sábado, 7 de março de 2026

António Monteiro (III)

Um soberbo trabalho do conquiliologo português António Monteiro sobre este desenho está patente no sitio Tintinomania do falecido Jean-Luc Remy: https://tintinomania.com/tinti-herge-coquillages-1947

Jorge Macieira,14/03/2022


Tintim e as conchas, 1947

A arte foi um presente de Hergé ao seu amigo Edouard Cnapelinckx, um amante de conchas, por seu aniversário de 50 anos.

Via @manoelxxmarques, TPT

https://tintinomania.com/tinti-herge-coquillages-1947

Tintin e as Conchas

- Trabalhou a partir de um desenho de Hergé que lhe permitiu ligar a sua paixão pela conquiliologia com o seu amor por Tintin. Pode contar-nos mais sobre isso?

- Sempre me fascinou todos os aspetos da História Natural e coleciono conchas há quase sessenta anos. Publiquei — geralmente como co-autor — livros sobre a fauna das Ilhas de Cabo Verde e sou também coautor de vários livros sobre os Cones da África Ocidental. Atualmente, estou a trabalhar com outros dois autores num livro sobre as espécies de Cones do Brasil. Quando descobri este famoso desenho de Hergé, que mostra Tintin e o Capitão Haddock a passear numa praia com várias conchas na areia, observei que o autor as tinha reproduzido com grande precisão, o que permitiu identificar com certeza as espécies representadas. Aproveitei, por isso, a oportunidade para escrever um artigo baseado neste desenho que Hergé oferecera ao seu amigo Édouard Cnapelinckx em 1947 (este último era um colecionador de conchas).

Tintin et les coquillages

- Vous avez travaillé à partir d'un dessin de Hergé qui vous a permis de faire la jonction entre votre passion de conchyliologue et celle pour Tintin. Pouvez-vous nous en dire plus ?

- Ayant toujours été fasciné par tous les aspects de l’Histoire Naturelle, je collectionne les coquillages depuis près d’une soixantaine d’années. J’ai publié – généralement en tant que co-auteur – des livres sur la faune des îles du Cap Vert et je suis aussi co-auteur de plusieurs livres sur les Cônes de l’Afrique occidentale. Je prépare d’ailleurs en ce moment, avec deux autres auteurs, un travail sur les espèces de Cônes di Brésil. Lorsque j’ai découvert ce fameux dessin de Hergé, qui montre Tintin et le Capitaine Haddock se promenant sur une plage, avec un certain nombre de coquillages sur le sable, j’ai observé que l’auteur les avait reproduits avec beaucoup de précision, ce qui permettait d’identifier avec certitude les espèces représentées. J’ai donc saisi cette opportunité pour écrire un article à partir de ce dessin que Hergé avait offert à son ami Édouard Cnapelinckx en 1947 (ce dernier étant collectionneur de coquillages).

ficheiro

https://www.sept-sans-quatorze.fr/blog/2496487_tintin-au-portugal

António Monteiro nasceu em 1951, em Lisboa, onde vive presentemente. É professor de Matemática, casado, com duas filhas e três netos.

Interessa-se por conchas desde a infância, tendo começado a colecionar sistematicamente por volta de 1966. Mais tarde, especializou-se nas famílias Conidae e Pectinidae.

Foi membro fundador e primeiro Presidente da Sociedade Portuguesa de Malacologia – hoje extinta – tendo mais tarde desempenhado as funções de Secretário e de Editor das publicações da Sociedade.

É autor ou co-autor de numerosos artigos sobre conchas e sobre o colecionismo de conchas, bem como de alguns livros, nomeadamente Seashells from Cape Verde Islands (1977, com Luís P. Burnay), Cone Shells from Cape Verde Islands – a difficult puzzle (1980, com Dieter Röckel e Emilio Rolán) e The genus Conus of West Africa and the Mediterranean (em A Conchological Iconography, 2004, com Manuel J. Tenorio e Guido T. Poppe).

Edita há cerca de dez anos um boletim intitulado "O Búzio", distribuído a colecionadores portugueses; há cerca de um ano e meio, fundou o boletim "The Cone Collector", uma publicação internacional destinada a colecionadores da família Conidae.

Colecionador compulsivo, dedica-se ainda aos postais ilustrados antigos, selos, figuras em forma de rã, cerâmica Moorcroft, notas de Banco, fivelas antigas, etc. Além disso, está seriamente interessado em banda desenhada, particularmente na obra de Hergé, bem como em literatura sobrenatural, tendo escrito e publicado várias histórias de fantasmas.

Femorale (2008)


quinta-feira, 5 de março de 2026

Tintin no Panteão Nacional



Em Português:

Sessão de apresentação da aventura de TINTIM, em Língua Mirandesa: OS CHARUTOS DO FARAÓ

Dia 11 março, às 17h30

An Mirandés:

Sesson d’apersentaçon de la cuonta de TINTIN, an Mirandés: LS XARUTOS DE L FARAÓ

Die 11 de márcio, a las cinco i meia de la tarde

Staran persentes :

Helena Barril - Maioral de la Cámara Munecipal de Miranda de I Douro

Orlando Teixeira – Maioral de la Direçon de la ALCM Associaçon de Lhéngua i Cultura Mirandesa

Alcides Meirinhos - ALCM Associaçon de la Lhéngua I Cultura Mirandesa

Alfredo Cameirão - Comissairo de la Strutura de Mission pa la Promoçon de la Lhéngua Mirandesa

Daniel Sasportes - I antoante de I porjeto

-

Tintim no Panteão Nacional

O Panteão Nacional será o local, em Lisboa, para a apresentação do livro “Os charutos do faraó”, que surge agora em língua mirandesa. A edição original desta aventura de Tintim, imaginada por Hergé, data de 1934. Chega agora até nós em mirandês, língua reconhecida oficialmente em 1999 e que está presente no monumento através de conteúdos digitais disponibilizados gratuitamente ao público. Falada por uma minoria no nordeste transmontano, esta língua é, por isso mais, mais relevante e está presente no Panteão enquanto símbolo de Cultura e de diversidade.

HERGÉ

LAS ABINTURAS DE TINTIN - LS XARUTOS DE L FARAÓ (2026)

Casterman

terça-feira, 3 de março de 2026

Sacos

Wagner Augusto, jornalista especializado em histórias em quadrinhos e editor dos álbuns de Ken Parker no Brasil, enviou-me uma boa quantidade de sacolas que ele colecionou desde a década de 1980, frequentando Salões e Congressos de quadrinhos em vários países do mundo. Resolvi fazer um encarte com as imagens dessas sacolas, para apreciação dos leitores do QI, que o receberam junto com o nº 177 (set/out/2022). Era para ser um número único. Mas logo após o envio do encarte, dois leitores me enviaram imagens de sacolas que tinham e resolvi fazer mais este encarte

(...) Nas três páginas seguintes estão as imagens enviadas por José Azevedo e Menezes, colecionador e pesquisador português. Algumas sacolas são de lojas ou editoras relacionadas a personagens conhecidos como Lucky Luke, Spirou ou Tintin, outras são de lojas que usam imagens de personagens, não sei se com autorização. Mas há sacolas de comércios, como uma pastelaria, que tem o nome do personagem e o usa em suas embalagens

Edgard Guimarães / EGO

https://www.marcadefantasia.com/ego/outras_edicoes/edicoes_avulsas/sacolas_pelo_mundo/sacolas_pelo_mundo2/sacolas_pelo_mundo2.pdf

https://www.marcadefantasia.com/ego/outras_edicoes/edicoes_avulsas/sacolas_pelo_mundo/sacolas_pelo_mundo2/sacolas_pelo_mundo2.html (2023)

https://www.marcadefantasia.com/ego/encartes-qi/edicoes_avulsas/sacolas_pelo_mundo/sacolas_pelo_mundo1/sacolas_pelo_mundo.html (2022)



- encontramos na colaboração de José Azevedo Menezes alguns sacos que não conhecíamos (loja Timtim por timtim e pastelarias Timtim e Milu)

- um saco igual relativo à revista Tintin já tinha sido publicado por aqui

- sugere-se a leitura do artigo completo e também do anterior

segunda-feira, 2 de março de 2026

Traduções de O Papagaio


[texto «Tim-Tim repórter  de O Papagaio»]

Dos nomes das personagens ao sexo do cão: a vida atribulada da primeira versão portuguesa das aventuras do herói.

Se a publicação de Tintin, a criação máxima de Hergé, ficou como o grande feito de O Papagaio, os seus leitores tiveram de esperar quase um ano, até ao n.º 49, de 19 de Março de 1936, para o herói ser anunciado na revista, como seu repórter na «América do Norte, país civilizadíssimo, donde nos chegam as maiores invenções e belas afirmações de espírito artístico» mas que é também, «infelizmente, um território onde o banditismo impera, no qual indivíduos da pior espécie e de todas as nacionalidades estabeleceram de há muito arraiais».

Milu, seu companheiro de sempre, na revista trocava o nome e o sexo, anunciando-o(a) como «a cadelinha Pom-Pom» [1] porque, explica José Azevedo e Menezes em O Papagaio – Um Estudo do Que Foi Uma Grande Revista Infantil Portuguesa [2.ª edição, do autor, 2007], citando Dias de Deus: « Em O Papagaio já havia uma Milu, Maria de Lurdes Norberto, que recitava e cantava aos microfones das emissões infantis; Simões Müller entendeu que não ficaria bem dar o nome de uma menina conhecida a uma cadela»…

Dois números depois, em novo anúncio, já na capa, o seu nome passava a Rom-Rom mas o sexo trocado manter-se-ia até ao fim da revista. Também o capitão Haddock e o professor Tournesol foram rebaptizados, passando, respectivamente, a capitão Rosa [6] e a professor Pintadinho [?]…

Finalmente, no n.º 53, logo na capa, com cores vivas (e hoje exageradas) começavam as Aventuras de Tim-Tim na América do Norte, pela primeira vez em policromia em todo o mundo. Sinal de outros tempos, o respeito pelos originais de Hergé era pouco ou mesmo nenhum, sendo normal as pranchas serem retalhadas e remontadas em função do espaço disponível ou a ocupar.

(...)

Pedro Cleto. DN, 15 Abr 2010

Alguns dados interessantes recolhidos da obra "O Papagaio – Um Estudo do Que Foi Uma Grande Revista Infantil Portuguesa" de José Azevedo e Menezes:

(1) 19 de Março de 1936. O cão Milou é aqui apelidado de cadelinha Pom-Pom (não foi gralha, pois aparece assim duas vezes). O n.º 51 volta a anunciá-lo, na capa e no verso da separata: aqui, Pom-Pom passa a Rom-Rom, mas continua cadelinha e assim ficará até ao final de O Papagaio. Tim-Tim mede 1,45 m, mas tem a coragem de um gigante. (p.25)

(2)  O senhor Oliveira da Figueira é um português de Lisboa, comerciando na costa Arábica, devido à crise na Europa. N’O Papagaio, é o espanhol Olivero, de Málaga, fugido aos horrores da guerra. (p. 37)

(3) O representante do “Diário de Lisboa” é substituído n’O Papagaio por um jornalista da “Tarde”, do Rio de Janeiro. Não ficaria bem a um repórter de um diário português tentar subornar um colega de outro jornal português. (p. 40)

(4) O episódio do Alcazar de Toledo, ocorrido na guerra civil de Espanha, ainda estava bem vivo. Compreende-se assim, mas isto é apenas uma dedução nossa, que Adolfo Simões Müller não tenha querido manter o nome do General Alcazar e o tenha substituído por Manduca, ao contrário do que fez com o seu rival, que conservou o nome de General Tapioca. Um lapso da Redacção fez com que aparecesse escrito num cartaz “À Morte Alcazar”. É a única vez que se vê n’O Papagaio o seu nome original. (p.42)

(5) O Dr. Müller, chefe da quadrilha de falsários, toma o nome de Dr. Silva no Papagaio. (p. 43)

(6) 23 de Julho de 1942, n.º 380: primeira imagem em Portugal do Capitão Haddock. N’O Papagaio, começou por ser “O Capitão do barco”, passou a “Capitão Harddock”, depois foi “Capitão Haddock” e finalmente “Capitão Hadoque”. Só seria “Capitão Rosa” no Diabrete. (p.44)

(7) Cinco das oito figuras representadas nesta imagem [da Estrela Misteriosa] estão trocadas. O nosso Dr. Pedro João dos Santos é identificado como Monsenhor Paul Cantonneau (homenagem a Monsenhor Lopes da Cruz, fundador da Rádio Renascença? Há alguma parecença...). (p. 45) Hipollyte Calis é Hipólito Calisto em O Papagaio.

(8)  n.º 119: a única vez que n’O Papagaio Tim-Tim e Rom-Rom são Tintin e Milou [nos sarcófagos].(p.49)

nota do blog: Pom-Pom poderá ser gralha ou não porque no mesmo texto também aparece Tom-Tom

90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL
1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Sobreda-BD

Gil, Francisco Baptista. "Está aí a 12.ª Jornada Internacional de BD da Sobreda", Semanário Regional "Algarve Região", 1993, https://doi.org/10.5281/zenodo.7954208


Gil, Francisco Baptista. "13.ª Jornada Internacional de Banda Desenhada: Sobreda BD '94", Semanário Regional "Algarve Região", 1994, https://doi.org/10.5281/zenodo.7948198

https://www.cienciavitae.pt/D817-E011-0B9A

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Ls Xarutos de L Faraó

A Biblioteca Municipal de Miranda do Douro recebeu, no dia 14 de fevereiro, a apresentação do livro “Ls Xarutos de L Faraó”, primeira aventura de Tintin em Mirandês com tradução de Alcides Meirinhos. 


[Las Abinturas de Tintin]

Da Bélgica a Miranda do Douro – as aventuras de Tintim chegaram ao planalto em Mirandês

O repórter mais famoso do mundo, protagonista da banda desenhada franco-Belga, que continua a marcar gerações, Tintim já fala mirandês. "Ls Xarutos de l Faraó" ou em português comum, "Os Charutos do Faraó", é o quarto livro da saga "As Aventuras de Tintim" que foi traduzida por Alcides Meirinhos em mirandês. No total são mil exemplares que já podem ser adquiridos no site online da editora belga, Casterman.

Alcides Meirinhos contou ao Jornal Nordeste que este foi um desafio proposto por Daniel Sasportes, promotor da iniciativa. "Lançou-me o desafio e nós, na Associação de La lhengua, nunca nos negámos a desafios, e comprometi-me a ser eu a traduzi-lo", disse, acrescentando que, apesar de já ter traduzido mais bandas desenhadas "nunca havia traduzido um livro desta envergadura."

Para o também membro da Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) apesar de não ter sido tarefa fácil, "foi um prazer imenso" traduzir "estas tiras todas."

"Foi lá no princípio, não sabia por que ponta lhe havia de pegar, até que eu pedi os textos em formato Excel. A partir daí fui tira a tira, fala a fala, as coisas foram se compondo. Juntos, conseguimos arranjar novas palavras em mirandês para explicar aquilo que Tintim, Milu e Dupont e Dupont e esta gente toda querem dizer, de forma a ficarmos satisfeitos com o trabalho que fizemos", frisou.

Alcides Meirinhos afirmou acreditar que fazer este trabalho é a sua missão e a dos restantes membros da ALCM. No seu entender, garantem que o mirandês "não morra" e para que seja, "cada vez, mais sentido como algo identitário da terra de Miranda. E quando as pessoas perceberem que o Mirandês é uma das coisas que nos diferencia dos outros, aí as pessoas agarram-se à língua", disse.

Também o comissário da Estrutura de Missão, Alfredo Cameirão, vê estes trabalhos com bons olhos. "Diria que é intensificar, dignificar a presença do mirandês em todos os campos da vida social, maiormente nas traduções. Este tipo de traduções de banda desenhada para um público mais infanto-juvenil, embora chegue também a um público adulto, evidentemente que é uma reafirmação da língua. Estavam, por exemplo, eu vinha a pensar nisto pelo caminho, estavam a ação de cor no Egito, nas Arábias, portanto no mundo. A capacidade do mirandês de dizer esse mundo, de dizer o mundo inteiro, vem reforçar o estatuto, tratar a língua mirandesa como uma língua no mesmo patamar das outras, consegue fazer o que as outras línguas conseguem. Isto, do ponto de vista de divulgação da língua, é importantíssimo."

Para o autor da tradução, as onomatopeias, sendo elas "a alma de uma língua" foram muito divertidas de traduzir, já que o mirandês tem as suas.

"O perro mirandês não faz ‘bêu-bêu’, nem ‘au- au’, faz ‘gau-gau’. É isso que dá gozo, pôr as coisas em língua mirandesa", rematou.

A obra foi apresentada sábado, aquando da 27ª Feira dos Sabores Mirandeses, na biblioteca municipal da cidade.


Tintim já fala em língua mirandesa através do álbum “Ls Xarutos de l Faraó”

A personagem da Banda Desenhada (BD), Tintin, criada pelo belga Hergé já fala em mirandês por terras dos Faraós, os senhores do antigo Egito, tudo porque acaba de ser lançado o álbum “Ls Xarutos de l Faraó” (“Os Charutos do Faraó”), o primeiro álbum [em  mirandês] das aventuras do intrépido repórter que procura aventuras em qualquer parte do mundo.

Esta edição é limitada a 1.000 exemplares e colocados à venda numa livraria em Miranda do Douro e nas lojas FNAC, pelo [preço] unitário de 18 euros, sendo que este álbum do Tintim em mirandês tem edição da belga “Casterman”, com tradução de Alcides Meirinhos, membro da Associação de Língua e Cultura Mirandesa.

Daniel Sasportes, um dos mentores desta edição, em mirandês disse, durante a apresentação do livro que aconteceu, em ambiente de casa cheia, na biblioteca António Maria Mourinho, Miranda do Douro, (...) que este lançamento constitui não só uma novidade no universo ‘tintinófilo’, mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal.

Já o Comissário da recém-criada Estrutura de Missão para a Salvaguarda da Língua Mirandesa, Alfredo Cameirão, explicou ao Mensageiro que este tipo de traduções é dirigido a um público mais infantojuvenil mas que também chega a leitores e apreciadores mais adultos.

“Este tipo de iniciativa é uma reafirmação da língua mirandesa. A ação desta aventura decorre no Egito, o que demonstra a capacidade de o mirandês mostrar ao mundo inteiro a sua polivalência, o que vem colocar o idioma no mesmo patamar de outras línguas”, destacou.

Para Alfredo Cameirão, este tipo de tradução é “importantíssimo” para a sua divulgação já que esta é uma das BD mais conhecida no mundo e assim o mirandês pode chegar mais longe.

Este álbum assinala a primeira aparição de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira), o único personagem português recorrente na série, que reforça o simbolismo desta edição.

Já Alcides Meirinhos, explicou que a tradução deste livro das aventuras de Tintim foi um desafio interessante, mas no início um pouco trabalhoso e difícil.

Também Júlio Meirinhos, ex-deputado do PS e tido como o “pai” da lei do mirandês, já que foi o responsável pela oficialização deste idioma, referiu que há 27 anos havia muitos sonhos mas passo a passo a língua mirandesa foi-se consolidando. (...)

Para já não está em cima da mesa, outra tradução das aventuras de Tintim, para o mirandês.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

4 versões de "A Ilha Negra"


O PAPAGAIO

Foi em folhas soltas (como já relatei) que pela primeira vez encontrei aquele que viria a ser o meu amigo Tintin, no relato das histórias - baralhadas - que ele vivera no Oriente, nas Américas, nos desertos, sobre o mar, na China, até em Angola. Sobretudo na Inglaterra, mais precisamente na Escócia, motivo que agora me trouxera à memória esses idos tempos.

Mal sabia soletrar as palavras mágicas, mas quanto às ilustrações essas lia-as na perfeição. E o Papagaio abundava em quadradinhos.

O Tintin era jornalista e eu nem sequer percebi por tais alturas da vida esse pormenor profissional, porque aquilo que dele me interessava era a aventura permanente e misteriosa em que estava sempre envolvido. E, aqui, a Ilha Negra era um sítio especial entre todos os outros, com castelos e monstros. Como é, afinal, na realidade. E a Inglaterra era, para o jovem jornalista, o sítio mais próximo e menos exótico da sua carreira até então.

Nunca o encontrei, ao vivo, embora tenha mantido sempre com ele uma relação muito próxima, intensificada ao longo de décadas. Até inventei um encontro, ambos de boné e calças à golf, à moda da época, com “fotografia” que já revelei

O que aprendi sobre ele cresceu nessa proporção de intimidades onde o real e a ficção se misturavam. Já não era apenas o relato das suas aventuras que me prendia. Os meus interesses pela banda desenhada -foi assim que depois os sábios destas coisas chamaram aos quadradinhos- ampliaram-se. Porém, mantiveram-se centrados na personalidade de Tintin e na progressiva teia dos seus amigos e adversários, assim como na solução que ele ia encontrando para resolver os complexos e até arriscados problemas em que se viu envolvido.

Acompanhei com entusiasmo os seus êxitos e também, com preocupação, a inveja que estes provocaram em certos meios, sobretudo da intelectualidade. Chamaram-lhe de tudo, fascista, anti-comunista, misógino e racista, para ficar apenas por aqui…

A ILHA NEGRA - 1937 / 1941 / 1947 / 1965

Outro aspecto interessante, de que fui sucessivo espectador, tem a ver com a evolução formal da obra onde eram contadas as histórias fascinantes de Tintin. E, neste campo - acho que nada acontece por acaso -, foi precisamente a Ilha Negra que mais se transformou. O que eu aprendi sobre isso!

Quem me diria, quando pelos anos quarenta li no tal sótão mágico aquela história colorida, que afinal tinha sido cá mesmo, no nosso atrasado Portugal de então, que os traços negros originais ganharam, “clandestinamente” e  pela primeira vez em todo o Mundo, direito à aplicação de manchas de cor!?

Anos depois adquiri o álbum, numa edição já oficialmente colorida (de 1947, com 62 páginas) que mais tarde pude confrontar com um volume de precioso arquivo onde a história original (de 1937, com 124 páginas) estava preservada. Pelo meio tinha ficado a versão do Papagaio, publicada entre 1941 e 1942.

Porém não se esgotariam nisto as “metamorfoses” da Ilha Negra. Também aprendi, e apreciei, a profunda alteração sofrida pelo contexto gráfico daquela aventura de Tintin, sugerida ou forçada pelo editor inglês, que achara obsoletos mais de cem (!?) pormenores, necessitados de uma urgente actualização que pudesse seduzir o mercado britânico. Foi assim que em 1965 surgiu uma versão redesenhada.

António Martinó, 22 de Outubro de 2017

90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL

1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

No seu blogue «Largo dos Correios» planeia editar um trabalho sobre as quatro versões da obra de Hergé «A Ilha Negra». (MCNM, 2024)

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Las Abinturas de Tintin

Apersentaçon de la obra 'Ls Xarutos de l Faraó'

TINTIN ye un de ls heiróis más poliglotas de toda la Banda Zenhada.

Ls Xarutos de l Faraó son la purmeira abintura de TINTIN falada an mirandés i bai a ser apersentada no sábado que ben, die 14, a las cinco de la tarde, na Biblioteca António Maria Mourinho an Miranda. Todos ls partecipantes nesta cuonta fálan la Lhéngua que stá na nuossa raíç: Tintin, Rastapopoulos, Dupond i Dupond, Oulibeira de la Figueira… i até Milú lhadra an mirandés.

Por isso, queda todo mundo cumbidado a star persente, sien miedo, porque l perrico, anque seia guicho, nun muorde.

Bien benid@s

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O Menino Triste D'aprés...


A personagem "O Menino Triste" de João Mascarenhas está a celebrar 25 anos em 2026. 

De 9 de Fevereiro a 19 de  Abril realiza-se uma exposição, na Livraria Cult, com desenhos originais da série "D'Après..." (e se O Menino Triste fosse desenhado por...) dando assim início ao "O Menino Triste - World Tour 2026".

São 34 desenhos de autores portugueses e estrangeiros bem como de algumas homenagens como por exemplo a Moebius (O Menino Arzak... num trabalho realizado para o BD Jornal, na homenagem que Jorge Machado-Dias promoveu a Moebius) ou Hergé.

Nomes por ordem alfabética: Enrique Sánchez Abulí, Aimée de Jongh, André Diniz, Batem, François Boucq, Cameron Stewart, Cyril Pedrosa, Derradé, Fábio Moon & Gabriel Bá, Filipa Beleza, Hergé, José Carlos Fernandes, Jean-Claude Denis, Jeff Smith, Joana Afonso, Lucio Oliveira, Luís Louro, Mana Neyestani, Nuno Markl, Maurício de Sousa, Jean-Claude Mézières, Miguel Rocha, Mawil, Miguelanxo Prado, Moebius, Olivier Afonso & Chico, Osvaldo Medina, Paulo Monteiro, Penim Loureiro, Tara McPherson, Tardi, Lewis Trondheim, Yoshiyasu Tamura, Zep.

Informações de Data e Local Ano: 2026 (Comemorando 25 anos: 2001-2026, conforme o selo circular). 

Local: Livraria Cult.

Endereço: Rua José d’Esaguy, 13B, Alvalade - Lisboa.

(...) [Luís Louro] foi um dos primeiros autores que “piquei”, para esta série “D’après...” com O Menino Triste. Tive algumas dúvidas sobre qual das suas personagens iria retratar, mas acabou por prevalecer a ideia do seu primeiro clássico: Jim del Mónaco. Contudo, tenho uma enorme vontade de igual forma um dia destes “picar” também O Corvo. - JM, 2008


Alguns dos desenhos publicados no nosso blog com a personagem OMT:


No ano da comemoração do Centenário do grande autor belga de Banda Desenhada, não podia deixar de aqui colocar a minha contribuição.

Embora O Menino Triste tenha sido criada numa altura que não deixou qualquer hipótese temporal e física de eu almejar a que um dos meus desenhos pudesse hipoteticamente vir a ser autografado por Hergé, não pude deixar de realizar o trabalho que agora aqui revelo, e de o incluir nesta secção "D'après...".

Independentemente de se gostar ou não de Hergé, não se pode contudo deixar de reconhecer a importância que o seu trabalho (e dos seus Estúdios Hergé) teve, e continua a ter, no panorama da Banda Desenhada europeia. A quantidade de livros, ensaios, teses, e demais literatura sobre o tema assim o demonstra.

Um desenho que fiz há anos, como homenagem a Hergé, onde O Menino Triste "mimetiza" Tintin... (JM, 10/01/2014)





Foi em Outubro de 2001 que foi publicado o primeiro livro d'O Menino Triste.
https://omeninotriste.blogspot.com/
https://www.facebook.com/OMeninoTriste





terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

José de Lemos

-- Na foto podemos ver Geraldes Lino a entregar o Prémio Especial “O Mosquito” a José de Lemos (1985)).

Este desenhador e escritor nasceu em Lisboa, no dia 23 de Abril de 1910, vindo a falecer também em Lisboa a 21 de Abril de 1995.

Embora o seu bairro predilecto fosse o Bairro Alto onde trabalhou cerca de 40 anos, principalmente a colaborar para o jornal “Diário Popular”, onde possuía uma rubrica “Riso Amarelo” e também participou num suplemento Infantil “O Doutor Sabichão” a partir de 1972, mas viveu os últimos anos da sua vida em Campo de Ourique.

Cursou a Escola Preparatória Rodrigues Sampaio. Nunca estudou Desenho ou Letras, sendo por isso um autodidacta nas duas vertentes. Possui um traço único e nunca foi influenciado por qualquer outro artista.

Segundo suas palavras, as próprias crianças e o carinho que a elas dedicava serviram como impulsionadores da sua aprendizagem e da sua procura na concretização dos seus trabalhos, tendo assim alcançado um lugar cimeiro nas vertentes dos dois temas.

No jornal “Diário Popular” viria a criar algumas páginas destinadas aos leitores mais jovens: “Hoje Há Palhaços”, ”As Distracções do Doutor Sabichão”, “Página Infantil” e “Os Artistas de Palmo e Meio”, a sua maior alegria.

(...)

Carlos Gonçalves

José de Lemos (1910-1995) foi um desenhador, ilustrador e escritor.

Nasceu em Lisboa, e cursou a Escola Preparatória Rodrigues Sampaio. Muito cedo revelou a sua vocação para o desenho. Inconformista por natureza, considerava-se um autodidacta perante a arte que escolheu.

Adolescente ainda começa a colaborar em diversas publicações, como o «Rebate», jornal republicano, um dos primeiros onde viu desenhos seus publicados. Mais assiduamente, o seu traço apareceria nas páginas de «O Papagaio», «Sempre Fixe» e «Diário de Lisboa». Ao ingressar no quadro de fundadores do «Diário Popular», José de Lemos passou a desenhar quase exclusivamente para aquele jornal.


José de Lemos tinha ilustrado o primeiro livro de A. Simões Muller: "O Meu Portugal… Meu Gigante" (ENP, 1932).

Lemos foi o primeiro nome convidado por Simões de Muller a colaborar em "O Papagaio" juntando-se assim a Tom que já fazia parte da equipa. Ficou depois como ilustrador e também escreveu contos. As participações relacionadas com Tim-tim são todas de 1936.

#52; 9 Abril 1936; Capa; Tintim; José de Lemos

#54; 23 Abril 1936; Banda Título; Tintim e Milou; José de Lemos

#58; 21 Maio 1936; Banda Título (diferente); Tintim e Milou; José de Lemos
#65; 19 Julho 1936; Banda Título (diferente); Tintim e Milou; José de Lemos

#78; 8 Outubro 1936; Capa; Tintim mascarado de «pele-vermelha» e Milou; José de Lemos


Curiosamente no livro "José de Lemos: Ilustração e cartoon" de Jorge Silva tem um capítulo designado "Lemos no País dos Sovietes".


Ligações









90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL 
1936-2026
O PAPAGAIO 


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as aventuras de "Tintin". (CG)