O primeiro e, por enquanto, único livro de aventuras de Tintim chegou aos leitores russos apenas em 2004 e chama-se “Os Charutos do Faraó”.
Os especialistas russos em história da banda desenhada não têm dúvidas de que este enorme atraso na chegada das aventuras de Tintim à Rússia se deveu ao primeiro álbum de Hergé “Tintim no País dos Sovietes” (1929), obra que esteve proibida na União Soviética por ser considerada “anticomunista” e que pelo mesmo motivo continua a não chegar às mãos dos leitores chineses.
Georges Remi (Hergé) coloca os seus heróis, Tintim e Milú, no período revolucionário em que os comunistas instauravam o poder pela força, tendo-se baseado na obra “Moscou sans voiles”, de Joseph Douillet, diplomata belga que viveu e trabalhou durante nove anos na Rússia soviética.
Alguns episódios do primeiro álbum de Hergé são uma ilustração exacta de episódios descritos por Joseph Douillet, como, por exemplo, “as eleições democráticas” na aldeia com uma pistola apontada à cabeça.
Sendo o diplomata belga um anticomunista, os estudiosos russos de banda desenhada europeia consideram aí residir uma das causas da “falta de qualidade” dessa obra.
“Não obstante a abordagem extremamente pormenorizada [da situação na Rússia soviética], a primeira experiência falhou, pois deu origem a uma banda desenhada bastante primitiva que contém numerosos disparates", como a existência de um agente da polícia política soviétiva OGPU que adora bananas, considera Elena Bulakhtina, reconhecendo, porém, que “há lugares divertidos”.
Opinião semelhante tem Mikhail Khatchaturov, chamando a atenção para o facto de “Tintim no País dos Sovietes” ter sido “o único volume da série das Aventuras de Tintin que não foi posteriormente trabalhado e que, durante muito tempo, não foi reeditado”.
“Só recentemente ele voltou a ser publicado, muitos anos após a morte do autor, e por isso agora surge orgulhosamente no catálogo da série como o número um”, sublinha Khatchaturov.
Não obstante o comunismo ter caído na União Soviética/Rússia há quase 18 anos, Tintim continua a ser desconhecido entre o grande público russo, ao contrário de outros heróis da banda desenhada como Astérix.
“Os Charutos do Faraó” foi a primeira e única das aventuras de Tintim a chegar à Rússia com uma edição de cinco mil exemplares, o que é extremamente pouco para um mercado livreiro tão imenso como é o russo.
Tintim parece ter-se irremediavelmente atrasado na sua chegada à Rússia, mesmo sem sovietes.
PUBLICADA POR JOSE MILHAZES, 02/06/2009
http://tintinofilo.over-blog.com/article-32078666.html
2013
"Álvaro Cunhal no País dos Sovietes " de Helena Matos r José Milhazes
No centenário do nascimento do carismático secretário-geral do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal (10 de Novembro de 1913-13 de Junho de 2005), a jornalista e comentadora Helena Matos assina um texto a ilustrar cerca de meia centena de fotografias inéditas do dirigente comunista em terras soviéticas e que pela primeira vez chegam a Portugal pela mão do jornalista José Milhazes.
São imagens desconhecidas que retratam os anos de apogeu de Cunhal na ex-URSS logo após a fuga de Peniche em 1961 e que se estenderam até ao fim do exílio com a Revolução de Abril de 1974; mas também as múltiplas visitas posteriores, reveladoras do esmorecimento do entusiasmo dos líderes socialistas face a Cunhal, assumindo o dirigente comunista português um papel cada vez mais secundarizado a partir do início da década de 80.
Neste livro, cujas ilustrações e imagens são também acompanhadas por partes de discursos e textos a espelhar o espírito de cada momento, é possível acompanhar os encontros de Álvaro Cunhal com os líderes comunistas mundiais, desde Brejnev a Boris Ponomariov, Fidel Castro, Hustav Husak, Erik Honekker, Vladimir Cherbitzki, ou Henry Winston. Tudo momentos que Helena Matos reaviva, num texto que reconstrói todos esses momentos.
2017
"As Minhas Aventuras no País dos Sovietes A União Soviética tal como eu a vivi" de José Milhazes
Fotobiografia




