Nas páginas 143 e 144 do livro, pertencente ao "capítulo IV - Advogado", tem um texto em qeu aborda a figura de Oliveira da Figueira.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
Oliveira da Figueira
segunda-feira, 23 de janeiro de 2023
Quick e Flupke nasceram em 1930
Se é normal associarmos o nome de Hergé a Tintin, a sua obra maior e uma das bandas desenhadas mais celebradas de sempre, o autor criou outros heróis, entre os quais Quick e Flupke, que há exactamente 80 anos eram vistos pela primeira vez em papel impresso.
Tratava-se de dois pequenotes de Bruxelas - revisão ficcionada da própria infância de Hergé - juntos pela amizade, pela vontade de experimentar coisas novas e pela especial queda para provocar pequenos desastres.
A estreia ocorreu no "Le petit vingtiéme" de 23 de Janeiro de 1930, pouco mais de um ano depois de Tintin, e as diferenças entre as duas criações eram significativas. Enquanto o repórter viria a ter longas aventuras, viagens, exotismo, justiça e ordem, Quick e Flupke não saíam da sua Bruxelas natal e viviam um quotidiano igual ao dos outros miúdos, mas as suas partidas provocavam o caos e desesperavam o Guarda 15, vítima recorrente das diabruras em duas pranchas.
O humor em Quick e Flupke, mais tarde decalcado em Tintin para os "gags" com Haddock ou Tournesol, raia muitas vezes o "nonsense", pode ter conteúdos sociais ou politizados (como quando satirizam Hitler e Mussolini), representa-os como diabos (literalmente) e levava-os mesmo a chocar com os limites físicos das vinhetas ou a interagir com o desenhador. E se o traço é o mesmo de Tintin, sente-se uma maior liberdade criativa e o privilegiar da eficácia estética e narrativa.
Com cerca de 250 pranchas publicadas (de forma irregular) durante uma década, Quick e Flupke tiveram nova vida nos anos 80, em versão animada e em álbuns redesenhados e coloridos pelos Estúdios Hergé, a partir das histórias originais.
Esta edição foi lançada em Portugal pela Verbo, com os heróis rebaptizados como Quim e Filipe.
F. Cleto e Pina, JN, 23/01/2010
Dois miúdos com 75 anos (2005)
Tinha Tintin comemorado um ano de vida há dias (10 de Janeiro) quando nasciam nas páginas do "Le Petit Vingtième" n.º 4, Quick e Flupke (Quim e Filipe na versão portuguesa). Eram dois "ketjes" (miúdos de rua em flamengo) do Marolles, um dos bairros populares de Bruxelas, simpáticos e agradáveis mas também capazes das maiores tropelias. "Quick era o apelido de um dos meus amigos. Para Flupke, usei o 'Flup' - Philippe - e o 'ke', que em flamengo significa 'pequeno'", explicou Hergé em "Entretiens avec Hergé" (Casterman).
"Les exploits de Quick e Flupke" foram publicadas semanalmente até 1935, depois de forma mais irregular até 1941, ano da sua última aparição, no "Soir Jeunesse". Na época, "produzia duas pranchas por semana de Tintin, mais uma de "Joana, João e o Macaco Simão", por isso, adeus Quim e Filipe", explicou o desenhador.
Embora o traço de Hergé seja próximo do utilizado em Tintin - mas menos pormenorizado -, as histórias de Quim e Filipe são, de certa forma, o oposto das aventuras do mais célebre repórter dos quadradinhos. Em Tintin a ambição do autor vai bem mais além do simples entretenimento, com histórias consistentes e bem engendradas, um suspense sabiamente mantido, o exotismo de muitos dos locais onde decorre a acção e, mesmo, um certo acompanhamento da actualidade - ou até a sua antecipação.
Nas explorações de Quim e Filipe, o cenário é, quase sempre, a rua ou as próprias casas dos miúdos, e o objectivo das duas páginas que constituem quase todos os gags é divertir. Venha a acção de onde vier da vontade de os dois serem úteis ou, até, do questionamento das regras de leitura da própria BD, com os heróis a chocarem contra os limites das vinhetas, a visitarem o autor ou, mesmo, a substitui-lo na autoria das histórias. Como escreve Benoit Peeters em "Le Monde d'Hergé" (Casterman), "em Tintin, a desordem é sempre exterior, os heróis agem para colocar tudo em ordem. Em Quim e Filipe, pelo contrário, o problema é, de cada vez, causado pelas personagens, que parecem ter como único objectivo causarem a maior perturbação possível num universo à partida estável".
Com Quim e Filipe, Hergé mostra um lado menos conhecido, uma certa rebeldia irónica e desrespeitosa - mesmo contra os poderes instituídos, ou não seja o Agente n.º 15 quase sempre a vítima das partidas dos rapazes - parecendo que viveu através das duas personagens a infância que, reconhecidamente, nunca teve. E deu largas a um sentido de humor muito mais contido nos álbuns iniciais de Tintin, que de certa forma recuperaria mais tarde, a um outro nível, com a introdução do Capitão Haddock e do Professor Tournesol.
Em 1984, com autorização da viúva de Hergé, a série foi adaptada para desenhos animados. No total foram feitos 260 filmes de um minuto, tendo os álbuns sido modernizados por Johan de Moor. Foi esta versão actualizada que a Verbo editou em português, em meados dos anos 80, em 12 álbuns de pequeno formato, com 32 páginas, intitulados "Aventuras e Desventuras de Quim e Filipe", reeditados em 2000.
F. Cleto e Pina, JN, 24/01/2005
Quick et Flupke
(Bélgica) Le Petit Vingtiéme #4, 23 de Janeiro de 1930
Diabrete # #14 [5 de Abril de 1941], 16, 18, 19, 20, 26, 27, 29 a 32, 53 a 58, 61, 63, 70, 78, 79, 81 a 87, 89 a 107, 109, 111, 117 e 120 [Tropelias do Trovão e do Relâmpago]
Pimba! (suplemento do Diário Popular) #32 e #61 [1985]
Correio Juvenil Verbo #30 [1985], 36 [1986], 41, 42 [1987], 59 e 60 [1988]
Difusão Verbo 1, 2 [1982] 3, 4 [1983] 5 [1983] 6, 7, 8 [1984] 9, 0 [1985] 11 [1986] 12 [1987]
Ensaio de quadriculografia portuguesa1
Publicações:
Apenas em 1988 foram lançadas pela Difusão Verbo as aventuras de Tintim em álbum. A Verbo Publicações Periódicas começou por lançar os livros com as Aventuras de Joana, João e o Macaco Simão (1981-1982) e as Aventuras e Desventuras de Quim e Filipe (1982-1987).
Em 1985 apareceram algumas pranchas da série (Desporto de Inverno / Brincar Ao Circo) no suplemento "Pimba!" do Diário Popular .
Uma outra publicação onde apareceram os nossos heróis foi na edição de 1956 do Almanaque de Sto António [-].
https://ogatoalfarrabista.wordpress.com/2015/06/13/uma-surpresa-do-santo-antonio/
https://largodoscorreios.wordpress.com/2015/06/14/sob-o-signo-da-borracha/
Episódio: Aventuras e desventuras de Quim e Filipe
Série: Quim e Filipe
Autores (Argumento e Desenhos): Hergé
Dados sobre o episódio
Leitura: As aventuras e desventuras de Quim e Filipe nº 1
Edição: Difusão Verbo/ 2000
30 páginas /cor
Série secundária em face da magnitude das aventuras de Tintin, lê-se com agrado pelo valor testemunhal: dos artefactos - quando a tecnologia de ponta se materializava num esplendoroso carrinho de rolamentos, fabrico próprio -, à pedagogia aplicada, a saber, uns açoites bem puxados quando as tropelias passavam das marcas, para não falar da falta de sentido de humor do polícia de giro (Quim e Filipe têm um problema com a autoridade…)
Os episódios cessam em 1941, ano que não é para graças. Numa das longas entrevistas que concedeu a Numa Sadoul, Hergé revelou que estava então assoberbado de trabalho com Tintin e Milou e ainda uma outra série de que também falaremos: Jo, Zette et Jocko.
Aventuras e Desventuras de Quim e Filipe - vol. I
Texto e desenho:Hergé
Editora:Difusão Verbo, Lisboa, 2000
Já está disponível nas melhores livrarias do país o livro As Diabruras de Quick e Flupke, novo lançamento da Globo Livros Graphics, selo da editora Globo dedicado a graphic novels. A dupla de meninos marotos foi criada por Hergé em janeiro de 1930 no Le Petit Vingtième, o mesmo suplemento que lançou a obra mais conhecida do cartunista, e agora faz sua estreia no Brasil em uma edição de encher os olhos.
Tintim Por Tintim, 2013
Chega ao público o volume 2 de As Diabruras de Quick e Flupke, pelo selo Globo Livros Graphics. O livro completa a coleção dos quadrinhos da famosa dupla criada pelo artista belga, que ganhou o mundo após o sucesso de seu personagem Tintim. Lançados originalmente em onze álbuns avulsos entre 1949 e 1969, as histórias trazem a essência criativa de Hergé para quem realmente ama o universo das HQs.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2023
José Antunes
Por cortesia do amigo Alberto Ferreira, publicamos um desenho de José Antunes publicado no jornal humorístico A Chucha #13 de 8 de Março de 1976, jornal no qual o autor era colaborador.
terça-feira, 10 de janeiro de 2023
Pedro Ribeiro Ferreira
O Tintim está de parabéns!
Nasceu em 1929, no ano da grande crise, pela mão do belga francófono Hergé.
É espantosa a vivacidade que mantém passados estes anos todos. Está muito bem conservado, nem uma ruga para amostra. É a inveja de muitas tias. Sempre que leio os seus livros lá está ele com o seu ar impecável, cheio de genica a resolver mistérios, como se os anos não passassem. É por isso que gosto do Tintim, não envelhece, está sempre na prateleira, à minha espera e as histórias são sempre actuais. Nunca me canso de as ler. Se fosse um faraó levava comigo para o sarcófago toda a colecção.
É provavelmente o principal responsável por me ter desviado para outros caminhos que não uma carreira no mundo da advocacia. Com tantos advogados na família tinha naturalmente o destino traçado não fosse este jovem imberbe com um penacho na cabeça a despertar-me o interesse pelos livros aos quadradinhos. Em termos de BD foi o meu primeiro grande amor e não há amor como o primeiro.Sempre me intrigou no Tintim a sua pureza moral. Ninguém pode ser assim tão imaculado. Por isso fui tentar descobrir o seu lado mais sombrio, mais perverso, mais decadente, sei lá, uma tara qualquer, um fetiche tipo espancar velhotas.
Procurei, pedi informações, vasculhei nos sítios mais recônditos mas não encontrei absolutamente nada de mal. Antes pelo contrário, o que descobri ainda me fez gostar mais dele. E não é que o Tintim é um fervoroso adepto do Sporting!? Ninguém sabia mas a imagem é peremptória. Além disso também não é grande adepto da ilustração de imprensa, prefere a BD e o cartoon. É cá dos meus!
Pedro Ribeiro Ferreira, 01/02/2009
Tintin no blog «Traços Gerais» - O blog «Traços Gerais», de Pedro Ferreira, publica um post de homenagem ao Tintim. A ver em http://pedroribeiroferreira.blogspot.com/2009/02/les-aventures-de-tintin.html - Publicado em 02/02/2009 por Zetantan Tintim em Portugal - http://tintinofilo.over-blog.com/article-27486469.html
- O primeiro cartoon (BD) foi feito para a Exposição "80 Anos de Tintim" que esteve no Museu Dr. Louzã Henriques, na Lousã e depois também apareceu publicado no suplemento BronKit.
sábado, 24 de dezembro de 2022
segunda-feira, 19 de dezembro de 2022
Ruy Manso
Ruy Lupi Manso (Lupimanso) (Lourenço Marques, 30 de abril de 1921 – Lisboa, 20 de janeiro de 2000) foi um pintor português Foi um dos pioneiros da Banda desenhada portuguesa, tendo deixado trabalhos em jornais como "O Mosquito" e "O Papagaio".
Ruy Manso foi homenageado durante a sessão de Dezembro de 1987 da Tertúlia de Banda Desenhada de Lisboa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lupimanso
Foi autor das capas dos nºs. 150, 173 e 227 de "O Papagaio". Curiosamente duas delas foram no período de férias e a primeira foi no Carnaval de 1938.
#150; 24 Fevereiro 1938; Capa; Milou; Ruy Manso
#173; 4 Agosto 1938; Capa; Tintim e Milou; Ruy Manso (Férias)
#227; 17 Agosto 1939; Capa; Tintim e Milou; Ruy Manso (Férias)
(150,227)
sexta-feira, 16 de dezembro de 2022
Boneco Rebelde
O boneco rebelde será uma versão portuguesa de Tim-Tim. O herói belga aparecera três anos antes em "O Papagaio" e entra nas três folhas iniciais da primeira aventura do Boneco Rebelde.
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"Aventuras do Boneco Rebelde" de Sérgio Luís
Um lugar mágico da BD portuguesa
Um boneco rebelde, saído de um frasco de tinta, abre portas no oceano, percorre destinos exóticos. Se se disser que o boneco saltou, em finais dos anos 30, do frasco de tinta do seu criador, Sérgio Luís, para as páginas de "O Papagaio", permite-se descobrir um dos legados mais invulgares da BD portuguesa.
A 20 de Maio de 1943 houve uma notícia necrológica, claramente adocicada, para os leitores da publicação infanto-juvenil "O Papagaio". Escrevia-se que Sérgio Luís, "esse moço cheio de talento (...) partiu para essa grande viagem donde não se volta". Deixava concluída a derradeira aventura de "O Boneco Rebelde", cuja última prancha surgia nessa data.
Sérgio Luís, que alguns consideram um dos autores mais relevantes da BD portuguesa, havia falecido três meses antes, aos 21 anos, de tuberculose. Seis meses mais tarde, seguia-se, em circunstâncias idênticas, Guy Manuel, seu irmão, um ano mais novo, e nome que aparece igualmente ligado à génese de "O Boneco Rebelde" - como se esta fosse uma obra marcada pela fatalidade, que o tempo trataria de apagar os vestígios, os mesmos de um boneco que animou durante cerca de quatro anos e que surgem agora reunidos, na sua totalidade, num volume recentemente editado pela BaleiAzul.
Nas concepções de "O Boneco Rebelde" surgem sínteses que Sérgio Luís levaria ao paroxismo, na forma com jogou com as convenções narrativas da BD. Em impurezas gráficas, que tiverem igualmente paralelo, lá fora, em "Little Nemo", de Winsor McCay, e em "Felix The Cat" de Pat Sullivan. Sérgio Luís seria ainda um dos percursores do cinema de animação em Portugal, num pequeno filme de 10 minutos que curiosamente não deixa de estar ligado à sua doença (as radiografias serviriam-lhe de transparências para traçar as sequências). "Os Bonecos Rebeldes", a mostra que a Bedeteca de Lisboa dedicou, no princípio deste ano, à obra dos irmãos Sérgio Luís e Guy Manuel, permitiu ver essas imagens, que aparecem ainda num "flip book", inserido no catálogo.
O prefácio crítico e a organização do álbum da BaleiAzul, pertence a Carlos Bandeiras Pinheiro e João Paiva Boléo, e apresenta, para além de material inédito, algumas pranchas remontadas a partir das páginas do "O Papagaio", por questões, segundo os prefaciadores, que se prendem com a uniformização do álbum.
Quatro aventuras constituem o núcleo do livro, incluindo assim a totalidade dos trabalhos de "O Papagaio"- 1939 /1943 - sobre um boneco, conotado desde o início pela sua rebeldia aos dispositivos da criação. Inspirado vagamente em Tintin - com quem aliás se encontra na aventura inaugural - o boneco rebelde submete-se, logo aí, à sátira, surgindo gags recorrentes à obra de Hergé. Na forma caricatural como é castigado pelo autor, os meios de deslocação tornam-se variados, sublinhando ainda que é um boneco saído de um frasco de tinta; mas estão lá também as súbitas transgressões matéricas: sai de tinteiros, abre portas em tábuas destinadas ao seu salvamento, desenha-se a si próprio ou voa constantemente de terra em terra.
Como fica inscrito no prefácio, "(...) a naturalidade com que passa de uma sequência de suspense para um universo poético e surreal(...)" justifica um género onde surgem premissas do fantástico: quando o boneco se confronta com duas bruxas, uma má e outra boa, que se fundem numa só, irrompe um fluxo de impurezas que joga na apropriação de matérias tão diversas como os romances de cavalaria e contos de fadas. É no resgatar dessas marcas de singularidade - e onde podem ser vistas as figuras femininas desenhadas pelo seu irmão Guy Manuel, sobretudo nas aventuras "O Livro Mágico" e "A Ilha Misteriosa"- que surgem óbvias conotações lúdicas, conferindo uma particularidade a este lançamento da BaleiAzul.
"As Aventuras do Boneco Rebelde" são imagens que habitam um lugar mágico da BD portuguesa que aparece agora à luz do dia.
Título: "Aventuras do Boneco Rebelde"
Editor: Edições BaleiAzul, colecção Bedeteca
Autor: Sérgio Luís
5.775$00, 151 pgs
quarta-feira, 14 de dezembro de 2022
Revista Tintin / Spirou - Bertrand (sacos plásticos)
terça-feira, 13 de dezembro de 2022
Tintim Na Lousã

Tintim não usa porta-moedas, não preenche declarações de IRS, não tem horário de trabalho e, se sai de casa, não deixa atrás de si preocupações ou compromissos de pais, irmãos ou avós. Não é adepto de nenhum clube de futebol, não tem religião e, como se tudo isto fosse pouco, também não é casado nem sequer tem namorada.
Por tudo isso, Tintim entra no domínio da abstracção, do encantamento distanciado de quem se dá ao luxo de ignorar toda a realidade e arredores. Por arredores quero eu dizer: o amor, o compromisso, a dor, o sacrifício e todas as outras coisas que – diz-se – fazem da vida uma coisa que merece ser vivida. E no entanto… quem não tenha mergulhado numa aventura de Tintim com toda a alegria desprendida deste mundo que atire a Hergé a primeira pedra.
Na minha família mais chegada já vamos na terceira geração de tintinófilos e, atendendo à idade de oitenta anos a que chegou o herói, não é possível pedir mais à tintinófilia familiar. Com uma grande diferença: quando eu era miúdo esperava uma semana longamente ansiosa por mais uma magnífica prancha de saborosas aventuras. Os meus filhos já se regalavam com um álbum inteiro de cada vez, Natais, aniversários, etc.
Quanto ao Senhor meu neto, recebeu de uma vez todos os álbuns que havia disponíveis na livraria, com encomenda feita dos números que faltavam. Depois queixamo-nos que a juventude é consumista, que exagera nas suas reivindicações e que é insolente: nós é que temos a culpa. Sirva-nos como indulgência o facto de ter mergulhado com entusiasmo na leitura real e dedicada dos álbuns da primeira à última página, o que não deixa de ser obra num petiz que apenas agora começa os seus anos de escola e já domina com gosto a arte da leitura. De quem é a virtude? da arte de Hergé, não tenhamos quaisquer dúvidas.
Tintim funciona agora como funcionou no passado em tudo aquilo que tem de mais deliciosamente eficaz. Não faz falta a este breve escrito definir com rigor o que foi e é o fenómeno Tintim. Tomo a liberdade de falar apenas de uma obra que fiz com carinho paternal, isto é, uma tela com 0,75 m x 0,85 que ilustra a meu modo a noção da “linha clara”, a fórmula plástica que terá sido reinventada na Bélgica para as histórias de quadradinhos.
Representa vinheta e meia da prancha número 25 do álbum “O caso Girassol”, ofereci-o ao meu filho mais velho, para pôr no seu quarto, em 1981, e está bem guardado na cave das recordações afectivas de toda a família.Digo reinventada porque, nada havendo de novo sob o sol, já muitas artes antigas visitaram com lucidez esse mundo pitoresco que Hergé também nos oferece, como documento vivo e palpitante de coisas, pessoas e paisagens que faz do nosso mundo aquilo que ele é no quem tem de melhor e, às vezes, de menos bom. Limito-me a referir, muito de passagem a arte fabulosa das estampas japonesas e dos desenhos da Pérsia, da Índia, da China e de tantos outros mundos conhecidos e desconhecidos.
“Last but not the least”, não esqueçamos outros atributos inerentes à figura do ladino repórter que não tem que se maçar a escrever notícias. Sendo uma espécie de cavaleiro andante de causas bem intencionadas, está muito longe dos super-heróis que as histórias de quadradinhos produziram às toneladas. É baixito, tem uma fraquíssima figura, as miúdas não lhe ligam bóia e – embora seja praticamente invulnerável a toda a espécie de acidentes sérios – não se livra, de vez em quando, de levar umas boas tareias!…
texto e ilustração foram publicados na Revista de informação do SBC, no número de Jan/Fev de 2009. (acrílico sobre tela de 0,75 x 0,85, copiado de HERGÉ, L’Affaire Tournesol, prancha 25, por Costa Brites, 1981)
https://conteudos.sibace.pt/revista/revista_009.pdf






















