sábado, 11 de dezembro de 2010

O alter-ego de Tintin

O suplemento Tabu do jornal Sol publica um artigo sobre a morte de Palle Hud, o inspirador de Tintin.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Morreu Palle Huld, que inspirou a personagem Tintin (1912-2010)

Morreu Palle Huld , cuja adolescência é apontada como a fonte onde Hergé foi beber inspiração para criar uma das mais famosas personagem de banda desenhada, o repórter Tintin .
Em 1928, venceu uma competição organizada por um jornal destinada a escolher um adolescente para viajar pelo mundo como repórter. Aos 16 anos, viajou pelos EUA, Japão, Sibéria e Alemanha, em apenas 44 dias. A aventura tornou-o famoso, tendo sido recebido por 22 mil pessoas no seu retorno à Dinamarca.
Segundo uma das muitas teorias acerca de Tintim, Georges Prosper Remi, mais conhecido como Hergé, soube da sua história e criou a personagem à imagem e semelhança do adolescente Huld.
O ator dinamarquês foi membro da companhia de teatro real da Dinamarca e apareceu em 40 filmes realizados no seu país, entre 1933 e 2000. Estava afastado há muitos anos do cinema. As causas da morte não foram divulgadas.

In Expresso

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tintin no Diário de Notícias

Hoje, o DN publica duas páginas inteiramente dedicadas ao Tintin.

A única das dez línguas mais faladas no mundo que ainda não tinha uma versão das aventuras de Tintin dispõe já dos primeiros oito álbuns. Ao todo, as histórias do famoso repórter belga estão traduzidas em mais de 80 línguas e já foram vendidos mais de 230 milhões de exemplares.
As aventuras do mais famoso repórter belga acabam de ser traduzidas em hindi, o idioma mais falado na Índia, estimando-se em cerca de 565 milhões os novos potenciais leitores. Este é mais um passo de gigante para o reconhecimento universal de Tintin, personagem de banda desenhada criada em Janeiro de 1929 pelo belga Hergé e que a partir de agora passa a estar disponível na segunda língua mais falada do mundo. De entre os dez idiomas mais utilizados este era mesmo o único que faltava a este herói que tem acompanhado várias gerações desde os anos 30 do século XX. Segundo o site oficial da editora que detém os direitos de publicação dos 24 álbuns criados por Hergé, são mais de 80 as línguas em que estão traduzidas as deambulações de Tintin pelo mundo, e as vendas já ultrapassaram os 230 milhões de exemplares.
E se Portugal foi o primeiro país não francófono a publicar as aventuras de Tintin, na revista Papagaio, em Abril de 1936, desde 1952 que os principais idiomas contam as atribuladas histórias do famoso repórter.
Os primeiros oito álbuns da versão em hindi já chegaram às livrarias da Índia e são uma grande vitória para Ajay Mago, editor da versão hindi e presidente da Om Books International. Segundo explicou à France Press, é o culminar de um processo que se arrastou durante cinco anos. As negociações com a Casterman começaram em 2005 "e só no início de 2008 é que aceitaram", revelou. Os mais de 560 milhões de potenciais leitores foram, certamente, um argumento de peso. Mas a editora francesa fez questão de não trair a versão original e foram precisas três traduções para que Ajay Mago conseguisse luz verde para avançar com a publicação de 12 das 24 histórias de Tintin. Os primeiros oito álbuns já foram colocados à venda, devendo os restantes quatro chegar ao mercado em 2011, ano que ficará marcado pela estreia no cinema de O Segredo do Licorne, com realização de Steven Spielberg (ver texto na página ao lado). De entre as três viagens pela Índia de Tintin - O Lótus Azul, Os Charutos do Faraó e Tintin no Tibete -, apenas as duas primeiras estão para já disponíveis.
"Com mil milhões de macacos!", em português a expressão favorita do Capitão Haddock, "foi o mais difícil de traduzir", explicou Ajay Mago, um apaixonado pelas aventuras de Tintin e ele próprio tradutor dos álbuns. "As grandes diferenças culturais, sociais, de linguagem e de sensibilidades" foram as maiores dificuldades com que se deparou. "As piadas praticamente não podem ser traduzidas. E se algumas frases ou referências podem ser facilmente entendidas na Europa, na sua grande maioria são desconhecidas dos leitores de hindi", adiantou. Sem alterar a narrativa básica, Mago teve de recorrer a piadas ou expressões similares, sempre que possível em hindi, para facilitar a compreensão dos leitores indianos", relatou. Os nomes das personagens também sofreram alterações. Por exemplo, para chamar o seu fiel ajudante, Tintin não chamará Milu mas sim Natkhat e a dupla de detectives Dupond e Dupont ficarão conhecidos como Santu e Bantu.
Mas se é impressionante o facto de as histórias de Tintin estarem traduzidas nas línguas mais faladas do mundo, não é menos impressionante o facto de algumas das aventuras, inicialmente publicadas no suplemento juvenil Le Petit Vingtième, do diário católico belga Le Vingtième Siècle, onde Hergé era chefe de redacção, estarem traduzidas em vários dialectos. Desde o galego ao galês, passando até pelo criolo das Ilhas Maurícias, e até pelo latim e pelo esperanto.

É em finais de Outubro de 2011 que se começa a estrear na Europa Tintin e o Segredo do Licorne, de Steven Spielberg, que será também o primeiro filme rodado em digital, pela técnica de motion capture e em 3D pelo autor de Tubarão e A Guerra dos Mundos. O argumento aglutina as histórias de três álbuns do herói de Hergé, O Caranguejo das Tenazes de Ouro, O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham o Vermelho. Peter Jackson, que em princípio realizará um segundo filme das aventuras de Tintin, fornece os efeitos especiais através da sua companhia Weta Digital e é co-produtor, juntamente com Spielberg e Melissa Mathison. Esta ainda prevista uma terceira fita, assinada ou de novo por Steven Spielberg, ou rodada em parceria por este e por Jackson. Os britânicos Jamie Bell e Andy Serkis interpretam, respectivamente, Tintin e o Capitão Haddock. Recorde-se que esta não é a primeira vez que Tintin é adaptado ao cinema com actores de carne e osso (mesmo que digitalizados, como é o caso destes filmes). Em 1961 e 1964, o belga Jean-Pierre Talbot interpretou o herói de Hergé, nos filmes As Aventuras de Tintin e O Mistério das Laranjas Azuis, que tiveram direito a álbuns fotográficos.

Os Charutos do Faraó (1934), O Lótus Azul (1934) e Tintin no Tibete (1960) são três das missões do enviado especial Tintin que passaram por terras indianas. Na primeira aventura, Tintin surge a bordo de um cruzeiro rumo ao extremo oriente. A bordo encontra um egiptólogo extravagante, Philémon Siclone, que está à procura do túmulo do faraó Kih-Oskh. Após variadíssimas peripécias, e com Dupont e Dupond sempre no seu encalce, acaba por chegar à Índia, onde ataca o tráfico de ópio, desmantelando uma organização de traficantes. E é precisamente na Índia que se inicia a acção de O Lótus Azul, quando Tintin se encontra no palácio do seu amigo, o marajá de Rawhajpoutalah. Aí é contactado por um mensageiro chinês e o desenrolar da história passa-se na China, onde o repórter só consegue levar a bom termo a sua missão graças à ajuda do jovem chinês Tchang.
E é precisamente o seu esforço para ajudar este amigo o tema central de Tintin no Tibete. Em férias numa estação alpina, Tintim lê num jornal que um avião caiu no Nepal e sonha com Tchang pedindo socorro. Após descobrir que o amigo se encontrava de facto no avião, Tintin parte à sua procura, acompanhado pelo Capitão Haddock.
In DN

sábado, 6 de novembro de 2010

É assim o Tintin de Spielberg (mais só no Natal de 2011)

"The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn", de Steven Spielberg, vai ser muito provavelmente o grande sucesso de bilheteira do Natal de 2011.
O filme deverá chegar às salas a 28 de Dezembro do próximo ano e será o primeiro de uma trilogia que está a ser cozinhada por Spielberg e Peter Jackson, o realizador de "O Senhor dos Anéis". A revista inglesa "Empire" revelou no início desta semana, em exclusivo, as primeiras imagens reais do filme, que tornam mais palpável o que Spielberg quis dizer quando explicou que o seu objectivo era "alcançar uma espécie de hiper-realidade que integrasse a linha clara de Hergé". Não desfigurar o estilo do desenhador belga é, para Spielberg, um ponto de honra: "Assumo-me como garante de que a trilogia que estou a preparar com Peter Jackson será fiel à arte de Hergé".
Filmado em 3D e recorrendo à técnica utilizada por James Cameron em "Avatar", que permite transpor movimentos e expressões faciais de actores para personagens de animação, o "Tintin" de Spielberg vai custar 135 milhões de dólares (quase cem milhões de euros), numa produção que envolve, além da DreamWorks de Spielberg, a Sony e a Paramount. O realizador anunciou este projecto há dois anos, no festival de Cannes, mas a intenção vem de longe. "No funeral de Hergé, em 1983, lembro-me de ter dito à sua viúva, Fanny, que queria muito adaptar as aventuras de Tintin ao grande ecrã, mas que respeitaria a obra do seu marido". Embora a produção esteja a decorrer sob rigoroso segredo e se conheçam poucos detalhes do filme, boa parte do elenco foi já divulgada: o actor britânico Jamie Clegg será Tintin, Andy Serkis, o Gollum de "O Senhor dos Anéis", interpretará o irascível Capitão Haddock, os polícias gémeos Dupond e Dupont ficam a cargo de Simon Pegg e Nick Frost, e Daniel Craig foi escolhido para o papel de Rackham o Vermelho. É certo que Spielberg já levantou um bocadinho o véu, mas o pouco que disse, soando bastante prometedor, dificilmente permitirá formar uma imagem aproximada do que o filme possa vir a ser: "Deve muito não apenas ao 'film noir', mas também a todo o teatro brechtiano", diz o realizador, acrescentando que, "ao mesmo tempo, é uma aventura infernal".
Para abrir esta trilogia, Spielberg e Jackson escolheram uma história que se estende por dois álbuns de Tintin (o 11º e o 12º) originalmente publicados na primeira metade dos anos 40: "O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham o Terrível". E Peter Jackson, que dirigirá o próximo filme, já adiantou que está a pensar adaptar "As Sete Bolas de Cristal". Mas não garante. "Também gosto muito dos que se passam nos Balcãs, como 'O Ceptro de Ottokar', que daria um óptimo thriller".

Luís Miguel Queirós (PÚBLICO)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Orlando Ferreira, administrador da RN Tejo, publicou um arigo no jornal ribatejano ABARCA nº 270 (XX ano) , onde aborda a temática de Oliveira de Figueira.

1) Oliveira da Figueira, de Lisboa, comerciante invulgarmente esperto, consegue até vender areia em pleno deserto! Os seus dotes de persuasão são tais que nem as vítimas/clientes notam! Apesar da sua aparência - chapelinho, careca e bigode de pontas retorcidas - Oliveira da Figueira revela uma rara destreza e o bom lado português: é um rei do "desenrasca", do improviso e da arte de dar a volta em situações complexas.

2) Tintin, jornalista que nunca escreveu uma única notícia, é considerado um herói e um símbolo de generosidade e abnegação. No entanto, para fazer ressaltar as suas qualidades, Hergé, o seu criador, enriqueceu-lhe a personalidade de uma forma inteligente e subtil colocando ao seu lado personagens pitorescas. Sem elas, Tintin não teria o indispensável contraponto. Milu, o Capitão Haddock, o Professor Tournesol e os Detectives Dupond e Dupont, com as suas fraquezas, movimentos desastrados e constantes complicações que engendram, fazem-nos sorrir (com simpatia) e não conseguem evitar-nos uma boa gargalhada. Oliveira da Figueira de Lisboa é um desses personagens. Um comerciante dotado de uma grande facilidade para vender tudo e mais alguma coisa, designadamente, objectos inúteis ou não necessários para os seus compradores. Hospitaleiro, está sempre pronto servir “um copo de vinho de Portugal, do sol do meu país”, nas suas próprias palavras.

3) Foi muito interessante a "vinda" de Tintin para Portugal. "Tim-Tim na América do Norte" foi o primeiro a aparecer, em 1936, com uma tradução que, tendo sido efectuadada nos anos 30, se pode considerar aceitável à luz da cultura de então e do hábito que havia de tudo aportuguesar. Nessa primeira aparição, os protagonistas chamavam-se Tim-Tim, Capitão Rosa e Pom-Pom, mais tarde Rom-Rom (Tintin, Capitão Haddock e Milu, respectivamente) sendo Tintin apresentado como um português, repórter de "O Papagaio", revista juvenil da Rádio Renascença que comprara os direitos sobre estas aventuras. Esse aportuguesamento do herói levou a que o português Oliveira da Figueira, passasse a Olivera de Málaga, "caixeiro-viajante fugido aos horrores da guerra de Espanha".

4) Tendo em vista a liberalização do sector dos transportes, foi recentemente aprovado o regulamento comunitário - (CE) Nº1370/2007 - que fará com que, até 31 de Dezembro de 2019, acabem todas as concessões dos operadores rodoviários. Inclusivé as nossas, as da Rodoviária do Tejo. Com este novo regulamento pretende-se garantir serviços de transporte de passageiros seguros, eficazes e de elevada qualidade num ambiente de concorrência regulada que garanta a transparência e elimine todas as disparidades existentes entre empresas de transporte dos diferentes Estados-Membros susceptíveis de falsear substancialmente as condições de concorrência. Estamos, de facto, perante um novo e muito diferente desafio… Concluindo: Quando descemos ao terreno da maioria das organizações portuguesas o que encontramos é um “híbrido difuso”. Mantém-se ainda o paradigma histórico - somos mais comerciantes do que empreendedores - mas continuamos a revelar uma arte que nos diferencia - o improviso. O nosso verdadeiro desafio é saber se somos capazes de tornar virtuosa esta coabitação entre a capacidade de improviso e o crónico arquétipo empresarial que ainda tem como herói o Oliveira da Figueira.