segunda-feira, 16 de julho de 2007

Como Tintim chegou a Portugal

UMA INFORMAÇÃO PARA INTERESSADOS...

Perguntam-me como chegaram a Portugal as aventuras de Tintin. A história É muito simples. Quando os Padres Abel Varzim e Manuel Rocha estavam a preparar o doutoramento na Universidade de Louvaina relacionaram-se com vários sacerdotes da diocese de Bruxelas. Foi, assim, que o Padre Varzim conheceu o director do jornal católico "Vingtième Siécle" e do suplemento juvenil "Petit Vingtième" Padre Norbert Wallez e através deste chegou ao contacto com Georges Remi - o célebre Hergé. De acordo com a investigação do jornalista Carlos Pessoa, especialista em BD do jornal Público, data de meados dos anos 30 o primeiro contacto dos leitores portugueses com a figura de Tintin, cerca de cinco anos após ter surgido no "Le Petit Vingtième". Portugal foi o primeiro país não-francófono a publicar as aventuras de Tintin.

O responsável por esta iniciativa editorial no nosso país foi Adolfo Simões Müller, ao tempo, director de "O Papagaio". E o certo É que Muller conhece Tintin através de Abel Varzim, que lhe fala do sucesso das histórias em Bruxelas e na Bélgica. Interessante é verificar que Tintin n'"O Papagaio" era identificado como português e como repórter não do "Le Petit Vingtième" ou do "Le Vingtième Siécle" mas sim do próprio "O Papagaio". Esta adaptação faz com que a personagem Oliveira de Figueira apareça nas páginas de "O Papagaio" como espanhol.

Como é que o director de "O Papagaio" toma conhecimento com Tintin e Hergé? Segundo Carlos Pessoa a chave está numa entrevista concedida ao "Jornal de Letras" em 1987 pelo próprio Muller: "O conhecimento da obra de Hergé [É devida] ao padre Abel Varzim, que estudara em Lovaina (BÉlgica) e conheceu pessoalmente o autor. A segunda Guerra Mundial obrigou Hergé a refugiar-se, em 1940, em França, residindo durante algum tempo em casa de Marijac, um criador francês de BD. É daí que escreve a Adolfo Simões Muller, pedindo-lhe para ser pago não em dólares, mas em géneros alimentares (latas de sardinha, biscoitos, café, etc.), que se destinavam a um irmão, Paul Remi, prisioneiro de guerra dos alemães durante cinco anos. Em Setembro de 1941, numa altura, portanto, em que Tintin já era lido em Portugal no "O Papagaio"(1935-1941) e viria pouco depois a ser lido no "Diabrete" (1941-1950), Hergé escreve de novo ao director de "O Papagaio" para lhe agradecer o envio de alimentos ao irmão e também um cabaz de biscoitos, café, cacau, chocolate, açucar e enchidos que ele próprio recebera entretanto de Portugal". Eis a histÓria. Bem simples... Jamais poderemos agradecer ao Padre Varzim (grande cidadão e homem livre) a premonição extraordinária que teve quanto a Tintin...

GOM - publicado em quinta-feira, 30 de Junho de 2005 21:14

 


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