sexta-feira, 3 de abril de 2026

Santa Páscoa!

 


O blog do Professor António Martinó tem estado parado mas aproveitamos para copiar a imagem que foi partilhada no ano passado onde Chico Alcagoita se juntou a Tintin e Milu.

Também acrescentando um post de 2014 onde aparece uma capa de Hergé onde Tintin e a equipa - Milou, Haddock, Tournesol e Dupond/t- fazem soar um grande sino pascal. Há sempre muita coisa para descobrir nesse vasto arquivo e esperemos que possa continuar a ser alimentado regularmente.





quinta-feira, 2 de abril de 2026

Feliz Páscoa

                                           

Na Revista Tintin original era bastante habitual haver capas com referências às comemorações da Páscoa mas tal não acontecia na versão portuguesa da revista. A única capa da edição nacional da revista Tintin com algo que se possa associar à Páscoa nem tinha as personagens de Hergé.

Data: 27-03-1971

Tintin nº 44 - 3º ano (1971)

 Págs: 32

 Preço: 7$50

 Capa: Géri

A imagem usada na capa tinha aparecido na contracapa da revista nº 14 de 05/04/1966 da Tintin original.

Géri foi o criador de Skblllz em 1966! Trata-se de um animal bizarro e muito peludo que põe ovos. Apareceu logo no número de estreia e Portugal da revista da Tintin.

Junto ao logotipo da revista aparece Skblllz em vez de Tintin e Milu. Foi algo de interessante que aconteceu mais vezes no início da década de 1970. Umas vezes com a dupla Tintin e Milu numa imagem diferente da habitual ou com outras personagens.

Por ocasião dos 25 anos da revista Tintin belga, em Outubro de 1971, a edição nacional publicou uma história de Skbllllz onde o ovo é transformado num bolo de aniversário. Irá aparecer aqui no blog por ocasião dos 80 anos da revista e 55 anos dessa publicação.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lego



Está a ser lançado o modelo da Lego que resultou da proposta do português Alexis dos Santos que foi selecionado pela comunidade e, de seguida, desenvolvido pelo Grupo LEGO.

“Há algum tempo, queria fazer um modelo baseado no Tintin. Comecei isto para ajudar uma colega de trabalho que queria encontrar instruções para um foguetão do Tintin e não encontrava nada que lhe agradasse.”

“A primeira fase foi obter todas as referências visuais que consegui encontrar na banda desenhada”, diz Alexis. “Depois, desenhei tudo no Stud.io ou no LDD. Quando fiquei satisfeito com as proporções e o aspeto do modelo, fiz uma primeira montagem sem as cores certas, apenas para verificar se as ligações eram possíveis.” Alexis publicou finalmente a sua criação no LEGO Ideas. Depois de ter chegado a 10.000 apoiantes e de ter sido aprovado pelo Conselho de Revisão da LEGO Ideas para produção como um conjunto oficial da LEGO, os designers da LEGO entraram oficialmente em cena como parte do processo de cocriação para garantir que a ideia original do produto fosse alterada para se adequar aos diversos padrões da LEGO.

https://beta.ideas.lego.com/blog/cadefcb5-88b3-40a7-8098-a50e39d06366


O 21367 LEGO® Ideas Tintin® Moon Rocket contém 1283 peças e terá um PVP de €159.99, medindo cerca de 49 centímetros de altura e 23 de base.

Não traz a torre de lançamentos como na ideia original, mas traz todas as figuras mais icónicas da franquia, em fato de astronauta: Tintin, Capitão Haddock, Professor Girassol, Dupond e Dupont), e claro, Milu!

https://playwellportugal.blogspot.com/2026/03/e-ai-esta-tintin-apresentado.html

LEGO acaba de anunciar grande set de Tintin (feito por um português) - Magazine HD 15/03/2026

LEGO lança set do Foguetão Lunar de Tintin criado por designer português Echo Boomer 13/03/2026

https://www.magazine-hd.com/apps/wp/lego-ideas-foguetao-tintin-critica-analise-review-set-genial-feito-portugues/

Para homenagear Alexis, os designers da LEGO incluíram um easter egg no conjunto que é uma referência à constelação de nascimento do fã designer que está no mapa encontrado na sala de controlo

No dia 1 de Abril de 2026 vai haver uma apresentação demonstrativa da montagem do modelo na Loja Tintin de Bruxelas.

(...) podem agora "completar" o set com as duas torres que faziam parte do projecto original de Alexis Santos, e também da história emblemática.

O autor disponibilizou as instruções para os dois módulos, sendo que cada um tem "apenas" 678 peças. As mesmas podem ser adquiridas no Rebrickable, mas espreitem a restante galeria de Alexis já que existem muitas outras excelentes construções.

https://playwellportugal.blogspot.com/2026/03/tintin-rocket-launch-tower-por-tkel86.html

Descrição

LEGO® Ideas – Foguete do Tintin (21367)

Revive uma das aventuras mais icónicas de Tintin com este espetacular foguetão LEGO® Ideas, diretamente inspirado nos álbuns Rumo à Lua e Explorando a Lua.

Com o seu icónico padrão axadrezado vermelho e branco, este modelo de 49 cm de altura recria fielmente o lendário foguetão imaginado por Hergé. Concebido como um verdadeiro item de colecção, encontrará certamente o seu lugar na montra de qualquer entusiasta.

O conjunto inclui 6 personagens icónicas — Tintin, Capitão Haddock, Professor Girassol, Dupont e Dupont e Milu — todos equipados para a exploração lunar.

Um painel amovível revela uma sala de controlo detalhada, permitindo recriar a lendária cena em que os heróis contemplam a Terra a partir do espaço.

Desenvolvido através do programa LEGO® Ideas, este modelo é o resultado da criatividade de um fã, selecionado pela comunidade e, de seguida, desenvolvido pelo Grupo LEGO.

Uma homenagem fiel e elegante ao mundo de Tintin, para construir e expor. Informações do produto:

Referência: 21367

Número de peças: 1.283

Dimensões: 49 cm (A) x 20 cm (L) x 23 cm (P)

Idade recomendada: 18+

!!! Disponível exclusivamente na Loja Tintin na Grand Place em Bruxelas, na Livraria do Museu Hergé em Louvain-la-Neuve e online em boutique.tintin.com.

Ref.: 59031

Especificações

Largura: 20 cm

Comprimento: 23 cm

Altura: 49 cm

Ano de produção: 2026

País de fabrico: Dinamarca

Idade mínima: 18 anos

Material: Plástico

Personagens: Tintin, Capitão Haddock, Milu, Dupond e Dupond, Professor Girassol

Dimensões da embalagem: 19 cm x 59 cm x 39 cm

LEGO® Ideas Foguete Lunar do Tintin®

159,99 €

sábado, 28 de março de 2026

Há uma Bedeteca no Porto!!

Não estamos propriamente a atirar livros à cabeça do leitor.

Antes pelo contrário, estamos a recolhe-los, a cuida-los, a inventaria-los na nossa Base de Dados, enfim e em suma, a preservar um acervo significativo e (que achamos) importante e interessante. As ofertas de editoras e de particulares continuam a chegar e a entrar nas nossas prateleiras.

Mas assim como entram, gostaríamos que fossem retirados, folheados, lidos, apreciados ou não, que os gostos discutem-se (e temos feito muito disso).

Quer colaborar connosco? Tem livros que pode oferecer? Quer contribuir para o projecto e tornar-se AMIGO DA BEDETECA?

Contacte-nos: bedeteca@gmail.com

Horário

A Bedeteca está aberta de Quarta a Sábado, das 15h00 às 19h00. Visitem-nos.

Bedeteca

Shopping Center Brasília, Avenida da Boavista, 267

1º. Andar, Loja 503, 4050-115 Porto (Portugal)

Boletim Bedeteca  #11 - 23/03/2026

MEMÓRIA 

relembrar a inauguração da BDTECA em 1990 (Comicarte, 18)



quinta-feira, 26 de março de 2026

Vasco Granja



O centenário do nascimento de Vasco Granja, nascido em 10/07/1925, continua a ser comemorado.

Em Janeiro de 2026 foi lançado pelas Edições Avante! o livro "Vasco Granja - A Divulgação Apaixonada de uma Cultura Democrática". Trata-se de uma "antologia de textos da sua autoria que relevam o seu papel como um dos mais destacados divulgadores de banda desenhada e de cinema de animação em Portugal." Inclui pelo menos dois textos com algumas referências a Hergé.


Entretanto no âmbito da Monstra - Festival de animação de Lisboa continuará até 11 de Abril de 2026 a exposição "Olá, Vasco Granja!".

A exposição que revela o espólio de Vasco Granja, um dos maiores divulgadores de animação em Portugal, e que também comemora o centenário do seu nascimento, estará patente na Sociedade Nacional de Belas Artes até 11 de abril.

Na exposição é possível vermos fotogramas de obras de referência do cinema de animação de Norman McLaren, Zbigniew Czernelecki (autor de O Lápis Mágico), Zlatko Grgić (autor de Professor Balthazar), Robert “Bob” Balser (realizador de O Submarino Amarelo), Bruno Bozetto, Raoul Servais ou René Laloux.

Encontramos ainda uma secção dedicada à animação portuguesa (com Fernando Correia e Artur Correia), cujos exemplares foram adquiridos pela Cinemateca Portuguesa, uma sequência de fotogramas de nomes maiores da animação mundial como Richard Williams (director de animação de Quem Tramou Roger Rabbit, de Robert Zemeckis) e John Halas, britânico de origem húngara que realizou, com a sua mulher Joy Batchelor, Animal Farm.

A entrada é gratuita e podem encontrar mais informações em https://snba.pt/exposicoes/ola-vasco-granja/

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/12-ano-n-44.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/1244.html





domingo, 22 de março de 2026

Shock

O fanzine Shock começou em 1983 e recomeçou em Agosto de 1989 com uma edição de homenagem a Hergé. O sucesso foi tal que chegou a haver uma 2ª edição desse nº 1. A Hergé seguiram-se homenagens a Jacobs (2), Goscinny/Uderzo (5), Jacques Martin (4), Hugo Pratt (9), Bilal (13) e outros.

A imagem do nº 1 do Shock aparece na contracapa da obra "Dédalo dos fanzines", lançada em 1997, com informação dos fanzines publicados em Portugal desde 1972 até 1997.

Agradecíamos a quem nos puder enviar cópia das imagens publicadas na Shock nº 1 ou em outras edições em que apareçam outras referências às personagens de Hergé.

https://chilicomcarne.blogspot.com/2022/12/dedalo-dos-fanzines-25-anos.html

https://www.bedetheque.com/serie-70637-BD-DOC-Dedalo-dos-fanzines.html

https://sitiodosfanzines.blogspot.com/2015/07/livros-sobre-fanzines.html

https://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com/2015/07/livros-sobre-fanzines-os-meus-i-dedalo.html

https://mynationunderground.blogspot.com/2023/05/dedalo-dos-fanzines.html

https://mynationunderground.blogspot.com/2022/12/shock.html

SHOCK

Tudo começou no princípio de 1983... Um grupo de jovens ligados à bd reúne-se no Parque Mayer (Lisboa) às 5as. Feiras: Luiz Beira, Nuno Nisa, Francisco Lança, Luis Nunes, João Neves, Luvi, e eu próprio. Nascia um grupo bedéfilo cheio de entusiasmo e sonhos. Luvi dá a ideia, o título, e em Julho do mesmo ano é lançado e apadrinhado por Geraldes Lino, no 2º Salão do Clube Português de Banda Desenhada na FIL, o histórico nº zero.

O êxito levou-nos a preparar o material para o número seguinte, mas os originais levam sumiço, e o entusiasmo desencantou-se. Entretanto, Luvi parte para França, Lança. Nisa e Nunes deixam de se ver mas as tertúlias das 5as. feiras continuam.

Em Agosto de 89 (por iniciativa minha) relança-se o Shock com mais entusiasmo do que nunca, dedicado a Hergé.

Estrompa

Pura carolice do autor e com o objectivo de divulgar novos talentos e estimular a adesão do público à BD, Estrompa lança-se na Arte dos Fanzines (fanático + magazine) em 1983, com o nº 0 do “Shock”, juntamente com um grupo de amantes de BD, proveniente da “Tertúlia SHOCK”, sob o tema “O Chapéu”. Participaram neste número autores conceituados : Artur Correia, Augusto Trigo, Chico Lança, Edgar Marcelo, Eugénio Silva, Fernando Bento, Geraldes Lino, Hervé Chetelat, João Neves, José Abrantes, José Ruy, Luiz Beira, Luis Costa, Luis Nunes, Luvi, Mitsuhirato, Pedro Morais.

Em 1989, depois de restaurada a “Tertúlia SHOCK”, o fanzine ganha vida novamente, com o objectivo de homenagear vários autores clássicos de BD. Entre os participantes contavam-se Luiz Beira, Luis Louro, Francisco Legatheaux e “Ruka” Rebello da Silva. A partir do nº 8, em Março de 1991, fica a dirigir sozinho o “Shock”.

https://arquivo.pt/wayback/20141002003158/http://estrompa.com.sapo.pt/fanzines.htm

Shock foi de facto um fanzine enquanto editado por amadores, inicialmente por Luiz Beira, seu criador, que editou o nº 0, experimental, em 8 de Julho de 1983, e posteriormente, durante anos, por José João Amaral Estrompa, que o tornou num fanzine de grande qualidade, tanto na imagem gráfica como no nível do conteúdo, para o qual ele criou o seu herói predilecto Tornado 1989, nascido numa banda desenhada curta, de prancha única, exposta no evento Sobreda BD 1989, em Março desse ano, daí o nome da personagem.

https://divulgandobd.blogspot.com/2016/11/erro-nos-premios-nacionais-de-banda.html

quinta-feira, 19 de março de 2026

O Papagaio

A América do Norte, país civilizadíssimo, donde nos chegam as maiores invenções e belas afirmações de espírito artístico, é, infelizmente, um território onde o banditismo impera, no qual indivíduos da pior espécie é de todas as nacionalidades estabeleceram de há muito arraiais. Todos os rapazes conhecem, por intermédio dos filmes e dos jornais, as proezas dos inimigos públicos, roubando, sequestrando, matando.

A luta entre a polícia e os bandidos atinge por vezes proporções de verdadeiras batalhas. E nem sempre a força pública logra sair vitoriosa do embate. Frequentemente, mercê de circunstâncias variadíssimas, a derrota dos malfeitores é obtida graças à actuação de polícias-amadores, «detectives» de inteligência extraordinária, algumas vezes ao serviço dos maiores jornais.

«O Papagaio», na sua qualidade de grande semanário, resolveu pôr também à prova a perspicácia e a coragem dum dos seus melhores «repórteres», desconhecido do grande público devido à sua imensa modéstia.

Desta vez, porém, o nosso enviado especial à América do Norte vai correr sérios riscos. No desejo de bem informar os nossos leitores sobre a organização das quadrilhas de malfeitores, por vezes com ramificações entre os próprios peles-vermelhas, o «repórter» de «O Papagaio» terá a vida constantemente em jogo. Por isso entendemos que o seu nome deve ser conhecido de todos os nossos leitores que vão seguir certamente com o maior interesse tão formidável e inédita reportagem.

Tim-Tim: eis o nome do grande «repórter», de cujas aventuras na América do Norte em breve começaremos a publicar o relato.

Acompanhado pela fidelíssima cadela Pom-Pom, o moço e ilustre jornalista partiu há dias para Nova Iorque, a bordo do «Vulcânia». Daquela cidade dirigir-se-á imediatamente para Chicago, a capital do crime, o principal antro dos bandidos que vai desmascarar e vencer. O facto de Tim-Tim se fazer acompanhar da cadelinha Pom-Pom não é, como à primeira vista pode parecer, de somenos importância. O inteligente animal é o melhor companheiro do famoso «repórter» a quem já por mais duma vez salvou a vida.

«O Papagaio» espera começar a publicar o relato da viagem do seu enviado no número 53, de 16 de Abril. Mais umas semanas pois e os nossos amiguinhos verão satisfeita finalmente a curiosidade desde hoje tão aguçada. E lembrem-se de que Tom-Tom vai fazer-nos uma reportagem completíssima, isto é, vai contar-nos tudo tim-tim por tim-tim.


ANÚNCIO PUBLICADO NO VERSO DA SEPARATA DO Nº 49 DE 19 DE MARÇO DE 1936

 


curiosa a referência à inscrição no Clube "O Papagaio"


Desenho incluído no anúncio  publicado na separata do n.º 49, de 19 de Março de 1936



90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL
1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

sábado, 14 de março de 2026

O Papagaio

Capa da autoria de Júlio Resende.

O nº 105 da revista O Papagaio que foi lançada em 15 de Abril de 1967 marcava o início do terceiro ano da publicação. Tim-Tim tinha começado em Abril de 1936 e a estreia da revista tinha sido em 18/04/1935.

Na capa do nº 105 aparece Tim-Tim e Rom-Rom junto com o papagaio 

Ver mais dados sobre a colaboração de Julio Resende com a revista "O Papagaio"

O Papagaio nº 105 de 15 de Abril de 1937


90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL
1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

sábado, 7 de março de 2026

António Monteiro (III)

Um soberbo trabalho do conquiliologo português António Monteiro sobre este desenho está patente no sitio Tintinomania do falecido Jean-Luc Remy: https://tintinomania.com/tinti-herge-coquillages-1947

Jorge Macieira,14/03/2022


Tintim e as conchas, 1947

A arte foi um presente de Hergé ao seu amigo Edouard Cnapelinckx, um amante de conchas, por seu aniversário de 50 anos.

Via @manoelxxmarques, TPT

https://tintinomania.com/tinti-herge-coquillages-1947

Tintin e as Conchas

- Trabalhou a partir de um desenho de Hergé que lhe permitiu ligar a sua paixão pela conquiliologia com o seu amor por Tintin. Pode contar-nos mais sobre isso?

- Sempre me fascinou todos os aspetos da História Natural e coleciono conchas há quase sessenta anos. Publiquei — geralmente como co-autor — livros sobre a fauna das Ilhas de Cabo Verde e sou também coautor de vários livros sobre os Cones da África Ocidental. Atualmente, estou a trabalhar com outros dois autores num livro sobre as espécies de Cones do Brasil. Quando descobri este famoso desenho de Hergé, que mostra Tintin e o Capitão Haddock a passear numa praia com várias conchas na areia, observei que o autor as tinha reproduzido com grande precisão, o que permitiu identificar com certeza as espécies representadas. Aproveitei, por isso, a oportunidade para escrever um artigo baseado neste desenho que Hergé oferecera ao seu amigo Édouard Cnapelinckx em 1947 (este último era um colecionador de conchas).

Tintin et les coquillages

- Vous avez travaillé à partir d'un dessin de Hergé qui vous a permis de faire la jonction entre votre passion de conchyliologue et celle pour Tintin. Pouvez-vous nous en dire plus ?

- Ayant toujours été fasciné par tous les aspects de l’Histoire Naturelle, je collectionne les coquillages depuis près d’une soixantaine d’années. J’ai publié – généralement en tant que co-auteur – des livres sur la faune des îles du Cap Vert et je suis aussi co-auteur de plusieurs livres sur les Cônes de l’Afrique occidentale. Je prépare d’ailleurs en ce moment, avec deux autres auteurs, un travail sur les espèces de Cônes di Brésil. Lorsque j’ai découvert ce fameux dessin de Hergé, qui montre Tintin et le Capitaine Haddock se promenant sur une plage, avec un certain nombre de coquillages sur le sable, j’ai observé que l’auteur les avait reproduits avec beaucoup de précision, ce qui permettait d’identifier avec certitude les espèces représentées. J’ai donc saisi cette opportunité pour écrire un article à partir de ce dessin que Hergé avait offert à son ami Édouard Cnapelinckx en 1947 (ce dernier étant collectionneur de coquillages).

ficheiro

https://www.sept-sans-quatorze.fr/blog/2496487_tintin-au-portugal

António Monteiro nasceu em 1951, em Lisboa, onde vive presentemente. É professor de Matemática, casado, com duas filhas e três netos.

Interessa-se por conchas desde a infância, tendo começado a colecionar sistematicamente por volta de 1966. Mais tarde, especializou-se nas famílias Conidae e Pectinidae.

Foi membro fundador e primeiro Presidente da Sociedade Portuguesa de Malacologia – hoje extinta – tendo mais tarde desempenhado as funções de Secretário e de Editor das publicações da Sociedade.

É autor ou co-autor de numerosos artigos sobre conchas e sobre o colecionismo de conchas, bem como de alguns livros, nomeadamente Seashells from Cape Verde Islands (1977, com Luís P. Burnay), Cone Shells from Cape Verde Islands – a difficult puzzle (1980, com Dieter Röckel e Emilio Rolán) e The genus Conus of West Africa and the Mediterranean (em A Conchological Iconography, 2004, com Manuel J. Tenorio e Guido T. Poppe).

Edita há cerca de dez anos um boletim intitulado "O Búzio", distribuído a colecionadores portugueses; há cerca de um ano e meio, fundou o boletim "The Cone Collector", uma publicação internacional destinada a colecionadores da família Conidae.

Colecionador compulsivo, dedica-se ainda aos postais ilustrados antigos, selos, figuras em forma de rã, cerâmica Moorcroft, notas de Banco, fivelas antigas, etc. Além disso, está seriamente interessado em banda desenhada, particularmente na obra de Hergé, bem como em literatura sobrenatural, tendo escrito e publicado várias histórias de fantasmas.

Femorale (2008)


quinta-feira, 5 de março de 2026

Tintin no Panteão Nacional



Em Português:

Sessão de apresentação da aventura de TINTIM, em Língua Mirandesa: OS CHARUTOS DO FARAÓ

Dia 11 março, às 17h30

An Mirandés:

Sesson d’apersentaçon de la cuonta de TINTIN, an Mirandés: LS XARUTOS DE L FARAÓ

Die 11 de márcio, a las cinco i meia de la tarde

Staran persentes :

Helena Barril - Maioral de la Cámara Munecipal de Miranda de I Douro

Orlando Teixeira – Maioral de la Direçon de la ALCM Associaçon de Lhéngua i Cultura Mirandesa

Alcides Meirinhos - ALCM Associaçon de la Lhéngua I Cultura Mirandesa

Alfredo Cameirão - Comissairo de la Strutura de Mission pa la Promoçon de la Lhéngua Mirandesa

Daniel Sasportes - I antoante de I porjeto

-

Tintim no Panteão Nacional

O Panteão Nacional será o local, em Lisboa, para a apresentação do livro “Os charutos do faraó”, que surge agora em língua mirandesa. A edição original desta aventura de Tintim, imaginada por Hergé, data de 1934. Chega agora até nós em mirandês, língua reconhecida oficialmente em 1999 e que está presente no monumento através de conteúdos digitais disponibilizados gratuitamente ao público. Falada por uma minoria no nordeste transmontano, esta língua é, por isso mais, mais relevante e está presente no Panteão enquanto símbolo de Cultura e de diversidade.

HERGÉ

LAS ABINTURAS DE TINTIN - LS XARUTOS DE L FARAÓ (2026)

Casterman

terça-feira, 3 de março de 2026

Sacos com publicidade

Wagner Augusto, jornalista especializado em histórias em quadrinhos e editor dos álbuns de Ken Parker no Brasil, enviou-me uma boa quantidade de sacolas que ele colecionou desde a década de 1980, frequentando Salões e Congressos de quadrinhos em vários países do mundo. Resolvi fazer um encarte com as imagens dessas sacolas, para apreciação dos leitores do QI, que o receberam junto com o nº 177 (set/out/2022). Era para ser um número único. Mas logo após o envio do encarte, dois leitores me enviaram imagens de sacolas que tinham e resolvi fazer mais este encarte

(...) Nas três páginas seguintes estão as imagens enviadas por José Azevedo e Menezes, colecionador e pesquisador português. Algumas sacolas são de lojas ou editoras relacionadas a personagens conhecidos como Lucky Luke, Spirou ou Tintin, outras são de lojas que usam imagens de personagens, não sei se com autorização. Mas há sacolas de comércios, como uma pastelaria, que tem o nome do personagem e o usa em suas embalagens

Edgard Guimarães / EGO

https://www.marcadefantasia.com/ego/outras_edicoes/edicoes_avulsas/sacolas_pelo_mundo/sacolas_pelo_mundo2/sacolas_pelo_mundo2.pdf

https://www.marcadefantasia.com/ego/outras_edicoes/edicoes_avulsas/sacolas_pelo_mundo/sacolas_pelo_mundo2/sacolas_pelo_mundo2.html (2023)

https://www.marcadefantasia.com/ego/encartes-qi/edicoes_avulsas/sacolas_pelo_mundo/sacolas_pelo_mundo1/sacolas_pelo_mundo.html (2022)



- encontramos na colaboração de José Azevedo Menezes alguns sacos que não conhecíamos (loja Timtim por timtim e pastelarias Timtim e Milu)

- um saco igual relativo à revista Tintin já tinha sido publicado por aqui

- sugere-se a leitura do artigo completo e também do anterior

segunda-feira, 2 de março de 2026

Traduções de O Papagaio


[texto «Tim-Tim repórter  de O Papagaio»]

Dos nomes das personagens ao sexo do cão: a vida atribulada da primeira versão portuguesa das aventuras do herói.

Se a publicação de Tintin, a criação máxima de Hergé, ficou como o grande feito de O Papagaio, os seus leitores tiveram de esperar quase um ano, até ao n.º 49, de 19 de Março de 1936, para o herói ser anunciado na revista, como seu repórter na «América do Norte, país civilizadíssimo, donde nos chegam as maiores invenções e belas afirmações de espírito artístico» mas que é também, «infelizmente, um território onde o banditismo impera, no qual indivíduos da pior espécie e de todas as nacionalidades estabeleceram de há muito arraiais».

Milu, seu companheiro de sempre, na revista trocava o nome e o sexo, anunciando-o(a) como «a cadelinha Pom-Pom» [1] porque, explica José Azevedo e Menezes em O Papagaio – Um Estudo do Que Foi Uma Grande Revista Infantil Portuguesa [2.ª edição, do autor, 2007], citando Dias de Deus: « Em O Papagaio já havia uma Milu, Maria de Lurdes Norberto, que recitava e cantava aos microfones das emissões infantis; Simões Müller entendeu que não ficaria bem dar o nome de uma menina conhecida a uma cadela»…

Dois números depois, em novo anúncio, já na capa, o seu nome passava a Rom-Rom mas o sexo trocado manter-se-ia até ao fim da revista. Também o capitão Haddock e o professor Tournesol foram rebaptizados, passando, respectivamente, a capitão Rosa [6] e a professor Pintadinho [?]…

Finalmente, no n.º 53, logo na capa, com cores vivas (e hoje exageradas) começavam as Aventuras de Tim-Tim na América do Norte, pela primeira vez em policromia em todo o mundo. Sinal de outros tempos, o respeito pelos originais de Hergé era pouco ou mesmo nenhum, sendo normal as pranchas serem retalhadas e remontadas em função do espaço disponível ou a ocupar.

(...)

Pedro Cleto. DN, 15 Abr 2010

Alguns dados interessantes recolhidos da obra "O Papagaio – Um Estudo do Que Foi Uma Grande Revista Infantil Portuguesa" de José Azevedo e Menezes:

(1) 19 de Março de 1936. O cão Milou é aqui apelidado de cadelinha Pom-Pom (não foi gralha, pois aparece assim duas vezes). O n.º 51 volta a anunciá-lo, na capa e no verso da separata: aqui, Pom-Pom passa a Rom-Rom, mas continua cadelinha e assim ficará até ao final de O Papagaio. Tim-Tim mede 1,45 m, mas tem a coragem de um gigante. (p.25)

(2)  O senhor Oliveira da Figueira é um português de Lisboa, comerciando na costa Arábica, devido à crise na Europa. N’O Papagaio, é o espanhol Olivero, de Málaga, fugido aos horrores da guerra. (p. 37)

(3) O representante do “Diário de Lisboa” é substituído n’O Papagaio por um jornalista da “Tarde”, do Rio de Janeiro. Não ficaria bem a um repórter de um diário português tentar subornar um colega de outro jornal português. (p. 40)

(4) O episódio do Alcazar de Toledo, ocorrido na guerra civil de Espanha, ainda estava bem vivo. Compreende-se assim, mas isto é apenas uma dedução nossa, que Adolfo Simões Müller não tenha querido manter o nome do General Alcazar e o tenha substituído por Manduca, ao contrário do que fez com o seu rival, que conservou o nome de General Tapioca. Um lapso da Redacção fez com que aparecesse escrito num cartaz “À Morte Alcazar”. É a única vez que se vê n’O Papagaio o seu nome original. (p.42)

(5) O Dr. Müller, chefe da quadrilha de falsários, toma o nome de Dr. Silva no Papagaio. (p. 43)

(6) 23 de Julho de 1942, n.º 380: primeira imagem em Portugal do Capitão Haddock. N’O Papagaio, começou por ser “O Capitão do barco”, passou a “Capitão Harddock”, depois foi “Capitão Haddock” e finalmente “Capitão Hadoque”. Só seria “Capitão Rosa” no Diabrete. (p.44)

(7) Cinco das oito figuras representadas nesta imagem [da Estrela Misteriosa] estão trocadas. O nosso Dr. Pedro João dos Santos é identificado como Monsenhor Paul Cantonneau (homenagem a Monsenhor Lopes da Cruz, fundador da Rádio Renascença? Há alguma parecença...). (p. 45) Hippolyte Calys é Hipólito Calixto em O Papagaio.


(8)  n.º 119: a única vez que n’O Papagaio Tim-Tim e Rom-Rom são Tintin e Milou [nos sarcófagos].(p.49)

nota do blog: aparece sempre Pom-Pom no texto de apresentação publicado na separata do nº 49 mas poderá mesmo ser gralha pois no mesmo texto também aparece escrito uma vez Tom-Tom enquanto Tim-Tim aparece por duas vezes. Na separata do nº 51 já aparece Rom-Rom e nas publicações das aventuras aparecerá sempre como cadelinha Rom-Rom.

Al Capone passa a Al Capote e Lenço (vd. separata nº  51) será o outro chefe da quadrilha,

o guarda Tom passa a Pink

e há outras pequenas alterações

90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL
1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Sobreda-BD

Gil, Francisco Baptista. "Está aí a 12.ª Jornada Internacional de BD da Sobreda", Semanário Regional "Algarve Região", 1993, https://doi.org/10.5281/zenodo.7954208


Gil, Francisco Baptista. "13.ª Jornada Internacional de Banda Desenhada: Sobreda BD '94", Semanário Regional "Algarve Região", 1994, https://doi.org/10.5281/zenodo.7948198

https://www.cienciavitae.pt/D817-E011-0B9A

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Ls Xarutos de L Faraó

A Biblioteca Municipal de Miranda do Douro recebeu, no dia 14 de fevereiro, a apresentação do livro “Ls Xarutos de L Faraó”, primeira aventura de Tintin em Mirandês com tradução de Alcides Meirinhos. 


[Las Abinturas de Tintin]

Da Bélgica a Miranda do Douro – as aventuras de Tintim chegaram ao planalto em Mirandês

O repórter mais famoso do mundo, protagonista da banda desenhada franco-Belga, que continua a marcar gerações, Tintim já fala mirandês. "Ls Xarutos de l Faraó" ou em português comum, "Os Charutos do Faraó", é o quarto livro da saga "As Aventuras de Tintim" que foi traduzida por Alcides Meirinhos em mirandês. No total são mil exemplares que já podem ser adquiridos no site online da editora belga, Casterman.

Alcides Meirinhos contou ao Jornal Nordeste que este foi um desafio proposto por Daniel Sasportes, promotor da iniciativa. "Lançou-me o desafio e nós, na Associação de La lhengua, nunca nos negámos a desafios, e comprometi-me a ser eu a traduzi-lo", disse, acrescentando que, apesar de já ter traduzido mais bandas desenhadas "nunca havia traduzido um livro desta envergadura."

Para o também membro da Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) apesar de não ter sido tarefa fácil, "foi um prazer imenso" traduzir "estas tiras todas."

"Foi lá no princípio, não sabia por que ponta lhe havia de pegar, até que eu pedi os textos em formato Excel. A partir daí fui tira a tira, fala a fala, as coisas foram se compondo. Juntos, conseguimos arranjar novas palavras em mirandês para explicar aquilo que Tintim, Milu e Dupont e Dupont e esta gente toda querem dizer, de forma a ficarmos satisfeitos com o trabalho que fizemos", frisou.

Alcides Meirinhos afirmou acreditar que fazer este trabalho é a sua missão e a dos restantes membros da ALCM. No seu entender, garantem que o mirandês "não morra" e para que seja, "cada vez, mais sentido como algo identitário da terra de Miranda. E quando as pessoas perceberem que o Mirandês é uma das coisas que nos diferencia dos outros, aí as pessoas agarram-se à língua", disse.

Também o comissário da Estrutura de Missão, Alfredo Cameirão, vê estes trabalhos com bons olhos. "Diria que é intensificar, dignificar a presença do mirandês em todos os campos da vida social, maiormente nas traduções. Este tipo de traduções de banda desenhada para um público mais infanto-juvenil, embora chegue também a um público adulto, evidentemente que é uma reafirmação da língua. Estavam, por exemplo, eu vinha a pensar nisto pelo caminho, estavam a ação de cor no Egito, nas Arábias, portanto no mundo. A capacidade do mirandês de dizer esse mundo, de dizer o mundo inteiro, vem reforçar o estatuto, tratar a língua mirandesa como uma língua no mesmo patamar das outras, consegue fazer o que as outras línguas conseguem. Isto, do ponto de vista de divulgação da língua, é importantíssimo."

Para o autor da tradução, as onomatopeias, sendo elas "a alma de uma língua" foram muito divertidas de traduzir, já que o mirandês tem as suas.

"O perro mirandês não faz ‘bêu-bêu’, nem ‘au- au’, faz ‘gau-gau’. É isso que dá gozo, pôr as coisas em língua mirandesa", rematou.

A obra foi apresentada sábado, aquando da 27ª Feira dos Sabores Mirandeses, na biblioteca municipal da cidade.


Tintim já fala em língua mirandesa através do álbum “Ls Xarutos de l Faraó”

A personagem da Banda Desenhada (BD), Tintin, criada pelo belga Hergé já fala em mirandês por terras dos Faraós, os senhores do antigo Egito, tudo porque acaba de ser lançado o álbum “Ls Xarutos de l Faraó” (“Os Charutos do Faraó”), o primeiro álbum [em  mirandês] das aventuras do intrépido repórter que procura aventuras em qualquer parte do mundo.

Esta edição é limitada a 1.000 exemplares e colocados à venda numa livraria em Miranda do Douro e nas lojas FNAC, pelo [preço] unitário de 18 euros, sendo que este álbum do Tintim em mirandês tem edição da belga “Casterman”, com tradução de Alcides Meirinhos, membro da Associação de Língua e Cultura Mirandesa.

Daniel Sasportes, um dos mentores desta edição, em mirandês disse, durante a apresentação do livro que aconteceu, em ambiente de casa cheia, na biblioteca António Maria Mourinho, Miranda do Douro, (...) que este lançamento constitui não só uma novidade no universo ‘tintinófilo’, mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal.

Já o Comissário da recém-criada Estrutura de Missão para a Salvaguarda da Língua Mirandesa, Alfredo Cameirão, explicou ao Mensageiro que este tipo de traduções é dirigido a um público mais infantojuvenil mas que também chega a leitores e apreciadores mais adultos.

“Este tipo de iniciativa é uma reafirmação da língua mirandesa. A ação desta aventura decorre no Egito, o que demonstra a capacidade de o mirandês mostrar ao mundo inteiro a sua polivalência, o que vem colocar o idioma no mesmo patamar de outras línguas”, destacou.

Para Alfredo Cameirão, este tipo de tradução é “importantíssimo” para a sua divulgação já que esta é uma das BD mais conhecida no mundo e assim o mirandês pode chegar mais longe.

Este álbum assinala a primeira aparição de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira), o único personagem português recorrente na série, que reforça o simbolismo desta edição.

Já Alcides Meirinhos, explicou que a tradução deste livro das aventuras de Tintim foi um desafio interessante, mas no início um pouco trabalhoso e difícil.

Também Júlio Meirinhos, ex-deputado do PS e tido como o “pai” da lei do mirandês, já que foi o responsável pela oficialização deste idioma, referiu que há 27 anos havia muitos sonhos mas passo a passo a língua mirandesa foi-se consolidando. (...)

Para já não está em cima da mesa, outra tradução das aventuras de Tintim, para o mirandês.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

4 versões de "A Ilha Negra"


O PAPAGAIO

Foi em folhas soltas (como já relatei) que pela primeira vez encontrei aquele que viria a ser o meu amigo Tintin, no relato das histórias - baralhadas - que ele vivera no Oriente, nas Américas, nos desertos, sobre o mar, na China, até em Angola. Sobretudo na Inglaterra, mais precisamente na Escócia, motivo que agora me trouxera à memória esses idos tempos.

Mal sabia soletrar as palavras mágicas, mas quanto às ilustrações essas lia-as na perfeição. E o Papagaio abundava em quadradinhos.

O Tintin era jornalista e eu nem sequer percebi por tais alturas da vida esse pormenor profissional, porque aquilo que dele me interessava era a aventura permanente e misteriosa em que estava sempre envolvido. E, aqui, a Ilha Negra era um sítio especial entre todos os outros, com castelos e monstros. Como é, afinal, na realidade. E a Inglaterra era, para o jovem jornalista, o sítio mais próximo e menos exótico da sua carreira até então.

Nunca o encontrei, ao vivo, embora tenha mantido sempre com ele uma relação muito próxima, intensificada ao longo de décadas. Até inventei um encontro, ambos de boné e calças à golf, à moda da época, com “fotografia” que já revelei

O que aprendi sobre ele cresceu nessa proporção de intimidades onde o real e a ficção se misturavam. Já não era apenas o relato das suas aventuras que me prendia. Os meus interesses pela banda desenhada -foi assim que depois os sábios destas coisas chamaram aos quadradinhos- ampliaram-se. Porém, mantiveram-se centrados na personalidade de Tintin e na progressiva teia dos seus amigos e adversários, assim como na solução que ele ia encontrando para resolver os complexos e até arriscados problemas em que se viu envolvido.

Acompanhei com entusiasmo os seus êxitos e também, com preocupação, a inveja que estes provocaram em certos meios, sobretudo da intelectualidade. Chamaram-lhe de tudo, fascista, anti-comunista, misógino e racista, para ficar apenas por aqui…

A ILHA NEGRA - 1937 / 1941 / 1947 / 1965

Outro aspecto interessante, de que fui sucessivo espectador, tem a ver com a evolução formal da obra onde eram contadas as histórias fascinantes de Tintin. E, neste campo - acho que nada acontece por acaso -, foi precisamente a Ilha Negra que mais se transformou. O que eu aprendi sobre isso!

Quem me diria, quando pelos anos quarenta li no tal sótão mágico aquela história colorida, que afinal tinha sido cá mesmo, no nosso atrasado Portugal de então, que os traços negros originais ganharam, “clandestinamente” e  pela primeira vez em todo o Mundo, direito à aplicação de manchas de cor!?

Anos depois adquiri o álbum, numa edição já oficialmente colorida (de 1947, com 62 páginas) que mais tarde pude confrontar com um volume de precioso arquivo onde a história original (de 1937, com 124 páginas) estava preservada. Pelo meio tinha ficado a versão do Papagaio, publicada entre 1941 e 1942.

Porém não se esgotariam nisto as “metamorfoses” da Ilha Negra. Também aprendi, e apreciei, a profunda alteração sofrida pelo contexto gráfico daquela aventura de Tintin, sugerida ou forçada pelo editor inglês, que achara obsoletos mais de cem (!?) pormenores, necessitados de uma urgente actualização que pudesse seduzir o mercado britânico. Foi assim que em 1965 surgiu uma versão redesenhada.

António Martinó, 22 de Outubro de 2017

90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL

1936-2026

O PAPAGAIO


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as [primeiras] aventuras de "Tintin". (CG)

No seu blogue «Largo dos Correios» planeia editar um trabalho sobre as quatro versões da obra de Hergé «A Ilha Negra». (MCNM, 2024)

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Las Abinturas de Tintin

Apersentaçon de la obra 'Ls Xarutos de l Faraó'

TINTIN ye un de ls heiróis más poliglotas de toda la Banda Zenhada.

Ls Xarutos de l Faraó son la purmeira abintura de TINTIN falada an mirandés i bai a ser apersentada no sábado que ben, die 14, a las cinco de la tarde, na Biblioteca António Maria Mourinho an Miranda. Todos ls partecipantes nesta cuonta fálan la Lhéngua que stá na nuossa raíç: Tintin, Rastapopoulos, Dupond i Dupond, Oulibeira de la Figueira… i até Milú lhadra an mirandés.

Por isso, queda todo mundo cumbidado a star persente, sien miedo, porque l perrico, anque seia guicho, nun muorde.

Bien benid@s

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O Menino Triste D'aprés...


A personagem "O Menino Triste" de João Mascarenhas está a celebrar 25 anos em 2026. 

De 9 de Fevereiro a 19 de  Abril realiza-se uma exposição, na Livraria Cult, com desenhos originais da série "D'Après..." (e se O Menino Triste fosse desenhado por...) dando assim início ao "O Menino Triste - World Tour 2026".

São 34 desenhos de autores portugueses e estrangeiros bem como de algumas homenagens como por exemplo a Moebius (O Menino Arzak... num trabalho realizado para o BD Jornal, na homenagem que Jorge Machado-Dias promoveu a Moebius) ou Hergé.

Nomes por ordem alfabética: Enrique Sánchez Abulí, Aimée de Jongh, André Diniz, Batem, François Boucq, Cameron Stewart, Cyril Pedrosa, Derradé, Fábio Moon & Gabriel Bá, Filipa Beleza, Hergé, José Carlos Fernandes, Jean-Claude Denis, Jeff Smith, Joana Afonso, Lucio Oliveira, Luís Louro, Mana Neyestani, Nuno Markl, Maurício de Sousa, Jean-Claude Mézières, Miguel Rocha, Mawil, Miguelanxo Prado, Moebius, Olivier Afonso & Chico, Osvaldo Medina, Paulo Monteiro, Penim Loureiro, Tara McPherson, Tardi, Lewis Trondheim, Yoshiyasu Tamura, Zep.

Informações de Data e Local Ano: 2026 (Comemorando 25 anos: 2001-2026, conforme o selo circular). 

Local: Livraria Cult.

Endereço: Rua José d’Esaguy, 13B, Alvalade - Lisboa.

(...) [Luís Louro] foi um dos primeiros autores que “piquei”, para esta série “D’après...” com O Menino Triste. Tive algumas dúvidas sobre qual das suas personagens iria retratar, mas acabou por prevalecer a ideia do seu primeiro clássico: Jim del Mónaco. Contudo, tenho uma enorme vontade de igual forma um dia destes “picar” também O Corvo. - JM, 2008


Alguns dos desenhos publicados no nosso blog com a personagem OMT:


No ano da comemoração do Centenário do grande autor belga de Banda Desenhada, não podia deixar de aqui colocar a minha contribuição.

Embora O Menino Triste tenha sido criada numa altura que não deixou qualquer hipótese temporal e física de eu almejar a que um dos meus desenhos pudesse hipoteticamente vir a ser autografado por Hergé, não pude deixar de realizar o trabalho que agora aqui revelo, e de o incluir nesta secção "D'après...".

Independentemente de se gostar ou não de Hergé, não se pode contudo deixar de reconhecer a importância que o seu trabalho (e dos seus Estúdios Hergé) teve, e continua a ter, no panorama da Banda Desenhada europeia. A quantidade de livros, ensaios, teses, e demais literatura sobre o tema assim o demonstra.

Um desenho que fiz há anos, como homenagem a Hergé, onde O Menino Triste "mimetiza" Tintin... (JM, 10/01/2014)





Foi em Outubro de 2001 que foi publicado o primeiro livro d'O Menino Triste.
https://omeninotriste.blogspot.com/
https://www.facebook.com/OMeninoTriste





terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

José de Lemos

-- Na foto podemos ver Geraldes Lino a entregar o Prémio Especial “O Mosquito” a José de Lemos (1985)).

Este desenhador e escritor nasceu em Lisboa, no dia 23 de Abril de 1910, vindo a falecer também em Lisboa a 21 de Abril de 1995.

Embora o seu bairro predilecto fosse o Bairro Alto onde trabalhou cerca de 40 anos, principalmente a colaborar para o jornal “Diário Popular”, onde possuía uma rubrica “Riso Amarelo” e também participou num suplemento Infantil “O Doutor Sabichão” a partir de 1972, mas viveu os últimos anos da sua vida em Campo de Ourique.

Cursou a Escola Preparatória Rodrigues Sampaio. Nunca estudou Desenho ou Letras, sendo por isso um autodidacta nas duas vertentes. Possui um traço único e nunca foi influenciado por qualquer outro artista.

Segundo suas palavras, as próprias crianças e o carinho que a elas dedicava serviram como impulsionadores da sua aprendizagem e da sua procura na concretização dos seus trabalhos, tendo assim alcançado um lugar cimeiro nas vertentes dos dois temas.

No jornal “Diário Popular” viria a criar algumas páginas destinadas aos leitores mais jovens: “Hoje Há Palhaços”, ”As Distracções do Doutor Sabichão”, “Página Infantil” e “Os Artistas de Palmo e Meio”, a sua maior alegria.

(...)

Carlos Gonçalves

José de Lemos (1910-1995) foi um desenhador, ilustrador e escritor.

Nasceu em Lisboa, e cursou a Escola Preparatória Rodrigues Sampaio. Muito cedo revelou a sua vocação para o desenho. Inconformista por natureza, considerava-se um autodidacta perante a arte que escolheu.

Adolescente ainda começa a colaborar em diversas publicações, como o «Rebate», jornal republicano, um dos primeiros onde viu desenhos seus publicados. Mais assiduamente, o seu traço apareceria nas páginas de «O Papagaio», «Sempre Fixe» e «Diário de Lisboa». Ao ingressar no quadro de fundadores do «Diário Popular», José de Lemos passou a desenhar quase exclusivamente para aquele jornal.


José de Lemos tinha ilustrado o primeiro livro de A. Simões Muller: "O Meu Portugal… Meu Gigante" (ENP, 1932).

Lemos foi o primeiro nome convidado por Simões de Muller a colaborar em "O Papagaio" juntando-se assim a Tom que já fazia parte da equipa. Ficou depois como ilustrador e também escreveu contos. As participações relacionadas com Tim-tim são todas de 1936.

#52; 9 Abril 1936; Capa; Tintim; José de Lemos

#54; 23 Abril 1936; Banda Título; Tintim e Milou; José de Lemos

#58; 21 Maio 1936; Banda Título (diferente); Tintim e Milou; José de Lemos
#65; 19 Julho 1936; Banda Título (diferente); Tintim e Milou; José de Lemos

#78; 8 Outubro 1936; Capa; Tintim mascarado de «pele-vermelha» e Milou; José de Lemos


Curiosamente no livro "José de Lemos: Ilustração e cartoon" de Jorge Silva tem um capítulo designado "Lemos no País dos Sovietes".


Ligações









90 ANOS DA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE TINTIN EM PORTUGAL 
1936-2026
O PAPAGAIO 


A 16 de Abril de 1936 (precisamente um ano depois do início da publicação de "O Papagaio"), surgem nesta revista infantil as aventuras de "Tintin". (CG)




domingo, 8 de fevereiro de 2026

Tintinófilo (I.A.)



O site Tintinófilo (disponível em endereços como tintinofilo.weebly.com ou o antigo blog https://www.google.com/search?q=tintinofilo.over-blog.com) é uma das maiores e mais completas bases de dados digitais em língua portuguesa sobre o universo de Hergé.

É considerado um espaço de "visita obrigatória" para coleccionadores e entusiastas devido ao seu trabalho de arquivo detalhado. Aqui estão as suas principais características:

O que pode encontrar no site:

Inventário Completo: O grande objectivo do site é inventariar tudo o que foi editado em Portugal relacionado com o Tintin. Isto inclui álbuns, revistas antigas (como O Papagaio ou a revista Tintin), jornais e edições especiais.

Merchandising e Coleccionismo: Existe uma secção vasta dedicada ao material comercializado em Portugal, desde as figuras de resina e carros da Moulinsart até brindes históricos, como cromos, pastilhas pirata, porta-moedas e material escolar.

História da BD em Portugal: O site detalha a cronologia das publicações, explicando, por exemplo, como as histórias foram distribuídas por diferentes editoras ao longo das décadas (Bertrand, Difusão Verbo, ASA, etc.).

Pastiches e Curiosidades: Regista também as "homenagens" ou paródias feitas por autores portugueses e curiosidades sobre a censura ou traduções específicas.

Quem está por trás?

O projecto é mantido por José V. Silva (conhecido na comunidade como Zetantan), um tintinófilo dedicado que utiliza a sua própria colecção particular para ilustrar o site. O blog original celebrou o seu 5.º aniversário em 2011 e, desde então, o projecto tem evoluído para formatos de site/arquivo mais permanentes.

Por que é importante?

Para um coleccionador português, o site funciona como um catálogo de referência. Se quer saber se uma determinada edição de O Ceptro de Ottokar é de 1970 ou 1980, ou se quer identificar uma figura antiga que encontrou numa feira de velharias, o Tintinófilo é a fonte de informação mais fiável.

Nota: O site é um projecto de fã, sem fins lucrativos, focado na preservação da memória histórica da obra em Portugal.

Os comentários na internet sobre o site Tintinófilo (e o seu blog associado, Tintin em Portugal) são, de uma forma geral, extremamente positivos, descrevendo-o como uma referência fundamental para a comunidade de Banda Desenhada em Portugal.

Aqui está um resumo do sentimento geral dos utilizadores e especialistas:

1. Reconhecimento como "Bíblia" do Tintin em Portugal

Especialistas e críticos de BD, como Geraldes Lino, referem-se ao projecto como "o mais completo espaço português dedicado ao herói da poupa". É frequentemente descrito como um sítio de "visita obrigatória" para quem quer conhecer a fundo a galeria de personagens hergianas e a sua história específica no nosso país.

2. Nostalgia e Memória Afectiva

Nos comentários de leitores e coleccionadores em blogues (como o Delito de Opinião ou o Blog Nonas), é comum ler-se:

Agradecimentos: Muitos utilizadores agradecem ao autor, José V. Silva, por "reavivar boas memórias" da infância, especialmente sobre a mítica revista Tintin.

Qualidade do Conteúdo: O site é elogiado por ser "diferente, engraçado e actual", mesmo tratando de uma obra com décadas de existência.

3. Utilidade para coleccionadores

A comunidade de coleccionadores valoriza imenso o rigor do inventário. Comentários em fóruns e secções de "errata" do próprio blog mostram que:

O site é usado para identificar peças raras, como as figuras das "Pastilhas Pirata" ou edições da Bertrand dos anos 70.

Existe uma interacção activa entre o autor e os visitantes, que ajudam a completar informações sobre datas de lançamento e variantes de bonecos (como a distinção entre as figuras do Oliveira da Figueira e do Serafim Lampião).

Em resumo, os utilizadores destacam:

Exaustividade: Quase tudo o que o Tintin "tocou" em Portugal está lá registado.

Paixão: Transparece que é um trabalho feito "de fã para fã", sem fins comerciais.

Interactividade: O autor é visto como alguém acessível que acolhe correcções e novas informações da comunidade.

Se tiver algum objecto antigo do Tintin (um boneco, um cromo ou um álbum) e quiser saber se é uma peça rara, o Tintinófilo é provavelmente o melhor local para confirmar essa informação.

IA - Gemini, 2026 - As respostas de IA podem incluir erros :)


IMAGENS GERADAS POR I.A.








(imagens adaptadas do cabeçalho da revista O Papagaio nº 58, o terceiro com erro no nome)



(Quim e Filipe)



(adaptado da capa do livro sobre Automóveis)



As imagens deste post não são originais e foram geradas por Google Gemini / Nano Banana (IA)