sexta-feira, 26 de março de 2021

quinta-feira, 11 de março de 2021

A cidade da BD recomenda


André Carrilho, Nuno Saraiva, Luís Louro, José Ruy, Joana Afonso e Marta Teives foram os autores portugueses convidados pela Câmara Municipal da Amadora para ilustrar medidas de prevenção do contágio pelo vírus COVID-19, através da banda desenhada, uma iniciativa da autarquia, dinamizada pelo Festival Amadora BD.

A Cidade da BD desafiou cada um dos autores a criar uma ilustração original para vários outdoors espalhados pelo concelho, baseada numa recomendação da DGS. Esta iniciativa pretende reforçar a saúde pública, a constante sensibilização da comunidade local e a presença da banda desenhada nos espaços públicos do Município da Amadora.

A cada um dos autores foi atribuída uma recomendação da DGS relativamente à prevenção do contágio pelo vírus Covid-19. André Carrilho aborda o uso obrigatório da máscara comunitária. Nuno Saraiva trabalha o distanciamento social. Joana Afonso recomenda evitar tocar nos olhos, na boca e no nariz. Luís Louro recorda a necessidade de serem evitados aglomerados de pessoas e deixa um repto “Não seja um Covidiota”. Marta Teives reforça a lavagem das mãos como prática indispensável. Por fim, o Mestre José Ruy recorre aos emblemáticos personagens de António Cardoso Lopes Júnior, Zé Pacóvio e Grilinho, para exemplificar a etiqueta respiratória.

Este projeto insere-se na programação do Festival Amadora BD para 2020, que inclui um conjunto de sessões para transmissão nos canais digitais, nomeadamente conversas com autores de banda desenhada e sessões de lançamento de livros. Paralelamente, prevêem-se duas exposições para a Bedeteca da cidade, com inauguração a partir do dia 22 de outubro, e o lançamento de um filme documental sobre os 30 anos do Festival.

Milu aparece no cartaz assinado por Nuno Saraiva.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Mais 77 do que 7

Pode ser que, como tantos outros miúdos hoje velhos como eu, tenha desejado, aos 7 anos, ser como o Tintin. Pode ser. A verdade é que, rumo aos 77 anos (idade final do meu Pai), estou cada vez mais parecido com o Capitão Haddock: bebo as minhas garrafosas, digo os meus palavrões e tenho a nostalgia do mar na doca-seca da terrena vida de todos os dias.

Para mais, acho o Hergé um bocado pró racista: belga francófono, piadético de “pretos” e de “portugas”, etc. É verdade que o senhor Georges Prosper Remi, de seu nome completo, está para a BD como o Comandante Costeau está para os oceanos filmados. É verdade. Mas devo confessar que o Tintin me interessa cada vez menos. E tudo por causa do Matt Marriott, meu verdadeiro herói dos quadradinhos.

A criação de Tony Weare (insuperável criador da ilustração da tinta com aparo) e de James Edgar cativou o meu coração a partir dos tais 7 anos, idade que me parece hoje inverosímil. Os meus irmãos liam o Matt Marriott, eu praticamente aprendi a ler na cartilha do Mundo de Aventuras que no-lo trazia.Tintin? Tonnerres de Brest! Fichue espagnolette! Mille milliards de mille sabords! Tortionnaire! E por aí adiante.

É verdade também que de vez em quando, sobretudo no Inverno, com os ossos à lareira, me deixo levar pela desintelectualização da vontade e embarco nas aventuras do repórter que não escreve uma linha que seja para os jornais. O traço e as cores de Hergé levam-me pela mão, sem esforço, à minha primeira idade, como decerto faz a tantos milhares de leitores por esse mundo fora, com a provável excepção dos Estados Unidos da América, onde consta que nem conhecem grande coisa do jovem colonialista, perdão!, repórter de ruiva poupa.

Associo-me pois, por amigável encomenda do Zé Oliveira, a esta efeméride. Sem esforço. Ao Tintin, prefiro o Zé Povinho. De longe. O Zé Povinho, a Mafalda, o Torpedo 1936. Ao Hergé, prefiro o José Vilhena, o Comès, o Eisner, o Edgar P. Jacobs e o F. Caprioli.

Ao Tintin, prefiro, enfim, o Capitão Haddock: uma mão lava a outra, hélas!

Daniel Abrunheiro, 11/02/2009

(Nos 80 anos do Tintin, para o jornal lousanense O Trevim - suplemento mensal BronKit com coordenação de Zé Oliveira)

Nota: O n.º 2 do "BronKit", suplemento do "Trevim", foi todo ele dedicado aos 80 anos do Tintim e inclui os cartunes/BD's que estiveram na exposição "Lousã 2009".

https://fecoportugal.blogspot.com/2009/05/bronkit-n-2.html

Além disso, o n.º 3 também incluiu mais dois desenhos alusivos ao Tintim (de Carlos Sêco e César Évora) que tinham ficado esquecidos na gaveta

https://fecoportugal.blogspot.com/2009/05/bronkit-n-3.html

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Tintin Shop, em Belém, fecha definitivamente as portas vítima da pandemia


A loja oficial do Tintin em Lisboa, a Tintin Shop, é mais uma das vítimas da crise pandémica tendo anunciado esta quarta-feira, 17, que vai fechar definitivamente as portas. 

Já existia uma ou outra loja, já se encontrava uma ou outra coisa dedicada ao universo de Tintin, mas uma loja oficial com o selo da Moulinsart (sociedade belga que gere o legado de Hergé) foi uma novidade absoluta em Portugal, que quase três anos depois de abrir portas se perde.

“Caros clientes, infelizmente por razões relacionadas com a crise sanitária, somos forçados a fechar definitivamente a loja do Tintin. Agradecemos a todos pelo vosso acolhimento, gentileza e confiança”, lê-se numa publicação na página de Facebook da loja. 

A história desta loja, que fica no número 450 da Rua da Junqueira, começou como a de muitos outros projectos em Lisboa: um casal que numa viagem à capital se deixa encantar e decide mudar de vida. Neste caso, falamos dos franceses Nathalie e Louis, a viver em Lisboa desde 2017. Abriram o espaço em 2018, porque Lisboa tinha potencial e não tinha nada semelhante (e oficial) e também porque Portugal foi o primeiro país a traduzir as aventuras de Tintin.

Neste espaço, à semelhança do que acontece nas restantes lojas oficiais, encontrava-se de tudo – desde peças de colecção, como o cobiçado foguetão que levou Tintin à lua, figuras em resina inspiradas na exposição "Le Musée Imaginaire de Tintin", que aconteceu em 1979 postais, baralhos de cartas, porta-chaves e canecas. Isto para não falar dos livros da colecção que existem em português e noutras tantas línguas.

Na mesma publicação, Louis e Nathalie relembram os fãs das aventuras de Tintin que o Museu Calouste Gulbenkian deverá receber ainda este ano uma exposição dedicada a Hergé, na Galeria Principal do Edifício Sede. A mostra, apresentada pela primeira vez no Grand Palais, em Paris, e organizada em colaboração com o Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, vai reunir uma selecção importante de documentos, desenhos originais e várias obras criadas pelo célebre autor.

in TimeOut

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Nuno Markl e a Rádio Voz de Benfica


A pirataria era a sério, nos anos 80. Havia rádios piratas - como a Voz de Benfica, onde comecei - e panfletos publicitários tão piratas que ousavam roubar quadradinhos ao Tintim e alterar o texto. Desenhei esta publicidade à rádio das traseiras da casa da minha avó para aí em 1988. Tirámos uma resma de fotocópias na loja de cópias do Fonte Nova e andámos a distribuir nas caixas de correio da vizinhança, que nem uns valentes. 

Nuno Markl, Facebook, 9 de Setembro de 2016


sábado, 16 de janeiro de 2021

Leilão de desenho de Tintin atinge valor recorde de 2,6 milhões de euros

Desenho original do belga Hergé, feito em 1936 para a capa da obra O Lótus Azul, supera um recorde mundial de um leilão de uma obra de banda desenhada, que pertencia ao próprio Hergé.


Um desenho original do autor belga Hergé, feito em 1936 para a capa da banda desenhada O Lótus Azul, o quinto álbum de banda desenhada da série protagonizada por Tintin, foi vendido esta quinta-feira pelo valor recorde de 2,6 milhões de euros, num leilão em Paris. Segundo a casa de leilões francesa Artcurial, o valor da venda bate um recorde mundial de um leilão de uma obra de banda desenhada. O recorde anterior tinha sido atingido em 2014, quando outra obra de Hergé foi leiloada por 2,5 milhões de euros.

A obra de arte vendida esta quinta-feira fora descartada pela editora, Casterman, por considerar que a técnica utilizada por Hergé iria aumentar os custos de produção do livro. A capa revela Tintin e o cão Milú dentro de um jarrão de porcelana chinesa, escondendo-se de um dragão vermelho, sob um fundo preto, tendo Hergé oferecido o desenho ao filho do empresário Jean-Paul Casterman, que o manteve guardado até à morte, em 2009. O Lótus Azul narra uma aventura em Xangai, na China, onde Tintin tenta resolver um mistério que envolve espionagem e tráfico de ópio.

Lusa