidiu com a compra, pelo meu pai, de uma quinta na Guarda, que constituiu, para ele, acontecimento marcante. Quis o meu pai, uma vez celebrada a escritura de compra e venda, mostrar-nos a propriedade, a minha mãe e a mim (o meu irmão ainda era muito pequeno). Muito contrariado, já que a minha prioridade consistia na leitura do álbum do “Cavaleiro Andante”, lá os acompanhei até à quinta.

- O meu pai desfazia-se em explicações. Parava um pouco, mas, logo a seguir, descia uma ravina, subia uma pequena inclinação, apontava para uns velhos castanheiros, indicava, lá longe as extremas e, mais perto, a zona de lameiro e das hortas, onde se lobrigavam umas toscas casas em granito que eram a habitação dos caseiros, os palheiros para o gado e os armazéns para os produtos e para as alfaias agrícolas. Considerando-me suficientemente esclarecido acerca da nova propriedade e das suas características e potencialidades, resolvi sentar-me num barroco à medida, puxei do álbum e recomecei a leitura interrompida.

- Ter-se-ão passado uns cinco ou dez minutos, até que a minha mãe veio dizer-me da desilusão do meu pai perante o desinteresse que eu revelava. Lá tive que fazer das “tripas, coração”, e, com mal disfarçada contrariedade, acompanhar, até ao fim, a visita à quinta.

José Augusto Sacadura Garcia Marques, 12/03/2009 (Também publicado no Semanário A GUARDA)

Agradeço a todos os que quiseram enriquecer a minha contribuição com comentários interessantes e pertinentes.

É verdade que, como "afirma Maria", os tempos das nossas infâncias (eu sou, por certo, com os meus 67 anos, bem mais velho) eram muito diferentes dos actuais, mais saudáveis, mais solidários e mais afectivos. Numa época em que não havia televisões, computadores nem "playstations",nem por isso deixávamos de ter distracções e actividades lúdicas. Além dos jogos que enumera no seu comentário, havia uma ou outra ida ao cinema para ver um filme de capa e espada, de corsários ou de "cowboys", tínhamos as novelas radiofónicas e, acima de tudo, a leitura de livros e revistas juvenis. As aventuras de Emílio Salgari, de Júlio Verne ou de Alexandre Dumas constituíam motivo do mais puro prazer. E lembro-me ainda de acompanhar, com o ouvido encostado ao "velho" aparelho de rádio, entrecortados por barulhos de "estrelar ovos" e outros ruídos de fundo, na voz de Domingos Lança Moreira e, mais tarde, de Amadeu José de Freitas, os relatos épicos dos grandes jogos de hóquei em patins que opunham Portugal e Espanha, nos tempos da "gloriosa" selecção portuguesa, campeã do Mundo, formada por Emídio Pinto, Edgar, Raio, Correia dos Santos e Jesus Correia, este último um dos "cinco violinos" do célebre ataque da equipa de futebol do meu Sporting Clube de Portugal.

E, repito, no meu caso, a ansiedade e o empolgamento causados pela leitura do "Cavaleiro Andante". Ainda um dia talvez venha a contar neste blogue o que aconteceu à minha colecção dessa tão estimada revista juvenil. Penso que esse terá sido mais um serviço que fiquei a dever ao C.A.: o gosto pelo coleccionismo.

Aproveito, enfim, para agradecer as palavras tão amáveis da Juliana Vasconcelos e do Fernando S. Marques e os cuidados com o meu estado de saúde que manifestaram, bem como a Anónima Salina, sempre tão simpática e presente.

José Augusto

domingo, 24 de outubro de 2021

As aventuras de Tintin

Será o que há 100 anos Tintin fazia no Congo belga – acordando os nativos adormecidos para as letras da civilização e para as novidades da modernidade – assim tão diferente do que hoje fazem as ONGs?

Quando comecei a ler, aí por 1952, o Mundo de Aventuras saía às Quintas-Feiras e trazia uma grande colecção de heróis. O Flash Gordon, o Fantasma e o Mandrake eram os meus preferidos, os que eu ia logo ler mal saía do quiosque. O Flash Gordon tinha uma namorada linda, a Dale, e havia o Dr. Zarkov, um cientista de barbas, que os acompanhava em aventuras espaciais, no Planeta Mongo, onde lutavam contra o Imperador Ming.

O Fantasma tinha sido criado por Lee Falk em 1936, nos anos dourados da BD na América, os anos das pulp magazines e da primeira Ficção Científica. O Fantasma vivia num ambiente africano e era amigo dos pigmeus que o protegiam. Era um justiceiro implacável, sem novidades tecnológicas, mas incansável na luta contra o Mal e os maus.

O Mandrake era diferente do Flash Gordon e do Fantasma. Era uma espécie de mago que, pela indumentária, lembrava o Arsène Lupin, “Gentleman Cambrioleur”: smoking Belle Époque, cartola, capa e um bigodinho fino em serrilha. Tinha um ajudante, um negro gigantesco, o Lotário, que envergava uma pele de leopardo e que, quando era preciso recorrer a formas superiores de luta, intervinha para apoiar o patrão, já que o patrão só lutava através de truques de magia. Mandrake tinha sido imaginado também por Lee Falk, que, em meados de 1934, propusera a série, com desenhos de Phil Davis, ao King Features Syndicate. Mas Mandrake só apareceu por cá, no Mundo de Aventuras, em Outubro de 1950.

Dois anos depois, em Janeiro de 1952, dava entrada nos quiosques portugueses o CavaleiroAndante, dirigido por Adolfo Simões Müller. Simões Müller fora um pioneiro dos quadradinhos em Portugal, com O Papagaio, que fundara em 1935, e depois com o Diabrete.

Tintin em Portugal

Tintin apareceu em Portugal em 1936 no Papagaio, pela mão do padre Abel Varzim, que conhecera o boneco de Hergé em Lovaina, onde se doutorara. Foi adaptado ao colorido local e até colorido localmente, quando os desenhos (e o mundo) ainda eram a preto e branco. Tintin au Congo, de 1930, iria chamar-se aqui Tim-tim em Angola e Tintin en Amérique, a história com que O Papagaio apresentava o repórter em Portugal, Tim-Tim na América do Norte. O primeiro Tintin, Tintin au pays des Soviets, um retrato da Rússia dos sovietes e das suas selvajarias num desenho ainda incerto e grosseiro, não entrou no Papagaio.

George Remi, Hergé (RG), colaborador do jornal Le Vingtième Siècle, pode ter-se inspirado em Léon Degrelle, então repórter do Vingtième, para criar o Tintin. Na segunda metade dos anos 20, Degrelle percorrera o México insurgente dos camponeses católicos, da Cristiada, revoltados contra a política anti-religiosa de Plutarco Elías Calles e escrevera Mes Aventures au Mexique. Vindo, como Hergé, dos Escuteiros e da Acção Católica, Degrelle vai ser o fundador do Rex, um movimento de direita revolucionária e radical que se torna o rosto belga do fascismo. E Degrelle que, em 1934, se dizia próximo de Maurras e Mussolini mas hostil ao nacional-socialismo alemão, acaba na Legião Wallonie dos Waffen-SS.  Um curriculum pouco recomendável para alguém que, em Tintin mon Copain, um livro póstumo, proibido na Bélgica e em França, se reclama o inspirador da personagem de Hergé.

Tintin, como toda a ficção, é susceptível de interpretações políticas e é, por vezes, explicitamente político: do anticomunismo de Tintin au pays des Soviets ao colonialismo paternalista do Tintin au Congo ou ao anti-imperialismo de Le lotus bleu. Não é, assim, de estranhar que Tintin e o seu criador, Hergé, sejam agora um dos muitos alvos da perseguição e da purga da nova polícia da moral e dos bons costumes presentes e passados, sempre atenta às supostas susceptibilidades das suas vítimas de eleição e sempre alheada de tudo o resto.

No contexto histórico do final dos anos 20, princípios dos anos 30, a Europa, ainda e sempre consciente da sua “missão civilizacional”, estava também radicalizada internamente, debatendo-se com “o perigo comunista”, um perigo real que contribuíra à partida para essa mesma radicalização. E o Petit Vingtième, o suplemento juvenil do católico Le Vingtième Siècle, do padre Norbert Wallez, era declaradamente anticomunista: daí que a história pioneira do repórter de Hergé tenha lugar no país dos sovietes.

Tintin e os censores

A incursão de Tintin no Congo Belga, em 1930, apresenta uma imagem de inequívoco colonialismo paternalista, imagem que, logo no imediato pós-guerra, Hergé não deixa de corrigir. E a caçada-massacre de animais selvagens também fere o espírito do nosso tempo, mais tolerante para com outros massacres. De qualquer forma, “os maus” da história não são ali os negros do Congo mas uns gangsters brancos, ligados a Al Capone, que pretendem controlar o comércio de diamantes da colónia.

A história de Tintin no Congo tem, agora, quase cem anos; mas como para os novos apóstolos da higienização histórica e ficcional nunca é tarde para um bom auto de fé, tal não impediu que os álbuns de Hergé fossem recentemente queimados no Canadá.

Todos nós, os que pertencemos à geração que acabou por fazer a transição entre a África colonial, de dominação europeia, e a África independente, estamos conscientes dos clichés que eram então dominantes entre colonizadores e colonizados. Os clichés que pintavam os colonizadores como imaculados civilizadores e os colonizados como seres tribalizados, fragmentados em etnias e clãs, ignorantes, primitivos, infantis, preguiçosos. Mas quem, senão um grande escritor, como Céline, em Voyage au bout de la nuit, ou um Henrique Galvão ou um Castro Soromenho, ou o ocasional missionário ou antropólogo escapava então a estes clichés? Hergé seguia a tradição e a norma que dava aos brancos a superioridade moral e o exclusivo domínio da técnica. Uma tradição agora inconscientemente continuada e exacerbada pelos novos censores, cuja sobranceria moral, a fúria “civilizadora”, o franco arremesso de rótulos, a autocontemplação da própria bondade e o paternalismo para com “as vítimas” a quem se arrogam “dar voz” ultrapassam largamente a cegueira dos antigos “opressores”. E será o que Tintin então fazia no Congo – pregando, leccionando, iluminando, disciplinando, enfim, acordando ou despertando os povos “adormecidos” para valores mais modernos e civilizados – assim tão diferente do que agora fazem grande parte das ONGs?

Não restam dúvidas de que a imagem do antigo feudo do rei Leopoldo, genialmente retratado em toda a sua crueza no Heart of Darkness de Conrad, sai melhorada nos quadradinhos de Tintin. Hergé não fora ao Congo mas visitara o museu de Tervuren. Tinha 23 anos e talvez fosse cedo para aquele exercício fundamental de se pôr na pele do outro e de pensar como experimentaria esse “outro” as nossas bondosas e por vezes insensíveis percepções.

Talvez por isso, num súbito e deslocado ataque de consciência racial e social e com a cega fúria inquisitória e compensatória dos recém-convertidos, o grupo Borders arrumou Tintin au Congo na secção de “leituras para Adultos”. Curiosamente, não foi o que se passou no bem mais pragmático, realista e complacente ex-Congo Belga, o território visado pela história: na antiga Léopoldville, hoje Kinshasa, há restaurantes e ateliers Tintin e os intelectuais locais não mostram especial animosidade em relação ao retrato histórico-fantasista de Hergé. Em Madagáscar há até um Tintin negro.

Assim, em nome da nossa humanidade comum – e curiosidade e ludicidade e desejo de aventura – Hergé e Tintin lá vão sobrevivendo à fúria inquisitória daqueles a quem todos teremos de resistir, sob pena de termos o nosso património comum, da Odisseia à Bíblia, de Dante a Shakespeare, de Dostoiévski a Eça de Queirós, censurado e mutilado pela descoberta de infindáveis “micro-agressões”, “apropriações culturais” e demonstrações de “sexismo” e de “racismo”.

Ao longo de duas dúzias de álbuns, Hergé vai-nos contando histórias, ou seja, vai-se apropriando culturalmente de tudo e de todos e micro-agredindo a torto e a direito, oferecendo matéria de sobra para o entretenimento de várias gerações de jovens dos sete aos setenta e sete anos (incluindo os que agora andam à cata de lenha para o queimarem). Assim, Milou, o cão do eterno e sempre casto adolescente Tintin, do repórter que, como todos os repórteres, não noticia, é colaboracionista como todos os animais vilmente domesticados; o capitão Haddock, fonte inesgotável de palavroso discurso de ódio, é grosseiro e bêbado como todos os capitães; os Dupont, ineficazes e repetitivos como todos os detectives; o professor Tournesol, louco e explosivo como todos os cientistas; o senhor Oliveira da Figueira, vendilhão como todos os portugueses; e os negros, os asiáticos, os esquimós, os índios, os aborígenes, parte da paisagem e mero cenário de aventura como todos os “nativos”.

Neste mundo ou mundos, além das “agressões e apropriações” de que se faz a ficção, há intrigas geopolíticas ou geoeconómicas, como em  Tintin au pays de l’or noir; há desconstrução de tiranias, como nas incursões na Sildávia; e denúncia de autocracias, como com sucessão dos generais Alcazar e Tapioca, representantes do poder pretoriano na Hispanidade.

De um modo geral, Tintin é independente, em termos de direita e de esquerda. É um jovem “europeu” em cruzada divertida por mundos exóticos – balcânicos, africanos, asiáticos e americanos. Ou só um jovem à procura de um mundo maior e confrontado com a diferença. Hergé vai, entretanto, criando personagens que encarnam o bem e o mal, como o sinistro Roberto Rastapopoulos, um capitalista sem alma nem escrúpulos, que começa por aparecer em Tintin en Amérique, que depois trafica ópio no Lotus bleu e que acaba mal no Vol 714 pour Sydney. Ao combatê-lo no Lotus azul, surge um Tintin justiceiro, defensor dos fracos e oprimidos, no caso, vítimas do imperialismo britânico.

Como toda a personagem capaz de ganhar vida e de se tornar universal, Tintin está profundamente enraizado na sua cultura e no seu chão. E o facto de ser claramente “europeu” – confiante na superioridade da ciência e da tecnologia, que, nos dois volumes da viagem à Lua, preparam o feito da NASA – não o impede de respeitar conforme pode e sabe a identidade e a individualidade de culturas que lhe são estranhas e que o fascinam.

Perdido e achado nas traduções

De acordo com o Index Translationum, Les Aventures de Tintin estão no oitavo lugar das obras de expressão francesa mais traduzidas – depois de Jules Verne, Alexandre Dumas, Georges Simenon, René Goscinny, Honoré de Balzac, Charles Perrault e Antoine de Saint-Exupéry.

Esta expansão, fez-se também através da rede dos jornais da Acção Católica na Europa. Em Portugal chegou com o padre Abel Varzim e Simões Muller, no Papagaio, e a primeira experiência das tiras a cores foi portuguesa. Curiosamente, na primeira versão lusitana, Oliveira da Figueira, o comerciante de Les cigares du pharaon, passa a ser espanhol. Não terá sido considerado um bom representante da nossa raça e, pioneiros na deteção da micro-agressão, os tradutores (mas não traidores) portugueses trataram de redireccionar para Espanha o insulto. Também – colónia por colónia e metrópole por metrópole –, em vez de ir ao Congo belga, Tintin começa aqui por ir a Angola, com o mapa da Bélgica substituído pelo de Portugal. O Papagaio publicou oito aventuras de Tintin.

Hoje as aventuras de Tintin estão traduzidas em mais de 80 línguas, dando conta da qualidade e da universalidade do herói e dos seus companheiros de aventura, dos desenhos, dos enredos e, sobretudo, do humor – garantia contra todas as inquisições.

Hergé na Gulbenkian

A Gulbenkian, em colaboração com o Museu  Hergé de Louvain-la-Neuve, tem em exposição, até ao dia 10 de Janeiro, uma selecção de documentos e obras do autor de Tintin, que se dedicou à banda desenhada, mas que também fez publicidade e desenho de moda e se aventurou nas artes plásticas. A mostra chama-se Hergé e vale a pena visitá-la para conhecer ou revisitar o multifacetado criador de Tintin.

Jaime Nogueira Pinto in Observador