sábado, 20 de dezembro de 2008

As 10 BD do século XX (FIBDA 2007)

Tintin foi  considerada uma das dez personagens de BD do século XX.  O 18º Festival da BD da Amadora consagrou  uma excelente exposição  a cada um dos heróis que foram seleccionados como os melhores do século passado.

Publié le 31 octobre 2007 par Zetantan

BD: homenagem a Uderzo na Amadora

FIBDA recebe Tintim, Astérix, Little Nemo e Corto Maltese a partir de sexta-feira

As dez mais importantes bandas desenhadas do século XX, como Little Nemo, Tintim e Corto Maltese, vão estar expostas no 18º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), que começa sexta-feira, dia 19 de Outubro de 2007 e termina a 4 de Novembro, noticiou a Lusa.

Pelo segundo ano consecutivo, o FIBDA volta a estar sedeado no Fórum Luís Camões, na Brandoa, onde estará patente a maioria das exposições.

Entre elas destaca-se «As 10 BD do século XX», uma mostra que revelará uma dezena de obras de banda desenhada do século XX escolhidas por um grupo de especialistas portugueses e estrangeiros no âmbito de um inquérito realizado pela organização do FIBDA em 2004.

É uma exposição que acaba por traçar a história da banda desenhada do século XX, uma vez que começa com «Little Nemo», de Windsor McCay e datado do início do século, até ao recente «Maus», de Art Spiegelman, publicado entre anos 1970 e 1990.

Cronologicamente, pelo meio há ainda os famosos personagens Krazy Kat, Tintim, Batman, Spirit, Peanuts, Astérix, Blueberry e Corto Maltese.

Este ano, em que o FIBDA assinala a maioridade, haverá ainda uma homenagem a Albert Uderzo, um dos criadores de Astérix, que acaba de completar 80 anos.

O ilustrador francês Alain Corbel, a viver há uma década em Portugal, é o autor este ano em destaque no FIDBA, com uma exposição retrospectiva do seu trabalho, que incluirá originais de algumas das suas mais significativas obras.

Alain Corbel, que assina o cartaz do festival, estará no FIBDA para lançar ainda um novo trabalho, intitulado «Bestiário».

Os originais do livro «Salazar, agora na hora da sua morte», com desenho de Miguel Rocha e argumento de João Paulo Cotrim, que em 2006 arrebatou os principais prémios de BD do FIBDA, estarão expostos nesta edição do festival.

As novas tendências da banda desenhada mundial estarão numa mostra comissariada por Pedro Moura e que incluirá originais de Fábio Zimbres, Warren Craghead ou Frédéric Coché, que marcarão presente na Amadora.

Para maiores de 18 anos, o FIBDA 2007 contará com obras de Mattioli, Liberatore, Leone Frollo e Milo Manara, cuja presença está confirmada no festival para as concorridas sessões de autógrafos.

A exposição com as novidades editoriais portuguesas apresentará originais de Luís Louro, que lançara «O Corvo III», com argumento de Nuno Markl, ou de Rui Lacas, que irá lançar o livro «Obrigada, Patrão».

Além do Fórum Luís de Camões com um espaço com cerca de 3.500 metros quadrados onde ficará a maioria das exposições deste ano, o FIBDA estende-se à Galeria Municipal Artur Bual, com uma retrospectiva do autor brasileiro Ziraldo, considerado um dos maiores nomes da BD da América Latina, e que estará presente em Portugal.

IOL diário

IOL PortugalDiário

27 Outubro 2008

17-10-2007 - 13:56h


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Biblioteca Pública Municipal do Porto


A Biblioteca Pública Municipal do Porto tem patente ao público nas suas instalações, de 3 de Dezembro de 2007 a 31 de Janeiro de 2008, a Exposição HERGÉ, TINTIN & C.ª NA BANDA DESENHADA PORTUGUESA: A COLECÇÃO DE BD DA B.P.M.P.

A propósito do Centenário do Nascimento de Georges Prosper Remi, vulgo Hergé (1907-1983), que teve em Portugal a primeira publicação a cores das aventuras de Tintim, nas páginas do Papagaio (1936), a B.P.M.P., com base nas suas colecções documentais, apresenta uma exposição com as publicações periódicas que fazem parte da História da Banda Desenhada em Portugal, nas quais os seus heróis foram editados, juntamente com toda a sua obra editada em álbuns em Língua Portuguesa.

A Exposição poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 14:00 e as 17:30 horas. A realização de visitas guiadas poderá ser feita mediante marcação prévia (através do e-mail bpmp@cm-porto.pt ou do telefone 22 5193480 – Ext. 1417).

A entrada é livre.

HERGÉ, TINTIN & C.ª NA BANDA DESENHADA PORTUGUESA: A COLECÇÃO DE BD DA B.P.M.P (Biblioteca Pública Municipal do Porto)


A Biblioteca do Porto autorizou a captação de imagens e foi disponibilizada a reportagem no espaço www.misteriojuvenil.tv. O prazo da exposição foi prolongada até 29 de Fevereiro de 2008.

https://www.youtube.com/watch?v=r8NB9KmPjbY




terça-feira, 28 de outubro de 2008

Tempo de Janela


Tintim e o VIH/SIDA

Sim, porque não? Não é preciso sequer gostar do assunto ou conhecer as suas peripécias para os reconhecer, são ícones da nossa sociedade.

Quem é que nunca ouviu falar do Tintim? Ou da SIDA?

As semelhanças não ficam por ai, tal como a SIDA, também o Tintim pode ser observado e comentado sobre várias perspectivas. Politicas, sociais e claro, artísticas. Para analisarmos a obra de Hergé também temos de compreender o seu autor e com isso corremos o risco de nos afastarmos do que realmente interessa, o prazer de ler as historias do franzino Jornalista Belga.

Para quem gosta, o que interessa se nunca o vimos numa redacção de jornal ou que realmente só exerça essa função nas suas 3 primeiras aventuras? Ou que nem este número seria consensual entre os puristas da Obra? Qual é a relevância prática de quem desfruta de uma aventura de Tintim e Milu em tentar ligar as raras mas peculiares figuras femininas das histórias com a personalidade conturbada de Georges Remi, por exemplo? Apenas pelo prazer de as ler, para mim é perfeitamente perdoável certos preconceitos e cliches nas historias iniciais, reflexos da era em que foram criados, que o próprio Autor reconhecia e dos quais se tentou redimir no decurso da restante obra. Mas isso é para mim. Hergé foi preso várias vezes depois da II Guerra Mundial acusado de colaborar com o invasor Nazi. Hoje em dia continua a ser alvo de processos judiciais o tomo "Tintim no Congo/em África" acusado de racismo. A verdade é que realmente o artista trabalhou como tal para um jornal controlado pelo Ocupante e Tintim no Congo descreve os Africanos como o Mundo Ocidental os via nos anos 30 do sec XX, os bons selvagens, simples, honestos e atrasados. Agora podemos explorar-los à mesma, não podemos é caricaturá-los.

Para ironia desta historia toda de preconceitos, "Tintim no Pais dos Sovietes" era acusado pelos Comunistas e uma certa esquerda mais radical de ser um reles panfleto anti-Soviético. O livro foi impedido de ser traduzido e publicado em Portugal durante mais de 10 anos depois do 25 de Abril. Depois caiu o muro...

Era verdade, sempre foi, Hergé nunca conheceu a URSS e limitou-se a acreditar na propaganda anti-Comunista da época. A verdade, sabemos agora, era que a imaginação dele apenas beliscava a dura realidade de uma violentíssima ditadura.

Este é o exemplo de uma maneira de abordar "As Aventuras de Tintim e Milu" por Hergé. Distantes, clínicos, analisando factos e contradições, condenações e atenuantes.

Para quem aprecia o conhecimento dos factos para poder ter uma opinião própria é interessante, mas sempre irrelevante se já gostamos da historias criadas para os jovens dos 7 aos 77 anos.

Menor relevância tem para aqueles que apenas conhecem a personagem e nunca deram muita atenção ao assunto. Porque a Banda Desenhada não é, no geral, um assunto que lhes diga alguma coisa.

Este género de abordagem é essencial, é necessário que alguém a faça. Mas não vai atrair novos leitores ou influenciar muito os hábitos de leitura dos fans.

Para mim, que me encontro no grupo destes últimos, mas que antes disso sou completamente maluquinho por B.D., é até tanto ou mais interessante discutir as técnicas, os estilos, as influencias. Mas é o género de conversa aliciante para artistas de Banda Desenhada ou grandes admiradores da Arte. Mais uma vez, serve para criar ou fortalecer opiniões, dar sentido a afinidades, explicar mudanças mas não cria nada, só por si; para além, talvez, da vontade de saber mais...

E é completamente desinteressante para quem não tem nada a haver com o assunto.

...No entanto, deixo aqui as analogias subtis e pulo direitinho no assunto SIDA pela mão de Hergé.

Pelo seu estilo, neste caso. A Linha Clara.

Sem entrar em detalhes aborrecidos, o estilo é....bem, aquilo que se vê sem se reparar.

É a simplicidade do desenho em beneficio da narrativa. Um traço constante, bem delineado, cores fortes, proporções realistas.

E que me serve para realçar a falta que isso faz a nós todos, infectados ou não, sobre o VIH. Um discurso acessível a todos, sem um peso Académico insuportável mas com substancia suficiente para ser interessante.

Voltemos ao Tintim e ao facto de que se pode ser conhecido sem ser compreendido. Assim como o VIH/SIDA também o jovem herói pode ser objecto de varias interpretações, algumas muito distantes da realidade. E tal como no VIH, também com Tintim e Milu muitas vezes essas más interpretações não parecem ter origem clara ou um proposito definido. E tal como na doença em que tanto Seropositivos e Seronegativos, muitas vezes com as melhores intenções mas sem reflectirem muito sobre o assunto, continuam a acreditar e a reproduzir tantas falsas noções sobre a doença e TUDO o que lhe está relacionado, também Tintim sofre dos mesmos males pela mesma razão: Desconhecimento no sentido em que o pior cego é aquele que não quer ver.

Em Portugal, no caso do trabalho de Hergé, temos Milu, esse desconhecido.

Agora temos a internet, já não é possível.

Basta ir ao Portal oficial de Tintim (Tintin) e ler a biografia do cachorro.

Está em Francês, Inglês e Holandês.

É que durante toda a minha vida tropecei de vez em quando em alguém que afirmava:

- Milu é uma cadela!

É daquelas que não dá (dava) para dar troco ou sequer valer o esforço mesmo que se tenha revista e colecção de livros atrás de nós, como me chegou a acontecer.

Ou era porque a tradução era Brasileira, ou por isto ou por aquilo, mas sempre argumentos tão parvinhos e com aquela simplicidade de raciocínio tão infantil que nos sentimos uns monstros em o desmanchar, que nunca levei nenhuma dessas discussões a sério. Mas comecei a ficar curioso no porquê da lenda. E para não vos estar a aborrecer com transcrições variadas em várias linguas das aventuras de Tintim em que Milu é descrito como um cachorro, basta acreditar no pessoal da fundação Hergé:

O nome Milu é inspirado no diminuitivo de uma amiga do Autor, Malou.

Depois continuam a descreve-lo, a ele, cão.

É "il" para aqui, "il" para ali...

"Il", não "elle".

Ele, não ela.

Serve isto logo para desfazer um dos argumentos da teoria da cadela que diz que Milu é um nome feminino por isso tem de ser uma fêmea. Talvez, mas o cão chama-se, na verdade, Milou e não Milu, apesar de se ler da mesma forma. Será daqui a confusão? Um especialista (obviamente distraído) chegou a levantar a hipótese de a causa da lenda estar relacionada com o facto de se chamar "a milu" na primeira tradução e publicação de uma aventura de Tintim em Portugal, "O Templo do Sol", no Cavaleiro Andante de 1952. Ora eu sou o feliz proprietário de um exemplar desse tesouro que é o primeiro ano de publicação do Cavaleiro e posso assegurar:

Nessa altura, Tintim era Tim-Tim, o capitão Haddock, capitão Rosa, o professor Girassol era o Sr Pintadinho de Branco e Milu... é o Rom-Rom!

Sobra um ultimo argumento mas esse é ridículo: Milu não tem pilinha. Pois não, nem Jolly Jumper, um assumido garanhão, também companheiro inseparável de outro herói, o Lucky Luke. Nem nenhuma personagem da B.D. orientada para o publico juvenil tem pilinhas. Nem tem sexo, fazem amor, quanto muito. Porque juvenil não é infantil. (E B.D. para adultos também não é sinónimo de pornografia). E é mesmo falar do que não se sabe, se for essa a razão. E é não perceber que Milu é o companheiro de Tintim, não têm género. Não é cão nem cadela, é MILU, o Fox Terrier mais célebre do Mundo!

É perder tempo a discutir o sexo dos anjos, como é tanto o nosso hábito.

São os boatos e associação de factos que nada tem em comum a não ser o facto de quem os associa são indivíduos que não perdem tempo em os analisar...ou não sabem.

Assim, Tintim e SIDA, porque não, com mil raios e trovões?!?

Como falar de cor é sempre arriscado, utilizei o site oficial de Tintim e a wikipédia como apoio para escrever este texto. Precisava de saber escrever os nomes de forma correcta, os factos já eu (pensava que) conhecia e não me interessava a biografia para o caso. Georges Remi morreu já há uns anitos (1983) e tornou-se Imortal através da sua Obra. O resto...

Já ia no fim do meu texto quando reparo na ultima linha da página Portuguesa da wiki sobre Hergé:

2007 - Segundo uma notícia divulgada no jornal belga Le Soir, Hergé terá falecido após a contracção do vírus da sida.

...

Dou por mim a pensar:

- Mudou alguma coisa? Não teria escrito o texto se soubesse antes?

Tenho ainda 37 anos para pensar nisso...

Publicado por maria vital - Publicada por alex em Agosto 03, 2008

SIDA e as Suas Metáforas #4

http://sidadaniaportugal.blogspot.com/

(+92)

http://tintinofilo.over-blog.com/article-a-sida-misteriosa-45992838.html

sábado, 11 de outubro de 2008

Isabelices do Isabel(inho)

Avaliação anual da banda desenhada em Portugal de 2007 - Critica

Há um ano a Universidade portuguesa primou pela ausência no balanço sobre a crítica de banda desenhada. Em 2007 brilhou a estrela, solitária (?), de Ana Bravo e da sua tese de mestrado, com honras de publicação: “A invisibilidade do género feminino em Tintin, a conspiração do silêncio”. Não vou aqui discutir o mérito dos pressupostos teóricos, hipóteses de trabalho, investigação, elaboração e conclusões da dita tese, amplamente debatida pelos meus colegas metacríticos João Paulo Boléo, Pedro Moura (http://lerbd.blogspot.com/2007/09/invisibilidade-do-gnero-feminino-em.html#comments) e outros, certamente... O meu comentário será de ordem geral, por um lado, e muito particular (porque me afectou pessoalmente), por outro.

A crítica feminista (ou marxista, ou pós-colonial, ou pós-estruturalista, ou queer, ou outra coisa do género...) é-me simpática porque vejo demasiada miopia na análise dos conteúdos que as obras veiculam ou sugerem (se é que essa análise existe em Portugal para além do blog “Ler BD”, de Pedro Moura). Ao denunciarem estereótipos femininos na BD (na esteira de Edmond Baudoin, as maiúsculas caracterizam, aqui, a banda desenhada comercial) as feministas bem podem dizer: o rei vai nu. Mais, no caso de Ana Bravo nem se trata de um rei. Como bem viu Joël Kotek em “Les grands mythes de l’histoire de Belgique, de Flandre et de Wallonie”, a tintinologia (eu diria: a tintinofilia) é uma religião e Hergé é o seu profeta. Segundo o mesmo Kotek existem, na tintinologia (entendida como teologia): os textos sagrados (os livros de banda desenhada e demais papelada de Hergé); os sumo-sacerdotes, guardiões do templo e evangelistas (hergéologos, tintinólogos, tintinófilos, tintinólatras, tintinmaníacos, tintinopatas); uma congregação de fiéis (os demais fans de Tintin); cismas, heréticos, textos canónicos (estes últimos publicados pelas edições Moulinsart). Mark McKinney, o qual cita Kotek no último “International Journal of Comic Art”, acrescenta ainda: o sanctum sanctorum (onde se guardam as relíquias sagradas); um templo: o museu a construir em Louvain-la-Neuve, com inauguração marcada para o dia 22 de Maio de 2009. (McKinney acrescenta ainda outros pormenores como a universalidade dos textos sagrados e a anunciação da segunda vinda, encarnação em filme com realização das estrelas do box office, obviamente, Steven Spielberg e Peter Jackson.)

Só é pena que a crítica de banda desenhada feita por homens (a única que existe nos jornais portugueses) sofra de ataques constantes de nostalgia, infantilismo, hagiografismo, enciclopedismo, biografismo, gosto pelo midcult, e outras barbaridades do género... Estereótipos e personagens com a espessura psicológica da folha de papel em que foram desenhadas; formulas narrativas dignas de filmes de série B; etc... etc... são pormenores que não impedem a canonização na história oficial da banda desenhada (entenda-se: a história da inane BD infanto-juvenil do século XX; aí esteve a exposição “As 10 BDs do Séc. XX” (sic) no 18º Festival Internacional Banda Desenhada Amadora 2007 (sic) para, à excepção de “Maus”, de Art Spiegelman, provar o que digo). O que faz falta, portanto, realmente, e em conclusão, é uma crítica “machista”. Posto isto vamos ao “pormenor” que me afectou pessoalmente nesta história (e peço desde já desculpa por utilizar um meio público em “proveito” próprio): fui plagiado por Ana Bravo (nas pp. 40, 41). O que me parece irónico é que o subtítulo do livro em causa seja “a conspiração do silêncio” e que no título apareça a palavra “invisibilidade” porque a sensação que tive foi exactamente essa: a de ser invisível. Claro que eu sou apenas um crítico de banda desenhada... 

Uma arte menor para deleite dos menores de idade, como todos sabemos e no-lo diz o lugar-comum, ou/e dos adultos que têm um intelecto algo reduzido. Citar-me não podia ajudar a conseguir a classificação de Muito Bom, como, estou certo, Ana Bravo mereceu... e eu com ela. Dá muito mais status e capital intelectual citar Pierre Bourdieu ou Michael (sic, pag. 82) Foucault, claro.

Mas, infelizmente, Ana Bravo esteve longe de estar sozinha nesta menorização da crítica de banda desenhada durante o ano de 2007. Nos jornais, o panorama não foi melhor. (Escuso-me de comentar, em jeito de reportagem, como soe fazer-se, nestes balanços, o trabalho de divulgação que ainda vai existindo nos nossos pasquins.) Refiro-me, mais concretamente, à única razão que leva as chamadas “políticas editoriais” (entenda-se, fórmulas que explicitam o dilema: “vamos lá a ver como é que raio conseguimos vender mais papel?”) a incluírem a BD nos parcos suplementos culturais que ainda vão subsistindo (a banda desenhada como arte a sério está fora de questão porque quase não existe como negócio): a última adaptação hollywoodiana de um qualquer comic industrial, livro, ou argumento original da autoria de algum peso pesado do mainstream dos comics. Em 2007, miséria das misérias, tivemos as versões cinematográficas da mini série fascistóide “300”, do racista neocon Frank Miller, e da fantasia light “Stardust, O Mistério da Estrela Cadente”, livro do peso leve da literatura e da banda desenhada, Neil Gaiman.

À semelhança do que (não) fiz acima a propósito do livro de Ana Bravo abstenho-me, porque não é este o espaço indicado, de comentar o filme “300”, para além do óbvio: trata-se de uma peça de propaganda racista, homofóbica, e militarista, parte integrante da engrenagem hegemónica do poder económico imperial. Nem sequer falta a ridícula dicotomia infantilóide, belos/bons, feios/maus: os iranianos, perdão, os persas (parafraseando Rui Henrique Coimbra), são ninjas e orcs; o espartano traidor Efialtes é um indivíduo disforme; só Xerxes, Rodrigo Santoro, foge a esta lógica, mas é um fulano descomunal, provavelmente homossexual, que se encontra “desfigurado” por inúmeros piercings.

(...)

texto de Domingos Isabelinho

Bedeteca de Lisboa  


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Serafim Lampião dos Seguros

Amigo Vítor !

Eu sou o simpático e sempre disponível, o verdadeiro amigo, o Serafim Lampião dos Seguros.

Dizem que sou chato, maçador e inoportuno. Não é verdade! Sou o amigo sempre ao dispor!

Como ainda não dei a minha opinião sobre este triste caso do CAF... aproveito a ocasião e peço desculpa pelo incómodo.

Se me tivessem consultado o CAF não teria sido condenado naquele triste caso do jogador Paulo Ricardo, teriam um bom seguro e muito barato.

Também eu teria aconselhado os serviços de um bom amigo que é advogado, e muito bom, para vos orientar no longo processo e ir a Tribunal , atempadamente, para tratar do caso. Conselho de amigo pois não cobraria nada como comissão.

Essa da mudança do nome do Farminhão não lembraria ao diabo ! Só o Sr. A. M. e aos seus colegas ! Será que o notório e condenado burlão continua a dirigir o Clube, os Clubes, da choldra ? Ao ser detido afirmou que sim!

A propósito sei que se mudaram para uma nova Sede. E seguro já fizeram ? Não se esqueçam do Serafim! Faço, sempre aos amigos, o mais barato e melhor!

Os Senhores Directores do "AVFC" não precisam de nada - seguro de automóvel, vida, doença, acidentes pessoais, PPR, qualquer outro... eu faço de tudo e mais barato!

E árbitros sou amigo de alguns... se precisarem não hesitem, falem cá com o velho Serafim!

Hoje fico por aqui e despeço-me do amigo Vítor e de todos os amigos.. com a promessa de voltar.

SERAFIM LAMPIÃO

Agente de Seguros

-

Esta semana fica marcada pelo anunciado fim físico do Clube Académico de Futebol.  Esta situação até era esperada, em termos de vivência desportiva, com os resultados dos escalões de formação a demonstrarem o mal que vai naquela casa.  

Com a, possível, «selagem» da Sede do clube o que fica? Quase nada.  

Os problemas financeiros, bastante negativos, permanecem. Só que num outro processo de criação ganhava-se um clube pensado, motivado e organizado.  

Os juniores B do CAF foram goleados por 12-1 pelo Porto. A diferença entre as equipas já não é justificativa para este tipo de resultados. Não há responsáveis para assumirem a desmotivação deste grupo de trabalho?! Está-se a fazer formação?! Que jovens se estão a formar?!  

Muitos pensam que se pode mentir somente quando se fala e não quando se está calado.  

As equipas de iniciação e formação do CAF estão a viver no limite, no risco. Até quando será possível aguentarem? Ultrapassa a centena o número de praticantes dos escalões de iniciação e formação e parece que se continua a olhar, só, para o próprio umbigo.   

Agora vamos ver como decorrem as coisas para quem muito deu, pensando sempre estar a fazer bem, de si ao clube. O CAF vai ser uma boa recordação para muitos mas, infelizmente, um mar de problemas para alguns.  

A opção tomada do recriado Académico tem sempre de ser colocado em causa, por muito que custe a algumas pessoas. 

Viseu trocou um Clube por uma equipa.

Vítor Santos, Jornal do Centro, 28/10/2005

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Tintin e o imobiliário

João Pessoa e Costa, deputado municipal de Lisboa, cronista no Semanário Económico publicou um artigo no Semanário Económico de 9 de Maio de 2006 um artigo intitulado «Tintin e o imobiliário» onde evidencia as qualidades do nosso herói, nomeadamente, a ética, a inteligência emocional, o trabalho em equipa, a imaginação e criatividade e a orientação e resultados, tudo isto para realçar um código de conduta a seguir pelos agentes imobiliários.

https://tintinofilo.over-blog.com/article-19626369.html


sábado, 19 de abril de 2008

Tormentas


Tormentas-de-Mandrake-e-de-Tintin-no-Congo.jpg

Livro de contos de António Cabrita

Teorema, 2008

«Tormentas... rastreia, em contos vários, um percurso e a sensibilidade de uma geração deserdada de todos os combates e que cresceu entre a miragem da Europa e a 'perda do Império»

ver publicação no anterior blog.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

José Abrantes

Mas o imaginário de José Abrantes deu-nos ainda mais personagens, com um humor por vezes mais sarcástico e acutilante, que distribuiu pelos mais diversos meios de publicação, como Tantã e Liru, versões nacionais e bem humoradas dos heróis de Hergé, o Capitão Marselha e ainda Angstrom e Ribico.

https://arquivo.pt/wayback/20180716194125/http://trabalhosmeus.blogspot.com/

Capitão Marselha, este nome diz-lhe alguma coisa? Mas Capitão Haddock, esse sim, claro que sim. E não lhe parece que há semelhanças físicas, até de vestuário, entre um e outro? É perfeitamente natural, visto que o criador do Capitão Marselha, José Abrantes, é um indefectível entusiasta da obra de Hergé e respectivas personagens...

https://divulgandobd.blogspot.com/2008/03/banda-desenhada-portuguesa-nos-jornais.html


Página datada de 2001

https://arquivo.pt/wayback/20050718190630/http://quadradinhos.blogspot.com/2005/05/jos-abrantes.html


segunda-feira, 10 de março de 2008

Annualia 2007-2008

Annualia 2007-2008: uma recensão crítica

Este terceiro volume consecutivo da Annualia é uma pequena preciosidade. A Annualia veio substituir a Enciclopédia Verbo no seu formato clássico e é um achado editorial, como compromisso entre a estrutura enciclopédica do passado e as preocupações de uma publicação anual onde se registam dossiês e factos pertinentes, efemérides, se abordam grandes temas da actualidade ou se evocam figuras prestigiantes que desapareceram durante o período em análise. E, não menos importante, pelo o seu carácter documental, ficam também averbadas as atribuições de prémios em contexto nacional e internacional e passa-se em revista o dossiê do mundo em 2007.

(...)

A Annualia é assim um livro de cabeceira e de consulta a desoras. Hergé teve o seu primeiro centenário em 2007, é um dos sumo-sacerdotes da BD, o genial criador de Tintim, o jovem jornalista exemplar com histórias audaciosas pelo o mundo inteiro. Mas a sua ousadia na BD não se confinou a Tintim, deixou-nos uma plêiade de figuras destinadas à posteridade: o Capitão Haddock, colérico, eufórico e sentimental; o Professor Girassol, o sábio mais distraído do universo; Bianca Castafiore, a caprichosa diva do bel-canto; Dupond e Dupont, os desastrados polícias que muitas vezes triunfam na sombra dos êxitos retumbantes do jovem Tintim... Hergé criou uma vasta galeria de personagens como mordomos, meninos traquinas, um comerciante e um sábio português, um canalha de grande coturno, Roberto Rastapopoulos, o marquês de Gorgonzola, mas também o cão Milu, o General Alcazar, um charlatão sempre á procura de revoluções, gente chata como Serafim Lampião, entre tantos outros. Hergé é um habilidoso anotador de códigos de valores ainda hoje ancorados e apreciados por crianças de todas as idades.

Este ano a Editorial Verbo comemora cinquenta anos. A vida editorial portuguesa teve na Verbo uma elevadíssima expressão cultural, na Enciclopédia e nas enciclopédias especializadas, em grandes obras que giraram à volta da arte e do património cultural, mas também do livro infantil, do estudo universitário e até do dicionário.

É a historia de um esforço que merece ser saudado nesta Annualia 2007-2008.

Beja Santos, 20/02/2008

Centenário do nascimento de Hergé

Hergé, patriarca da família Tintim é o título do texto de António Leite da Costa publicado na ANNUALIA 2007-2008.

O artigo contém preciosa informação histórica, nomeadamente sobre a publicação das histórias e desenhos de Hergé em Portugal e tem muitas e belas ilustrações, como abaixo fica exemplificado.

Capa de O Papagaio (1936) a anunciar o início da publicação de Tintim na América


O português Oliveira da Figueira, na versão original de Os Charutos do Faraó



terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Carnaval - 2008


Tintin no Carnaval de Torres Vedras

Publié le 2 février 2008 par Zetantan

Este ano, o tema do Carnaval de Torres Vedras é a Banda Desenhada. E, claro que não podia faltar o Tintin..

sábado, 16 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Afonsinhos do Condado

No ano de 1987 foi lançado o disco de estreia do grupo português Afonsinhos do Condado. A capa e a contracapa do disco tinham algumas imagens semelhantes às personagens de Hergé.

Capa de disco (single e máxi-single)






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