domingo, 23 de dezembro de 2012

Pastiches do Tintin

Mais uma vez, o excelente blogue «As Leituras do Pedro» publica mais dois pastiches do Tintin, da autoria de  Alexandre Gozblau e Richard Câmara.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Um futuro para além do destino do senhor Oliveira da Figueira

José Manuel Fernandes, ex-director do jornal Público, publicou no respectivo jornal de 7 de Dezembro de 2012, um artigo com o título em epígrafe, onde destaca a personalidade do «português» das aventuras do Tintin, Oliveira de Figueira.
A acompanhar o artigo, duas ilustrações pastiches das personagens das aventuras de Tintin  por A. Valério.


Os árabes chamavam-lhe o "branco-que-vende-tudo" e Tintin comprovou-o: comprou-lhe um par de esquis, um taco de golfe, um chapéu alto, uma gaiola com um periquito e um despertador, tudo absolutas inutilidades que o deixaram imensamente feliz. A cena passa-se no livro Os Cigarros do Faraó e o senhor Oliveira da Figueira, que mais tarde reapareceria em No País do Ouro Negro e em Carvão no Porão, é o único português a ter um lugar de destaque nas aventuras criadas por Hergé (há também um cientista português a bordo do Aurora, em A Ilha Misteriosa, mas o seu papel é irrelevante). O histriónico vendedor de bugigangas corresponde a um certo cliché do ser-se português, da generosidade à capacidade de improvisação, da lábia à errância por terras distantes, tudo construído em torno da imagem de um comerciante que até na capacidade de aculturação se revela bem lusitano. Ninguém, nem mesmo Hergé, se lembraria de retratar um português como financeiro ou como industrial. 
Lembrei-me deste simpático Oliveira da Figueira quando meditava em alguns dos debates que atravessaram esta semana. E comecei por me lembrar dele quando ouvi as muitas lamúrias que, na segunda-feira, acompanharam a divulgação das mais recentes estatísticas sobre insolvências. No total, até Novembro, já tinha havido 5808 insolvências declaradas, um número bem superior ao do ano passado mas que, por si só, não significará muito, pois seria necessário compará-lo com dados - que desconheço - relativos à criação de empresas. Mais importante será perceber que insolvências foram essas. Um quarto dos pedidos (1535) foi entregue por empresas do sector do comércio. Quase outro tanto (1496) veio de empresas ligadas à construção e ao imobiliário. 
ara todas as pessoas ligadas a estas empresas, estas insolvências foram um drama, um drama por certo agravado pela dificuldade que todos os que caíram no desemprego sentirão para se libertarem dessa condição. No entanto, por muito duro que seja dizê-lo, um elevado número de falências no comércio, na construção e no imobiliário era não só inevitável como dificilmente a economia portuguesa se recomporia sem que elas ocorressem. Durante demasiados anos, andámos a lançar obras públicas inúteis, é bom termos deixado de nos endividar para o fazer. Durante demasiados anos, vimos serem lançadas urbanizações atrás de urbanizações, e é bom termos parado de erguer mais casas para ficarem vazias (já há 725 mil habitações vazias em Portugal, de acordo com o Censos 2011). Durante demasiados anos, vimos também abrirem centros comerciais atrás de centros comerciais, sem se perceber muito bem como haveria dinheiro para tantas compras e tanto comércio, e é bom regressarmos a algum realismo. 
Boa parte do aumento do desemprego provém precisamente da retracção da actividade nestes sectores (em 2011, estima-se que só a construção e o imobiliário tenham gerado mais 110 mil novos desempregados), mas será um erro pensar que é defendendo esses actividades que vamos sair da crise ou mesmo evitar mais desemprego. O que aconteceu nos últimos dez, doze anos, foi que a existência de crédito barato e financiamento abundante, a par com políticas voluntaristas, "fontistas", de governos e autarquias, permitiu uma expansão do consumo público e privado que, ao mesmo tempo que gerava um crescimento anémico, fazia explodir a dívida pública e a dívida externa. É por isso que não necessitamos, pelo contrário, de salvar (vá-se lá saber como, a não ser com mais despesa pública e mais subsidiação) os milhares de empresas que estão a desaparecer nestes sectores. O que precisamos, isso sim, é de tornar possível que surjam, em sectores com mais futuro, empresas e actividades que permitam começar a reabsorver os trabalhadores que entretanto caíram no desemprego. 
O que Portugal fez nos últimos anos foi, de alguma forma, o que o senhor Oliveira da Figueira fazia no remoto principado do Khemed: comprar e vender sem grande preocupação com a inovação e o dia de depois de amanhã. Talvez tenhamos, no fundo, feito apenas o que nos está na massa do sangue, pois todo o cliché tem sempre a sua parte de verdade. O que Portugal vai fazer daqui para a frente é que já não pode ser o mesmo. O crescimento futuro não pode repetir as fórmulas falhadas dos últimos quinze anos, e é também por isso que penso que a generalidade das sugestões de menos austeridade que por aí pululam corresponde, no fundo, ao regresso das políticas que não geraram crescimento nem garantiram empregos sustentáveis. 
Quando olhamos para trás e recordamos o que se passou nas últimas décadas, verificamos que Portugal só conheceu dois períodos de rápido desenvolvimento económico: entre 1960 e 1973 e entre 1986 e 1991. O que permitiu esses surtos desenvolvimentistas foi sempre um choque externo: na década de 1960, a adesão de Portugal à EFTA; na década de 1980, a adesão à então CEE. Mais: como recentemente explicava José Manuel Félix Ribeiro, o período mais vigoroso desse desenvolvimento (entre 1969 e 1973) foi possível porque houve três motores a puxarem por Portugal ao mesmo tempo, a saber, o boom das indústrias exportadoras do Norte do país, tornado possível pela abertura dos mercados da EFTA; os investimentos na indústria pesada e na indústria naval na zona de Lisboa, aproveitando a oportunidade da mudança das rotas de navegação pós-Guerra dos Seis Dias; e o início do envio pelos emigrantes das suas remessas, o que deu liquidez ao sistema bancário. 
É difícil imaginar a repetição dessas condições. Ou mesmo das condições conhecidas no início do chamado "cavaquismo". Ou de qualquer coisa de semelhante. O mais parecido que temos com um "choque externo" é a troika, mas até a evidente necessidade de financiamento não tem impedido a dissolução do consenso que chegou a parecer existir em torno da alteração dos nossos modos de vida. Mesmo assim, não é preciso ser tão optimista como António Borges para perceber que algum caminho tem sido percorrido pela nossa economia. 
Para já, tudo indica que os nossos Oliveira da Figueira voltaram a demandar o mundo. Boa parte da expansão das exportações portuguesas deve-se a muitos e muitos empresários que, tendo de enfrentar a contracção do mercado interno, se viraram para o exterior e conseguiram encontrar novos clientes. Óptimo, mas insuficiente. Estamos também com baixíssimos níveis de investimento e isso indica que se está sobretudo a utilizar a capacidade já instalada e que haverá ainda pouca inovação. 
Para ultrapassar esta fase, será necessário voltar a investir e, sobretudo, será necessário atrair capital estrangeiro. O nosso caminho não passa, ao contrário do que sugere Louçã ou o PCP, por "substituir importações", pois isso deixaria sempre pior o consumidor final. O nosso caminho passa por pagar as importações com mais exportações - ou com o equivalente, casos da expansão do turismo ou da capacidade de atrair estrangeiros para residirem em Portugal. Ao mesmo tempo, há que não ter medo da emigração, mesmo da emigração dos "mais qualificados", como agora gosta de se dizer. 
Uma coisa, porém, é certa: por muito que custe admiti-lo, e ainda mais fazê-lo, o nosso difícil futuro não passa por salvar a economia, as empresas e os empregos do passado. Da mesma forma que a saída da recessão não passa pelo relançamento, no curto prazo, do consumo interno. Por isso, numa altura em que começa a crescer a oposição aos cortes nas despesas do Estado, chamem-se ou não "refundação", o essencial é dizer que o que não podemos suportar são estes impostos, ou que o que queremos não é um IRC de apenas 10 por cento para os novos investimentos, queremos esse IRC para toda a economia, porque é ela, como um todo, que tem de competir nos mercados abertos da União Europeia e do resto do mundo. 
Mas será que seremos capazes de ser mais do que desenrascados e um pouco mais sofisticados Oliveiras da Figueira do século XXI?



sábado, 15 de dezembro de 2012

Novos pastiches no blog «As Leituras do Pedro»

O blog «As Leituras do Pedro» presenteia-nos regularmente com pastiches do Tintin realizadas por autores portugueses. Desta feita, foram os desenhadores David Soares e Jorge Carneiro que imaginaram o herói de Hergé na sua caneta.



Tintin vs TimTim

Uma paródia de niconocolau em Flick, confrontando Tintin e Tim (2 Tim), o vocalista dos Xutos e Pontapés.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tintin por Cyril Pedrosa e Mathieu Sapin

O blog de Pedro Cleto, «As leituras do Pedro», publicou duas caricaturas do Tintin da autoria de Mathieu Sapin e  Cyril Pedrosa.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Justiça belga absolve Tintin de racismo

O célebre livro de banda desenhada de Hergé "Tintin no Congo", publicado na sua primeira edição quando a República Democrática do Congo era uma colónia belga, foi absolvido da denúncia de racismo. 

A Justiça belga determinou que as aventuras de "Tintin no Congo" não podem ser consideradas "ofensivas" ou "racistas" e não homologou o pedido de a obra conter uma advertência nesse sentido bem como ver retirada a classificação de livro infantil.

A ação que denunciava obra racista - que agora foi absolvida - foi interposta pelo cidadão congolês Bienvenu Mbutu Mondondo e pelo Conselho Representativo das Associações Negras de França. A decisão judicial condenou-os a pagar uma indemnização simbólica de 110 euros às editoras Moulinsart e Casterman.

Na sentença os juízes consideraram que a personagem Tintin não só não era "racista" como pelo contrário "cultivava a amizade" com os outros personagens negros "contribuindo para a paz entre as tribos, colocando a sua vida em perigo para socorrer o próximo e luta contra o mal que está representado por um personagem branco e não negro".

Além disso a obra foi considerada como um "testemunho da história comum da Bélgica e do Congo" em determinado momento e nada parece indicar que as crianças do século XXI não serão capazes de relativizar os estereótipos das personagens e colocar a obra no seu contexto histórico".

In Diário de Notícias

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Centenário de Hergé: Portugal foi o primeiro país do mundo a publicar o Tintim a cores


No final de Abril de 1936 Hergé recebeu em Bruxelas um envelope de Portugal. Ao abri-lo, encontrou alguns exemplares da revista O Papagaio e teve uma grande surpresa: viu pela primeira vez uma história de Tintim impressa a cores (Tintim na América).
"Fiquei encantado por ver os meus desenhos aparecerem a cores", diz Hergé numa carta que enviou a 12 de Maio desse ano ao padre Abel Varzim, que o contactara em Maio de 1935, em nome da publicação, para negociar a divulgação das histórias de Tintim.

O herói chama-se Tim-tim, é apresentado como repórter português de O Papagaio - na versão original é um repórter belga do Le Petit Vingtième - e tem como companheira uma cadela chamada Rom-Rom, de cor acastanhada (e não o cão Milú branco).

Mas o que verdadeiramente desagradou ao artista belga foi outra coisa. O editor português tinha remontado as pranchas, destruindo o efeito de suspense da narrativa na edição original. Hergé comenta a situação ("une petite remarque", escreve) lembrando que "os desenhos são concebidos como num folhetim para terminar em cada semana com um desenho palpitante destinado a prender a atenção do leitor".

Este incidente não chegou para comprometer as relações entre o criador de Tintim e a revista portuguesa, que divulgou mais oito aventuras do herói até ao final da sua existência, em Fevereiro de 1949. Além de efectuar a primeira publicação em quadricromia do mundo, O Papagaio foi também a primeira revista de um país não francófono a divulgar Tintim.

Adolfo Simões Müller (1909-1989), que foi um dos directores da revista, é a peça-chave para explicar a curiosa relação que Hergé teve com Portugal.

Uma parte significativa da correspondência que os dois homens mantiveram ao longo de 30 anos foi recentemente tornada pública pelo holandês Jan Aarnout Boer (De Avonturen van Kuifje in Portugal), membro da associação Hergé Genootschap (Os Amigos de Hergé) que teve acesso aos arquivos da Fundação Hergé, na Bélgica.

"Para ser franco, a publicação prematura de Hergé em Portugal não teve impacto na sua obra ou na tradução dos álbuns para outras línguas", disse ao P2 Jan Boer. "Hergé achava piada que houvesse pessoas em Portugal interessadas nos seus livros, mas tanto para ele como para o seu editor [Casterman], estas traduções tinham pouco interesse."

Direitos por géneros

Quando começou a ser publicado em Portugal, o artista belga estava prestes a fazer 29 anos - nasceu exactamente há 100 anos, a 22 de Maio de 1907. Vivia a fase ascensional da sua carreira, ainda só tinha cinco das 23 histórias que imortalizariam Tintim.

A internacionalização da sua obra era um fenómeno novo para si. Por isso, não surpreende que o criador belga recorra à Societé du Droit d"Auteur (Paris), fixando em 50 francos franceses o preço por episódio (o equivalente a uma dupla página dos álbuns a preto e branco).

Em 1937, Hergé delega em Jean-Louis Duchemin, secretário-geral do Syndicat de la Proprieté Artistique, a gestão dos seus direitos de autor, precisando que a redução do preço - agora negociada por Simões Müller e fixada em 35 francos franceses - só se aplicará a Tintim na América.

Outro episódio trazido à luz do dia pela correspondência entre Hergé, Abel Varzim e Müller diz respeito à intenção deste último lançar uma nova revista (Diabrete) para disputar o mercado a O Papagaio.

Em carta não datada (mas provavelmente do final de 1940 ou início do ano seguinte), Müller pede a concessão do exclusivo das aventuras da série Quick et Flupke, ressalvando que O Papagaio continuará a publicar Tintim se assim o entender.

Hergé concorda, mas é notório que as suas preocupações imediatas são de outra ordem. A invasão da Bélgica pelas tropas de Hitler teve como consequência, no plano pessoal, o aprisionamento do seu irmão mais novo Paul Remi num campo de concentração alemão. Na resposta a Simões Müller, de 24 de Abril de 1941, pede-lhe para este enviar de vez em quando produtos alimentares não perecíveis (sardinhas de conserva, chocolate, biscoitos, etc.) ao irmão e, se possível, também para si próprio. O montante dispendido deveria ser descontado nos direitos de autor a pagar.

"Foi um nobre gesto da parte de Hergé", comenta Jan Boer. Mas os pacotes de alimentos nunca chegaram ao irmão. No final do período O Papagaio, quando o acerto de contas foi feito, constata-se que todas as encomendas foram enviadas para o próprio Hergé. Por outras palavras, a história dos envios para o irmão tem que ser um pouco rectificada."

Última batalha

O braço de ferro entre Varzim e Müller pelos direitos de Tintim conhece novos desenvolvimentos no início de 1943. A 25 de Janeiro, Hergé recebe uma carta muito contundente de Varzim, defendendo com unhas e dentes a sua publicação: "O nosso jornal - como pode constatar - é para a elite das famílias portuguesas. O Diabrete não passa de um jornal para as classes menos bem, pois para poder viver vende-se a metade do preço do nosso, não tendo mesmo tentado colocar-se ao nível do Papagaio."

As posições radicalizam-se, mas Hergé procura não desagradar a nenhum dos contendores. "É curioso ver como ele tenta encontrar uma solução que satisfaça as duas partes e manter-se amigo de ambos. Mas quando os dois querem os direitos de Tintim, isso é difícil", diz Boer. De facto, só com o desaparecimento de O Papagaio é que Tintim será finalmente publicado no Diabrete, a partir de 1949.

Simões Müller continua a cultivar a sua relação com o artista belga, que se traduz na publicação quase ininterrupta das histórias de Tintim. A última prancha de As Sete Bolas de Cristal é publicada a 29 de Dezembro de 1951 naquela revista e a 5 de Janeiro do ano seguinte é apresentada a primeira prancha de O Templo do Sol no Cavaleiro Andante.

Na efémera revista Foguetão (13 números, em 1961), é a vez de Tintim no Tibete, que depois transitará para o Cavaleiro Andante. E quando a revista Zorro surge nas bancas (1962-1966), os leitores poderão ler as primeiras sequências de As Jóias de Castafiore.

É a última vez que Müller está associado à publicação da série franco-belga. A edição portuguesa da revista Tintim, lançada em 1968, já terá outros protagonistas.

De passagem, Müller trava a sua última batalha pelos direitos de Tintim e perde-a. Numa carta enviada a Hergé em Março de 1960, Müller pede a "intervenção" de Hergé para evitar que "outro editor português faça uma edição que eu me proponho fazer há muito tempo e sobre a qual julgo ter um indiscutível direito de prioridade".

A resposta de Hergé chega em 22 de Março: Casterman, o editor belga, reconhece em Müller um "amigo da primeira hora", mas "a lógica dita que seja utilizada a edição brasileira igualmente em Portugal". Assim será até 1988, quando Tintim passa a ser editado pela Verbo.
Carlos Pessoa

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

Toalha de mesa da Pastelaria Tintin em Lisboa


Livro de Tintin rende 35.000 euros

"Objetivo lua" está assinado por Neil Armstrong e pelos restantes austronautas que estavam no Apolo XI e foi o mais caro num leilão em Paris. 

Buzz Aldrin e Michael Collins também autografaram o exemplar, tal como o autor, Hergé. O valor estimado do livro rondava os 10 mil ou 12 mil euros, mas acabou por ser comprado por 35 225 euros. No leilão organizado pela Piasa estiveram ainda outras obras de Hergé, sendo que todo o material rendeu 274 250 euros. Porém, o livro "Objetivo lua" foi o que arrecadou mais dinheiro, com a maioria das outras obras a não chegar aos 10 mil euros, ainda que um outro livro tenha chegado aos 21 mil.

In Diário de Notícias

domingo, 28 de outubro de 2012

Yves Rodier no blog BDBD

O blog de banda desenhada (BDBD) publicou um post intitulado «O 'herdeiro' de Hergé: Yves Rodier», onde traça uma pequena biografia daquele artista canadiano, famoso em desenhar novas aventuras não oficiais de Tintin.

sábado, 4 de agosto de 2012

Artigo no Expresso sobre o Oliveira da Figueira

A coluna habitual de Pedro, «Fraco Consolo», no suplemento Atual do Expresso de 4 de Agosto de 2012 intitula-se «Oliveira da Figueira». Ao longo do artigo, Mexia vai retratando este português das aventuras de Tintin, assim como pulula sobre outras personagens, tentando realçar a sua importância no universo do herói de Hergé.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Exposição em Alcanena

Até 30 de Junho está patente na Biblioteca Municipal de Alcanena uma exposição dedicada a Hergé e a Tintin.

domingo, 3 de junho de 2012

Desenho de “Tintin na América” vendido por 1,3 milhões de euros


O original de um desenho de Hergé da aventura “Tintin na América” foi vendido em Paris, neste sábado, por um preço recorde de 1.338.509 euros, mais de 500 mil euros acima do preço a que tinha sido vendido em 2008. 
A ilustração do artista belga, de 32 centímetros quadrados, pintado a tinta-da-china e a guache, mostra o jovem repórter vestido de cowboy, acompanhado pelo cão, Milou, com um grupo de nativos a aproximar-se de si durante uma emboscada.
Tal como o anterior dono da obra, a identidade do comprador é desconhecida, informou a Artcurial, a empresa que intermediou a venda.
A primeira edição de “Tintin na América” foi publicada em 1932 no Petit Vingtième, o suplemento infantil do jornal belga Le Vingtième Siècle. Dois anos mais tarde, seguiu-se a publicação pelas edições OgéO e, em 1935, pela editora franco-belga Casterman.
Só existem cinco exemplares de pinturas em guache a cor das aventuras de Tintin. Dois pertencem a colecções privadas, uma das quais a que foi agora vendida. As outras são da Fundação Moulinsart (Bélgica).
É a terceira vez que a Artcurial, que classificou a obra como “mítica”, organiza uma sessão inteiramente consagrada a Hergé – neste sábado foram vendidas outras obras, entre as quais uma colecção de cerca de 80 álbuns da aventura “Tintin no país dos sovietes” e “Tintin no Congo”.
Antes da venda de 2008 do mesmo exemplar, o recorde anterior para uma banda desenhada era de um desenho de Enki Bilal, comprado por 177.000 euros em Março de 2007.

In Público

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tintin em Portugal - Novo sítio

Há dez anos que mantenho o site Tintinófilo - Tintin em Portugal, que se encontrava hospedado em www. tintinofilo.info. Por razões técnicas e económicas, esse site encontra-se agora em www.tintinofilo.weebly.com, onde poderemos encontrar um portfolio de publicações e objectos relacionados com o Tintin em português. Dê lá um salto!
Este blog mantém-se para lhes dar  notícias sobre Tintin e Hergé em Portugal.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

OS HERÓIS QUE HERGÉ CRIOU POR ENCOMENDA – Eurico de Barros no Q.I. do DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Em 1936, a revista católica 'Coeurs Vaillants' pediu ao 'pai' de Tintin uma série para-as crianças e as famílias da classe média belga. E assim nasceu 'Jo, Zette et Jocko', que Hergé abandonaria apos três aventuras, divididas por cinco álbuns. Uma edição integral da Casterman junta-os.

No início da década de 60, Hergé pediu ao seu colaborador e distinto autor de banda desenhada Bob de Moor que transformasse o argumento de Tintin, et le Thermozéro, uma aventura de Tintin que abandonara e que tinha a assinatura de Michel Greg (1), numa história da série Jo, Zette e Jocko, que se chamaria simplesmente Le Thermozéro. Hergé tinha vontade de retomar a série, cujo último álbum, La Vallée des Cobras, tinha saído em 1957, mas o projeto acabou por ser posto de parte porque Bob de Moor (2) teve de ajudar o criador de Tintin, a modernizar o álbum A Ilha Negra, e Hergé nunca mais voltou a pegar em Jo, Zette e Jocko.

Os cinco álbuns da série, que correspondem na realidade a três aventuras, já que as duas primeiras histórias foram remontadas, coloridas e divididas em quatro álbuns por razões editoriais, foram finalmente reunidos num só volume pela Casterman, intitulado Les Aventures de Jo, Zette et Jocko, e que inclui Le Testament de M. Pump e Destination NewYork (sob o titulo geral Le StratonefH 22), Le "Manitoba" ne Répond Plus e L’Eruption du Karamako (sob o titulo geral Le Rayon du Mystère) e La Vallée des Cobras (esta chamou-se originalmente, nos anos 30, Jo et Zette au Pays du Maharadjah e a sua publicação ficou incompleta na altura). A esta edição falta, no entanto, o aparato histórico e crítico, bem como o material de arquivo que habitualmente encontramos nas "integrais" dos heróis da banda desenhada franco-belga, o que a empobrece aos olhos do leitor e do colecionador.

Ao contrário de Tintin, e de Popol e Virginie e Quick et Flupke, a série Jo, Zette e Jocko foi a única criada por Hergé que resultou de um pedido. Em 1936, os diretores da revista católica para jovens Coeurs Vaillants solicitaram a Hergé que pensasse na criação de uma aventura cujos protagonistas não vivessem, como Tintin, num vácuo familiar, biográfico e profissional, e com os quais as famílias e as crianças da classe média belga se pudessem identificar. Hergé recordou a Numa Sadoul (3), no seu livro de entrevistas Tintin et Moi, a génese de Jo, Zette e Jocko: "A direção da revista [Coeurs Vaillants] disse-me mais ou menos isto: 'Sabe, o seu Tintin não está nada mal, não senhor. Gostamos todos muito dele. Mas não ganha a vida, não vai a escola, não tem pais, não come, não dorme... Não é muito lógico. Não podia criar uma personagem cujo pai trabalhe, que tenha uma mãe, uma irmã, um animalzinho de estimação?".

Nessa altura, Hergé estava a fazer um trabalho publicitário para uma firma de brinquedos e tinha vários em casa para se inspirar. Entre eles estava um chimpanzé de peluche chamado Jocko. E foi a partir dele que o autor criou a família Legrand, composta pelo pai, engenheiro de profissão, pela mãe, dona de casa, pelos irmãos Jo e Zette, de 11e dez anos, respetivamente (vestem-se sempre da mesma maneira, a exemplo de Tintin e das outras personagens da sua "família"), e pelo chimpanzé Jocko, que fala consigo mesmo, tal como Milou, mas não com os humanos. Jo e Zette tiveram como antecedentes um duo de irmãos, Antoine e Antoinette, que Hergé criou para serem os heróis de seis pranchas publicitárias da marca de chocolates belgas Antoine, que não foram assinadas pelo autor nem datadas. Curiosamente, esta aventura publicitária levava como titulo... A Bola de Cristal. Antoine e Antoinette tinham também animais de estimação, um cão, Plouf (no qual se reconhecem traços de Milou), e um papagaio chamado Dropsy.

Segundo conta Benoît Peeters (4) no seu monumental Le Monde d'Herge, "apesar de toda a sua boa vontade, Hergé nunca se sentiu muito confortável com esta série, por causa da multiplicidade de constrangimentos que lhe eram impostas e da artificialidade da construção do conjunto". Hergé explicou assim a situação a Numa Sadoul, no livro citado: "Foi preciso antes de mais arranjar uma profissão ao pai, uma profissão que o fizesse viajar: muito bem, engenheiro servia bem. Mas, além disso, o papá e a mamã passavam a maior parte do tempo a soluçar e a interrogar-se sobre a sorte dos seus queridos filhos que desapareciam em todas as direções. Era então preciso fazer viajar toda a família: era uma maçada! Decidi então desistir... Tintin, pelo menos, é livre! Feliz Tintin! Recorda-me a frase de Jules Renard (5): 'Nem toda a gente tem a sorte de ser órfão'.

Mesmo assim, Hergé ainda desenhou cinco aventuras de Jo, Zette e Jocko entre 1936 e 1954, sendo que a versão para álbum da última, La Vallée des Cobras, foi em grande parte da responsabilidade de Jacques Martin, o criador de Alix, com uma ajudinha de Bob de Moor. Apesar de ter sido criada para a Coeurs Vaillants, a série passou depois para o suplemento juvenil Le Petit Vingtième, do diário Le Vingtième Siécle, a "casa" de Tintin, sendo mais tarde também publicada nas páginas do Tintin belga. Mesmo tendo em conta o enquadramento convencional em que surgiram, Jo, Zette e Jocko apresentam varias características interessantes, e as suas aventuras são uma combinação de elementos, personagens e situações feitas clássicas das histórias juvenis de banda desenhada da sua época, e do génio criativo de Hergé e das estruturas narrativas que ele privilegiava, e que se harmonizam de forma bem mais feliz do que alegam alguns dos que menosprezam esta série como sendo menor na obra do "pai" de Tintin.

 'Les Aventures de Jo, Zette et Jocko' de Hergé Casterman, 272 págs. TSBN-978-2-203-01611-8 23,75 euros, na amazon.fr

Notas:
(1) Michel Greg (193l-1999) foi um dos maiores argumentistas e autores da banda desenhada franco-belga, chefe de redação da revista Tintin e criador de personagens como Achille Talon. 
(2) Colaborador muito próximo de Herge, Bob de Moor (1925-1992) era o pseudónimo do desenhador Robert Frans Marie de Moor, que terminou o álbum inacabado de E. P. Jacobs Mortimer contra Mortimer, da série Blake e Mortimer. 
(3) Numa Sadoul (n. 1947) é o autor de vários livros de entrevistas com grandes autores de banda desenhada, caso de Hergé, Uderzo ou Franquin, bem como de obras sobre Gotlib e Moebius. 
(4) Romancista, crítico e argumentista de banda desenhada, Benoît Peeters (n.1956) é o especialista na obra de Hergé, a que já dedicou vários livros. 
(5) Jules Renard (1864-1910) foi um escritor e dramaturgo francês, cofundador da revista literária Mercure de France.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Tintin no Alentejo Popular

Luiz Beira, conhecido crítico e dinamizador da banda desenhada, possui uma rubrica semanal no «Alentejo Popular», intitulada «Através da banda desenhada».
Luiz Beira também é conhecido por ter entrevistado Hergé para a extinta revista Plateia. Apreciador da obra do criador de Tintin, por vezes, publica algumas notícias relacionadas com o universo hergeniano. Assim, podemos ler os seguintes artigos na secção do jornal alentejano:

Episódio em cinema de animação das Aventuras de Quim e Filipe em versão portuguesa



Pastiche de Nuno Duarte


O episódio O Amok do Capitão Hadock foi publicado no fanzine Efeméride (#4 de janeiro de 2009).

Tintin no Alentejo Popular de 21.10.2010 por Luiz Beira

Se bem que mestre Hergé nunca tenha chegado a visitar Portugal, ele nutria uma grande simpatia pelo nosso país, onde até tinha vários amigos pessoais.
Nas aventuras de Tintin, há alguns personagens de «nacionalidade portuguesa», o que é uma gentileza de Hergé. Destes, o mais famoso e popular é o «senhor Oliveira da Figueira».
É um gorduchito muito afável, que terá nascido em Lisboa e não na Figueira (da Foz?!...) e com um talento espectacular para vender tudo e mais alguma coisa... No entanto, sendo português, parece que não canta o fado. Reside, teoricamente, num fictício país árabe, o Khemed. Bom conversador e quase tagarela, é prestável, generoso, extremamente amável e está sempre pronto a ajudar.
Aparece pela primeira vez na aventura «Les Cigares du Pharaon» (Os Charutos do Faraó). Aqui, do encontro um tanto burlesco com Tintin, nasce uma amizade entre ambos. Depois, reaparece em «Tintin au Pays de l’Or Noir» (Tintin no País do Oiro Negro), onde salva o jovem repórter mascarando-o e fazendo-o passar pelo «sobrinho Álvaro», acabado de chegar de Portugal para passar umas férias com ele. A terceira e última intervenção de Oliveira da Figueira acontece em «Coke en Stock» (Carvão no Porão).
No entanto, Hergé não o arrumou para o «sótão». Em «Les Bijoux de la Castafiore» (As Jóias da Castafiore), Oliveira da Figueira é um dos primeiros a felicitar o comandante Haddock pelo seu anunciado casamento com a tão exibicionista soprano Bianca Castafiore.
Mas este «português hergeano» figura ainda em algumas ilustrações soltas (mormente em cartões de Natal) e num belo e grande mural com todo o «mundo de Hergé».
Aplausos, pois, ao seu criador e a este seu personagem!

Tintin no Alentejo Popular de 07.04.2011 por Luiz Beira



Quando se fala do artista belga Georges Rémi (22 de Maio de 1907-3 de Março de 1983), ou seja, o grande mestre Hergé, «todo o mundo» estremece. A maioria esmagadora, porque o admira em pleno e... alguns «cor de burro quando foge» que, invejosos e plenos de veneno, o deturpam. É esta a sina dos eternos génios!
Certo é que Hergé não era um deus. Era um ser humano. Com virtudes, defeitos, climas de venetas... Tivemos a honra de o entrevistar ao vivo em 1966, em Bruxelas, para a nossa extinta revista «Platei». Ficou-nos desde então, uma enternecedora simpatia pelo modo tão afável como nos recebeu. Alguns anos mais tarde, agora já por correspondência (desde 1966, sempre trocávamos cartões de Boas Festas), houve uma segunda entrevista, que veio a ser publicada em «O Mosquito» (5.ª série).
Hergé é, sobretudo, o seu «herói» Tintin. Ele próprio se identificava como sendo este jovem herói, embora muitos digam que ele se parodiava no pândego Comandante Haddock...
Se bem que tenha afirmado «Tintin, C’est Moi» (Tintin Sou Eu), Hergé foi também, Totor, Quick e Flupke, Jo-Zette-Jocko, etc.. De qualquer modo, é Tintin que o carimba.
Pois muito e muito se tem escrito sobre tamanho mestre da Banda Desenhada. E muito se virá ainda a escrever... Hergé é um verdadeiro «messias» da Banda Desenhada, pois há o antes dele e o depois dele.
E quando nós, os hergeófilos em consciência, pensávamos  que já tudo tinha sido esclarecido (pois há tanta obra afim...), eis que deparámos com uma obra inquietante e pertinente: «La Vie Secrète d’Hergé», por Olivier Reibel, sob edição Dervy. É um volume respeitável, estudo ou ensaio, de 400 e tal páginas.
Terrível! Ponto por ponto, o autor revela-nos em obra admiravelmente exaustiva a personalidade e a obra de Hergé, muito especialmente sobre o herói Tintin. É a reviravolta necessária na consciência dos admiradores do autor e herói em questão! Não é um ataque a Hergé. É apenas o desvendar da personalidade e obra tintinesca deste autor da Banda Desenhada.
E é aqui que as coisas se baralham: tudo isso (a série «Tintin») foi «meramente» criado... ou, sibilinamente, nessa série, existe um brioso código?
O autor do volume «aproxima» Hergé dos Templários, dos Rosa-Cruz, da franco-maçonaria, da Teosofia, das ciências ocultas, etc.. E demarca-o sempre num aspecto: Hergé jamais foi simpatizante a ideias ou regimes totalitários, fossem de esquerda ou de direita, fossem monárquicos ou republicanos.
Esta obra sobre Hergé é, sem dúvida, de obrigatória leitura e análise. Tomara que as edições Asa/Leya tenham a consciência e a coragem de a editar em português, tal como as edições Verbo tiveram  a consciência e a coragem de editar «Hergé, Filho de Tintin», de Benoît Peeters. São duas obras complementares e bastante desmistificadoras.
E no que nos toca, a nós, portugueses: neste volume, das páginas 345 a 349, há um capítulo bem «curioso», com o título: «Oliveira da Figueira et Fernando Pessoa». Ah, pois!... Muito importante lê-lo! Com um curto erro: Reibel indica que «Oliveira», em português, significa o fruto (e não a árvore), quando este, em português, é azeitona (ou oliva, vamos lá...). De resto, é muito interessante esse «jogo» de Oliveira da Figueira-Tintin-Fernando Pessoa... Leiam!

Os «Tintin» incompletos/desconhecidos

Um breve registo para os que ainda não sabiam: o álbum derradeiro com Tintin, que Hergé elaborava, foi «Tintin e o Alph-‑Art», que acabou, mesmo assim, por ser publicado em diversos países, incluindo o nosso. Mas houve ideias e esboços sobre as «aventuras de Tintin», que Hergé «abandonou» (ou adiou?), das quais indicamos o devido registo: «Un Jour d’Hiver Dans un Aeroport», «Le Mystère du Diamant Bleu» (houve depois, uma versão teatral) e «Tintin et le Thermozèro». Por sua vez, «Tintin et Milou Chez les Toréadors», de Jean Roquette (1947), é uma novela com os personagens da série. E, esquecendo «O Lago dos Tubarões» (expresso para Cinema de Animação) e as duas longas metragens com Jean-Pierre Talbolt, há a registar as versões teatrais: «Le Temple du Solei» (versão opereta com um elenco francófono e outro flamengo, na Bélgica) e, em 2002, na Suíça, o tão aplaudido espectáculo adaptado de «Les Bijoux de la Castafiore». e Isolda») e «Charles Brandon» (2007-2010, «Os Tudor»).

Tintin no Alentejo Popular de 22.03.2012 por Luiz Beira


Um álbum (in)acabado
Coragens e alucinações por Tintin
 
As edições Asa «terminaram» as reedições em português das
aventuras de Tintin. A primeira edição foi efectuada pela extinta
Verbo. Anuncia-se como a última aventura de Tintin, embora
salvaguardando que é o álbum inacabado por Hergé. Até aqui,
tudo bem. A Asa seguiu o que a francófona Casterman fez e
acordou, mas tendo sempre na sombra as devidas imposições da
ávida Fondation-Studio Hergé, ou seja, por Fanny Remi (segunda
esposa e viúva de Hergé) recasada com o astuto Nick Rodwell,
que é muito «rastapopouleano»...
A  edição do álbum «incompleto» terá sido aconselhada a Fanny
Rodwell por Benoît Peeters (!!!). Cuidado: a senhora Fanny e o
oportunista do seu actual cônjuge são detentores totais dos
direitos da obra de Hergé, já que os sobrinhos deste há muito se
haviam afastado (parece que nem se falavam) do convívio com o
famoso tio. Por aqui, começamos a topar a engrenagem de toda
uma confusão mal escondida de interesses comerciais, vaidosos e
prepotentes.
Parece que Hergé, já bastante doente, teria sugerido que o seu
amigo e mais estreito colaborador, Bob de Moor, deveria terminar
o álbum «Tintin et l’Alph-Art»... O crítico Numa Sadoul isso deixa
transparecer e Bob de Moor sabia desse desejo de Hergé. Mas
Fanny e Nick recusaram tal hipótese, enquanto o falecido dava
uma cambalhota na tumba!...
 Ora acontece que este álbum não está inacabado. Não, não
está!... Não foi finalizado por Hergé, mas por um atrevido
admirador de Hergé. E é como absoluto admirador de Hergé e da
saga tintinesca, que surge a acção (a louvar sem reservas) do
jovem quebequense Yves Rodier, que, baseado em tudo quanto
Hergé deixou sobre «Tintin et l’Alph-Art», completou e editou no
seu Canadá o álbum em questão, garantindo que era a sua
melhor homenagem a Hergé. Claro que Fanny e Nick
escabujaram. Rodier, com este seu «cartão de visita», abalou-se
ousadamente até à Bélgica. Só lhe valeu o ter conhecido (e
recebido apoios morais) de ex-colaboradores de Hergé. Destes,
Bob de Moor pôs-se mesmo como seu aliado. Ambos foram aos
Estúdios Hergé para uma oficialização da obra. E pode-se dizer
que «levaram com a porta nas ventas»! Que importa agora aos
bedéfilos, especialmente aos tintinófilos, as alucinações de Fanny
e Nick?... Zero!
No entanto, «Tintin e a Alph-Art», não está inacabado. A versão
completa (62 páginas) existe, «clandestinamente» e a preço
quase proibitivo. Sobre Yves Rodier, escreveremos em breve.
Acrescentamos, num apelo directo à Asa, em nome dos bedéfilos
e em especial da extensa legião dos tintinófilos portugueses:
– Uma vez que «Tintin et l’Alp-Art», em edição portuguesa, não é
nem pode ser o fecho da série, há outros três que são
fundamentais. Editou-se  a cara e luxuosa obra  referente ao filme
do senhor Spielberg (que bem admiramos, mas que traiu a obra
de Hergé, «O Segredo do Licorne...»), mas faltam:
– «Tintin e o Lago dos Tubarões», adaptado do filme homónimo
em Cinema de Animação e que a saudosa Verbo editou em
português;
– «Tintin e o Mistério do Tosão de Oiro» e «Tintin e as Laranjas
Azuis» (com Jean-Pierre Talbot no protagonista), à semelhança do
recente «O Segredo do Licorne», com texto e fotos, foram
editados pela Casterman e traduzidos, menos em Portugal (!!!)...
Pois, já que a Asa é atenta e aposta no Tintin, que não seja agora
frouxa e, sem nunca baixar os braços, tenha o firme e constante
denodo de lutar com insistência e sensibilidade, para que estes
três álbuns sejam editados em português. Todos os nossos
tintinófilos (que não são nada poucos) agradecem. E nós próprios,
também!

terça-feira, 27 de março de 2012

Tintin na revista EMPIRE

A revista de cinema EMPIRE do mês de Abril dedica duas páginas ao lançamento em Portugal do Blu-ray d' «O Segredo do Licorne», fazendo a anatomia da cena «Caos em Bagghar», detalhando como foi feita a cena mais empolgante do filme de Spielberg.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Concurso Tintin

A PRIS AUDIOVISUAIS  lançaram um concurso no site www.tintin.passatempopris.com para todos aqueles que adquirirem um DVD ou BLU-RAY do último filme do Tintin. O prémio consiste numa viagem a Bruxelas com estadia e entradas no Museu Hergé. Este concurso tem o apoio da TAP e das VIAGENS ABREU.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O foguetão de Tintin no Canal Q

O Canal Q, canal humorístico de televisão exclusivo da MEO, festejou o seu 2º aniversário.  Assim, e por ocasião da passagem sobre o seu segundo aniversário, o Canal Q revela “que parte à conquista de Março”, sendo que nessa senda “tem muitas missões para cumprir". Apesar de azul, o foguetão da publicidade faz-nos lembrar o foguetão do Tintin.

O DVD «O segredo do Licorne» no jornal Público

O jornal «Público» na sua edição de hoje colocou à venda, em primeira mão, o DVD do filme de Spielberg, «As aventuras de Tintin - O segredo do Licorne» pelo preço de 18,90 €.
Esta edição, além do filme, contém mais de 50 minutos de material de bónus, a saber:

  • A aventura até Tintin
  • O mundo de Tintin
  • Quem é quem de Tintin
  • Milu: do início ao fim
  • Tintin: a banda sonora
Para os amantes de Tintin e para quem goste de bom cinema de animação, eis uma edição a não perder.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Tintin em DVD e Blu-Ray

Já está disponível em pré-lançamento nas lojas portuguesas virtuais da FNAC e da WOOK (a data de venda está prevista para 22 de março) o último filme do Tintin, «O segredo do Licorne», realização de Steven Spielberg, em versão DVD e Blu-ray. Em qualquer das versões, o tintinófilo pode optar por um pack em que se junta um digibook. Os preços variam entre 19,99 € e 29,99 €.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Tintin em liberdade

O professor universitário e antigo ministro, Rui Pereira, publicou no jornal «Correio de Manhã» de ontem um artigo de opinião sobre o acórdão do tribunal de Bruxelas referente ao episódio «Tintin no Congo».


O cidadão congolês Bienvenu Mbutu Mondondo dedica-se, desde 2007, a uma empresa singular: conseguir que o álbum ‘Tintim no Congo’, de Hergé, seja ilegalizado. Assim, intentou num tribunal belga uma acção em que acusa a banda desenhada de racismo, por, nas palavras do seu advogado, "fazer a apologia da colonização e defender a supremacia da raça branca sobre a raça negra". Felizmente, o bom senso prevaleceu, e o tribunal julgou improcedente o pedido, frisando que é necessário ter em conta o contexto histórico da publicação e a intenção do autor.


Acompanho, desde os meus seis anos, as aventuras do célebre repórter e viajante, que constituem uma das pérolas da banda desenhada, e, em particular, da escola franco-belga. ‘Tintim no Congo’ não é, garantidamente, o melhor Hergé, perdendo na comparação com álbuns como ‘O lótus azul, ‘A orelha quebrada’, ‘O segredo do Licorne’ ou ‘O Templo do Sol’. Porém, a pretensão de ilegalizar um livro ingénuo, que difunde o estereótipo rousseauniano do ‘bom selvagem’, é, para além de ridícula, algo assustadora, pelo seu cunho intolerante e censório.


É bem conhecida a tentação ‘revisionista’ de condicionar não apenas a arte futura mas também a arte do passado, podando-a dos aspectos ‘incorrectos’. Morris foi obrigado a substituir o cigarro de Lucky Luke por uma palha ao canto da boca, em nome do antitabagismo, e não me espantaria que, por obra de efeitos especiais, Humphrey Bogart aparecesse um dia destes a cortejar Ingrid Bergman de chupa-chupa na mão. Com a legitimidade de quem abandonou quatro maços de tabaco diários há mais de dez anos, dispenso uma tal ‘actualização’ artística.


Perante todas estas investidas contra a liberdade de expressão e de criação artística, devemos recordar uma lição importante. A luta contra o racismo e a xenofobia envolve medidas políticas de natureza variada, que não se confinam ao plano penal e mesmo jurídico em geral. Porém, só o incitamento intencional à discriminação pode legitimar restrições à liberdade ou a criação de crimes. É esse o sentido da Decisão-quadro de 28 de Novembro de 2008 do Conselho da União Europeia e também do artigo 240º do Código Penal, na versão dada pela reforma de 1998.


http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/rui-pereira/tintim-em-liberdade

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tribunal belga decidiu que Hergé não era racista e “Tintin no Congo” continuará nas livrarias

Acusar Hergé de racismo sem ter em conta o contexto histórico em que foi publicada a aventura “Tintin no Congo” é absurdo. Foi este, em substância, o entendimento da justiça belga na acção colocada por Bienvenu Mbutu Mondondo, um cidadão da República Democrática do Congo a residir na Bélgica que pedia a retirada do mercado daquela banda desenhada.O tribunal considerou que a pretensão do queixoso só podia ser aceite se fosse feita prova de que aquela obra de Hergé tinha “uma intenção discriminatória”. “Tendo em conta o contexto da época, Hergé não podia estar animado de uma tal vontade”, considera a sentença. 

O advogado da Casterman (editor franco-belga de Tintin) e da Moulinsart (detentora dos direitos da obra do artista belga) saudou a sentença dos juízes. “É uma decisão sã e plena de bom senso, segundo a qual é necessário olhar para uma obra no seu contexto e compará-la com as informações e ‘clichés’ da sua época”, afirmou Alain Berenboom. “É a época da ‘revista negra’ de Josephine Baker e da exposição colonial de Paris. Hergé está sintonizado com o seu tempo, não há racismo, mas um paternalismo amável.”

Desde 2007 que Mbutu Mondondo está empenhado em conseguir que a aventura “Tintin no Congo” seja proibida ou, pelo menos, seja incluído um texto introdutório que explique o contexto cultural da época em que foi publicada, nos anos 30 do século passado. É isto o que acontece no Reino Unido desde 1991, com o álbum a ser arrumado nas livrarias nas secções para adultos e não na área infanto-juvenil.

A acusação defende que Hergé apresentou o homem negro como “preguiçoso, dócil ou idiota” e, para cúmulo, “incapaz de se exprimir num francês correcto”. Segundo Ahmed L’Hedim, advogado de Mondondo, “é uma banda desenhada racista, que faz a apologia da colonização e da superioridade da raça branca sobre a raça negra”. “Ponham-se no lugar de uma menina negra de sete anos que descobre ‘Tintin no Congo’ com os seus colegas de classe.” Esta campanha contra a segunda aventura de Tintin – e também a que tem um enredo mais controverso, quando lida à luz do nosso tempo – tem merecido regularmente destaque nos média, onde detractores e defensores de Hergé esgrimem argumentos. No passado mês de Novembro, Valery de Theux de Meylandt, procurador do rei belga, tornou pública a sua posição sobre o assunto, considerando que aquela aventura não tinha nada de racista. Para o advogado de Mondondo, pelo contrário, é “claro que os estereótipos que figuram neste livro lido por um número considerável de crianças, têm consequências no seu comportamento actual”. E concluí: “O racismo encontra o seu ponto de apoio neste género de estereótipos”.

Imagem caricatural faz rir... os negros

Em Outubro de 2010, o então ministro congolês da Cultura defendeu a perspectiva veiculada por Hergé nesta aventura: “Quando o livro foi escrito, os congoleses não sabiam de facto falar francês. Na época descrita na obra era efectivamente preciso usar o bastão para pôr os congoleses a trabalhar ou mais simplesmente para os impelir ao trabalho.” Daniel Couveur, jornalista do diário belga “Le Soir”, é autor de um livro sobre o tema (“Tintin au Congo de Papa”) no qual propõe a introdução nos álbuns de uma advertência sobre as circunstâncias e contexto que a tornaram possível aquela aventura, sublinhando ao mesmo tempo o seu valor pedagógico. Cita o que foi publicado em 1969 pela revista “Zaire”: “Há uma coisa que os brancos que suspenderam a circulação de ‘Tintin no Congo’ não compreenderam (...) Se certas imagens caricaturais do povo congolês (...) provocam um sorriso dos brancos, elas fazem rir abertamente os locais, porque os congoleses encontram aí matéria para fazer pouco do homem branco ‘que os via daquela maneira’!” Quem não encontrou motivo para rir em todo este processo foi o Conselho Representativo das Associações Negras em França. Louis-Georges Tin, o seu presidente, diz que a questão central é a de saber se “Tintin no Congo” difunde ou não uma mensagem racista ainda hoje, o que é dificilmente contestável”: “A partir deste julgamento, qualquer um pode afirmar que não é racista, anti-semita, sexista ou homofóbico escudando-se atrás do ‘contexto de época’”. Os advogados de defesa contra-argumentam: “Sim, a liberdade de expressão pode ser limitada e o racismo pode ser um fundamento dessa medida, mas nesse caso é preciso poder explicar por que se torna necessário proibir esta publicação para bem da nossa sociedade. Ora, nada disso ficou demonstrado.”

Carlos Pessoa in Público

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

Tintin no suplemento Atual do Expresso

Um leitor deste blog, sempre atento aos pormenores tintinófilos, descobriu na capa do suplemento Atual do semanário Expresso de 10 de dezembro de 2011 uma «pastiche» da personagem Tintin. Os nossos agradecimentos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Exposição de Banda Desenhada sobre Tintin no IPJ de Viseu

Está patente no IPJ de Viseu, até ao dia 31 de Janeiro, uma exposição de Banda Desenhada denominada “AS AVENTURAS DE TINTIN”, uma produção do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu).