quarta-feira, 18 de abril de 2012

Tintin no Alentejo Popular de 22.03.2012 por Luiz Beira


Um álbum (in)acabado
Coragens e alucinações por Tintin
 
As edições Asa «terminaram» as reedições em português das
aventuras de Tintin. A primeira edição foi efectuada pela extinta
Verbo. Anuncia-se como a última aventura de Tintin, embora
salvaguardando que é o álbum inacabado por Hergé. Até aqui,
tudo bem. A Asa seguiu o que a francófona Casterman fez e
acordou, mas tendo sempre na sombra as devidas imposições da
ávida Fondation-Studio Hergé, ou seja, por Fanny Remi (segunda
esposa e viúva de Hergé) recasada com o astuto Nick Rodwell,
que é muito «rastapopouleano»...
A  edição do álbum «incompleto» terá sido aconselhada a Fanny
Rodwell por Benoît Peeters (!!!). Cuidado: a senhora Fanny e o
oportunista do seu actual cônjuge são detentores totais dos
direitos da obra de Hergé, já que os sobrinhos deste há muito se
haviam afastado (parece que nem se falavam) do convívio com o
famoso tio. Por aqui, começamos a topar a engrenagem de toda
uma confusão mal escondida de interesses comerciais, vaidosos e
prepotentes.
Parece que Hergé, já bastante doente, teria sugerido que o seu
amigo e mais estreito colaborador, Bob de Moor, deveria terminar
o álbum «Tintin et l’Alph-Art»... O crítico Numa Sadoul isso deixa
transparecer e Bob de Moor sabia desse desejo de Hergé. Mas
Fanny e Nick recusaram tal hipótese, enquanto o falecido dava
uma cambalhota na tumba!...
 Ora acontece que este álbum não está inacabado. Não, não
está!... Não foi finalizado por Hergé, mas por um atrevido
admirador de Hergé. E é como absoluto admirador de Hergé e da
saga tintinesca, que surge a acção (a louvar sem reservas) do
jovem quebequense Yves Rodier, que, baseado em tudo quanto
Hergé deixou sobre «Tintin et l’Alph-Art», completou e editou no
seu Canadá o álbum em questão, garantindo que era a sua
melhor homenagem a Hergé. Claro que Fanny e Nick
escabujaram. Rodier, com este seu «cartão de visita», abalou-se
ousadamente até à Bélgica. Só lhe valeu o ter conhecido (e
recebido apoios morais) de ex-colaboradores de Hergé. Destes,
Bob de Moor pôs-se mesmo como seu aliado. Ambos foram aos
Estúdios Hergé para uma oficialização da obra. E pode-se dizer
que «levaram com a porta nas ventas»! Que importa agora aos
bedéfilos, especialmente aos tintinófilos, as alucinações de Fanny
e Nick?... Zero!
No entanto, «Tintin e a Alph-Art», não está inacabado. A versão
completa (62 páginas) existe, «clandestinamente» e a preço
quase proibitivo. Sobre Yves Rodier, escreveremos em breve.
Acrescentamos, num apelo directo à Asa, em nome dos bedéfilos
e em especial da extensa legião dos tintinófilos portugueses:
– Uma vez que «Tintin et l’Alp-Art», em edição portuguesa, não é
nem pode ser o fecho da série, há outros três que são
fundamentais. Editou-se  a cara e luxuosa obra  referente ao filme
do senhor Spielberg (que bem admiramos, mas que traiu a obra
de Hergé, «O Segredo do Licorne...»), mas faltam:
– «Tintin e o Lago dos Tubarões», adaptado do filme homónimo
em Cinema de Animação e que a saudosa Verbo editou em
português;
– «Tintin e o Mistério do Tosão de Oiro» e «Tintin e as Laranjas
Azuis» (com Jean-Pierre Talbot no protagonista), à semelhança do
recente «O Segredo do Licorne», com texto e fotos, foram
editados pela Casterman e traduzidos, menos em Portugal (!!!)...
Pois, já que a Asa é atenta e aposta no Tintin, que não seja agora
frouxa e, sem nunca baixar os braços, tenha o firme e constante
denodo de lutar com insistência e sensibilidade, para que estes
três álbuns sejam editados em português. Todos os nossos
tintinófilos (que não são nada poucos) agradecem. E nós próprios,
também!