quarta-feira, 9 de fevereiro de 1994

Como se diz Tintin em russo?

A internacionalização de Tintin já não é de agora. Traduzido em dezenas de línguas e países, continua a ser o mais universal dos heróis europeus de banda desenhada. Mas havia uma fronteira a franquear, ainda na Europa: a da Rússia.
A tradução para russo e distribuição naquele país pela Casterman dos dois primeiros álbuns das aventuras do personagem de Hergé — “O Templo do Sol e “As Sete Bolas de Cristal” —, divulgada no passado mês de Janeiro, é o primeiro grande acontecimento editorial do ano de 1994. Aquela editora francófona testa deste modo as potencialidades de um mercado vastíssimo, alimentando expectativas quanto a uma eventual adesão dos leitores nos outros países da ex-União Soviética.
Considerado durante décadas um herói reaccionário, viu a difusão das suas histórias interdita naquele país ex-socialista onde, curiosamente, viveu a sua primeira e polémica aventura. De facto, o próprio Hergé se recusou a alimentar a polémica em torno dessa primeira aventura, proibindo a reedição de “Tintin no País dos Sovietes”. Apesar disso, ela continuou a ser objecto de reedições piratas no Ocidente, que circularam com maior ou menor facilidade. Curiosamente, esta é também a única aventura de Tintin que o seu autor nunca recuperou, como fez com as restantes bandas desenhadas inicialmente publicadas a preto e branco e alvo de um “restyling” gráfico e introdução de cor, após o fim da segunda Guerra Mundial.

© 1994 Público/Carlos Pessoa

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