sábado, 27 de fevereiro de 1993

Tudo sobre Tintin

Uma laranja de Zorrino para quem adivinhar quantos personagens estão registados no “Dictionnaire Tintin ‘D’ Abdallah à Zorrino”, de Cyrille Mozgovine, último título da Bibliothèque de Moulinsart (Casterman).
 Se o leitor tivesse dito 326 nomes, teria acertado em cheio. Mas o que é, ao certo, este livro? Integrado numa colecção criada pelo editor francês da obra de Hergé em sua homenagem, o dicionário é uma peça única, construída com o talento das bordadeiras de bilros e a perseverança dos construtores de catedrais. Seres humanos e animais que o autor encontrou em todas as aventuras de Tintin, nem um lhe escapou, apresentados por ordem alfabética, classificados, indexados e analisados com rigor e uma profusão de imagens de apoio. Mas há mais. Duas outras secções propõem quadros de recapitulação que permitem uma pesquisa rápida e eficaz de referências, como os patronímicos das mulheres citadas, das crianças ou dos membros das quadrilhas de Müller e Rastapopoulos, por exemplo. Anexos e complementos da obra enumeram, por outro lado, todos os nomes de personagens que não são específicos das aventuras de Hergé, mas que pertencem à História, à Literatura ou aos textos sagrados, para já não falar dos nomes próprios que atravessam as peripécias de Tintin — locais, tribos, clubes, siglas, marcas comerciais, barcos, jornais, países, nomes de código, etc. São 283 páginas, fruto de um labor persistente e exaustivo de cinco anos, para uso dos tintinólogos, tintinólatras e tintinófilos. E, já agora, indispensável também para quem se ocupa, na imprensa especializada ou de informação geral, a dar a conhecer o que por esse infinito mundo de heróis de papel surge continuamente. A única reserva a pôr a esta obra — sublinhada pelo próprio autor — consiste no facto de “apenas” ter sido considerado o universo dos 22 álbuns a cores publicados, com exclusão de “Tintin au Pays des Soviets” e de “L’Alph-Art”, o primeiro por nunca ter passado da versão a preto e branco, e o segundo por constituir a derradeira e inacabada obra.

© 1993 Público/Carlos Pessoa

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