terça-feira, 31 de março de 2020

Tantam e Mala


(A Mala - 1997)

1997

tinta da china e aguarela s/ papel

180 x 390 mm

. . .

tantam e mala (tintin e milou)

e as capas:

- a ilha negra

- a estrela misteriosa (com o cogumelo desconstruído)

Pedro Morais, Facebook

(Ventos Cruzados - 1989)


O velho hábito de refazer desenhos!

Nunca fico satisfeito com o resultado e acabo por tentar melhorar alguns dos desenhos que faço.

O primeiro desenho (Ventos Cruzados", 1989, "Histórias da Cidade Canyon") também tem outro título, "A estrela negra da ilha misteriosa", que remete para o que o inspirou, as capas dos livros "A Ilha Negra" e "A Estrela Misteriosa", das aventuras de Tintin.

"A Ilha Negra" ainda inspirou outro desenho, "O Olho Negro".

PM, Blog SDM, 13/04/2007



sábado, 28 de março de 2020

Gémeos falsos ou falsos gémeos?

De Pedro Brás Marques recebemos um email, referindo-se aos ‘comentários’ trocados no post “Gémeos”. Dado o interesse, transcrevemos as partes mais significativas:

“(…) Segundo os estudiosos da obra de Hergé, que já se contam às dezenas, os Dupont não são gémeos: não têm nome igual, nem são iguais. O nome já o sabem; quanto às diferenças, elas encontram-se no desenho do bigode, como adiante se explicará.

Foi o próprio Hergé quem assim estabeleceu o par de detectives, logo na sua primeira aparição, no álbum “Os Cigarros do Faraó”, em 1934, ainda no “Le Petit ‘Vingtiéme’”, com os nomes de X33 e X33bis. Repare-se no que diz Benoit Peeters, em “Le Monde D’Hergé” (Casterman, 1983, pag. 96), “Se ressemblant de manière hallucinante (quoique n’étant nullement parents), les deux représentants de la P.J. ne peuvent être distingués que par un seul trait : le style de leur moustache”. Mas, o mesmo autor, na biografia “Hergé-Fils de Tintin” (Flammarion, 2002, pag. 105) admite que o par de detectives possa ser visto como “un echo probable de son pére et de son oncle, les jumeaux inséparables”, mas continua a afirmar que não são gémeos.

No fantástico “Tintin chez Jules Verne” (LeFranq, 1998, pag 43 e ss.) onde se conclui que Hergé terá ido buscar inspiração (demasiada, até, basta ver…[aqui e aqui]) ao visionário romancista francês, escrevem J.P. Tomasi e M. Deligne, que “cês jumeux-lá ne le sont en fait pás du tout”. Para estes autores, Hergé ter-se-á baseado na dupla de detectives Craig e Fry, do livro, de J. Verne, ‘As Atribulações de um chinês na China’. Mas as semelhanças físicas são, claramente, as dos personagens Arminius e Sigimer, de “Cinq Cents Millions de la Bégum”, um com a barba arredondada e outra cortada em triângulo, como se pode ver nas páginas web indicadas.

No site oficial também pode ser encontrada explicação idêntica: “Leur ressemblance est extraordinaire: bien qu'ils ne soient ni jumeaux ni même frères, rien ne les distingue à première vue. Seule la forme de la moustache diffère. Comme l'expliquait Hergé, Dupond avec "d" a les moustaches droites, alors que Dupont avec "t" a les siennes un tantinet tire-bouchonnées”.

Assim, espero ter esclarecido as dúvidas aos Dupont(d).”

Pedro Brás Marques

Depois de lermos, e relermos, este texto, ficamos perfeitamente siderados. A partir deste momento, a nossa vida fraternal ficou irremediavelmente comprometida, como os leitores poderão ver pela imagem. 

Já não olhamos um para o outro como irmãos. Vidas desfeitas, foi o que Pedro Brás Marques conseguiu. Porventura, o melhor é convidá-lo para vir para ‘O Vilacondense’, uma vez que parece saber tanto da nossa “família”. Poderia ser, por exemplo… o Milu.

Dupond & Dupont

https://arquivo.pt/wayback/20050621223045/http://ovilacondense.blogspot.com/2003/10/gmeos-falsos-ou-falsos-gmeos.html

30/10/2003

Mas, contrariando essa habitual ideia, na minha opinião os Dupondt não são gémeos.
Vou reproduzir a argumentação que expus no meu fanzine Efeméride (nº4, Janeiro 2009) dedicado ao tema "Tintim no Século XXI", que foi a seguinte:

"(...) os aparentemente gémeos Dupond e Dupont nem sequer irmãos são. 

Como justificar a afirmativa? Porque as pessoas da mesma família têm apelidos iguais, tão simples quanto isso.

Nesse caso, qual a explicação para a incrível e rigorosa semelhança (excepto, claro, no bigode)?
Mera coincidência física, reforçada pelos fatos iguais - quiçá farda à paisana fornecida pela polícia belga, outra hipótese inédita - ou, em última análise, fruto da liberdade artística em prol do humor. (...)"

Geraldes Lino, Divulgando Banda Desenhada, 07/09/2015

Por isso estarão erradas outras teorias:

Dupond e Dupont, Dois Gémos Famosos

De repente, duas figuras iguaizinhas espreitam por uma porta e entram em cena. Estão vestidas a rigor, fato preto completo, bengala e chapéu de coco. São os famosos gémeos Dupond e Dupont. A primeira aparição nas aventuras de Tintim destes gémeos, que também copiaram entre si a profissão de detective, é precisamente no álbum "Os Charutos do Faraó", que começou a ser publicado em 1932.

Além de ambos serem desastrados, costumam manifestar o facto de serem uma cópia genética um do outro nas palavras. "Palavra de Dupond, ele não irá longe!" Ao que o outro retorquiu: "Direi mesmo mais: ele não irá longe, palavra de Dupont!"

Os gémeos sempre fascinaram os outros, nem que seja por questionarem a ideia de que cada ser humano é único. Eles também o são, mas também têm muitas semelhanças. Hergé não escapou a esse fascínio, mas quando criou Dupond e Dupont, o nascimento de gémeos ainda não era tão frequente como nos últimos 25 anos.

O aumento de gémeos está associado às técnicas de fertilidade. O primeiro bebé-proveta, a inglesa Louise Brown, nasceu em 1978. Em Julho, comemorou 25 anos e voltou, tal como quando nasceu, a encher páginas de jornais. Em Portugal, o primeiro bebé-proveta nasceu a 25 de Fevereiro de 1986. Chama-se Carlos Miguel Saleiro e é jogador de futebol, integrando a selecção nacional de sub-17.

Em geral, apenas um por cento dos nascimentos produz gémeos, mas a percentagem pode chegar aos 15 a 30 por cento na fertilização "in-vitro". Nestas técnicas, fertilizam-se vários ovócitos com espermatozóides e depois implantam-se no útero vários embriões ao mesmo tempo, para aumentar as taxas de sucesso. Só que podem vingar todos, ou pelo menos dois, e os pais acabam por ter gémeos nos braços.

Os seis gémeos que uma mulher da Madeira deu à luz, em 2002, na Maternidade Alfredo da Costa, não resultaram da transferência de embriões, mas de um tratamento hormonal, para estimulação ovárica, para em seguida fazer-se a colheita de ovócitos. O problema foi que a seguir a esse tratamento houve relações sexuais, apesar de terem sido proibidas pelos médicos. Foi a primeira vez que se registou em Portugal o nascimento de seis gémeos, mas nenhum sobreviveu.

Diz-se que estes gémeos, que também podem surgir naturalmente, sem a intervenção dos médicos, são fraternos, ou dizigóticos, pois resultam da fertilização de vários ovócitos por vários espermatozóides. Logo, não têm a mesma composição genética e podem ser de sexos diferentes.

Dupond e Dupont não pertencem a este tipo de gémeos. Como espelho um do outro, são gémeos idênticos ou monozigóticos: provêm de um único óvulo fertilizado, que depois se separa e dá origem a dois bebés geneticamente idênticos, do mesmo sexo. Por outras palavras, são clones. 

Teresa Firmino, Público. 14/11/2003