
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
O Templo do Sol
Folha de promoção de exibição do filme "Tim-Tim E O templo do Sol" no cine Vasco da Gama em Sines na data de 15/02/1972.
A imagem foi obtida na internet provavelmente num site de leilões.
O filme estreou em Portugal, no cinema Condes, propriedade da Castello Lopes, no dia 23/12/1970.
sábado, 15 de agosto de 2026
Regressar a Tintin à boleia do eclipse
O acontecimento mediático da semana, o eclipse do sol, foi o pretexto - desnecessário - para regressar a uma das mais emblemáticas aventuras de Tintin, o díptico "As 7 bolas de cristal"/"O templo do sol", disponível em edição da ASA.
Sendo o realismo uma das notas distintivas da obra-prima de Hergé, aqui o ponto de partida é fantástico: regressados do Peru, onde descobriram o túmulo do soberano inca Rascar Capac, sete exploradores mergulham numa profunda letargia, de que só saem durante espantosas convulsões que os afeta todos os dias à mesma hora. Depois, entra em cena a aterradora múmia do inca, que tantos pesadelos causou a jovens leitores de Tintin.
Preparado o enredo, começa a aventura em estado puro: o rapto do professor Girassol por índios irá levar Tintin e Haddock num longo périplo até ao Peru, numa viagem recheada de peripécias e de perigos que ficaram na memória de muitos: o atentado no comboio que descarrila para um precipício, Milu levado por um condor, a avalanche de neve, a condenação à morte em sacrifício ao deus Sol dos incas... E sempre com o contraponto do humor para equilibrar as tensões, numa história construída com enorme mestria.
Veja-se logo na segunda prancha de "As 7 bolas de cristal", como o sentido de leitura acompanha o movimento do passeio de Tintin, ou como, no final de cada página ímpar há sempre uma cena de suspense, que impele o leitor a virar de imediato a página.
Numa série que é também profundamente humanista, distingue-se o elemento narrativo que Hergé introduziu para que a vida de Zorrino seja salva ou, acima de tudo, o que move Tintin e o capitão na sua busca: a amizade pelo distraído Girassol, que os leva a atravessar meio mundo e a enfrentar todos os perigos e adversidades.
E, numa narrativa em que coabitam o mistério, o suspense, o exótico e até o fantástico, veja-se como ao longo de mais de 30 páginas, Hergé prepara o desfecho, contrastando a aparente calma de Tintin face à morte que se aproxima, com o desespero crescente de Haddock, até à radiosa entrada em cena do astro-rei, rapidamente ofuscada pelo eclipse, que é o momento alto desta aventura e que vai culminar, de forma inesperada, superior e magnífica uma das mais brilhantes aventuras do repórter.
in Jornal de Notícias, 14.08.2026
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Eclipse do Sol
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Bazar Tintin - 1979
Existe uma versão portuguesa de "Tintin & Tintinors" denominado "Bazar Tintin, Jogo de Sociedade", publicado pela SEL, Lisboa. Na última folha das regras é mencionado "copyright PUBLICA/ HERGÉ/ AEI 1979".
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Jornal de Letras (1987)
Pela importância da pessoa e da relevância do conteúdo partilhamos na totalidade esta entrevista importante a Simões Muller.
Entrevista a Adolfo Simões Müller. No JL de 16.3.1987
Adolfo Simões Müller: "Paguei a Hergé em latas de sardinhas"
Raul Correia, Cardoso Lopes, José de Oliveira Cosme, Baptista Rosa, Roussado Pinto... Homens, todos eles já desaparecidos, que devotaram, integralmente ou em grande parte, a sua actividade pública à divulgação editorial da banda desenhada. Adolfo Simões Müller, cujas declarações aqui registamos, é a voz de uma geração entusiasticamente empenhada na divulgação dessa forma de arte. Aos 76 anos, aquele que foi sucessivamente director de «O Papagaio», «Diabrete», «Cavaleiro Andante», «Foguetão» e «Zorro» defende com calor as histórias ilustradas dos ataques dos seus detractores.
Jornal de Letras — Como principiou o seu interesse pelos «quadradinhos»?
Adolfo Simões Müller — Claro, principiei por ser apenas um leitor do que, na matéria, então se fazia por cá: havia os suplementos do «Diário de Notícias» e de «O Século», um deles creio que dirigido pelo Cottinelli Telmo...
P. — E o passo seguinte, a entrada activa na sua produção e divulgação?
R. — Vamos por partes. Por altura dos meus 18 anos, estava eu a estudar Medicina, vi-me forçado a começar a trabalhar, dando aulas, porque as posses da minha família não eram grandes. Tornei-me professor nas Oficinas de S. José, onde me lembrei de inventar processos de entreter os alunos. Um deles consistiu em dividir a turma em dois grupos de futebol, com onze de cada lado, perfeitamente definidos como avançados, halves, backs, keeper e tal. A bola ia progredindo até ao golo, através de perguntas que se iam formulando sobre a matéria (neste caso, Ciências Naturais). Quando era golo havia uma algazarra! Este processo era óptimo porque os rapazes tinham sempre a matéria na ponta da língua, para tramarem o parceiro. Um dia, quando uma das equipas marcou golo, foi tal a barulheira que apareceu o director acompanhado de umas senhoras muito bem vestidas. Fiquei atrapalhado, mas lá expliquei em que consistia o jogo. Pois a verdade é que o «público» ficou para assistir e, no final, aplaudiu... Também ensinava a História de Portugal recorrendo à narração de episódios como se fossem histórias maravilhosas e os alunos aderiam entusiasmados. Assim começou, digamos, a exprimir-se a minha vocação para o contacto com a gente nova...
«Uma técnica própria de leitura»
P. — E daí aos jornais de histórias aos quadradinhos?
R. — Bom, teria eu cerca de 30 anos, «pescaram-me» para as «Novidades», onde passei a trabalhar como redactor. Por volta de 1935, o director da Renascença, Lopes da Cruz, lembrando-se da minha vocação para lidar com jovens (e eu, entretanto, tinha já publicado um livro infantil) convidou-me para fazer um jornal — e assim nasceu «O Papagaio». Escolhi alguns colaboradores já meus conhecidos — o Tom, o José de Lemos, etc. — e, além de textos, decidi incluir também banda desenhada. As pessoas diziam muito mal, que afastava os jovens da leitura, e por aí adiante, mas eu acho que não: o que tem é uma técnica própria de leitura. Aliás, quando se tratava de adaptações de obras literárias eu tinha sempre o cuidado de chamar a atenção para esse facto e de convidar à leitura do original, sublinhando que a adaptação não era mais do que um aperitivo para ela.
P. — Havia fortes concorrentes na altura...
R. — Sim. Os mais importantes eram o «Tic-Tac», «O Mosquito» e «O Senhor Doutor». Todos tinham histórias em banda desenhada.
P. — «O Mosquito» e «O Senhor Doutor», nos primeiros tempos, poucas ou nenhumas histórias ilustradas de origem portuguesa publicavam. N'«O Papagaio», creio, não se passavam assim as coisas...
R. — As histórias eram então quase todas de importação inglesa ou americana. Ora, independentemente dos méritos dos seus autores, não me agradava aquilo, pois não se adaptavam bem à nossa sensibilidade. Antes de passar a incluir n'«O Papagaio» produção portuguesa tive, porém, a sorte de poder contar com a inserção de histórias de Hergé. Foi o padre Abel Varzim, que estudara em Lovaina e que lá na Bélgica tivera a oportunidade de conhecer pessoalmente [ nb: apenas conheceu a Obra e não o autor ] o então ainda jovem e não muito famoso autor de Tintin, quem me falou dele. A coisa interessou-me, ele próprio se encarregou dos contactos e assim passámos a publicar em Portugal, pela primeira vez, o Tintin, o «Tim-Tim no Congo»... [lah: Na verdade, era Tintim na América] O Hergé, para mim, é a maior figura da banda desenhada. E fiquei sempre, n'«O Papagaio» e nos jornais que se lhe seguiram, com o exclusivo do Tintin. E sempre com o maior êxito!
P. — Os direitos de publicação de histórias do Hergé eram dispendiosos?
R. — Nem por isso... E vou contar-lhe um episódio curioso. Nós pagávamos em dólares, ou francos, ou lá o que era (já não me lembro) mas veio a guerra e aquilo para nós era uma ninharia. Eles lá é que estavam pobres... Ora, um belo dia, o Hergé escreveu-me a pedir-me, se possível, o pagamento dos direitos, não em dinheiro, mas em latas de sardinhas, que se destinariam a um irmão dele que estava prisioneiro dos alemães, num campo de concentração... [lah: Paul Remi foi prisioneiro de guerra durante cinco anos.] Assim fiz: lá ia a minha mulher comprar as conservas, enviávamos-lhas e elas em seguida iam para o campo, via Cruz Vermelha... Posteriormente visitei o Hergé, encetámos uma relação pessoal e eu sempre fiquei «cliente» das produções franco-belgas, de grande qualidade.
P. — As traduções eram mesmo da sua responsabilidade?
R. — Sim, e no caso do Tintin até adaptei os nomes das personagens. Como se sabe, o Capitão Haddock tornou-se Capitão Rosa, o Professor Tournesol ficou Professor Pintadinho, e por aí adiante. Um caso engraçado é o do cão do Tintin, que no original, como é conhecido, se chama Milou; ora, acontece que na altura estava muito em voga a actriz e cançonetista Milu, a «Menina da Rádio», [ nb:«Em 1935, com nove anos de idade, Milú já cantava nos programas infantis da Rádio Graça e era conhecida como “a menina da Rádio”. Milú Almeida ou simplesmente Milú, como ficou conhecida pelas suas participações nos filmes “O Costa do Castelo”, “O Leão da Estrela” e “O Grande Elias” (mas não em “A Menina da Rádio”, que foi protagonizado por Maria Eugénia, a Geninha).» (Azevmen) ] e eu achei (achámos todos) que era aborrecido chamar Milu ao cão, parecia que era de propósito, até porque entre nós aquilo não é nome de cão. Então, por onomatopeia, ficou Rom-Rom. Tim-Tim e Rom-Rom, soava bem. Num álbum recente, dedicado à obra de Hergé, vem um quadro com as traduções dos nomes das personagens em muitas línguas — e lá vêm os nomes que eu lhes pus...
P. — Quanto às traduções propriamente ditas, as que se fazem agora são muito más, até do ponto de vista estilístico. Não é dessa opinião?
R. — Não leio, não tenho conhecimento. Mas sei que há uma grande invasão de publicações feitas no Brasil, o que é péssimo. E os miúdos consomem muito daquilo. É pena... Eu sempre me preocupei por adaptar com o maior escrúpulo os textos ao português correcto e coloquial, com os nossos provérbios, as nossas frases feitas... Ah, mas ainda a propósito da transposição dos nomes, aqui vai outra história engraçada. A páginas tantas deparei, numa história do Tintin, com um pirata qualquer chamado Müller. Como é natural (risos) eu não achei nada próprio que o vilão tivesse o mesmo nome que o director do jornal. E, assim, chamei-lhe outra coisa qualquer...
P. — Que tiragem tinha então «O Papagaio»?
R. — Não sei já bem, mas uns dez mil, para aí...
P. — Como (e porquê) acabou «O Papagaio»?
R. — Bom, a certa altura, o Lopes da Cruz (que era uma pessoa muito delicada) começou a queixar-se, a dizer que «aguentava a publicação por causa do Müller», e por aí fora. Claro, eu disse-lhe que estivesse à vontade mas ele ia mantendo o jornal, que não era rentável.
P. — E veio «O Diabrete»...
R. — Por essa altura, um dos administradores do «Diário de Notícias» perguntou-me se eu não quereria dirigir o «Diabrete», surgido uns meses antes, e que até então fora dirigido por um engenheiro agrónomo cujo nome, sem menosprezo, não recordo, mas que à data já era muito idoso [nb: A. Urbano de Castro] e se encontrava pouco capaz de ter ideias novas. Eu falei com o Lopes da Cruz, expus-lhe o caso, ele aceitou a minha posição — mas não gostou. E o que é certo é que fez sair «O Papagaio» por mais dois anos, apesar das dificuldades económicas com que se debatia. [ nb: Mais anos! «Como revista terminou no n.º 722, em 10 de Fevereiro de 1949, mas continuou, sendo secção da revista Flama, até 9 de Fevereiro de 1951.» (Azevmen) ]
P. — Dificuldades que não tinha o «Diabrete»?
R. — Era um jornal novo e menos dispendioso. Aí contei com a colaboração próxima do Fernando Bento, um grande desenhador, que ainda continua a trabalhar, apesar da idade (que é mais ou menos a minha).
P. — Mas já «O Papagaio» tivera grandes desenhadores...
R. — Sim. Olhe, um deles — pouca gente sabe isto — foi o grande pintor Júlio Resende, talvez hoje o maior pintor português. É verdade, o Júlio Resende, que com o irmão, fazia banda desenhada para nós. Um dia vieram do Porto de propósito para colaborarem numa festa de «O Papagaio», no Politeama. Faziam uma parelha de palhaços, o Júlio era o faz-tudo e o outro tocava harmónio.
P. — Era frequente nesse tempo a colaboração de artistas plásticos em jornais infantis...
R. — Pois era. O Stuart Carvalhaes também desenhou histórias a meu pedido. O Stuart já fizera muito antes bandas desenhadas com as personagens «Quim e Manecas», que ressuscitou já nos anos 50, quando lho solicitei. Sabe que nunca guardei os originais? Perdi tudo, nunca tive preocupações de coleccionismo. Hoje lamento-o profundamente.
P. — Não possui as colecções dos jornais infantis e juvenis que dirigiu?
R. — Não, nunca me preocupei com isso. Às vezes há coleccionadores que me procuram, que dizem que me dão não sei quantos contos por isto ou por aquilo. «Homem, venda-mos você a mim», respondo eu. (Risos).
P. — Mas voltemos a «O Diabrete»...
R. — Foi uma fase muito grata para mim os dez ou onze anos que durou. Mas comecei a imaginar uma coisa maior e melhor e assim nasceu o «Cavaleiro Andante», no princípio dos anos 50. Antes contara com trabalhos de grandes artistas portugueses e espanhóis (e entre estes últimos cabe destacar o Jesus Blasco, um grande pintor), ao passo que o «Cavaleiro» passou a estar voltado praticamente para quanto se fazia de melhor na Europa. Publicámos, além de produções de outras origens, o melhor da banda desenhada francesa e belga. O Professor Mortimer, de Edgar P. Jacobs, o Astérix, o Lucky Luke, tudo isso, que foi assim pela primeira vez divulgado em Portugal. E o Hergé continuava. O Fernando Bento acompanhou-me sempre e aquilo serviu de escola a outros mais novos, como o José Ruy ou o José Garcês, o que para mim foi muito grato.
«Eu fazia os guiões, o Bento recriava-os»
P. — As histórias não eram, então, assinadas. Como nasciam as que fazia com o Fernando Bento? De quem partia a iniciativa?
R. — Era um trabalho dos dois. Em regra, eu fazia um guião indicando as situações e os diálogos e ele recriava-os. É um grande artista, a quem nunca foi prestada a homenagem que merece.
P. — Pode considerar-se o «Cavaleiro Andante» o jornal de maior êxito de entre os que dirigiu?
R. — Sim, foi um sucesso desde que principiou. Tirávamos trinta ou quarenta mil exemplares e o número um teve de ser reimpresso. Tínhamos, também, uma série de publicações adjacentes: o «Álbum do Cavaleiro Andante», mensal, os «Números Especiais» (os do Natal eram encadernados, com um certo luxo, e custavam 10 «paus»), a «Colecção Oásis», o «João Ratão», a «Colecção Alvo», as «Obras-Primas Ilustradas»... Por fim imaginei o jornal mais giro de todos, mas esse não teve êxito... Foi o «Foguetão», de que se publicaram apenas treze números. Era um jornal grande, tipo «adulto», magnífico, com artigos, contos, histórias ilustradas, grandes diaporamas, tudo a cores e em bom papel. Sabe a que se ficou a dever o falhanço? Eu fiz uma «sondagem» (como se diria hoje) junto dos vendedores e apurei o seguinte: que não se vendia por ser grande de mais. É que os rapazes queriam jornais que pudessem, na escola, meter debaixo dos livros, enganando assim o professor... Foi uma pena. Olhe, é o único jornal que dirigi de que possuo a colecção completa: são apenas treze números.
P. — Como eram feitos os contactos com os fornecedores de material estrangeiro e como chegava este às suas mãos?
R. — Havia agências distribuidoras, mas eu preferia o contacto directo com editoras ou publicações europeias, como a Casterman, as Éditions du Lombard, o jornal «Tintin», a Dupuis, o semanário italiano «Il Vittorioso»...
«Não violentar os jovens»
P. — Nunca lhe «disseram» muito as produções americanas, não é verdade?
R. — Há grandes desenhadores americanos, grandes artistas mas aquilo, realmente, nunca me pareceu muito adaptável à nossa maneira de ser nem muito adequado a ser lido por jovens.
P. — No entanto, o «Mundo de Aventuras» e as restantes publicações da Agência Portuguesa de Revistas abasteciam-se quase exclusivamente nesse mercado...
R. — Pois era, mas que quer? Eu era «estúpido» e não gostava daquilo...
P. — É verdade que os quadradinhos americanos não são dirigidos a jovens, mas a adultos. Em contrapartida, a própria designação «banda desenhada para adultos», que apareceu há uns vinte anos na Europa, indicia claramente que a que por cá se fazia antes era infantil. Mas o que pensa da actual produção para jovens?
R. — Hoje é tudo muito diferente, há uma grande carga de violência, os valores são outros. Eu preocupava-me em não violentar os jovens, em não os chocar, em não os excitar. E fui criticado por isso.
P. — Como?
R. — Pertenci a uma comissão de leitura, que não era de censura e se limitava a aconselhar. Eu próprio recebi conselhos da comissão de que fazia parte. Era sobretudo o tom: para quê escrever que «Fulano foi arremessado para uma fria masmorra» em vez de que «Fulano foi encarcerado», ou assim?
P. — Relações com o poder (com os poderes). Teve?
R. — Nunca tive. Vi o Salazar uma vez, mas nunca falei com ele. O Marcelo Caetano foi o único governante que manifestou algum interesse pela minha obra: quando ocorreu o quarto centenário da publicação de «Os Lusíadas» deu instruções no sentido de uma reedição estatal do meu livro «As Aventuras do Trinca-Fortes». Pois sabe quantos exemplares se venderam? Como diria o Jô Soares: zero! (Risos). Aquilo nunca foi avante. Agora, recentemente, a dr.ª Maria Barroso esteve presente no lançamento do meu livro «A Torre de D. Ramires». E foi tudo.
P. — Porque a sua obra não cabe apenas, convém lembrar, no campo das publicações periódicas...
R. — Não. Tenho publicados cerca de quarenta livros, designadamente biografias de pessoas célebres. Era a colecção «Gente Grande para Gente Pequena». Escrevia à média de um por ano. E também trabalhava na Emissora, onde colaborei estreitamente com o Francisco Mata, que, como sabe, já morreu, está um pouco esquecido e é outro homem a quem nunca foi feita a justiça que merecia. E ainda fiz publicidade. Foi uma vida cheia, a minha.
P. — Voltando às publicações juvenis: o «Foguetão» e o «Zorro» foram as últimas que dirigiu?
R. — Depois disso ainda fiz a «Nau Catrineta», que era um suplemento do «Diário de Notícias» e, mais tarde, pediram-me para ir a «A Capital» dirigir os «Quadradinhos».
P. — Pensa que um jornalismo nesses moldes ainda teria actualmente, saída? O que há agora é diferente...
R. — Praticamente não há nada. Eu ainda pensei em fazer um jornal em moldes novos, que seria a minha despedida: um jornal juvenil para os filhos dos emigrantes, que lhes permitisse manterem-se ligados a Portugal. Mas a coisa não foi por diante. Mas agora os interesses dos jovens são outros: é a música, é a televisão, é o cinema. Quase não lêem...
Entrevista de Luís Almeida Martins / Jornal de Letras, 16/03/1987
(entrevista obtida no blog Porta da Loja onde se pode ver a digitalização da mesma)
https://portadaloja.blogspot.com/2021/10/tintin-e-as-aventuras-dos-desenhos-sem.html
https://portadaloja.blogspot.com/2020/09/mais-de-cima-da-mesa-em-setembro.html
https://portadaloja.blogspot.com/2016/11/as-tretas-das-letras-ii.html
+
João P. Boléo fala-nos mais sobre isso:
O Sr. Simões Müller queria publicar as aventuras de Tintim em formato de álbum. Infelizmente, os direitos da língua portuguesa foram vendidos ao... Brasil. O que explica a fraca qualidade das traduções.
Só muito recentemente é que foram editados os dois primeiros álbuns em Portugal. Trata-se de “A Ilha Negra” e “O Ceptro de Ottokar” da Editora Verbo em Lisboa.
+
No n.º 8 da revista Les Amis de Hergé, de dezembro de 1988, tem um artigo "Tintin au Portugal".
(...) na entrevista intitulada: Adolfo Simões Müller: “J’ai payé Hergé en boîtes de sardines” (Paguei ao Hergé com latas de sardinha), o escritor português desmente que os direitos de publicação das histórias de Hergé eram elevados.
Depois de trocadas várias cartas, os dois tornaram-se amigos.
Adolfo Simões Müller esclarece que “depois disto, encontrei-me com o Hergé [? Abel Varzim apenas tinha conhecido a obra] e iniciámos uma relação pessoal [? por carta]. Sempre me mantive um “cliente” das produções franco-belgas de grande qualidade”, remata o escritor.
Na entrevista a Luís Almeida Martins, publicada no Jornal de Letras, Adolfo Simões Müller é categórico em afirmar que “o Hergé, para mim, é a maior figura da banda desenhada. E fiquei sempre n‟O Papagaio e nos jornais que se (...)
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Edições fac-similadas
A Verbo lançou edições fac-similadas de "Os Charutos do Faraó" (Jul/2003) e "No País dos Sovietes" (Set/1999).
No âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Hergé esteve prevista a edição fac-similada do álbum "O Lótus Azul".
Na contracapa de "Tintim E A Alph-Art" (Verbo, 2004) tem a referência a essa futura edição do álbum "O Lótus Azul" mas não foi concretizada.
Fac-similados das primeiras edições, a preto e branco
Tintim no País dos Sovietes T
Os Charutos do Faraó O
A Publicar:
O Lótus Azul (não editada)
ASA
Em 2011 fez 75 anos que surgiu a primeira publicação em Portugal de Tintin e a ASA lançou "Tintin Na América" mas na versão de 1945. Curiosamente no Brasil foi lançada, em 2016, a versão de 1930 de "Tintim Na América" conjuntamente com outras aventuras.
BRASIL
A editora brasileira Globo Livros lançou as edições como publicadas originalmente, na década de 1930, em versão fac-símile no formato 21 x 28 cm.
- Tintim no Congo [1], Tintim na América [2], Os Charutos do Faraó [3] (2016).
- O Lótus Azul [4], A Orelha Lascada [5], A Ilha Negra [6] (Nov/2018).
+
Os álbuns em P&B eram publicados com uma densidade de quadrinhos menor do que os [álbuns] coloridos (em média três tiras de dois quadrinho por página, contra quatro tiras de três quadrinhos nas coloridas). Então o número de páginas dos [álbuns] coloridos é menor, mas o número de quadrinhos é praticamente o mesmo!
Ou seja, apesar do número de páginas bem menor não há diferenças significativas nas histórias entre ambas as versões. Algumas sequências cortadas ou adicionadas, arte redesenhada (ao menos até O Lótus Azul), mudanças nos diálogos, mas a história propriamente dita era a mesma.
Pedro Bouça, 15/09/2016
É o início da série. Tintim só fica bom mesmo a partir d'O Lótus Azul e só se torna o Tintim que conhecemos em O Cetro de Ottokar.
Mas vale uma olhada porque são as histórias como produzidas originalmente. Hergé redesenhou boa parte delas (e fez modificações no resto) quando publicou as edições coloridas que conhecemos, mas esse é o Tintim original!
Pedro Bouça, 15/09/2016
https://universohq.com/noticias/globo-livros-lanca-serie-de-albuns-com-hqs-originais-de-tintim/
sábado, 1 de agosto de 2026
Pertués / Mirandés
Está prevista a tradução para mirandês de uma nova aventura de Tintin mas ainda não está escolhida qual será. Aproveitamos para colocar a imagem da contracapa e o interessante texto presente na primeira edição em mirandês.
Pertués
Tintin é um dos heróis mais poliglotas de toda a Banda Desenhada, algo que nesta aventura está bem visível. De Port Said a Hong Kong não faltam personagens nem línguas exóticas, mas que por magia todas se transformam no mirandês. Até o vendedor ambulante, Oliveira da Figueira, descobriu que também Portugal era bilingue desde o seu nascimento.
Mirandés
Tintin ye un de ls heiroís más poliglotas de toda la Banda Zenhada, algo que nesta abintura se nota mui bien. De Port Said a Hong Kong nun fáltan pessonaiges nien lhénguas eizóticas, mas que por artes mágicas todas se buolben mirandés. Até l feirante, Oulibeira de la Figueira, çcubriu que tamien Pertual era bilhingue zde nacéncia.


















