segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Tintim assinala entrada do euro

Para assinalar o fim do franco belga e o nascimento do euro, os correios da Bélgica vão emitir dois selos, ainda com o valor facial nas duas moedas, com um dos mais marcantes personagens do imaginário infantil (e não só): Tintim, "o repórter que nunca escreveu uma linha". Os selos e o correspondente bloco, que serão postos à venda precisamente hoje, celebram igualmente um outro aniversário: os 70 anos da edição do álbum "Tintim au Congo" e, por isso, reproduzem pormenores da primeira capa e da capa actual do álbum que, em Portugal, foi editado pela primeira vez em 1939, na revista "O Papagaio", com o título "Tim-Tim em Angola". Sendo um dos mais contestados da carreira de Hergé, devido a uma pretensa visão racista e colonialista do autor, na época ainda muito influenciado pelo conservador director do jornal "Le Petit Vingtiéme", onde Tintim viveu as suas primeiras aventuras, tal como "os primeiros argumentos e cenários criados por Hergé, pelo seu carácter simplista, rudimentar, senão mesmo caricatural, deve ser lido como uma obra da juventude", como refere Rita P. Ramos num longo e interessante estudo sobre o álbum publicado no nº 1 da III série da revista "Quadrado".

Uma amizade duradoura .
Segundo os correios belgas, "esta emissão pretende ser também uma modesta mas muito atraente contribuição para a amizade duradoura que une a Bélgica à República Democrática do Congo", pelo que estes dois selos do correio serão igualmente emitidos neste último país..
Esta não é, no entanto, a primeira vez que a célebre criação de Hergé é alvo de tal homenagem. A primeira aparição de Tintim em selos (conjuntamente com Milou e o Capitão Haddock), aconteceu em 1979, já na Bélgica, naquele que seria o primeiro selo da série "Philatélie de la Jeunesse," dedicada aos heróis dos quadradinhos daquele país, série essa que se tornaria anual a partir de 1986, e por onde já passaram, entre outros, Spirou, Lucky Luke, Blake e Mortimer, Boule e Bill, Gaston Lagaffe, Cubitus, Ric Hochet ou Luc Orient..
Vinte anos depois, 1999 podia quase ser classificado como o "ano Tintim" no que respeita à filatelia. De novo na Bélgica, numa folha intitulada "Volta ao século XX em selos", encontramos de Tintim, agora como o manipulador de uma marioneta que é nada mais nada menos do que... Hergé, o seu autor. No mesmo país, o bloco de nove selos comemorativo dos dez anos do Centre Belge de Bande Dessinée reproduzia criações de oito autores belgas já falecidos e uma fotografia com a réplica do foguetão em que Tintim foi à Lua. A viagem espacial de Tintim foi também o tema escolhido pela Holanda para um bloco com dois selos e, ainda no mesmo ano, em Angola, a emissão não oficial "Countdown to the Millenium" assinalava o ano de 1929 com um fotograma do desenho animado "Tintim e o Templo doSol"..
Também a França homenageou Tintim, no ano 2000, na segunda edição da sua "Fête du timbre", através da emissão de um selo, um bloco e uma folha miniatura. Esta "festa" anual tivera início um ano antes, com Astérix, e prosseguiu em 2001 com Gaston Lagaffe, estando previsto um selo dedicado a Boule e Bill para Março de 2002. Como curiosidade, refira-se que o selo com Tintim foi o de maior sucesso, pois vendeu 15 milhões de exemplares contra "apenas" 9,6 milhões do selo Astérix..

© 2001 Jornal de Notícias; Pedro Cleto

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Na sombra de Tintim

"Não faz ideia de quanto eu odeio Tintim...", confessou certo dia Hergé a Jacques Martin, autor de Alix e um dos seus mais próximos colaboradores. Mais ou menos na mesma altura, em meados dos anos 60, quando trabalhava na BD "Voo 714 para Sydney", Michael Turner, tradutor inglês das aventuras do jovem repórter, ouviu o artista desabafar: "Já não gosto de Tintim. De facto, nem o posso ver".
O contraste entre a fragilidade de Hergé e a força positiva de Tintim não podia ser mais gritante. Para quem foi habituado, através de aventuras sucessivas, a ver naquele herói da banda desenhada europeia um modelo de qualidades imutáveis, estes momentos de fraqueza pessoal são estranhos e, porventura, insuportáveis. Dizer que Tintim foi uma espécie de "alter-ego" superlativo e mesmo transcendente do desenhador - exprimindo, para todos os efeitos, o melhor do artista belga, mas sem estar sujeito às mesmas leis humanas que regeram a sua existência -, pouco ajuda a esclarecer este enigma fundamental: quem era Hergé e o que procurava ele exprimir através do seu herói?
Possivelmente, nenhum outro autor da BD mundial foi alvo de tantos estudos e análises académicas, ou de trabalhos jornalísticos. A reconstituição, ao longo dos anos, da história de vida do desenhador e argumentista belga parece não deixar espaço para zonas de sombra ou tempos de incerteza: sabe-se tudo sobre Hergé e nada se ignora sobre Tintim. E, contudo, continuam a surgir, com regularidade, livros centradas na obra e na vida do mestre belga. Um deles é este "As Aventuras de Hergé", com o qual o seu editor português decidiu assinalar, simultaneamente, os 20 anos da morte do autor (Março de 1983) e os 75 anos do aparecimento de Tintim, a celebrar no final de Janeiro do próximo ano.
O que singulariza este trabalho em relação aos demais é ser ele próprio uma banda desenhada, cujo protagonista, como o título sugere, é o próprio Hergé e não o seu personagem. Por outras palavras, os autores propuseram-se - e conseguiram-no plenamente, diga-se desde já - revisitar a vida do criador de Tintim numa sequência de quadros que traçam, de forma subjectiva e afectiva, o essencial do percurso do homem e do artista.
Vê-se claramente que Stanislas, Boucquet e Fromental estão afectiva e intelectualmente próximos de Hergé, que há uma aceitação e um esforço de demonstração da tremenda humanidade do artista, com as suas mais elevadas qualidades e mais densas fraquezas. Para quem pouco ou nada conhece do homem, esta é uma boa iniciação; para os outros, a leitura do livro permite estabelecer algumas cumplicidades em torno das diversas aventuras de Tintim, aqui e ali citadas ou apenas sugeridas. Para todos, esta excelente edição pode constituir um "aperitivo" à fruição dos álbuns que o PÚBLICO está a oferecer aos seus leitores.

As Aventuras de Hergé AUTORES Stanislas (desenho), Boucquet e Fromental (texto)
EDITOR Mais BD 64 págs., € 16,95

© 2003 Público; Carlos Pessoa

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Uma agitada aventura colonial

Depois da viagem de Tintim ao país dos sovietes, o sonho de Hergé é levar o seu herói até à América. Profundamente apaixonado pela cultura índia, seus costumes e mitos, começa de imediato a trabalhar nesse projecto. O padre Wallez, director do "Le Petit Vingtième" e mentor espiritual do desenhador, é que não está pelos ajustes: se há algum lugar onde levar Tintim é o Congo, na altura uma colónia belga, juntando o útil ao agradável - espalhar o espírito missionário e evangelizador, incrementando as vocações coloniais. Assim acontece e o resultado é "Tintim no Congo", hoje distribuído com o PÚBLICO.
Ao contrário da história anterior ("Tintim no País dos Sovietes", que é também a primeira da série), Tintim é acolhido em África como um herói internacional e uma figura quase lendária. Aliás, a glória precede-o nessa saga africana, pois os representantes da grande imprensa internacional - curiosamente, Hergé inclui também o deferente delegado do "Diário de Lisboa"... - disputam entre si o privilégio de publicar em exclusivo as reportagens do herói. Mas este permanecerá fiel ao "Vingtième", onde esta BD será publicada entre 5 de Junho de 1930 e 11 de Junho do ano seguinte.
De um modo geral, o traço de Hergé apresenta-se mais firme, mas sem perda de espontaneidade. Quanto ao desenho dos animais, é o próprio autor a confessar que pediu "ajuda" às gravuras de Benjamin Rabier. Perante uma multidão de "pretos" preguiçosos, estúpidos e infantis que se exprimem em mau francês, Tintim louva os méritos e grandezas da mãe-pátria. Milu também não está pelos ajustes: ele aceitou ir a África para caçar grandes feras, no que é imitado pelo seu dono, que não tem o menor problema em matar animais a torto e a direito, eliminando até um rinoceronte com dinamite... No entanto, o herói não chega a ter adversários locais verdadeiramente maus, pois os negros desta história são demasiado pueris para serem perigosos.
Tal como acontecera a propósito de "Tintim no País dos Sovietes", o padre Wallez decide organizar uma recepção ao herói quando este regressa a Bruxelas. Uma multidão impressionante acolhe um Tintim de carne e osso e um Milu pedido de empréstimo ao dono de um café da cidade, que quase é esmagado no boulevard du Jardin Botanique por centenas de miúdos que lhe querem dar torrões de açúcar...
A publicação de "Tintim no Congo" não levanta qualquer polémica na época, de tal modo a história está conforme ao espírito da mentalidade europeia daquele tempo - por outras palavras, ter territórios ultramarinos é atributo dos grandes países e sinónimo de poder no concerto das nações. Só mais tarde, quando a questão colonial entra na agenda política, é que a aventura africana de Tintim passará pelo crivo da análise político-ideológica.
Esta BD valerá a Hergé acusações de colonialismo e racismo, das quais este se defende invocando a mentalidade reinante na sociedade belga dos anos 30 do século XX. É verdade, mas não o é menos, nesta fase inicial da sua obra, a colagem do artista aos valores culturais e ideológicos dominantes. E não deixa de ser curioso que, ao realizar a reformulação gráfica e de diálogos desta história, em 1946, o artista belga a deixe praticamente intacta em termos narrativos.
Hergé nunca escondeu o seu desamor por "Tintim no Congo". No entanto, querelas ideológicas e filosóficas à parte, permanece como um excelente documento sobre a imagem estereotipada que os europeus tinham do continente africano.

O que disse Hergé sobre "Tintim no Congo"
 Hergé; Numa Sadoul

NUMA SADOUL:Foi dito e redito que era racista. Este é um bom momento para pôr as coisas a claro: que tem a dizer em sua defesa? Que responde quando o acusam de ser "racista"?
HERGÉ: - Respondo que todas as opiniões são livres, incluindo a de pretender que eu sou racista... Enfim, seja!... Há "Tintim no Congo", admito-o. Isso passou-se em 1930. Do país eu só conhecia aquilo que as pessoas diziam na altura: "Os negros são crianças grandes... Felizmente para eles, nós estamos lá!, etc..." E eu desenhei os africanos de acordo com esses critérios, no mais puro espírito paternalista que era o daquela época, na Bélgica. Mais tarde, pelo contrário, em "Carvão no Porão" - e isso, apesar de se falar na história em "pretoguês" - parece-me que Tintim dá provas sobejas do seu anti-racismo, não?... (...) Em "Tintim no Congo", tal como em "Tintim no País dos Sovietes", o que se verifica é que eu me alimentava com os preconceitos do meio burguês em que vivia. De facto, estas duas histórias foram pecados de juventude. Não é que eu os renegue. Mas, enfim, se tivesse que refazer as histórias, fá-las-ia de outra forma, isso é certo. Seja como for, todos os pecados têm redenção!...
Passemos então directamente a "Tintim no Congo".
- "Tintim no Congo"... Por que é que eu fiz "Tintim no Congo", e como é que o fiz?... Na realidade, depois do seu regresso da Rússia eu preferia ter enviado Tintim directamente para a América. Mas o padre Wallez persuadiu-me a começar pelo Congo: "É a nossa maravilhosa colónia, que tem tanta necessidade de nós, e além disso é necessário despertar vocações coloniais" e patati e patatá! Nada disso me inspirava muito, mas eu rendi-me a esses argumentos e pronto, lá fomos em força para o Congo! Como disse, fiz esta história na perspectiva da época, ou seja, de acordo com um espírito tipicamente paternalista... que era, posso afirmá-lo, o de toda a Bélgica. Passemos sem mais demora ao próximo álbum.
("Entretiens avec Hergé", de Numa Sadoul, Éditions Casterman).
© 2003 Público; Carlos Pessoa

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Sócrates no país dos Sovietes

Socrates-no-pais-dos-sovietes.jpgCarlos Sêco, um tintinófilo português Amis de Hergé, já nos habituou a belos cartoons onde aparecem os heróis de Hergé. Aproveitando a ida do primeiro-ministro português à Rússia, Carlos Sêco evoca essa viagem fazendo uma «pastiche» da capa Tintin no País dos Sovietes.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Heróis da Banda Desenhada: Tintim

Quem apostaria que um personagem graficamente tão “datado”, que partia de comboio, em 1929, de Bruxelas para Moscovo numa cruzada anti-comunista sem precedentes, viria a transformar-se no herói imorredouro dos nossos dias? Naqueles primeiros tempos, Tintim é de uma linearidade absoluta, de um esquematismo gráfico e mesmo narrativo nos quais é difícil reconhecer o herói “moderno” de histórias posteriores...
Como personagem, é um repórter, nascido para correr mundo e viver as aventuras que o imortalizaram. Talvez por isso mesmo, nunca é surpreendido a escrever um artigo — quando muito, há os registos impressos das suas vivências em jornais —, mas quem se importa com isso se as suas histórias exprimem de forma tão eloquente esse desejo absoluto de justiça e humanidade que impregna cada quadradinho e cada prancha?
Por detrás de cada acto de criação está, muitas vezes, uma explicação singela. Visto à distância de mais de 70 anos, e de acordo com a confissão do próprio autor numa carta enviada a um admirador, em Novembro de 19996, o acto fundador de Tintim é de um despojamento tocante: “A ‘ideia’ da personagem Tintim e do tipo de aventuras que ele ia viver ocorreu-me, creio, em cinco minutos, no momento de esboçar pela primeira vez a silhueta desse herói: isso quer dizer que ele não tinha habitado os meus verdes anos, nem mesmo em sonhos”. Mas Hergé tem o cuidado de acrescentar mais qualquer coisa: “É possível que eu me tenha imaginado, em criança, na pele de uma espécie de Tintim: nisso, mas apenas nisso, haveria uma cristalização de um sonho, sonho que é um pouco o de todas as crianças e não pertença em exclusivo do futuro Hergé”.
Depois, há as razões sociais e culturais da época que viu surgir o jovem repórter. O padre Norbert Wallez, director do jornal belga “Vingtième”, encomenda ao seu jovem colaborador — Hergé tem então 22 anos e manifesta uma admiração pelo eclesiástico que nunca sofreu a menor quebra — uma história que metesse um adolescente e um cão. A ideia era “passar” valores católicos para os leitores, que se pretendia educar no culto da virtude e do espírito missionário. O envio do jovem repórter à Rússia soviética, um reino satânico onde impera a pobreza, a fome, o terror e a repressão, era uma solução que se adequava às mil maravilhas ao desejo do padre conservador.
Antes de Tintim, Hergé dera vida às aventuras de Totor, um escuteiro chefe de patrulha de quem o jovem repórter foi imaginado como um “irmão” mais pequeno. O autor veste-o com um fato de golfe apenas porque era uma indumentária que ele próprio gostava de utilizar com frequência. O resto é a expressão natural de uma desejo de diferenciação de todas as demais personagens conhecidas. Assim surge o topete, que se tornou numa imagem de marca para todo o sempre.
A seu lado encontramos desde a primeira hora Milou, um cão inteligente que é um companheiro e um cúmplice de todas as aventuras. Não é inteiramente animal, pois Hergé confere-lhe o dom da palavra e algumas das características que habitualmente se podem encontrar nos humanos: realismo, coragem e preocupação com o seu conforto, mas também instinto batalhador... e muita gulodice.
O êxito desta primeira aventura fará com que Tintim vá ao Congo, numa homenagem de recorte inconfundivelmente colonialista à acção da Bélgica no seu antigo território africano. E, logo a seguir, à América, onde Hergé desejara levar o seu repórter num contraponto crítico à incursão soviética, mas frustrado pela vontade do padre Wallez.
Virão, ainda, mais 20 histórias, através das quais a personagem ganha espessura, é rodeada de uma notável galeria de personagens “secundárias” (Haddock, Tournesol, irmãos Dupond(t), Castafiore, etc.. etc.), ganha o sortilégio da cor e um traço cada vez mais moderno e maturado.
Poderá sempre dizer-se que tudo o que Tintim é já estava contido naquela primeira e primordial aventura. Sim, é verdade que os balões e outros signos da moderna BD europeia nascem um pouco ali. Mas também é certo que as narrativas ganham uma solidez e uma segurança que ainda mal se vislumbrava naquela história.
Lendo “Tintim no País dos Sovietes”, descobre-se também, com surpresa, que o herói não nutre uma atitude muito compassiva perante o género humano, é mesmo cruel e implacável. Mas com o passar dos anos essa atitude conhece uma subtil metamorfose, dando lugar a um herói mais positivo e fraterno, disponível para defender e ajudar os fracos e oprimidos. Quem disse que os heróis de papel não crescem e amadurecem?
http://www.tintin.be
http://www.tintin.org
http://www.multimania.com/herge/frame.htm
http://perso.worldonline.fr/Tintin http://guillaume.belloncle.online.fr/Tintin/index.html

Nome: Tintim
Criador: Hergé
Data de nascimento: 10-01-1929
Local: “Le Petit Vingtième”, Bélgica
Época: século XX
Série: banda desenhada de aventuras e um dos grandes clássicos do género, que influenciou de forma muito vincada uma parte significativa da criação europeia contemporânea de BD
Sinais particulares: Tintim é um jovem repórter, sempre vestido com calças de golfe e ostentando um inconfundível topete no alto da cabeça. É dono de um fiel e inteligente cão “fox-terrier”, chamado Milou, e tem como companheiro inseparável, a partir de 1940, Haddock, um capitão de marinha colérico, beberrão e temperamental.

© 2000 Público/Carlos Pessoa

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Tintin em exposição

exposicao.gifFoi inaugurada no passado dia 26 de Maio na galeria WORK&SHOP, "Tintim por Tintim", a primeira exposição pública da experimentação com colagens digitais iniciada em 2004 por Isabel Brison e João Santos.
O universo do Tintim pertence a um imaginário colectivo - internacionalmente extenso - que evoluiu desde 1930 apurando e insistindo na caracterizaçãodas suas personagens: desde o próprio Tintim, intrépido, ao Capitão Haddock, auto-acidentado; do distraído Professor Girassol aos deslocados irmãos Dupondt.
Em "Tintim por Tintim" geram-se compostos, relações e hierarquias de corpos em diversos cenários da série. Quebrando a linearidade da narrativa simples da Banda Desenhada original, mas usando esse lugar comum, estas obras deslumbram a justaposição e simultaneidade, recriando compostos imagéticos e relembrando questões ontológicas.
Dos oito aos oitenta, esta exposição apresenta novas aventuras em tudo diferentes das que acompanharam várias gerações.
A exposição termina a 21 de Junho e a galeria fica na Rua das Pedras Negras, 17, Lisboa.

http://www.worknshop.com/pags/i00.html

quinta-feira, 7 de junho de 2007

TBD273f15.jpgA Tertúlia BD, como o próprio nome indica, é um grupo de apaixonados pela banda desenhada, que há 22 anos, sob a égide do bedéfilo Geraldes Lino, se reúnem para compartilharem a sua paixão em jantares de confraternização. Paralelamente, é editado um pequeno boletim «Folha Volante» que é distribuídos aos tertulianos presentes. A capa da «Folha Volante» nº 180 de Junho de 2007 é dedicada ao Tintin, contendo um artigo de Luís Silvestre publicado na revista Sábado de 3 de Maio e uma pastiche de Pedro Massano editada na revista .

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Tintin na feira da Matemática

Feira-210.jpgNo passado dia 1 de Junho no Museu da Ciência da Universidade de Lisboa teve lugar uma Feira da Matemática com uma exposição tintinófila intitulada à cata das gralhas na álgebra de Tintin que consistia em descobrir erros matemáticos nas aventuras de Tintin.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Tintin e a Matemática




No passado dia 2 de Junho no Museu da Ciência da Universidade de Lisboa o professor Nuno Crato deu uma palestra subordinada ao tema «Tintin e a Álgebra da Aventura » Hergé, o genial criador das aventuras de Tintim e Milou, nasceu há 100 anos.

Nos álbuns do audacioso repórter percorrem-se muitas descobertas do século XX. Frequentemente, Tintim mostra-nos princípios físicos, matemáticos e biológicos da vida moderna. Mas Tintim nem sempre acerta. Por vezes engana-se nas contas, desenha os relógios de sol ao contrário, aponta mal os telescópios, confunde as cores do arco-íris ou faz erros elementares de mecânica física. esta palestra vamos mostrar como as aventuras de Tintim acompanharam a evolução da ciência do século XX e vamos lançar alguns desafios para se descobrir onde Tintim se enganou nas contas. Falamos para todas as idades, tal como Tintim: dos 7 aos 77.

 http://clube.spm.pt/static.php?orgId=220

terça-feira, 22 de maio de 2007

Jonas o Reguila fala com Hergé


































Carlos Sêco, um Amis de Hergé português da Lousã, excelente desenhador de BD, criador para o jornal Trevim da Lousã do herói Jonas o Reguila comemorou o centenário de Hergé com uma BD de sua autoria. Aproveitamos para os convidar a vsitarem o seu blog em http://www.jonasoreguila.blogspot.com/

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Tintin na TSF

tsf.jpgComo aqui já foi referido, a TSF vai assinalar o centenario do nascimento de Hergé com uma peça biografica para os noticiarios que irá passar amanhã nas noticias das 7h, 8h, 9h e 10h (alternadamente) e também uma peça que divulga o Núcleo Portugues dos Amigos de Hergé, que irá passar em horário a definir também entre as 7h e as 10h. Para Sábado, no magazine "A semana passada", entre as 12h e as 13h, irá passar uma peça mais composta com a conversa com os Amis de Hergé Portugueses, com cerca de 6 minutos.

domingo, 20 de maio de 2007

Marcelo Rebelo de Sousa e Tintin

Hoje na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa dedicou parte do seu programa «As Escolhas de Marcelo» ao centenário deHergé. Com a presença do foguetão lunar, Marcelo falou de Hergé, Adolfo Simões Muller, das edições de «O Papagaio», mostrou uma biografia do criador de Tintin e falou das suas inclinações políticas. Apesar de ter caído em pequenos erros («Tim Tim em Angola» não foi criado por Hergé propositadamente para Portugal, tendo sido uma reconversão à realidade portuguesa feita por Simões Muller), foi importante que Marcelo Rebelo de Sousa tenha recordado a importância de Hergé na história da cultura mundial.

sábado, 19 de maio de 2007

Tintin em Portugal - Editorial Verbo e o Festival de BD da Amadora fazem exposição para assinalar o centenário de Hergé

A Editorial Verbo e o Festival de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) querem assinalar o centenário do nascimento do criador de Tintim com uma exposição em parceria com a Fundação Hergé.

fibda0.jpg

Fonte da organização do Festival de BD da Amadora disse à agência Lusa que a edição deste ano do FIBDA recordará o trabalho artístico de Hergé e as aventuras de Tintim, numa exposição que contará com o apoio da Editorial Verbo.
A Verbo, que edita a obra de Hergé desde 1988, está em negociações com a Fundação Hergé para trazer a Portugal a exposição.
Para 2009 a chancela planeia apresentar em Portugal a exposição retrospectiva que o Centro Georges Pompidou, em Paris, acolheu entre Dezembro e Fevereiro.
No âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Hergé, que se assinala na terça-feira, a editora portuguesa vai ainda lançar a edição fac-similada do álbum «O lótus azul», um livro jogo do Tintim e um calendário-agenda para 2009.
De acordo com dados estatísticos da Verbo, as séries de Tintim, Quim e Filipe e Joana, João e o Macaco Simão, já venderam em Portugal cerca de um milhão de exemplares.
O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, que este ano atinge a maioridade, com a 18/a edição, decorrerá de 19 de Outubro a 04 de Novembro.

in Portugal Diário

Tintin na rádio

tsf.jpgNo próximo dia 26 de Maio, entre as 12 e as 13 horas, será transmitido pela TSF no magazine de informação «A Semana Passada», uma reportagem dedicada ao centenário de Hergé. Este programa radiofónico terá a colaboração dos Amis de Hergé portugueses João Paiva Boléo, Francisco Sousa e António Monteiro. A não perder!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Arqueologias

Na última quadra natalícia dos anos 90 (enquanto esperávamos as primeiras novidades da década dos zeros) muito dinheiro foi gasto, como é hábito, em prendas que, mais do que reflectirem o real gosto dos consumidores, tinham uma qualidade simbólica. Só assim se justifica que um dos livros mais vendidos tenha sido “Tintim no país dos Sovietes”, o álbum com o qual Hergé iniciou a fabulosa carreira do seu repórter de poupa que nunca escreveu uma linha. Entendamo-nos. “Tintim no país dos Sovietes” é uma obra importante, a edição pela Verbo é um acontecimento a realçar, e o óbvio sucesso comercial do álbum só pode ser aplaudido. Mas é preciso não confundir esta obra inicial de Hergé com o seu trabalho posterior, pelo qual se tornou conhecido. Na verdade, “Tintim no país dos Sovietes” é uma mera curiosidade arqueológica que, tomada isoladamente, não ultrapassa uma confrangedora mediocridade. E ninguém estava mais consciente disto mesmo do que o próprio Hergé. O autor, não só nunca coloriu e refez esta obra (como aconteceu com as outras aventuras iniciais de “Tintim”), como durante muito tempo nem sequer permitiu a sua republicação. Aliás, o facto de a obra só ter estado disponível a partir de 1973, e depois, em 1981, numa excelente edição fac-similada, terá sem dúvida contribuído para a dimensão quase mítica que “Tintim no país dos Sovietes” alcançou.
Mas, apesar de tudo, é bom não esquecer que foi esta obra que abriu as portas a todas as restantes. E que na sua génese esteve, curiosamente, uma tentativa de usar a banda desenhada como um veículo de propaganda política, um modo eficaz de levar uma mensagem ao público mais jovem. No final dos anos 20 Hergé trabalhava no jornal conservador belga “XXème Siécle”. E “Tintim no país dos Sovietes” foi criado em 1929 para “Le Petit Vingtième, o suplemento infantil do jornal, por sugestão/encomenda do seu director, o abade Wallez. O objectivo era sobremaneira óbvio: denunciar a Revolução Bolchevista de um modo claro e directo, mas ao, mesmo tempo, apelativo.
Escrito sem um argumento prévio propriamente dito, “Tintim no país dos Sovietes” surge assim como um conjunto algo desgarrado de “gags” e aventuras onde vibra um anticomunismo primário. E que não conta sequer com o rigor documental que o autor revelaria posteriormente. Ou seja: falta quase tudo daquilo que caracterizaria (até à obsessão, em muitos casos) a elaborada construção de cada álbum de “Tintim”. É verdade que Hergé vai começar a tactear aqui a linguagem da BD, de que se tornaria um dos maiores expoentes. É também certo que a personagem evolui ao longo da obra. Mas, no seu todo, este é um álbum, não só fossilizado, como narrativa e artisticamente medíocre. O seu valor, certo e inquestionável, é arqueológico. Ler “Tintim no país dos Sovietes” como qualquer outro álbum de “Tintim” é pois, não só um erro, como injusto.
Após o primarismo (político e narrativo) desta primeira obra, Hergé ainda necessitaria de algum tempo para tornar mais equilibradas as suas visões do mundo. Porque a “Tintim no país dos Sovietes” se seguiriam o colonialismo paternalista de “Tintim no Congo”, ou o anti-americanismo de “Tintim na América”. E também não é verdade que “Tintim” se tenha deixado de comentários político-sociais depois disso, como a leitura atenta de qualquer das suas aventuras poderá confirmar. Mas, mais importante ainda, ao longo da sua brilhante carreira “Tintim” conseguiria o feito raro de cruzar uma mensagem humanista com o gosto pela descoberta e pela aventura, sem esquecer o humor. Criando uma das referências fundamentais do século. Por isso mesmo o seu início titubeante é apenas isso mesmo. Sendo uma das edições de banda desenhada mais importantes de 1999, será bom não nos esquecermos de contextualizar “Tintim no país dos Sovietes”. Até para não lhe pedirmos mais do que aquilo que pode dar.

“Tintim no país dos Sovietes”. Texto e desenhos de Hergé. Verbo. 140 pp. 2100$00.
 © 2000 Jornal de Letras/João Ramalho Santos

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Tintin na Lousã

De 3 a 31 de Maio, a Biblioteca Municipal da Lousã é palco de uma exposição dedicada ao Tintim e ao seu criador Hergé. "Tintim na Lousã - um convite de Oliveira da Figueira nos 100 anos do nascimento de Hergé" é o título desta mostra que, para além de livros de banda desenhada do Tintim e de outras personagens criadas pelo belga Hergé, apresenta objectos ligados ao célebre repórter. As peças apresentadas pertencem a Carlos Sêco, um tintinófilo nascido em França, mas já radicado em Portugal desde 1983. Sendo Oliveira da Figueira a única personagem portuguesa presente nalgumas aventuras do Tintim, Carlos Sêco lembrou-se de ser ele a convidar todos os apreciadores do mais conhecido herói da banda desenhada europeia a virem à Lousã. O cartaz que se apresenta em anexo é da autoria de Carlos Sêco. Na exposição estão também patentes um cartoon de Carlos Sêco, em que o professor Girassol expulsa Plutão do sistema solar e um retrato feito a tinta da China, também assinado pelo tintinófilo da Lousã. A exposição, organizada pela Cooperativa Trevim e que conta com o apoio da Câmara Municipal da Lousã, pode ser visitada de 2.ª a 6.ª-feira, das 9 às 17:30 (lamentavelmente não está aberta ao público ao fim de semana).

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Tintin casou!

Um dos grandes segredos de Tintin, é se ele alguma vez teve uma aventura amorosa. Com a ajuda de um amigo tintinofilo descobri que finalmente o nosso herói tinha uma namorada. Tanto é que a cantora portuguesa Rita Guerra tem uma canção intitulada «Tintin casou». O álbum chama-se «Pormenores sem importância», datado de 1998, editado pela Poygram e é o primeiro desta artista portuguesa. Uma homenagem ao nosso Tintin!