sábado, 9 de julho de 2016

Figuras de Tintin #11: Dupond atrapalhado

"Dupond atrapalhado" é a nova entrega da colecção Figuras de Tintin. Dupond um dos polícias incompetentes, acompanhado pelo "gémeo" Dupont, estrearam-se nas aventuras de Tintin na versão a preto e branco de "Os charutos do faraó", ainda com os nomes de X33 e X33bis. Desde então, a dupla de detectives, cuja única diferença é a forma do bigode, apareceram em todas as aventuras do Tintin, com excepção de "Tintin no Tibete" e "Voo 714 para Sydney". Conforme explicara Hergé, os polícias foram inspirados no seu pai e tio, gémeos inseparáveis. 

A estatueta é uma réplica da figura da prancha 56, vinheta B1, do episódio "O segredo do Licorne".

Figuras de Tintin #11: Dupond atrapalhado, estatueta+livro de 16 pp.+passaporte, Altaya, 11,99€ 


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Figuras de Tintin #10: Girassol com a corneta acústica

A décima entrega desta colecção da Altaya é, novamente, o professor Girassol. Uma das características do cientista é a surdez, o que provoca, amiúde a perda da paciência dos seus ouvintes, aliado a situações hilariantes. Com a corneta acústica, Girassol tenta melhorar a sua audição.

A figura da entrega é retirada da prancha 43, vinheta A2, do álbum "Rumo à Lua".


Figuras de Tintin - Spot publicitário


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Güy Manuel


É criação absolutamente portuguesa a excelente capa [#366 de 16/04/1942] relativa ao 7º aniversário de "O Papagaio", da autoria do talentoso Güy Manuel, já em final da malograda e meteórica carreira.

Leonardo de Sá, 24/03/2016

Tintin visto por Sérgio e pelo irmão na revista «O Papagaio» (António Dias de Deus):

#190; 1 Dezembro 1938; Intervenção do egiptólogo dos «Charutos do Faraó» na «História do Egipto; Sérgio Luiz

#224; 27 Julho 1939; Intervenção na BD «Aventuras do Boneco Rebelde; Tintim; Sérgio Luiz

#237; 26 Outubro 1939; Banda Título; Tintim e Milou; Guy Manuel

#244; 14 Dezembro 1939; Página dos leitores; Tintim e Milou; Sérgio Luiz

#251; 1 Fevereiro 1940; Capa; Tintim, Milou e os Dupond(t); Sérgio Luiz - Página dos Leitores

#366; 16 Abril 1942; Capa; Tintim e Milou; Guy Manuel

saber mais sobre os autores:

https://digitarq.adlra.arquivos.pt/details?id=1070935

O Papagaio - incluindo lista dos desenhadores portugueses com desenhos alusivos ao universo de Tim-Tim.

https://tintinofilo.weebly.com/o-papagaio.html

Comentário de Leonardo de Sá 

(...) julgo que convinha sobretudo não repetir ou transmitir a falsa ideia (que se encontra noutros sítios) de que o Abel Varzim alguma vez teria frequentado ou conhecido o próprio Georges Remi, ou sequer se correspondia com ele. Claro que não foi esse o caso e isso está patente logo na primeira carta que lhe endereçou para se apresentar, um escasso mês apenas depois do começo da publicação d’O Papagaio, para explicar o que era a novel revista católica infantil e solicitar os direitos de reprodução da série, de preferência a preço reduzido, epístolas e detalhes que conhecemos graças à reprodução pelo holandês Jan Aarnout Boer em “De Avonturen van Kuifje in Portugal” (apesar da oposição dos herdeiros, viúva alegre e segundo marido…). Enfim, alguns exemplos de textos portugueses equivocados no que diz respeito ao assunto:

http://www.dn.pt/artes/livros/interior/o-padre-abel-varzim-o-papagaio-e-as-cores–1672822.html

http://www.rtp.pt/noticias/cultura/tertulia-na-amadora-celebra-os-85-anos-de-tintin-personagem-de-banda-desenhada_n719913

Na realidade, Abel Varzim conheceu quando estudante em Louvain apenas a “obra”, ou seja as próprias histórias do Tintin, através da versão original no Petit Vingtième, de que era assinante (nem menciona os primeiros álbuns da Casterman, porque claramente não os conhecia). E jamais se encontrou com o desenhador nem se correspondia de todo com ele, mas graças àquele contacto por carta — chamemos-lhe profissional — tivemos o Tintin em primazia em Portugal e ainda por cima em quadricromia! Já agora, antes da estreia nacional da própria história que menciona, no Tim-Tim na América do Norte no nº 53, a primeira menção ocorreu n’O papagaio num anúncio na separata do nº 49 e depois na capa do nº 51 da revista infantil O Papagaio, ligada à revista católica Renascença e não, como indica, à emissora Rádio Renascença que ainda nem sequer existia quando do aparecimento da publicação em 1935 — note que as emissões de rádio d’O Papagaio começaram por isso mesmo na Emissora Nacional. 




GUY MANUEL (1923-1943)


Güy Manuel (Güy Manuel Henriques de Almeida Fernandes), jovem artista que a morte levou na altura em que mais e melhor poderia mostrar o seu valor, merece bem, amiguinhos, que se abra um pequeno parêntesis na vossa leitura habitual, para se poderem debruçar, num preito de saudade, sobre a recordação de quem foi tão vosso amigo.

Os seus 20 anos — quási tão criança como vós — sabiam bem interpretar os vossos gostos. E era sempre pensando em vós, no vosso poder de observação e na vossa mentalidade a desenvolver-se, que a sua mão segura traçava essas pequenas maravilhas que ilustram as páginas de «O Faísca» e de que damos, abaixo, alguns apontamentos.

E se mais não fez, foi porque a doença que há meses o retinha no leito o não deixou. No entanto, quando pequenas melhoras faziam alimentar esperanças de restabelecimento, o desejo que sempre manifestou de não abandonar a sua colaboração nas nossas páginas, levava-o a pegar no lápis e a pensar em vós, caros leitores.

São desse período as últimas historietas que publicamos, o novo cabeçalho de «O Faísca», a cercadura da contracapa, etc.

Estudante aplicado do curso de arquitectura, a morte, implacável e cruel, não deixou que firmasse o seu lugar, a golpes de trabalho e de talento, entre os melhores artistas da moderna geração.

Vendo desaparecer Güy Manuel do nosso convívio, não só perdemos um valiosíssimo colaborador, como também um verdadeiro e leal amigo.

Paz à sua Alma!

O FAÍSCA

notícia sobre Guy Manuel (1923-1943) em O Faisca



sábado, 11 de junho de 2016

Figuras de Tintin #9: Serafim Lampião com a pasta

O famoso vendedor de seguros da Mondass, Serafim Lampião, é a figura escolhida para a nona entrega desta colecção distribuída pela Altaya.

A estreia desta personagem ocorre no episódio "O Caso Girassol", com Serafim a refugiar-se em Moulinsart de uma violenta tempestade. Dois dias mais tarde, Lampião está de volta a Moulinsart para propor a Haddock uma panóplia de seguros. Em "Carvão no Porão", organiza uma prova automobilística nos jardins do palácio do capitão. Volta a aparecer nas aventuras "As jóias de Castafiore", "Voo 714 para Sidney" e "Tintin e os Pícaros".

A miniatura em resina é retirada da prancha 42, vinheta C3 do episódio "As jóias de Castafiore".

Figuras de Tintin #9: Serafim Lampião com a pasta, Figura+Livro+Passaporte, Altaya, 12,99€


quarta-feira, 8 de junho de 2016

No país da educação


As recentes declarações da Ministra da Educação identificam uma série de problemas não camufláveis: Insucesso escolar; níveis de abandono; níveis de escolarização e competências adquiridas.

Contudo, a análise fundamentada desses problemas não se pode radicar numa retórica de estigmatização culpabilizante dos profissionais a envolver na resolução desses problemas. A vitimização dos professores pode, pelo contrário, impedir a discussão e implementação de eficácia no sistema educativo.

A partir desse discurso tem sido lido e ouvido que a educação regrediu, o que além de calunioso é falso.

Milu é fiel e inseparável companhia Sócrates e, ao contrário deste, tem um gosto moderado por aventuras - é mais pé no chão. Com estas declarações criou o cenário para uma nova aventura.

Jorge Matos, 08/06/2006

.https://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/search?q=tintin

domingo, 5 de junho de 2016

Hergé: um monárquico convicto


Muitos conhecem Georges Remi somente pelo génio da escrita e do desenho, que lançou ao Mundo a 10 de Janeiro de 1929, Tintim, o herói que o catapultou para o sucesso sem precedentes. Mas o que talvez não saibam é da sua luta e lealdade pelo Rei da Bélgica, Leopoldo III, e acima de tudo pela Monarquia.
Nunca se conheceu o paradeiro do verdadeiro avô de Hergé, o que o fez fantasiar por algum tempo poder tratar-se do próprio Leopoldo II, pois era famoso por ter vários filhos ilegítimos. Quando a sua prima Marie Louise lhe perguntava quem era o avô, ele desviava a conversa, mas por fim respondeu-lhe: “Não te digo quem era o nosso avô porque isso podia subir-te à cabeça”.
Desde o lançamento do primeiro volume de As Aventuras de Tintim, que os Príncipes Balduíno e Alberto recebiam cópias de luxuosa encadernação de todas as obras.
Logo a 14 de Outubro de 1936 o Rei Leopoldo III anunciava que em caso de guerra a Bélgica deveria manter-se neutra, pois se fosse invadida de novo “a luta devastaria o país de uma forma tal que a guerra de 1914-1918 não passaria de um pálido reflexo”. As suas palavras estavam certas, mas o destino foi inevitável. Hergé concorda com a tomada de decisão do Rei, apesar de haver algum descontentamento na opinião pública.
No ano de 1939 é publicado O Ceptro de Ottokar, livro que exalta a Monarquia Constitucional, onde o herói salva o Monarca da Sildávia de uma conspiração com o objectivo de implantar uma república ditatorial. As parecenças do Muskar II, soberano fictício da Sildávia, com o Rei Leopoldo III são visíveis. Esta era a forma de Georges mostrar a sua lealdade com a Casa Real belga, apesar de todas as adversidades.
Quando a II Guerra Mundial estala os quatro principais ministros belgas decidem abandonar o país e partirem para França. Leopoldo III por seu turno não abandona a Bélgica, dizendo que o seu lugar era ao lado do povo. Neste momento era ele que dirigia pessoalmente as operações militares. A 28 de Maio de 1940 o Rei rende-se a Hitler para evitar massacres, ficariam imortais as suas palavras “Não vos abandono no infortúnio que nos atormenta e comprometo-me a velar pelo vosso destino e pelo das vossas famílias. Amanhã começamos a trabalhar com a firme vontade de levantar a pátria das ruínas”. Hergé declararia mais tarde “Penso que nunca existiu nenhum testemunho que me abalasse a minha convicção inicial. (…) O rei teve razão”.
Durante este período Hergé carece de bens de primeira necessidade, por esta razão pede a Adolfo Simões Muller, director do jornal português O Papagaio, seu parceiro desde 1936, que enviasse comida para si e para o seu irmão Paul, que se encontrava prisioneiro na Alemanha. E assim o fez, enviando inúmeras iguarias, café e tabaco. Portugal foi o primeiro país a traduzir e a colorir As Aventuras de Tintim. Curiosamente Adolfo Simões Muller compartilha o mesmo apelido de um dos eternos rivais de Tintim.
Georges só viria a conhecer Leopoldo III em 1948, quando este se encontrava em Prégny, na Suíça. O Rei convida-o para almoçar e recorda com saudade todos os álbuns que lhe foram enviados ao longo de quase duas décadas. A partir desse momento estabeleceu-se uma amizade.


Francisco Teles da Gama

sábado, 4 de junho de 2016

Figuras de Tintin #8 - Nestor com a bandeja

A oitava entrega desta colecção da Altaya é Nestor, o mordomo do Capitão Haddock. O fiel, sóbrio e abnegado serviçal do capitão estreou-se nas aventuras de Tintin no episódio O segredo do Licorne, na altura mordomo dos criminosos irmãos Pardal. Estávamos em 1942, a Bélgica ocupada pelos alemães, com o Tintin a ser publicado a preto e branco no jornal Le Soir.

A imagem que deu origem à estatueta é a vinheta C1 da prancha 4 de As 7 bolas de cristal.

Figuras de Tintin #8: Nestor com bandeja, Altaya, Estatueta+Livro+Passaporte


domingo, 29 de maio de 2016

Crónica de Victor Bandarra no Correio da Manhã de 27 de Março de 2016

É uma conversa provável numa esplanada junto ao Tejo. Um cinquentão moreno, fino bigode, displicência britânica, troca impressões com uma portuguesa, Clara, finalista de Comunicação Social. Apresenta-se como Gaudde Mascarenhas, repórter de um grande jornal de Islamabad, Paquistão. Cumpre breves dias de férias em Lisboa. Fala português com sotaque. Gaudde nasceu em Moçambique, filho de muçulmana de origem paquistanesa e de goês católico. Os acasos do destino e do Império levam-no a fazer o liceu em Lisboa e a iniciar a vida adulta no Paquistão. Gaudde narra os horrores dos atentados terroristas, as andanças como correspondente de guerra, no Líbano e no Afeganistão, no Iraque e no Irão, no Paquistão e no Sri Lanka. A jovem bebe da experiência prática de um homem do Mundo. Face à barbárie dos atentados de Bruxelas, vem à baila a personagem Tintin, o repórter lourinho criado pelo cartunista belga Hergé. Tintin é bom pretexto para se falar de repórteres e de terrorismo. – Com os atentados em Bruxelas, lembrei-me logo do Tintin! – aponta Clara. – É lógico! – reconhece Gaudde. – Mas o rapaz tinha uma visão um bocado redutora do Mundo e dos humanos... Em 1931, Hergé lança ‘Tintin em África’, história encomendada pelo jornal conservador belga ‘Le Vingtième Siècle’. A história passa-se no Congo, então belga. Os negros são desenhados todos da mesma maneira, magrinhos, de lábios grossos e pele preta retinta. Na Europa, pensava-se e escrevia-se então: "Os negros são crianças grandes. Felizmente estamos lá..." Anos depois, Hergé acaba por reconhecer os preconceitos e os estereótipos culturais e civilizacionais que lhe povoavam o espírito, ele que nunca tinha posto o pé em África. Quanto às aventuras de Tintin pelas Arábias muçulmanas, Hergé inventa o lisboeta Oliveira da Figueira, vendedor nato e fala-barato, um dos ídolos de Paulo Portas. Personagem hilariante, Figueira até consegue vender patins a um sheik, argumentando em perfeito paleio árabe. – Tenho amigos que se lembram logo do Oliveira da Figueira quando se fala de Portugal! – sorri Gaudde. Hoje, há quem insista em fomentar o secular conflito de civilizações, por interesse, preconceito ou simples ignorância. A Europa política, quiçá por medo, nunca conseguiu criar aos 53 milhões de muçulmanos na Europa uma identidade europeia, menos ainda o orgulho de serem cidadãos europeus. Criaram-se novos ghettos, a melhor fábrica de terroristas que se conhece. O Mundo está a mudar, ou nem por isso. – Sr. Gaudde! E está agora a trabalhar em que país? – Olhe, Clara! – suspira Gaudde. – Fui colocado como correspondente de guerra em Bruxelas!