domingo, 30 de abril de 2023

Tim-Tim Em Portugal


A primeira aventura de “Tintin” a ser publicada em Portugal chama-se “Tintin na América”, iniciada no nº. 53 (16/4/36) da revista “O Papagaio” e terminando no seu nº. 110 (20/5/37). Nesse mesmo ano e nessa revista inicia-se outra história, “Os Cigarros do Faraó” desde o nº. 115 (24/6/73 ao nº. 161 (12/5/38). A partir daqui, e com escassas semanas de intervalo, as aventuras sucedem-se num ritmo uniforme. “O Lótus Azul” aparece no nº. 166 (16/6/38) e acaba no nº. 205 (16/3/39). “Tintin em Angola” (Congo) é a 4ª aventura a ser publicada dos nºs. 209 (13/4/39) ao 244 (13/12/39). A sequência continua com “A Orelha Quebrada” dos nºs. 247 (4/1/40) ao 298 (26/12/40).

Todas estas histórias têm uma grande vantagem em relação a muitas outras publicadas posteriormente, já que são as originais, conforme foram concebidas por Hergé, ainda que a cores.

Não tinham ainda sofrido as reduções nos desenhos, mutilações e alterações nos cartuchos que, durante a guerra e por falta de papel, se viram obrigados a efetuar na Bélgica, quando da respectiva publicação em álbuns. O próprio Hergé, alterou muitos textos, desenhos e até personagens das suas histórias, conforme os álbuns iam sendo editados. As histórias “Tintin na América”, “Os Cigarros do Faraó” e “Tintin no Congo” foram redesenhadas totalmente. “O Lótus Azul” sofreu alterações nas suas primeiras quatro pranchas.

No entanto, deveremos salientar que a revista “O Papagaio” também cometeria muitas atrocidades às aventuras publicadas., começando logo pela primeira página da aventura de “Tintin na América”, onde uma vinheta é suprimida… A sequência da paginação também foi significativamente alterada.     

“A Ilha Negra” aparece nos nºs. 300 (16/1/41) ao 359 (26/2/42), e também é redesenhada mais tarde e “Tintin no Deserto” (O Caranguejo das Tenazes de Ouro), surge nos nºs. 366 (16/4/42) ao 426 (10/6/43). Nesta última, um preto da história que açoita o Capitão, é substituído por um branco, mais tarde. Do nº. 435 (12/8/43) ao 540 (16/8/45) é apresentada aos leitores portugueses “A Estrela Misteriosa”, que sofrerá posteriormente poucas alterações… Redução dos cartuchos na primeira prancha, novos desenhos de interiores (vinhetas mais cheia de pormenores) e muitas onomatopeias. A última aventura de “Tintin” que “O Papagaio” apresenta será “O Segredo de Licorne”, surgida no nº. 617 (6/2/47) e terminando no nº. 679 (15/4/48).

A partir de finais de 1948 e até princípios de 1949, será um pequeno interregno em que as aventuras de “Tintin” deixarão de aparecer em Portugal, até ao seu ressurgimento na revista “Diabrete”.

Naquela revista e embora as aventuras da nossa personagem, não tenham sido publicadas nas suas páginas, logo de início, (por haver contrato com a revista “O Papagaio”, que as continuará a apresentar), aparecerão ali as aventuras de “Quick et Flupke”, partir do seu nº. 14 (5/4/41).

“Tintin” viverá as suas aventuras nas páginas desta revista a partir do seu nº. 594 (9/3/49), com “O Ceptro de Ottokar” que terminará no nº. 701 (18/3/50). A segunda aventura a aparecer será “O Tesouro do Cavaleiro Rosa” (Le Trèsor de Rackham Le Rouge)). Nesta história, o mapa do tesouro é a única diferença que encontrámos. Será alterado em reedições futuras. O nº. 809 (31/3/51) traz – nos “As Sete Bolas de Cristal” que terminará no nº. 887 (29/12/51), data em que a revista se extingue.

Segue-se o “Cavaleiro Andante”, que logo no seu primeiro número (5/1/52) aparece com “O Templo do Sol”, que continuará a partir do nº. 27, no suplemento da mesma revista, “O Pajem”. Terminará aqui também no nº. 86 (22/8/53). “Tintin na Lua” é apresentado no “Cavaleiro Andante” do nº. 94 (17/10/53) até ao 153 (4/12/54). A continuação “Caminhando na Lua”, surge do 154 (11/12/54) ao 209 (31/12/55). 

Pela segunda vez, mas já rectificada, temos “Tintin na América” desde o nº. 210 (7/1/56) ao 269 (23/2/57). “Tintin e o Caso da Arma Secreta” (L’Affaire Tournesol), surge do nº. 270 (2/3/57) ao 331 (3/5/58). Neste mesmo ano e também pela segunda vez, temos “O Lótus Azul” do nº. 340 (5/7/58) ao 401 (5/9/59). Finalmente temos o nº. 405 (3/10/59) com os “Mercadores de Ébano” (Coke en Stoke) que terminará no nº. 466 (3/12/60).                                                                                                               

Carlos Gonçalves

A BD vista por Carlos Gonçalves – cinquenta e dois

(...)

Em 1961 e enquanto o “Cavaleiro Andante” dava os seus últimos passos com[o] revista, era lançado “O Foguetão”, um jornal de grande formato (infelizmente de pouca aceitação junto dos seus leitores, devido às suas dimensões, idênticas às do tablóide), mas onde não faltariam, desde o seu primeiro número, as aventuras do nosso jovem repórter “Tintin”, desta vez na língua original, mas com a respectiva tradução para português em rodapé. Era “Tintin no Tibet”. [Tim-Tim no Tibet (Tintin no Tibete) (do #1 de 4/5/1961 ao #13 de 27/7/1961) (que continua na revista «Cavaleiro Andante») ] Seria uma tentativa de criar novos leitores. No seu interior teria um suplemento intitulado “Bip-Bip” criado graficamente por Fernando Bento e que mais tarde transitaria para o “Cavaleiro Andante”, quando “O Foguetão” acabou prematuramente no seu número 13.

Com o fim da revista “Cavaleiro Andante”, Simões Muller resolveria apostar numa revista de formato mais pequeno, com um maior número de páginas (o formato de “O Foguetão” tinha-o marcado), que surgirá em 1962 com o nome de “Zorro” e onde mais uma vez, um ano depois do seu início, voltam de novo as aventuras de “Tintin” em “As Jóias de Castafiore”, para gáudio dos seus leitores. Ainda que não surgissem mais aventuras da nossa personagem, na sua falta seriam publicadas as aventuras de “Jo, Zette et Jocko” em “O Manitoba Não Responde” a partir do seu nº. 89 (20/6/64) e mais “A Erupção de Karamako”.

Ainda antes de o “Zorro” acabar em 1966, Muller ocupava-se em paralelo dos destinos de um suplemento do jornal “Diário Notícias”, intitulado “Nau Catrineta” e aparecido em 14 de Dezembro de 1963. Embora não surgissem ali as aventuras de “Tintin”, o que só aconteceria mais tarde no nosso país, na revista com o seu próprio nome em 1968, o leque das histórias apresentadas era de origem franco-belga. “Nau Catrineta” acabará em finais de Setembro de 1975 e a partir daqui cessam as funções de Muller como director de revistas infantis.

Carlos Gonçalves

A BD vista por Carlos Gonçalves – cinquenta e um


quarta-feira, 26 de abril de 2023

Luís Diferr


As Aventuras do Capitão Granja no Mundo da Banda Desenhada

Em Maio de 2003 as Edições ASA publicaram um álbum de homenagem a Vasco Granja, coordenado por Jorge Magalhães e Maria José Pereira. Nele participei com uma BD de 8 pranchas, precedido do texto que se segue (quase na íntegra), reeditado em renovada homenagem a esse homem amável e prestável como raros.

Para mim, Vasco Granja ficará sempre e sobretudo relacionado com a revista Tintin – a edição portuguesa dessa revista que, a partir de Junho de 1968, abriu ao adolescente que eu era as portas de um novo mundo, com a promessa semanal de renovadas e palpitantes aventuras. A revista, com a diversidade que progressivamente apresentou, foi fundamental para fortalecer a decisão daquele adolescente de se tornar autor de BD. Ofereceu-lhe também amplo material que serviu de base para a aprendizagem autodidacta, a única possível, desse meio de expressão. Naquela época, era irrisório o número de álbuns publicados em Portugal ou importados.

Nesta descoberta, o trabalho de Vasco Granja foi para mim de notável relevância. Seja através de textos próprios ou traduzidos de fontes diversas, Granja mostrou o que se passava, para além do palco, No Mundo da Banda Desenhada: nos bastidores, com entrevistas aos autores e, do lado da plateia, com reportagens e opiniões críticas sobre produções que não se restringiam, muito pelo contrário, à revista Tintin. Assim, quando no verso de uma capa se publicou uma entrevista com William Vance, seguida nos números seguintes de outras com Albert Weinberg, Joël Azara, Hermann, etc., foi uma revelação! Finalmente os autores ganhavam um rosto! Vasco Granja teve, ele mesmo, oportunidade de fazer algumas entrevistas.

Especialmente importante para mim foi a que realizou com Edgar P. Jacobs, por motivos óbvios: foi Jacobs, mais do que qualquer outro, que fez (e ainda continua a fazer) aquele adolescente desejar ser autor de BD. Essa entrevista, refiro-a expressamente na banda desenhada que se segue.

Foi assim que, agora, me ocorreu e ganhou corpo a ideia de inserir a homenagem a Vasco Granja no quadro mais vasto de uma revista e de uma época retratada nas suas crónicas, e de relacionar tudo isso com a minha própria obra - nomeadamente “As Aventuras de Herb Krox”, que constituem uma referência directa ao modelo franco-belga. Assinale-se, aliás, que Granja promoveu, no Festival de Banda Desenhada da Amadora de 1992, um colóquio sobre “O Homem de Neandertal”.

Destes pressupostos nasceu a BD “Corina Alpina Bonina (...)”, a preto e branco, como eram as crónicas de Granja numa revista quase integralmente a cores. Propositadas e creio que evidentes são as reminiscências de episódios das Aventuras de Tintin ou de Blake e Mortimer. Justa é também a homenagem, vejamo-la assim, ao amigo José Ruy que, à sua maneira gentil, retratou o grupo de gente que, em Portugal, nos tornou possível a revista Tintin: ele próprio, Vasco Granja e Diniz Machado, entre outros.

Fica aqui a minha homenagem e o meu agradecimento a esse homem singular. Obrigado, Vasco!"

Luís Filipe Diferr (blog Peróla de Cultura)

As Aventuras do Capitão Hackrox e Jinjin
Corina Alpina Bonina No MuNdO da bAnDa DeSeNhAdA  (2003) - Por Luis Diferr


Nov./1991 - Álbum "O Homem de Neandertal", 1º volume de "As Aventuras de Herb Krox" 

Dezembro/1998 - Álbum "Os Deuses de Altair", 2º volume de "As Aventuras de Herb Krox".  

Maio/2003 - "Corina Alpina Bonina" no livro "Vasco Granja, uma vida... 1000 imagens"

Em Novembro de 1995 foi publicado o 1º número do fanzine LADY BLITZ FAN-CLUB e um ano mais tarde saiu o 2º e último número.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Movimento de Humor

Desenho de José Gomes retratando o jornalista Miguel Cotrim do Correio de Coimbra e Amigo do Povo. 
(Dezembro de 2022)


quarta-feira, 5 de abril de 2023

Ária das Jóias

José Eduardo Rocha fez uma ilustração de Maria Filomena Mónica com a "Ária das Jóias"  (O Independente, 1996). 

Imagem encontrada na monografia curricular do autor https://issuu.com/jerverlag/docs/monografia_jer-web

(a emissão de hoje da rubrica "Linha Avançada" de José Nunes na Antena 3 fala de Castafiore e de Tintins. Já não é a primeira vez que há referências)