segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Pinguim Café

 



O Pinguim Café é uma instituição da cidade do Porto. Na revista gratuita Metro chegaram a ser publicados estes anúncios com personagens de BD. As várias edições da revista Metro podem ser consultadas em https://o-rock-no-porto-nos-anos-80.pt/metro/.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Café No Park


Fanzine de Banda Desenhada Café No Park n°3 OUT-92 (SUPLEMENTO)

Página Humor BD da autoria de Estrompa.

EDIÇÃO GRUPO SHOCK

COLABORADORES: BRUM, DEODATO, ESTROMPA, LACAS, MARÉ, PEPEDELREY, RUI ABRANTES.

TIRAGEM:100 exemplares

Aparece um anúncio a uma edição alternativa de Tintin.



terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Gramática



5.4. Função fática

ESTÁ'?... ESTÁ'?... ESTÁ'?...
ESTÁ'? ESTOU A OUVIR... SIM... COM A BRECA!... GRAVE?.. SIM... TRÊS DIAS.... SIM...SIM... NATURALMENTE...MUITO BEM...ENTENDIDO.

O capitão Haddock e o aviador procuram estabelecer e verificar o funcionamento do contacto, repetindo determinadas palavras: "está?... está? está?...", "sim... sim". Ora, utilizar a linguagem para verificar se o contacto está a funcionar, permitindo a transmissão da mensagem, caracteriza, precisamente, a função fática.




A gramática "Da Comunicação à Expressão" lançada pelas edições ASA incluía textos e fotos retirados de várias fontes. A edição consultada, a terceira, foi lançada em 1980.

Textos tirados dos jornais

O Primeiro de Janeiro

Jornal de Noticias

e das revistas

Tintin

Mafalda

A.C.P.

Agradecemos.


domingo, 28 de dezembro de 2025

Amigos de Hergé

HERGÉ TEM AMIGOS EM PORTUGAL

A extraordinária popularidade da obra de Hergé, especialmente das aventuras de Tintin, teve como consequência natural a constituição de diversas associações formadas pelos seus admiradores e coleccionadores da sua obra e de toda a parafernália de objectos associados, desde as colecções de cromos até às estatuetas em diversos materiais. 

Desses clubes, merece referência especial, pela sua importância, a associação belga Les Amis de Hergé (ADH), criada em 1985. De projecção internacional, vários dos seguidores portugueses da obra Hergé não tardaram em tornar-se sócios da mesma, recebendo as suas publicações regulares.

No ano de 2006, um desses membros portugueses dos ADH, José de Azevedo e Menezes, teve a feliz iniciativa de procurar apurar quais seriam ao certo os demais sócios portugueses e, contactando com todos, reuniu-os num grupo informal a que se resolveu chamar “Amigos de Hergé Portugueses”: ADHP.

A primeira reunião dos ADHP teve lugar em Lisboa, em Julho daquele ano, tendo-se repetido com alguma regularidade (aproximadamente trimestral) até 2019, após o que os encontros foram interrompidos enquanto durar a pandemia que progressivamente foi assolando todo o mundo a partir do início de 2020.

As reuniões têm lugar habitualmente ao almoço, estendendo-se até meio da tarde e a conversa é sempre animada, dados os interesses comuns dos participantes e os laços de amizade que ao longo do tempo se foram formando. A maior parte dos encontros tem tido lugar em Lisboa, mas houve já passeios que levaram o grupo ao Bombarral, ao Porto, a Viseu, a Coruche e até a Badajoz, em Espanha, estando previstas, quando possível, novas reuniões e novas deslocações.

Para além de se discutirem os mais variados aspectos da obra de Hergé – e mesmo da Banda Desenhada em geral –, os encontros dos ADHP são normalmente animados por um jogo, sob a forma de um questionário sobre a obra de Hergé, versando uma determinada história ou conjunto de histórias, ou também temas transversais como “As capas dos álbuns”, “Os animais nas aventuras de Tintin”, “Cientistas”, etc.


A partir de 2012, cada reunião passou a ser assinalada por um marcador de livros, preparado por um dos membros do grupo e exclusivamente destinados aos elementos do grupo.

Em 2007, criou-se um boletim em formato electrónico – ao qual, apropriadamente, se deu o título de BoleTim-Tim –, igualmente de circulação estritamente privada entre os membros do grupo, que juntava descrições das reuniões e artigos, da autoria de alguns dos ADHP, abordando diversos temas relacionados com a obra de Hergé.


Os ADHP têm como propósito fundamental o estudo e a divulgação dos trabalhos de Hergé, particularmente das aventuras de Tintin, sua principal criação, na certeza de que aqueles que na sua meninice e juventude puderam inicialmente apreciar essas obras, publicadas por populares revistas nacionais, são os elos naturais para as dar a conhecer às gerações mais novas, contribuindo assim para preservar no futuro o apreço que há quase um século vêm suscitando.

Fiéis a esses objectivos, os ADHP colaboraram também numa importante sessão que, em Fevereiro de 2019, comemorou os 90 anos da primeira publicação das aventuras de Tintin. Com o fundamental apoio da Fundação Moulinsart, o evento teve lugar nas instalações da Universidade Lusíada, em Lisboa e incluiu, para além de uma pequena exposição sobre o famoso repórter, um momento musical (foi interpretada a “Ária das Jóias”, da ópera Fausto, de Charles Gounod), a projecção do filme “Na sombra de Tintin” e um conjunto de palestras. A sessão teve assinalável êxito, contando, ao longo da tarde, com a participação de mais de uma centena de pessoas.

António Monteiro

Texto escrito segundo o antigo acordo ortográfico.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Brinquedos de BD


Abandonou o cigarro antes do tempo e dispara mais rápido do que a sua figura refletida. Os novos autores deram continuidade à obra de Morris e perpetuam a história de um cowboy solitário aberto a novos temas sem parecer uma sombra de si mesmo. O SAPO 24 falou com Ricardo Leite, dono da Toybroker, loja de banda desenhada clássica e super-heróis de outros tempos. Uma conversa sobre Lucky Luke, dos objetos e livros aos quadradinhos emprestados ao 32º Festival de Banda Desenhada da Amadora e da própria BD. Com uma incursão a soldadinhos de chumbo.

Lucky Luke. Aos 75 anos, o cowboy não é uma sombra do que foi

Lucky Luke. Os 75 anos do cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra, deixou de fumar em meados dos anos 80 do século passado, herói que sobreviveu ao criador Morris (Maurice de Bévère,) à imagem da tradição franco-belga e cuja história tem sido revisitada à luz dos temas mais prementes dos dias de hoje, é um dos ex-líbris da edição 32 do Festival de Banda Desenhada da Amadora, evento que encerra amanhã, 1 de novembro, dia de Todos os Santos.

O SAPO 24 falou com Ricardo Leite, dono da Toybroker, loja de brinquedos e clássicos da Banda Desenhada situada na cave do n.º 49 da Rua Sacadura Cabral, em Lisboa, autor e criador de miniaturas de soldadinhos portugueses e colecionador de material militar russo e soviético. É também responsável pelo empréstimo dos objetos que compõe "Os Herdeiros de Morris", uma das exposições patentes no Ski Skate Amadora Park, na freguesia da Damaia.

“Não contei o número de peças cedidas. Estive ainda a pensar no título 'Lucky Luke 200 peças' para a exposição, mas são mais”, assegura o colecionador entrado no mundo aos quadradinhos por influência do pai, cuja área de atividade profissional – ligado à marinha mercante – fez com que trouxesse do estrangeiro a efervescência dos bonecos e da banda desenhada.

A exposição revela o traço de novos autores responsáveis por desenhar a magra e solitária figura de colete preto, chapéu branco, camisa amarela e calças de ganga: Achdé (“Terra prometida”, cuja história retrata a escolta a uma família de judeus da Europa de Leste até aos confins do Oeste selvagem), Mawil (“Lucky Luke Muda de Sela”, 2020, no qual uma bicicleta concorre com o inseparável Jolly Jumper) e Matthieu Bonhomme (“O Homem que matou Lucky Luke”, editado em 2016, em que são reveladas as razões de ter deixado de fumar e “Procura-se”, 2021).

“Sou um apreciador de Bonhomme. Gosta do western, apresenta uma nova literatura clássica dentro do estilo franco-belga, está fantástico”, elogia Ricardo Leite num espaço onde coabitam Lone Ranger e Action Man, as BD do Spirou, Tex e Astérix e “diverso material militar russo e português” assim como “miniaturas de soldadinhos feitos em liga de estanho”, pedido feito pelos “Pupilos do Exército” e cujas peças artesanais deram origem ao core do seu sustento. “Não me fará rico, mas confere alguma dignidade ao negócio”, sorri.

Sem ponta de cigarros e com novos temas na boca

Abre o livro a falar da adaptação da nova arte (Banda Desenhada) ao politicamente correto, por vezes em duelo com a própria sombra.

A mudança mais popularizada assenta na ponta do cigarro desaparecida da boca do cowboy solitário, um gesto que viria a valer a Morris uma distinção da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas há outras incursões. No ano passado, um caderno do Lucky Luke adotou uma postura política ao trazer o tema da segregação racial e ao introduzir o primeiro xerife negro em “Un cowboy dans le coton", do argumentista Jul.

“A produtora americana Hanna-Barbera quis fazer a série nos EUA e impôs duas condições. Retirar o cigarro e eliminar as pistolas. Morris acedeu à primeira, retirou os requintes de enrolar o cigarro e bolsa do tabaco e, em seu lugar, colocou uma palha, mas não aceitou a segunda. Não fazia sentido não ter uma pistola no Velho Oeste”, ajuíza. “[Morris] Começou na série e passou para a banda desenhada para não fazer confusão”, recorda.

Ricardo Leite não abandona o tema e dá um salto até outra exposição: "Hergé", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, dedicada ao percurso de George Remi. “Hergé estava à frente do seu tempo. Fez autocensuras às suas obras, umas vezes por imposição de editoras, outras por decisão dele e foi à obra modificá-la. O Morris, nesse aspeto, não o fez”, sublinha.

“Há autores indiferentes e quem não se verga. Mas não é importante. É uma evolução da arte nas sociedades. Eu, como apreciador, vejo o que aparece e tomo opção se gosto ou não. O que não acho correto é o que sucedeu numa biblioteca no Canadá onde se queimaram livros de Banda Desenhada debaixo de acusações”, sentenciou.

Recorre a um exemplo da nova roupagem de Banda Desenhada. “O Tex, muito popular em Itália e no Brasil, a personagem, não desfazendo, os autores eram artistas na época. Evoluiu muito e sou adepto dos novos autores, gosto mais”, exemplificou.

Apesar da abertura de espírito em relação às novas roupagens e enredos, novos e velhos juízos, centra o foco no boneco e autor que deram origem às obras. “Sou muito fiel aos artistas originais”, sublinha, ao mesmo tempo que questiona o desenvolvimento de “um filão quando o artista já morreu”, refere. “Uma obra de arte é diretamente ligada ao artista original. Hoje em dia, há casos que não são carne, nem peixe”, uma expressão saída ao falar do lançamento mundial do Astérix, ele que foi Comissário da Exposição dos 50 anos da icónica personagem gaulesa.

O revivalismo do mundo aos quadradinhos

“O meu pai era entusiasta do Lucky Luke. Tenho os primeiros Cavaleiros Andantes que estão nas vitrinas do festival BD da Amadora”, avisa Ricardo Leite.

Tem com a montra amadorense dos quadradinhos uma longa relação. “Fiz no Museu de brinquedo de Sintra uma exposição sobre o Tintim com um amigo do Porto, da loja “Tintim por Tintim”, uma exibição que lhe viria a abrir as portas a sul. “Comecei a trabalhar em 2003 ou 2004. Numa exposição no antigo centro internacional de BD e Imagem da Amadora”, relembra. “Pediram-me para fazer algo sobre coisas feitas em Portugal. Os bonecos dos gelados da Olá e da Rajá, bem como as figuras do Lucky Luke, feita na fábrica da Maia”.

Nascido em 1965, colega de carteira e curso de Mário Centeno (ISEG), economista de formação, empresário da restauração (dono do antigo restaurante Kalashnikov, Lisboa), começou no início dos anos 90 "a pegar nas coisas que a mãe tinha na arrecadação". "Um, mais um e mais outro e comecei a investigar. E tive sorte por acordar para esta atividade quando ainda havia pouca gente interessada e antes da explosão da internet”, adianta.

“No catálogo da exposição Lucky Luke faço referência a essa evolução nos anos 90. Nessa altura, havia só livros; na primeira década do século XXI aparecem os sites e blogues que deram uma dinâmica ao colecionismo e agora as redes sociais que nesta área explodiram”, comenta.

“Temos o fenómeno do interesse na banda desenhada do Japão, Mangá (também patente no festival da Amadora)”, recorda. No outro lado do Atlântico, os super-heróis esquecidos renascem com a Marvel e a DC (cinema) e despertaram o interesse dos mais novos”, sustenta. “Pensava que o culto do papel se ia perder... são fenómenos cíclicos engraçados”, reconhece.

Um revivalismo também ele revisitado na Amadora. Vai de Michel Vaillant (criado por Jean Graton) aos "80 anos de Diana, a Mulher-Maravilha: Guerreira e Pacifista", personagem da DC Comics, Drácula, de George Bess, passando pela criação portuguesa, Corvo.

Miguel Morgado, Sapo 24, 31/10/2021

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Revista Tintin - Natal de 1975


Outras edições de natal da versão portuguesa da revista Tintin :

Data: 21-12-1968

 Págs: 28

 Preço: 5$00

 Capa: Hergé (Georges Remi)


https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/1-ano-n-30.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/130.html

Capa Hergé - postal bola de natal

Data: 20-12-1969

 Págs: 28+s

 Preço: 5$00

 Capa: Uderzo (astérix)

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/2-ano-n-30.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/230.html

 Data: 26-12-1970

 Págs: 32

 Preço: 7$50

 Capa: Azara, Jo-El

 Nota: Capa com Tintin (Lua)


https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/3-ano-n-31.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/331.html

Data: 25-12-1971

 Págs: 32

 Preço: 7$50

 Capa: Geri

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/4-ano-n-31.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/431.html

 Data: 23-12-1972

 Págs: 32

 Preço: 7$50

vela (Tintin)

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/5-ano-n-31.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/531.html

 Data: 29-12-1973

 Págs: 32

 Preço: 7$50

 Capa: Dupa (Dany)

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/6-ano-n-32.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/632.html

Data: 21-12-1974

 Págs: 32

 Preço: 10$00

 Capa: Godi

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/7-ano-n-31.html

Data: 12-1975

 Págs: 32

 Preço: 12$50

 Nota: A capa anuncia o Natal de 1975.


https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/8-ano-n-31.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/831.html

Data: 25-12-1976

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/9-ano-n-32.html

Data: 24-12-1977

 Págs: 36

 Preço: 20$00

cão

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/10-ano-n-32.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/1032.html

Data: 23-12-1978

 Págs: 36

 Preço: 20$00

 Capa: Turk 

https://revistatintin.blogspot.com/2013/10/11-ano-n-32.html

http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Franco/Internacional_Tintin/record/1132.html

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Capitão da Limpeza


O Capitão Enfrenta o Juízo Final (ou quase)

No amanhecer seguinte, límpido, dourado, e com um ar tão puro que parecia provocar remorso a quem tivesse cometido excessos na véspera, o capitão Haddock apresentou-se no Colégio Fernão Lopes, de bata lavada (ainda húmida) e bigode penteado com uma dedicação quase cerimonial. Viera cumprir a sua promessa. Caminhava com passo tenso, como quem vai a uma audiência régia ou a um duelo inevitável.

Os alunos, mal o viram chegar ao portão, sussurraram entre si com uma mistura de admiração e travessura; alguns tinham mesmo preparado um cartaz que dizia “Bem-vindo, Capitão da Limpeza!”, mas a professora Lurdes, com um olhar só, fê-los esconder a obra de arte.

Mas o destino tinha outras intenções antes que Haddock pegasse num pano ou numa escova.

Mal transpôs o átrio, uma voz grave ecoou pelo corredor:

— Capitão Haddock?

Ele engoliu em seco. Reconheceu de imediato o tom solene, digno e levemente ameaçador de quem está habituado a discursar perante assembleias e a distribuir verbos firmes como quem oferece diplomas.

Era o Dr. Armando, o diretor do colégio — homem de porte austero, sobrancelha sempre meio franzida e voz que parecia destinada a proclamar sentenças desde o nascimento.

— Aqui estou eu… — respondeu Haddock, com aquele tom entre a bravura e o arrependimento que só marujos arrependidos conseguem dominar.

O diretor aproximou-se, devagar, com uma calma que só tornava o momento mais terrível.

Olhou-o de alto a baixo, como quem avalia os estragos invisíveis.

— Capitão — começou ele, pausadamente —, fui informado do… episódio de ontem.

Haddock pigarreou.

— Sim, bem… eu apenas conduzia uma pequena investigação científica…

— Científica? — interrompeu o diretor, arqueando a sobrancelha com tal elegância que metade dos alunos, escondidos ao fundo do corredor, suspiraram. — As nuvens de fumo que invadiram dois pisos, o cheiro persistente a palhete que ainda hoje perfuma o laboratório, e o estado… calamitoso… do material de ensaio não me parecem propriamente frutos da ciência moderna.

Haddock sentiu o bigode tremer.

— São… circunstâncias que escaparam ao controlo… técnico.

O Dr. Armando prosseguiu, erguendo o dedo indicador num gesto messiânico:

— O colégio poderia, em casos como este, aplicar uma medida disciplinar exemplar! A expulsão imediata das instalações! E, tendo em conta a dimensão do estrago… — aqui fez uma pausa dramática — …a eventual proibição de voltar a entrar em qualquer espaço público no país por… tempo indeterminado.

Os alunos, ao fundo, arregalaram os olhos; Astérix apertou o capacete; até um pardal, pousado no parapeito, pareceu conter a respiração.

O capitão Haddock ficou lívido — uma palidez só comparável à que sentira uma vez quando, no mar do Norte, confundiu uma garrafa de água com gasolina de motor.

— Expulso? Proibido de entrar em espaços públicos?! — gaguejou, olhos esbugalhados. — Trovões e ventos glaciais… isso é pior do que enfrentar uma tempestade! Ou um romano com catapulta!

Por momentos pareceu que ia desmaiar, mas endireitou-se, puxou o colarinho e, numa atitude inesperadamente nobre, declarou:

— Se assim tiver de ser… aceitarei o castigo! Um marinheiro honra sempre os seus atos, mesmo quando são… idiotas.

Fez-se silêncio.

Foi então que a professora Lurdes Moreira surgiu ao lado do diretor, como uma brisa suave que atravessa a sala antes da tempestade final.

— Dr. Armando — disse ela, com a serenidade de quem sabe que a palavra certa pode salvar um império — o capitão já reconheceu o erro. E veio cumprir a sua promessa. Além disso… — sorriu de leve — será útil na limpeza. É forte. E, ao contrário de ontem, hoje parece sóbrio.

O diretor hesitou. Depois pigarreou.

— Muito bem. — Declarou. — Aceitarei a sua colaboração… sob supervisão rigorosa.

Haddock deixou escapar o ar dos pulmões como quem regressa de uma batalha viva.

— Capitão — concluiu o diretor — que isto lhe sirva de lição. Da próxima vez que desejar realizar experiências… avise primeiro. Ou, de preferência, não realize.

— Palavra de marinheiro, senhor diretor! — respondeu Haddock, erguendo a mão em juramento. — Nunca mais tocarei em vinho dentro de um laboratório! Nem em vinho… científico.

Astérix arregalou os olhos.

E assim, perdoado mas não ilibado, o capitão Haddock seguiu para o laboratório, pronto a enfrentar a verdadeira batalha: esfregonas, detergentes, vidraria manchada… e talvez, com sorte, a redenção perante a doutora Lurdes. Ver menos

Estórias de Ourém, 03/12/2025 



sábado, 20 de dezembro de 2025

Coisas que Acontecem

A exposição "Coisas que acontecem", que integrou a mostra Ilustração Portuguesa 2004, foi pensada para o público infanto-juvenil e partiu de um conjunto de notícias do jornal O Público de 2003 e do primeiro semestre de 2004 que foram ilustradas por 20 nomes nacionais. Um dos trabalhos incluía um desenho com imagens de Tintin e Milou.

A Ilustração Portuguesa 2004 está na Galeria Municipal da Cordoaria Nacional até 7 de Novembro. A 6ª edição daquela que é uma das exposições mais emblemáticas produzidas pela Câmara Municipal de Lisboa, através da Bedeteca de Lisboa, tem este ano como tema a “Ilustração de imprensa”. Além do núcleo central e do temático, a mostra inclui um núcleo infantil e ainda uma retrospectiva da obra do mexicano José Guadalupe Posada. Da programação interactiva constam um debate com directores de arte, um ciclo de cinema de animação, diversos ateliers para os mais jovens e lançamentos editoriais. De tudo daremos conta nas linhas que se seguem.

EXPOSIÇÕES

_ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA 2004 - Mostra de trabalhos publicados em 2003 e 1º trimestre de 2004 das várias vertentes da ilustração: imprensa, publicidade, infanto-juvenil, web e inéditos. Estão representados 76 ilustradores, dos quais 19 integram a mostra pela primeira vez. Comissariada por Alice Geirinhas, ilustradora e coordenadora da área de formação da Bedeteca de Lisboa, Cristina Sampaio, ilustradora e Vicente Ferrer, ilustrador espanhol e editor da Media Vaca.

_90’S - Mostra de ilustração publicada na imprensa escrita portuguesa na década de 90. Com esta mostra, que inclui trabalhos de 16 autores, apresenta-se um registo daquele que foi o lançamento de uma geração de ilustradores de imprensa a partir de um momento especialmente dinâmico para a ilustração na imprensa periódica, nomeadamente nos jornais. Comissariada por Jorge Silva, designer e director de arte do jornal Público.

_COISAS QUE ACONTECEM - Mostra de uma selecção de notícias ilustradas: uma encomenda a 20 ilustradores dedicada ao público infanto-juvenil. Pretende-se com este núcleo dinamizar e promover junto do público infanto-juvenil o conhecimento e o gosto pela ilustração de imprensa, formando outros modos de ver. Comissariada por Alice Geirinhas.

EDIÇÕES

_Emissão Filatélica Comemorativa dos "Heróis Portugueses de Banda Desenhada"; composição com 4 selos soltos e um bloco de 4 selos a apresentar oficialmente pelos CTT, numa parceria com a Bedeteca

_Catálogo "Ilustração Portuguesa 2004"

_Caderno de actividades "Coisas que Acontecem"

02.11.2004

Coisas que acontecem na BDteca (2007)

 A partir de amanhã e até 22 de Dezembro acontece a segunda edição de "BDteca", um evento organizado pela Câmara Municipal de Odemira. Entre as várias actividades salientamos a exposição "Coisas que acontecem", que integrou a mostra Ilustração Portuguesa 2004 e que estará patente na Escola Básica 2,3 de Sabóia. Pensada para o público infanto-juvenil, parte de um conjunto de notícias seleccionadas do jornal O Público, em diferentes rubricas - Destaque, Internacional, Cultura, Ciências, Sociedade, Desporto, Local –, entre em 2003 e primeiro semestre de 2004. Ano e meio revisto e desenhado por 20 ilustradores nacionais: Pedro Burgos, Richard Câmara, André Carrilho, Alain Corbel, Alberto Faria, João Fazenda, António Jorge Gonçalves, Luís Lázaro, Daniel Lima, Jorge Mateus, Marta Monteiro, Ágata Moreira, Pedro Nora, Edgar Raposo, Rui Ricardo, Patrícia Romão, André Ruivo, Cristina Sampaio, José Manuel Saraiva e Pedro Zamith. Exposição comissariada por Alice Geirinhas, existe um livro, editado pela Bedeteca de Lisboa, para os mais jovens que propõe uma série de actividades que levarão à descoberta do jornal enquanto veículo de comunicação com uma organização própria, além de propostas de trabalhos de ilustração e informações biográficas sobre os autores participantes, acompanhadas do respectivo auto-retrato.

Recortes Bedeteca, 19/11/2007


09.05.2005

Coisas que ganham prémios...

  A Bedeteca de Lisboa informa: o atelier Silva! Designers ganhou na categoria de design editorial/Catálogos, o Troféu de OURO do 7º Festival do Clube de Criativos com o catálogo e livro de actividades "Coisas que Acontecem", que acompanhou a exposição que Alice Geirinhas comissariou na última edição da Ilustração Portuguesa, e o Troféu de Bronze com o catálogo do "El Alma de Almada El Impar, Obra gráfica (1926-1931)" da exposição comissariada pelo João Paulo Cotrim e Luís Manuel Gaspar.

Um especial agradecimento aos 20 ilustradores que ilustraram as 20 notícias do nosso mundo: Pedro Nora, Ágata Moreira, André Carrilho, Richard Câmara, Pedro Zamith, Rui Ricardo, José Manuel Saraiva, Marta Monteiro, Alberto Faria, Cristina Sampaio, Jorge Mateus, Edgar Raposo, João Fazenda, Patrícia Romão, Pedro Burgos, Daniel Lima, André Ruivo, Luís Lázaro, António Jorge Gonçalves e Alain Corbel.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Calendários

Sábado é dia de (Revista) Tintin - 1979




(https://tintinemportugal.blogspot.com/2020/08/calendario-tintin-da-livraria-bertrand.html)

Há calendários com outras personagens: Modeste, Martin Milan, Taka Takata, Robin da Mata, Cubitus, etc Houve também calendários da revista Spirou.

Calendário / Horário Escolar 1981/1982


Livraria Bertrand - Revista Tintin

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Boas Festas 1946/1947


Capa desenhada por Hergé para a primeira edição de Ano Novo do jornal, a 2 de janeiro de 1947, com os quatro desenhadores fundadores e os seus heróis à volta da mesa do banquete.

A primeira edição da revista "Tintin", edição belga, tinha sido lançada no dia 26 de setembro de 1946. Incluía histórias de Paul Cuvelier com "A Extraordinária Odisseia de Corentin Feldoë" (Corentin), Hergé com "O Templo do Sol" (Tintin), Jacques Laudy com "A Lenda dos Quatro Filhos de Aymon" e Edgar Pierre Jacobs com "O Segredo do Espadão" (Blake e Mortimer).

Esta imagem foi publicada originalmente como capa da revista "Tintin" nº 15 de 2 de janeiro de 1947. A mensagem principal é "Joyeuses Fêtes & Bonne Année" (Boas Festas e Feliz Ano Novo). A ilustração apresenta várias personagens da revista "Tintin" e os seus autores numa refeição festiva. O nome dos convidados está indicado na marcação de cada lugar.

Na imagem podemos ver Tintin, Capitão Haddock, Professor Girassol, Dupond e Dupont, bem como Nestor e Milou. Jocko (Simão) está sentado no topo da mesa, perto de Jo (o rapaz) e Zette (a rapariga), que são os protagonistas da série "Joana, João e o macaco Simão" que estavam a aparecer na revista. 

Hergé está no lado esquerdo da sala. Aparece também o Major Wings da "Estrela Misteriosa" que nos livros ainda não tinha nome. A partir de 1946, logo no primeiro número da revista "Tintin", é indicado que iria ter a página "Les Propos de Wings" alternando com a rubrica "Les Entreteniens du Capitaine Haddock". Antecedendo assim alguns dos cromos "Ver e Saber" dedicados aos navios e aviões.

Edgar P. Jacobs está na imagem assim como Blake e Mortimer. E Paul Cuvelier, criador de Corentin, está sentado ao lado da sua personagem. De "A Lenda dos Quatro Filhos de Aymon" (de Jacques Laudy e Jean-Luc) estão presentes Guichard, Allard e Renaud  bem como o seu primo Maugis e o cavalo mágico Bayard (o cavalo na mesa). Jacques Laudy está desenhado perto do Capitão Haddock.

É interessante a apresentação do bolo com as figuras de Tintin e com o ano de 1947 no topo.

Personagens e autores presentes na imagem:

Nestor

Jocko (macaco simão)

Blake

Zette (Joana)

Jo (João)

Major Wings

Maugis

Paul Cuvelier

Corentin

Dupont

Jacques Laudy

Capitão Haddock

Tintin

Milou

Guichard

Allard

cavalo Bayard

Hergé

Mortimer

Renaud

Dupond

Tournesol (Professor Girassol)

Edgar P. Jacobs