domingo, 18 de janeiro de 2015

Curiosidades científicas de As 7 Bolas de Cristal

Em As 7 Bolas de Cristal, os mistérios não giram apenas em torno da múmia inca, cuja profecia parece ter-se abatido sobre os sete membros da expedição Sanders-Hardmuth. Pode considerar-se como primeiro enigma da história o truque de transformar água em vinho que um ilusionista apresenta durante o espectáculo no Music Hall Palace. O capitão Haddock, incurável apreciador de bebidas alcoólicas, está desejoso por mostrar a Tintin como é possível realizar tão magnífica transformação. Mas será assim tão fácil realizar o milagre das bodas de Canaã? A resposta científica é não. Apesar disso, um truque de prestidigitação proposto por Tom Tit no seu livro La Science Amusante (1890) parece ser suficiente para criar a suposta transformação. Um copo cheio de água, dois copos de vinho (um cheio e outro semi-cheio) e dois fios de lã são os objectos necessários para a ilusão, que se baseia no facto de vinho ser mais leve do que a água para tornar possível a troca dos conteúdos dos copos.


Mais tarde, enquanto Tintin lê a tradução da profecia encontrada no túmulo de Raspac Capac, entra pela lareira da sala do professor Bergamotte uma bola de fogo que provoca a volatilização da múmia. Apesar de ser um fenómeno raro e imprevisível (segundo os especialistas, apenas um relâmpago num milhão é acompanhado por uma bola de fogo), estima-se que cerca de cinco por cento da população mundial viu, pelo menos, uma vez uma esfera eléctrica semelhante à que surge na história. Com a duração máxima de um minuto (o mais frequente é resistir dez segundos), a sua cor pode ser vermelha, amarela ou azul e, em média, o seu diâmetro tem vinte centímetros, podendo movimentar-se na horizontal, pairar imóvel ou agitar-se num movimento ascensional. Apenas é puramente imaginário o facto de provocar qualquer género de levitação.

Ana Filipa Gaspar in Público de 14.07.2005