terça-feira, 18 de julho de 2017

Mercadores de ébano

O blogue "Páginas de BD" volta a editar uma aventura de Tintin publicada na revista Cavaleiro Andante. Desta feita, foi o episódio "Carvão no porão" ("Coke en stock"), baptizado na revista em "Mercadores de ébano". Este episódio foi publicado em 1959/1960 entre os números 405 e 466 do Cavaleiro Andante. Os meus parabéns ao administrador do blogue pela recuperação desta aventura nas páginas do Cavaleiro Andante, para muitos  tintinófilos inacessível.

sábado, 15 de julho de 2017

Figuras do Tintin #35 - Dupond de sildavo

Os irmãos Dupont encontram-se numa missão especial em terras da Sildávia para protegerem os seus companheiros e amigos TintinHaddock e Girassol. Para passarem despercebidos, vestem um traje típico. Contudo, as vestes nada têm a ver com a Sildávia: é o uniforme de um evson, utilizado em combate pelos soldados da infantaria grega e, actualmente, pela guarda presidencial, a unidade cerimonial que protege o parlamento e o palácio do presidente. Apanhados pela segurança do Centro de Investigações Atómicas de Sbrodj, são algemados e apresentados ao engenheiro Baxter.

A referência da figura situa-se na vinheta V3 da prancha 18 do episódio "Rumo à Lua".

Figuras do Tintin #35 - Dupond de sildavo, Moulinsart, distribuído pela Altaya, livro de 16 pp. + figura + passaporte, 12,99€



sábado, 8 de julho de 2017

Figuras de Tintin #34: Laszlo Carreidas vagueando

Laszlo Carreidas é um milionário que oferece boleia a Tintin, Haddock, Girassol e Milou no seu jacto privado na aventura "Voo 714 para Sidney". Carreidas, uma caricatura de Marcel Dassault, construtor dos aviões Mirage e Mystére, é um personagem com dupla personalidade. Pelo aspecto, ninguém suspeitaria que é dono de uma grande riqueza. Somítico ao ponto de usar roupas puídas, não hesita em gastar uma fortuna para comprar um Picasso ou um Renoir. Apesar de à primeira vista se mostrar afável e generoso, é só para satisfazer o ego, porque se acha com direito a tudo. Deambulando entre o Dr. Jeckyll e o Mr. Hide, o milionário é calculista, odioso com os seus empregados e um aldrabão empedernido. Debaixo do seu aspecto triste, oculta-se um verdadeiro génio do mal.

A figura que acompanha o 34º volume tem como referência a vinheta A1 da prancha 4 do episódio "Voo 714 para Sidney".

Figuras de Tintin #34: Laszlo Carreidas vagueando, Moulinsart com distribuição pela Altaya, livro de 16 pp.+figura+passaporte, 12,90€


sábado, 24 de junho de 2017

Figuras de Tintin #33: Girassol de patins

Girassol está disposto a todos os sacrifícios para nos surpreender. Depois da casa-armário, do submarino em forma de tubarão, da máquina para escovar roupa ou do foguete lunar, concebeu um meio de locomoção revolucionário para gente com pressas: os patins motorizados, uma criação que lhe daria, sem dúvidas, o direito ao Prémio Nobel para a a invenção mais fantasiosa e descabida da história dos transportes. Afinal, não seria tão descabida nos dias de hoje, já que temos os já famosos hoverboards.

A referência da figura desta 35ª entrega (volume 33 da colecção) encontra-se na aventura "Carvão no porão", prancha 61, vinheta 81.

Figuras de Tintin #33: Girassol de patins, Moulinsart, distribuído em Portugal pela Altaya, livro de 16 pp. + estatueta + passaporte, 12,99€



domingo, 4 de junho de 2017

Figuras de Tintin #52 - O Professor Calys triunfal

Hipólito Calys representa o arquétipo do cientista distraído antes de Girassol ocupar esse papel... Calys tem um nome antiquado que logo de início anuncia, como se tratasse de um brasão de  armas, o seu distanciamento permanente da realidade. Calys, "chiché" em bruxelense, significa "regaliz" ou "alcaçus", não é um cientista louco, como desgraçadamente acontece ao seu antigo colega Filipulus. O cientista Hipólito estreou-se nas aventuras de Tintin em "A Estrela Misteriosa", pedindo a Tintin que o ajude a organizar a expedição em busca do aerólito que caiu na Terra junto à Antártida. De forma surpreendente, a personagem de Calys não sobreviveu à narrativa de "A Estrela Misteriosa", sendo "substituído" mais tarde pela personagem do Girassol.

A referência da figura desta entrega encontra-se na vinheta C1 da prancha 11 do episódio "A Estrela Misteriosa". 

Figuras de Tintin #52 - O Professor Calys triunfal, Moulinsart, distribuição em Portugal pela Altaya, livro de 16 pp.+passaporte+estatueta, 12,99€



sábado, 27 de maio de 2017

Figuras Tintin #32: O general Alcazar

Nesta estatueta, Alcazar adopta o uniforme militar típico dos guerrilheiros, conservando o seu temperamento fogoso e o seu carácter colérico. Alcazar, líder dos pícaros, irrita-se e zanga-se, injuriando sem cerimónia os seus soldados bêbados, ameaçando de morte quem ousar desafiá-lo. No entanto, sempre que aparece a sua doce "pombinha", a sua Peggy de papelotes, o impetuoso general transforma-se em "Zazar", manso como um cordeiro e dócil como um cachorrinho para agradar à sua amada. Alcazar estreou-se nas aventuras de Tintin em "A orelha quebrada", passando pelas "As sete bolas de cristal" e "Carvão no porão" e, finalmente, na última aventura terminada desenhada por Hergé, "Tintin e os Pícaros".

A referência da figura encontra-se na vinheta C1 da prancha 40 de "Tintin e os Pícaros".

Figuras Tintin #32: O general Alcazar, Moulinsart, distribuído pela Altaya, estatueta+livro de 16 pp.+passaporte, 12,99€


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Figuras de Tintin #31: Dupont banhista

Quase idênticos em quaisquer circunstâncias, desajeitados até ao limite, campeões da incompetência e da insensatez, Dupond e Dupont estão dispostos a qualquer sacrifício quando se tratam de ser ridículos. A figura desta entrega mostra-nos no deserto de Khemed na aventura "Tintin no país do ouro negro", descobrindo o misterioso fenómeno das miragens, que os fará perder o norte. Confundindo ilusão com realidade, enfiaram uns fatos de banhos às riscas vermelhas e brancas bastante favorecedores para se atirarem alegremente ao lago imaginário que apareceu por milagre à frente dos seus olhos pasmados...

A referência da figura é a vinheta D1 da prancha 20 de "Tintin no país do ouro negro".

Figuras de Tintin #31: Dupont banhista, Moulinsart distribuída pela Altaya, estatueta + livro de 16 pp. + passaporte, 12,99€


terça-feira, 2 de maio de 2017

Fanzine Quadrinhos #4 - Maio de 1973 - Edição de Vasco Granja


O desenho de Tintin e Milou impresso na capa do presente número de "Quadrinhos" foi expressamente executado por Hergé como homenagem aos seus numerosos admiradores portugueses. (in Sítio dos Fanzines de Banda Desenhada)

sábado, 22 de abril de 2017

Figuras de Tintin #54: O senhor Sanzot ao telefone

Dando um pulo na sequência numérica da colecção, foi posto à venda o número 54 que retrata o talhante Sanzot da vila de Moulinsart

Com um apelido que lhe assenta como uma luva, já que na fonética francesa soa como "desossado", o senhor Sanzot é a encarnação do comerciante típico. Talhante "diplomado" e orgulhoso de o ser, mostra em todas as circunstâncias uma cortesia tão convencional e polida como o seu eterno avental. Sempre de ponto em branco, impecável e circunspecto, é a antítese de barafunda e inquietação que muitas vezes reinam em Moulinsart. Músico por acrescento, dirige com grandiosidade a banda filarmónica de Moulinsart.

O senhor Sanzot aparece em três aventuras de Tintin: "O caso Girassol", "As jóias de Castafiore" e "Tintin e os Pícaros".

A referência da estatueta entregue é a vinheta B1 da prancha 5 do episódio "As jóias de Castafiore".

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terça-feira, 11 de abril de 2017

Figuras de Tintin #30: Tintin cowboy

Ao longo do tempo, Tintin nunca hesitou em vestir todo o tipo de indumentárias, muitas vezes até por necessidade. Na terceira aventura do herói com cenário nos Estados Unidos da América, Tintin traja de cowboy, uma nota de excelência conseguida graças à combinação do lenço vermelho e da camisa azul aos quadrados. Muito reservado no que respeita à sua imagem, Tintin escolhe umas calças grossas típicas dos vaqueiros que lhe protegem as pernas. Também não esquece outros acessórios indispensáveis como o revólver, o laço e as botas.

A referência da figura está vinheta A3 da prancha 18 do episódio "Tintin na América".

Figuras de Tintin #30: Tintin cowboy, Moulinsart, distrobuição da Altaya, livro + estatueta + passaporte, 12,99€


sábado, 25 de março de 2017

Figuras de Tintin #29 - Raio Abençoado monge tibetano

Nesta imagem, Raio Abençoado aproxima-se de Tintin para lhe entregar o cachecol de Tchang esquecido no mosteiro de Khor-Biyong. No mesmo instante, o monge detém-se adoptando uma postura estranha, como se estivesse alheio do mundo que o rodeia e surdo aos agradecimentos de Tintin. Tem nas mãos o famoso cachecol amarelo, o vínculo de união entre Tintin e o seu amigo chinês que desapareceu nas montanhas do Tibete. 

A referência desta figura é da vinheta C2 da prancha 50 do episódio "Tintin no Tibete".

Figuras de Tintin #29 - Raio Abençoado monge tibetano, livro de 16 pp. + estatueta + passaporte, Moulinsart, 12,99€


sábado, 11 de março de 2017

Figuras de Tintin #28 - Girassol jardineiro

Girassol, que se dedica tanto à química como à física e à biologia, maneja com tanta mestria a tesoura de podar como os comandos de um submarino. A personagem surpreende-nos, deixa-nos pasmados e desconcerta-nos com as suas experiências explosivas e as suas invenções tão bizarras. A sua inteligência genial há que acrescentar uma distracção descomunal e uma inocência de criança. No jardim, como noutro sítio qualquer, a sua surdez complica as conversas até transformá-las numa corrida de obstáculos. 

A referência da estatueta encontra-se na vinheta C2 da prancha 25 do episódio "As jóias de Castafiore".

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Figuras de Tintin #27 - O Inca Nobre Filho do Sol

O Inca aparece no episódio "O templo do Sol" como uma personagem com um poder sem limites. Para evitar que a existência do Templo do Sol seja divulgada no mundo exterior, o Inca não tem outra opção senão condenar Tintin, Haddock e Girassol a morrer na fogueira. Contudo, um eclipse liberta os nossos heróis do sacrifício, levando o Inca a agradecer ao Sol por ter ouvido a clemência de Tintin

A referência da figura encontra-se na vinheta C4 da prancha 59 do episódio "O Templo do Sol", única aventura em que intervém o chefe Inca.

Figuras de Tintin #27 - O Inca Nobre Filho do Sol, Moulinsart, livro de 16 pp.+estatueta+passaporte, 12,99€


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Figuras de Tintin #26 - Baxter diretor do centro espacial

O director do Centro Investigação Atómica de Sbrodj na Sildávia, o engenheiro (?) Baxter, é a figura escolhida para a 26ª entrega desta colecção da Moulinsart, distribuída em Portugal pela Altaya. Baxter aparece no díptico lunar que vão levar Tintin e os seus amigos à Lua. Nesta epopeia lunar, Baxter tem um papel indispensável como transmissor dos sentimentos dos leitores que, como ele, ficaram em Terra, expressando o seu pesar de não participar na viagem à Lua. 

A referência da figura encontra-se na vinheta A2 da prancha 22 da aventura "Explorando a Lua".

Baxter estreia-se na aventura "Rumo à Lua" e tem como característica distintiva "Tão nervoso que até morde a gravata!" 

Figuras de Tintin - A Coleção Oficial #26: Baxter diretor do centro espacial, Moulinsart, livro de 16 pp.+estatueta+passaporte, 12,99€


sábado, 28 de janeiro de 2017

Figuras de Tintin #25: O marajá de Rawhajpotalah

O marajá de Rawhajpotalah é a personagem escolhida para a 25ª entrega da colecção portuguesa das Figuras de Tintin. Conjugando qualidades de coração e de espírito, o marajá reina sobre o seu povo como "um bom pai de família", encarnando valores que Hergé tanto aprecia. Vestido quase completamente de branco, cor da pureza e da inocência, o marajá apresenta-se nesta estatueta em traje de cerimónia. 

O soberano salvou a vida de Tintin, mas o herói salda a dívida, domando um tigre devorador e evitando o envenenamento do marajá pelos traficantes de droga de Kih-Oskh. Mais tarde, resgata dos seus sequestradores o filho do soberano. 

O marajá de Rawhajpotalah entra em duas aventuras do Tintin ("Os charutos do faraó" e "O lótus azul") e a referência da figura encontra-se na vinheta B2 da prancha 62 de "Os charutos do faraó")

Figuras de Tintin #25: O marajá de Rawhajpotalah, estaueta+livro+passaporte, Moulinsart/Altaya, 12,99€



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Cartaz de um "Concurso de Ideias"

Cartaz de um concurso com o apoio do IEFP que nos faz lembrar o foguetão lunar das aventuras de Tintin.


sábado, 14 de janeiro de 2017

Michel Bareau: Dar cor "sem trair" o original

Diretor artístico do Estúdio Hergé, responsável pela versão a cores "Tintin no País dos Sovietes", explica como foi o processo.



Hergé pintou outras obras em cores mais vivas. Procurou propositadamente ser diferente do autor?

Fizemos um trabalho como alguém que descobre uma obra do início do século depois da Grande Guerra. Os filmes de reportagem a preto e branco sobre a guerra marcaram as primeiros desenhos de Hergé. Quando criou Tintin, em 1928, foi marcado por esse estilo, desenhando como se fosse um filme a preto e branco. O que fizemos foi uma "colorização"" com a mesma técnica que já se utilizou para dar cor a filmes a preto e branco. Não tem nada que ver com a técnica de Hergé, a qual quisemos manter intacta, sem a trair.

Uma técnica diferente?

Ele criou uma técnica particular, que era fazer uma pintura sobre uma grelha. Ele desenhava e o gráfico filmava as figuras e depois imprimia em cinzento sobre papel de desenho. Hergé pintava e, posteriormente, sobrepunha uma segunda camada composta pela película que continha os traços a negro.

Como é que chegaram a essas cores?

Fizemos um trabalho de documentação. Se nos questionarmos sobre a cor de um garrafão de gasolina da Shell, vamos pensar que é amarelo, mas naquela época era vermelho escuro. Tentámos recriar um ambiente de 1920. Fotografámos os documentos originais e foi a partir daí que trabalhámos. Pensamos que conseguimos um resultado apelativo, com cores um pouco mais suaves do que as utilizadas por Hergé.

Como reage aos críticos da cor nesta obra?

O antigo secretário de Hergé, o senhor Alain Baran, diz agora que não deveríamos mexer na obra de um artista depois de ele falecer. Sinto como um ataque pessoal e à equipa, que se dedicou muito.

Sentiu responsabilidade perante os fãs de Hergé ao fazer este trabalho?

Foi uma grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo tive muita liberdade para o realizar. Tive luz verde de Fanny Rodwell, que é a viúva herdeira de Hergé, e do seu marido, Nick Rodwell, que é ao mesmo tempo o responsável de Moulinsart, a empresa que gere os direitos de As Aventuras de Tintin. Com essa liberdade que me deram consegui ter uma noção clara e formar a minha opinião sobre o ponto de partida.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Tintin: Primeiro livro lançado em versão colorida

Chegou hoje às livrarias a versão a cores do primeiro livro de Hergé. Tintin no País dos Sovietes foi editado, pela primeira vez, em 1929.

Ao contrário do que fez com todas as obras que desenhou a seguir, traço a preto e branco, neste livro, nunca viria a ser alterado, até hoje.

A empresa Moulinsart, que administra os direitos de exploração da obra do desenhador belga, coloca hoje nas prateleiras das livrarias uma edição totalmente colorida.

A TSF já foi ao museu da Banda Desenhada na cidade natal de Tintin, em Bruxelas, onde o livro já está à venda.

A belga Carine Schmitz, apaixonada pela banda desenhada e que há 27 anos se dedica à coordenação do museu, descreve Tintin no país dos sovietes como um livro encantador, até pelas suas imperfeições.

"Este é o primeiro livro de toda [a série] Tintin. Vemos bem que não o mesmo traço de Hergé quando chegou ao décimo álbum. Já não desenhava da mesma maneira. Mas, aqui, ele tinha apenas 21 anos. É a primeira banda desenhada dele. É normal que tenha defeitos", nota a diretora do museu.

Em Tintin no país dos sovietes, encontramos por exemplo bananas em Moscovo, postos de combustível da Shell na Rússia e algumas personagens têm nomes com origem na Polónia. Nada disto existia na Rússia de 1929. Mas, é isso "que lhe dá o charme, ao vermos que ele era tão jovem quando fez o primeiro livro", nota Carine Schmitz.

Aos 21 anos, Hergé inaugurou um novo estilo que, a partir daí, marcaria a banda desenhada. Os traços fortes, sem sombreados, pouco contraste são "o princípio do que chamamos a linha clara".

"Na verdade, em Tintin no país dos sovietes, o mais interessante é o movimento e a forma como ele faz mexer as personagens, as perseguições de carro, Milu que já tem imensa graça. Francamente é o início de uma grande aventura de Tintin", afirma.

No início da história, Tintin é enviado de Bruxelas em reportagem para Moscovo. Por sabotagem dos serviços secretos russos, uma bomba destrói o comboio, durante a passagem pela Alemanha. Tintin é detido sob acusação de atentado terrorista. Algumas semelhanças com a atualidade poderiam levar a pensar que é um livro recente. Mas, Schmitz considera que se trata de um livro confinado no seu tempo e "Tintin no país dos sovietes já não tem atualidade".

Hergé escreveu sob as orientações da direção do Jornal católico, conservador, anti-comunista, Le Vingtième Siècle. A história da investigação ficcionada, do repórter imaginário, que se tornou num dos principais heróis da banda desenhada, foi publicada semanalmente, em capítulos, entre 1929 e 1930, como um instrumento de propaganda anti-soviética.

Misturadas com as peripécias do repórter, ao longo das 140 páginas, encontram-se as conclusões da investigação, do enviado à Rússia, por exemplo, quando descobre a forma como o regime soviético iludia o povo sobre o Paraíso Vermelho.

Hergé escreveu a história sem nunca ter estado na Rússia, com base nos escritos do consul belga, em Moscovo, naquela época. Isso mesmo nota-se quando Tintin descobre que os bolcheviques ameaçavam o povo para conseguirem a vitória nas eleições. É uma transcrição quase integral dos relatos do cônsul que viveu nove anos em Moscovo.

Numa das passagens o repórter vai parar a um esconderijo, cheio das riquezas supostamente roubadas ao povo por Lenin, Trotsky e Stalin. Tintin consegue escapar daqui com a ajuda do companheiro inseparável, o cão Milou.

O repórter imaginário ficou conhecido, ao longo de mais de duas dezenas de alguns que se seguiriam, pelo andar ligeiramente curvado, as pernas fletidas e pela madeixa de cabelo levantado. Mas, não é exactamente esta a figura apresentada nas primeiras vinhetas do livro. Esta imagem de marca do repórter é lhe atribuída mais adiante na história.

"É durante uma perseguição de carro que os cabelos dele ficam para trás e o Hergé continuou a desenhá-lo desse maneira. É em Tintin no país dos sovietes que Tintin fica com a sua pequena madeixa", lembra a diretora do museu.

Carine Schmitz acredita que a reedição colorida vai ser um sucesso, relançando as vendas das aventuras de Tintin. "O facto de se fazer Tintin no país dos sovietes [em edição] colorida, aqui no museu da banda desenhada, [acredito] que as pessoas que são amantes da banda desenhada possam descobrir, ao mesmo tempo, o livro a preto e branco", afirma.

Schmitz acredita que a paixão dos mais novos com o Tintin ainda é como dantes e, aos 88 anos, o famoso repórter belga ainda encanta os jovens de hoje. E, isso nota-se nas vendas.

"Aqui, pelo que vemos, continua ainda a ser o melhor. O Tintin e os Estrunfes são os "bestsellers". É importante saber que estamos no museu da banda desenhada. E, muitas das pessoas que aqui vêem querem os clássicos. O Tintin mantém-se como a nossa melhor venda", garante.

In TSF

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Figuras de Tintin #24: Haddock faz de Hadoque

A estatueta que acompanha o 24º livro da colecção "Figuras de Tintin" encerra a prancha 13 do álbum "O segredo do Licorne", mas é igualmente uma das tiras diárias do jornal Le Soir publicada em 1942. Haddock está embriagado de entusiasmo por ter descoberto um passado glorioso, sendo familiar do famoso cavaleiro Francisco de Hadoque. Ataviado com um chapéu de outra época e brandindo um ameaçador sabre de corsário, Haddock ameaça levar tudo à sua frente.

Figuras de Tintin #24: Haddock faz de Hadoque, Moulinsart/Altaya, livro+estatueta+passaporte, 12,99€