A primeira aventura de “Tintin” a ser publicada em Portugal chama-se “Tintin na América”, iniciada no nº. 53 (16/4/36) da revista “O Papagaio” e terminando no seu nº. 110 (20/5/37). Nesse mesmo ano e nessa revista inicia-se outra história, “Os Cigarros do Faraó” desde o nº. 115 (24/6/73 ao nº. 161 (12/5/38). A partir daqui, e com escassas semanas de intervalo, as aventuras sucedem-se num ritmo uniforme. “O Lótus Azul” aparece no nº. 166 (16/6/38) e acaba no nº. 205 (16/3/39). “Tintin em Angola” (Congo) é a 4ª aventura a ser publicada dos nºs. 209 (13/4/39) ao 244 (13/12/39). A sequência continua com “A Orelha Quebrada” dos nºs. 247 (4/1/40) ao 298 (26/12/40).
Todas estas histórias têm uma grande vantagem em relação a muitas outras publicadas posteriormente, já que são as originais, conforme foram concebidas por Hergé, ainda que a cores.
Não tinham ainda sofrido as reduções nos desenhos, mutilações e alterações nos cartuchos que, durante a guerra e por falta de papel, se viram obrigados a efetuar na Bélgica, quando da respectiva publicação em álbuns. O próprio Hergé, alterou muitos textos, desenhos e até personagens das suas histórias, conforme os álbuns iam sendo editados. As histórias “Tintin na América”, “Os Cigarros do Faraó” e “Tintin no Congo” foram redesenhadas totalmente. “O Lótus Azul” sofreu alterações nas suas primeiras quatro pranchas.
No entanto, deveremos salientar que a revista “O Papagaio” também cometeria muitas atrocidades às aventuras publicadas., começando logo pela primeira página da aventura de “Tintin na América”, onde uma vinheta é suprimida… A sequência da paginação também foi significativamente alterada.
“A Ilha Negra” aparece nos nºs. 300 (16/1/41) ao 359 (26/2/42), e também é redesenhada mais tarde e “Tintin no Deserto” (O Caranguejo das Tenazes de Ouro), surge nos nºs. 366 (16/4/42) ao 426 (10/6/43). Nesta última, um preto da história que açoita o Capitão, é substituído por um branco, mais tarde. Do nº. 435 (12/8/43) ao 540 (16/8/45) é apresentada aos leitores portugueses “A Estrela Misteriosa”, que sofrerá posteriormente poucas alterações… Redução dos cartuchos na primeira prancha, novos desenhos de interiores (vinhetas mais cheia de pormenores) e muitas onomatopeias. A última aventura de “Tintin” que “O Papagaio” apresenta será “O Segredo de Licorne”, surgida no nº. 617 (6/2/47) e terminando no nº. 679 (15/4/48).
A partir de finais de 1948 e até princípios de 1949, será um pequeno interregno em que as aventuras de “Tintin” deixarão de aparecer em Portugal, até ao seu ressurgimento na revista “Diabrete”.
Naquela revista e embora as aventuras da nossa personagem, não tenham sido publicadas nas suas páginas, logo de início, (por haver contrato com a revista “O Papagaio”, que as continuará a apresentar), aparecerão ali as aventuras de “Quick et Flupke”, partir do seu nº. 14 (5/4/41).
“Tintin” viverá as suas aventuras nas páginas desta revista a partir do seu nº. 594 (9/3/49), com “O Ceptro de Ottokar” que terminará no nº. 701 (18/3/50). A segunda aventura a aparecer será “O Tesouro do Cavaleiro Rosa” (Le Trèsor de Rackham Le Rouge)). Nesta história, o mapa do tesouro é a única diferença que encontrámos. Será alterado em reedições futuras. O nº. 809 (31/3/51) traz – nos “As Sete Bolas de Cristal” que terminará no nº. 887 (29/12/51), data em que a revista se extingue.
Segue-se o “Cavaleiro Andante”, que logo no seu primeiro número (5/1/52) aparece com “O Templo do Sol”, que continuará a partir do nº. 27, no suplemento da mesma revista, “O Pajem”. Terminará aqui também no nº. 86 (22/8/53). “Tintin na Lua” é apresentado no “Cavaleiro Andante” do nº. 94 (17/10/53) até ao 153 (4/12/54). A continuação “Caminhando na Lua”, surge do 154 (11/12/54) ao 209 (31/12/55).
Pela segunda vez, mas já rectificada, temos “Tintin na América” desde o nº. 210 (7/1/56) ao 269 (23/2/57). “Tintin e o Caso da Arma Secreta” (L’Affaire Tournesol), surge do nº. 270 (2/3/57) ao 331 (3/5/58). Neste mesmo ano e também pela segunda vez, temos “O Lótus Azul” do nº. 340 (5/7/58) ao 401 (5/9/59). Finalmente temos o nº. 405 (3/10/59) com os “Mercadores de Ébano” (Coke en Stoke) que terminará no nº. 466 (3/12/60).
- A BD vista por Carlos Gonçalves – cinquenta e dois
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Em 1961 e enquanto o “Cavaleiro Andante” dava os seus últimos passos com[o] revista, era lançado “O Foguetão”, um jornal de grande formato (infelizmente de pouca aceitação junto dos seus leitores, devido às suas dimensões, idênticas às do tablóide), mas onde não faltariam, desde o seu primeiro número, as aventuras do nosso jovem repórter “Tintin”, desta vez na língua original, mas com a respectiva tradução para português em rodapé. Era “Tintin no Tibet”. [Tim-Tim no Tibet (Tintin no Tibete) (do #1 de 4/5/1961 ao #13 de 27/7/1961) (que continua na revista «Cavaleiro Andante») ] Seria uma tentativa de criar novos leitores. No seu interior teria um suplemento intitulado “Bip-Bip” criado graficamente por Fernando Bento e que mais tarde transitaria para o “Cavaleiro Andante”, quando “O Foguetão” acabou prematuramente no seu número 13.
Com o fim da revista “Cavaleiro Andante”, Simões Muller resolveria apostar numa revista de formato mais pequeno, com um maior número de páginas (o formato de “O Foguetão” tinha-o marcado), que surgirá em 1962 com o nome de “Zorro” e onde mais uma vez, um ano depois do seu início, voltam de novo as aventuras de “Tintin” em “As Jóias de Castafiore”, para gáudio dos seus leitores. Ainda que não surgissem mais aventuras da nossa personagem, na sua falta seriam publicadas as aventuras de “Jo, Zette et Jocko” em “O Manitoba Não Responde” a partir do seu nº. 89 (20/6/64) e mais “A Erupção de Karamako”.
Ainda antes de o “Zorro” acabar em 1966, Muller ocupava-se em paralelo dos destinos de um suplemento do jornal “Diário Notícias”, intitulado “Nau Catrineta” e aparecido em 14 de Dezembro de 1963. Embora não surgissem ali as aventuras de “Tintin”, o que só aconteceria mais tarde no nosso país, na revista com o seu próprio nome em 1968, o leque das histórias apresentadas era de origem franco-belga. “Nau Catrineta” acabará em finais de Setembro de 1975 e a partir daqui cessam as funções de Muller como director de revistas infantis.
- A BD vista por Carlos Gonçalves – cinquenta e um







