terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Sexto!


A 22 de Maio de 1907, nasceu em Bruxelas o criador de Tintim cuja criação, em 1929, estabeleceu uma forte ligação entre Hergé, o desenhador, e o jovem repórter aventureiro, a personagem: «Tintim sou eu.», disse Hergé.

Tintim é até hoje a mais famosa personagem da banda desenhada europeia.

Já no ano de 1930, Hergé tinha criado as Aventuras de Quim e Filipe, publicadas em Portugal, aventuras essas que reflectem a Bruxelas dos anos 30. Em 1935, desenhou Joana, João e o macaco Simão, série de ficção científica também editada em Portugal. As aventuras de Tintim a cores foram editadas em Portugal no jornal O Papagaio, em 1936.

Hergé morre aos 76 anos, deixando expresso que ninguém poderia continuar a sua obra.

A Bélgica comemora o centenário do nascimento de Hergé, assinalando-o com a colocação da primeira pedra do futuro Museu

Hergé, em Louvain-la-Neuve, cidade onde o cartoonista faleceu.

Em Portugal, a Editorial Verbo e o Festival de Banda Desenhada de Almada assinalam este centenário com uma exposição em parceria com a Fundação Hergé. E, para 2009, está planeada uma exposição retrospectiva, a mesma que o Centro Georges Pompidou acolheu até ao passado mês de Fevereiro.

Professora Maria de Lurdes Goulão, Jornal Toque de Saída, 2007 (Externato de Benedita)

https://arquivo.pt/wayback/20091219135818/http://www.externatobenedita.net/jornal/6_numero/pdf/n6_final.pdf

FÓRUM


Sexto!

A Castafiore é um pequeno detalhe tintinesco, muito saboroso.

Evocá-la em acção num espaço confinado, a proposíto do centenário de Hergé é muito bem lembrado!

Aliás, a tira evoca muito bem Hergé e Tintim: os espaços abertos, a natureza como palco das acções humanas, o herói e as personagens próximas mas inquietantes que o rodeiam, os cálculos mentais rápidos...

Como as cerejas, outra diva me ocorre a propósito da transitoriedade e da, que contracena com Fernando Trueba em Belle Époque...

Obrigada pela tira online.

Quando é que há jornal?

por Ana Luisa Q - Quarta, 28 Novembro 2007, 15:59

Responder

Ainda bem que gostaste da Castafiore. Eu tinha escolhido os Dupond & Dupont; a Castafiore foi ideia do Samuel, e uma excelente ideia, como viste! A arte de ajustamento ao confinado espaço foi do Paulo. E a produção do artigo, da Milú (da nossa). Trabalho colaborativo, né? sorriso

Gostaríamos de ter o jornal amanhã, embora a previsão fosse 2ª feira. Mas dava mesmo muito jeito tê-lo amahã  "nas bancas". No entanto a gráfica está cheia de trabalho. Vamos ver.

por Soledade Santos - Quarta, 28 Novembro 2007, 20:03

https://arquivo.pt/wayback/20081022134918/http://ecb-m.ccems.pt/mod/forum/discuss.php?d=1660



sábado, 27 de outubro de 2007

Artigo


O Boletim nº 121 do Clube Português  de Banda Desenhada, com data de Setembro de 2007, publicou um artigo bastante ilustrado  da autoria do Ami de Hergé Fernando Cardoso dedicado ao centenário do nascimento do criador de Tintin.  O boletim é restrito aos sócios do CPBD.

https://tintinofilo.over-blog.com/article-12848532.html

sábado, 20 de outubro de 2007

Cem Livros do Século

100 LIVROS DO SÉCULO uma exposição - Centro Cultural de Belém, de 7 de Março a 21 de Maio de 1998, todos os dias das 11h às 20h.

ciclo de debates Centro Cultural de Belém - 6 de Março a 4 de Junho de 1998 às 18.30h na Sala Polivalente do Centro de Exposições

Comissário da exposição - Fernando Pinto do Amaral

Moderador dos debates - Eduardo Prado Coelho

Ninguém poderá dizer quais foram os melhores livros do século XX. Contudo talvez nos seja possível indicar alguns daqueles que, por motivos muito diversos, transformaram o modo de pensar, de sentir e de viver do século XX. É sobre esses livros que mudaram o mundo que vale a pena conversar. (Eduardo Prado Coelho)

15 colóquios para 15 livros

Com base nos quinze destaques pensados para a exposição "Cem Livros do Século", o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas organiza, entre 6 de Março e 4 de Junho, uma série de debates no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, moderados por Eduardo Prado Coelho. São quinze obras que emergiram de conversas entre o comissário da exposição, Fernando Pinto do Amaral, e os dois arquitectos que conceberam a montagem, Manuel Graça Dias e Egas José Vieira, do atelier Contemporânea. Escolhas a que o organizador dos debates, Eduardo Prado Coelho, não quis sobrepor outras: "Agarrámos os destaques que já tinham sido feitos por razões específicas à própria exposição - os livros que aí eram encenados."

À excepção de hoje, de forma a coincidir com a inauguração da exposição, os debates terão lugar todas as quintas-feiras, às 18h30, na sala polivalente do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém.

Hoje, será o livro "Em Busca do Tempo Perdido", de Marcel Proust, num debate com Maria Alzira Seixo e Augusto Abelaira. No dia 12 de Março, "O Processo", de Franz Kafka, com Luísa Costa Gomes e Jorge Listopad. No dia 19 de Março, "A Interpretação dos Sonhos", de Sigmund Freud, com José Gabriel Pereira Bastos e Linda Santos Costa. No dia 26 de Março, "O Amante", de Marguerite Duras, com Lídia Jorge e Maria Velho da Costa. No dia 2 de Abril, "África Minha", de Karen Blixen, com Agustina Bessa-Luís e José Eduardo Agualusa. A 9 de Abril, "Citações do presidente Mao Zedong (O Livro Vermelho)", com Francisco Louçã e Saldanha Sanches. No dia 16 de Abril, "À Espera de Godot", de Samuel Beckett, com José Gil e António Pinto Ribeiro. No dia 23 de Abril, "Ficções", de Jorge Luís Borges, com António Mega Ferreira, António Alçada Baptista e Carlos da Veiga Ferreira. No dia 30 de Abril, "Ensaios Críticos", de Roland Barthes, com Manuel Gusmão e Fernando Pinto do Amaral. No dia 7 de Maio, "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, com Eduardo Lourenço e Vasco Graça Moura. No dia 14 de Maio, é o dia da banda desenhada, com "O Pequeno Nemo", de Winsor McCay, e "Tintin no País dos Sovietes", de Hergé, com João Paulo Cotrim e Rui Zink. No dia 21 de Maio, "O Nome da Rosa", de Umberto Eco, com Abel Barros Baptista e Rui Rocha. No dia 28 de Maio, "Toda a Internet: Guia do Utilizador e Catálogo", de Ed Krol, com José Afonso Furtado e Victor Constâncio. Por último, a 4 de Junho, "Breve História do Tempo", de Stephen Hawking, com José Vitor Malheiros e Carlos Fiolhais.

I.S. Público, 03/03/1998

Quinta-feira 14 de Maio

Winsor McCay, Hergé

O Pequeno Nemo, Tintim e outros heróis... com João Paulo Cotrim e Rui Zink

O Pequeno Nemo na Terra dos Sonhos e Tintim no País dos Sovietes são exemplos, entre "100 Livros do Século", de uma forma literária que mudou a maneira de ler no século XX: a Banda Desenhada.

Livros esgotados e não traduzidos na exposição "Cem Livros do Século"

Cem livros menos 25

A lista de livros apresentada pela exposição "Cem Livros do Século" serve para comparar a nossa escolha com a do comissário. Mas uma outra leitura possível é confrontar o mercado livreiro com as ausências - 25 por cento não estão disponíveis. Nunca traduzidos ou sempre esgotados. A culpa, dizem os editores, é de quem não os compra.

Chegar a uma livraria e comprar os títulos escolhidos para a exposição "Cem Livros do Século", ou apenas aqueles que faltam na estante, revela-se uma tarefa árdua e quase impossível para os leitores portugueses.

Das 100 obras escolhidas para esta exposição, que estará no Centro Cultural de Belém até 21 de Maio, não estão disponíveis no mercado livreiro 25 títulos, ou seja, um em cada quatro dos autores seleccionados pelo comissário Fernando Pinto do Amaral.

Dos 25 títulos, nove estão esgotados nas editoras, o que, para o comissário responsável pela escolha dos cem títulos, é à partida positivo, pois "mostra o interesse das pessoas em ler". Mas "não haver reedições revela a falta de espírito comercial das editoras", acusa também Fernando Pinto do Amaral.

As editoras argumentam que a falta de interesse é do mercado que não absorve estas obras. A Editorial Bertrand é detentora de três dos títulos esgotados, sendo que dois deles são obras de referência do feminismo - "O Segundo Sexo" de Simone de Beauvoir e o "Relatório Hite" de Shere Hite (esgotado na editora mas ainda à venda em algumas livrarias) -, e vão voltar a ser reeditados na próxima semana. Quanto ao "Arquipélago de Gulag", de Alexandre I. Solzhenitsin, "não se justifica, porque são três volumes para um mercado que não existe", afirmou Maria Piedade Ferreira, directora editorial.

"Um Estudo de História" de Arnold J. Toynbee, foi há muito editado pela Ulisseia e, segundo o director comercial, José Luís da Fonseca, trata-se de "um livro muito antigo que já esgotou há cerca de 20 anos". Entretanto a editora perdeu os direitos de autor e está a tentar renegociá-los, "para voltar a publicar essa obra, agora inserida na nossa colecção de história".

À lógica desapiedosa do mercado obedecem os títulos de teatro. Ao todo são quatro os clássicos ausentes dos escaparates das livrarias: "Seis Personagens à Procura de Autor" de Pirandello, "Esperando por Godot" de Beckett, "Mãe Coragem e seus Filhos" de Brecht e "A Cantora Careca" de Ionesco. Tudo peças já encenadas por companhias portuguesas, mas que estão esgotadas há já alguns anos no circuito livreiro.

"A razão é óbvia: o teatro não vende e leva muitos anos a esgotar - explicou Fernanda Barros, das Edições Cotovia, uma das editoras que teima em publicar teatro. "Quando esgota não interessa voltar a reeditar, a menos que haja uma exigência do público, o que não existe".

Já para Jaime Salazar Sampaio, dramaturgo, é "extremamente importante voltar a reeditar estas obras, que são fundamentais e que ajudaram a mudar o mundo". No entanto, compreende que não sejam publicadas porque "é incómodo ler teatro já que é feito não para ser lido, mas para ser representado", e propõe a reedição com introduções didáctico-pedagógicas para uma melhor compreensão das peças.

Faltam 16 traduções

Além das nove edições esgotadas, existem 16 autores que ainda não foram traduzidos nem publicados por editoras nacionais, mas que podem ser adquiridos em livrarias portuguesas.

Na opinião do comissário da exposição "Cem Livros do Século", a falta de 16 obras "é crítica, apesar de haver alguns títulos para os quais não haja público ou que não são comercialmente interessantes". Fernando Pinto do Amaral cita alguns exemplos como o "Tratado de Radioactividade" de Marie Curie, "Negritude e Humanismo" de Leopold Senghor, a "Trilogia do Cairo" de Mahfouz Nagib e "A Escrita e a Diferença" de Jacques Derrida: "são obras marcantes para um público restrito", admitiu.

Para o comissário, é "estranho e revelador do pouco interesse por parte das editoras" títulos como "Ser e Tempo" de Heidegger e "Uma Teoria Geral do Emprego, da Moeda e do Juro" de Keynes não estarem ainda editados: "são livros centrais da Filosofia e da Economia que só podem ser lidos em inglês ou francês".

Entretanto, sugere que as editoras traduzam e editem títulos como "Ofício de Viver", um diário "belíssimo" de Pavese, "A Região mais Transparente" de Carlos Fuentes, uma análise da sociedade latino-americana que "merecia ser traduzida", e "A Política do Êxtase" de Timothy Leary, sobre a liberalização das drogas, "um tema tão actual que não percebo porque é que ainda não pegaram nisso..."

O único título que "não interessa" traduzir é "Toda a Internet: Guia de Utilização e Catálogo", um guia dedicado ao público norte-americano, escolhido "apenas" porque se trata do primeiro guia da Internet, um tema já muito editado em Portugal.

Dos três autores brasileiros escolhidos, apenas Jorge Amado está editado em Portugal. "Grande Sertão: Veredas" de Guimarães Rosa e "Sentimento do Mundo" de Carlos Drummond de Andrade continuam disponíveis apenas em edições brasileiras.

O número de 25 títulos ausentes do mercado livreiro português vai diminuir ainda este ano. Além dos títulos reeditados pela Bertrand, a Verbo vai lançar a versão original do primeiro álbum de Hergé, "Tintin no País dos Sovietes", com as tiras a preto e branco tal como surgiram nos jornais franceses (?), em 1929. Uma boa novidade para os amantes da BD.

Bárbara Wong / Público, 21/03/1998


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Pedro Zamith


desenho de Pedro Zamith

EXPOSIÇÃO COLECTIVA - 08.2007

"O MISTÉRIO DA CULTURA"

Evolução, tradição, expeculação, trabalho de equipa, narcisismos, modas, dons perdidos,

meios infinitos, simplicidade nativa...

Com a imaginação como único limite, 14 artistas aceitaram o desafio de apresentar

9 trabalhos para desvendar "O Mistério da Cultura".

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Exposições 100 Anos de Hergé


A Rede de Bibliotecas de Cascais vai assinalar o centenário do nascimento de Hergé.

A partir de hoje, dia 10 de Setembro, a Rede de Bibliotecas de Cascais, assinala o centenário do nascimento, de Georges Remi (Hergé), criador da personagem de banda desenhada, Tintim.

Na Biblioteca Municipal, Casa da Horta da Quinta de Santa Clara, em Cascais, vai estar patente a exposição, «Hergé, vida e obra do Pai de Tintim», constituída por objectos da colecção de Ricardo Leite, com miniaturas dos personagens, publicações raras e censuradas, réplicas de automóveis e de um barco.

in http://www.guiadacidade.pt/portugal/?G=artigos.index&artid=16164&distritoid=11

https://arquivo.pt/wayback/20091001055244/http://tintinofilo.over-blog.com/article-12279025.html

Zetantan, 10/09/2007


terça-feira, 11 de setembro de 2007

Sócrates no país dos Sovietes

Socrates-no-pais-dos-sovietes.jpg
Carlos Sêco, um tintinófilo português Amis de Hergé, já nos habituou a belos cartoons onde aparecem os heróis de Hergé. Aproveitando a ida do primeiro-ministro português à Rússia, Carlos Sêco evoca essa viagem fazendo uma «pastiche» da capa Tintin no País dos Sovietes.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Tintin, Meu Herói

DA MEMÓRIA …JOSÉ LANÇA-COELHO

TINTIN, MEU HERÓI

Hergé, o ‘pai’ de Tintin, punha o seu filho, e o seu inseparável cão Milú, em aventuras extraordinárias, que eram complementadas com os impagáveis gémeos Dupont, as estrambólicas invenções do Professor Tournesol, que mais tarde o compararia com o meu mestre Jules Verne – ambos foram à Lua - , e, o carismático capitão Hadock, e que eram vistas, não lidas, por mim, pelo meu irmão e por todos os amigos que faziam parte do saudoso clube de futebol, lá da rua.

Andava eu pelos nove anos e os outros pelos sete. Nenhum de nós aprendera ainda a língua de Voltaire. Então, como não percebíamos uma palavra de francês, abríamos o livro mais recente do nosso herói – cada um de nós comprava o seu que depois compartilhávamos – e punhamo-nos a adivinhar o que cada um dos personagens dizia no primeiro quadradinho (só muitos anos mais tarde vim a saber que os quadradinhos na Banda Desenhada tinham o nome científico de vinheta)

A partir dos bonecos, inventávamos uma história que, na nossa imaginação, podia não coincidir com as palavras dos personagens de Hergé, mas, quando chegávamos às partes cómicas, a hilaridade que Hergé pretendia transmitir aos seus leitores, eram compartilhadas por um grupo de crianças, totalmente reduzidas à força das imagens e das expressivas onomatopeias que, não deixavam qualquer dúvida, sobre o que estava a acontecer.

O segundo irmão Dupont a repetir o que o primeiro dissera, mas precedido das palavras, “Eu diria mais”.

A impulsividade do capitão Haddock, quando estava furioso, - e não eram poucas as vezes -, ‘com os mil raios’, representados por montes de estrelas, que lhe saíam da boca, onde estava um cachimbo, cujo combustível consumido ainda não era proscrito como actualmente, pois a ciência ainda não descobrira os verdadeiros malefícios do tabaco.

Tintin e Milú, na sua simplicidade encarnada por um rapaz um pouco mais velho que nós, com quem nos identificávamos em todas as aventuras, e um cão que era igualzinho ao da Aninhas, a rapariga do prédio da frente, que já andava no Liceu – e sabia francês - e por quem todos nós estávamos apaixonados.

Mais tarde, quando descobri a poesia e, dentro desta, “os meus maiores”, mal sabia que, um deles, Miguel Torga,  nascera no mesmo ano do criador do meu herói preferido na Banda Desenhada.

Na verdade, o poeta português, cujo nome é Adolfo Correia da Rocha, pseudónimo Miguel Torga, nasceu a 12 de Agosto de 1907, em S. Martinho de Anta, enquanto Hergé, pseudónimo de Georges Prosper Remi, viu a luz do dia a 22 de Maio de 1907, em Bruxelas, cidade belga onde veio a falecer, a 3 de Março de 1983.

Os livros de Hergé/Tintin estão traduzidos em mais de 40 línguas.

https://arquivo.pt/wayback/20070717121244/http://cempalavras.blogs.sapo.pt/2007/06/25/

publicado por cempalavras às 23:57

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Heróis da Banda Desenhada: Tintim

Quem apostaria que um personagem graficamente tão “datado”, que partia de comboio, em 1929, de Bruxelas para Moscovo numa cruzada anti-comunista sem precedentes, viria a transformar-se no herói imorredouro dos nossos dias? Naqueles primeiros tempos, Tintim é de uma linearidade absoluta, de um esquematismo gráfico e mesmo narrativo nos quais é difícil reconhecer o herói “moderno” de histórias posteriores...
Como personagem, é um repórter, nascido para correr mundo e viver as aventuras que o imortalizaram. Talvez por isso mesmo, nunca é surpreendido a escrever um artigo — quando muito, há os registos impressos das suas vivências em jornais —, mas quem se importa com isso se as suas histórias exprimem de forma tão eloquente esse desejo absoluto de justiça e humanidade que impregna cada quadradinho e cada prancha?
Por detrás de cada acto de criação está, muitas vezes, uma explicação singela. Visto à distância de mais de 70 anos, e de acordo com a confissão do próprio autor numa carta enviada a um admirador, em Novembro de 19996, o acto fundador de Tintim é de um despojamento tocante: “A ‘ideia’ da personagem Tintim e do tipo de aventuras que ele ia viver ocorreu-me, creio, em cinco minutos, no momento de esboçar pela primeira vez a silhueta desse herói: isso quer dizer que ele não tinha habitado os meus verdes anos, nem mesmo em sonhos”. Mas Hergé tem o cuidado de acrescentar mais qualquer coisa: “É possível que eu me tenha imaginado, em criança, na pele de uma espécie de Tintim: nisso, mas apenas nisso, haveria uma cristalização de um sonho, sonho que é um pouco o de todas as crianças e não pertença em exclusivo do futuro Hergé”.
Depois, há as razões sociais e culturais da época que viu surgir o jovem repórter. O padre Norbert Wallez, director do jornal belga “Vingtième”, encomenda ao seu jovem colaborador — Hergé tem então 22 anos e manifesta uma admiração pelo eclesiástico que nunca sofreu a menor quebra — uma história que metesse um adolescente e um cão. A ideia era “passar” valores católicos para os leitores, que se pretendia educar no culto da virtude e do espírito missionário. O envio do jovem repórter à Rússia soviética, um reino satânico onde impera a pobreza, a fome, o terror e a repressão, era uma solução que se adequava às mil maravilhas ao desejo do padre conservador.
Antes de Tintim, Hergé dera vida às aventuras de Totor, um escuteiro chefe de patrulha de quem o jovem repórter foi imaginado como um “irmão” mais pequeno. O autor veste-o com um fato de golfe apenas porque era uma indumentária que ele próprio gostava de utilizar com frequência. O resto é a expressão natural de uma desejo de diferenciação de todas as demais personagens conhecidas. Assim surge o topete, que se tornou numa imagem de marca para todo o sempre.
A seu lado encontramos desde a primeira hora Milou, um cão inteligente que é um companheiro e um cúmplice de todas as aventuras. Não é inteiramente animal, pois Hergé confere-lhe o dom da palavra e algumas das características que habitualmente se podem encontrar nos humanos: realismo, coragem e preocupação com o seu conforto, mas também instinto batalhador... e muita gulodice.
O êxito desta primeira aventura fará com que Tintim vá ao Congo, numa homenagem de recorte inconfundivelmente colonialista à acção da Bélgica no seu antigo território africano. E, logo a seguir, à América, onde Hergé desejara levar o seu repórter num contraponto crítico à incursão soviética, mas frustrado pela vontade do padre Wallez.
Virão, ainda, mais 20 histórias, através das quais a personagem ganha espessura, é rodeada de uma notável galeria de personagens “secundárias” (Haddock, Tournesol, irmãos Dupond(t), Castafiore, etc.. etc.), ganha o sortilégio da cor e um traço cada vez mais moderno e maturado.
Poderá sempre dizer-se que tudo o que Tintim é já estava contido naquela primeira e primordial aventura. Sim, é verdade que os balões e outros signos da moderna BD europeia nascem um pouco ali. Mas também é certo que as narrativas ganham uma solidez e uma segurança que ainda mal se vislumbrava naquela história.
Lendo “Tintim no País dos Sovietes”, descobre-se também, com surpresa, que o herói não nutre uma atitude muito compassiva perante o género humano, é mesmo cruel e implacável. Mas com o passar dos anos essa atitude conhece uma subtil metamorfose, dando lugar a um herói mais positivo e fraterno, disponível para defender e ajudar os fracos e oprimidos. Quem disse que os heróis de papel não crescem e amadurecem?
http://www.tintin.be
http://www.tintin.org
http://www.multimania.com/herge/frame.htm
http://perso.worldonline.fr/Tintin http://guillaume.belloncle.online.fr/Tintin/index.html

Nome: Tintim
Criador: Hergé
Data de nascimento: 10-01-1929
Local: “Le Petit Vingtième”, Bélgica
Época: século XX
Série: banda desenhada de aventuras e um dos grandes clássicos do género, que influenciou de forma muito vincada uma parte significativa da criação europeia contemporânea de BD
Sinais particulares: Tintim é um jovem repórter, sempre vestido com calças de golfe e ostentando um inconfundível topete no alto da cabeça. É dono de um fiel e inteligente cão “fox-terrier”, chamado Milou, e tem como companheiro inseparável, a partir de 1940, Haddock, um capitão de marinha colérico, beberrão e temperamental.

© 2000 Público/Carlos Pessoa

sábado, 28 de julho de 2007

Radar TIMTIM - Um Espectáculo de Verão


"Esplendor na Relva" e "Estendal Lusitano" foram alguns dos espectáculos dos Radar Kadafi e marcaram um estilo: adereços em profusão, suportes audiovisuais, um desconcertante apresentador, o showman Tell Tapia.

No ano de 1987 lançaram o álbum "Prima Donna".

O espectáculo concebido para o verão de 1987 chamava-se Radar Timtim:

"Uma analogia a todo o mundo de Hergé, a aventura da adolescência. É a simbologia Tim Tim, não óbvia, tratada por nós numa "picadora" especial, e visível em cenários, murais, painéis, projecções e toda uma série de objectos móveis. Há ainda canções e músicas que poderão ser ouvidas no espectáculo e que não voltaremos a utilizar. Quem não vir perde..." 

Fonte: Tiago Faden/TV Guia


Imagem de Pedro Morais (Desenho de Pampam)

http://tintinofilo.over-blog.com/article-11550945.html

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Como Tintim chegou a Portugal

UMA INFORMAÇÃO PARA INTERESSADOS...

Perguntam-me como chegaram a Portugal as aventuras de Tintin. A história É muito simples. Quando os Padres Abel Varzim e Manuel Rocha estavam a preparar o doutoramento na Universidade de Louvaina relacionaram-se com vários sacerdotes da diocese de Bruxelas. Foi, assim, que o Padre Varzim conheceu o director do jornal católico "Vingtième Siécle" e do suplemento juvenil "Petit Vingtième" Padre Norbert Wallez e através deste chegou ao contacto com Georges Remi - o célebre Hergé. De acordo com a investigação do jornalista Carlos Pessoa, especialista em BD do jornal Público, data de meados dos anos 30 o primeiro contacto dos leitores portugueses com a figura de Tintin, cerca de cinco anos após ter surgido no "Le Petit Vingtième". Portugal foi o primeiro país não-francófono a publicar as aventuras de Tintin.

O responsável por esta iniciativa editorial no nosso país foi Adolfo Simões Müller, ao tempo, director de "O Papagaio". E o certo É que Muller conhece Tintin através de Abel Varzim, que lhe fala do sucesso das histórias em Bruxelas e na Bélgica. Interessante é verificar que Tintin n'"O Papagaio" era identificado como português e como repórter não do "Le Petit Vingtième" ou do "Le Vingtième Siécle" mas sim do próprio "O Papagaio". Esta adaptação faz com que a personagem Oliveira de Figueira apareça nas páginas de "O Papagaio" como espanhol.

Como é que o director de "O Papagaio" toma conhecimento com Tintin e Hergé? Segundo Carlos Pessoa a chave está numa entrevista concedida ao "Jornal de Letras" em 1987 pelo próprio Muller: "O conhecimento da obra de Hergé [É devida] ao padre Abel Varzim, que estudara em Lovaina (BÉlgica) e conheceu pessoalmente o autor. A segunda Guerra Mundial obrigou Hergé a refugiar-se, em 1940, em França, residindo durante algum tempo em casa de Marijac, um criador francês de BD. É daí que escreve a Adolfo Simões Muller, pedindo-lhe para ser pago não em dólares, mas em géneros alimentares (latas de sardinha, biscoitos, café, etc.), que se destinavam a um irmão, Paul Remi, prisioneiro de guerra dos alemães durante cinco anos. Em Setembro de 1941, numa altura, portanto, em que Tintin já era lido em Portugal no "O Papagaio"(1935-1941) e viria pouco depois a ser lido no "Diabrete" (1941-1950), Hergé escreve de novo ao director de "O Papagaio" para lhe agradecer o envio de alimentos ao irmão e também um cabaz de biscoitos, café, cacau, chocolate, açucar e enchidos que ele próprio recebera entretanto de Portugal". Eis a histÓria. Bem simples... Jamais poderemos agradecer ao Padre Varzim (grande cidadão e homem livre) a premonição extraordinária que teve quanto a Tintin...

GOM - publicado em quinta-feira, 30 de Junho de 2005 21:14