quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Nuno Markl e a Rádio Voz de Benfica


A pirataria era a sério, nos anos 80. Havia rádios piratas - como a Voz de Benfica, onde comecei - e panfletos publicitários tão piratas que ousavam roubar quadradinhos ao Tintim e alterar o texto. Desenhei esta publicidade à rádio das traseiras da casa da minha avó para aí em 1988. Tirámos uma resma de fotocópias na loja de cópias do Fonte Nova e andámos a distribuir nas caixas de correio da vizinhança, que nem uns valentes. 

Nuno Markl, Facebook, 9 de Setembro de 2016


sábado, 16 de janeiro de 2021

Leilão de desenho de Tintin atinge valor recorde de 2,6 milhões de euros

Desenho original do belga Hergé, feito em 1936 para a capa da obra O Lótus Azul, supera um recorde mundial de um leilão de uma obra de banda desenhada, que pertencia ao próprio Hergé.


Um desenho original do autor belga Hergé, feito em 1936 para a capa da banda desenhada O Lótus Azul, o quinto álbum de banda desenhada da série protagonizada por Tintin, foi vendido esta quinta-feira pelo valor recorde de 2,6 milhões de euros, num leilão em Paris. Segundo a casa de leilões francesa Artcurial, o valor da venda bate um recorde mundial de um leilão de uma obra de banda desenhada. O recorde anterior tinha sido atingido em 2014, quando outra obra de Hergé foi leiloada por 2,5 milhões de euros.

A obra de arte vendida esta quinta-feira fora descartada pela editora, Casterman, por considerar que a técnica utilizada por Hergé iria aumentar os custos de produção do livro. A capa revela Tintin e o cão Milú dentro de um jarrão de porcelana chinesa, escondendo-se de um dragão vermelho, sob um fundo preto, tendo Hergé oferecido o desenho ao filho do empresário Jean-Paul Casterman, que o manteve guardado até à morte, em 2009. O Lótus Azul narra uma aventura em Xangai, na China, onde Tintin tenta resolver um mistério que envolve espionagem e tráfico de ópio.

Lusa

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Espólio de Hergé e as visões de Dante segundo Botticelli na Gulbenkian em 2021


Uma mostra de documentos, desenhos originais e obras de Hergé, o criador de Tintin, as visões de Dante, por Sandro Botticelli, e uma retrospectiva da colecção de Arte Moderna, são algumas das exposições previstas para 2021 na Gulbenkian.

A partir de 7 de Outubro, e até 10 de Janeiro de 2022, pode ser visitada na Galeria Principal a exposição “Hergé”, apresentada pela primeira vez no Grand Palais, em Paris.

Esta exposição reúne uma importante selecção de documentos, desenhos originais e várias obras criadas pelo autor de Tintin.

Organizada em colaboração com o Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, a mostra revela as múltiplas facetas de uma personalidade artística de referência, da ilustração à banda desenhada, passando pela publicidade, imprensa, desenho de moda e artes plásticas”, explicita a Gulbenkian, destacando que esta é “uma oportunidade única de descobrir os tesouros dos estúdios Hergé: pranchas originais, pinturas, fotografias e documentos de arquivo”.

Lusa

sábado, 19 de dezembro de 2020

Tintin na Juvebêdê


A revista Juvebêdê de Outubro de 2019 publicou um destaque ao álbum duplo das aventuras lunares de Tintin, editado pela ASA, comemorando os 50 anos do primeiro homem na Lua. 

domingo, 6 de dezembro de 2020

Prendas de Natal 2020

Abriu a época das sugestões, dos passeios aos presentes. Se a quadra confina ou desconfina, ainda não se sabe, menina. Não há é como evitar a besta, o assunto-assombração do regime fechado.

Segue, por conseguinte, um combinado de sugestões devidamente ajustado à época, a de 2020. E não se fala mais nisso, no pasa nada.

Também não se passa nada, nada de nada, em As Jóias da Castafiore, a deliciosa -- de todas, talvez a mais deliciosa -- banda desenhada de Hergé. Ao contrário das outras aventuras de Tintim, trepidantes de viagens e vilões, nesta ninguém vai a lado algum, nem acontece coisa alguma. Ou acontece tudo, um tudo que é nada e um nada que é tudo, num delirante novelo de peripécias e mal-entendidos em que toda a gente se agita sem sair do sítio, o castelo de Moulinsart.

Ora esta comédia imóvel, a anti-aventura em huis clos a que até um filósofo famoso consagrou um extenso artigo em torno da impossível comunicação entre os seres humanos, é também uma engenhosa brincadeira inspirada no enredo de La Gazza Ladra (A Pega Ladra), uma ópera de G. Rossini que, essa, não é considerada nem cómica, nem séria, mas sim… “semi-séria”. E chamar a algo “semi-sério” é já por si mesmo, convenhamos, um nadinha cómico.

O que Hergé talvez desconhecesse – mas o acaso faz bem as coisas, como se sabe -- é a pequena história por detrás da própria criação da Gazza Ladra. Consta que o diretor do Scala de Milão, conhecendo como conhecia a incontível alegria de viver de Rossini e temendo não ter a ópera pronta a tempo da estreia, confinou o pobre compositor no quarto. Gioachinno não tinha o direito de sair e atirava as partituras da Abertura pela janela para serem distribuídas pelos músicos da orquestra.

Custa a crer que um tema que tanto nos induz a contemplar o teatro do mundo em modo divertido, a banda sonora que o transfigura, tenha sido composto nestas condições. É fazer a experiência logo na dita Abertura, a partir do minuto 4’20’’.

E as Jóias da Castafiore? Ah... nem tudo o que reluz é ouro. Mas que interessa isso à pega? Só mesmo a Castafiore, o Rouxinol Milanês, é que se aflige -- e nós com ela, mais os castiçais que ela estilhaça nos agudos ao cantar a “Ária das Jóias”, da ópera Fausto, de C. Gounod. Haverá alguém que tenha lido a banda desenhada e não tenha ardido de curiosidade de saber a que soava “AAAAAh je ris, de me voir si belle en ce miroir….”.  Soa assim, a partir do minuto 2’20’’, na voz grande de Anna Netrebko.

Boas compras, como dizem no supermercado.

Manuela Ivone Cunha

in Blogue Malomil

Estojo Tintin da série Almeida & Leal dos anos 70 do século XX