O suplemento Ipsilon do jornal Público de 07/01/2011 publicou dois pastiches de Nuno Saraiva de página inteira, sendo um a própria capa do suplemento.
http://tintinemportugal.blogspot.com/2011/01/tintin-no-jornal-publico.html
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A Cidade da BD desafiou cada um dos autores a criar uma ilustração original para vários outdoors espalhados pelo concelho, baseada numa recomendação da DGS. Esta iniciativa pretende reforçar a saúde pública, a constante sensibilização da comunidade local e a presença da banda desenhada nos espaços públicos do Município da Amadora.
A cada um dos autores foi atribuída uma recomendação da DGS relativamente à prevenção do contágio pelo vírus Covid-19. André Carrilho aborda o uso obrigatório da máscara comunitária. Nuno Saraiva trabalha o distanciamento social. Joana Afonso recomenda evitar tocar nos olhos, na boca e no nariz. Luís Louro recorda a necessidade de serem evitados aglomerados de pessoas e deixa um repto “Não seja um Covidiota”. Marta Teives reforça a lavagem das mãos como prática indispensável. Por fim, o Mestre José Ruy recorre aos emblemáticos personagens de António Cardoso Lopes Júnior, Zé Pacóvio e Grilinho, para exemplificar a etiqueta respiratória.
Este projeto insere-se na programação do Festival Amadora BD para 2020, que inclui um conjunto de sessões para transmissão nos canais digitais, nomeadamente conversas com autores de banda desenhada e sessões de lançamento de livros. Paralelamente, prevêem-se duas exposições para a Bedeteca da cidade, com inauguração a partir do dia 22 de outubro, e o lançamento de um filme documental sobre os 30 anos do Festival.
Milu aparece no cartaz assinado por Nuno Saraiva.
Pode ser que, como tantos outros miúdos hoje velhos como eu, tenha desejado, aos 7 anos, ser como o Tintin. Pode ser. A verdade é que, rumo aos 77 anos (idade final do meu Pai), estou cada vez mais parecido com o Capitão Haddock: bebo as minhas garrafosas, digo os meus palavrões e tenho a nostalgia do mar na doca-seca da terrena vida de todos os dias.
Para mais, acho o Hergé um bocado pró racista: belga francófono, piadético de “pretos” e de “portugas”, etc. É verdade que o senhor Georges Prosper Remi, de seu nome completo, está para a BD como o Comandante Costeau está para os oceanos filmados. É verdade. Mas devo confessar que o Tintin me interessa cada vez menos. E tudo por causa do Matt Marriott, meu verdadeiro herói dos quadradinhos.
A criação de Tony Weare (insuperável criador da ilustração da tinta com aparo) e de James Edgar cativou o meu coração a partir dos tais 7 anos, idade que me parece hoje inverosímil. Os meus irmãos liam o Matt Marriott, eu praticamente aprendi a ler na cartilha do Mundo de Aventuras que no-lo trazia.Tintin? Tonnerres de Brest! Fichue espagnolette! Mille milliards de mille sabords! Tortionnaire! E por aí adiante.
É verdade também que de vez em quando, sobretudo no Inverno, com os ossos à lareira, me deixo levar pela desintelectualização da vontade e embarco nas aventuras do repórter que não escreve uma linha que seja para os jornais. O traço e as cores de Hergé levam-me pela mão, sem esforço, à minha primeira idade, como decerto faz a tantos milhares de leitores por esse mundo fora, com a provável excepção dos Estados Unidos da América, onde consta que nem conhecem grande coisa do jovem colonialista, perdão!, repórter de ruiva poupa.
Associo-me pois, por amigável encomenda do Zé Oliveira, a esta efeméride. Sem esforço. Ao Tintin, prefiro o Zé Povinho. De longe. O Zé Povinho, a Mafalda, o Torpedo 1936. Ao Hergé, prefiro o José Vilhena, o Comès, o Eisner, o Edgar P. Jacobs e o F. Caprioli.
Ao Tintin, prefiro, enfim, o Capitão Haddock: uma mão lava a outra, hélas!
(Nos 80 anos do Tintin, para o jornal lousanense O Trevim - suplemento mensal BronKit com coordenação de Zé Oliveira)
Nota: O n.º 2 do "BronKit", suplemento do "Trevim", foi todo ele dedicado aos 80 anos do Tintim e inclui os cartunes/BD's que estiveram na exposição "Lousã 2009".
https://fecoportugal.blogspot.com/2009/05/bronkit-n-2.html
Além disso, o n.º 3 também incluiu mais dois desenhos alusivos ao Tintim (de Carlos Sêco e César Évora) que tinham ficado esquecidos na gaveta
Já existia uma ou outra loja, já se encontrava uma ou outra coisa dedicada ao universo de Tintin, mas uma loja oficial com o selo da Moulinsart (sociedade belga que gere o legado de Hergé) foi uma novidade absoluta em Portugal, que quase três anos depois de abrir portas se perde.
“Caros clientes, infelizmente por razões relacionadas com a crise sanitária, somos forçados a fechar definitivamente a loja do Tintin. Agradecemos a todos pelo vosso acolhimento, gentileza e confiança”, lê-se numa publicação na página de Facebook da loja.
A história desta loja, que fica no número 450 da Rua da Junqueira, começou como a de muitos outros projectos em Lisboa: um casal que numa viagem à capital se deixa encantar e decide mudar de vida. Neste caso, falamos dos franceses Nathalie e Louis, a viver em Lisboa desde 2017. Abriram o espaço em 2018, porque Lisboa tinha potencial e não tinha nada semelhante (e oficial) e também porque Portugal foi o primeiro país a traduzir as aventuras de Tintin.
Neste espaço, à semelhança do que acontece nas restantes lojas oficiais, encontrava-se de tudo – desde peças de colecção, como o cobiçado foguetão que levou Tintin à lua, figuras em resina inspiradas na exposição "Le Musée Imaginaire de Tintin", que aconteceu em 1979 postais, baralhos de cartas, porta-chaves e canecas. Isto para não falar dos livros da colecção que existem em português e noutras tantas línguas.
Na mesma publicação, Louis e Nathalie relembram os fãs das aventuras de Tintin que o Museu Calouste Gulbenkian deverá receber ainda este ano uma exposição dedicada a Hergé, na Galeria Principal do Edifício Sede. A mostra, apresentada pela primeira vez no Grand Palais, em Paris, e organizada em colaboração com o Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, vai reunir uma selecção importante de documentos, desenhos originais e várias obras criadas pelo célebre autor.
in TimeOut
Nuno Markl, Facebook, 9 de Setembro de 2016
Desenho original do belga Hergé, feito em 1936 para a capa da obra O Lótus Azul, supera um recorde mundial de um leilão de uma obra de banda desenhada, que pertencia ao próprio Hergé.